Lost
17 16.
Notas iniciais

Algo estava extremamente errado. Normalmente a prisão era tão silenciosa, que Sansa conseguia escutar sua própria respiração, seu estômago roncar e o barulhinho das patinhas dos ratos batendo na pedra.
Mas naquela noite, estava tudo diferente. Na verdade, há alguns dias estava daquele modo barulhento. Sansa conseguia escutar vozes abafadas lá em cima, algumas em um tom de comando, outras faladas de forma gritada, como se a pessoa – dona da voz – estivesse com uma raiva fora do normal.
O pequeno castelo onde estava aprisionada era embargado pela bagunça, tensão e desorganização. Conseguia ver isso pelas vozes estridentes, por sua refeição que a cada dia chegava a um momento diferente, às vezes quente, às vezes fria; e pelo constante som de passos ecoando pelos corredores da prisão.
Tomou a coragem de levantar, sentindo-se tonta no mesmo momento. Há tempos não se alimentava, apesar de ter se esforçado mais para fazê-lo depois da conversa que tivera com os Lannister, onde ouvira sua sentença. De alguma maneira, pensara na criança que carregava, e seu sentimento materno aflorou-se nas últimas semanas, como se fizesse de tudo para que seu filho fosse forte e não sofresse o que ela estava sofrendo, mesmo que soubesse que as chances de ele nascer eram mínimas.
Os gritos estavam mais altos naquela noite, e escutou vagamente o barulho de metais, como se garfos e facas estivessem caindo aos montes no chão de pedra. Contudo, ela sabia que não era o som de talheres caindo no chão. Aquilo era o som de armas sendo soltas, ou até mesmo armaduras sendo colocadas em corpos. Mas por que motivo todos estavam desse modo?
— Será...
Não... Não era possível. Não depois de quase dois meses...
Seus pensamentos foram interrompidos quando o som de passos foi aumentando, indicando que alguém se aproximava. Sansa se afastou das grades da porta, jogando-se na escassa palha que havia no chão e focando seus olhos na parede nua. O som parou, mostrando que a pessoa agora estava parada e por perto.
— Sansa Stark. – ele a chamou, obrigando-a a olhá-lo, pois sabia que ele não sairia dali até que ela o fizesse. — Tenho ordens de lhe transmitir um recado dos Lannister. Decidiram a data de sua execução… Você será executada amanhã logo ao raiar do dia.
Com isso, ele virou-se, saindo do local como se não tivesse feito nada. Como se não tivesse entrado ali para dizer a uma garota que a vida mal começara que morreria no dia seguinte.
Sansa ficou parada, absorvendo as palavras do guarda. Não conseguiu conter as lágrimas, que se acumularam em seus olhos e logo depois escorreram por seu rosto e pingaram no chão sujo de pedra.
Então era aquilo, ela e seu filho morreriam logo no nascer do sol. A criança que carregava nunca veria o mundo como ele realmente era, e isso era quase um alívio para Sansa. Mas também não veria o sol, nem conheceria o Bosque Sagrado. A criança nunca sentiria o cheiro de flores silvestres e nem experimentaria bolinhos de limão.
Ela agora soluçava, e não se importou quando um rato se aproximou para comer o mingau esquecido na tigela. Jogou os braços no chão, ocultando a cabeça ali, sentindo o corpo sacudir à medida que liberava a tristeza que carregava e continha durante quase dois meses.
[…]
Loki olhava para o pequeno castelo, estavam próximos. Seu exército fizera um trabalho excelente e tivera poucas perdas por causa do inverno, talvez três ou quatro, o que era praticamente um milagre, devido ao montante de neve que caía pela estrada durante todo o dia. Sua magia o ajudara bastante, e ele disponibilizara fogueiras que não consumiam madeira e nem se apagavam com a neve e o tempo úmido, deixando seus homens sempre aquecidos. Depois de duas semanas de caminhada intensa e praticamente sem descanso, estavam finalmente parados em seu destino, ou próximos a ele.
