O acampamento já estava levantando. De alguma forma, os diversos homens que trabalharam arduamente durante a madrugada na neve que impedira a estrada conseguiram abrir uma passagem larga o suficiente para os cavalos, pequenas carroças que carregavam suprimentos, e a liteira de Sansa.

Contudo, a garota não estava animada a voltar a viajar, e isso se devia ao fato do rei ter sumido. Não sumido literalmente, porque Sansa sabia que ele estava em algum lugar ali perto, podia até mesmo sentir isso, mas não colocara os olhos nele desde que ele saíra de sua tenda, deixando-a com Fenrir para passar a noite. O lobo estava inquieto também, indicando que ausência do rei já havia ultrapassado o tempo seguro. Ela passou a mão no pelo denso do animal, fazendo com que ele a olhasse.

— Vá procurá-lo, Fenrir... – ela pausou o pedido, pensando se seria prudente incluir o lobo naquilo, não sabia o motivo de Loki ter sumido durante a noite, e não podia ignorar que ele era um rei, e reis possuíam deveres e pouco tempo. Contudo, o animal parecia tão ansioso quanto ela. — Por mim... Diga que estou o esperando...

Então ele se foi, as patas fortes e enormes enfiando-se na neve densa que cobria o solo à medida que ele corria em uma direção específica. Sansa poderia jurar que Fenrir já sabia onde seu marido estava, mas sabia que contar com isso era tolice. Ela respirou fundo quando um homem a chamou.

— Lady Sansa? Estamos prontos...

Ele girava uma bolsa surrada de lã nas mãos, provavelmente era o responsável por sua liteira. Sorriu para ele, assentindo. Ao sentar-se na liteira, antes que o homem pudesse fechar a porta para mantê-la aquecida, Sansa tocou o braço dele com relutância, e ele se assustou. Estava sendo tocado pela rainha do Norte e esposa de Loki, alguém que provavelmente nunca lhe daria atenção, apenas lhe dirigiria um olhar quando ele abrisse a porta da liteira nas horas oportunas. Mas nada disso se confirmou, pois a ruiva parecia desesperada por algo.

— Você... você conseguiu ver o rei no acampamento? – ela perguntou, apertando levemente o braço dele. — Ele está por perto?

O homem gostaria de deixá-la calma, mas sabia que estaria mentindo. Ele gesticulou negativamente com a cabeça, fazendo uma careta, como se pedisse desculpas.

— O rei Loki não aparece no acampamento desde ontem de madrugada. – Ao ver o rosto preocupado de sua rainha, tratou de explicar-se. — Mas não se preocupe, Lady Sansa, ele deixou ordens expressas para o Senhor Comandante da Guarda Real, caso não voltasse, pedindo para que nós levantássemos o acampamento assim que conseguíssemos. Tenho certeza de que seu atraso tem uma explicação plausível.

Ao terminar, fez uma pequena reverência, fechando a porta da liteira e batendo de leve no carro para que o cocheiro puxasse as rédeas e incitasse os cavalos a andarem. Sansa, teimosa com toda aquela situação, enfiou a cabeça pela janela, mas não conseguiu ver nada além de homens montados em cavalos e rastros de passadas na neve, além da neblina fria e de árvores com galhos secos.

Nem mesmo Fenrir estava por perto naquele momento.

[...]

Ela cochilava, sentindo inconscientemente o balanço da liteira. Aquilo lhe deixava levemente enjoada, e pousou as duas mãos no ventre, como se soubesse quem era o responsável por aquilo. Mas não tinha certeza se o enjoo era devido ao fato de estar grávida. Mesmo intercalando os cochilos com longas horas em pensamento aflito, sabia que a ansiedade era a principal responsável pela sua ânsia de vômito.

Como se o destino quisesse aplacar aquela terrível sensação, a porta da liteira abriu-se repentinamente, sem que o carro parasse, e um homem alto entrou, jogando seu corpo forte no pequeno sofá de frente ao dela. Os olhos azuis de Sansa se arregalaram como dois pires quando ela pousou-os no corpo à sua frente, não acreditando que era realmente ele.

