Lords Of Destiny
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Lá estava eu no meu cochilo de fim de tarde quando aparentemente entro em contato com meu irmão moribundo. No sonho/visão ele diz que temos uma ligação estranha e que sabe onde e como achar as respostas, mas que está muito fraco para sair de onde está sozinho. No exato momento em que ele termina de dizer isso, eu perco a conexão com ele. Óbvio que eu tentei sintonizar novamente o rádio mental no canal “Falando com o irmão semimorto”, mas aparentemente uma vez que é interrompida pode significar que o moribundo do outro lado da linha imaginária bateu as botas. E não, eu não fiquei tão calma assim. Eu gritei feito uma louca, chamando pelo Dave, caí da espreguiçadeira e quase quebrei o nariz, mas enfim. Stefan apareceu e me segurou, perguntando o que tinha acontecido. Eu contei a ele e mais tarde recontei a ele e ao Damon quando estávamos na floresta, perto do lugar onde meu irmão estava – ou onde eu achava e esperava que ele estivesse.
– Pela milésima vez, Potter: VOCÊ NÃO DEVERIA ESTAR AQUI!
– Pela bilionésima vez, Salvatore: É o meu irmão! Eu vou salvá-lo com ou sem a ajuda de vocês!
– Pelo amor de Deus, Annie! Tem como parar de gritar?! Eu já estou morrendo aqui em baixo, sabia?! – Quando eu ouvi aquela voz tão conhecida do meu irmão, quase infartei, mas ao mesmo tempo eu quis mata-lo. Amor de irmão, sabe como é, né?
– DAVE!! Seu vagabundo filho da puta! Onde você tá, seu desgraçado?! Eu vou matar você, viado!
– Maninha, eu sei que você me ama, não precisa gritar para os quatro ventos. E eu estou num buraco a 1,50m de você. Cuidado, deixe os vam... Salvatore me tirarem daqui, fique onde você está!
Não entendi o que ele quis dizer com “vam...”, mas deixei pra lá. Damon e Tefinho – como passei a chama-lo só para irritar o coitado – se apressaram para resgatar aquele resto de aborto que eu chamava de irmão. Assim que tiraram David do buraco, eu corri até ele, o abracei e depois comecei a chorar.
– Eu senti tanto, tanto medo de te perder! Não acho que aguentaria perder mais alguém! – ele apenas me consolava, Dave estava sujo de terra e lama, mas eu não me importava, não quando eu tinha meu irmão perto de mim de novo.
– Annie, vamos. Vamos levá-lo ao hospital. Ele passou muito tempo naquele buraco.
– Sim, vamos. Stef, pega a mochila dele, por favor? E Damon, me ajude a carrega-lo.
– Annie, eu consigo andar sozinho! – ele foi tentar provar isso e quase caiu no chão. – Certo, nem tanto... Enfim, vamos. Estou morrendo de fome!
Assim que chegamos no hospital, fizeram todos os tipos de exames existentes. No final ele só estava UM POUCO desidratado, coisa que nem os médicos conseguiram entender e atribuíram isso a um milagre.
Depois de todos os exames que pareciam intermináveis, ele foi liberado e enquanto eu e Stef levávamos meu irmão para a mansão Salvatore, Damon foi comprar algumas coisas para David, já que ambos tinham o mesmo porte físico, o que foi ridiculamente hilário – eu ri até minha barriga doer, me joguei no chão e tive minha crise de risos ali mesmo. Bem, foi agradável até Damon correr atrás de mim para fazer cócegas.
Algumas horas depois, estávamos todos na sala assistindo Inatividade Paranormal e rindo horrores por causa do fantasma. Para a sessão de filmes, compramos Doritos, Coca Cola, pipoca e David fez seu famoso brigadeiro à lá cagada – eu apelidei o brigadeiro assim porque na primeira vez que ele fez, Dave colocou muitas coisas além dos ingredientes originais, e surpreendentemente ficou incrível, chegou a superar o do papai. Quando deu 3:30 da manhã, eu estava totalmente apagada, com a cabeça no colo do meu irmão, as pernas no colo de Stefan e a mão na cara de Damon, que estava estirado no chão, dormindo feito uma pedra.
