Lose My Mind
6 A shadow and it's doubts.
Notas iniciais
Bem, esse capítulo realmente custou a sair, mas espero que tenha ficado decente.
Espero que se divirtam. .-.
Deixo então que um vazio tome conta de minha mente, me permitindo esvaziá-la mesmo que apenas por mínimos instantes. Ainda assim, essa pausa em meus pensamentos não poderia ser mais requisitada por meus neurônios, que reclamavam do excesso de trabalho. Entretanto, o que tanto me irrita e incomoda não são meus pensamentos em si, mas o fato de eu ser incapaz de contê-los, e isso já depois de praticamente horas de tentativas.
Sim, o maldito, mais uma vez, inferniza-me, mesmo que este não estivesse ciente desse fato...
A escolha do rumo de meus pensamentos não mais me pertence, mas ao Antonio. Droga! Chego a sentir-me inútil, por não ter sequer controle de minha própria mente. Como é possível toda essa influência do espanhol sobre mim?!
Desço os olhos suaves e de coloração castanho-mel às folhas do caderno ainda brancas e intocadas. Um suspiro escapa-me por entre os lábios, ato acompanhado de um rápido cerrar de minhas pálpebras.
O exercício de matemática continua intacto.
Miro o relógio, o qual se encontra a certa proximidade da minha pessoa — já eram quase dezessete horas. Mais um suspiro se sucede, involuntariamente. Eujá estava há quatro horas sentado naquela merda de cadeira, apenas encarando a equação matemática e devaneando sobre minha vida.
Por Deus, por que não sou capaz de me concentrar em um exercício tão tolo quanto este?! Minhas capacidades são muitos superiores e certamente o meu problema em simplesmente resolver ao exercício não se deve à dificuldade da questão!
Afinal, apesar de não demonstrar ou aparentar, eu era um dos melhores alunos de minha turma. Não que eu tivesse qualquer escolha diferente além de me esforçar nos estudos, pois meus pais deixaram bem claro que se eu não entrasse numa boa faculdade e cursasse algum curso de renome eu perderia meus direitos à herança. Dá pra acreditar nessa porcaria?
Não que eu me incomode em estudar, afinal já é uma rotina para mim e eu, sinceramente, sempre tive vontade de cursar administração, desde bem jovem, logo incentivos eu, na verdade, possuo. Porém, sentir-me forçado a tal, perante chantagens estúpidas, irrita-me profundamente.
Esse tipo de coisa não poderia ser mais desnecessário...
Bufo, cansado e farto de tudo.
Se pelo menos eu pudesse impedir meus pensamentos de irem à procura do Antonio, e de seu jeito de ser, de seus sorrisos, os seus olhos de um verde tão vívido, seus lábios tão rosados e macios...
O silêncio subitamente se mostra presente e inquietante, tanto dentro quanto fora de minha mente, e só é interrompido após um suspiro cansado de minha parte.
E cá estou eu, novamente tomado por pensamentos indesejados e impulsivos.
Apoio minha mão na borda da escrivaninha e empurro a mim mesmo para trás, fazendo a cadeira de rodinhas percorrer o breve espaçamento da mesa e de minha cama em uma velocidade considerável e, consequentemente, estremecer com o choque recorrido.
Porém, nada disso importa.
Miro a brancura do teto e, consequentemente, da luz da luminária, suspirando pesadamente a seguir. O calor em minha face, o qual se tornava cada vez mais corriqueiro em meu dia a dia, é ignorado pela minha pessoa, apesar de que eu esteja ciente da sua existência.
É... Não tem jeito... Eu me apaixonei de novo por esse idiota. Eu sou uma anta por deixar isso acontecer novamente, e desta vez não vai ser tão fácil de esconder.
Eu realmente sou uma criatura imprestável, por sempre me deixar levar pelo jeito do espanhol. Eu não passo de uma marionete de meus próprios sentimentos.
Por que eu tinha que achá-lo adorável?! Isso, com certeza, está errado! Só pode!
Não que o problema seja ele ser um homem, afinal, eu, melhor que ninguém, sempre estive ciente de minha preferência sexual e nunca tive dificuldades em aceitá-la. O que me incomoda e me faz sentir tão repulsivo em relação a esses sentimentos é saber que nunca serei correspondido, pois ele sempre me verá como um irmão mais novo, um melhor amigo, um sei lá o que...
