Londres: Uma Primavera
6 Cap. 6 - Para uma bela Flor de Lótus.
Notas iniciais
Enfim. Deve está cheio de erros por que eu perdi minha beta e talz...
Mas espero que se divirtam.
Kanda não sabia exatamente por que estava ali, não sabia se era por ter seguido o conselho do velho, ou será era por pura vontade própria, de confirmar aquilo que Alma tivesse falado, tentar superar o... Medo? Não importava mais, já estava ali, sendo puxado por aquela mão macia e aquele corpo gracioso que subia as escadas. Entrelaçava sua mão a dele, sentindo o calor que ela transpassava, era um tanto confortante. Mas então, se lembrava que aquela mão havia tocado outros, se divertido com outros e quase tinha vontade de largá-la, se não lembrasse também que era por sua culpa que ela fazia isso. Então, agarrava mais firmemente, disposto a concertar o erro que tinha feito, teria aquele moyashi irritante, bobo e bom com todos novamente.
Mas... Flor de Lótus! Por que mudaste de ideia tão rapidamente?
Estou bêbado.
Não é desculpa, Flor de Lótus.
Você viu os olhos dele?
São cinzas, por quê?
São cinza por que estão nublados. De uma dor tão profunda.
Ele não parece sentir dor, ao contrário.
Olhe mais além e você verá. Ele tem esse maldito hábito de esconder seus reais sentimentos. Se essa dor existir eu vou querer saber o porquê.
Eu vejo. A Rosa Negra está chorando... Que cor estranha para se chorar.
Negro?
É. Negro... Você sabe por que ela chora tão escuro?
Eu... Eu realmente não sei.
Era um estranho diálogo que havia ocorrido em sua mente enquanto o vira subir pelas escadas, enquanto ficava sozinho com seu whisky e aquele loiro levemente irritante, que tentava ser amigável. Agora, de alguma forma podia entender o que aquele maldito usagi e Alma haviam falado. Os olhos são as janelas da alma. Uma verdade, que bastava ver para aqueles brilhantes cinza para poder saber de tudo, eles não mentiam e não sorriam falsamente como aquela boca travessa. Tinha aprendido a ler aquelas orbes enquanto o via perdido por causa da morte de seu pai adotivo, suas ações e palavras eram tão anormais quanto as de agora, contudo apenas precisava encarar em seus olhos para poder entender. Ver a imensidão que ele mergulhava lentamente e de como esticava a mão para alguém poder agarrá-la e tirá-lo dali, ver o medo que tinha em se deixar se engolido por aquilo.Era mesma coisa de uma forma mais cruel. Ele era apenas uma rosa, afinal. Mesmo que relutasse um pouco sobre continuar, não podia ignorar aquele pedido mudo, todos pareciam ver somente aquela carcaça de que demonstrava felicidade prazer, ninguém parecia enxergar o que havia através dela. Não há mais ninguém que fará isso. Outra verdade dita por Alma. Era o único que enxergava.
Era o único por quem a Rosa Negra se deixaria salvar.
Só não saberia como começar a trazê-lo, a recuperar aquele doce garoto branco, talvez pedisse ajuda ao velhote ruivo, ele parecia conhecer muito bem o moyashi. Mas, por hora não se interessava nisso, iria apenas seguir o albino. Iria segui-lo por que iria colocar a prova, olhar mais um pouco daqueles olhos cinzas só para ver se tinha certeza, para não pensar que era uma esperança. Esperança? É, por que se fosse dor e sofrimento que ele havia se tornado assim quem sabe os dois poderiam se curar juntos e ficar juntos de uma vez. Por que até mesmo alguém como Yuu Kanda se via levemente cansado daquilo. Vou salvá-lo. Se ele realmente merecer ser salvo.
Agora, atravessavam o segundo andar, que era levemente parecido com o térreo, a diferença é que onde estaria as mesas estavam pequenas cabides, em frente delas placas com o nome “Ocupado” e ao fundo uma espécie de varanda com vista para a pista de dança, mas ao lado tinha o balcão. Na quarta cabine, o britânico lhe puxou para dentro, jogando seu corpo sobre uma espécie de sofá que rodeava o fundo da cabine e ao contrario que parecia ela era mais espaçosa que pensava. No meio dela uma surpresa, um mastro de metal, fixado até uma mesinha redonda, podia escutar a música da pista, o suficiente alta para ninguém ao lado escutar os barulhos do recinto em que se encontravam e baixa ao ponto que não precisava gritar para ser ouvido. Allen subiu na mesinha se apoiando no mastro:
- Meu doce cliente quer uma diversão antes? Eu posso me aproveitar muito bem desse mastro... – Kanda se impressionou, ele sabia fazer pole dance? Desde que século? Se acomodou no sofá e sorriu.
- Me mostre o que você tem... – Me mostre o que você se tornou. O albino sorriu. Outra música tocava.
Be a little inappropriate
Ser um pouco inadequado
'Cause I know that everybody's thinking it
Porque eu sei que todos estão pensando isso
When the lights out...
Quando as luzes se apagam...
Shame on me
Vergonha em mim
To need release
Que precisa ser liberada
Uncontrollably
Incontrolavelmente
O britânico pulou sobre o outro, colando seus lábios no dele, juntando apressadamente as línguas, enquanto as mãos trabalhavam em retirar a jaqueta, jogando para um canto, depois suspendia a camisa preta de algodão apressadamente. Desgrudando os lábios por alguns segundos, as mãos do moreno seguravam firmemente a cintura do outro, tratando de manter perto, ou extremamente colados, os corpos. O menor voltou a uni-los, enquanto suas mãos trabalhavam em retirar a calça do maior, quando sentiu o zíper e os botões abertos, se levantou e puxou a calça agressivamente, tanto que Kanda deslizou um pouco para baixo no sofá. Novamente sorriu malicioso, enquanto subia na mesinha.
