Londres: Uma Primavera

15 Cap. 15 - O Novo Jardim.


Notas iniciais
YAAAY. Dobradinha, né? Porque eu não sou pessoa tão cruel assim. Betagem: Deru. Espero que aproveitem o capítulo.

A Branca olhou o jardim ao redor.

Que jardim? O mar negro havia sumido.

Sua prisão de vidro encontrava-se destruída ao seu redor.

Mas ainda sim não sorria.

Não?

Lágrimas escorriam para o chão agora vazio.

Não era para ter sido daquela forma.

Não era para ter ficado sozinha naquela imensidão.

Eu não posso, Negra... Eu não consigo sem você.

Olhou para o vidro despedaçado ao redor.

Pelo menos, nunca ficaria presa novamente.

Nunca mais.

E a certeza lhe doía de alguma forma mais que a prisão.

Os barulhos que as máquinas faziam deixavam Tyki um pouco inquieto. Nunca gostara muito de hospitais, mas aqueles “pi, pi, pi” lhe deixavam mais agoniado. Estava sentando próxima a cama que causava esses barulhos, encarando fixamente a figura deitada, inconsciente. Três horas foram tempo demais, na verdade, a partir do momento que ele pegou aquela chave do carro havia o feito perder os limites. Agora, ali ele estava em observação, esperando que as cirurgias fizessem a sua parte.

Após as três horas acabarem, Mikk desceu as escadas de seu escritório indo para garagem, sabia que o albino cumpriria sua promessa e torcia para que tudo estivesse o mesmo. Mas ele não estava. Então, voltou para o bar, procurando-o em cada ala, porém não o vendo em lugar algum. Perguntou e espalhou entre seus garçons que achassem o albino, até que um deles dissera que o vira sair para garagem.

O moreno voltara à garagem e percebera que seu carro não estava ali. Fora até a guarita e perguntou ao guarda onde estaria o seu veiculo, que lhe disse que havia liberado a passagem para ele há cerca de duas horas, também pediu mil desculpas por não ter verificado quem dirigia o veiculo, por pensar que era o patrão, afinal quem além dele teria as chaves... Tyki disse que estava tudo bem, que havia entregado as chaves a alguém. Sabendo que Road estava no comando, além de dois de seus melhores homens, saiu para a porta do bar, pegando um táxi e dirigindo-se para casa.

Algo havia ocorrido. Só não esperava ser grave demais.

Chegou à sua casa em meia hora. Procurando pelos cômodos sem parecer tão agitado, novamente encontrou tudo vazio, nem mesmo seu carro estava na garagem. Tentou mais uma vez o celular do albino, mas novamente fora de área. Havia mais um lugar que ele poderia está. Contudo, antes mesmo de sair seu celular tocou e o número estava desconhecido. Esperava ser a voz que precisava ouvir.

Boa noite, esse é o celular do senhor Tyki Mikk? – a voz era de um homem, com um sotaque romeno.

– Sim, ele mesmo que está falando – o moreno não reconheceu a voz de lugar algum.

Sou doutor Arystar Krory do Hospital St. Mary. Estou informando que seu carro sofrera um acidente e queremos saber se reconhece o motorista – a respiração de Mikk falhara por alguns segundos, voltando segundos depois com seus movimentos para sair da casa e ir pegar um táxi.

– Eu emprestei a chave do meu carro para um amigo. O motorista por acaso possui cabelos alvos? – estava terminando de trancar a casa.

Sim. Ele está no meio de uma cirurgia no momento, mas queremos a identificação dele para que possamos registrá-lo no hospital, já que não havia nenhuma identificação com ele, somente suas.

– Entendo. Irei buscar todos os documentos dele e estarei indo imediatamente para o hospital.

Estarei esperando o senhor na recepção, então.

Tyki passara em seu bar, falara rápidas palavras para Road, então partira para o hospital. Os documentos estavam no armário do albino, então não precisaria passar na casa dele. Ainda não. Ao chegar à recepção, um homem alto de jaleco branco, cabelos pretos e uma mecha branca, lhe atendeu. Apresentando-se como Dr. Arystar Krory, o homem do telefone. Reconheceria aquele sotaque em qualquer lugar. Ele dissera que o paciente estava no meio de uma cirurgia delicada e que só saíra para que Tyki pudesse fazer o reconhecimento.

– Fora um acidente de carro. O paciente perdeu o controle e chocou-se contra um muro de ferro de uma casa. Antes disso, ele batera em uma placa de trânsito que atravessara o vidro da frente, ferindo seu peito gravemente. Estamos tentando fechar os ferimentos, é um milagre que ele ainda esteja resistindo tão bravamente – então, ele lhe mostrara uma porta que dava para a sala em que poderia assistir a cirurgia, em rápidas palavras informou que uma enfermeira vira com a papelada necessária caso a identificação fosse positiva, pois ele retornaria para a cirurgia.