— O que... O que aconteceu? – perguntou, analisando cada pedaço do corpo dele com os olhos astutos de uma esposa preocupada, mas Loki apenas gesticulou de forma casual para que ela se esquecesse do assunto, atitude que ela não tomou.

Algo estava errado. Muito errado. O Loki que estava à sua frente não era o mesmo homem que deixara sua tenda na noite anterior. Esse sentado era completamente diferente. Os lábios finos eram os mesmos, mas não possuíam cor alguma, a palidez acentuada dava a impressão de enfermidade, e havia grandes manchas roxas abaixo de seus olhos, que eram semicobertos pelas pálpebras, como se ele estivesse fazendo um enorme esforço para deixá-los abertos. Parecia até mesmo mais magro, como se isso fosse possível em poucas horas. Ela fez uma careta.

— Não sou tola, Loki. – disse de forma convincente. — Por que está assim? Parece cansado e faminto, como se tivesse acabado de sair de uma batalha.

O rosto dele esboçou um sorriso, mas logo depois aquilo desapareceu. Sorrir era um grande esforço naquele momento, e ele apenas queria deitar e descansar. Contudo, não pôde deixar de achar graça na observação dela.

Alguns meses atrás, Sansa não teria a coragem de lhe dirigir a palavra igual havia feito, exigindo explicações como qualquer esposa brava com a ausência do marido. Alguns meses atrás, Loki acharia aquilo irritante e petulante, mas surpreendeu-se ao perceber que a preocupação da rainha lhe soara deliciosa, ainda que fosse ligeiramente irritada. Escolhera Sansa pela submissão já intricada na personalidade dela, mas ao ver como ela mudara ao longo do casamento, sentiu-se vitorioso, e sortudo. Porque a amava de qualquer jeito.

— Eu estou cansado, sim, e muito, minha ruiva... – Ele pareceu tomar fôlego, como se pronunciar palavras exigisse um grande esforço. E exigia. — É a viagem... Eu não consegui dormir desde que você foi tirada dos meus braços... Só preciso descansar um pouco, certo?

Sansa nada disse, apenas assentiu. Contudo, sabia que algo estava errado. Fenrir andava ao lado da liteira e os olhos selvagens corriam pela janela, como se a qualquer momento alguma coisa fosse acontecer. E Loki estava cansado. Poderia ser exagero, mas Sansa o conhecia há um tempo relativamente grande para saber que ele não se cansava por qualquer motivo, principalmente por causa de uma viagem. Percorrera distâncias consideráveis até tê-la novamente. Talvez fosse esse o real motivo de seu cansaço. Ou não?

A aproximação dele fez com que ela saísse de seus devaneios. Ele deitou-se ao seu lado, pousando a cabeça no seu colo enquanto se esticava o máximo que o corpo alto permitia por cima do sofá. Sansa passou um dos braços em volta do corpo dele, e a outra mão levou até os cabelos negros, enfiando os dedos nos fios sedosos e lisos. Loki respirou fundo, caindo no sono antes mesmo que ela pudesse sorrir ante aquela imagem. Estava realmente cansado, tão cansado que não percebeu, depois de algum tempo passado, a esposa retirar suas botas e cobrir-lhe o corpo.

[...]

Winterfell era vista facilmente, mesmo com a neve caindo. Sansa sorriu ao ver seu lar aproximar-se de si à medida que o exército de seu marido cavalgava, abrindo passagem através da estrada quase congelada. Loki olhava para ela com atenção naquele momento. Provavelmente chegariam ao castelo depois de dois dias, e com alguma sorte não precisariam parar para descansar novamente em um vilarejo próximo, ou montar acampamento, por causa da estrada obstruída com neve em abundância. Sabia que ela estava preocupada. Horas atrás ele dissera que estava se sentindo muito melhor, e depois da insistência dela em fazê-lo tomar uma sopa feita com carne de cervo, ele tentara montar em seu cavalo para cavalgar ao lado da liteira. Mas depois de algum tempo foi pego desprevenido quando sua mente se desprendeu do físico, e sentiu seu próprio corpo cair na neve. Havia desmaiado e nem mesmo sentira aquele desmaio se aproximar, então se enfiara naquela liteira novamente, agora sendo observado pelos olhos de lince da esposa.