I wanna go all the way
Eu quero ir de qualquer jeito
Taking out my freak tonight
Libertar minha loucura hoje a noite
Por um segundo, o moreno não entendeu o motivo daquilo, mas depois ao vê-lo girar no mastro, sabia que aquela diversão prometida iria começar. Allen deu duas voltas se segurando no mastro, depois o subiu e desceu em espiral, como se fosse apenas um aquecimento, bom era. Voltou a rodar e parou de costas para o japonês, requebrando o quadril, movimentando seu bumbum de lado para o outro, ergueu as mãos até onde conseguiu no mastro, virou o rosto de perfil e fez uma cara parecida de um orgasmo. O maior se arrepiou um pouco. O albino prosseguiu, girando novamente, ficando de frente começando a deslizar no objeto de metal, para cima e para baixo, acompanhando o ritmo da música.
I wanna show all the dirt
Eu quero mostrar toda a sujeira
I got running through my mind, woah!
Que eu tenho correndo em minha mente, woah!
Então parou, Allen puxou a camisa para fora, primeiramente se desfazendo do laço vermelho em seu pescoço, depois começando lentamente a abrir os botões da peça branca, quando o terminou retirou e a deixou cair ao seu lado. Pegou a sua própria mão deslizou por seu peitoral, suavemente, lentamente até adentrar sua calça, no qual apertou por cima da cueca seu membro, soltando um gemido baixo. Kanda quase pulou de excitação, sentindo seu membro semi-despertar em sua cueca boxe negra. Num movimento rápido, a mão que antes dentro da calça, foi para o mastro de metal, o albino subiu novamente deslizando, somente com uma perna ao redor do objeto de metal. E mais uma vez parou de costas, voltando a mexer os quadris para um lado e outro, depois ficando de perfil, segurando com as duas mãos o mastro, colocando ele entre suas pernas, movendo os quadris para frente e para trás, em direção ao mastro.
Segundos depois, puxou o corpo para frente, deixando o mastro bem a sua frente, começando a tirar os sapatos com os próprios pés, ficando somente de meia, abrindo o botão e deslizando o zíper de sua calça. Logo estava somente de cueca, rodou mais uma vez o mastro e num movimento rápido, sentou-se sobre a mesinha, que ficava da mesma altura que o sofá, colocou o dedo indicador direito na boca e abrindo as pernas, colocando a outra mão entre elas. Moveu os ombros para cima e para baixo, fazendo um movimento sexual, então se encostou na barra de metal atrás de si e guiou uma das mãos até sua cueca, começando a acariciar o seu próprio membro. E aquilo foi o estopim para Kanda, pois sentiu seu próprio membro se despertar enquanto o albino se masturbava, agora explicitamente. Levantou-se do sofá, colocou um dos joelhos entre as pernas do outro, que havia fechado os olhos, enquanto se masturbava, aproximou seu lábio da orelha dele:
- Eu cuido daqui em diante... – tocou o membro do menor, segurando por cima da mão dele, que ao sentir que o japonês iria terminar o serviço, retirou a sua.
Logo já estava gemendo como um louco, enquanto sentia seus mamilos sendo sugados com tamanha vontade que chegava a doer um pouco, mas uma dor que logo se convertia em prazer. A boca do maior, rápida, já estava descendo a caminho do seu membro pulsante, só esperava agüentar até lá, pois aquela mão forte lhe tocava de tal forma que não sabia se seguraria. Mas os lábios foram mais rápidos, chegaram ao seu membro lhe tomando por inteiro, envolvendo-lhe com a língua, moldando em seu sexo, sugando cada vez mais rápido e de forma precisa, enquanto as mãos brincavam com seus testículos. Gemeu alto, quando os sentiu engolidos por inteiro, um de cada vez. Então, a boca voltou para seu membro, sugando com mais vontade, lambendo e beijando a glande, mais uma vez tomado daquela forma que só aquele maldito japonês sabia fazer:
- V-vou g-gozar... Ah! G-gozar! – foi a ultima coisa que disse antes de se desfazer por inteiro dentro da boca de Kanda, que engoliu com prazer cada gota, o solvendo até quando pode.
O moreno se levantou, apoiando-se na mesinha abaixo de si, beijando Allen docemente, sentindo seu pescoço se envolvido por aqueles braços finos, as mãos enterrarem-se em seus cabelos escuros, para depois puxar a presilha, os soltando. Então sentiu as coxas macias enlaçar sua cintura, deixou ser levado pelo albino, que exerceu uma força sobre-humana em si e virou os corpos, fazendo-o sentar na mesinha e ficar sobre ele. O beijo foi cortado pelo menor que ficou de joelhos sobre a mesinha encarando fixamente o japonês a sua frente, encostado no mastro de metal e suspirando pesadamente:
- Por que...? – Kanda perguntou, era a hora de tirar tudo isso a prova; surpreendido pela curiosidade súbita, os olhos cinzas ficaram um pouco confusos.
- Por que o quê? – o moreno se aproximou, afastando fios de cabelos brancos da orelha do outro, falando em um sussurro.
- Por que está aqui? – depois de perguntar, sentiu o medo da resposta. O menor desaproximou os rostos e ficou encarando os olhos negros.
Oh, estou vendo, Flor de Lótus! Estou vendo!
Vê?
Sim, vejo! Estão desmourando! Cada máscara está caindo!
E?
Tristeza... Quanta dor, Flor de Lótus. Essas máscaras são somente bonecos.
Exato. Bonecos para tentar se esquecer da dor. Estes olhos nunca mentem.
Pergunto-me de onde vem tanta dor.
- Por que é divertido está aqui... Por que gosto do que seus olhos passam quando estamos aqui... Mas... – uma pausa e o britânico voltou aproximar os rostos – Tem algo mais urgente para perguntas idiotas... – a mão brincalhona do albino tocou a ereção do outro ainda por cima da cueca.
Em pouco tempo e sem explicação exata, Kanda já estava sem a cueca, sentindo o menor começar a penetração rapidamente, em poucos segundos já estava totalmente dentro. Em menos segundos ainda, os movimentos começaram, Allen usava o mastro para subir e descer com precisão, sendo ajudado pelas mãos do moreno em sua cintura, fazendo que fosse cada vez mais fundo. Sentiu ficar ereto novamente quando o membro dentro si lhe atingiu aquele ponto especial, não conseguiu conter o gemido e uma contração forte, que levou o outro a gemer baixinho também. Aumentando os movimentos, tocando cada vez naquele lugar, a música lá fora diminuía, sendo preenchida pelos gemidos, altos e baixos, talvez para ouvidos normais não poderia ser escutados, mas o britânico ouvia alto e claro. De repente sentiu ser tocado, uma mão tocou em seu sexo livre movimentando-se para cima e para baixo, deixando tudo mais intenso, tanto que aumentou pela última vez os movimentos. Chegando ao ápice segundos depois, derramando-se totalmente na mão do japonês, ouvindo o gemido baixo em sua orelha e se sentindo preenchido.