Fora fácil tirar informações dos vilarejos próximos, pois Fenrir se alimentava de cada homem que se recusava a ajudar com informações úteis. Mesmo que Loki soubesse exatamente para onde ir, descobrir os locais menos habitados e os caminhos pouco tortuosos para invadir era sempre mais fácil. Tyrion estava ao seu lado, e parecia não acreditar que estava perto do castelo novamente, como se tivesse sido obrigado a confrontar uma doença que deixara para trás há meses.
De alguma forma, a informação de sangue e as mortes que o lobo gigante do rei do Norte deixava para trás foi se espalhando rapidamente, e Loki não encontrou tanta resistência assim. Engoliu em seco, retirando do bolso oculto uma pedra negra, que brilhava levemente por causa da claridade da neve ao redor. Tyrion observou-o fechar a mão em punho e murmurar algo, e logo a linha azulada e brilhante saiu da pequena joia, serpenteando pela neve que cobria a lama e a grama do local, indicando que sim, o líder dos Lannister se refugiava no castelo que estava a poucos minutos de distância.
— Você acha que eles irão conseguir sem serem pegos? – O anão interrompeu os pensamentos de Loki, que deslocou os olhos azuis da pedra negra para o pequeno homem ao seu lado, dando-lhe um sorriso confiante e encorajador.
— Espero que sim... E acho que farão de tudo para conseguir. Afinal, tenho as esposas dele comigo e disse que Fenrir adora carne fresca.
Tyrion engoliu em seco.
— Nos resta esperar. – Loki ditou. — Vá até a tenda e descanse. Faltam poucas horas para o amanhecer, eu irei à frente com o exército principal, mas deixarei pelo menos um quinto do meu exército aqui, caso alguém tente fugir.
Loki já sabia que a notícia de sua aproximação já chegara aos ouvidos de Tywin Lannister, assim como sabia que o velho era orgulhoso demais para fugir como um covarde. Naquele momento, preparava seus homens, colocando-os em guarda e posicionados. Conhecia os ditos fiéis aos leões, e descartava a possibilidade de confronto com alguns, tendo a certeza de que vários tentariam a opção mais fácil: fuga.
Tyrion assentiu, e já estava se virando para caminhar para a tenda, tendo o alívio de poder descansar algumas horas perto de uma fogueira, quando um barulho chamou a sua atenção. Parecia alguém ofegante. Loki também escutou, e logo um homem galopando veio na direção dos dois, os cascos não faziam barulho devido à neve, mas a respiração do homem estava difícil. Por sorte, não era nenhum inimigo, mas o rei reconheceu um dos seus homens facilmente, mesmo no escuro e na neblina.
— Vossa Graça. – Ele parou o cavalo quando estava próximo, colocando a mão no peito, tentando pegar fôlego. — Tenho notícias...
Loki esperou alguns minutos para que o homem se acalmasse, mas logo gesticulou, incitando-o a dar a informação.
— Ouvi dizer que Lady Sansa será executada no raiar do dia. Há um pequeno palco e o carrasco está afiando a lâmina nesse momento.
Ao escutar isso, Tyrion olhou para Loki esperando uma reação, mas, como sempre, o rei foi frio em demonstrar algo, apenas assentiu para o homem e começou a ditar a ordem principal.
— Acorde meus homens. Iremos invadir o castelo agora.
— Mas... – o homem tentou barganhar.
— Agora!
O homem assentiu, enfiando os calcanhares no cavalo para que o animal voltasse a trotar rapidamente. Ao ver o guarda se afastar, Loki virou-se para o anão. Mesmo que fosse frio e parecesse um escudo em relação a sentimentos, Tyrion percebeu a aflição nas orbes azuis.
— Fique aqui, descanse. Provavelmente demorará horas para que a batalha termine. Prometo entregar a cabeça de seu pai fincada em uma lança.
Tyrion tentou argumentar, mas ao ver a expressão do rei, fechou a boca no mesmo segundo, sabendo que não seria prudente discutir com ele naquele momento. Estava ansioso para recuperar sua rainha, e não tirava a razão do feiticeiro, pois além de Sansa estar carregando seu herdeiro, Tyrion, sempre astucioso, sabia que apesar do rei não demonstrar, nutria sentimentos intensos por aquela garota ruiva.
