Lose My Mind
7 The first step into the abyss.
Notas iniciais
E eu nunca esqueci vocês! Vocês sempre estiveram no meu coração! Tanto que decidi terminar logo este capítulo e postar de uma vez, quando eu deveria estar, na verdade, estudando para a minha prova de sociologia de amanhã. xD Tá, admito. Na verdade isso é mais por causa da minha preguiça infinita. Sabe como é... ^^'
Bem, espero que gostem do capítulo.
Boa leitura.
Pisco uma, duas, três vezes até que minha visão se desembaralhe; ou o máximo possível, no caso. Quando enfim acordei, um amplo e bem iluminado cômodo era o que eu tinha em meu plano de visão. “Não estou no meu quarto...”, foi o meu primeiro pensamento.
Ergo as costas da superfície que, mesmo aconchegante, a maciez não chegava nem perto da proporcionada pelo colchão de minha cama. Minhas costas reclamam do movimento indesejado, estando elas bastante incomodadas e doloridas. Mas não são só elas que reclamam, na verdade, múltiplas e contínuas reclamações são enviadas de todos os músculos sensíveis de meu corpo.
Depois de pôr-me sentado, os olhos ainda não totalmente abertos por se encontrarem por demais sensíveis à luz — mais ainda do que o de costume -, encaro minha frente, notando os móveis que pertencem à minha modesta sala de estar. Ainda assim, nada passa realmente por minha mente, a qual permanece estranhamente embranquecida. Mantenho-me atento ao ambiente ao meu redor, mas sem pensamentos específicos.
Eu tenho o corpo pesado e a mente embaralhada, sobretudo minha memórias.
– Mas o que diabos... – as palavras abandonam meus lábios de forma cansada e pausada –... eu estou fazendo aqui?
Eu encontro-me, acima de tudo, atordoado e confuso. Havia um branco em minhas lembranças, o qual eu não conseguia preencher com memórias que eram, sobretudo, recentes. Levo a mão à cabeça, a qual lateja de forma dolorosa e insistente.
O que havia acontecido mesmo?...
– Finalmente acordou.
A voz monótona do italiano surpreende-me, mas, ainda assim, não me causa nenhuma grande reação. Meu cansaço não permite, afinal, que eu me comporte conforme o habitual, pois levara toda a minha corriqueira animação para bem longe.
Tento encarar Lovino, buscando a origem da voz do jovem, surgida esta há apenas poucos segundos. Entretanto, a luz do Sol acaba por incidir diretamente sobre meus orbes de uma coloração esverdeada e clara, os quais não puderam com a claridade que os incomodou drasticamente. Desvio o rosto, mirando o chão com o olhar entreaberto.
– Ah, Lovi... Bom dia. – eu o cumprimento, enfim, um tanto envergonhado e sem a típica animação em meu tom de voz. Pergunto-me se ele estranhara tal desânimo, se bem que seria totalmente compreensível caso ele não o fizesse... Eu poderia ter perdido minha memórias recentes, mas ele as mantinha por mim.
Não houve resposta.
O silêncio que se firmara nos segundos seguintes serviu somente para que, gradualmente, eu fosse corroído por um crescente sentimento de culpa. Os mais variados pensamentos permeiam minha mente desde a chegada do italiano à sala — pensamentos estes não muitos otimistas por acaso... — e seu silêncio apenas aumenta minha angústia.
Eu sabia que havia bebido e que acabara por exagerar, na noite anterior. Minhas memórias sobre isso não poderiam estar mais nítidas. Não que eu houvesse feito algo de sério enquanto embriagado, lá no bar, mas o simples fato de imaginar que Lovino me vira de tal forma me fazia sentir culpado. Ou será que eu sequer cheguei em casa acordado?... Pensando bem, eu simplesmente não lembro de como vim parar aqui.
Um suspiro cansado e indesejado, ainda assim não muito alto, escapa-me pelos lábios entreabertos. Eu não sabia sequer dizer se ele ouvira o meu suspirar, pois eu desconhecia sua real distância. Eu ainda fitava, atentamente, só e somente o piso de madeira de minha sala de estar.
Tudo permanece por demais confuso no interior de minha cabeça.
De qualquer forma, esse certamente não era o melhor exemplo a ser dado a um adolescente. Mas tudo bem! Afinal eu sou um adulto extremamente responsável!...
Uma risada seca se prende em minha garganta, enquanto tais pensamentos vêm à minha mente, indesejada e involuntariamente.
Os meus próprios pensamentos encontram-se carregados de um afiado sarcasmo. Mas não havia jeito, eu mereço sentir-me alfinetado dessa forma, por uma culpa que me corrói nem tão lentamente quanto eu desejaria. Eu afinal sabia reconhecer quando agia mal. E, dessa vez, eu não poderia estar mais arrependido de meus atos.