A sensação pós-orgasmo os dominou, tratando de relaxar os músculos, o albino se levantou e sentou na espécie de sofá atrás de si, sorrindo sarcasticamente, não sabia o porquê sorria, só sentia aquela vontade de colocar o sorriso mais cínico que pudesse fazer. Olhou para o companheiro, o olhar dele estava para baixo, seu peito subia e descia rapidamente, tentando recuperar o fôlego a pouco perdido. Então, os olhos negros se levantaram, se mostraram e encaram o cinza, sem realmente reconhecê-lo. Não era o Allen, não era o albino que tinha conhecido na biblioteca, aquele moyashi irritante de sorriso bobo, não era o homem pelo qual tinha se apaixonado. Tal constatação o fez ver que o que estava a sua frente era uma marionete louca, um brinquedo do real moyashi, que estivesse usando para se proteger, para parar de enfrentar o mundo real que lhe machucava.
Terá que se acostumar com este jardim.
Torná-lo mais amável.
Viver com os espinhos.
Até que eles não machucassem mais, não acha Flor de Lótus?
Sim.
Kanda se levantou e beijou o outro, de uma forma doce e terna, tentando mostrar que compartilhava da dor que ele passava, que não havia problemas em se esconder um pouco, mas que estava ali. Estava ali para tentar tirá-lo e mesmo que não fosse mais seu... Mas que virasse o belo jardim de flores que era. De alguma forma o albino entendeu, por isso puxou o outro mais para perto, trazendo para deitar no sofá, por cima de si, enlaçando a cintura dele para que os sexos se tocassem mais uma vez.
Eu não sou lindo assim?
Como um belo Jardim de Rosas Negras?
Sim, eu sou belo e amável assim.
Com o toque dos membros, o albino gemeu baixo, levando uma das mãos para aquela região começando a excitá-la novamente, tocando de uma maneira especial, juntando os dois membros. O que queria era apenas uma transa, algum contato físico para marcar o japonês, não queria ser salvo, não queria ajuda dele, já recebera demais por sua parte, agora queria dar, queria marcar. Então continuou masturbando-se e fazendo a mesma coisa com o outro, com os dois sexos já duros de prazer, mas ainda se beijando, ouvindo entre os beijos gemidos que provavam que o outro já começar a se entorpecer pelo prazer do momento. Kanda havia entendido algo: Não seria fácil. Os movimentos com a mão do pequeno eram ágeis e incrivelmente prazerosos, mas precisavam de um pouco mais, involuntariamente o corpo do japonês começou a se mover para frente e para trás, ajustando nos movimentos do pequeno. Que começou a gemer incontrolavelmente, aumentando a rapidez de sua mão, tentando fazer com que aquele ápice chegasse rapidamente. E aconteceu, o garoto de cabelos longos caiu gentilmente sobre o outro, ouvindo a respiração forte dele bater em sua orelha.
Quero ferir.
Mais que os outros.
Ora, por que, Rosa Negra? Você parece---
Eles me fizeram chorar, vou fazê-los sangrar. Não vou mais ser bobo.
Mas... Mas...
Apenas se cale, Mãe Natureza e assista. A bela destruição.
Pergunto-me também, quem vai se destruir.
- Quer continuar na minha casa? – o maior se levantou um pouco o corpo encarando aquele cinza.
- Quero... – nada a perder. Talvez, tudo a ganhar.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Kanda acordou sentindo um cheiro bem forte de delícias açucaradas, seria insuportável, senão adorasse aquele perfume, por isso afundou mais seu nariz no que pareceu ser um macio travesseiro, porém abriu os olhos e percebeu que era apenas fios brancos. O cabelo do moyashi. Lentamente abaixou os olhos e tentou ver a posição que se encontrava sem se mexer muito, notou que o albino estava de costas para si, enquanto abraçava as costas dele, com leveza retirou os braços por cima dele, procurou sua cueca e camisa, e se vestiu saindo do quarto. Ficou feliz em fazer tudo isso sem acordar o menor, mas também com a noite que tivera nem um incêndio o acordaria. Andou em direção a cozinha avaliando o apartamento, na noite anterior entrou tão rápido que nem notou nada do recinto, percebeu que ao contrario da casa de Nova York não havia notas, ou qualquer coisa do gênero pelo recinto.
Havia uma porta do lado direito do quarto do moyashi e duas a esquerda, descia um minúsculo degrau e chegava na sala, que possuía três sofás, um grande e duas poltronas, uma TV na frente e uma mesinha de centro. Ao fundo a cozinha, com um balcão dividindo da sala, abriu a geladeira em busca de algo para se alimentar, sentia uma incomoda dor de cabeça causada pela bebida de ontem, mas tinha certeza que um café a rebateria. Procurou os materiais para fazer a bebida, descobrindo que a forma de armazenamento daquela cozinha era idêntica a de Nova York, então começou a passar o café sem muito problema. Colocou a bebida na garrafa, logo após numa xícara um pouco grande e começou a tomar, foi nesse instante que a porta de entrada se abriu:
- Allen? – um ruivo com somente uma orbe verde entrou sentindo o cheiro de café, esperando ver um albino acordado, encontrou um moreno com um olhar intrigado.
- Ele está dormindo... – Lavi colocou a pequena sacola sobre o balcão e jornal de hoje, encarando o ocupante da cozinha.
- O que é que você faz aqui? – perguntou incrédulo e um tanto irritado.
- Huh, não te interessa – o moreno pegou o jornal e abriu para lê-lo, tomando mais um gole de seu café.
- Sim! – o ruivo puxou o jornal da mão do outro com força, atraindo sua atenção – Me interessa e muito! Que porra é que você faz aqui? – enquanto o caolho só se irritava mais, o japonês tomava outro gole, “completamente” tranqüilo.
- Se quer tanto saber, eu e o moyashi fomos apenas nós divertir... – o tom zombeteiro de Kanda era o que mais irritava, como se fosse rei do lugar.
