A neve caía em abundância lá fora, fazendo com que Sansa perguntasse se o trabalho dos homens que limpavam o caminho surtiria efeito. Parecia ser uma obra contra a natureza, que impunha o que ela queria, sem se importar com os humanos à sua volta. Fenrir saíra para caçar, com a permissão de Loki, que ficaria ao lado dela a todo o momento até que o lobo voltasse. O rei pedira para não ser incomodado, pois estaria ocupado cuidando de sua esposa.

Sansa estremeceu diante desse pensamento, tentando imaginar a que tipo de cuidado ele se referia. Quando o rei fechou a tenda atrás de si ao entrar, esfregando as mãos umas nas outras e olhando-a com diversão, fez uma careta.

— Acho que nunca vi tanta neve em toda a minha vida... Nem mesmo em...

Ele parou de falar no mesmo instante, e ela sabia o motivo. Caso falasse os lugares por onde andara em sua vida, poderia delatar sua origem, um assunto que a garota já colocara em pauta e Loki se desviara como um peixe que foge das mãos de um homem ao ser capturado. Sansa não tinha planos para voltar àquele assunto e por isso deu de ombros.

— Todo inverno é assim. Principalmente no Norte. Você disse que estamos próximos de Winterfell, não? – Ele assentiu com a cabeça. — Logo estaremos aquecidos em casa.

Ela deu um sorriso contido, indo em direção à cama e sentando-se ali. Os olhos azuis fitavam com uma atenção exacerbada as chamas da lareira improvisada que estava próxima. Quando sentiu o colchão afundar-se ao seu lado, virou-se para fitá-lo nos olhos. Apesar de reclamar da neve, Loki não parecia sentir o frio que as pessoas sentiam. Enquanto ela vestia-se com um pesado vestido de veludo e uma capa de pele que abrigava o seu corpo por inteiro, ele estava apenas com um gibão de lã negra, a calça peculiar de couro que ele sempre vestia, e as botas.

— Consigo ver várias alternativas para estarmos aquecidos sem estar precisamente em Winterfell. – Ele sorriu maliciosamente. — E todas elas incluem você.

A mensagem fora clara e direta, o rosto dela ruborizou-se no mesmo segundo. Sansa sentiu seu corpo aquecer-se apenas à ideia de que ele a tocaria, mas ao mesmo tempo estava tímida. Não se tocavam mais intimamente há meses... E Loki percebeu sua reação imediatamente.

— Parece relutante... – disse de forma calma. — Não quer ser tocada?

Ela resistiu ao impulso de jogar-se em direção a ele e tomar os lábios finos, pois não queria passar essa ideia de rejeição. Porém, precisava ser sincera naquele momento. Desviou os olhos azuis.

— Sim... Mas e a criança? Não se machucará?

Ao ouvir a pergunta, um fantasma de sorriso percorreu o rosto dele, e ela sentiu-se tola no mesmo momento. Contudo, Loki não foi irônico, apenas pousou a mão longa no ventre dela através das camadas grossas de tecido.

— Acho que você o protegerá de qualquer coisa. Já o fez em situações mais extremas, não?

Ela assentiu timidamente, e ele correu a mão do ventre para os seios e o colo, onde a pousou ali para sentir o coração acelerar-se ao toque dele.

— Preciso sentir você, Sansa. Preciso ver que você é real... E que está aqui comigo, depois de tanto tempo…

Loki aproximou-se vagarosamente, tocando os lábios dela como uma reverência. O toque foi delicado, extremamente sedutor e convidativo. Ambos os corpos lembraram-se daquele toque imediatamente e logo se aproximaram um do outro, ele dirigindo suas mãos para os cordões do manto dela, jogando-o para trás em volta dela no colchão da cama, enquanto deslizava as mãos pelos braços delgados, sentindo os contornos femininos com mais facilidade.

Sansa respirou com dificuldade no momento em que sentiu as mãos explorando seu corpo, os dedos correndo meticulosamente pela cintura e contornando-a para chegar aos laços do corpete que ficava nas costas, onde ele desamarrou cada cordão vagarosamente, fazendo com que ela sentisse o vestido ficar mais frouxo ao corpo, o tecido descendo à medida que ele se livrara de todos os laços.