Loki sabia que era o preço do ritual. Deixara uma quantidade generosa de sangue naquelas tigelas, e usara a essência de sua imortalidade para terminar o feitiço e preparar o líquido que pretendia dar a ela. Naquele momento, Sansa não imaginaria o que a aguardava, e nem teria muita noção do motivo do rei estar daquela maneira. Mas ele sabia que ia se recuperar, que aquela fraqueza era passageira, como se seu corpo estivesse lhe mostrando como era ser mortal, e que retirar quase todo o seu sangue para um ritual daquela intensidade era absurdo e possuía um custo alto. Insanidade pura. Sacrificara-se para dar a ela o maior presente que alguém poderia receber.

Como imortal, a cada passo dado pelos cavalos e a cada segundo que se passava, seu corpo se recuperava de todo o sacrifício e ficava mais forte, porém, ele sabia que teria que ter cautela até recuperar-se completamente. De qualquer maneira, nunca mais poderia fazer aquele tipo de feitiço. A imortalidade poderia ser passada apenas a uma pessoa, e Loki nunca cogitara a possibilidade de fazer o ritual para uma humana. Caso o fizesse novamente, teria que abdicar não só de sua essência, mas de sua própria imortalidade para dar a alguém. Isso sim já era insanidade sem limites. Seu bem mais precioso seria dela, e apenas dela. E assim, os dois viveriam juntos para sempre.

— Você parece melhor.

A voz dela o fez sair de seus pensamentos inquietantes. Sansa o observava com atenção. Apesar de a palidez ter saído do rosto, os lábios ainda estavam brancos e as olheiras permaneciam ali, apesar de menos profundas. Porém, ele parecia menos cansado. Loki sorriu suavemente.

— E eu estou.

— Mas não sairá da liteira. – ela começou dando ordens. — Não até chegar a Winterfell. Assim que chegar mandarei preparar um banho quente e quero ver você descansar até que esteja completamente saudável!

Ele conteve a vontade de revirar os olhos. Sansa parecia uma mãe super protetora, mas sabia que ela estava apenas preocupada. Fechou os olhos, respirando fundo.

— Venha aqui. – Ela gesticulou para que ele se aproximasse. — Tente dormir um pouco antes de chegarmos.

— Já dormi demais. – ele reclamou, mas aproximou-se mesmo assim e pousou a cabeça nos seios pequenos da garota.

Ela era muito menor que ele, mas de alguma forma conseguia aconchegá-lo facilmente nos braços. O aroma dos cabelos ruivos o deixava sempre mais calmo, e ele suspirou como se fosse um garoto, antes de cair no sono novamente.

[...]

Como prometido, antes que ele colocasse os pés na sala de trono para enfunar-se nos pergaminhos com acordos e tudo o que ligava à política daquele mundo, foi impedido por Sansa, que insistiu que ele tirasse alguns dias para descansar e só depois mexesse com assuntos reais. Claro que muitos poderiam escrever cartas e pedir para que o rei colocasse os selos, mas Loki gostava de fazer tudo pessoalmente, e depois da matança Lannister de todas as terras confiscadas, os livros precisavam ser atualizados e ele precisava colocar ordem em tudo.

Isso não foi o suficiente para que Sansa desistisse de seus planos.

— Você precisa descansar.

Ela o puxou para o quarto, fazendo-o cambalear visivelmente, o que apenas confirmou o que ela dizia a todos. O rei estava cansado demais para assuntos reais, e os conselheiros dele poderiam tomar as primeiras providências até ele voltar devidamente recuperado da viagem exaustiva. Ele sorriu quando ela o fez deitar-se na cama, puxando os grossos cobertores de pele.

— Gostaria de ficar com você. – disse em um sussurro. — Pode vir aqui?

Sansa semicerrou os olhos, fitando-o com atenção.

— Eu sei exatamente o que você quer fazer na cama, Loki.

Ela se aproximou para retirar as botas dele, desviando-se dos braços longos que tentavam capturá-la avidamente, divertindo-se com isso. Um leve sorriso percorreu seu rosto quando ele desistiu. Loki respirou fundo, ouvi-la dizer o seu nome daquela maneira apenas o excitou mais, e mesmo que estivesse cansado, sentiu o incômodo característico de sua calça lhe apertando. Sansa olhou para o volume visível, fazendo uma careta de reprovação.

