Sua ansiedade estava a deixando completamente tonta. Sansa não conseguia comer nada do que estava ali na pequena mesa de café da manhã, repleta de tortas, chás e água. Estremeceu quando pensou no grande momento que passaria durante aquele dia. Sete dias... Ele lhe dera sete dias para que começasse a arrumar suas coisas, para que ela se preparasse para rumar para o norte, para rumar de volta à sua casa.

E o rei cumprira com a sua palavra rapidamente. Mandara um cavaleiro da guarda real lhe dizer que ao nascer do sol, uma liteira a esperaria no portão principal do castelo, e serviçais levariam sua bagagem para os pequenos carros puxados por cavalos. A viagem seria longa, a julgar pelo movimento quase catastrófico em que o castelo se encontrava. Sansa podia ver pessoas andando de um lado para o outro no corredor, bem como aias entrando e saindo do quarto, dobrando os diversos vestidos da garota e colocando seus últimos pertences em bagagens menores.

Uma garota, que parecia mais nova do que a própria Sansa, trançava os seus cabelos, colocando meticulosamente as mechas nos lugares certos.

— Está muito bela, Lady Sansa.

Sansa sorriu em agradecimento, olhando sua imagem refletida no espelho do quarto. A aia fez uma pequena reverência e saiu do aposento, deixando a ruiva sozinha pela primeira vez em horas, finalmente. Ela aproveitou-se da solidão para andar pelo quarto, olhando pela última vez os móveis que estavam ali, perguntando-se se sentiria saudade daquele lugar. Há anos dormia na mesma cama, há anos era alimentada de um jeito específico. Há anos não sentia o frio peculiar de sua real casa...

Seus pensamentos foram cortados quando alguém bateu levemente na porta, e mesmo que essa estivesse aberta, Varys esperou gentilmente o aval de Sansa para entrar no quarto, parando no meio do cômodo. Seus olhos astutos observaram com atenção as poucas coisas que sobraram ali, os dedos de suas mãos se entrelaçaram, a manga da roupa diferente que ele usava tampando todo o braço.

— Vejo que está completamente pronta para abandonar a Fortaleza Vermelha, Sansa.

A observação não foi feita como uma crítica, mas ela sentiu que ele queria iniciar uma conversa. Não sabia se estava preparada para aquilo. Varys era uma pessoa complicada de se conversar, ela nunca sabia se ele queria apenas informações ou se estava jogando para valer com as palavras.

— Você deseja algo, Varys? – Ela perguntou diretamente, um pouco cansada das observações do careca. Varys deu um leve sorriso, mas ela nunca conseguia saber se aquele sorriso era de satisfação ou de ironia, ou se era a chave para algum segredo.

— Estou aqui apenas para levá-la até sua liteira. – ele respondeu, e ao ver a expressão questionadora da garota, acrescentou. — Ordens do rei.

Sansa não disse nada sobre aquilo. No tempo em que Loki tomara o trono, parecia confiar apenas em uma pessoa, ele mesmo. Porém, com o tempo, o rei abriu sua confiança, mesmo que ínfima, para a pessoa que estava à sua frente, e a olhava esperando uma resposta. Sansa sentiu seu estômago revirar, como se borboletas estivessem voando dentro dele, um enjoo de ansiedade tomou o seu corpo, mas ela conteve uma careta, respirando fundo para recuperar a sua calma.

Ela assentiu e ele gesticulou para que saíssem do quarto.

Ao chegarem ao corredor, Sansa finalmente percebeu o que estava em jogo. Estavam rumando para o norte, de volta para sua casa, para o lugar que fora tomado por inimigos. Iria ficar por dias na estrada e, mesmo que Loki fosse um rei pacificador, se em troca de submissão dos povos e casas, sempre havia aqueles que eram contrários às leis impostas pelo Trono de Ferro. Ela engoliu em seco, e como em um passe de mágica, Varys pareceu perceber a inquietação da garota.

— O que te aflige, Lady Sansa?

Ela pensou duas vezes antes de responder, mas Varys não era o tipo de pessoa distraída por palavras supérfluas. Focou os olhos azuis no final do corredor, dizendo pela primeira vez em voz alta suas preocupações.

— Eu sei que parece tolice... Mas sinto medo dessa viagem. – Ao ver o olhar que o homem lhe direcionou, tentou explicar melhor. — Digo, como o rei conseguiu limpar a estrada e entrar no norte em apenas alguns dias? Qualquer exército demoraria bem mais para assegurar um caminho tranquilo... Como vou saber se serei bem-vinda no norte, quando chegar no local? Eu...

