Losing my Humanity
10 Cap. 9 — The Police Station
Notas iniciais
Nós conseguimos ajudar num dos antigos casos do xerife. Após vagar por uma noite inteira na floresta, nós descobrimos o motivo de um acidente de carro não solucionado : uma garota sobrenatural que havia se transformado em coiote, causando o acidente, matando sua mãe e sua irmã mais nova.
Mas de inicio não achávamos que seriamos capazes de ajudar ninguém, pelo menos não essa família em particular. Mas parece que ao conseguirmos fazer Malia se transformar de volta a uma garota normal, isso terminou ajudando Scott, Stiles e Allison a fechar as próprias portas abertas em suas mentes que tanto vinham nos perturbando ultimamente.Tudo estava voltando ao normal, ou pelo menos o mais normal que era possível para nós.
No dia de halloween eu pedi aos meus pais para ficar em casa, com a desculpa que minha perna estava doendo mais naquele dia. Eles concordaram com meu pedido, e foram trabalhar.Eu troquei de roupa e, uma hora após eles terem saído, saio também.
Simplesmente odiava mentir pra eles, mas eu não conseguia pensar em nenhum bem se contasse como é a minha realidade. Eles provavelmente não iam acreditar,ou iam querer se mudar,pra tentar me afastar de tudo aquilo,mas eu não acredito que seria a solução que me deixaria mais feliz.Então eu apenas continuava mentindo.
Vou caminhando pelas ruas, já sem a bengala, tentando ser o mais discreta possível. Junto com a contagem dos meus passos eu reviso e reformulo as perguntas que quero fazer quando atingir meu objetivo.
Chegando ao meu destino, entro tentando não hesitar,sentindo minha respiração ficar mais rápida. Meu estômago continua a dar voltas, e torço para que ele não me denuncie. Caminho até a mesa de alguém conhecido, e pergunto não muito alto:
—Policial Parrish, posso falar com o Xerife, por favor?
Ele desvia o olhar do computador, me encarando com seus intrigantes olhos verdes. Sua expressão mostra confusão por um segundo,e ele desvia o olhar para o computador novamente, para depois voltar a me encarar.
— Srtª Starter, não devia estar na escola? — ele pergunta, ignorando completamente meu pedido.
— Eu posso falar com o Xerife, ou não? — pergunto, tentando ser direta.
— Sinto muito, ele não está — ele responde se concentrando de volta ao computador — Houve uma emergência no seu colégio, e ele foi com quase todos os policiais pra lá.
Olho ao redor por um momento. Não tinha notado até então que a delegacia estava mais vazia que o de costume. Alem de Parrish, só haviam mais dois policiais, em suas respectivas mesas.Começo a ficar preocupada, e esqueço meu planos.
— Então estou indo pra lá agora! —digo, me virando, e tentando andar rápido, o que incomoda minha perna, mas não dou atenção a ela.
— Você não pode, a escola foi interditada — ele responde se levantando da mesa, e se aproximando de mim, com um olhar preocupado dirigido à minha perna — Ninguém entra ninguém sai, até as 15h00min.
Eu suspiro. Logo no dia que eu tiro uma folga pra resolver meus problemas, achando que tudo estaria tranquilo, aparece uma novidade dessas.
— Tudo bem. — digo, me surpreendendo de como minha voz soa cansada — Se o Xerife não está, eu já vou indo.
— Espere! — ele diz, tocando levemente meu ombro, fazendo meu corpo estremecer de forma estranha — Eu posso tentar te ajudar.
Hesito. Encaro o par de tênis nos meu pés e fico pensando se é realmente uma boa ideia envolver Parrish nisso. Ele parece ser um cara legal, sempre prestativo, e talvez o Xerife não esteja tão disposto a me ajudar quanto ele. Cruzando os braços na minha melhor postura negociadora, digo:
— Em particular então.
Nos dirigimos para a sala do Xerife, e fechamos a porta. Parrish se apoia na mesa e me analisa, me fazendo agir de maneira desconfortável, mas tento não transparecer. Ele não diz nada. Nenhuma pergunta. Apenas fica parado, esperando, deixando um clima estranho e desagradável no ar. Então eu começo, antes de perder a coragem:
— O que sabe sobre o meu caso?
— O que você quer sabe, especificamente? — ele pergunta pronunciando as palavras devagar, cruzando os braços, ainda mantendo a expressão de intrigado no rosto.
— Já foi encerrado? — pergunto, sentando na cadeira e me inclinando pra frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, tentando conter uma careta de dor.
— Não exatamente. Não posso dar muitos detalhes, são informações confidenciais.
— Como assim confidenciais? — pergunto, claramente confusa — O que pode haver com esse caso que eu já não saiba?
— Sinto muito, mas não somos autorizados a falar. — ele justifica, fazendo um gesto defensivo com as mãos.
— Escuta, Parrish... — digo me levantando e me aproximando, deixando meus olhos à altura dos dele — Eu preciso saber sobre Carter. Eu... — sinto minha voz morrer e um nó se forma na minha garganta. Me recuso a chorar — Eu preciso saber.Ele passou por uma autópsia? Ele já recebeu um funeral? A família dele já sabe? Ele sequer tem família?
Parrish suspira, e percebo que ele não sabe bem o que fazer. Sinto que tudo isto foi um erro. Eu devia estar na escola agora, junto com os meus amigos, passando com eles o que quer que estivesse acontecendo.E depois eu investigaria por conta própria. Eu já havia descoberto a um tempo que a polícia nem sempre é a melhor resposta. Mas mesmo assim,eu tinha vindo, contra meus extintos.
— Sim, eles já sabem. — ele diz, desviando o olhar — E não, ele ainda não foi liberado pra um funeral. É tudo que eu posso dizer, sem colocar a nós dois em problemas.
Sorrio. Não por vontade de sorrir, ou por felicidade,mas por uma reação automática, em sinal de minha gratidão.
— Muito obrigada —digo, sentindo meu peito menos apertado. Por hora estava bom, eu descobriria o resto sozinha.
Quando Parrish retribui o sorriso, me sinto enormemente desconcertada, e me viro,caminhando em direção à porta. Com a mão na maçaneta, paro, encarando a frase “ Sala do Xerife” colada do outro lado do vidro, e uma dúvida surge.
— Por que estaríamos em problemas?— pergunto, me apoiando de leve contra a porta — Ou melhor, quem nos colocaria em problemas?
— Bem... — ele diz sem olhar pra mim, e percebo que ele está ponderando se vai me responder ou não — Seus pais não querem você envolvida no caso. Eles acreditam que você já passou por muita coisa, Srtª Starter. E ,não que seja da minha conta, mas eu concordo com eles.
— Me chame de Julie, por favor — digo, sem saber o que responder. Parrish Balança a cabeça afirmativamente.
— Pode me chamar apenas de Jordan, se quiser — ele responde, com um leve sorriso no canto dos lábios.
— Parrish está bom pra mim — sorrio, e saio da delegacia sem olhar pra trás, tendo em mente meu próximo destino.

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