Losing my Humanity
9 Cap.8 — The Great Return
Notas iniciais

Eu estava com fome. Não era um apetite que você sente quando fica algumas horas sem comer, era uma tortura.Não era aquela fome que passa depois de um tempo, essa só aumentava.Eu sentia que não ingeria nada há semanas, e meu estômago não parava de se contorcer por um minuto. Eu comi muito nos primeiros dias, mas toda e qualquer comida que eu provava tinha um gosto ruim. Minha mãe tentou fazer meus pratos favoritos,muitas panquecas e hambúrgueres,mas nada parecia me satisfazer.Eu melhorava um pouco quando comia carne,mas mesmo assim o gosto não era bom. Depois de um tempo eu não me incomodava mais em dizer que não estava melhorando, apenas comecei a engolir a comida e a tentar controlar os altos ruídos vindos da minha barriga faminta.
No dia de voltar pro colégio, eu já estava sem curativos, mas ainda precisava usar uma bengala para me apoiar, o que me fazia andar como uma idosa de 75 anos.O máximo que pude fazer foi usar uma calça comprida na tentativa de esconder as marcas na perna .Pedi uma carona pros meus pais, para não precisar pegar o ônibus escolar e receber toda aquela atenção indesejada antes da hora inevitável.
Chegando lá, sinto centenas de olhares caindo sobre mim, e tenho que me lembrar como se anda. Claro, a bengala não ajuda muito, mas procuro me concentrar nos meus passos tortos, e no meu estômago embrulhado.
— Querida, isso não foi exatamente uma grande entrada — Lydia diz, surgindo à minha esquerda.
— Tente fazer uma grande entrada com isso aqui — respondo apontando desajeitadamente para a bengala — E além do mais, não quero ser o assunto do colégio.
— Bem, isso é uma pena, porque você já é — ela responde olhando pra frente, exibindo toda sua atitude — Tenho que ir, boa sorte.
Ela se vai antes de eu poder dizer “obrigada”. Continuo caminhando pelos corredores, até chegar num armário conhecido.
—Lahey — chamo.
—Starter! — Isaac diz se virando, surpreso. Ele faz menção em me abraçar, mas para, desconfortável. — Como vai?
—Ah, o de sempre — respondo dando de ombros — Só uma nova companheira temporária, nada demais.
—Não se preocupe, ela te dá um ar sério e meio sexy — ele diz olhando ao redor, como se procurasse por alguém.
—Obrigada — digo em meio a uma risada.
O silencio se instala por um momento, e penso em me despedir. Isaac foi mantido em cativeiro por muitos anos, pelo próprio pai, não dá nem pra comparar nossas situações. Mas o que me faz gostar dele, é que ele não costuma ficar se lamentando por isso,nem nos lembrando o tempo todo do seu sofrimento.E aqui estávamos nós, calados, e mesmo assim eu apreciava sua companhia.
—Ainda bem que você voltou — ele diz com uma careta — Eu estava tendo que fazer dupla com o Greenberg na aula de química. É muito mais divertido quando nós estamos juntos,fazendo planos pra explodir coisas!
—Ah, pode deixar que ainda vamos explodir muitas coisas juntos — respondo. Vejo Allison se aproximar de nós e percebo o olhar de Isaac perdido nela. Resolvo ir pro meu próprio armário, pegar os materiais da próxima aula.
—Julie — diz a caçadora ao se aproximar de nós, exibindo seu sorriso doce e suas covinhas angelicais — É bom te ver.
—Allison — retribuo, balançando a cabeça cordialmente — Tenho que ir, nos vemos mais tarde?
—Claro — os dois respondem em uníssono enquanto me afasto.
Quando alcanço meu armário e vou para a primeira aula, percebo duas figuras andando atrás de mim. Observando suas sombras eu os reconheço. Paro ao lado de uma porta,descansando a perna por um instante, e aproveitando a oportunidade pergunto:
—O que vocês estão fazendo?
—Vigiando você — responde Aiden, cruzando os braços e me encarando com uma expressão fechada.
—Ok... Por quê? — pergunto novamente.
—Você é amiga do Scott — responde Ethan como se essa a resposta mais obvia do mundo — Se cuidarmos de você, ele vai nos aceitar em seu bando.
—Certo. — respondo, parando por alguns segundos para organizar meu próximo argumento — Eu não sou nenhuma especialista,mas acho que não é bem assim que funciona...
—Não importa, ficaremos de olho em você — responde Ethan, tentando encerrar a discussão.