Ela parou de falar, sentindo-se estranha. Sansa nunca gostava de fazer perguntas, desde tudo que sofrera com Joffrey, sempre temera demonstrar preocupações e inseguranças. E estava mais fechada a cada dia. Infelizmente, depois de tudo o que passara e quando finalmente chegara a hora exata da mudança da sua vida, a situação ficara crítica, e a insegurança visitou-a frequentemente.

— Lady Sansa... – Varys a chamou. — Vejo que cresceu desde o primeiro dia que passou pela portaria principal desse castelo. Sei que você merece uma explicação, e também informações. Sei também que não vê o rei há dias...

Sentiu-se inquieta com isso também. O rei Loki simplesmente sumia, deixando Sansa à mercê de seus pensamentos e perguntas cada vez mais embaraçosas. A última vez em que o vira, fora no café da manhã em que ele usara magia para esquentar o chá dela, e quando informara de que partiriam dentro de sete dias...

— Mas infelizmente não posso dar muitas informações, mesmo que saiba todas. – Varys continuou. — Você precisa entender, antes de começar essa viagem, que Loki não é uma pessoa comum. – Os olhos astutos do homem fitaram com atenção a garota. — Ele é poderoso. Mais do que você pode imaginar. Loki tomou o Trono de Ferro em poucos meses, antes do inverno chegar, algo que nenhum rei conseguiria, nem sonharia fazer em tão pouco tempo...

Sansa estremeceu, Varys tinha razão. Ela lembrara perfeitamente de como a Fortaleza Vermelha caiu rapidamente, quando Loki colocou os seus poderes em pauta e clamou o trono para si. Fora tão fácil... O que seria o norte, para alguém que tomara quase toda Westeros?

— Então peço que tenha calma e paciência... – ele continuou. — O rei Loki irá ao seu encontro para dizer-lhe o que precisa saber. No entanto, você precisa alcançar sua liteira para que isso aconteça. – Ele sorriu minimamente. — E embarcar nessa viagem rumo à sua casa.

Sansa não conteve o sorriso ao escutar as últimas palavras de Varys. Ela virou-se para ele, os olhos azuis estavam com um brilho incomum de felicidade, algo que ele não via na garota há muito tempo, e apreciou demais vê-lo. Era uma garota boa, Ned Stark merecia que pelo menos um membro de sua família tivesse um final feliz. E o norte merecia um Stark no trono, mesmo que tal Stark estivesse sendo controlada indiretamente por outro homem.

[...]

Ela estava na liteira há horas. O balanço do veículo estava deixando-a levemente tonta. Antigamente estivera acostumada a longas viagens, mas ficara tanto tempo trancafiada na Fortaleza Vermelha, que agora aquilo a enjoava. Na verdade, Sansa não estava acreditando muito que finalmente estava livre daquele lugar horrendo e carregado de péssimas recordações.

Fora na Fortaleza Vermelha que ela vira o pai ser decapitado sem escrúpulos. Fora dentro dos muros daquele lugar que apanhara de Joffrey, fora humilhada publicamente, ficara nua diante de homens rudes que nem ao menos conhecia os nomes. Fora ali que tivera notícias de sua família, seus irmãos desaparecendo um a um como a fumaça que se desmancha no ar...

Agora, ao colocar a cabeça para fora da liteira e observar lá fora, conseguia ver os muros daquele pesadelo cada vez menores, à medida que a outra grande parcela do exército de Loki marchava, rumo ao norte. O vento estava frio, e parecia carregar consigo prosperidade e esperança. Sansa fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o cheiro característico da grama úmida e do barro pisoteado pelos cavalos. Seus cabelos ruivos balançavam suavemente de acordo com a brisa, e seus olhos ávidos captavam tudo o que conseguiam no pequeno espaço em que ela estava.

A fila de cavaleiros era grande, muitos montados em cavalos de porte perfeito, seguindo fielmente a capa branca do exército real. Mas carregavam bandeiras verdes, com símbolos peculiares nos tecidos, que não conseguira distinguir por causa do vento. Por mais que se esforçasse, Sansa não conseguia ver Loki. Provavelmente porque ele estava no começo da fileira do exército, ou porque estava ocupado. Ela apostou na segunda opção. Precisava recordar que Loki era um rei, e um rei deveria estar dando ordens a todos e procurando soluções para possíveis problemas, e não ao lado de uma liteira – a única ali – que continha uma donzela.

