Estavam deitados há bastante tempo na cama, Loki acariciando-a levemente nos ombros, intercalando a carícia com beijos nos cabelos vermelhos. Vez ou outra corria a mão delicadamente pelo ventre dela e a pousava ali, como se esperasse que a criança que estavam esperando fosse se mexer, mesmo que não passasse de um pequeno embrião.

Sansa percebeu isso e sorriu, mas ele não viu o sorriso dela, os olhos dele estavam focados no teto alto, pensamentos inquietantes passando pela sua mente, impedindo-o de dormir naquela noite. Teria que ser naquele momento, não via outra alternativa, e sabia que não teria uma oportunidade melhor. A criança estava crescendo dentro dela, e mesmo que Sansa já estivesse curada, aquilo não era o suficiente. Ele sentia isso, precisava que ela bebesse a poção.

— Eu tive medo... de te perder... – ele começou, respirando com dificuldade.

Sansa franziu o cenho e sentou-se no colchão, fitando-o com atenção enquanto puxava um cobertor de pele para tampar os seios. O tecido marrom contrastava absurdamente com os cabelos cor de fogo, e Loki pegou-se a observando com cuidado e admiração, para depois perceber que ela esperava por uma explicação. Voltou a respirar fundo.

— Não sou uma pessoa que tem medo facilmente... Mas no momento em que vi que você tinha sido arrancada de meus braços, um medo estranho se apoderou de mim... Fiz loucuras, Sansa. – Ele a olhou com intensidade. — Loucuras para recuperá-la. Temi pela sua vida, e pela vida de nosso filho.

Ela sorriu docemente, correndo a mão pelo rosto dele, que fechou os olhos como se com esse gesto fosse sentir melhor o toque. O que estava acontecendo com ele? Pensar na morte dela fazia com que seu corpo até mesmo doesse, e nunca desejou tanto uma pessoa.

— Você não irá me perder, Loki. – A voz dela continha uma promessa, e ele sorriu no mesmo momento, colocando a ponta do dedo no nariz empinado dela.

— Não, não irei.

Com isso, levantou-se da cama, indo em direção a um armário que havia ali. Estava nu, e Sansa se perguntava por que ele não sentia frio igual às outras pessoas. A pele que a tampava toscamente nos seios e pernas já não era o suficiente, suas costas e ombros estavam gelados. Estremeceu.

Loki ditou algumas palavras em canto, em um idioma que ela não reconheceu, mas achou familiar. Já havia escutado aquele idioma, normalmente quando ele praticava magia ou quando lhe confessava sentimentos intensos enquanto compartilhavam a cama...

Uma luz emanou do armário e a pequena porta abriu-se. Ela não conseguia ver muito, mas percebeu-o abrir um pequeno frasco e derramar o líquido em um cálice prateado, que também estava dentro do armário. Logo depois o fechou, e a mesma luz pareceu selar a porta.

Caminhou em direção a ela, calmamente, mesmo que tivesse inteira noção de sua mão estremecendo levemente. Sentou-se ao lado dela na cama e estendeu o braço, dando o cálice a ela. Sansa olhou para o líquido de forma desconfiada. Não possuía cor, mas parecia ter um brilho peculiar para qualquer bebida comum.

— O que é isso? – perguntou, mordendo o lábio inferior.

— Apenas um remédio que a deixará mais forte... Caso você ainda tenha algum ferimento...

— Me sinto ótima. – Fitou-o com os olhos semicerrados, o tipo de olhar que sempre carregava quando desconfiava dele. — Por que isso?

— É para a criança, Sansa. – ele apelou para o instinto materno. — Caso você tenha algum ferimento interno, esse irá se curar no momento em que você beber esse líquido. Não queremos deixá-la sob risco, não é?

Com dificuldade, ela assentiu. O cálice tocou os seus lábios, e quando a garganta dela mexeu-se levemente, indicando que estava bebendo a poção, um peso enorme se desvaneceu dos ombros de Loki.

