Losing Grip
44 Vamos ficar.
Notas iniciais
P.O.V – Anna
Havia passado pouco mais de uma hora desde que chegamos em Arendelle, e eu andava nos jardins com Kristoff.
– Então foi assim que você voltou? Por uma escolha do Jack? – Kristoff perguntava ainda confuso, mesmo depois de eu ter explicado tudo o que aconteceu.
– É, e pelo que entendi tudo não passou de um teste para Jack. – Expliquei observando um lago onde Elsa e eu costumávamos brincar quando pequenas.
Olhei de volta para ele, seu olhar estava vazio e distante. Devia estar tentando processar tanta informação. Senti-me mal, não havia explicado tudo àquilo para Elsa, mas havia explicado para Kristoff.
Respirei fundo, sem perceber eu estava olhando para o lago. Olhei novamente para Kristoff que parecia ter saído do transe.
– Você está bem? – Perguntei enquanto ele me encarava.
– Estou é só que… Um ano Anna. Fiquei um ano sem você, tentando superar, e quando começo a conseguir, você aparece. – Ele respondeu olhando para o chão.
Não soube o que responder, não sabia se ele estava feliz ou não. Suspirei e olhei para o chão.
– Não estou reclamando de você ter voltado vida. Estou apenas reclamando da sua demora. – Kristoff disse se aproximando, quando olhei para ele, nos beijamos.
P.O.V. – Elsa
– Tomara que ele entenda tudo. – Falei olhando pela janela.
– Ele vai entender querida, se acalma. – Jack respondeu se aproximando de mim.
Ele me abraçou por trás, e encostou seu queixo no meu ombro. Era um lindo dia de primavera, do lado de fora da janela uma parte do jardim chamava minha atenção. Uma roseira branca, ao pé de uma arvore de flores vermelhas. Era muito bonito, mas não me lembrava dela.
– Elsa? Está me ouvindo? – Questionou Jack.
– Em? Desculpe querido, o que dizia? – Fiquei tão focada no jardim que não o ouvi.
– Estava dizendo que… Se você quiser voltar a morar aqui, não tem problema. Arendelle é uma cidade linda, e eu não teria problema algum em morar aqui. Alias, as pessoas daqui me veem! – Jack respondeu animado.
– Então nos mudamos de vez para cá? – Perguntei virando-me para ficar de frente pra ele.
– Se você quiser assim… — Jack não parava de olhar para meus lábios.
– Então faremos assim. – Sorri e o beijei.
P.O.V. – Jack
Não sei se Elsa havia gostado tanto da ideia quando aparentava. Estava na hora do jantar, então ela contaria a Anna o que nós planejávamos.
– Anna, o que você acha de… Eu voltar a morar aqui com Jack? – Ela perguntava meio sem graça.
Anna abriu o maior sorriso que já vi.
– Seria mais que perfeito Elsa! – Ela se levantou e foi abraçar a irmã.
Continuamos comendo normalmente, até que Kristoff faz uma pergunta inesperada.
– Foi fácil pra você Jack?
– Em? – Perguntei de volta, desnorteado com a pergunta.
– Fazer a escolha… — Kristoff acrescentou olhando para o prato.
– Que escolha Jack? – Elsa olhou para mim preocupada e curiosa.
Olhei para Anna sem entender, ela não havia contado para Elsa? Por quê?
– Elsa… Como exatamente você acha que Anna voltou à vida? – Perguntei olhando fixamente para ela.
– Não sei… Eu não… Eu não tinha pensado nisso. – Ela respondeu desorientada.
– Foi uma escolha que eu fiz. Escolhi que ela pudesse voltar em meu lugar. – Pude ver os olhos de Elsa lacrimejar, então expliquei meus motivos de ter escolhido Anna.
Quando terminei de explicar pude ver Elsa se retirar da mesa sem dizer nada. Ela apenas olhou para Anna, sorriu tristemente e se retirou.
– Jack eu… Eu não queria isso. – Kristoff se desculpou e depois olhou para Anna que sorriu docemente para ele.
– Tudo bem Kristoff. Sei que não fez por mal. – Ao dizer isso sai atrás da minha rainha do gelo.
P.O.V. – Elsa
Como ele pode fazer aquilo?! Achar que o melhor para mim seria ficar sem ele!? Quem em sã consciência faz uma coisa dessas!?
Andei até meu antigo quarto, podia sentir Jack vindo atrás de mim, então apertei o passo e segui. Ao entrar no quarto tranquei a porta e congelei todo seu interior.
– Elsa! Deixe-me conversar com você! – Jack berrava do outro lado da porta.
– Não! Me deixa sozinha por um tempo! Quero por a cabeça no lugar! Vai embora! – Podia sentir as lagrimas invadirem meus olhos, lembranças de quando Jack estava morto rodeavam minha cabeça deixando-me tonta.
Cai de joelho no meio do quarto. A escolha que ele havia feito tinha lhe custado à vida, trazido Anna de volta… Mas havia me causado uma das maiores dores da minha vida.
Chorei tanto que minha cabeça latejava. Toda dor daqueles dias negros havia voltado. Mas não tinha porque senti-la. Jack fez a escolha que julgou ser melhor para mim, se estivesse no lugar dele faria o mesmo… Eu acho. Levantei-me e sai do quarto.
Andei em direção ao quarto que Kristoff havia dito ser o de Jack.
– Jack? – Perguntei quase que para mim mesma.
– Entra. – Sua voz ecoou de dentro do quarto para fora.
Abri a porta e pude vê-lo esparramado na cama, ele estava de cabeça para baixo deitado na cama, os pés na cabeceira e a cabeça no local onde deviam estar os pés.
– Me desculpe. Eu fiquei chateada com a escolha, não pude acreditar que você havia feito tal sacrifício por mim. – Falei olhando para o chão.
– Tudo bem… — Ele respondeu calmo, sem ao menos olhar pra mim.
– Não, não está. – Falei me aproximando da cama.
– Sim, está sim. – Ele respondeu sentando-se na cama e me olhando nos olhos.
– Você está chateado comigo, eu sei. – Fixei meus olhos na cama, ficava difícil falar com aqueles olhos azuis fixados nos meus.
– Eu estou chateado comigo, por ter feito você chorar novamente. – Dizendo isso ele se jogou na cama.
– Eu sei o que você pode fazer para recompensar então. – Falei voltando a encara-lo.
– O que? – Perguntou ele, e depois notou que a pergunta foi um tanto besta.
– O que você acha? – Questionei rindo. – Aquilo que só você sabe fazer.
– Então se prepara para perder. – Rindo ficamos ambos de pé.
Logo começou uma guerra de bolas de neve no quarto, uma daquelas que apenas ele sabe fazer. A guerra só acabou quando caímos na cama, sem fôlego e morrendo de sono.
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