Losing my Humanity
18 Cap.17─ To serve and protect
Notas iniciais

Eu estava correndo sem sabe direito o porquê.Mas a sensação era gostosa, sentir os membros queimando, forçando os músculos até o limite ,sentindo o impacto da mochila nas costas devido á velocidade. Tomo uma nota mental sobre não correr rápido demais. Nunca testei minha velocidade sobrenatural, e não quero fazer isso pela primeira vez em público.
Então me lembro do motivo da minha correria. As palavras de Peter ecoam na minha mente, como num filme de terror:
“─ Ah não, não minha cara. A lenda é verdadeira. Você foi canibal antes mesmo da maldição.”
Depois de finalmente aceitar minha natureza, eu descubro o que causou minha maldição. E mesmo assim não me arrependo de ter ido até Peter, irritando ele até ele fazer o que eu queria.
Minha visão fica meio turva, mas mantenho-me correndo ,deixando que meus pés me guiem de volta pra casa, onde vou ter que fingir que nada aconteceu, onde nada mudou. Estou a quase dois quarteirões de casa, quando ouço uma voz masculina chamar meu nome. Por alguns milésimos de segundo eu ignoro, achando que é meu subconsciente pregando uma peça, mas a voz chama de novo, e dessa vez eu a reconheço.
Parando bruscamente, e quase me batendo numa moça que caminhava no mesmo passeio que eu, fico procurando de onde Parrish estava me chamando, e logo o localizo, do outro lado da rua, saindo de uma viatura e vindo a meu encontro. Ele percebe minha calça suja de terra, e tem um quê de preocupação no rosto.
─ Oi Parrish, tudo bem? ─ digo, tentando parecer causal, apesar de estar morrendo de vergonha por ele estar me vendo daquele estado ─ suja, frágil e meio desesperada.
─ Julie, está tudo bem com você? Parecia estar sendo perseguida -- ele pergunta, e levo alguns segundos para me concentrar na pergunta, e manter a postura diante daqueles belos olhos verdes.
─ Ah, sim, estou bem. Apenas correndo um pouco ,exercícios e tudo mais...
─ Mas você está de mochila, e de jeans. ─ ele diz ,pouco convencido.
─Sim, claro─ seguro o impulso de dar uma tapa na testa ─ É que o treinador deu uma aula muito inspiradora sobre a importância dos exercícios físicos, saúde e tudo mais, e resolvi começar a praticar esportes imediatamente. E... Bem, é isso.
Ele ri, balançando a cabeça, e não parece engolir minha história. Mas não insiste, e começa a se afastar na direção do carro. Começo me achar o ser humano mais burro do mundo , e tenho a impressão de corar.
─Tudo ok então. ─Parrish diz ─ Boa sorte com os esportes.
─Espere! ─ digo enquanto atravesso a rua, observando ele abrir a porta da viatura ─ Correr sem fazer alongamentos e sem a roupa adequada foi uma péssima ideia. Será que você poderia me dar uma carona até em casa?
─ Sem problemas ─ ele responde, sorrindo encantadoramente ─ Pode entrar, e não esqueça o cinto de segurança.
Até virarmos a primeira esquina, não trocamos nada mais que informações sobre eu endereço, e começo a pensar que foi uma péssima ideia me oferecer daquele jeito, mas Parrish quebra o gelo e salva o dia, pra variar.
─ A recuperação da sua perna foi bem rápida, não?! Digo, se já está correndo ,deve estar se sentindo bem melhor.
─ É─ respondo, procurando algum duplo sentido na pergunta ─Na minha família cicatrizamos bem rápido. Acho que temos boa genética, ou algo do tipo.
─ Que bom. ─ele faz uma pausa, e sua expressão fica séria─ Eu soube sobre o funeral. Sinto muito.
─Eu também ─respondo, sentindo meus ombros pesarem um pouco, sem saber o que mais poderia dizer.
Ficamos em silêncio por pelo menos dois minutos, e, chegando à porta da minha casa, antes de destravar a porta, Parrish sorri e diz:
─ Chegamos
─ Pois é ─ respondo com um sorriso nervoso, ao reparar que ele ainda não havia destravado as portas ─Obrigadas pela carona.
─ Sei que somos apenas conhecidos, mas pode conversar comigo se quiser. Um amigo nunca é demais, não é?
─ Não, eu acho que não ─ digo, sorrindo mais que deveria ─ Mais uma vez, obrigada pela carona.
─ Servir e proteger lembra?
Parrish destrava as portas e eu saio do carro. Caminho, sentindo seu olhar em minhas costas até fechar a porta atrás de mim.
─ Julie ─ minha mãe exclama quando vê meu estado ─ O que aconteceu? Você está bem?
─ Sim, está tudo bem ─respondo ─Eu fui ao cemitério esta tarde.
Ela se aproxima, com uma expressão de espanto e preocupação. Ela me abraça ,e penso que talvez tivesse sido melhor não ter dito nada.
─ Mãe ─ eu chamo, quando percebo que ela não tem intenção de me soltar tão cedo ─ Está tudo bem. Eu só precisava me despedir. Sozinha.
─Detesto te ver sofrer ─ ela diz, me soltando e passando a mão pelos meus cabelos ─ Me sinto tão impotente!
─ Não se preocupe. Sou mais forte do que a senhora pensa. ─ “E mais perigosa também” penso.
─Eu sei. Tenho muito orgulho de você.
─ Obrigada. Agora provavelmente é melhor que eu tome um banho.
─ Ok. O que quer jantar?
Meu estômago ronca na menção de comida, mas sabia que não tinha nada em casa que me satisfizesse. Resolvi sair pra caçar mais tarde,mas apenas disse que estava sem fome,e subi as escadas,pensando na gentileza de Parrish mais uma vez.
Me diga agora o que você quer
O que você quer
Me diga agora, não pare
Não pare
Chegue mais perto
Me conte todos os seus segredos
Venha devagar
Ultrapasse a linha da razão
Você nunca está melhor sozinho
Aqui vamos nós, aqui vamos nós
Fale com o autor