Ao ver que bebera tudo, retirou com delicadeza o cálice da mão dela e percebeu-a fazendo uma careta.

— O que foi? – ele perguntou.

— Não tem gosto de nada... Poções de cura normalmente são ruins.

Ele sorriu de forma aberta, pousando a mão longa na delicada e apertando-a de um jeito cúmplice. Os olhos azuis dela pousaram nos dele, como se soubesse que ele falaria algo importante, e não estava errada, logo ele respirou longamente, como se estivesse inspirando coragem para dizer.

— Sansa... acho que está na hora de você saber quem realmente eu sou.

[...]

Sentia-se zonza, como se as informações que ele lhe dera fossem irreais e ele estivesse testando-a de alguma forma. De alguma maneira, aquela história contada ultrapassava os romances imaginários que Sansa lia em livros antigos. Dragões, ouro, cavaleiros, espíritos da natureza, nada daquilo se comparava ao que ele contara.

Colocou a mão na testa, como se certificasse que não estava com febre, algo naquele líquido pareceu modificá-la. Não se sentia mais a mesma no momento. Um calor intenso percorria cada parte do seu corpo, mas não era o de febre, o calor que incomoda, como ela achara, e sim um que parecia uma força contrária ao frio que tentava abraçá-la naquela noite de inverno.

Virou-se para o marido, vendo-o agora com outros olhos.

— Imortal? – perguntou, ainda sem conseguir acreditar.

Loki era imortal. Um deus caído de um mundo que ela nunca iria conhecer, um bastardo, mas, ainda assim, um deus. Asgard... Ela tentara descobrir tudo sobre Asgard no momento em que escutara a palavra, mas nada achara nos livros de Winterfell, e nunca acharia. Asgard era o lar dele, e pelo que ele contara, estava distante o bastante para não fazer parte daquele mundo.

— Como... como é? Viver para sempre...

A pergunta que todo humano fazia ao ter conhecimento de deuses saiu dos lábios dela de forma tímida, mas ele não viu aquilo como uma reprimenda, e sim como uma oportunidade para esclarecer alguns pontos.

— A imortalidade é um conceito maleável... Vivo mais anos do que um humano, milhares de anos, na verdade... – Ao ver a expressão dela, continuou. — Não morro por causa de doenças, sou imune ao frio e ao fogo... Não é qualquer lâmina ou projétil que consegue perfurar minha pele...

— Projétil?

Ele meneou as mãos, esquecendo-se completamente onde estava. Ali, armas nucleares e armas mais modernas não existiam.

— O que quero dizer é que morro, sim... Mas não facilmente. Em Asgard, possuímos meios de prolongar nossa vida. Aqui, não tenho as maçãs douradas...

Ele parecia pensar um pouco, e ainda que aquilo tudo fosse absurdo para Sansa, apenas a menção de que um dia ele morreria, mesmo que depois de milhares de anos, deixou-a inquieta e triste. Ela não perguntou sobre as maçãs. Na verdade, apenas uma questão pairava em sua mente.

— Loki... – Ao ver que conseguira a atenção dele, continuou. — Quando... quando eu me for... Poderá cuidar de nosso filho até vê-lo morrer? Digo... Você viverá mais do que eu, ou ele.

Ao ver o sorriso calmo dele, achou estranho. Conhecendo-o do modo como conhecia, imaginara um olhar triste ou uma expressão de agonia interna, mas nada disso apareceu no seu rosto, ele parecia... Sereno.

— Você não precisa se preocupar com isso. – disse de forma calma. Sansa franziu o cenho, e como se tudo estivesse claro, olhou com cautela para o cálice que estava pousado na cômoda ao lado da cama, entendendo tudo de imediato.

— O... o que tinha naquela poção, Loki? Digo, o que realmente tinha naquela poção?