Ele assentiu, dando uma cutucada na costela do seu cavalo para que caminhassem de volta à tenda. Ao ver que estava sozinho, Loki apertou a joia negra, colocando-a no bolso novamente. A linha azul era facilmente visível na neve, e ele agradeceu à sua magia naquele momento, pois ela o ajudara e continuaria o ajudando a recuperar sua rainha.
Sua Sansa.
[…]
Ainda não amanhecera, e mesmo que ela não tivesse dormindo, sentia a ansiedade começar a se formar à medida que o tempo passava. O céu estava mais claro, indicando que a execução se aproximava. O seu estômago revirou-se, e sentiu vontade de vomitar, ainda que soubesse que não havia nada ali para jogar fora, já que o mingau da noite anterior fora devorado pelos ratos. Passou a mão no ventre pouco inchado, despedindo do seu filho não nascido com pensamentos e preces.
Seus olhos estavam embargados por lágrimas contidas, mas logo as derramou, quando percebeu que não saberia nem mesmo o sexo do bebê. Não se importava com mais nada, estava em uma sensação de torpor interno, pensando em sua desgraça e no fim da linhagem da Casa Stark. Pensava tanto em tristeza que ignorava completamente o barulho ensurdecedor e cada vez mais alto que vinha dos pátios e dos andares superiores onde ela estava. Provavelmente pessoas se amontoando para ver a traidora ser separada de sua cabeça de forma simples e ao mesmo tempo emocionante.
Sim, com apenas um golpe e ela estaria livre daquele sofrimento.
Por mais que estivesse entorpecida, um barulho alto e estridente chamou a sua atenção e ela franziu o cenho, retirando a mão do ventre automaticamente para proteger seu segredo, sentando-se na palha imunda. Passos altos reverberaram pelo chão de pedra e percebeu que havia dois homens ali. Para buscá-la? Mas já era de manhã? Provavelmente iriam prepará-la, levá-la até o local de execução, ou talvez os Lannister iriam querer falar novamente com ela, deixá-la ainda mais aterrorizada. Cersei seria capaz disso, e seu filho nojento também.
Por orgulho, levantou-se e esperou que os homens a retirassem dali. Pelo menos veria uma última vez a luz do sol antes de morrer.
O primeiro homem se aproximou, buscando impaciente no bolso uma chave, que logo foi achada e enfiada no buraco da fechadura, ele a destrancou. Sansa percebeu que o outro que o acompanhava olhava tudo com aflição e às vezes fitava o corredor, como se esperasse que alguém os impedisse a fazer o que estava fazendo.
— Sansa Stark? – o homem perguntou, e quando ela confirmou, ele respirou fundo. — Eu disse que era ela!
— O rei disse que ela era ruiva! O seu cabelo é negro! – o outro quase gritou.
— É a sujeira, seu imbecil. Ela está aqui tempo demais...
Um dos homens se aproximou, pegando-a pelo pulso e puxando-a para fora de sua prisão. Sansa respirou fundo.
— O que... Para onde estão me levando? Que barulho é esse?
Como eles não responderam, ela parou de andar, tentando se controlar.
— Estão me levando para a execução? Esse... Esse barulho é a multidão que veio presenciar a sentença? – ela gaguejou, mas os dois homens se entreolharam e um respirou fundo.
— Esse barulho é sim de uma multidão, mas pertence ao exército do seu marido, o rei Loki. – ele disse nervoso. — E, por favor, comece a andar, preciso entregá-la com a cabeça para os guardas dele.
Ao ouvir o nome do seu marido, o coração de Sansa encheu-se de esperança, mas algo estava errado. Os homens que a puxavam usavam as cores Lannister, e ela voltou a ficar estática.
— Mas... você é um Lannister!
— Sim, e estou traindo minha própria casa.
Ele perdeu a paciência e começou a puxá-la com violência em direção à escada, subindo os degraus rapidamente e ignorando a fraqueza da garota, quando tropeçou em vários.
— Posso saber o motivo da traição? – ela perguntou.
— O lobo. – o homem respondeu, fazendo com que Sansa escondesse um sorriso vitorioso, que logo se transformou em desanimado. Um lobo? Na certa na seria Fenrir... A besta estava morta, Sansa vira antes de ser sequestrada. Loki teria enfeitiçado algum outro animal? — Ele irá soltar o lobo em cima das nossas esposas caso eu não consiga deixá-la a salvo.
