Losing my Humanity
8 Cap. 7 — With A Little Help From My Friends
Notas iniciais
O que você pensaria se eu cantasse desafinado?
Você se levantaria e me abandonaria?
Me empreste suas orelhas e eu cantarei uma canção para você,
E eu tentarei não cantar fora de tom.
Oh, consigo com uma pequena ajuda de meus amigos!
Eu vou longe com uma pequena ajuda de meus amigos!
Tentarei com uma pequena ajuda de meus amigos!
O que eu faço quando meu amor está longe?
Te preocupa estar só?
Como eu me sinto ao final do dia?
Você está triste porque você está sozinho?
Não, eu consigo com uma pequena ajuda de meus amigos!
Eu vou longe com uma pequena ajuda de meus amigos!
Tentarei com uma pequena ajuda de meus amigos!
....

Meus pais não saiam de perto de mim nem por um minuto. Estavam sempre se revesando pra dormir, pra me fazer companhia, pra assistir comigo.Eu nunca me senti tão amada e tão próxima a eles.Mas eles tinham seus empregos, e eu não queria ser a causa da falência da família, então tive que prometer centenas de vezes que ligaria com qualquer novidade e que eu estava bem.
Eu queria aproveitar o dia que passaria no hospital pra conversar com as enfermeiras, conhecer outros pacientes, de algum jeito conhecer outras pessoas e passar menos tempo sozinha possível. Mas minha perna ainda me causava calafrios de dor quando eu tentava andar mais que alguns passos,mesmo cicatrizando mais rápido que os médicos esperavam.Então fiquei no quarto,relendo alguns livros que pelos quais eu tinha a maior afeição, e tentando ao máximo não dormir,fugindo dos pesadelos.
Quando o relógio apitou 15h00min eu estava cochilando, depois de ter resistido uma noite inteira. E mesmo assim, meu sono era leve, atento a possíveis movimentos estranhos, entrada de enfermeiras e médicos,ou qualquer coisa do tipo.Começo a escutar vozes do lado de fora da porta do meu quarto, e posso jurar que as conheço. Meu peito se aperta enquanto escuto sua conversa.
— Stiles, nós precisamos perguntar. Temos de estar prontos na lua cheia! — Scott sussurrava num tom urgente
—Meu pai garantiu que ela não foi mordida por um lobisomem, e depois de duas semanas sabe-se lá onde, a última coisa que devemos fazer é pressiona-la. — Stiles falava com seu jeito rápido costumeiro, tentando sem muito sucesso, sussurrar.
Eu não sabia se era um sonho muito realista meu, se eles eram péssimos em sussurrar, ou se eu estava com uma audição muito boa, devido á paranoia recém adquirida.
Na dúvida eu abro os olhos e me ponho sentada na cama.Tento arrumar meus lençóis e desamarroto meu pijama, que consistia basicamente num short e uma camisa de manga comprida .Passo a mão pelos cabelos na tentativa de passar a imagem de que estou bem, que não preciso de piedade e que tudo voltará ao que era logo.Continuo ouvindo os ruídos,só que mais indistintos, me fazendo ter quase certeza que eu estava apenas sofrendo de um caso grave de estresse pós-traumático.Mas a porta se abre e revela meus dois melhores amigos que sorriem, desconcertados.
— Vocês são tão barulhentos! Precisamos trabalhar nisso. — digo, revirando os olhos, e fazendo uma careta.
Eles se entreolham e ficam parados. Quando Stiles faz menção de abrir boca e começar a falar , o interrompo
— Qual é gente, não ganho abraços?
O clima pesado se dissolve, e os garotos se aproximam, me envolvendo no abraço coletivo mais reconfortante que já tinha ganhado até então. Afundo meu rosto no ombro de cada um, sentindo o cheiro de perfume masculino e amaciante de Stiles, e o cheiro de floresta e roupa guardada de Scott. Os garotos bagunçam meu cabelo e afagam minhas costas, como os irmãos que sempre fomos, e sentamos juntos na cama.