— Meu sangue. – Ao ver o rosto dela ficar ainda mais pálido, explicou. — Tornei-a como sou. O que eu sou, você é. O que possuo, você possui.

Ela deixou a coberta de pele cair de seus seios para colocar as duas mãos na boca, e ele não conseguiu conter os olhos, que rumaram em direção ao colo dela imediatamente. Mas não era o momento... ela precisava se recuperar do choque, das informações em demasia, de tudo. Até mesmo da poção. Sansa não sabia, mas a cada segundo que se passava, seu corpo tornava-se mais forte, e ela teria que lidar com aquele tipo de força, precisaria se acostumar com a imortalidade, bem como a imortalidade precisaria se acostumar com ela.

— Eu... eu não sei o que dizer, Loki. Você deveria ter me contado isso tudo antes de me dar a poção, não?

— E por qual motivo? – Ele não entendeu a reclamação dela.

— Bom... Para eu ter uma escolha? Digo... eu precisava saber, Loki. É algo muito extremo, você me tornou imortal sem me perguntar se era realmente o que eu queria!

Ao ouvir aquilo, os ombros dele caíram e ele se sentiu perdido. Qual humano não gostaria de possuir imortalidade? E como ela não pensava nisso como algo bom? Afinal, viveriam por milhares de anos, juntos, ao lado da criança que crescia em seu ventre. Seriam rei e rainha de um mundo vasto e rico. O que mais ela poderia querer além disso? Ele havia dado a ela até mesmo o mais nobre dos sentimentos.

— Fiz isso porque te amo... – disse sem rodeios. — Achei que iria gostar de viver ao meu lado.

Ao ver que ela não respondeu, deitou-se na cama e passou os braços acima do corpo, pousando a cabeça ali e fechando os olhos. Sansa sabia que ele não estava dormindo, mas permaneceu calada por horas, até que o fogo da lareira se extinguisse e o quarto ficasse escuro como breu.

Sentia-se inquieta, como se tivesse sido mal interpretada. O motivo de ter ficado surpresa não fora porque não queria aquilo, mas porque ele não dissera nada antes de tudo. Pensando melhor, percebeu que havia sido tola. Loki lhe dera um filho, amor, e até mesmo sua imortalidade, um presente tão incomum e precioso que ela nunca poderia reclamar de recebê-lo e, por ironia do destino, tampouco devolvê-lo. Viveria ao lado dele por milhares de anos, como ele dissera, e seriam felizes nesse tempo longo.

Ao sentir o coração mais leve com a conclusão, aproximou-se timidamente dele. Tinha consciência de que ele estava acordado, seu corpo não estava relaxado e sua respiração estava até mesmo regrada. Tocou-o levemente no abdômen, fazendo-o soltar o ar, como se ele estivesse contendo-o ali por um longo tempo para não fazer barulho e passar despercebido.

— Loki... – Circulou a pele do abdômen dele com o dedo indicador, fazendo carícias e até mesmo cócegas. — Desculpe-me se te magoei. Fui tola em achar sua atitude impensada... Que maneira tenho de ser feliz senão ao seu lado?

Aquilo finalmente chamou a atenção dele, e mesmo que o quarto estivesse escuro, Sansa sentiu as orbes geladas perfurarem a sua silhueta.

— Quero você... por toda a eternidade... Porque o amo. – ela declarou, esperando uma reação, e logo depois sentiu os lábios finos sobre os seus, um beijo casto e intenso, de toque único de um casal apaixonado e cúmplice, um toque que demonstrava todo o sentimento que ambos sentiam no momento.

Ela se deitou ao lado dele, aconchegando-se no peito largo, Loki a abraçou por trás, enfiando o nariz no cabelo ruivo e aspirando o aroma delicado dos fios, enquanto sorria de forma contida.

Dormiram minutos depois.

[...]

