. três semanas depois .

Ela colocou o livro surrado na enorme pilha que estava a sua frente, sentindo-se derrotada ao ver que nenhum daqueles livros tinha conteúdo satisfatório para sua pesquisa. Para começar, nem mesmo sabia o que realmente estava procurando, tinha apenas uma referência para busca, que era a própria palavra: Asgard.

O que era Asgard? Um objeto? Uma pessoa? Um lugar?

Sansa sabia que não deveria estar ali, procurando por algo que ele tentara ocultar dela. Mas sabia... Por mais que Loki tivesse dito que aquilo era tolice e nada de importante, ela viu com facilidade a palidez que tomou o rosto dele e como os lábios finos estremeceram minimamente, mas perceptivelmente para quem o conhecia. Depois de algum tempo juntos, conseguia captar cada mudança de humor do marido, e mesmo que ele fosse considerado uma máscara fria e sem expressão para quase todos que o conheciam, para Sansa, era facilmente lido.

Mas tinha que admitir a si mesma, aquela busca era uma perda total de tempo, estava claro que ela não ia achar nada ali. O rei era astucioso, se existisse algum livro que contivesse conteúdo suspeito que pudesse levar ao passado e origem de Loki, deveria estar na posse total e secreta dele, ou provavelmente, queimado.

Respirou fundo, olhando em volta. Nunca passara tanto tempo naquela biblioteca quanto nas últimas três semanas, nem quando precisava estudar as letras para tornar-se uma donzela estudada. Fez uma careta. A biblioteca sempre lhe proporcionava uma sensação estranha de sufocamento. A poeira ali era visível até mesmo no ar, pequenos granulados voando e cintilando, conforme a luz da manhã atravessava a janela. Uma vela queimava perto das prateleiras, dando ao local uma luz amarelada.

Olhou para Fenrir, que estava deitado ao lado dela, os olhos ferinos a observando com atenção. Sansa correu os olhos pelo animal e tornou a fitar os livros, voltando sua atenção para o lobo e semicerrando os olhos.

— Você sabe o que é Asgard, não é?

O rabo peludo do lobo ricochetou pelo tapete quente da biblioteca e ele desviou o olhar, como se estivesse escondendo um segredo altamente perigoso. Sansa bufou, fazendo uma careta.

— Gostaria de ler sua mente como meu marido faz... Ou pelo menos ser conectada a você igual ele é...

Ao ouvir aquilo, o lobo se aproximou, deitando-se ao seu lado e pousando a cabeça no seu colo, como se dissesse, por meio disso, que pertencia a ela na mesma proporção que pertencia a Loki. Mas Sansa sabia que aquilo não era completamente verdade. Mesmo que Fenrir a entendesse além do normal e fosse uma companhia melhor que qualquer outra, ela não possuía essa troca de pensamentos que o animal possuía com seu marido.

— Seria interessante... descobrir os segredos dele através dos seus pensamentos. – ela disse, acariciando o pelo macio da cabeça dele. — Imagino o quanto ele ficaria furioso. – O lobo bufou, fazendo-a sorrir. — Ele seria vulnerável, o que é inadmissível para ele...

Depois de algum tempo ali, Fenrir deitou-se perto dela e Sansa continuou sentada no tapete, olhando para a pilha de livros. Há tempo já desistira de procurar por Asgard, teria que ter paciência em esperar que Loki saciasse sua ânsia por informações.

Um enjoo horrível percorreu o corpo dela fazendo-a colocar a mão na boca, gesticulando ânsia de vômito. Mas conseguiu se controlar e respirou fundo, o cheiro de páginas úmidas e cera de vela derretida apenas piorou a sensação. Fenrir a olhou com atenção.

— Acho que a curiosidade não faz bem para minha gravidez. – Ela colocou a mão no ventre. — A criança já igual ao pai antes mesmo de nascer.

Provavelmente aquela sensação era psicológica. Havia poucas semanas... Não era possível que os enjoos começassem tão cedo. Mas agora tinha certeza da gravidez, pois suas regras estavam atrasadas em demasia e os seios inchados não poderiam ser consequência de outra coisa senão a espera de um herdeiro.

