No dia seguinte, me ligaram cedinho da editora. Ainda bem que dessa vez eu estava dormindo na minha cama, e mesmo estando em um sono pesado (raridade na minha vida) consegui levantar e atender o celular.

“Você. É. Incrível” – era o revisor da revista, que falou pausadamente e com uma excitação fora do comum.

“Eu?” – a sonolência não facilitou.

“Tem outra Dani nesse número? Lógico que é você, a garota que diga-se de passagem é a colunista e fashionista do ano” – pude ouvir ele batendo palminhas no ar.

“Isso é sério?” – agora acho que acordei.

“E muito! Você fica aí dormindo e perde os acontecimentos, veste logo uma roupa e vá em qualquer banca, tenho mais o que fazer! Ainda te amo, beijos” – e desligou na minha cara. Eu lá tinha outra opção? Também estava faminta, era minha oportunidade de resolver tudo ao mesmo tempo.Tomei um banho rápido, só para despertar de vez, e segui rumo ao meu restaurante preferido. Não posso esquecer de mencionar que sempre visitava a banca de jornal que ficava de frente para aquela cantina italiana maravilhosa, da qual eu já era uma cliente preferencial de longa data. Corri os olhos em cima das principais revistas, não demorei muito até encontrar meu nome exposto em uma fonte rosa de tamanho exagerado e gosto duvidoso, logo abaixo de uma foto minha que ocupava toda a capa. Pelo menos o que li foi agradável.

“Eleita a melhor colunista/fashionista do ano, você ainda vai ficar por fora do estilo dela?” – Hm, bom saber que eu tinha feito algo certo. Pelo pouco que li da matéria, constatei que minha última contribuição para a coluna de moda foi o que me rendeu o posto.

“Novo affair?”- reconheceria aquela voz até no meio da uma multidão (já que passei as últimas horas pensando nela). Era Josh, segurava outra revista na qual eu também aparecia na capa, a foto me mostrava abraçando um rapaz desconhecido (pros outros, pois eu tinha plena consciência de que aquele cara era apenas meu primo). Sorri e balancei a cabeça negativamente.

“Quem me dera ter tantos affairs quanto dizem que tenho”

“Eu ia até comprar a revista, mas agora ficou sem graça” – ele disse enquanto devolvia o objeto para a banca.

“Isso me fez lembrar que preciso comprar seu cd!” – eu falei e expontaneamente abri um sorriso largo no rosto, até mesmo um pouco infantil.

“Eu posso te dar, se você quiser” – Josh falou enquanto passava a mão pelo cabelo, bagunçando ainda mais o que nunca foi penteado.

“Trabalha de graça agora? Claro que não, faço questão de comprar”

“Seria uma troca justa pela coluna que você escreveu sobre mim. Quer dizer, não sobre mim...Er..Você entendeu né?” — automaticamente fiquei meio sem graça. Não esperava que ele soubesse disso, pelo menos não assim tão rápido. Ou não esperava saber disso por meio dele. Enfim, não importava. A questão é que fiquei nervosa, e isso não acontecia com frequência.

“Então você leu?” – falei mais pra mim do que pra ele.

“Não era pra ler?” – ele deu uma risada que me contagiou. Era minha vez de bagunçar o próprio cabelo.

“Não sei, é que... isso é estranho. Você não tá com raiva né?” – mordi os lábios e vi seus olhos acompanhando meu movimento.

“Pareço com raiva?” – Josh frisou a testa.

“ Eu não te conheço tão bem assim ao ponto de conseguir distinguir, conheço?”

“Já deu tempo de me pesquisar no google... E já que esse diálogo está basicamente sendo construído por perguntas, você ia almoçar aqui né?” – ele falou, apontando o restaurante com a cabeça.

“Você tá me seguindo?” – fingi uma expressão séria, passando a mão lentamente pelo queixo, mas não consegui conter o sorriso nem até ele me responder.

“Sabe, eu podia fazer a mesma pergunta” – me olhou desconfiado e eu rolei os olhos.

“Afinal, você quer almoçar ou não?” – meu tom já era de impaciência, tantas perguntas já estavam irritando.

“Vai me deixar te dar o cd?”

“Arghhh Josh! Vou! Pode me dar o que você quiser me dar, mas anda logo que eu não quero mais ver nenhum ponto de interrogação na minha frente” – puxei ele pela manga da camisa, ouvi uma risada baixa e saí o arrastando até a entrada do restaurante, logo sua mão fria segurou a minha e entramos.