- Diverti?! Ah, entendo... Está tão desesperado que contratou o Allen... Não consegue se contentar só com aquela vadiazinha... – finalmente Lavi abaixou seu tom, mas a provocação não.
- Cala a boca, seu usagi de merda...
- Eu esperava mais do japonês mal-humorado... Que agüentasse mais algum tempo longe daquele albino... Mas é obvio que não... – o ruivo ignorava os pedidos, ou o olhar de ameaça sobre si.
- Cala a boca...
- O sexo deve ser muito bom para você voltar e pagá-lo... O que é?! A vadia não sabe fazer direito?! Ou simplesmente não consegue largar? – a voz cínica e debochada era os pontos forte, que fazia a paciência do outro acabar.
- EU JÁ MANDEI VOCÊ CALAR A PORRA DA SUA BOCA! – gritou em plenos pulmões batendo com força no balcão.
- VEM AQUI CALAR SEU JAPONÊS MALDITO! SÓ ESTÁ AQUI DEGRADANDO MAIS A VIDA DO ALLEN! A TORNANDO UM INFERNO MAIOR QUE JÁ É! MACHUCANDO MAIS DO QUE...
- AGORA QUEM MANDA CALAR A BOCA SOU EU! QUE PORRA! EU NÃO POSSO MAIS DORMIR NA MINHA PROPRIA CASA SEM TER UM BANDO DE LOUCOS GRITANDO NA MINHA COZINHA! – Allen aparece como um fantasma na sala, com um olhar extremamente irritado e somente de cueca. Direcionou o olhar para o moreno – Kanda, se quiser tomar um banho vá logo e depois caía fora da minha casa... – então se desviou para o ruivo, adicionando um pouco mais de raiva – E Lavi... Acho bom ficar quietinho sentado nesse sofá... – e o albino voltou para o quarto.
Kanda rapidamente foi para o quarto também, um pouco assustado por aquela reação, acordá-lo depois de uma longa noite aos berros não era a melhor coisa a se fazer, mas o maldito usagi lhe tirou do sério. Abriu a porta e o encontrou deitado na cama, ele parecia tentar pegar no sono novamente, calmamente recolheu suas roupas e foi até o banheiro do quarto tomando cuidado para não fazer barulhos altos. Depois da ducha, vestiu-se completamente e saiu, vendo que ele tinha mudado de posição e abraçava um travesseiro e estava de costas para a porta, parecia dormir tranquilamente, via os lençóis subir e desce na sua barriga. Passo a passo caminhou até a cama, apoiou-se no espelho da cama e sussurrou no ouvido:
- Desculpa... – beijou suavemente a cabeleira e sentiu ele se remexer, o mais silencioso e rápido que pode saiu dali.
Atravessou a sala e encontrou o ruivo extremamente irritado, mas calado no sofá procurando um canal para assistir, não deu muita atenção saindo do recinto. Logo já estava no terraço do prédio, que ficava em frente a universidade, felizmente o que precisava fazer era atravessar a rua e estaria no seu dormitório, onde poderia relaxar um pouco. Mas seus planos foram bruscamente interrompidos por uma voz:
- O que você achou? – Cross Marian se encontrava encostado nas barras de ferros que seria o muro – Digo do pirralho irritante... O que você ver? – depois colocou o cigarro na boca, puxando uma longa tragada.
- Não é ele... É um boneco... – falou baixo ainda olhando para o ruivo ao seu lado.
É só uma ilusão.
Não é o verdadeiro Jardim.
- Ok, venha comigo... – o mais velho começou a andar em direção ao leste – Você quer ajudá-lo? Siga-me... – o moreno não teve outra opção a não ser segui-lo.
Caminharam por algum tempo, dobraram quadras e logo estavam num café, entraram escolheram a mesa um pouco mais distante, uma garçonete veio lhe atender com um sorriso gentil:
- O que desejam, senhores? – a voz era de atendente de telefone.
- Um café bem forte junto com rosquinhas sem cobertura e... – olhou para o mais novo.
- Um café sem açúcar... Forte também... – a garçonete anotou os pedidos e saiu em direção ao balcão. O ruivo apenas apertou os olhos enquanto o moreno olhava pela janela do restaurante, lembrava da noite anterior, tentando novamente digerir o que tinha presenciado.
- É como você falou... É só um boneco... Usado pelo verdadeiro pirralho, estaria tudo bem se isso não fosse somente um processo de autodestruição – os olhos negros voltaram a se focar no homem a frente. Sua postura era séria e seu olhar parecia ler sua alma, quem olhava diria que era um homem responsável.
- Autodestruição? Falar que ele é um boneco é apenas uma metáfora, do jeito que você fala ele realmente parece um robô, ou um boneco, que seja... Programado para se destruir – mesmo que o comentário fosse um tanto irônico, sua voz soou normal, levemente cansada.
- Heh... – um sorriso cínico se fez nos lábios de Marian – Mas é assim que acontece... – colocou as mãos sobre a mesa e se aproximou do mais novo – No fim, só restara pedaços, fragmentos do pirralho de sempre... Depois de tantas mudanças, de tanto quebrar e se reconstruir... Uma hora ele não conseguirá voltar... – a garçonete voltou com seus devidos pedidos, o ruivo voltou a se reconstar na cadeira.
- Aqui estão os pedidos, desejam mais alguma coisa, senhores? – a garçonete sorriu mais uma vez, direcionado o olhar para Kanda.
- Não... – a garota, então saiu dirigindo-se á outra mesa que acabara de ocupar do um homem vestido de terno e gravata.
- Quantas vezes... Isso ocorreu? – a voz do moreno saiu baixa, pensando no que seu pequeno havia passado, apertou mais a xícara em suas mãos somente de pensar.
