Losing Grip
43 Reencontros.
Notas iniciais
P.O.V – Anna
Dois dias passaram correndo, Olaf quase teve um infarto quando me viu. Sei que boneco de neve não tem coração, mas se ele tivesse teria tido um infarto. Elsa explicou todo para ele, e logo ele me tratou como se eu nunca tivesse morrido.
O novo castelo de gelo que Elsa havia criado era ainda mais bonito que o outro. Embora eu sentisse certa tristeza exalar das paredes de gelo.
– Anna! – Ouvi alguém me chamar no térreo.
– Já vou! – Berrei em resposta saindo do quarto.
Quando cheguei ao hall de entrada, pude ver Elsa e Olaf, e envolta deles havia algumas malas.
– Está esperando o que para arrumar suas malas irmãzinha? – Elsa disse abrindo um largo sorriso. – Partiremos hoje mesmo. Kristoff já respondeu minha carta. Podemos ir.
– Ah meu Deus! – Berrei abraçando Elsa. – Eu vou agora mesmo arrumar minhas coisas!
Eu não tinha muita coisa, apenas roupas criadas magicamente por Elsa. Peguei cada peça, dobrei e guardei dentro de uma mala de couro preta. Respirei fundo e senti meu coração acelerar. Logo estaria de volta em casa. De volta a Kristoff.
Mas seria uma boa ideia retornar depois de tanto tempo?
P.O.V. – Elsa
Fazia tempo que não via Anna tão animada, se bem que fazia muito tempo que não via Anna.
Virei-me ao sentir o perfume de menta e hortelã que apenas uma pessoa no mundo tinha naturalmente.
– Iremos hoje querido. – Falei enquanto Jack vinha me abraçar.
– Eu sei amor, minhas malas já estão prontas e guardadas… Em Arendelle. – Ele respondeu sorrindo. – Fui mais rápido, Kristoff disse que as guardaria para mim.
– Podia ter levado as minhas também. – Brinquei.
– Malas de mulher tem muita coisa e pesam muito. – Ele riu.
– Engraçadinho…
Ainda sorrindo ele se aproximou e nos beijamos. Antes que o clima pudesse esquentar Olaf apareceu entrando no meu quarto sem bater.
– Elsa! Opa… Desculpa, não queria atrapalhar. – Ele se desculpava tapando os olhos com uma das mãos.
– Tudo bem Olaf… — Respondi sem graça. – O que você ia me dizer?
– Ia dizer que Anna esta pronta. Podemos partir.
– Ótimo, você vem conosco ou vai voando Anjo? – Perguntei para Jack, que estava tão vermelho quanto um tomate.
– Vou voando, chego na frente e aviso Kristoff que vocês estão a caminho. – Ele respondeu sorrindo fracamente.
– Tudo bem…
Logo estávamos em direção a Arendelle. Anna, Olaf, Marshmallow e eu.
P.O.V. – Jack
Fui voando na frente. Queria dar um jeito em Kristoff. Não, eu não iria bater nele. Mas ele estava nervoso, queria discutir com Elsa pelo que ela havia feito. Então eu queria ir na frente e tentar tranquilizar as coisas.
Não demorou mais que algumas horas, e lá estava eu em Arendelle. Pousei dentro do castelo, entrei sem ninguém ver. Andando meio perdido pude ouvir a voz de Kristoff vindo do salão principal.
– Não creio que seja uma boa ideia. – Algum desconhecido falou.
– Ela é a rainha, você querendo ou não. – A voz de Kristoff saia mais alta que a do outro sujeito.
– Ela nos abandonou! Por medo! – A outra voz voltou a falar.
– Qualquer pessoa que tivesse aquela escolha, teria feito-a. – Kristoff voltou a se acalmar, então entrei na sala como se não tivesse ouvido nada.
– Olá Kristoff. – Disse olhando para o loiro alto que vestia um casaco vermelho, uma calça cinza e botas pretas. Logo depois virei-me para um homem um pouco mais baixo, moreno de olhos verdes profundos. – Olá… Senhor.
– Olá Jack. Elsa já chegou? – Kristoff perguntou tentando parecer mais calmo.
– Não, caso contrario ela estaria aqui e… A surpresa teria sido a primeira a correr para cá. – Falei um pouco demais, mas Kristoff sabia que eu não diria o que era a surpresa. – Vim na frente, mas dentro de meia hora ela deve chegar.
– Ótimo. Então… O que você veio fazer tão cedo aqui? – O homem se meteu.
– Falar com Kristoff. – Rebati começando a ficar irritado. – Tem como?
P.O.V. – Elsa
Anna tinha ficado quieta a viajem toda. Olaf não tinha dito uma palavra, e Marshmallow que tinha vindo o caminho todo correndo, não parecia incomodado.