— Preciso descansar antes de ir para o treino. – Ao ver o modo como o lobo a olhou, adiantou-se. — Preciso treinar o arco, Fenrir! Prometo que será apenas um pouco... De qualquer maneira, o vento gelado me ajuda nos enjoos... E é melhor do que o castelo fechado.

Ela se levantou, e o animal acompanhou seu gesto.

— Vamos... Dormirei um pouco antes de descer para o treino.

Com isso, saiu da biblioteca.

[...]

O homem puxou o tanto de ar que conseguia puxar, antes de ser empurrado novamente para a tina de água gelada. Mesmo que pudesse lidar com a falta de oxigênio, a temperatura da água já estava deixando seu rosto paralisado e os lábios tremiam de forma incontrolada, o que lhe dava uma aparência patética de um homem com medo, algo que tentava evitar a todo custo. Contudo, pelo menos com o rosto anestesiado, não conseguiria sentir os socos fortes daquele homem ao seu lado.

— Eu vou perguntar a última vez, leãozinho. – A voz arrastada fez calafrios percorrerem seu corpo, e ele não sabia se era por causa do frio ou do medo. — Onde estão os outros covardes?

O homem que tomara Westeros e agora se intitulava o Rei do Norte perguntou. Os olhos dele eram de um azul profundo, mais frios que o inverno de Winterfell. O rei se referia aos espiões que seus inimigos haviam plantado em diversas aldeias ali, mas claro que ele, como um Lannister leal, nunca daria os nomes.

Conhecia torturas, deixavam as pessoas à beira da loucura, mexiam com a mente dela para depois liberá-las aos poucos, desistindo de extrair algo e sabendo que, se o matassem, nunca saberiam de fato. Ele conteve um sorriso, os olhos castanhos indo em direção ao seu companheiro, que estava tão encharcado quanto ele. O outro Lannister fez um gesto imperceptível com a cabeça, mas Loki, astuto como um felino, percebeu rapidamente a tentativa de diálogo.

— Vamos deixar algo claro aqui... Caso não queriam me dizer onde está o resto da corja, um de vocês perderá a cabeça. Lentamente.

Nenhum dos dois falou, fazendo com que o resto de paciência de Loki se esvaísse. Ele revirou os olhos, olhando para os dois Lannisters e escolhendo por meio da aparência qual seria o decapitado. Normalmente faria com os dois, mas precisava de um vivo para mandar uma mensagem a Tywin Lannister. Aproximou-se do mais fraco, pois o mais alto o olhava com um deboche que beirava ao ridículo.

A mão longa enfiou-se pelos cabelos loiros e ele deixou o pescoço alvo do mais novo visível, sacando a adaga de uma forma que o outro Lannister nunca soube como.

— Muito bem, está disposto a deixar sua família morrer por causa de um segredo de um velho ambicioso?

Ele odiava velhos ambiciosos. Tywin Lannister lhe lembrava de Odin. Como o homem não disse nada, Loki enfiou vagarosamente a adaga no pescoço do garoto, apertando-a levemente na carne e puxando-a. Um filete de sangue correu pela pele alva, mas o grandalhão não pareceu acreditar que ele executaria um dos seus.

Doce engano.

A adaga foi rasgando o pescoço de forma lenta e prazerosa para o moreno, porém de forma mais agoniante para o garoto, que sentia sua vida se esvair de seu corpo à medida que o sangue esguichava, molhando o chão sujo de pedra.

Não foi um degolamento rápido e limpo, mas sujo e torturante. O Lannister vivo impediu que o vômito subisse pela sua garganta, quando o corpo do seu companheiro foi jogado de qualquer maneira no chão e Loki pegou a cabeça, enfiando-a num saco tosco, amarrando-a com uma corda prateada. O sangue começava a manchar o tecido grosseiro do saco, e logo estava pingando no chão. O Lannister estremeceu.

