Pluspe Epp Presents: Ligados Pela Amizade (LPA)

Parte 03/05 – O Eclipse

Dois dias depois...

Uma camada brilhante e cintilante em uma mesa, dando o aspecto de uma pétala de girassol, mas o que se poderia esperar quando se está deitado e havia acabado de despertar? Na mesa, havia um caderno com exercícios de química, uma das matérias mais angustiantes para mim. Aprender? Sim, era difícil.

O que exatamente me refiro, é que sinto como se minha visão – e todos os meus sentidos – estivessem incapacitados de enxergar, escutar, distinguir a realidade, por virtude de tudo que estava acontecendo. Eu batia na mesma tecla sobre aquela curta e direta frase de Giuliano. Era um enigma que eu precisava descobrir, mas como? Da onde eu encontraria as informações precisas para efetuar a descoberta desta tormenta? Sentia calafrios só de pensar no quão grave poderia ser o obstáculo, mas como tudo na vida tem a necessidade de batalha para conseguir o prestígio... precisaria unir forças com alguém.

– Vou bancar o detetive! – pensei, enrolado em meus cobertores quentes, sentindo a temperatura por todo o meu corpo. Advinha por que?

Decidi que já era hora de sair, me espreguiçar, e tomar alguma atitude. Vesti uma cueca – se você ainda não acertou, sim, dormia nu -. e saí em direção à cozinha. Encontrei um bilhete de minha mãe dizendo: – Fiz sua sobremesa predileta para seu café da manhã. Amo você. Nos vemos de noite.

Quando fui abrir a geladeira para ver o que era, me surpreendi! Pudim de Brigadeiro, meu doce preferido. Sem pensar duas vezes o retirei do refrigerador e o coloquei na mesa para retirar um pedaço para mim. Estava suculento e apetitoso. O gosto de chocolate sobre minha língua me ajudava a sorrir um pouco e a esquecer os problemas – como eram difíceis -.

Quando por menos percebo, vejo minha campainha tocar. Obviamente seria uma visita inesperada. Então, pus uma bermuda. Caminhei em direção à porta e olhar pelo vidro quem era.

– Matheus Lukash! – cumprimentei meu velho amigo, o saudando com um abraço.

– Erllon Tucker – ele saudou reciprocamente.

– Por Que não avisou que viria? Alugaria uns filmes para assistirmos – eu disse, feliz, voltando à mesa.

– Ah, cara, sabe como é que é, não é? Namorada... e tal... – explicou Matheus. Lukash tinha um jeito totalmente diferente do meu; havia um jeito “moleque” e uso excessivo de gírias, em que alguns casos, chega a ser importunado.

– Ah, sei – eu disse, saboreando meu café-da-manhã.

– Ela não entende que preciso ficar com meus amigos também, ainda mais nessas horas. Todos os amigos de Giuliano estão tristes e arrasados – explicou Lukash, estático no mesmo lugar desde que chegou.

– E quem não ficaria? – tomei um suco de Maracujá – E o que está fazendo parado aí? Venha lanchar junto comigo, amigo. Minha mãe fez pudim, aquele que a gente adora. Ficarei muito feliz se me acompanhar. E preciso conversar contigo.

– Está bem, obrigado pelo convite.

E assim ele assentou-se à mesa junto de mim. Logo peguei um prato e um copo de suco para ele se servir. Antes de iniciar o que eu iria falar, deixei ele contar as novidades e as surpresas da semana – como seu namoro e o colégio -. O modo em que citava os fatos era de um jeito muito natural e original. Este não escondia suas emoções ao expressar alguns acontecimentos. Aparentava já ter aceitado que Giuliano não estava mais entre nós. Como ele conseguia? Como? E eu não? Queria ter a capacidade dele de superar as coisas com facilidade.

Chegou o momento em que precisei interrompê-lo para falar:

– Erllon, você viu o jornal hoje? Vai haver um eclipse à meia-noite – Falou Lukash, entusiasmado.

– Desculpe, mas vamos ter de mudar o assunto.

Nós já havíamos terminado a refeição e conversar sobre um assunto astronômico. A louça suja estava na pia e tinha guardado o que sobrou do pudim para mais tarde. Foi então que...

– Sobre o que você gostaria de me contar? – indagou Lukash.

– Sobre Giuliano – repliquei. Logo vi sua expressão mudar.

– Estou te ouvindo – disse Matheus Lukash, enquanto tirava o casaco.

– Semanas antes do acidente, Giuliano me disse algo que me deixou assustado: “Se eu fosse morrer dentro de alguns dias, sentiria minha falta?” – é claro que reformulei a frase para um sentido mais visível para que Matheus pudesse entender. Seus olhos se voltaram contra a parede, singularmente. Um pequeno desconforto, talvez, ou que estivesse com medo. Logo percebi seus lábios abrindo-se como se estivesse prestes a dizer algo, mas que não saía.

– O … Que? E_e_eu – disse ele, gaguejando – Não__Não estou entendo-te!

– É como se ele soubesse exatamente o momento que iria embora – expliquei com frenesi.

– Não – ele pôs suas mãos na cabeça, passando a mão nos fios negros – Como isso? – parecida estar delirando.

– Se acalme! É apenas uma hipótese – suspirei profundo e olhei para o teto.

– Erllon, você tem certeza disto? Já contou aos pais dele?

– Tentei especificar, mas a mãe dele achou que eu estava pirando – fiz um sinal de espiral perto da cabeça, simbolizando “maluco”.

– Ah – suspirou – e o que pretende fazer diante disto?

– Precisamos saber qual foi o último lugar que ele esteve – dei uma pausa na frase para olhar para meus braços, estavam tremendo – antes de dizer aquilo.

– Olha, vai ser muito difícil descobrir isso, pois quem iria lembrar? Foi um dia qualquer – disse Matheus, revirando os olhos.

– Hum, é verdade – fiquei pensativo durante um tempo, até que pensei em algo que pudesse nos ajudar – Eu posso usar uma incógnita para definir o dia. Lembro que ele ganhou um celular novo! – instalei os dedos como forma de sucesso.

– Espere! Está falando daquele dia que nos encontramos com uns amigos? – indagou Lukash se animando com a conversa.

– Exatamente! – retruquei, batendo na mesa – Vamos na casa dele perguntar. Pode ser amanhã?

Então nosso plano seria este, usar uma insígnia para justificar qual foi o dia em que esta frase passou pelos meus ouvidos. Como fazia tempo, talvez seria um pouco complicado para alguém lembrar, mas faríamos um esforço para definir exatamente onde ele estava antes de nos encontrarmos com aquele grupo. Está aí uma esperança... uma expectativa de descobrir o que ocasionou seu falecimento.

– Então você presumi que sua morte não foi justificada exatamente pelo acidente? – por Lukash.

– Essa é a minha especulação.

T OB EC O N T I N U E D

Notas finais
Obrigado por ler =D