Logo se livrou do vestido, pegando-a no colo e colocando-a em outro local do colchão, mais em cima, enquanto jogava o tecido para o chão, junto com a capa. A camisola dela era a única barreira que separava a pele feminina dos lábios ávidos dele. Loki correu as mãos pelas pernas, sentindo a carne trêmula, subindo calmamente o tecido simples de algodão. Sansa fechou os olhos para deliciar-se com o toque, ele parecia redescobrir o seu corpo depois de semanas sem vê-lo, como se as mãos estivessem revelando à mente dele tudo o que ele esquecera com o tempo.

Mas estava engada.

Loki lembrava-se de cada toque na pele sedosa, de cada nuance de cor que ela possuía, bem como cada curva presente ali, lembrava-se principalmente do cheiro, no entanto, o que mais sentia falta era o gosto.

Os lábios atrevidos encontraram a pele agora exposta das coxas, mordiscando-a levemente e sugando-a onde conseguia alcançar. Ela retorceu-se no colchão, seu corpo aceitando aquele toque com ansiedade, reconhecendo os lábios facilmente apenas pelo modo como ele pousava-os ali e experimentava-a aos poucos. Com as mãos, ele abriu as pernas dela mais um pouco, aproximando-se e mergulhando a língua diretamente em sua intimidade, fazendo-a gemer naquele momento e arquear-se de prazer. Loki sentia tanto prazer quanto, sorvê-la e sentir o gosto de sua essência depois de tanto tempo... Era uma passagem apenas de ida para o paraíso.

Ele permaneceu ali por muito tempo, instigando-a de todas as maneiras a perder o controle, e Sansa não demorou muito a encontrar o ápice de seu prazer, estremecendo sem conseguir se conter e deitando-se de forma largada no colchão de penas, enquanto os lábios entreabriam-se para tentar recuperar o fôlego. Loki interrompeu sua tentativa com um beijo, e logo o gosto dele estava misturado ao gosto dela, deixando tudo mais íntimo e de certa forma excitante.

Sansa percebeu os movimentos das mãos masculinas, ele retirou seu gibão de lã facilmente, e ela aproveitou a nudez parcial para correr as mãos delgadas pelo peitoral forte. A pele era pálida e fria, mas esticava-se de modo perfeito para cobrir as linhas que o delineavam suave e harmoniosamente. Ela desceu as mãos, chegando ao cinto e retirando-o com facilidade, enquanto descia avidamente a calça de couro. Sentia uma necessidade absurda de vê-lo nu, de colocar os olhos sobre aquele corpo perfeito. Depois do que passara e dos horrores que vira, precisava de algo belo.

O sorriso malicioso dele se alargou quando viu a audácia contida nela, mas deixou-a despi-lo, ficando de joelho sobre o colchão e sentindo-se extremamente quente quando a observava retirar a roupa de seu corpo, os olhos azuis tímidos correndo por todo o espaço que conseguiam captar. Fechou os olhos quando ela tomou o membro com a mão, incitando-o mais com movimentos certos, e engoliu em seco quando ajoelhou-se em frente a ele, tomando os lábios dele de forma suave e ao mesmo tempo tensa.

— Quero você, Loki. Muito... – Ela mordiscou a boca dele, fazendo-o gemer. — Por favor...

Nada o excitava mais do que ver uma mulher implorando para ser possuída por ele. Loki colocou-a deitada na cama novamente com todo o cuidado e retirou a camisola de algodão que ela vestia, tendo acesso direto ao corpo delicado. Os lábios dele tomaram os seios calmamente, um a um, sugando-os e fazendo-a fechar as mãos na lã da roupa de cama.

— Por favor... – ela voltou a pedir, arrancando um sorriso jocoso e satisfeito dele.

Loki decidiu que seria a hora de parar com aquela tortura para ambos, e colocando-se entre as pernas femininas, invadiu-a aos poucos, sentindo cada centímetro dela o abraçar, até chegar ao seu objetivo. Ela arfou e ele engoliu em seco. Escorregadia como gelo, mas quente como o inferno. Ambos aproveitaram-se desse momento de intimidade para olhar um nos olhos do outro, e o que Loki descobriu ali foi realmente espantoso. Ela o amava. Não precisava de palavras, nem mesmo de atitudes, ele conseguia ver aquele sentimento facilmente através das orbes claras.