— Não? – Loki voltou a perguntar. — Quer ter o mesmo fim que ele?

E como se tivesse usado magia, o homem abriu a boca, mas o que lhe disse não era o que Loki realmente esperava.

— Seu idiota! Isso é uma armadilha. Não vê? Não temos importância, só queríamos lhe afastar de Winterfell...

Loki revirou os olhos, deixando o saco em um banco ali perto e agora limpando o sangue das mãos com um pano úmido.

— Sabe, Lannister. As conversas são verdadeiras. Eu sou um feiticeiro... – ele confessou. — Sabe o que farei com você e os poucos arranhões que irei sofrer? Como pode ser tolo a ponto de acreditar que vim despreparado?

— Tolo é você! – O Lannister cuspiu. — Você não é o alvo, mas aquela ruiva imunda com quem você se casou. Sansa Stark. A herdeira do Norte.

Ao ouvir isso, o rosto de Loki perdeu o pouco de cor que tinha, mas o Lannister não viu aquilo, estava ocupado demais tentando tomar fôlego, já sabendo que era questão de segundos até enfiá-lo novamente na tina de água gelada. Loki aproximou-se da porta e chamou um dos homens, esperando-o. Ao ver seu guarda entrar, apontou para o homem.

— Alimentem-no e esperem-no descansar. – Ao ver o olhar questionador do homem, acrescentou. — Preciso dele vivo e bem disposto para cavalgar de volta de onde veio. Quero que ele transmita um recado para o velho que comanda tudo. – Olhou para o Lannister, que estava petrificado. — Espero que seja o suficiente e que você consiga atravessar a neve até chegar ao seu mestre. – O sorriso de Loki era até mesmo viperino. — Não queremos deixá-lo esperando, não?

[...]

Sansa saiu do castelo, sentindo o frio extremo tomar o seu corpo; o inverno estava ali, finalmente. A camada de gelo era enorme, e mesmo que ela usasse botas de cano alto e com solas grossas, a neve conseguia infiltrar-se pela boca da bota e deixava as meias de lã dela úmidas, fazendo-a ficar com frio. Puxou a capa em volta do seu corpo, colocando o capuz para que o vento gelado não batesse em seu rosto.

Fenrir estava ao seu lado, e não parecia sentir as consequências do frio como ela sentia. Na verdade, parecia muito à vontade com tudo.

Se eu tivesse um casaco natural de pelos densos igual a ele, estaria aquecida também.

Ela pensou um pouco mal-humorada. Que tipo de pensamento tivera ao decidir naquela manhã que iria treinar arco naquele frio alucinante? Por sorte o campo de treino fora transferido para um pequeno estábulo ali perto, e a promessa de palha e fogueira a deixava mais animada. Andou vagarosamente até o local, finalmente encontrando-o em meio à neblina. Ao entrar ali, esperou que Fenrir estivesse ao seu lado para fechar a porta de madeira.

As tábuas, mesmo que espaçadas, bloquearam o vento com eficiência, deixando o frio lá fora e o lugar mais aquecido. Retirou o manto e jogou-o em um monte de palha que estava ali. Por sorte, não havia ninguém por perto, estava com o local apenas para si. Ninguém seria louco de sair em meio à neve para treinar arco e manejar espadas. Fenrir a olhava, e ela observava as orbes ferinas serem tomadas por um brilho de atenção e cuidado.

Sansa revirou os olhos.

— Fenrir, pelos deuses! – ela esganiçou. — Não vou ficar muito tempo. E estar grávida não é sinônimo de estar doente!

[...]

Fazia quase duas horas que ela estava ali. A claridade do estábulo havia diminuído um mínimo, mas a tempestade de neve se aproximando foi o suficiente para que Sansa desistisse de continuar o treino e finalmente parasse para descansar. Estava difícil de enxergar o alvo, mas ela estava satisfeita pelo treino. Depois que Loki lhe dera a luva, suas mãos não ficavam mais doloridas e agora conseguia treinar por horas, acertando até mesmo alvos móveis.