Ela voltou a enfiar-se completamente para dentro da liteira e descansou a cabeça na pequena almofada que tinha ali. De repente, sentiu-se tola. Queria vê-lo, necessitava de uma conversa com ele. Mas quando isso iria acontecer? Muitos dias tinham se passado desde que ele pedira sua mão, e ele voltara a tocar sutilmente no assunto apenas uma vez depois daquilo. Tinha desistido? A sensação de tomar o norte mudara a mente dele? Ela não era mais o suficiente?

Pare de ser pessimista e insegura, Sansa.

Ela disse a si mesma, tentando se convencer de que nada estava errado. Respirou fundo, observando agora a janela calmamente. O céu estava com um pouco de neblina, nuvens cinzentas e carregadas começavam a tomá-lo, engolindo o sol e deixando o dia mais escuro.

Iria chover em breve.

[...]

Sansa esperava os homens armarem a barraca embaixo de uma árvore. Ela puxava seu manto em direção ao corpo, tentando barrar o vento forte e gelado que insistia em encontrar o seu rosto, querendo cortar a sua pele. Semicerrava os olhos e tentava entender como aqueles homens conseguiam armar uma barraca com tanta facilidade em meio àquele caos. Todos pareciam ter trabalho a fazer. Enquanto uns tinham saído para caçar por entre a mata densa ao leste, outros ficaram de prontidão, caso ordens fossem dadas, alguns armavam barracas, mas a grande maioria estava sentada, colocando as armas no chão e procurando madeira seca para fazer fogueiras quando anoitecesse.

Estava frio, e ela rezava para que sua barraca estivesse de pé em pouco tempo. O crepúsculo já estava próximo, mas o céu não estava alaranjado como em um dia comum, e sim arroxeado, indicando que iria chover na parte da noite.

Um cavaleiro se aproximou, dizendo com cortesia que sua barraca estava preparada. Sansa soltou o ar em alívio, seguindo o homem até ela. Ao fitá-la, percebeu que a barraca era grande, e caberiam no mínimo três pessoas ali. Ela olhou significamente para o homem, que gesticulou com a cabeça de forma tranquila.

— O rei pediu para que você tivesse a melhor barraca daqui. Apesar de ser grande e de você estar sem companhia de aias, dormirá sozinha. Teremos cavaleiros guardando o perímetro.

Sansa agradeceu e entrou, sentindo-se melhor quando a lona da barraca fechou-se atrás de si, barrando o vento, o som inquestionável de homens de guerra cansados, dando-lhe mais privacidade.

Ao escutar que sua barraca seria confortável e grande, não colocou muita fé nas palavras do homem, mas bastaram alguns segundos ali dentro para perceber que o rei cumprira com mais aquela palavra. Havia uma grande cama ali feita com palha seca e limpa, com cobertores confortáveis e travesseiros em algodão. Mesmo que o tecido não fosse rebuscado e cheio de desenhos com linhas douradas, como ela estava acostumada, Sansa apreciou a cor verde escura, que compunha sua roupa de cama.

Uma pequena banheira de madeira estava em um canto, ela sabia que precisaria pedir a alguém para esquentar água para tomar um banho. Sabia que em viagens longas, banhos eram privilégios, mas ela era Sansa Stark, não? Além de tudo, era uma donzela, e precisava urgentemente de água quente lavando o seu corpo depois da poeira que encontrara sua pele, quando a ventania começou.

Mas poderia pensar naquilo depois, agora só queria deitar-se um pouco e descansar, esperar que aquele bando de homens parasse de falar tão alto e estivessem com o estômago cheio para se acalmarem. Quem sabe não teria seu banho ainda naquela noite?

[...]

De banho tomado, Sansa tinha acabado de fechar o vestido e estava passando uma toalha no cabelo molhado, quando escutou uma voz a chamando perto da porta da barraca. Seu coração deu um salto, mas por causa da silhueta na lona, logo percebeu que não era o rei.

Jogou a toalha para o lado, indo para a porta e abrindo a lona. Um cavaleiro sério segurando uma vela grande a olhou, fazendo uma pequena mesura.

— Lady Sansa, está sendo chamada na barraca principal.

Ela assentiu, caminhando em direção ao homem. Ele caminhou alguns metros de onde a barraca de Sansa estava. Os olhos azuis da garota observavam tudo com atenção, havia muitos cavaleiros descansando ali, mas outros pareciam preferir ficar acordados, atiçando o fogo para que esse não se apagasse. Ela se perguntava como eles iriam fazer quando a chuva chegasse, mas logo depois pensou que tal preocupação era tolice. Afinal, eles eram cavaleiros, homens fortes que poderiam aguentar algumas gotas d’água.