O que ele sente por mim não é amor e isso me machuca; não ser correspondido machuca. Ele deseja me proteger, se manter ao meu lado e ser feliz enquanto isso, não que eu pense diferente, afinal esses também são meus desejos. Eu queria viver com ele para sempre, afinal ele me aceita e reconhece a minha existência.
Para ele, eu não sou apenas uma sombra do Feliciano; eu sou Lovino, Lovino Vargas.
Mas, ainda assim, nossos motivos para desejarmos a presença um do outro é distinta. Eu desejo por amor, e ele por amizade, por essa necessidade louca de se intrometer em minha vida e cuidar de mim como se eu fosse uma criancinha irresponsável. Não é por amor a minha pessoa.
E esse idiota ainda é uma anta para, além de não perceber meus sentimentos por si, me selar os lábios por motivos tão fulos como agradecimentos! Tenho vontade de enfiar a cabeça daquela anta num balde para ver se a estupidez é lavada daquele cérebro, que por acaso nem deve ser muito grande!
Bufo, irritado, e desço meus olhos à porta de meu quarto, que se encontra fechada no momento. Eu estou sozinho em casa desde que eu chegara da escola, pois Antonio tinha trabalho a fazer de tarde e só chegaria lá para perto das dezoito horas... Logo, se a porta está fechada é porque essa se tornara uma mania minha, nada mais.
A casa encontrasse, na verdade, mergulhada em um profundo e inquietante silêncio, e sinto-me desejar ouvir a voz animada e carregada de sotaque do espanhol.
O mais intrigante de tudo isso é ainda saber que não vou poder simplesmente fugir de meus sentimentos desta vez, afinal não há para onde eu ir já que estamos morando juntos por enquanto.
Talvez meu erro tenha sido vir para esta casa.
Levo a mão à têmpora, massageando-a com empenho, na tentativa de me livrar de uma dor aguda que começava a se fazer presente no local.
Mas se vim morar aqui foi realmente por necessidade. Eu não mais aguentava encarar Feliciano diariamente sem caírem lágrimas de meus olhos, afinal, apesar da visível passagem de tempo, eu ainda era apenas uma sombra desimportante. Vê-lo na escola é o máximo que sou capaz de aguentar sem entrar em prantos.
Feliciano é ainda tudo o que importa a todos. Por isso, meu maior temor é perder Antonio para ele também. Por isso que meus sentimentos machucam tanto...
O que devo fazer? Desejo partir e fugir de minhas emoções, para bem longe, afinal não quero amar o Antonio novamente, para ao fim ter apenas a decepção. Eu nunca o disse como me sentia a seu respeito e não é agora que ele descobrirá tal fato, caso contrário eu nem saberia como o encarar depois disso.
Nossa relação não seria mais a mesma, e não desejo abandonar a comodidade que possuo em nossa convivência atual. Sou feliz, mesmo com meus sentimentos reprimidos, logo não há porque haverem mudanças. Tudo está por demais perfeito da forma que está.
Porém eu mentiria se dissesse que uma parte minha não se rebela por tal decisão, afinal sinto-me, por muitas vezes, realmente tentado a tacar-me em seus braços e declarar meu amor por si. É realmente doloroso reprimir meus sentimentos dessa forma, mas, ainda assim, é cômodo.
Não há porque haverem mudanças que apenas me prejudicariam.
O jeito seria aguentar e ocultar o que sinto, isso até que eu terminasse o colegial e me mudasse para bem longe. Então eu não mais o veria, não mais sofreria por amor...
Levo minha própria mão ao meu peito, sentindo as batidas aceleradas que recorriam no local. Filetes de um líquido morno também escorrem-me pelos olhos, molhando-me a face clara. Era realmente desesperador não saber o que fazer com os sentimentos que cada vez mais se rebelavam para serem demonstrados. Mentir para mim mesmo causava-me cada vez mais dor.
Doía. E muito.
Uso a lateral da mão direita para conter as lágrimas que escorrem, involuntariamente, porém elas não me incomodam. Quantas vezes eu não dormira com os olhos marejados? A conta seria impossível, de tão frequente que isso é.
Não que eu não me importe com minha própria tristeza, simplesmente não havia como eu lutar contra ela. Eu apenas podia me conformar e aceitá-la, pois a aceitação, de certa forma, tornava a dor menos angustiante.
Encaro a porta diante de mim, as feições impassíveis, mas o olhar fixo e com certo brilho involuntário de esperança.
Eu desejo vê-lo, pois isso me conforta.
Ouço um barulho distante, o que faz meu coração acelerar ainda mais. Busco o relógio com os olhos, tomado por ansiedade, e miro os números no mostruário, me pondo logo de pé, caminhando para a sala com os passos apressados.