Sentou-se no monte de palha que havia deixado sua capa, abrindo sua cesta pequena e procurando o cantil onde abastecera com água.

— Sabe, Fenrir. Talvez você estivesse certo... Gravidez não é doença, mas congestionar meus pulmões com friagem pode se tornar uma... Não é bom para o bebê e...

Depois de algum tempo que percebeu que Fenrir não parecia estar a escutando. De alguma forma sabia disso, como se agora fizesse parte do lobo, como se ele fosse uma pessoa. O animal olhava em volta com atenção, como se estivesse procurando por algo que realmente não estava ali. Sansa estremeceu.

— Fenrir, o que houve? Pare com isso! Parece Arya quando queria me amedrontar com histórias de assombrações!

Ela finalmente achou o cantil, pegando-o com avidez. Assim que destampou e levou o objeto à boca, Fenrir aproximou-se dela, rosnando de forma alarmante. Sansa franziu o cenho, assustada.

— Por que está rosnando para mim? – Ela deu longos goles da bebida. — O que está fazendo. Fenrir?

Ela perguntou quando o lobo enfiou os dentes no cantil e jogou-o para longe. Sansa não entendeu absolutamente nada da conduta do animal, mas olhou para a água escorrendo pela terra batida e percebeu o desperdício, ainda tinha sede. Fez uma careta.

— Vamos... Precisamos voltar ao castelo antes que a tempestade de neve caia.

Ao se levantar, percebeu de imediato que algo estava errado. Sua cabeça parecia pesar uma tonelada, bem como seu corpo. Suas pernas estavam levemente paralisadas, e agora o enjoo tomava cada parte de seu ser, como se Sansa já tivesse nascido com aquela sensação amarga. Ela olhou para Fenrir, que estava rosnando e olhando para os lados.

— O que houve? Fenrir...

Ela tentou dar um passo, mas caiu de joelhos, não conseguindo se mexer.

— O que há com meu corpo? – Escutou vagamente a porta do estábulo se abrindo. — Fenrir...

Um rosnado furioso a despertou de leve e Sansa correu os olhos pelo seu campo de visão, vendo Fenrir cair no monte de palha. Seu corpo estava coberto com o que pareciam pequenas flechas.

— Não... não! – ela gritou quando viu três homens entrando no estábulo, um deles o que se oferecera para trocar o alvo dela semanas atrás. — NÃO!

Voltou a gritar quando eles apontaram arcos para o lobo, atirando mais uma saraivada de flechas. Fenrir grunhiu de forma amargurada, seu corpo terminando de desabar ali. O lobo estava morto.

Ela tentava manter os olhos abertos, mas as lágrimas de tristeza pela morte do animal a cegavam, e sentia vagamente seu corpo, como se ele agora pesasse ainda mais e ao mesmo tempo fosse leve como pluma. Ou era apenas sua mente querendo se desprender dele? Dois braços fortes a içaram.

— Me largue, seu idiota! – Ela tentou espernear. — Eu sou sua rainha!

O homem não deu atenção a isso. Ela queria xingá-lo, enfiar uma flecha no olho dele ou chutá-lo entre suas pernas. Mas não fez nada, apenas desacordou.

[...]

Tyrion correu em seu encalço, tentando dizer que seria loucura voltar para Winterfell debaixo de uma tempestade de neve, e ainda por cima pela noite. Mas o rei não o escutava, a fúria estampava cada centímetro de seu rosto. O que Loki havia escutado poderia ser uma piada de mau gosto, mas não deixaria aquilo passar até ver que a garota estava a salvo.

— São oito dias até Winterfell, Vossa Graça. – Tyrion tentou pela última vez. — Não chegará vivo.

Loki ignorou o anão, andando pelos corredores. Vestia-se como se fosse partir a qualquer momento. Sua armadura era negra e uma capa verde de lã estava jogada sobre seu corpo, com pelos escuros em volta da gola. Um guarda se aproximou do seu rei, fazendo uma pequena reverência.