Observou o céu acima de si. Bem, não seriam apenas algumas gotas.

Ao perceber que o homem parara, olhou a frente e fitou uma barraca um pouco maior que a sua. Possuía lona negra e a haste que a sustentava era mais alta, dando a barraca mais alguns metros de conforto. Ele gesticulou para que ela entrasse e Sansa respirou fundo, tendo a certeza de que estava entrando na barraca do rei.

Mas não era o rei que estava lá dentro. Um homem um pouco mais baixo que ele lia um pergaminho de aspecto importante, mas logo quando percebeu que não estava mais só, retirou seus olhos escuros do tratado que observava e fitou Lady Sansa. Ele gesticulou, demonstrando cortesia e convidando-a a sentar-se.

Sansa achou aquilo estranho, no mínimo. Onde estava o rei? E por que aquele homem estava sentado na mesa que era destinada a Loki? Tal homem pareceu perceber os questionamentos mentais da garota, e logo tratou de respondê-los.

— Sente-se, Lady Sansa. – ele pediu gentilmente, finalmente fazendo-a se sentar. — Sabe o motivo de ter sido chamada aqui? – Ela negou com a cabeça. — Preciso lhe dar algumas notícias...

O coração dela se apertou. Sempre quando alguém iniciava uma conversa daquela maneira, as notícias que viriam não eram nada boas. Provavelmente mais mortes? De qualquer maneira, Sansa já havia perdido tudo e todos, nada e nenhuma notícia a deixaria tão aterrorizada como as notícias que recebera na época em que morava na Fortaleza Vermelha. A não ser...

— Há algo errado com o norte? Os exércitos do rei falharam?

O homem percebeu a aflição nos traços da garota e logo levantou a mão para impedi-la de continuar falando. Sansa abaixou os olhos, observando sem interesse uma adaga de aspecto belo ali em cima da mesa.

— Acalme-se, Lady Sansa. – ele sorriu. — Sei que está acostumada a notícias que não são boas, mas essas que tenho a lhe dar são mais que promissoras.

Seu coração aliviou-se, mas logo a ansiedade a tomou novamente. Ela esperou o homem continuar.

— O norte já está praticamente tomado. Todos os inimigos foram contidos, os que juraram lealdade ao Trono de Ferro foram poupados, os que continuaram a incitar a luta, foram mortos. – Ela estremeceu ante a essa notícia. — Finalmente eles aceitaram que o norte precisa de outro rei e regente que não Eddard Stark... Porém, a cultura do norte é grande, e a fé do seu povo muito séria...

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, depois respirou fundo e colocou o pergaminho que lia antes em frente à garota, para que ela pudesse lê-lo. Os olhos azuis de Sansa correram pelas letras caligrafadas, depois de alguns minutos lendo o conteúdo que elas guardavam, Sansa olhou para o homem, que a esperava com paciência.

— Percebe? Não há como tomar completamente o norte, a não ser que algum herdeiro Stark esteja no trono, ou pelo menos alguém de sangue nobre e leal aos Stark.

Sansa não conteve o sorriso, mesmo que discreto.

— Meu pai sempre dizia que o seu povo era mais fiel a ele do que ao que ele representava. – ela soltou.

— De fato, e é por isso que você precisa estar conosco, Lady Sansa. O rei Loki lhe devolveu o norte, você precisa retribuir isso.

Sansa permaneceu em silêncio. O que aquele homem queria dizer com aquilo? Saberia ele sobre o pedido de casamento? Ela pensara tolamente que apenas ela e o rei sabiam de tal pedido, talvez Varys... Mas o rei garantiu...

— Espero que pense nisso com cuidado. – O homem tratou de arrancá-la de suas divagações. — Preciso que dê apoio ao rei, para que o seu povo entregue sua lealdade de forma completa.

Ela continuava ali, parada olhando para aquele homem, tentando descobrir se ele sabia da proposta, mas ele tratou de eliminar aquela suspeita com a pergunta que fez logo em seguida.

— Poderá fazer um discurso. – ele sugeriu. — Ou dizer que o rei Loki é o melhor para o norte.

Ela quase suspirou de alívio. Ele não sabia de nada. Ainda tinha tempo para pensar sobre o pedido peculiar. Queria sair dali, de repente sentindo-se sufocada. Assentiu para ele, e a expressão do cavaleiro desanuviou. Um clarão riscou o interior da barraca, indicando que a chuva forte se aproximava. Ele levantou-se, e Sansa fez o mesmo.