Já havia se passado sete meses desde que Sansa bebera a poção que lhe daria a imortalidade, e o processo de adaptação fora tranquilo e, às vezes, cômico. Ela ainda não se acostumara a não adoecer ou resfriar por causa do inverno glacial do Norte, e sentir-se bem durante a gravidez, sem nem ter ao menos um enjoo, deixou-a louca, pois achava que não havia criança alguma, mesmo que sua barriga crescesse a cada semana.

E naquele momento, mesmo que Sansa fosse imortal e imune a doenças, o grito dilacerante reverberava por cada corredor do castelo principal de Winterfell, deixando todos em um estado de tensão absoluta.

Loki andava de um lado para o outro em um cômodo onde se trancafiara, que ficava a poucos metros do quarto no qual sua esposa estava em processo de parto. Suas botas faziam um barulho irritante, e a cada grito ouvido, ele socava a parede de pedra, deixando um perceptível rombo no local, demonstrando sua força incomum. Tyrion fitou o rei com diversão contida.

— Não sei a real preocupação, Vossa Graça. – ele observou. — Sua esposa e a criança são imortais.

Disse o óbvio, fazendo com que Loki parasse de andar. Ele passou as mãos nos cabelos lisos, atrapalhando-os um pouco, e fitou o anão brevemente. Tyrion conseguiu distinguir o desespero mesclado com a dúvida nas orbes azuis, mas nada disse.

— Eu sei... Mas é agoniante escutá-la gritar dessa maneira... – Voltou a andar pelo cômodo. — Será que está sofrendo? Por que demora tanto?

O anão revirou os olhos, tamborilando de qualquer maneira na madeira escura da mesa. Pegou a jarra de vinho que havia ali e depositou o líquido escuro em um cálice.

— Todas as mulheres passam por isso, e todas gritam. Provavelmente não há diferença entre as mortais e as imortais. – Suspirou. — Não sei quanto demora... Isso depende da criança.

Lembrou-se do que fizera à própria mãe e estremeceu. Não era o caso de Lady Sansa, a garota tinha a imortalidade ao seu lado, e mesmo assim gritava como se a criança estivesse a partindo ao meio. Tyrion pensou em todas as mulheres que não tinham o privilégio de beber uma poção daquelas. Como conseguiam andar depois do parto?

De repente, os gritos cessaram.

Loki parou de andar e olhou para a porta, como se a qualquer momento uma aia fosse interrompê-los aos prantos, dizendo que sua esposa estava banhada em sangue. Mas, ao invés disso, uma batida calma na porta soou pelo local e ele mandou entrar, tremendo dos pés à cabeça.

Uma aia de aparência cansada entrou no cômodo, seus braços estavam cheios de toalhas de algodão limpas e o rosto parecia afogueado, mas o sorriso que ela carregava tranquilizou tanto o rei quanto o anão, que observava tudo.

— Lady Sansa o espera, Vossa Graça. Correu tudo bem.

Bem? Ela gritava como se um dragão estivesse comendo seus membros. Não pensou muito naquilo, passou rapidamente pela aia, ignorando o anão que ficava para trás e ia em direção ao corredor, bamboleando atrás de seu rei. Loki andava a passos rápidos, e quando viu que Tyrion não ia entrar, parou em frente à porta do quarto e ficou estático, sem nem ao menos mover um músculo.

— É apenas uma criança... Vossa Graça. Seu filho. – o anão argumentou. — Ele não irá te comer...

Loki fez uma careta e assentiu, abrindo a porta e fechando-a atrás de si, deixando o anão e Fenrir para fora do quarto. Ela não estava só, havia pelo menos duas aias ali, retirando os panos com sangue e limpando toda a bagunça que o parto havia deixado. Ao verem o rei, apenas fizeram uma reverência, recolhendo apressadamente tudo e saindo do quarto para deixá-los a sós.