— Seu cavalo está selado, Vossa Graça. – Ele olhou o rei nos olhos. — O prisioneiro o espera.

Loki assentiu e andou até a sala onde o Lannister imundo estava. Mesmo que o rei tivesse o deixado descansar e lhe dado pão carunchento e água para beber, sua aparência era exausta e ele usava roupas que pareciam fiapos e trapos. O loiro olhou para o anão que entrara logo depois.

— Covarde! – o Lannister insultou. — Traiu a própria família!

O tapa veio rápido e forte, acertando-o na face. O rosto virou-se com tamanho impacto, mas logo o loiro voltou a olhar para o rei.

— Cale-se, pequeno leão. – Loki ordenou.

Ao ver as expressões nos rostos dos presentes, caminhou até o banco onde deixara o resto do Lannister dentro do saco, abrindo-o e puxando a cabeça para fora. Tyrion quase vomitou, reconhecendo ali Lancel Lannister. Sem pestanejar, Loki enfiou os dedos longos no olho do que um dia fora um belo rapaz, arrancando o globo da órbita e jogando-o no chão. No lugar, enfiou um pergaminho lacrado. Jogou a cabeça de volta ao saco e amarrou-o com aquela corda estranha e prateada. Fechou os olhos, as mãos dele emitiram um brilho cinzento, contornando as nuances da corda, que também brilhou. Ele murmurou palavras desconhecidas até mesmo para Tyrion, que sabia idiomas diversos, e logo o brilho se dissipou.

Com o pedaço de corda sobrando, caminhou para o Lannister vivo e amarrou o saco em seu pescoço.

— Pensei muito, mas considerarei um conforto a você... Suas mãos ficarão livres... para que segure as rédeas do cavalo. Não tente tirar o saco do pescoço, ou terá o mesmo destino de seu parente… Não queremos acabar com duas cabeças de leões em meio à neve, não? – ele disse de forma irônica, uma sombra de sorriso percorrendo seu rosto. — A carta dentro do que um dia fora um olho claro deve ser entregue ao seu mestre, pai do anão. – Ele deu dois tapinhas no ombro do homem alto. — Não se preocupe, o sangue da cabeça já se esvaiu. – Apontou para o banco, onde o sangue havia pingado até se tornar mínimo e secar.

Depois de limpar as mãos em uma tina de água, ele puxou o homem pela manga da blusa, rasgando o tecido com esse gesto, empurrou-o para fora da sala e pelo corredor, chegando a uma porta e abrindo-a. Lá fora, um cavalo o esperava selado.

— Monte. – Loki ordenou. — Boa viagem.

O homem montou, olhando aterrorizado para o saco fétido, engolindo em seco quando Loki deu um tapa no cavalo para que começasse sua viagem de volta.

Ao ver o homem se afastar, Tyrion pigarreou.

— Vejo que levou meu pedido a sério. – ele ironizou. — Não que eu vá sentir falta de Lancel.

— É apenas o começo.

Ao ouvir Loki dizer aquilo, percebeu um cavalo negro se aproximar, já selado. O rei montou-o olhando para o caminho que segundos atrás o cavalo do homem fizera.

— Como sabe que ele irá chegar ao seu destino? – Tyrion perguntou. — Pode morrer no caminho, ou simplesmente vagar para outra direção.

— Cuidei para que isso não aconteça. – Loki o fitou. — Magia.

O anão assentiu, olhando para as mãos do rei, que seguravam fortemente as rédeas do cavalo.

— Não pode ir agora, Vossa Graça... A tempestade...

— Irei agora, sozinho. O resto parte quando achar necessário. – ele comunicou, colocando luvas grossas de couro. — Chegarei em Winterfell em poucos dias. – Tyrion abriu a boca para retrucar, mas Loki o interrompeu. — Sansa está grávida, Tyrion. Não vou arriscar perdê-la, pois assim perderei meu filho também.

Com essa informação, ele virou o cavalo em direção à entrada, começando a trotar logo em seguida, virando um borrão negro em meio à neblina e neve.