- Os pais dele o abandonaram por causa do cabelo branco... Foi uma estranha doença que o atacou e como era desconhecida e parecia sem ter um cura real, eles resolveram entregar o filho para adoção... O pirralho deixou de ser um garoto gentil e amável para ser um garoto mal humorado e respondão — “algo parecido com você” Foi que o mais velho pensou ao tomar um gole de seu café – O Mana o encontrou enquanto fugia do orfanato, o adotou e o curou... Então, dessa vez foi por Mana, ele amava, quer dizer, ele ama Mana e faria tudo por ele, como fez, deixou de ser um garoto mal-humorado e respondão para ser o garoto que Mana sempre desejou, só que isso acabou destruindo um pouco da essência dele... Da segunda vez, ele ficou desacreditado com a humanidade, digamos assim, ele era bem inocente e se entregava aos relacionamentos até por que se via sozinho, queria alguém ao seu lado como Mana e... Não tinha ninguém – uma pausa. Tinha prometido, tinha prometido! Como você fez algo assim? – Então, ele cansou, cansou de procurar esse amor por achar que não era real e resolveu usar os outros como forma de vingança por tê-lo feito acreditar em uma ilusão... Mas o caolho lhe ensinou que há diferentes tipos de amor, o problema foi ter se apaixonado por ele... – o mais velho tomou mais um gole do seu café, enquanto o outro apenas ficou encarar sua xícara.
O moyashi não gostava muito de contar sobre seu passado, toda vez que mexia no assunto ele se esquivava e sorria daquele jeito inocente, Kanda preferia por esperar ele contar, mas nunca recebeu uma resposta concreta sobre ele, somente pedaços, partes de sua verdadeira história. Ele também não perguntava sobre o seu próprio passado, parecia que se perguntasse de alguma forma chegaria ao dele. Então, receber ele assim, de uma forma tão súbita, de certa forma fora um choque, para o moreno além de ser órfão, não tinha nada de tão sombrio para mostrar. No orfanato encontrou Alma, que de alguma forma que não sabe explicar, virou seu melhor amigo, saiu do orfanato, começou a caminhar com suas próprias pernas e estava fazendo faculdade. Era assim, sua história morria ali. Mas ele... Tinha todos os motivos para ser o que era, mas de algum jeito preferiu ser amável e gentil, até aquele dia. Olhou para o ruivo, encarando seus olhos negros tão quanto seus próprios:
- Por que... Por que isso aconteceu agora? – não entendia, na verdade só queria confiar algo que já estava em sua mente, só para ter certeza, preferiria ouvir dos outros, pois não conseguia fazer isso da fonte. O mais velho suspirou, tinha assistido –mais uma vez – o que seu querido pupilo estava fazendo, então saberia dizer perfeitamente.
- Bom... E agora, bom agora... Ele voltou a desacreditar no amor, por que o caolho lhe enganou, não bem lhe enganou, pois ele só se apaixonou por um cara não confiável quando se fala em namorar, ele é paquerador, mesmo que seu coração permaneça fiel, às vezes seu corpo não, apesar de nunca tê-lo visto trair aquele idiota... – levou mais um gole de café a boca, olhando para o moreno duramente, as próximas palavras seriam cruciais – E você... – o mais novo baixou a cabeça – Creio que não foi por que quis, mas você o enganou, estava ao lado daquela garota invés de está ao lado dele... Mentiu sobre ela e mesmo que tenha terminado todas as relações com ela foi só palavras... Você se viu indeciso, nem que tenha sido por alguns instantes, você realmente cogitou na possibilidade de está com ela invés dele... E ele assistiu tudo, por que Kanda... – com o nome chamado o japonês levantou os olhos – Ele te viu como amigo antes de te ver como amante, ele estava confiando em você como alguém que não o deixaria... E você o deixou.
Por que você fez isso, Flor de Lótus?
Kanda não saberia dizer um por que, algum motivo disso ter acontecido, simplesmente as coisas saíram do seu controle, deixou ser arrastado por Sophia, por não saber o que fazer para arrumar as coisas, além do fato de não saber como tudo tinha chegado ali. Na verdade sabia, era os inúmeros contatos que havia ocorrido com Sophia, os pequenos selinhos, as mãos dadas... “Ele assistiu tudo”, sentiu o próprio coração despedaçar ao somente pensar o que ele tinha visto. E agora, culpava a si próprio por acabar com um jardim que já fora tão destruído e reconstruído, mas que no fim tinha se arrumado da forma mais bela em algo irreconhecível. Em ter colocado inúmeros espinhos, criado uma cruel floresta, para esconder as rosas puras, se é que elas ainda existem:
- Pare de se martirizar e faça algo por ele... – Marian podia ler a mente do japonês, era fácil, o amor torna as pessoas previsíveis, via a força que ele aplicava a xícara que estava entre suas mãos, tinha medo que se partisse a qualquer hora.
- Por que está ajudando? – a pergunta feita pela frase dita impressionou o mais velho, que olhou para fora através da janela do restaurante.
- Ele é um resultado de uma promessa... – sem dizer mais nada, o moreno entendeu, sabia dizer que era uma promessa de Mana. O silêncio caiu sobre eles, mas como se acordasse de algo Cross recomeçou a falar – Sua melhor chance é fazer a mesma coisa que o caolho, pois de forma alguma ele vai deixar você se aproximar... – Kanda ficou sem entender, arqueando a sobrancelha como prova de sua confusão.
- Huh?! – um certo sorriso malicioso se fez na boca do ruivo.
- Se torne o brinquedo favorito dele e tome seu coração de volta...
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Allen caminhava tranquilamente sobre as escadas em direção ao seu apartamento, depois da faculdade tomaria um banho e iria para o Noah’s Bar, se divertiria e voltaria para casa com aquele sorriso malicioso, dormindo em sua bela cama de casal. Como amanhã pela manhã não teria aula faria todos os exercícios passados durante esta tarde, não gostava de se vangloriar, mas sempre tirava ótimas notas, tanto que o professor estava lhe ajudando para conseguir um emprego num hospital famoso de Londres. Além do fato de ele lhe dever alguns favores pelos serviços especiais prestados, afinal ele era um lindo loiros dos olhos de mel.
Colocou a chave na fechadura e a rodou, abrindo a porta e vendo uma surpresa. Um ruivo com um cigarro de cheiro caro na boca e óculos retangulares estava sentado em dos sofás de frente a porta, suas pernas cruzadas e as mãos entrelaçadas apoiadas no seu próprio colo diriam que estava esperando pelo albino. Marian tinha chave do apartamento, pois era a cópia que Mana lhe dará para sempre checar o pequeno, que vez ou outra tentava pegar a chave de volta. Mas nunca conseguia. Colocou a bolsa sobre o sofá e encostou os quadris nele, nem percebeu que havia outra bolsa ao lado, cruzou os braços numa expressão irritada:
- O que faz aqui? Achei que tínhamos encerrado nossa conversa no parque – o ruivo retirou o cigarro da boca para soprar a fumaça, o britânico odiava aquele cheiro.