Até porque... Desde quando beber rápido faz o tempo encurtar-se?! Como se eu realmente fosse ir para casa mais cedo apenas por virar os copos mais rapidamente!
Eu realmente sou muito idiota... E irresponsável... E eu admito tudo isso.
Minha vontade no momento é bater a cabeça contra uma parede até que uma das partes se rache com as pancadas, afinal não havia como eu voltar no tempo e corrigir o ocorrido. Lovino havia conhecido um lado meu que eu certamente não desejava que ele tivesse nunca contato, mas agora era tarde. Tarde demais inclusive para arrependimentos. Mas esse sentimento simplesmente não me abandona e estou mais que ciente de que explicações não resolveriam muita coisa. Não haviam desculpas para meu estado na note anterior afinal.
Realmente, não havia volta.
– Tsc. Você realmente não tem jeito. – a voz do italiano soa impaciente, mas não irritada. Eu desejava encará-lo, ver que feição ele tinha no rosto enquanto me olhava. Porém, esse é um desejo que eu não tenho coragem de tentar concretizar. Estaria ele muito decepcionado com a minha pessoa? Com que olhos ele me encara no momento? – Já passam das três da tarde, idiota. E também espero que não esteja esperando encontrar o almoça na mesa.
Ele bufa e por um momento eu desejei encará-lo mais do que nunca. Mediante o aumento de minha angústia, as batidas em meu peito também aceleram, causando-me assim uma dor pertinente. Contraio os lábios de forma inquietante, com o olhar ainda baixo, enquanto minha cabeça ainda lateja, talvez, por culpa da ressaca.
– E você tá com uma cara... Hunf, esses adultos irresponsáveis de hoje em dia. – sua voz, por detrás de toda sua normal impaciência, soa de certa forma tranquila, ou mais do que eu esperava ao menos – Eu vou buscar um copo d’água para ver se você melhora de alguma forma... E nem ouse levantar daí! – ele completa, em um desnecessário tom imponente.
– Não se preocupe, Lovi. Esperarei aqui, afinal, mesmo que eu quisesse me levantar... Bem, digamos simplesmente que no momento isso não é realmente possível. – eu digo, a voz ainda baixa e envergonhada, enquanto um sorriso torto firma-se em meus lábios.
– Tsc! – ele bate a língua contra o céu da boca, em desagrado ou então irritação. Eu não sei dizer ao certo o que ele sente.
Ouço as passadas do italiano se afastarem, sem que antes uma resposta fosse realmente me dada. Eu ainda encaro o chão, fugindo da luz radiante do Sol e tentando ocultar o fraco rubor que, momentos antes, subitamente tomara minha face, usando os fios um tanto que escuros de minha franja como anteparo. O piso de madeira onde meus olhos pousaram a já um tempo considerável, no qual há umas poucas e constantes riscas, permanece como meu foco de atenção, eu ainda circundado por um silêncio angustiante.
Ele realmente parecia estar decepcionado... Ou então algo do tipo. Eu, na verdade, não conseguia realmente ler os pensamentos e emoções de Lovino por sua voz, sobretudo hoje. Eu não sei dizer se ele esconde tais informações propositalmente ou não, mas isso não colabora em nada ao meu atual nervosismo. Eu temia, acima de tudo, que eu houvesse destruído alguma imagem que ele tinha de mim até então. Eu temia que ele me abandonasse por causa de uma idiotice de minha parte.
Não que ele me colocasse em um pedestal e me considerasse perfeito; longe disso inclusive. Antigamente, Lovino constantemente me criticava, além de que vivia jogando meus defeitos bem na minha cara. Ele conhecia muito bem cada ponto negativo meu, sendo inclusive provavelmente o que melhor os reconhecia. Entretanto, ele também sempre os aceitou, afinal se não os aceitasse teria simplesmente terminado nossa amizade. Mas eu seria aceito dessa vez? Eram dúvidas como essa que me levavam um sabor amargo à boca.
O que aos demais poderia parecer uma angústia tola, a mim era dolorosa e apavorante. Afinal eu não desejava separar-me de Lovino, não ainda pelo menos...
Levo ambas as mãos à cabeça, pressionando as laterais desta com certa força. Suspiro profundamente, suavizando o apertar no local com o passar dos segundos. Bagunço, a seguir, minha cabeleira castanha escura, ao que chacoalho minha cabeça de um lado ao outro, fazendo com que os fios de minha franja um tanto que comprida caíssem-me, desajeitados, perto de meus olhos, que se encontram levemente cerrados.