Respirei fundo e olhei para Anna, os pensamentos dela estavam longe, mas não tão longe assim, a menos de quinze minutos eu imagino. Não que eu estivesse incomodada com o silencio, mas, estando junto de Anna e Olaf, e não ouvir uma palavra? Realmente parecia estranho.
Encostei a cabeça na janela e fechei os olhos por dois segundos. Ou melhor, pelo que pareceram dois segundos.
– Elsa… Chegamos. – Anna dizia de maneira calma.
– Em? Mas como chegamos tão…
– Você dormiu… — Explicou Olaf.
Olhei para Anna novamente, seus olhos brilhavam como estrelas. Desencostei-me da janela e sai. Realmente estávamos em Arendelle. Já estávamos dentro dos portões do castelo.
– Anna, melhor você ficar… Longe da vista dos outros. – Eu disse olhando em volta. – Primeiro vamos falar com Kristoff. Tome. – Entreguei a ela uma capa comprida e com capuz. – Coloque isso e esconda o rosto ao máximo.
Ela apenas pegou a capa com as mãos tremulas de nervoso e colocou-a.
– Desculpe senhorita, mas não pode entrar sem ser identificada. – Disse uma voz atrás de mim.
– Rainha Elsa… De Arendelle. – Respondi me virando para o homem.
– Ah! Vossa majestade. – Ele se curvou. – Não sabia… Desculpe-me.
– Tudo bem, como você disse… Você não sabia. – Sorri ao responder.
– Anh… Rainha… Quem é… — Ele disse apontando para Anna coma cabeça.
– Uma surpresa para Kristoff, e para o reino também, você saberá quem é mais tarde. Agora… Com licença. – Dizendo isso entrei com Anna e Olaf o mais rápido possível.
Alguns guardas conversavam perto da porta do salão principal.
– Kristoff está ai dentro? – Olaf perguntou antes que eu pudesse.
– Sim está. – Respondeu um dos guardas.
– Queremos vê-lo, será que tem como? – Perguntei impaciente, acho que estava ficando assim de tanto andar com Jack. Por falar nele, onde será que ele estava?
– Vossa majestade! – Os dois disseram ao mesmo tempo, curvando-se.
– Sim, eu mesma. Agora podemos entrar? Estou um pouco impaciente. – Disse explicando o porquê da falta de educação.
– Claro. – Responderam em uníssono e abriram as portas.
– Kristoff! – Falei em voz alta ao entrar no salão.
Ele não havia envelhecido nada, não havia mudado nada. A não ser as roupas, que agora eram de duque.
– Elsa! Há quanto tempo! – Ele aparentava estar calmo.
– Sim, de fato faz muito tempo. Espero que um dia você me perdoe por ter jogado tanta responsabilidade em você. – Falei sem graça. – Bom, falamos disso outra hora, agora… Quero te mostrar a nossa surpresa.
P.O.V. – Anna
Estar ali me trazia varias lembranças, tanto boas quanto ruins. Mas eu não ligava. Estava ali para um recomeço. Com Elsa, Jack, Olaf e… Kristoff!
Quando entramos no castelo, meu coração disparou, em algum lugar dentro daquela construção de pedra cinza estava meu amor verdadeiro. Acordei Elsa calmamente, embora eu não estivesse calma. Quando ela me entregou a capa, fiquei sem entender muito, e então me lembrei que todos ali pensavam que eu estava morta.
Os guardas não faziam perguntas apenas porque Elsa é a rainha, caso contrario seria muito mais difícil entrar em um castelo daquele jeito, escondendo o rosto.
Agora Kristoff estava na minha frente, parado me olhando confuso. Eu queria correr e abraça-lo. Mas Elsa apenas pediu para ele tirar o capuz que cobria o meu rosto.
– Elsa, na carta que te mandei expliquei que não gosto de surpresas. – Ele retrucou virando-se para ela.
– É uma surpresa boa, ou melhor, ótima. Você vai gostar. Anda! – Elsa ordenava do outro lado do salão.
– Anh… Com licença moça… — Ele disse tirando meu capuz enquanto eu olhava para o chão.
Quando senti o capuz cair sobre minhas costas levantei os olhos até encontrar os de Kristoff. Ele empalideceu, gaguejou, ficou mudo e depois gaguejou novamente.
– Você… Quer dizer… Como?! Eu vi… Elsa! Como?! – Ele fazia força para formular uma frase.
– Longa historia, Anna conte para ele qualquer dia. – Elsa respondeu rindo, e pude notar que Jack estava abraçando-a por trás.
– Anna? – Ele falou mais baixo se aproximando. – Anna? – Então ele levantou a mão para encostar as pontas dos dedos na minha face.
– Ainda não acredita? – Perguntei sorrindo, me aproximei e a ponta dos dedos dele encostaram em mim, uma onda de eletricidade passou pelo meu corpo.
Fazia apenas algum tempo que eu havia voltado da morte, mas em toda a minha vida, não teve um momento em que me senti tão viva.
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