Durante a madrugada, eu tive um sonho definitivamente estranho.
Havia neblina em toda parte, mas eu reconhecia o lugar: era o orfanato em que eu e meus irmãos fomos jogados. Eu estava começando a ficar apavorada, principalmente quando duas formas saíram do meio de toda aquela névoa que gelava até meus ossos – ou seria apenas meu medo? –, eu tremi de medo até reconhecer aquelas formas: meu irmão Jake e minha mãe.
– Mamãe? Jake? São vocês mesmo? – minha mãe se aproximou e tocou no meu rosto, naquele instante eu senti que não estava sozinha, naquele instante eu senti de novo o toque carinhoso da minha mãe.
– Sim, querida, somos nós. Estávamos com saudade de vocês. – ela sorria e eu não pude deixar de sorrir também. Eles estavam ali comigo. Quando olhei em volta, estávamos na nossa casa de praia e o sol brilhava novamente e tão intenso quanto eu me lembrava.
– Oi mana. Não vai abraçar seu irmão não? – me joguei em cima do meu irmão e o abracei com força. Ele sorriu ainda mais e me abraçou com ainda mais força. – Eu senti tanto a sua falta, Jake, tanta. Todos os dias desde o acidente. Eu queria ter podido me despedir de vocês. Sinto tanta falta dos dois! Me sinto sozinha sempre que olho pra uma lareira e não vejo vocês comigo. Me sinto sozinha quando ninguém responde os meus “boa noite”. Me sinto sozinha toda vez que vou a uma praça e vejo os pais com seus filhos sorrindo e brincando um com o outro! – eu chorava copiosamente agora, e Jake apenas me abraçava e afagava meu cabelo, enquanto mamãe acariciava meu braço e dizia que sentia minha falta. Eu me afastei de Jake e olhei em volta. – Cadê o papai? Ele não veio com vocês?
Eles se entreolharam e eu vi que conversavam entre si, trocando mensagens secretas com o olhar. No fim, Jake apenas deu de ombros e voltou a sorrir pra mim, colocando o braço sobre meus ombros e me fazendo chegar mais perto dele.
– Ele não pôde vir, querida, mas ele também sente saudade. Mandou um beijo pra você e pro seu irmão e disse que ele está sempre com você. Nunca a deixou sozinha. – Eu murchei visivelmente e mamãe percebeu e me abraçou. – Mas não foi esse o único motivo de nossa vinda. Nós queríamos te avisar que futuramente, você terá uma tarefa um pouco difícil. Não queríamos coloca-la nisso, mas não há escolha, é o seu destino e o destino do seu irmão, embora ele vá traí-la. – Eu ouvi aquilo e senti como se tivessem enfiado uma faca no meu coração. – Filha, você está destinada a coisas grandiosas. Você, ao nascer, foi abençoada por seu anjo da guarda. Este te deu poderes que você jamais imaginara. Nem eu mesma sei. Você e Dave foram agraciados com esses dons divinos com um propósito, mas vocês terão que descobri-los por si mesmo.
Eu estava tão embasbacada que não pude dizer uma palavra. Mamãe e Jack apenas me olhavam enquanto eu abria e fechava a boca feito um peixe.
– Mana, está na hora. Nós temos que ir. Saiba que eu te amo muito e que sempre estarei contigo. Seu na vida, seu na morte. Se cuida. – Assim que ele disse aquilo, ambos desapareceram engolidos pela névoa. A única coisa que eu pude fazer foi cair de joelhos.
– Seu na vida, seu na morte, Jack. – Eu senti como se levasse um soco e depois fui empurrada por cima de um penhasco que eu havia visto.
Acordei num pulo, totalmente molhada de suor. Quando olhei para o lado, alguém me observava.
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