Começou a se movimentar calmamente, com delicadeza, para que ela se acostumasse novamente depois de certo tempo. Pensava na criança, e sabia que a gravidez estava um pouco avançada, poderia ser de risco pelas condições em que se encontrara semanas atrás, mas não conseguiu manter aquele ritmo casto e leve, logo começou a movimentar-se com mais velocidade e mais bruscamente, e a resposta do corpo dela foi positiva. Sansa o enlaçou com as pernas, puxando-o para o corpo dela no mesmo momento em que se arqueava em direção a ele, abrindo a boca para soltar um gemido de prazer completo.

Ele não demorou a encontrar o seu prazer, derramando-se dentro dela e desabando o corpo em cima do dela, mesmo que delicadamente. Beijou o vale dos seios da garota, sentindo o gosto salgado do suor, apesar do frio em que se encontravam, e logo mordiscou seu queixo. Loki observava cada reação dela, fascinado com tudo, e percebeu uma lágrima escapando do olho dela, correndo pela pele alva, e lembrou-se de que na primeira vez em que a tomou, ela também chorara.

Deitou-se ao lado dela e abraçou-a por trás, pousando o rosto no cabelo liso e ruivo. Finalmente a cor alaranjada dos fios voltara, indicando a retorno da saúde em seu corpo e alma. De alguma forma, Loki sabia o motivo da lágrima, sabia que a gratidão dela era grande demais para que dissesse em voz alta, mas Sansa aprendera a expressar seus sentimentos de outra maneira, pois onde vivera por anos não era permitido dizer palavras daquele modo.

Ele, pelo contrário, não sabia outra forma de expressar o que sentia no momento além das palavras.

— Sansa?

Ela remexeu-se nos braços dele, aconchegando-se no colchão. A sombra de Fenrir já podia ser vista através da lona grossa da tenda, indicando que o lobo havia retornado.

— Sim... – respondeu, já com sono.

— Eu amo você.

[...]

A caverna fora escolhida por motivos peculiares e pessoais. Não era muito isolada do acampamento de seu exército, de modo que se algo ocorresse, poderia voltar rapidamente montado em seu cavalo, protegendo a todos, e isso incluía, exclusiva e especialmente, Sansa.

O local também era ermo, apesar de ser paralelo ao acampamento, de modo que os dois conseguiam ver as fracas luzes das fogueiras ali. Estava instalada em uma montanha não muito alta, e a altura dava tranquilidade e liberdade para que o ritual fosse feito, já que esse emanaria alguma luz e por causa da altitude, tal claridade não poderia ser vista facilmente.

Tyrion observava com medo e fascínio Loki preparar tudo para o ritual. De alguma forma, ele conseguira achar uma caverna inabitada perto do acampamento, e deixara o lobo gigante cuidando de sua preciosidade enquanto rumava apenas com o anão para o local de escolha. Fechara a caverna com uma parede de gelo, e mesmo que estivessem trancafiados e o vento fosse barrado inteiramente, ali dentro ainda fazia frio.

Naquele momento, o rei pronunciava palavras em um idioma que o pequeno homem não reconheceu, e mesmo que não soubesse os princípios da magia, sentia uma energia estranha e ao mesmo tempo atrativa fluindo da figura alta à medida que ele ditava os cantos e feitiços. Fazia um bom tempo que estava daquele modo, uma luz verde e azulada emanava das palmas das mãos dele conforme as palavras eram pronunciadas. Ao contrário do feitiço simples que fizera para detectar onde Tywin Lannister estava, aquele parecia ser mais complicado e complexo.

Duas horas tinham se passado, mas ele permanecia de olhos fechados, focado nos dizeres. E a cada minuto que se passava, o rei ficava mais e mais pálido, a ponto dos lábios finos tomarem uma cor azulada, como se estivesse se mesclando ao gelo que estava colado nas paredes de pedra daquela caverna. O anão observava tudo com atenção, trocando o peso de uma perna para outra de vez em quando. Não ousava interromper o ritual, mas sentia-se aflito à medida que a luz nas mãos do rei aumentava e sua força vital diminuía.

Depois do que pareceram séculos, ele abriu os olhos. As pupilas possuíam um brilho avermelhado, e Tyrion assustou-se momentaneamente com isso. A aparência de Loki estava diferente da de um humano, mas logo a pele pálida tomou conta do tom azulado e os olhos voltaram ao seu tom azul habitual. O rei estava fraco, o anão sentia isso pelo modo como ele abaixou o braço e pousou as mãos trêmulas na mesa, fechando os olhos e respirando com dificuldade.

— Vossa Graça?

