Look Around
7 I can't resist the smell of your seduction
Notas iniciais
“Como estou?” – perguntei quando voltei para a sala, puxando a ponta da camiseta, que ficou beirando a metade da minha coxa. Parei de frente para Josh, que estava sentado tentando arrumar seus discos. Ele levantou os olhos, me analisando com destreza.
“Muito melhor!” – falou e ficou meio embaraçado, passou a mão no cabelo — “Quer dizer, você não precisa estar cheia de maquiagem e roupas caras, entende? Ao natural fica bem mais bonita” – concluiu. Foi inevitável sorrir.
“Você mente muito mal! Mas quem disse que eu faço questão dessas coisas?” – fiz uma carinha triste, nem de longe eu me considerava uma pessoa fútil.
“Eu sei que não, assisti seu programa no dia que você insultou a Paris Hilton” – ele riu e eu gargalhei, lembrando claramente do episódio.
“Bom saber! De qualquer forma, desconfio que sua camiseta fica melhor em mim do que eu você” – fiz uma expressão convencida e me sentei ao seu lado.
“Suponho que tenha razão, sou obrigado a concordar” – Josh disse enquanto terminava de empilhar os cds e voltava o rosto para mim, os olhos sorrindo com ternura. O frio piso de cerâmica do apartamento me fez levantar e cruzar as pernas, uma brisa congelante invadiu o espaço nesse mesmo instante. Senti um arrepio e esfreguei meus próprios braços.
“O tempo esfriou” – ele constatou e olhou na direção da janela aberta, as cortinas esvoaçam em uma dança irregular. Fez menção de levantar e ir até lá fechar, mas eu delicadamente o segurei e Josh, apesar de não parecer entender de imediato, obedeceu meu comando. Me aproximei lentamente dele e o abracei, deixando a cabeça encaixada entre seu pescoço e o peito. Ele era quente e tinha o mesmo cheiro de perfume da blusa que eu usava, porém mais forte. Identifiquei uma mistura de sabonete, desodorante e pasta de dente. Seus braços tomaram forma ao meu redor e me senti aconchegada. Levantei um pouco o rosto e minha boca estava na altura do seu queixo, uma barba rala começava a dar sinal de vida ali. Ele me encarou, tinha uma expressão carinhosa e protetora mas engoliu em seco quando nossos olhos se encontraram. Houve um afrouxamento no abraço, respirei fundo e voltei a ter uma posição ereta, o que acabou por nivelar nossas bocas. Fitei a dele, que estava entreaberta, e mordi a minha. Simultaneamente fomos nos aproximamos devagar, estalei um beijo calmo em sua bochecha e deixei meu rosto parado ali. Fechei os olhos e senti seu hálito sabor hortelã muito próximo. Nossos lábios se encontraram sem pressa enquanto minha mão deslizava pelo seu rosto e a dele apertava minha cintura com suavidade. A campainha tocou. Josh se separou de mim com um meio sorriso estampado.
“Eu atendo” – andou na direção da porta.
“Eu pago!” – decretei, levantando e indo atrás dele.
“Não, eu pago” – ele falava sério enquanto pegava as chaves.
“Minha conta com você já tá enorme, por favor me deixa fazer isso” – fiz beicinho, ele riu e acabou errando a fechadura.
“Vamos resolver isso de maneira adulta então”
“Par ou ímpar?”
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