Loki se aproximou vagarosamente. A roupa de cama havia sido trocada e tudo cheirava à limpeza, um trabalho excelente das parteiras, curandeiras de Winterfell e das aias do castelo. Ela estava sentada no meio do colchão grande de casal, a cabeça pousada no encosto da cama e os olhos baixos, fitando o pequeno embrulho que estava em seus braços delicados. Quando percebeu a aproximação do rei, fitou-o com olhos cansados, mas havia uma alegria que apenas uma mãe poderia carregar naquele olhar.

— É uma menina... – ela disse com a voz rouca. — Uma linda menina.

Loki não sabia o que faria com aquela informação. Em seu íntimo, pensava que a criança seria um menino, imaginava-se o ajudando a cavalgar, ensinando-o a manusear uma espada, o arco e principalmente as adagas. Mas uma menina... Ele não sabia como faria para ser pai de uma menina. Como se Sansa soubesse o que ele estava pensando, sorriu de forma calma e pousou a mão cansada na mão do rei, apertando-a levemente.

— Você pode ensiná-la a ler... e praticar magia.

Magia... sim... Ele poderia fazer isso. Transformaria sua filha na mais poderosa feiticeira de Westeros, ensinaria a fazer feitiços e usar a magia sempre a seu favor... Poderia ensiná-la sobre a cultura de Asgard também, como promessa de que sua filha soubesse de onde viera, a quem pertencia. Teria tempo para isso.

Tempo... Um conceito precioso naquele momento. Teria tempo para ver sua filha crescer e transformá-la em uma grande mulher. Teria tempo para amar Sansa e fazê-la feliz por milhares de anos. Quem sabe ter mais crianças? Ao lado de Sansa, conseguia imaginar meninos e meninas de cabelos escuros e vermelhos andando pela neve e correndo atrás de Fenrir. Ele olhou de canto de olho para a porta. O lobo se acostumaria à garota? Só teria uma maneira de descobrir isso...

— Como vamos chamá-la? – ele perguntou. Não fazia ideia do nome que ia dar para a criança. Os nomes asgardianos eram completamente diferentes dos nomes daquele planeta, teriam que entrar em um consenso sobre isso. Sansa meneou a cabeça levemente.

— Eu ainda não pensei nisso... Acho que teremos tempo para procurar um nome lindo como ela.

Pela primeira vez, ele se aproximou a ponto de ver o rosto da criança. Esta estava de olhos fechados, as pequenas mãos juntas perto do queixo, como se estivesse orando. Mas, ao sentir a proximidade do pai, abriu os olhos e fitou-o rapidamente, antes de fechá-los. Ela possuía olhos azuis... iguais aos pais. Loki sorriu de forma leve, há centenas de anos não dava um sorriso tão natural e sincero. Sansa observava cada reação dele, mas logo bocejou.

— Estou cansada, Loki... – ela admitiu. — Apesar de ser imortal, sinto dores no corpo e principalmente nas pernas... Você... você pode segurá-la?

Estava sendo sincera, contudo, poderia segurar a criança por mais algumas horas. Mas queria que Loki interagisse com a filha, que a pegasse no colo e sentisse o peso leve que ela possuía, sentisse o cheiro de recém-nascido emanar dos poucos fios escuros de cabelo que o bebê possuía. Com relutância, ele estendeu os braços e pegou o pequeno embrulho, engolindo em seco quando o aconchegou ao peito. Loki olhava para a criança como se ela tivesse duas cabeças, e Sansa conteve um sorriso.

Apesar de achar que ainda aguentaria algumas horas acordada, ao ver que o bebê estava seguro nos braços do pai, fechou os olhos para tentar fazê-los parar de arder, e adormeceu sem perceber o cansaço que havia dominado seu corpo.

Loki olhou para Sansa e um desespero tomou conta de si. E agora? E se o bebê começasse a chorar? E se...

Pelo amor, Loki, é apenas um bebê.

Pensou, e a criança mexeu a pequena boca, fazendo uma careta e voltando a dormir. Ele respirou fundo e voltou a olhar para Sansa, que estava apagada em seu sono cansado. Não ousaria acordá-la, queria que ela se recuperasse completamente das dores e do trabalho do parto dificultoso.