— Homens... Sempre dando prioridade aos prazeres errados.

Loki bufou como se estivesse bêbado, mas era apenas a finalização do ritual, seu corpo estava liberando todo o cansaço e fraqueza para deixar com que a força e vitalidade peculiar da imortalidade voltassem a fazer parte dele. Mais algumas horas e finalmente seria ele novamente.

Aproveitou que Sansa estava distraída com os cobertores e puxou o tecido do vestido dela, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa e cair em cima de seu corpo. Doeu, como se ela pesasse o triplo do que realmente pesava, e ele fez uma careta, mas reuniu toda a força que tinha, direcionando-a para os braços, que não a deixavam escapar. Ela o fitou com curiosidade.

— E agora vai fazer o quê? – Sorriu ao ver os olhos dele já quase se fechando, mesmo que o volume endurecido estivesse pressionando-a no ventre. — Dormir?

Ele resmungou algo e ela beijou-o levemente nos lábios, saindo do aperto dele e jogando as cobertas por cima do corpo. Foi em direção à porta e pediu que a aia entrasse ali, acendesse a lareira e fechasse as janelas para que o quarto ficasse escuro. Estava de manhã, e ele teria muito tempo para descansar.

E nesse tempo, ela iria para a sala de trono e trataria de escrever todos os malditos pergaminhos que precisava, com a assistência dos conselheiros e de Tyrion Lannister.

[...]

Horas depois, com tudo já providenciado para que Loki tivesse um pouco de tempo, antes de voltar ao seu real compromisso, alguém bateu levemente na sala de tronos, tirando todos de seus pensamentos e atenções desviadas para leis e livros de contabilidade. Sansa espreguiçou-se e mandou a pessoa entrar, um dos homens que trabalhavam no castelo assim o fez e parou em frente à mesa onde todos estavam sentados. Normalmente, as pessoas simples como ele sempre se sentiam vergonhosas e temerosas quando estavam em frente ao conselho real, mas nenhum daqueles homens passava aquela sensação ao trabalhador. Provavelmente porque o rei Loki não estava entre eles.

— Lady Sansa. – Ele fez uma reverência. — O rei exige sua presença no aposento real, imediatamente.

Ela assentiu e o homem saiu da sala de trono. Sansa encerrou a reunião, encarregando Tyrion de trancar os pergaminhos e os livros no armário e deixar a chave ao lado de Fenrir, que estaria deitado em frente à porta do quarto dela, provavelmente. O anão assentiu, mas não pareceu muito contente com a expectativa de se aproximar do lobo. Sansa sorriu.

— Ele não irá machucá-lo...

Tyrion sabia que não. De alguma forma, aquela fera sabia que ele era digno de confiança e que fizera parte, de alguma maneira, do ritual do mestre dele. O que o deixava inseguro, era ter a certeza de que Fenrir tinha a capacidade de raciocínio de um humano, e não de um animal. Ele assentiu, deixando-a confortável para sair.

Assim que Sansa chegou ao seu quarto, percebeu que a urgência da chamada não tinha relação nenhuma com a possível enfermidade do marido. Pelo contrário, quando passou a chave na tranca da fechadura e virou-se para ver como ele estava, surpreendeu-se ao vê-lo dentro de uma grande tina de água fumegante, a cabeça deitada em um apoio que ele improvisara com uma toalha enrolada, os olhos fechados e um sorriso satisfeito no rosto.

Sansa se aproximou, e ele continuou de olhos fechados, mas ela sabia que ele a ouvira e tinha consciência de sua aproximação.

— Vejo que está melhor. – ela começou uma conversa.

Loki abriu um olho, como se estivesse espiando, e ela reconheceu ali o brilho peculiar que ele sempre carregava nas orbes, mas que esteve ausente nos últimos dias. Sentiu-se aliviada no mesmo momento, voltando a se aproximar e sentando-se com cuidado em um banco ali perto, ao lado da tina. Ele então abriu os dois olhos, observando-a com atenção. Sansa fazia o mesmo, e ficou feliz de perceber que os círculos escuros abaixo dos olhos dele já haviam sumido.