Minha respiração é compassada e eu poderia facilmente adormecer não fossem as tantas preocupações que me afligiam.
Sobressalto-me, ao perceber enfim um par de pernas estendidas diante de mim. Ignorando a luminosidade e seus efeitos sobre meus olhos sensíveis, ergo minha face, que ainda se encontra levemente corada, até que meus olhos estacionem sobre os orbes castanhos do italiano. Fico simplesmente a fitá-lo, sem reação senão essa. As batidas em meu peito chegam a incomodar-me de tão fortes que são.
Ele nada diz perante meus olhar tão penetrante, simplesmente estende o braço, exibindo um copo com água cristalina. Um meio sorriso se firma em meus lábios, enquanto levo minha mão à dele, segurando tanto o copo quanto a mão do jovem.
Ele estremece ao meu toque e sua face se colore significantemente, enquanto desvia a face da minha. Ainda o encarando fixamente, meus lábios que entreabrem, mas nenhuma palavra é proferida. Eu não sabia exatamente o que dizer afinal. Entretanto, eu não deixaria que ele me desprezasse.
As batidas em meu peito alcançam-me facilmente os ouvidos. Estaria ele as escutando também? Ou então ao menos as sentindo através da ponta de nossos dedos entrelaçados? Desço os olhos novamente ao chão. Agora não é hora de me perder nesse tipo de pensamento.
Pego finalmente o copo de sua mão, enquanto ergo o olhar novamente ao rapaz, o livrando então de meu toque. Viro todo o seu conteúdo rapidamente por entre meus lábios, eu sendo a todo o instante observado por ele, que permanece com as maças do rosto levemente escarlates.
Depois de esvaziar o conteúdo do recipiente, largo o copo sobre a mesa diante do sofá e passo a encará-lo de volta. O italiano também nada pronuncia, causando um silêncio pesado entre nós; um silêncio repleto de palavras não ditas.
Trocamos olhares por um tempo consideravelmente grande até que ele se livrasse mais uma vez de meus olhos, primeiramente apenas desviando o rosto, mas, depois, também me dando as costas, decidindo-se por caminhar até a cozinha. Ver seu gradativo distanciamento causa apenas o aumento de minha angústia e do aperto em meu peito e, por isso, acabo por também me levantar, o seguindo e segurando o seu pulso quando este já alcançava a cozinha. Minha garganta incomoda-me, mais não sei dizer o que ela deseja tanto pronunciar.
Ele se vira, notavelmente surpreso e corado, enquanto sua boca se abre com a intenção clara de proclamar o que bem provavelmente seria alguma espécie de reclamação. Porém, ao se encontrar com um par de sérias esmeraldas o encarando, ele simplesmente deixa de reagir como pretendia. Ele fecha os lábios, antes mesmo que qualquer som saísse dela, e volta a virar a face escarlate.
Lovino vez ou outra agia assim perto de mim, mas eu, desde o passado, decidira não me deixar levar por falsas esperanças. Eu não desejava sofrer, mais uma vez, de uma grande tristeza posteriormente. Eu não desejava que isso se repetisse jamais. Entretanto, cada dia que passa, meu peito bate mais e mais forte por essa pessoa diante de mim.
Talvez eu o ame tanto quanto antigamente...
Levo minha mão livre ao seu rosto fino e delicado, alisando-o com as pontas dos dedos, ato que o surpreende. A pele de Lovi é lisa e de uma tonalidade extremamente clara, principalmente se comparada a minha. Não que eu fosse assim tão bronzeado, mas, comparado à dele, minha pele era levemente mais escurecida. Não muito, claro. Eu ainda era, sobretudo, ibérico.
– Lovi... – o tom de minha voz carrega uma estranha combinação de seriedade e nervosismo. O simples pronunciar do apelido já trazia conforto ao orgão que pulsava forte em meu interior.
– Me solta... – ele diz, simplesmente. – O que está fazendo? – ele desvia os olhos momentaneamente.
Meus olhos também não suportam mais fitá-lo, caindo assim ao chão. Eu temia agir de forma inapropriada uma segunda vez; e dessa vez não haveriam desculpas esfarrapadas a serem dadas. Mordo levemente o lábio inferior, enquanto o nervosismo que me abate cresce mais e mais. Eu não sabia o que fazer com meus sentimentos e medos. E, ainda por cima, eu não sabia como as coisas seriam entre nós de agora em diante.
Entretanto, eu necessitava proferir certas palavras especificas e sinceras ao ser diante de mim. É realmente uma necessidade no momento.