—Não, obrigada. Eu não quero gêmeos lobisomens problemáticos como meus guardas — digo tentando me afastar dos dois, que me encurralam na parede
—Vamos cuidar de você. Ponto final — responde Aiden sem muita paciência. Eu tento argumentar novamente,mas meu estômago ronca alto demais, se contorcendo e me fazendo apertar os livros contra a barriga.
—Nossa! — diz Ethan com uma careta — Você realmente devia comer alguma coisa.
—Vocês não tem um coelhinho pra estraçalhar não? — pergunto revirando os olhos, tentando mudar de assunto — Assustar crianças, roubar algumas ovelhas. Vocês sabem, coisas de gêmeos?
—Muito engraçado— diz Aiden obviamente não achando graça.
—Vocês não vão desistir, vão? — eu pergunto em meio a um suspiro.
—Não — respondem em uníssono.
—Ok, então apenas... Não fiquem tão perto assim, saibam disfarçar! — os empurro, enquanto volto a caminhar na direção da minha sala — Ainda acho que isso não vai fazer Scott gostar de vocês. Sei que não está funcionando comigo.
Acho que minha frase faz efeito, por que eles param de me seguir. Eu continuo indo para minha sala,mas um cheiro me para.Um cheiro bom, metálico e atraente.Começo a seguir a direção do cheiro inconscientemente e me deparo com uma cena preocupante : Stiles parado dentro de uma sala vazia, encarando a lousa, como se tivesse alguma coisa muito errada com ela. E Scott jogado no chão, com os olhos ora brilhando, ora normais, com as mãos banhadas em seu próprio sangue.
Arrepio-me ao ver a cena, e estremeço ao perceber que o cheiro atraente, é o do sangue de Scott. Os garotos me olham, meio confusos,meio cansados.Eu me aproximo, abrindo a porta,tentando não respirar pelo nariz, e pergunto:
— O que está acontecendo aqui?
— Como eu disse — responde Stiles — Estamos um pouco quebrados depois do sacrifício. Talvez mais que um pouco.
......................................................................................
Alguns dias depois, estávamos nos revezado para nos vigiar. Deaton nos explicou o motivo dos problemas com Allison e os garotos, mas ainda não sabíamos como concertar. E , depois de termos tentado ajudar num dos antigos casos do Xerife Stilinski e falharmos,nossa confiança não estava muito boa.
Na aula de História, Stiles estava debruçado sobre a mesa, dormindo. Scott parece aproveitar a oportunidade para se virar e me dizer:
— Acho que Xerife Stilinski pode sofrer impitimam.
— O que?! — eu digo, tentando não chamar atenção.
— Meu pai disse que a falta de eficiência nos casos dele o farão ser demitido.
— O trabalho do seu pai é uma droga! — eu digo
— Eu sei, mas precisamos fazer alguma coisa! — ele diz, olhando pra mim, esperando que eu tenha uma ideia brilhante.
— Eu preciso de tempo — eu digo, dando de ombros — Mas vou pensar em alguma coisa.
..............................................................
Como o Xerife ia passar a noite na delegacia, eu estava preocupada com Stiles. Ele não podia passar a noite sozinho, não com todos os pesadelos. Ele precisava de alguém para acordá-lo e eu queria um motivo para não dormir .Formávamos a combinação perfeita.
Então pedi a meus pais para dormir na casa dele. Tive de mentir, garantindo que o Xerife estaria em casa, pra tomar conta de nós, e que iria dormir mesmo dessa vez, não virar a noite assistindo besteiras.
Chegando lá, fizemos nossa tradicional maratona de Star Wars,e quando a hora de dormir chegou, fomos para o quarto de Stiles.
—Ainda acho uma péssima ideia — ele fala
— Stiles, eu não durmo mais a noite — eu digo — Se eu estivesse em casa, estaria do mesmo jeito, só que preocupada com você.
— Mas você não vai ficar aí, me encarando,vai?— ele pergunta, com uma expressão engraçada.
— Não, eu vou pegar alguma coisa pra ler, vou ficar aqui na poltrona. Você nem vai saber que eu estou aqui.
Ele parece relaxar. Aos poucos, se deita na cama, e percebo seus músculos se adequando ao colchão. Quando Stiles acaba por fechar os olhos, sua porta abre, me fazendo saltar, e agarrar a bengala instintivamente.
A figura masculina se aproxima, revelando Scott, segurando uma lanterna.
—O que está acontecendo? — Stiles pergunta, se levantando.
— Nós vamos sair e encontrar um corpo. — ele responde, ligando sua lanterna — Um cadáver.
— E dessa vez, eu vou junto— respondo,sorrindo.
Fale com o autor