— Não sei por que mandou me chamar com emergência. – Ela fez uma careta. — Fiquei preocupada, achei que estivesse passando mal.

— O que estava fazendo com o conselho? – ele a interrompeu, soubera através dos mexericos das aias que a rainha passara o dia inteiro trancada na sala do conselho, saindo apenas para comer algo ou descansar um pouco. E não gostara do que ouvira. Por mais que confiasse em Sansa, não a queria metida em negócios reais, mesmo que a terra tecnicamente fosse dela, não sabia se ela seria capaz de manusear aquele tipo de assunto sem fazer alguma besteira. De certa forma, Sansa percebeu o olhar do rei, e também conseguiu prever o que ele estava pensando.

— Eu estava na companhia de seus homens, tentando adiantar seu trabalho. – Ao ver que ele ia retrucar, levantou a mão. — Não venha chamar a minha atenção, não assinei nada e não selei nenhum pergaminho com o selo real. Eu apenas deixei tudo trancado no armário para que você faça suas alterações.

Aquilo o pegou totalmente desprevenido. Na certa a garota tentara garantir o seu descanso, mas ele poderia facilmente rasgar aqueles pergaminhos e jogá-los ao fogo, ou apenas assinar, se tivessem com o conteúdo correto. Agradeceu-a, não em voz alta, apenas mentalmente, Sansa nunca poderia ser agradecida por esse tipo de coisa, senão se acostumaria a meter-se em assuntos daquele tipo. Ela esperava uma resposta dele, então Loki apenas sorriu.

— Isso tudo é preocupação com a minha saúde? – ele perguntou de forma irônica.

— Sim. Achei-o muito abatido nos últimos dias... e isso nunca havia acontecido. – Ela semicerrou os olhos. — Tem certeza de que não está escondendo nada de mim, Loki?

— Claro que tenho... – ele mentiu, ainda não era a hora de ela saber tudo. — E eu estou ótimo.

Ela fez uma careta de descrença, e para provar o que havia falado, ele se levantou da tina, espalhando água quente por todo o chão de pedra. Sansa soltou um gritinho, mesmo que onde estivessem fosse apenas a antessala de seu quarto, aquilo poderia virar uma bagunça. Bagunça que Loki não se importava em ignorar completamente. Ao ver a reação dela, soltou uma risada contida e pegou-a no colo facilmente, levantando-a para perto do rosto dele e beijando-a com os lábios quentes e molhados.

O corpo de Sansa reconheceu o toque no mesmo segundo, e a preocupação com a saúde dele evaporou-se de sua mente, pois tinha certeza de que ele estava completamente recuperado, a força e a facilidade com que a pegara nos braços, levantando-a do chão e rumando para o quarto, enquanto a beijava com intensidade, apenas a fez ter certeza de sua recuperação completa.

Colocou-a no colchão, permanecendo de pé em frente à cama e fitando-a como se fosse um lobo faminto. Os olhos azuis estavam até mesmo mais escuros, e a água do banho descia livremente pelo corpo de pele pálida, deixando os músculos com um brilho até mesmo bonito, cada curva ali cintilava por causa da claridade da lareira. Sim, ele estava completamente recuperado de sua enfermidade, o corpo cansado e fraco havia dado espaço para o costumeiro corpo saudável e cheio de vitalidade, o sorriso jocoso ainda permanecia em seu rosto.

— O que foi? – ela perguntou tolamente.

— Vou saciar a minha fome. A fome que eu estou do seu corpo desde que me deitei nessa maldita cama para dormir, sendo que poderia ter gasto meu tempo fazendo coisas bem mais prazerosas.

Sansa poderia estar casada há um bom tempo com aquele homem, mas sabia perfeitamente que nunca se acostumaria com o modo direto como ele dizia as coisas, normalmente suas sensações e sentimentos. O corpo dela estremeceu ante a expectativa, e quando ele se aproximou, os braços dela foram em direção a ele para abraçá-lo. Os lábios se encontraram, bem como as línguas voltaram a se tocar com desejo, depois de algum tempo sem se experimentarem. Ele colou o corpo ao dela, sentindo os seios, bem como as curvas de sua barriga pouco saliente, as pernas já se abrindo para recebê-lo.