- Conversar... O que mais você acha que viria fazer aqui?! Sabe que odeio esse apartamento – a voz saiu no seu tom normal, voltando colocar o cigarro na boca, vendo que o mais novo caminhava em direção ao seu quarto.
- Então, fale rápido eu tenho compromisso... – abriu a porta do quarto outra surpresa. Um moreno estava deitado em sua bela cama abraçado em um dos seus travesseiros. Com a parada na fala, o mais velho sorriu de canto, num sorriso quase diabólico. Voltou fechar a porta e caminhou para a frente do “querido” tutor – Que porra é aquela?! – sabia que tinha sido obra dele, era obvio, só não entendia o porquê.
- O motivo da minha conversa... Um presentinho – Cross agiu normalmente, nem se importando com o olhar fulminante de seu “amado” pupilo.
- Não é meu aniversário, nem qualquer outra data que exija presente, então eu não quero – Allen voltou a cruzar os braços – Tire ele de lá – mais que um pedido, uma ordem, não queria que seu tutor idiota se metesse nos seus assuntos.
- Mas não precisa ser seu aniversário, ou qualquer outra data para lhe dar um presente... Afinal, eu sei que você quer também... – o ruivo apoiou uma das mãos na lateral do sofá, enquanto a outra usava para tirar e colocar o cigarro na boca.
- Você é surdo? Eu já disse! Não quero! – os olhos escuros do mais velho se apertaram ao olhar diretamente para os cinzas, que vacilaram por alguns instantes antes de voltarem a serem confiantes. O silêncio se instalou por segundos, eternos, até o ruivo retornar com sua expressão normal.
- Pois deveria querer... Seria um ótimo item para sua coleção pessoal... – Marian sabia que o pequeno costumava eleger brinquedos para si, os topos seriam os seus favoritos, especiais de alguma forma e queria transformar o japonês no primeiro.
Flashback on!
- Se torne o brinquedo favorito dele e tome seu coração de volta... – após da frase Kanda apenas ficou estático, refletindo sobre as palavras do mais velho. Percebendo o silêncio Cross continuou – Aquele pirralho costuma ter brinquedinhos enquanto está naquela fase... Se você se tornar o favorito dele, o número um, você tem uma chance... Por que terá livre acesso com ele, tocá-lo, conversar... Se quiser, apareça no final da tarde em frente a casa dele. A decisão é sua – depois disso o ruivo se levantou, pegando outra rosquinha e saiu pela porta do restaurante deixando o moreno só com seus pensamentos. E a conta.
Incrivelmente o dia correu mais rápido que o normal, talvez por que precisasse dar uma resposta ao final dele. Precisava do albino, podia de inicio ter agido mal, recolhendo-se e o culpando, mas precisava e vê-lo naquela situação não agradava em nada ao seu ser, piorava porque sabia que a culpa era sua. Ele tinha vindo a si, mas encontrava Sophia no meio e pensava que estaria apenas brincando com seus sentimentos, então decidiu fazer o mesmo com outras pessoas. O japonês tinha que admitir sua culpa, afinal deixou Sophia livre, para fazer o que quiser consigo, dando a entender que estava indeciso. Mas decididamente, não estava mais.
Ao fim da tarde, rumou para frente do apartamento do moyashi, nem guardou suas coisas no dormitório, tinha uma ansiedade e nervosismo instalado em si para fazer tal ato. Transforma-se em um brinquedo soava cruel, doloroso, mas era a única forma que tinha para se aproximar sem o recuo do outro, era preciso como uma punição. Ao chegar lá, encontrou o velhote já lá esperando:
- Apenas me seguia... – os dois subiram para o apartamento, ao chegar lá o ruivo deu as instruções – Vá para o quarto dele, fique por lá até ele aparecer... Provavelmente quando te ver vai fechar a porta na sua cara... Eu converso com ele... – Kanda obedeceu.
Sentou-se na cama de casal, sentindo a maciez dos lençóis, questões de horas atrás estava deitada nela com o albino em seus braços, olhou o travesseiro tão branco quanto seus cabelos. Deitou-se e sentiu o cheiro agradável de delícias açucaradas, doces de todos os sabores, mas principalmente morango. Estava cansado, não dormira bem, pois fazia atividades melhores e tivera um dia exaustivo, em pouco tempo já estava dormindo abraçado á aqueles travesseiros.
Cross contava que o mais novo dormisse, por isso trouxe certos itens no sobretudo que após perceber que o outro cochilava, colocou nele. É, o seu pupilo tinha até um bom gosto.
Flashback off!
- Não precisa, eu tenho alguns muito mais adoráveis que um japonês problemático e mal-humorado – Allen falou se sentando no sofá de frente para TV, fechando os olhos e massageando as têmporas, aquela conversa estava lhe dando dor de cabeça.
- Mas tem algo que o torna mais especial que os outros... – o albino abriu os olhos e encarou descrente seu tutor, que respondeu antes que a pergunta viesse – Ele está apaixonado – um sorriso se fez na boca do mais novo, cínico e irônico.
- Apaixonado? Ele só quer alguém para ter uma boa transa, isso sim... – era obvio que na mente do britânico tal frase não se encaixasse, afinal ele não teria feito o que fez se estivesse realmente apaixonado.
- Bom, se você diz é mais um motivo... – um sorriso de canto se fez na boca do mais novo, totalmente malicioso e um tanto confiante.
- Mais um motivo? Explique-se. – o albino cruzou os braços fuzilando com os olhos o tutor, que apenas aumentou seu sorriso, sabendo que tinha capturado a atenção de seu pupilo.
- É, por que se ele só quer sexo, que tal usá-lo como um brinquedo perfeito? Ele não iria se recusar a fazer as coisas que você quer fazer, além de ser uma ótima forma de vingança, o fazendo prova de seu próprio remédio – o menor descruzou os braços e sorriu diabólico. Aquele maldito assistiu tudo de camarote, de novo, mas é verdade que ele tem razão.