A identificação era mais que positiva.

Mikk nunca ficaria tão desolado ao reconhecer aquela cicatriz no rosto do menor. Com um aceno de cabeça informou ao doutor que o reconhecia, ele digitou algo no bipe e saiu. Vendo-o novamente na sala, começando a esterilizar para poder retornar a cirurgia. Havia tantas pessoas ao redor do menor, que só podia ver o rosto dele com um tubo dentro da boca. O moreno sentou-se perdendo o chão.

Por que dera tempo mais que o necessário?

Por que não fizera nada?

Olhou para o monitor que tinha as batidas do coração do albino. Estavam estáveis. A cirurgia tinha ocorrido sem grandes problemas e agora estava em um quarto, no qual o albino seria mantido em observação. Agora bastava esperar. O médico avisara que ele havia sido colocado em um coma induzido para que pudesse se recuperar melhor, já que não podiam deixar que nada o agitasse. Tyki havia sido informado que ele precisava avisar os pais, ou algum responsável e buscar algumas roupas confortáveis para o menor já que ele parecia todo o tempo de recuperação ali, mas tudo que o moreno fizera fora pedir para que ele pudesse ficar alguns instantes ao lado do albino. E era por isso que ele estava ali, ouvindo aqueles “pi pi pi” tão irritantes, ele só queria uma certeza que Allen ficaria bem, e talvez se não fosse pelo tubo que entrava em sua boca pudesse apenas se iludir que ele estava apenas dormindo.

O quarto possuía uma janela de vidro no qual dava para uma recepção, no qual algumas enfermeiras estavam atendendo telefonemas, ou anotando algumas coisas no computador. Através dessa janela, escutou um barulho de alguém batendo no vidro, demorou um pouco para que pudesse processar o barulho, mas assim que conseguiu, Mikk levantou a cabeça e viu que Road estava do outro lado e acenando pedindo para que ele pudesse sair. Assim o fez, quando fechou a porta do quarto, a garota lhe abraçou com imensa força, ficando assim por um tempo até ela lhe encarar.

– Como ele está? – a voz dela estava vacilante, preocupada.

– Ele está... Bem – ela lhe encarou com aquele olhar inquisitivo querendo saber mais, a verdade toda – Não está mais correndo risco de vida, os doutores o operaram para fechar o buraco no peito dele, então agora temos que esperar, é um momento delicado porque é a cicatrização, se ele conseguir passar sem mais algum problema, vai ficar tudo bem. Por enquanto, ele está num coma induzido para ajudar a cicatrização – Kamelot saiu dos braços do mais velho, encarando o vidro, então, virou para Mikk.

– Você devia ir para casa, tomar um banho... Pegar roupas para ele, já que ele vai ficar algum tempo aqui, não é? – ela acariciou a bochecha do outro.

– Sim... Eu... Eu vou pegar roupas, vou avisar os amigos dele e avisar o curso dele. – ela sorriu levemente.

– Eu vou ficar cuidando dele por enquanto.

Tyki respirou fundo e saiu em direção a sua casa.

Tudo o que ele queria era não pensar em Allen naquela maca sendo operado, com todo aquele sangue ao redor dele, com todos aqueles aparelhos, com todas aquelas pessoas com aqueles jalecos, porém era impossível. Toda vez que fechava os olhos era a primeira imagem que vinha na sua cabeça, tentou relaxar na ducha que tomava, todavia tudo parecia vir com mais força. Lembrava-se dele lá, os olhos fechados, o tubo em sua boca, a correria... E o sentimento de falha, de impotência misturado com raiva explodia em sua cabeça. Se tivesse o parado antes, se tivesse se imposto mais, se tivesse o levado para casa... SE, SE, SE. Começou a bater nas paredes do banheiro com força, gritando a cada “se” que vinha em sua mente.

Podia ter feito alguma coisa.

Qualquer coisa.

Oh meu doce Calla, não se preocupe. O caminho que a Rosa está foi escolha própria, nada poderia ter a impedido.

Mas Mãe Natureza... Eu.

Não, Calla, são escolhas da Rosa, não suas.

E que escolhas são essas?

Temo, Calla, que somente a Rosa possa lhe dizer.

Só parou quando viu algo vermelho escorrendo pela cerâmica branca, então passou a se acalmar, respirava e inspirava profundamente tentando recuperar o controle. Não deveria ceder as emoções dessa forma agora, precisava ser forte, pois cuidaria das coisas para Allen por enquanto. Não podia ceder a tentação dos “se”, tudo já havia passado e precisava focar-se no que estava pela frente. Respirou fundo pela última vez para acalmar-se antes de sair do banheiro, ao sair da ducha limpou as mãos e fez um curativo, agora, mais calmo, tinha os seus objetivos claros.