As mãos longas e masculinas correram por toda a extensão da pele, ele retirou cada cordão daquele maldito vestido cheio de camadas. Ficava tão belo nela, mas dava um pouco de trabalho em despi-la, o que o deixava ainda mais impaciente e excitado. E quando finalmente estava coberta apenas com a camisola fina de algodão, ele deixou a boca dela, descendo pelo pescoço, mordiscando o colo pálido, indo até os seios, sugando-os através do tecido rústico, fazendo-a se contorcer. As mãos desceram pelas pernas e a boca atrevida tomou o mesmo rumo, acompanhando o toque até chegar às coxas delgadas de Sansa, mordiscando-a levemente antes de levantar a camisola para ter acesso direto ao seu ponto de desejo.

Sansa quase gritou ao sentir a língua aveludada dele passar vagarosamente pela sua intimidade, os lábios finos sugando-a com reverência, experimentando-a da forma mais pessoal possível.

— Loki... eu preciso de você.

Ele sorriu em meio ao movimento de lábios. Fazia de propósito, porque não sentia prazer igual ao ouvi-la implorar, ao ouvir o seu nome saindo daquela voz entrecortada pelo desejo. Nunca imaginou que se sentiria tão ávido por um corpo feminino. No momento, parecia um animal feroz que havia acabado de ser domesticado.

Rasgou a camisola com facilidade, observando o corpo dela com intensidade. Bem, não tão domesticado assim, um animal selvagem nunca poderia dar as costas aos seus desejos mais primitivos. E o desejo de Loki naquele momento era ela, inteiramente ela.

— Vejo que recobrou suas forças também. – Sansa fez a observação, vendo-o sorrir maliciosamente enquanto se encaixava entre as pernas dela e a penetrava vagarosamente, porque sentia que o momento pedia aquilo, lentidão, o corpo feminino implorava pelo dele, e ele desejava tomá-la brutalmente, mas a necessidade de tê-la ali, tão entregue, era mais forte.

Começou a movimentar-se lentamente, olhando-a no processo. Sansa percebeu como ele a fitava, como se estivesse a analisando, ela sabia que ele pensava em algo, e poderia imaginar que tal pensamento tinha relação com o futuro dos dois. Também pensava nisso constantemente, via-se junto a ele por toda a vida, carregando seus filhos e criando-os para serem pessoas boas, reinando ao lado do marido para dar justiça e uma vida excelente ao seu povo.

Loki não pensava exatamente nisso. À medida que ia batendo o quadril no dela, pensava em como o corpo dela estaria mais forte depois que ela tomasse a poção, pensava que a teria por toda a eternidade, sem medo de perdê-la por alguma doença humana ou uma lâmina comum. Não, Sansa seria dele, por toda a eternidade.

Ela sentia o membro dele invadindo-a cada vez com mais violência, os olhos azuis a fitando a cada segundo com mais intensidade, a respiração ficando ofegante, até ele deitar-se sobre ela, mordendo-a no ombro direito num escape para o desejo incontrolável que ele sentia. Fechou os olhos ao abraçá-lo, e sentiu seu corpo ser tomado por um prazer completo, cada músculo parou de funcionar, o ar saiu de seus pulmões e ela sentiu o coração bater mais forte dentro do peito, percebeu porque tal órgão do corpo era a representação do amor. Seu coração o conhecia, conhecia o seu toque, o seu amor, sua alma gêmea, e demonstrava isso permanecendo inquieto dentro de si quando ele estava próximo, quando os toques não eram o suficiente para dizer tudo o que sentia.

E pela primeira vez ela abriu a boca e colocou isso em palavras.

— Loki... Eu te amo tanto... – disse sem pensar, não esperando nada em troca. Apenas queria dizê-lo, e percebeu-o prender a respiração, derramando-se dentro dela e abraçando-a no processo, como se ela fosse fugir a qualquer momento dali, sumir diante dele como fizera meses atrás. Não a perderia dessa vez. Na verdade, não a perderia nunca mais.

Fitou-a depois de algum tempo, completamente esgotado.

— Amor é um sentimento muito fraco para definir o que sinto por você, minha ruiva.

Com isso, colou a testa à dela, respirando fundo e beijando-a logo em seguida.

Notas finais
Vejo vocês no último capítulo ;)