— Não sabe como ficamos preocupados! — diz Scott fazendo uma cara séria repentina, enquanto me aperta forte num abraço que tira o ar de meus pulmões — Por algum tempo, achamos que você podia ser um sacrifício, que a Darach ainda estava à solta. Procuramos nas correntes telúricas,mas simplesmente não fazia sentido.
— Então procuramos por pistas, teorias, sinais, qualquer coisa. Mas não encontramos nada. — diz Stiles balançando a cabeça ,inconformado — E seu cheiro só levava até a livraria, depois disso seu rastro simplesmente não existia.Achamos que tínhamos te perdido pra sempre .
Sorrio. Minhas esperanças estiveram sempre certas.Meus amigos me procuraram, se preocuparam comigo,e não desistiram.E mesmo que não tenham me encontrado, saber que sentiram minha falta me deixa feliz, me faz sentir amada.
— Não se preocupem, eu estou aqui agora, não estou? — faço uma pose engraçada, colocando as mãos na cintura, como um super heroi— E vocês ainda vão ter que me aturar por muito, muito tempo mesmo.
Nós rimos e aos pouco o silencio se instala. Sinto o ar pesando outra vez, e vejo as expressões sérias se formando sem seus rostos.Mais uma vez interrompo seus pensamentos:
— Olha gente, não quero falar sobre isso, por favor, não insistam.
— Mas precisamos saber Julie! — diz Scott — O que te mordeu?
— Eu não sei! — eu digo alto, os assustando um pouco — Ele tinha olhos completamente brancos, umas três fileiras de dentes afiados e um rosto angelical,e é tudo que eu sei!
— Então precisamos descobrir o que era. Se essa mordida te afetar de alguma forma, precisamos estar prontos. — diz Stiles se levantando e pegando o telefone.
— O que você está fazendo? — eu pergunto, sentindo minha respiração ficar rápida.
— Mandando uma mensagem pra Allison .— ele responde ainda atento ao que estava fazendo — Precisamos do bestiário.
— Não! — praticamente grito, enquanto levanto rápido , fazendo minha perna doer tanto quanto no dia que foi ferida.
— Julie, por que você está agindo assim? —diz Scott me segurando para que eu não caísse.
— Por que eu o matei, tá legal? — grito, deixando minha garganta ardendo. Scott encara me encara, seu olhos cheios de confusão e empatia. — Eu o matei, e depois separei a cabeça do corpo. Não quero ter que ficar remoendo essas imagens na minha mente.Não quero saber mais a respeito dessa coisa! Eu sou um monstro! — falo, deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto — E eu nem consegui salvá-lo!Eu não salvei Carter!
Scott me abraça mais uma vez, afagando minha cabeça. Ele se vira para Stiles , que responde seu olhar.
— Eu sei como é se sentir o monstro dos filmes de terror, Julie. — Scott diz, ainda tentando conter meu choro abafado — Mas eu não sou um monstro, e muito menos você. Você é nossa melhor amiga, uma filha querida,e você é muito importante pra todos nós.Nossa melhor conselheira! E não, repito, NÃO é um monstro!
Stiles se aproxima e senta na cama mais uma vez, com os ombros caídos. Me afasto de Scott e sento ao seu lado, colocando a mão em suas costas. Seus olhos tinham círculos escuros , e ele parecia cansado.
— Eu sou tão egoísta! É claro que vocês também não estão bem. — digo enxugando minhas lágrimas com a manga da camisa — O que está acontecendo com vocês? Claro, alem do básico sobrenatural de sempre.
— Estamos um pouco quebrados depois do nosso “sacrifício”. — Stiles diz, sem olhar pra mim, enquanto esfrega os olhos devagar — E estamos preocupados com você, claro.
Suspiro. Como nós já passamos por tanta coisa? Como aguentamos? Por quanto tempo mais aguentaremos?
— Vamos ficar bem. — digo sem muita convicção — Todos nós.
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