O Primeiro era a universidade. Lá, conversou com o coordenador do curso do menor, explicou toda a situação ao mais velho que lhe informou que deveria trancar o curso do outro e também lhe explicara como fazer o procedimento. Trancar o curso, por enquanto, era a melhor opção para o albino, já que a recuperação não seria algo tão rápido. Em seguida, ligou para Lavi e Lenalee, informando que precisava encontrá-los logo para que pudesse dar-lhes uma notícia, preferia falar pessoalmente aos dois, já que eram amigos próximos do menor. Ambos concordaram em lhe encontrar no almoço em um restaurante perto da universidade, feito isso, agora só faltavam às roupas.

O médico lhe pedira que trouxesse mais bermudas, calças e cuecas, já que não podiam cobrir o ferimento do peito, então seria necessário apenas as roupas de baixo. Felizmente, tinha uma chave consigo, já que o próprio Allen lhe dera da última vez em que trabalharam juntos, na época não precisou dela e a guardou e agora ela mostrava seu uso. Estava pronto para uma entrada rápida, algo que não demorasse mais que dez minutos, precisava retornar ao hospital para poder dar uma folga a Road antes do almoço. Mas algo lá dentro lhe obrigou a ficar mais que esses dez minutos. Tyki rodou a chave na fechadura, abrindo a porta, entrando no apartamento, ficou de costas para fechar a porta e quando virou, sua visão lhe causou espanto.

Um moreno com rabo de cavalo lhe encarava com a expressão de quem acabara de acordar.

– Yuu Kanda. – Tyki para ser bem sincero, havia esquecido completamente da existência desse moreno e agora era uma informação que não sabia como lidar com ela.

– Tyki Mikk. – os olhos deles demonstravam uma irritação e inquisição, querendo saber o motivo da visita do mais velho – O que faz aqui?

– Eu vi buscar roupas para o Allen – a irritação diminuiu dando lugar para curiosidade, Mikk postou-se na frente do mais novo, que estava sentado no sofá – Allen sofreu um acidente de carro – a curiosidade cedeu lugar ao choque – Ele está bem por enquanto, fora do perigo de morte, mas está internado no Hospital St. Mary para cicatrização dos ferimentos. Eu vim pegar roupas porque o doutor disse que ele vai passar algum tempo internado, então seria bom ele usar as roupas dele. – Tyki esperou por algum sinal após dar a notícia, mas o japonês apenas ficava imóvel, então resolveu rumar para o quarto – Você pode ir visitá-lo, se quiser. Ele está inconsciente, um coma induzido para ajudar a recuperação.

O silêncio instalou-se no apartamento, Kanda não se pronunciou ou nem aparentava que iria falar algo, o que preocupou por algum tempo Mikk. Porém, ele não sabia o que esperar do moreno, não sabia nem como estava o relacionamento dele com o albino. Para ser sincero, nem sabia como estava o estado emocional e mental do albino, não com esse acidente. Sabia que ele estava na beira de uma explosão, mas não sabia se isso voltaria quando acordasse, ou se ele voltasse a ser o Allen, ou aquele com que trabalhava. De repente, terminando de arrumar a mala, Tyki percebeu que não importava. Agora tudo o que queria era que o menor abrisse os olhos e mostrasse que havia vida nele.

Dado isso, retornou a sala de estar encontrando Kanda na mesma posição que o deixara. Ele encarava a televisão com tanta intensidade, esperando encontrar uma resposta seja lá o que fosse que estava rondando em sua mente, mas que só parecia se frustrar ainda mais. Mikk resolveu deixá-lo com seus dilemas, apenas dizendo mais uma coisa antes de sair.

– Você deveria ir vê-lo – então, o olhar passou para si, a pergunta estava clara. – Você é bem-vindo lá, Kanda. Quando você quiser vir – ao finalizar, Mikk saiu do apartamento.

Mas Kanda não apareceu.

Durante todo o tempo que Allen esteve lá, ele nunca apareceu.

Kanda nunca quis admitir o porquê, mas ele sabia. Sabia porque escolhera esperar o albino vir até si, pois tinha certeza que ele viria.

Por que, Lótus? Por quê? Olhe para mim e diga o porquê.

Eu tenho medo do que vou encontrar, Mãe Natureza. Porque sei que fui eu que causei tudo isso.

Notas finais
Sim! Dei nome ao Tyki, não lembrava que não havia dado, mas aí está. Calla. Eu queria uma flor elegante, mas confiável, então veio essa. Enfim, pelas minhas contas eu tenho quatro capítulos pela frente e um bônus, então finalmente, finalmente a fanfiction acaba. É isso, divirtam-se!