E como se os deuses estivessem conspirando a favor dos Lannister, a porta da antessala foi aberta e vários homens entraram por ela, muitos com as cores do leão, mas Sansa reconheceu ali homens do Norte, pois sustentavam a cor verde e havia um lobo entalhado no peitoral da armadura prateada. Ao ver os dois homens carregando a prisioneira mais valiosa para os leões, viraram-se em direção aos traidores e começaram a correr para matá-los.
Sansa escapou por um fio, seu instinto de proteção lhe dizendo que teria de fazer a única coisa que já sabia: correr para fugir. E assim o fez, escapando dos braços que tentavam puxá-la e das espadas que golpeavam inimigos. Os nortistas a olharam surpresos, mas não podiam parar de se defender para ir atrás dela, então ela correu. Contudo, a sensação de fatiga a interrompeu, nunca pensou que estivesse tão fraca, logo suas pernas cederam e ela caiu no chão duro de pedra, percebendo que chegara ao local onde estivera semanas atrás, onde os Lannister lhe falaram sua sentença. Mas eles não estavam ali, pelo contrário, muitos homens estavam presentes e atentos a cada golpe de espada, mal notaram sua presença, a única feminina.
Ela correu em direção à porta, ignorando os gritos dos homens que a libertaram para voltar. Seu instinto lhe dizia que aquela era a sua única chance de fugir de todo aquele pesadelo. Ignorou a ânsia de vômito, o cansaço e a tonteira que a acometiam, sabendo que não estava lutando pela sua vida, mas também pela vida da pequena criança que carregava no ventre.
Conseguiu fugir daquela sala, e a que entrou estava quase vazia. Infelizmente, pelo que conseguiu observar, pela claridade da sala e pelo aconchego, não estava saindo do castelo, mas entrava cada vez mais em seus aposentos, enfiando-se na toca do inimigo a cada cômodo que tentava cortar.
— Não...
Começou a chorar novamente, sentindo-se exausta. Tentou pela última vez uma porta, sabendo que não teria outra chance de escapar. Quando entrou em uma sala circular e com diversas velas, surtou: as janelas mostravam como nevava lá fora, o amanhecer já despontara e tudo estava mais claro, o vento não entrava pelo vidro, as velas estavam intactas e as chamas nem se mexiam. Nas paredes ali perto, havia muitas espadas separadas e penduradas por suportes de ferro, bem como arcos e lanças. Cersei e Joffrey estavam sentados em uma grande cadeira para três pessoas, como aquelas que as damas usavam para ler livros nos jardins da Fortaleza Vermelha. Ao perceber a presença dos dois, virou-se rapidamente para correr, mas o loiro foi mais rápido, correndo em sua direção e puxando-a pelo cabelo, jogando-a de qualquer maneira no chão.
— Mas não é o destino? Achei que não tiraria sua vida nessa manhã... Mas os deuses estão ao meu favor.
A voz dele lhe dava náuseas, Sansa sabia que não conseguiria fugir dali. Joffrey já havia tirado sua espada da bainha e direcionava o aço para ela. Engoliu em seco, correndo os olhos calmamente para o suporte de ferro que abrigava as outras armas, mas antes que pudesse correr na direção delas, ele enterrou a espada no tecido de seu vestido, prendendo-a de um modo estranho. Ela tropeçou e voltou a cair, fazendo com que o garoto risse. Escutou a risada contida de Cersei, na certa ela sabia que talvez não ganharia a batalha, mas teria a cabeça de Sansa naquele momento, o que era um consolo.
— Sua tola... O que iria fazer quando chegasse ali? – ele rodou a espada no tecido. — Você não sabe carregar nem um garfo, quanto mais uma espada.
E ele estava certo, mas não era a espada que ela procurava, seus olhos foram em direção ao arco que pousava ali na parede. Sansa ignorou o tecido de seu vestido puído, puxando-o e vendo-o se rasgar, parte de sua perna e cintura ficaram expostos, fazendo com que Joffrey visse demais. Nem ao mesmo tentou se tampar, mas viu os olhos dele brilhando com malícia.