- Hun, isso é um bom motivo... Eu vou fazê-lo perceber que não se brinca com este Walker... Se for assim, vou aceitar o presente... Até que você tem um presente legal para um tutor tão irresponsável. – o futuro médico se virou caminhando para seu quarto, o outro apenas assistiu.
- Me agradeça depois... – o mais velho se levantou, ao pensar pelo menor sorriu cansado – Divirta-se... – foi a ultima coisa que disse. “Mana, o que você não me obriga a fazer.”
Após a saída do tutor, Allen abriu a porta de seu quarto, encontrando o moreno deitado da mesma forma de quando fechou a porta, tinha que admitir ele assim era adorável. Sentou-se na beirada na cama para admirá-lo, as feições tranquilas nada lembrava o pavio curto que era, agora com a proximidade notava que seus cabelos estava soltos e esparramados sobre o travesseiro, o contraste de cores era incrível. Outra coisa que notara, ele estava com orelhinhas de gato, sorriu de canto ao ver tais peças amarronzadas em sua cabeça, com certeza quando ele acordasse as tiraria imediatamente. Afastou uma mecha de cabelo que ficava sobre o seu pescoço e notou uma espécie de coleira no lugar, na verdade, era uma coleira para animais domésticos, sorriu um pouco alto. Tinha ganhado um Neko como presente, só que isso o fez se lembrar de uma pequena discussão pela manhã.
Flashback on!
- Para que você o trouxe aqui? – Lavi pronunciou sentado no sofá em frente a televisão, passando pela grade de canais sem realmente assistir.
- Ele estava no bar... Foi tentador, eu não tive como resistir – Allen pronunciou com uma xícara na mão, sentando-se ao lado do ruivo que olhou torto – Não pense besteiras, não estou recaindo, seu idiota... Eu digo que foi tentador, pois eu quero esmagá-lo – tomou um gole de seu café, tomando o controle da mão do outro, passando a procurar algo interessante para assistir.
- Esmagá-lo?! – o ruivo pronunciou com uma sobrancelha arqueada.
- Sim... Ele parecia tão perdido no bar e era claro que tinha vindo lá por mim, pois estava necessitado... A cara que ele fazia de desespero foi tentador, ele tinha se arrastado, se obrigado a ir até lá só para me ver... Me ter, eu poderia recusar, só que é mais divertido dá uma última dose, fazer ele se humilhar diante dos meus olhos do que apenas deixá-lo lá... – um canal de música foi o qual o britânico parou, aumentando um pouco o volume, era uma nova cantora britânica que nascia, que voz linda.
- Mas assim você só não dar o que ele quer? – o caolho passou admirar o aparelho eletrônico, mas sem realmente prestar atenção.
- Não, por que dou o que EU quero... Nada é do jeito dele e ver sua carinha de pedir por mais, a forma como ele está subjugado ao meu corpo, é mais gratificante... Pois dominá-lo e fazer dele de gato e sapato é muito mais recompensador... – a garota cantava bem, apesar de não ter um corpo escultural sua voz era mais perfeita, porém triste de alguma forma.
- Que seja... – Lavi suspirou no sofá, passando agora á assistir o canal, ouvindo uma risada ao seu lado.
- Você tinha que ver, Lavi... O rosto que ele fez ontem, todas as vezes que—
- Ah, eu não vou querer saber! – o ruivo gritou levantando-se do sofá, indo para o balcão, estava ficando tarde e precisava trabalhar.
- Tudo bem... – Allen ficou de joelhos sobre o sofá, tomando mais um gole admirando seu amigo – Neh, Lavi~ Quando você vai fazer coisas pervertidas comigo? – declarou numa inocência perdida, maliciosa que chegava até ser irônico.
- Vou trabalhar, até mais... – foi só o que declarou, indo até a porta, abrindo e passando pelo portal.
- Você é tão cruel, Lavi! – um suspiro ao fechar a porta. “Você que é, Allen.”
Flashback off!
Ao se lembrar soltou uma gargalhada sarcástica, tinha a leve impressão que seria bem repreendido, ou no mínimo questionado por sua ação de agora. Pura vingança. Sua risada fez com que Kanda acordasse, ouvindo aquela doce gargalhada, levantou-se e apoiou o corpo sobre um dos seus braços, enquanto o outro coçava levemente os olhos. Percebeu que o albino estava ali e que tinha o rosto a mesma altura que a dele:
- Você está terrivelmente adorável com esses acessórios... – o britânico voltou a sorri, agora dessa vez sem controle algum, apontando para o pescoço e depois para o topo da cabeça do moreno, que verificou os lugares ficando automaticamente vermelho, tanto de raiva como vergonha. Entretanto nos instantes que iria tirar, foi parado pelo menor – Não tire, eu estou falando sério... Você ficou adorável com isso – então o beijou.
Um beijo puramente malicioso e cheio de luxúria, empurrando seu delicioso cachorrinho para cama, brincando com sua língua e explorando cada pedaço daquela boca. Por ter sido agarrado pelo inesperado, o japonês nem pode devolver de forma apropriada o beijo inicialmente e tudo piorou quando foi o beijo foi se encaminhando para aquela forma pervertida. Não se lembrava de que seu pequeno albino poderia beijar daquela forma, suas bochechas coraram levemente, sentiu sua coxa ser apertada pelo outro, ajeitando ela na sua cintura. O beijo foi cortado, mas a sensação de prazer, não. A boca do britânico desceu pelo pescoço, baixando a coleira até onde pode, para depois recomeçar o caminho só dessa vez até a orelha:
- Eu ganhei um Neko... Mas ele terá que se comportar bem, senão irá para a rua – a voz saiu roca, o maior mal processou as palavras e teve o lóbulo deliciosamente sugado.
Era uma coisa que Allen não podia negar, seu corpo sempre entrava em ebulição quando estava fazendo aquele tipo de coisa com o outro. Voltou a beijá-lo daquela forma tão maliciosa que o deixava rapidamente sem ar, via que ele vestia uma camisa branca de algodão com detalhes em azul, rapidamente usou as mãos para adentrar e tocar aquela pele macia. Kanda não sabia ao certo como aquilo estava acontecendo, mas sabia que era obra do velhote e que tinha conseguido o que havia proposto, tinha virado um brinquedo. Agora teria que ser o melhor deles. Sentiu os dedos um pouco frios subir em seu abdômen até atingir os mamilos e começar a rodá-lo entre seus dedos, depois aplicava uma leve pressão. Gemeu baixo, enquanto seu rosto, pescoço e maxilar eram beijados de todas as formas, a boca passeava em toda aquela região.