Andou até a porta e abriu-a, olhando para fora. Tyrion estava o esperando com paciência, e ao ver que o rei segurava a criança, abriu os olhos em surpresa. De alguma forma, achou que Loki era o tipo de homem que nunca carregaria um bebê.

— É uma menina. – ele anunciou, abaixando-se respeitosamente para que o anão visse a criança. O sorriso de Tyrion foi sincero e alegre, e ele olhou para Loki, que fitava Fenrir com atenção.

— É uma linda menina. Minhas felicitações, Vossa Graça...

Loki assentiu, mas seus olhos estavam atentos ao lobo. Fenrir se aproximou do pequeno pacote, olhando com olhos felinos a criança. Depois de algum tempo, encostou o enorme focinho na pequena mão do bebê, que acordou por causa da temperatura elevada e umidade. Os olhos azuis dela fisgaram os olhos de Fenrir, e ela abriu a boca rapidamente, para fechá-la vagarosamente e voltar a dormir segundos depois. Fenrir sentou-se e abanou o rabo, como se estivesse feliz com a nova aquisição da família. Naquele momento, Loki teve certeza de que o lobo cuidaria de sua filha como cuidava de Sansa.

— Se me permitir, Vossa Graça, me recolherei aos meus aposentos... Foi uma longa noite. – Tyrion disse, e ele assentiu, liberando o anão, que bamboleou pelo corredor até sumir de vista. Dava razão ao pequeno homem, a noite fora longa. Estavam nas primeiras horas da alvorada e Sansa passara a madrugada inteira em trabalho de parto.

Sem saber para onde ir, Loki rumou pelos corredores, atento ao pequeno embrulho, parecia aéreo a tudo à sua volta, e sem perceber para onde ia, subiu as escadas e foi em direção às torres mais ao norte.

Fenrir o acompanhou até lá. Aproximaram-se da murada mais próxima, e Loki fitou o grande reino que era o Norte. A neve não caía naquela manhã, mas o frio era cortante. Porém, sabia que sua filha não sentiria as consequências do inverno como todo humano comum, e estava preciosamente embrulhada em peles grossas. Ele fitou o rosto da pequena, respirando fundo e olhando novamente para a imensidão da paisagem lá fora. Todas as terras que sua filha um dia herdaria.

Aquele povo de Westeros acreditava em deuses. Cada parte dali possuía uma religião, os deuses eram diversos e preenchiam a cultura daquele local. Loki sabia que existiam, mas os que ele acreditava estavam em outros lugares, longe... Desejava que Heimdall pudesse vê-lo naquele momento e falasse sobre suas conquistas por toda Asgard, principalmente para uma mulher que era muito importante em sua vida.

Pensou nos reinos que conquistara. Era um rei temido e respeitado como sempre desejou. Fenrir estaria sempre ao seu lado para proteger quem era importante para ele, tivera uma filha saudável e tinha Sansa. Mas, além de tudo, conquistara ali algo que nunca pensou que um dia teria: amor e alegria. Por uma força maior do destino, ele era feliz naquele momento.

Sim... deuses realmente existiam.

Olhou novamente para o pequeno rosto da filha e seus olhos viajaram para o céu nublado acima de si. Sorriu levemente.

— Obrigada, Frigga. Obrigada, mãe.

Uma lágrima caiu teimosamente pelo seu rosto, antes que ele se virasse de costas para seu reino e voltasse para o castelo.

Notas finais
Eu não tenho palavras para agradecer pelo apoio que recebi nessa fanfic desde o primeiro capítulo. Quando comecei a escrever, não imaginei que tanta gente embarcaria nessa loucura que foi inserir Loki em Westeros. Muito obrigada por vocês acreditarem no casal, me darem uma chance com essa história e acompanharem até o fim! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!