— Um dos meus homens irá acompanhá-la de volta à sua barraca, Lady Sansa.

Ela assentiu com leveza e respirou fundo, saindo daquela barraca e pensando seriamente no que aquele cavaleiro havia acabado de falar.

Loki conquistara o norte.

[...]

Chovia muito e a chuva vinha acompanhada de ventos fortes e desafiadores, pois pareciam querer derrubar a barraca onde Sansa tentava dormir a todo custo. Ela se revirava na cama de palha, olhando com certo medo as sombras das árvores se mexendo perigosamente do lado de fora da tenda.

Desistiu de tentar dormir, já sabendo que em poucas horas os homens levantariam o acampamento e tornariam a marchar para o norte. Saiu da cama e colocou uma túnica mais quente, reavivando as chamas da pequena fogueira que estava fraca ali dentro. Sansa permaneceu quieta por vários minutos, apenas escutando o barulho da chuva, os olhos azuis atentos ao fogo da lareira, que agora crepitava com um pouco mais de vida, mas longe do ideal.

— Vai demorar a se aquecer assim, Lady Sansa.

A voz que chegou aos seus ouvidos parecia ter vindo de dentro da sua própria cabeça, e ela virou-se para trás, procurando o dono. Depois de alguns segundos, quando finalmente viu a silhueta alta um pouco ao canto da barraca, levantou-se em espanto, semicerrando os olhos para tentar descobrir quem era.

— Quem está aí? – ela perguntou de forma medrosa. — Saia das sombras.

Ela ordenou, e a silhueta começou a se mover, depois de algum tempo, um homem se aproximou da fogueira, fazendo com que as chamas batessem em seu rosto e revelassem sua identidade. O coração de Sansa bateu mais rápido quando ela percebeu que estava na presença do rei.

— Vossa Graça... – Ela abaixou o rosto e fez uma pequena reverência. — Desculpe-me. Assustei-me. – tentou explicar. — Achei que fosse alguém ruim.

Loki se aproximou um pouco da garota, olhando-a com extrema atenção. Estava vestida apenas com uma túnica por cima de sua roupa de dormir, o que deixava boa parte da pele de seu colo exposta, algo que ele apreciava em demasia.

Sansa percebeu que os olhos azuis dele fitavam-na com real interesse, um interesse masculino que ela vira em olhares de vários homens na Fortaleza Vermelha. Mas ao contrário dos outros, aquele olhar não a deixava com a sensação de insulto. Permaneceu em silêncio até que o rei o quebrasse.

— A sua pouca fé em mim chega a ser triste, minha senhora. Acredita mesmo que deixaria qualquer um entrar em sua tenda? – ele perguntou, deixando Sansa sem palavras. Notou também um leve rubor no rosto delicado dela, mas nada disse.

— Eu... Me desculpe... Eu apenas estou acostumada a me sentir assim...

— Assim como? – ele perguntou, visivelmente curioso.

— Em perigo.

O silêncio foi a resposta de Sansa, e permaneceu ali, na barraca, sendo quebrado vez ou outra apenas pelo barulho de alguns trovões ao longe. Os raios às vezes deixavam a barraca mais clara, e ela se permitia observar melhor as feições do rei. Eram belas... E sérias.

— Sansa... – ele a chamou de forma informal — Você precisa entender que enquanto eu estiver ao seu lado, você estará segura. – disse, aproximando-se dela silenciosamente como um lince. — Afinal, preciso prezar a segurança da minha futura esposa, certo?

O rubor no rosto dela aumentou, e para aquela indagação, ela não tinha resposta. Ainda não sabia se seria prudente aceitar o pedido. O peso da coroa parecia até mesmo uma ameaça para ela. Sansa conhecia o terror que um trono poderia causar, como também qual era futuro de vários reis: ter a cabeça separada do pescoço. Ela estremeceu. Mas por que era tão tentador aceitar o pedido de Loki?

— Eu... Estou confusa. – ela confessou. — Ainda não sei o seu real interesse em me ter como rainha, ao seu lado. Há mulheres fortes e influentes para ocupar o trono. E posso apoiá-lo sem precisar me casar com você... – Ela soava verdadeira, como a garota insegura que era. — Eles irão ver que um Stark abençoa a união e...