– E-Eu... – puxo o ar fortemente aos meus plumões, juntando tanto ar quando coragem nessa pequena pausa.– Eu não sou nenhum bêbado, Lovi. Acredite em mim, por favor. – minha voz soa exasperada – Eu posso ter exagerado um pouco, mas juro que isso não acontece muito. Só às vezes, e em situações especiais... Eu não sei se você vai acreditar, mas é a verdade. E eu não vou mais deixar que isso aconteça. Eu não quero que você pense que sou um bêbado.
– E-Eu sei. Agora me solta... – ele replica, simplesmente, com a voz um tanto que agitada e o olhar jogado ao canto. Ele me parece surpreso com o súbito pronunciamento de minha parte, mas não demonstra duvidar sequer um pouco de minhas palavras. Isso me traz alívio.
– A-Ah? – minha voz soa confusa. Eu sou simplesmente incapaz de acreditar que ele aceitara isso tão facilmente – Sério?
Ele puxa sua mão, livrando-se de meu aperto, cuja força havia aumentado significantemente sem que eu sequer percebesse.
– Eu te conheço, idiota. Com quem você acha que está falando? – sua voz mostra um afiado descaso – Eu vivi praticamente minha vida toda ao seu lado, seu bastardo estúpido e ignorante. Não são cinco anos separados que mudarão isso. Eu sei quais são os seus defeitos muito bem! E... – o seu tom de voz tornou-se mais baixo, enquanto eu novamente voltava a fitá-lo, erguendo a face tomada por certa vermelhidão – Também sei quais não são... Eu sei que você é um idiota e também sei que não um bêbado...
– Lovi... – um baixo murmuro foge-me por entre os lábios, carregado de uma alegria tímida. Eu sinto-me, sobretudo, aliviado.
– Além de que, o Francis me explicou o que aconteceu ontem. Me falou da sua pressa e tals... – ele dá uma curta pausa, suas palavras encontravam-se cheias de uma curiosa vergonha e agitação – Você realmente é um idiota, sabia?
Um suspiro escapa pelos lábios do italiano, enquanto ele cora ainda mais. Eu o observo, completamente sem palavras, fazendo com que nada impedisse que o silêncio voltasse a nos rodear; entretanto, este não era de forma alguma incômodo, no máximo constrangedor.
Minha mente encontra-se em total desordem, de forma que é difícil realmente organizar meus pensamentos de forma a torná-los compreensíveis. Um sorriso firma-se em meus lábios, sem que eu sequer percebesse.
– Lovi... Amanhã...
Minha face abaixa-se, enquanto sinto um estanho calor tomar-me o rosto forte e subitamente. Meu coração acelera de forma incontrolável.
– Hum? – Lovino estranha meu silêncio repentino.
– Amanhã... Eu vou te buscar na escola e... E então nós vamos ao cinema. Okay? – dou uma curta pausa, sendo observado por um surpreso italiano a todo instante – Você... Sempre gostou de filmes... – certa agitação vai se acumulando em meu interior – Ainda gosta, certo?
Ele me ouve, atentamente, mais escarlate a cada palavra. Eu noto facilmente a surpresa cintilar em seu orbes castanhos.
– Se você preferir, podemos fazer outra coisa, é claro...
– Nã-Não! Tudo bem! Cinema... Ci-Cinemas são lega-gais. – ele gagueja, enquanto a vermelhidão se alastra rapidamente, ocupando agora toda a sua face.
Um riso abafado escapa-me pelos lábios, enquanto encaro o jovem diante de mim, cujos tremores eram evidentes.
– Do-Do que está rindo? Id-Idiota!
– Nada, nada. É só que...
Levo minha mão a dele, segurando-a e enrolando nossos dedos naquele toque sutil. Fiz com que nossas mãos pousassem sobre meu peito, cujas batidas eu sentia muito bem, e provavelmente também eram sentias por Lovino, enquanto eu pensava em que palavras eu deveria proferir a seguir.
– É que você é muito fofo, Lovi...
Ele cora fortemente, ainda com o rosto levemente corado e a mão envolta pela minha e repousada em meu peito. Sorrio, largamente, enquanto o observo com um calor em meu peito.
– Você está parecendo até um tomate...
– Calado. – foi o que ele me respondeu, ainda sem encarar-me.
Eu sabia que não deveria me deixar levar por esses sentimentos... Mas o que eu poderia fazer, quando eu já havia sido tomado por completo?
Notas finais
E antes que me perguntem: não, a fic não está acabando. Sei lá, vai que tá parecendo... Bem, ainda tem um pouco mais, então até lá continuem me aguentando. o/
Reviews, pls~ *o* Eles são necessários para o organismo de um escritor, tanto que sem eles nós tendemos a perder quilos e quilos de inspiração. E sem inspiração, sem capítulo novo. xD
Bem, nos vemos por ai. .-.
BJJS~ o/
Fale com o autor