Dezoito e quarenta... Eu com certeza sabia como desperdiçar o tempo que deveria ser utilizado para meus estudos.
Meus passos são rápidos e minhas meias de lã branca raspam e deslizam no carpete de madeira que recobre o piso do corredor. Meu coração acelera com a gradativa diminuição da distância entre mim e o recém-chegado.
A sala encontra-se vazia, então não me demorei por lá.
Eu queria vê-lo, eu necessitava.
Apresso-me à cozinha, sentindo a porcelana fria do chão de azulejos. Abro a boca com a intenção de me pronunciar, mas nenhuma palavra é dita. Encaro as figuras no interior do cômodo, paralisado e calado.
Um loiro e um moreno, em um abraço. A face vermelha de Antonio repousa confortável no ombro do outro, que tinha mais ou menos a sua altura.
Sou incapaz de me mover, por isso simplesmente os encaro, uma dor se fazendo cada vez mais presente em meu peito. Fui notado apenas depois de alguns instantes, os quais me pareceram uma eternidade, pelo loiro que enfim percebeu a presença de um terceiro ser na, não tão espaçosa, cozinha.
– Oh! Olá, Lovino! – o loiro pronuncia em um sotaque carregado, enfim afastando o espanhol de si.
– Olá... – respondo, num tom baixo por estar por demais abalado e confuso com o que acontecia, e os olhos ainda presos nas figuras diante de mim.
Antonio ainda nada pronunciara e, mantendo-se apoiado no francês ao seu lado, mantém os olhos caídos ao chão, sem olhar-me uma única vez; isso me machuca.
Um breve silêncio se sucede.
– Desculpe pela situação deste idiota. – ele diz, ao notar meu olhar fixado na cabeleira castanho-escura. – Nós saímos para beber um pouco, mas ele se excedeu um pouquinho... Na verdade, ele virou um copo depois do outro, com uma pressa que nunca vi.
O francês dá uma rápida e discreta gargalhada, enquanto eu apenas o encaro, ainda sem palavras.
– Ele disse que tinha que ir logo para casa, então eu o trouxe. Mas, sinceramente, o Tonio se embebedou muito fácil desta vez... – ele diz, balançando a cabeça, desacreditado – Ele era mais resistente antigamente.
– Antigamente? – pergunto, enfim.
– Ah? Sim. Você não se lembra de mim, mon petit?
– Eu deveria? – pergunto, erguendo uma das sobrancelhas.
– Seria uma boa, na verdade... – ele diz, com um sorriso desconfortável – Sou Francis Bonnefoy e estudei com o Tonio. Eu lembro de você, pois me recordo de o ter visto perseguindo o Tonio até nossa sala, todo dia, o observando e...
– Tá, tá. Não precisa continuar. Já entendi. – digo, interrompendo-o drasticamente, com o rosto um tanto corado. Desvio o olhar dos azuis que me encaram, maliciosos, convencidos e satisfeitos.
Ele dá mais uma seca gargalhada antes de se aproximar, ainda segurando o espanhol pelo braço desajeitadamente. Ele passa por mim e se encaminha ao sofá, largando o outro, que agora notei estar dormindo, sobre o móvel. Ele se vira novamente a mim, enquanto pousa as mãos na cintura.
– Então deixarei ele sobre seus cuidados, okay? Tenho de ir.
– Por que eu tenho que cuidar desse bêbado? – digo, intrigado, apontando ao sujeito largado sobre o sofá.
– Ah, vamos. Eu sei que você, na verdade, não se incomoda nem um pouco por ter de fazer isso. – ele diz, piscando em minha direção.
Meu corpo estremece e a vermelhidão em minha face aumenta subitamente, mas não desvio o olhar sequer um mísero instante desta vez.
Perante meu total silêncio, afinal eu não sabia o que pronunciar, ele se encaminha à saída. Ao que percebo as intenções de Francis, uma batida falha em meu peito, fazendo-me ser tomado por incontrolável agitação.
– Nã-Não! Espera! Eu não sei o que fazer com esse idiota! – digo, a voz agitada e as palavras praticamente aos tropeços.
– Não se preocupe, mon petit, ele não te trará nenhum problema. Ele continuará a dormir até amanhã. Posso te garantir isso, pois conheço esse lado do Tonio muito bem. – ele ri, malicioso.