— Ora, e não é que você está exatamente como anos atrás? Como você merece estar... Como uma prostituta, uma prostituta que se entregou para o primeiro homem que lhe deu um pau para montar!
Ele cuspia as palavras, o rosto ficando vermelho. Sansa percebeu vagamente Cersei se levantar finalmente da cadeira, como se estivesse surpresa com algo, e estava. Joffrey estava tão furioso que não percebeu a porta se abrir calmamente, sem fazer barulho. Um homem aproximou-se do garoto por trás, e quando ela viu quem era, seu coração saltou.
— Acho que não deceparei sua cabeça. Antes, darei seu corpo para que todos do vilarejo o usem. Mas corro o risco de você gostar e… – Ele foi interrompido quando uma lâmina afiada tocou levemente sua garganta. O garoto sentiu o frio metal sobre sua pele e estremeceu ao ouvir a voz atrás de si.
— Eu agradeceria se você pedisse desculpas à minha esposa pelas palavras rudes... – Loki sussurrou. — Agora.
— Não seja tolo, enquanto você está aqui com essa lâmina ridícula nas mãos, meu avô deve estar exterminando seu exército.
— Seu avô foi enviado para seu tio anão. Ou melhor, a cabeça do seu avô.
Ao ouvir aquilo, Cersei engoliu em seco. Mãe e filho trocaram olhares, como se estivessem conversando entre si naquele espaço de tempo.
— E então? Lady Sansa está esperando...
Cersei assentiu e Joffrey, com ódio no olhar, deixou cair a espada e levantou as mãos, o medo de perder a vida era maior do que seu orgulho. Ele engoliu em seco e fitou-a com atenção.
— Me desculpe, senhora. Não foi minha intenção lhe ofender...
Ao ouvir aquilo, Loki enfiou a adaga no pescoço do garoto, riscando a garganta e fazendo com que o sangue jorrasse rapidamente no chão. Os olhos de Joffrey perderam o brilho malicioso e a boca abriu-se, como se ele quisesse deferir um último xingamento, mas não teve tempo de fazê-lo, pois a vida já abandonara seu corpo. Caiu, o barulho do baque mesclando-se ao som do grito estridente de Cersei, formando uma sinfonia harmoniosa para Sansa. Loki olhava para a garota, procurando por ferimentos, e a mulher percebeu sua falta de atenção e avançou em direção ao rei, mas Sansa foi mais rápida. Capturou o arco e enfiou a flecha apressadamente na corda fina, puxando-a e liberando a flecha, que enfiou facilmente entre os seios de Cersei, derrubando-a aos pés dos dois. Porém, mesmo que Sansa tivesse acertado o alvo, a flecha não enfiara completamente na carne, deixando a mulher agoniando de dor.
Era bem mais fácil enfiar uma flecha em um alvo com palha, mas cortar a pele e carne humana... Teria que treinar muito para que isso acontecesse.
Cersei gritou um monte de injúrias, as duas mãos em volta do cabo da flecha, como se fosse retirá-la de entre seus seios e ainda matar Sansa.
— Meu filho... – Os olhos da mulher estavam em Joffrey. — Meu querido filho...
Querido. De querido, Joffrey não tinha nada. Quando morrera, um espírito maligno havia sido liberado, pois o garoto era a personificação da maldade. Sansa sentiu um impulso de cuspir no cadáver que um dia fora seu noivo.
— Um filho morre. – Ela conseguiu a atenção de Cersei. — Outro nasce e reina.
Ela pousou as duas mãos no ventre, e com isso fez com que a fúria da loira chegasse ao seu ápice, gritou de ódio, sentindo-se enganada. Como não percebera que Sansa Stark carregava uma criança? Não teve tempo de achar a resposta, logo a garota enfiou o pé na flecha, fazendo com que finalmente atingisse o coração. Cersei estava morta em poucos segundos.
Sansa deixou o arco cair, os braços levemente trêmulos. Loki a observava com atenção, e quando viu os olhos da esposa sobre os seus, abraçou-a como se quisesse dizer que tudo havia acabado, e que agora ela estava a salvo. Para sempre. Pois ele não sairia de perto dela nem um segundo sequer.
— Você está bem? – ele perguntou.
Sansa assentiu, fechando levemente os olhos e desmaiando.
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