Ele não respondeu, continuou apoiado à mesa e de olhos fechados, depois de algum tempo, tomou uma respiração profunda e disse a ordem com a voz entrecortada e falha.

— Pegue... pegue as adagas, vamos para a segunda parte do ritual.

[...]

Sansa estava deitada na cama, mas percebera que Loki levantara há algumas horas. Perguntou-se quando seria o amanhecer e se a estrada estaria livre para voltarem a viajar rumo a Winterfell. No inverno, as noites pareciam ter o dobro de duração, e os dias pareciam ficar cada vez mais curtos e escuros. De qualquer forma, sabia que nada daquilo tiraria o seu humor, pois se lembrava perfeitamente do que Loki dissera a ela quando estava em seus braços, antes de dormirem.

“Eu amo você”.

A voz dele dizendo aquilo girava pela mente dela calmamente, e foi com aquele som imaginário que aconchegou-se mais a Fenrir, fechando os olhos novamente e voltando a dormir.

[...]

— Isso é loucura. – Tyrion colocou em voz alta seus pensamentos pela primeira vez, sentindo-se extremamente nervoso ao ver a cena que estava a sua frente.

Loki estava deitado em um monte de neve. Normalmente usaria uma mesa redonda para facilitar o ritual, mas sabia que em meio a uma viagem sob uma nevasca não poderia exigir mais que aquilo. A neve fazia cócegas na pele de suas costas, como se o corpo do rei reconhecesse sua real origem e desse boas-vindas à temperatura baixa. Contudo, ele ignorava teimosamente isso.

Não respondeu ao anão, não porque não quisesse, mas porque precisava poupar todas as suas forças, e respostas desnecessárias teriam que ser ignoradas. Sim, era loucura, mas era necessário para que o ritual continuasse.

— Faça.

O rei estava deitado como se estivesse confortavelmente em cima de um colchão, as pernas e os braços abertos, parte deles caídos do bloco de neve que sustentava seu corpo. Abaixo, havia pequenas tigelas de cristal, artefatos mágicos que Loki carregara consigo na viagem em busca de Sansa, como se seu subconsciente lhe dissesse que precisaria usá-las depois que a resgatasse. Claro que as tigelas colheriam outro tipo de sangue, pois achava que faria um feitiço para deixá-la saudável. Todavia, não precisara, Sansa se recuperara de forma surpreendente. Mas aquilo já não era o suficiente para ele, queria torná-la ainda mais forte.

Usava apenas a calça de couro e Tyrion perguntava-se a todo o momento como ele não congelara naquele local, visto que o anão usava peles de animais por cima da roupa de lã e ainda sentia frio. Ao ver que o rei estava esperando, aproximou-se do homem com a adaga na mão. Estava levemente trêmula e, de repente, percebeu que o rei devia confiar muito nele para designá-lo como ajudante naquele tipo de feitiço. Uma passada rápida da adaga no pescoço, e Loki estaria morto.

Como se o rei tivesse lido sua mente, tratou de tirar aquela ideia da cabeça de Tyrion.

— Eu estou fraco… Mas consigo derrubá-lo facilmente, Tyrion. – disse simplesmente. — Ande logo com isso. – Era uma ordem, e o anão decidiu terminar logo com a sua própria ansiedade.

Um pouco relutante, pousou a adaga no pulso do rei, enfiando a lâmina mágica em sua pele, o único tipo de lâmina que conseguiria cortar a pele imortal e fazer algum estrago visível. O corte não foi profundo o suficiente.

— Pare com esse medo, precisa muito mais de uma adaga mágica para me matar, Tyrion. – Loki disse. — Enfie logo essa lâmina.

Sem relutar naquele momento, o anão enfiou a adaga fortemente no pulso do rei, e dessa vez o sangue jorrou da pele, deslizando suavemente pela mão e dedos longos, e pingando vagarosamente na tigela de cristal. Tyrion rasgou a pele dos dois braços, do pulso ao meio do braço, bem como nas pernas, onde ele fizera um corte profundo em ambas as panturrilhas. A lâmina encantada não permitiria que os cortes se fechassem ao longo das horas que ele ficaria ali.

A palidez de Loki se acentuou conforme o sangue saía de seu corpo e gotejava nas tigelas de cristal. A caverna estava silenciosa, apenas o barulho do líquido pingando no pote se era ouvido, deixando-o mais fraco à medida que ele se abdicava de um dos bens mais preciosos que possuía: a essência de sua imortalidade.