Decidi por ignorar as palavras ditas pelo outro, pois era um assunto no qual eu simplesmente não desejava me intrometer; parecia-me melhor continuar com essa minha ignorância, do que me sentir arrependido depois.
– Ce-Certo então... – respondi, enfim dando-me por vencido, mas ainda um tanto receoso.
Afinal não havia qualquer outra opção sequer essa, logo não há porque perder tempo com discussões desnecessárias com um francês tão suspeito como o que se encontra diante de mim.
– Então vou saindo. Boa noite. – ele diz, sorrindo, enquanto se encaminha para o exterior.
Aproximo-me dele rapidamente, sentindo palavras estagnadas em minha garganta desejarem serem pronunciadas, e envolvo a maçaneta com meus dedos, encarando os olhos azuis do loiro diante de mim, que permanece estático, encarando-me com surpresa. Meus lábios tremem, envergonhados de se pronunciarem.
– E-Ele não está com nenhum problema, não é? Não aconteceu nada grave para ele ter bebido, certo? – digo, encarando meus próprios pés, sentindo minha face queimar.
O francês parece surpreso com minha reação, pois me observa com certa surpresa e seriedade no olhar. Ele deita uma de suas largas e frias mãos sobre meus cabelos castanhos um tanto rubros, bagunçando-os em um afago.
– Não se preocupe. Não aconteceu nada, de verdade. Apenas saímos para beber para comemorar por ele ter arrumado um novo emprego e ele exagerou por causa da pressa. – ele dá uma curta pausa, na qual ameacei encará-lo novamente nos olhos, de um azul hipnotizante – Ele desejava ver como você estava. Estava preocupado, por isso acabou sendo inconsequente.
– Certo... Ainda bem, eu acho. — digo, ainda sentindo minha face queimar.
Ele enfim liberta-me de seu toque, o que me faz entristecer de certa forma. Eu desejava ser tocado, ser percebido e receber um pouco de atenção. Isso realmente me deixava muito feliz, mesmo que não fosse a mesma sensação que eu tinha quando sentia a pele quente de Antonio na minha.
– Você realmente se preocupa com ele, que fofo. – ele diz, sorrindo e provocando-me.
– Não é nada disso, eu...
– Então até mais, Lovino. – ele interrompe-me, ergue uma das mãos e se despede, caminhando calçada abaixo, despreocupado e com as mãos enfiadas nos bolsos do longo sobretudo azulado.
Observo-o partir, um tanto desconfortável, mas também não me demorei a adentrar mais uma vez a residência e trancar a porta, pois o vento gelado começara a me incomodar.
Caminho a passos até que bem lentos de volta à sala, encarando a figura deitada sobre o sofá estreito. Um suspiro cansado se sucede. Era melhor deixá-lo dormir ali mesmo, afinal não é como seu eu tivesse forças para erguê-lo e levá-lo até a cama...
Cogito a ideia de me retirar para meu quarto, mas a ideia de deixá-lo sozinho e bêbado não me agradou. Aproximo-me do sofá e me sento na frente deste, apoiando as costas no móvel. Não era muito confortável, mas também não era um grande incômodo; era aceitável.
Decido por não o encarar, miro apenas a frente, mas atento a cada inspirar e expirar de Antonio.
O que eu faria em relação aos meus sentimentos?
Eu serei capaz de guardá-los ou destruirei esta nossa relação atual?
Eu estou realmente satisfeito com a forma como as coisas estão no momento?
O que eu deveria fazer?
Por que não tenho qualquer resposta aos meus tormentos?
Por que é tudo tão difícil?
Suspiro, cansado, cerrando as pálpebras e abaixando o rosto. Minhas feições, mais uma vez impassíveis, escondem muito bem as perturbações em minha mente. Eu me tornava, a cada dia que passava, um fingidor de melhor categoria — um mentiroso profissional -, tudo para que ninguém, sobretudo Antonio, percebesse o que se passava comigo. Eu não desejo que ninguém se intrometa em meus problemas, pois sei que sou capaz de enfrentá-los sozinhos; o que seria muito mais fácil se eu obtivesse algumas respostas aparentemente inalcançáveis...
Ao fim, acho que sou apenas uma sombra cheia de dúvidas; nada mais.
Notas finais
Eu sei que não está nenhuma grande maravilha, mas eu juro que estou me esforçando bastante. >.<'
Quem puder me deixar um review, por favor faça esse favor. Eu gosto de ter minhas estórias comentadas. .-. Então, que tal deixar sua opinião?
Espero nos vermos nos próximos capítulos, entõa não deixe de acompanhar.
BJJS~
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