O albino fazia questão de manter os quadris colados, por isso sentiu quando o outro começou a excitar, aumentou a frequência dos movimentos das mãos e rapidamente ele já estava ereto. Então, retirou suas mãos e sentou na cama, passando admirar o ser em sua frente. A respiração descompassada provada pelo rápido movimento do peito de subir e descer, as bochechas levemente rosadas e, claro, a ereção claramente demonstrada na calça. Usou as mãos para abrir o jeans, puxando com certa agressividade, deixando-o somente de cueca, no qual a excitação se tornou ainda mais clara. Abriu um pouco as pernas e levou a boca até aquela área tão sensível, ainda por cima do tecido, lambeu toda a extensão fálica escutando do outro um gemido baixo em resposta. Depois, usou os lábios para aplicar uma leve pressão de cima a baixo, finalizando com uma lambida na glande, fazendo o seu cachorrinho se arquear na cama.
Levantou o rosto totalmente maravilhado com o poder que tinha sobre aquele corpo, que se dizia tão forte, porém se acertado do modo certo se tornava extremamente frágil. Sentou-se na cama e abriu as pernas, sentiu que seu membro também começara a dar sinal de vida, o seu Neko o acompanhou com seus movimentos, mas respirando descompassadamente:
- Dê um jeito nisso daqui... Neko-chan – apontou para o meio das pernas, o japonês engatinhou até perto da calça, no qual usou as mãos para abrir aquela peça.
Ao contrario do companheiro, puxou o jeans de forma calma, sem nenhuma pressa, pode ver o membro semi-desperto na cueca box azul-marinho e novamente, ao invés de brincar, foi direto ao ponto. Puxou a ereção para fora e começou a sugá-la, colocando por inteira na boca, para depois fazer os movimentos de subir e descer com a cabeça. Ouvia o menor gemer cada vez mais alto, levando a ousar nos movimentos, começando a dar lambidas por toda extensão, dando uma atenção especial na glande, então recomeçava a sugar. E cada vez mais rápido. Kanda sentia seu membro apertar cada vez mais em sua cueca, ao nível que o tecido já incomodava, os gemidos do albino não ajudavam muito, mas o que ele poderia fazer, aquela oral estava deliciosa.
E cada vez que olhava para baixo sentia-se endurecer mais, pois seu belo Neko tinha as bochechas coradas e matinha seus olhos fechados, aquela visão era extremamente encantadora. Então, percebeu a ausência de uma mão em suas coxas, pois lembrava que o moreno usava as duas para arranhar e apoiar nelas, tentou rapidamente encontrar e viu algo que não esperava: Kanda estava se tocando. Usou uma das mãos para retirar o membro da cueca e tocava-se como á algum tempo não fazia, sincronizando com seus movimentos com os da boca. Tal pensamento, foi o estopim para Allen, pois sabia que o moreno estava no seu limite e acabou por chegar ao seu próprio. Seu sêmen foi “comido” por seu Neko, sugando cada gota que lhe foi oferecida, porém percebeu que ele não havia gozado. O albino pegou o rosto do outro, levantando até perto do seu:
- Você ainda não gozou... – a respiração para ambos se encontrava desrritmada. O silêncio por parte do mais velho, fez um pequeno sorriso surgir na boca do outro – Toque-se... Eu quero ver... – o japonês se assustou com tal pedido, mas acabou por sentar na cama e começar a se tocar.
Como tinha os olhos cinzas sobre si, começou com movimentos demorados e leves, mas a partir que descia e subia sua mão, queria mais e mais, então passou á aumentá-los. E o albino adorou aquela visão, se o seu tutor tinha razão em alguma coisa nessa história, era que ele era um ótimo item para sua coleção por sua beleza. Entretanto, todo o show não durou mais que alguns rápidos minutos, estopim estava próximo e acabou gozou em sua própria mão, soltando um gemido baixo e prolongado. A sensação pós-orgasmo lhe dominou, o que deixou durante segundos somente de cabeça baixa tentando normalizar sua respiração, a mão melada com sêmen foi agarrada pelo pulso e levada até a boca do pequeno, que começou a sugar os dedos. Demoradamente e o mais sexy que pode limpou aquele local, deixando sem rastro de qualquer liquido branco, grudento:
- Eu tenho que trabalhar... – Allen se levantou e foi até o banheiro para tomar uma ducha fria, deixando o outro sentado sem saber o que fazer, então apenas se deitou e esperando sua volta.
Só que o albino demorou alguns longos minutos para voltar, queria limpar qualquer resquício do que tivesse acabado de fazer naquele quarto e quando voltou com somente uma toalha pendurada na cintura, encontrou seu Neko-chan deitado novamente dormindo. Se arrumou como o de sempre e antes de sair foi até perto do maior, acariciou a cabeleira escura e beijou o topo da cabeça suavemente:
- Você foi um bom garoto hoje... – saiu e fechou o apartamento.
Agora, era a hora de se divertir.
Com outros de seus brinquedos.
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Engraçado, Rosa Negra, você quer machucar só que ainda não vi isso.
Gosto da sua ingenuidade, Mãe Natureza.
Ora, por quê?
Eu ainda não comecei... Vou construir esperanças. E vou esmagá-las com minhas próprias mãos. Assim como ele fez.
I tried to be perfect
Eu tentei ser perfeito
But nothing was worth it
Mas nada valeu a pena
I don't believe it makes me real
Eu não acredito que isso me faz real
I thought it'd be easy
Eu pensei que seria fácil
But no one believes me
Mas ninguém acredita em mim
I meant all the things I said
Eu quis dizer todas as coisas que disse
Notas finais
Adivinha quem é Mãe Natureza?! Sim, it's me! Foi ideia da Biazacha-san que me deu u3u Tipo, não é exatamente eu... É a alguém que está assistindo tudo e opina. Quase eu u_u
Desculpa mais uma ez a demora e quero agradecer de coração a todos os comentários, por que está tendo um bom retorno!
Espero que continuem comentando.
Até, beijos ;)
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