— Sansa. – Loki a chamou, interrompendo-a. Seu nome saiu como um sussurro dos lábios finos dele, mas ela conseguiu captar o peculiar sotaque que tinha, e ouvir seu nome na voz sedutora daquele rei a fez esquecer-se sobre o que falava. Ele se aproximou ainda mais dela, deixando a diferença das alturas evidente com isso. Os olhos azuis dele costumavam ser frios, mas naquele momento Sansa percebeu que pareciam cálidos, até mesmo em fogo.

— Deixe-me deixar algo claro aqui. – ele começou. — Eu quero você, Lady Sansa. Quero você como esposa e rainha. E não só por você ter sangue real, mas há algo em você que me chamou a atenção, desde o momento em que coloquei meus olhos sobre sua figura pela primeira vez...

Ela estremeceu com as palavras dele, e logo percebeu seus dedos longos passeando pelo braço dela, que mesmo coberto pela túnica, fizeram sua pele se arrepiar. Os dedos tomaram um caminho mais ousado, indo em direção ao colo. Loki correu sua mão pelo pescoço alvo da garota, sentindo a pele quente e macia ali. Sua vontade era de sugar aquela pele e sentir a veia pulsante por debaixo dela, indicando que o coração dela estava acelerado por causa dele.

Loki não era muito de passar por desejos sem que os satisfizesse.

— Deixe-me mostrar como a desejo... De uma forma singela...

Ele se aproximou dela calmamente, e Sansa percebeu tarde demais que os lábios finos de Loki estavam sobre os seus. Um beijo doce e tranquilo, um beijo que qualquer cavalheiro galante daria. Ela fechou os olhos, sentindo o gosto dos lábios dele. Mas Loki não era um cavalheiro galante, era um rei, determinado em conseguir o que queria. Com um movimento tranquilo de lábios, obrigou-a a abrir os dela, fazendo com que a língua dele entrasse em sua boca.

Sansa nunca havia feito aquilo, mas apreciou por completo a sensação deliciosa que a língua dele passeando pela boca dela e encontrando a dela, fazia em seu corpo. Sentiu seus músculos perderem a força, suas pernas estremecerem e seus braços indo em direção ao peito forte e largo daquele homem. Não sabia como conduzir aquilo tudo, então se deixou ser conduzida. Ao sentir as mãos delicadas da garota sobre seu peito, Loki aproximou-se ainda mais, os braços envolvendo-a em um abraço, a mão caminhando pelas costas dela até encontrar a nuca.

Sansa deleitou-se com aquilo, não conseguia pensar em nada a não ser no beijo quente e extremamente inapropriado que estava compartilhando com o rei. Afinal, ela era uma donzela, e estava sozinha na barraca com ele. Algo que nenhuma mulher faria em seu lugar. Mas, quem se importava? Sansa estava cansada de regras, e se surpreendeu quando as mãos dele foram em direção à sua cintura, subindo calmamente até encontrarem a abertura da túnica. Os dedos separaram com cuidado o tecido, as mãos subindo para os seios pequenos e torneados que ela possuía, o dedo encontrando facilmente o mamilo rígido pela excitação.

Sansa gemeu dentro da boca dele, inclinando-se ligeiramente em direção ao rei. Nunca havia sentido tamanho prazer. Mas, infelizmente as mãos dele a abandonaram logo depois da massagem, os lábios se separando com visível dificuldade.

Ela ainda permanecia de olhos fechados, tentando gravar tudo o que seu corpo sentia naquele momento, mas logo depois os abriu, fitando o belo homem que estava à sua frente. Loki parecia divertido, como se tivesse provado para a garota algo que ela ainda não sabia: que era persuasivo em seus atos e palavras, mas também poderia ser em seus toques. Os olhos do rei pegavam fogo.

— Espero que isso a ajude a se decidir. Ainda temos uma longa viagem pela frente, mas espero com ansiedade sua resposta. – ele disse, sua mão indo em direção ao cabelo alaranjado dela, tocando os fios macios.

— Vejo você amanhã, Lady Sansa.

E com isso deu as costas, deixando-a completamente só na barraca. Depois de algum tempo, Sansa percebeu que estava vermelha, havia certo incômodo entre suas pernas e sua túnica estava aberta, os seios quase expostos.

Com relutância e um pouco de vergonha, ela fechou a túnica e caminhou para a cama a fim de descansar. Porque sabia que a última coisa que conseguiria depois daquela visita seria dormir.

Notas finais
"Lost" ganhou um trailer, quem se interessar, o link está no sumário, junto ao link da trilha sonora! ^^