Lords Of Destiny
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Enquanto eu dormia e acordava de pesadelos, eu tive um sonho, que na verdade era mais uma lembrança. Eu estava com 15 anos, estávamos todos em casa: papai, mamãe, meus irmãos, Jack e David, e eu. Jack e eu éramos gêmeos, sendo eu a mais nova, e David era o mais velho. Desde que me entendo por gente, chamava Jack de Jake por que não conseguia pronunciar Jack direito por causa de um problema de fala (o que é ridículo! Como alguém não conseguia pronunciar JACK?!), daí virou o seu apelido. Estávamos em volta da lareira com o violão, menos mamãe, ela só cantava conosco e brincava com a gente. Papai era muito bonito e parecia muito jovem: tinha cabelos escuros, quase negros, olhos castanho claros e ele era bem forte. Mamãe, também jovem, por outro lado, tinha cabelos loiros e olhos que às vezes pareciam verdes, às vezes pareciam castanhos. Cada um largou o seu violão ao final da música e fomos arrumar nossas malas, todos muito alegres, já que mamãe havia acabado de dizer que íamos passar as férias em Mumbai, na Índia. Era a noite do acidente. Estávamos no carro, já prontos e conversando animadamente, íamos passar primeiro na casa de uma amiga da mamãe pra deixar um pacote, depois iríamos para o aeroporto. No meio do caminho para o aeroporto, um caminhão parecia deslizar pela pista já que estava totalmente úmida e quase congelando, e no ultimo segundo, eu vi papai pular no banco de trás para no proteger enquanto mamãe murmurava alguma coisa completamente assustada. No segundo seguinte eu vi a cena mais horrível da minha vida: meu pai havia sido jogado pra fora do carro, mamãe e Jake haviam sumido e eu e Dave estávamos prensados no banco de trás. O caminhão estava inclinado, ameaçando nos esmagar. Dave acordou e começou a tentar se soltar, assim como eu, mas eu estava presa. Assim que ele conseguiu se soltar, ele pegou a faca de pesca da sorte do papai que estava numa bolsa na traseira do carro e cortou o cinto de segurança. No momento exato em que pisamos na pista, o caminhão caiu e esmagou nosso carro. Eu estava assustada demais pra chorar ou me mover, Dave simplesmente me abraçou e eu ouvi meu pai gemer muito baixo. Corremos até ele e ele pediu que cuidássemos um do outro, sorriu e fechou os olhos, mas nunca mais os abriu. Eu nunca mais chorei desde aquele dia.
– Pai! – Acordei num salto e caí da cama. Fiquei sentada lá no chão, enquanto tremores fortes me sacudiam.
– Você está bem? – Um cara apareceu do nada na minha frente (eu não notei quando ele se ajoelhou, me deixem). A primeira coisa que fiz foi pegar a minha faca e a minha intenção era acertar o algum órgão vital ou o ombro esquerdo dele (no caso o meu direito), mas ele foi mais rápido e só pegou de raspão no braço. – O que deu em você?! – Ele arfou um pouco de dor.
Damon apareceu do nada e me viu com a faca com um pouco de sangue na área afiada e o corte no braço do cara.
– O que aconteceu aqui?! Anna, o que houve? – Damon se ajoelhou e tomou a faca de mim. – Meu irmão te fez algo? – Ele olhou pro cara lá e depois voltou a me encarar.
– Irmão?! Ahn... Oops... – Eu sorri meio sem jeito e pedi desculpas ao irmão de Damon. – Eu me assustei com o cara, daí eu fui me defender...
– Eu só vim aqui porque a ouvi gritar ou sei lá o que. Não me olhe assim, Damon, a culpa não foi minha. E já que você perguntou meu nome, garota, eu me chamo Stefan. – Ele me olhou com um pouquinho de raiva, mas nem liguei.
– Me chamo Anna. E ninguém mandou você entrar sorrateiramente no quarto de uma garota. Nunca se sabe o que ela vai jogar em você. – Pisquei pra ele. Stefan sorriu e me ajudou a levantar. Disse que ia voltar pra cama e me deixou com Damon.
– Acho que é melhor voltarmos a dormir, Anna. Ainda está muito cedo. – Ele me “levou” (empurrou pra ser mais exata) e se despediu.
Deitei e fiquei encarando o teto, sem conseguir voltar a dormir. Fui até a cozinha, assaltei a geladeira e voltei para o quarto. Escrevi um pouco em meu diário, relatando o que acontecera naquele dia e voltei pra cama, me perguntando onde Dave havia ido parar. Dormi pensando no sorriso do meu irmão e não tive mais nenhum sonho ou pesadelo; não senti medo, mas também não senti felicidade, apenas dormi confortavelmente sem mais incidentes.
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