Londres: Uma Primavera

14 Cap. 14 - Branca. Negra. Juntas?


Notas iniciais
Então, não estou morta, estou sumida trabalhando nesse e outros projetos pessoais. Betagem como sempre, Deru. Espero que gostem do capítulo.

Kanda arrumava suas coisas sem pressa alguma. Estava adiando sair daquela sala.

Era o único dia da semana que veria o Moyashi sem precisar de desculpa alguma, a sala dele ficava bem a frente da sua, porém percebera que ainda não havia acabado a aula. O prédio que possuía aulas funcionava com vários cursos diferentes, então poderia ter o privilegio de ter aula próxima a ele. Enquanto colocava seu caderno e seus desenhos, pensava na semana que havia passado.

Uma semana sozinho. Uma semana sem vê-lo.

Depois de sair daquele apartamento completamente frustrado, não soubera mais noticias dele, não mais o vira. Não sabia o que fazer, precisava estar mais próximo, pois algo estava acontecendo, mas não conseguia saber o que era. Seu coração agitava-se quando pensava nisso, batidas arrítmicas que o fazia perder o fôlego e sua visão nublar. Seu tempo estava acabando a cada segundo que passava e precisava fazer alguma diferença antes que o sino soasse.

Levou a mão ao laço em seu pescoço. Naquele dia estava tão perto, parecia que com apenas um toque o teria, o veria como sempre fora. E então estaria tudo bem. Tudo iria embora e poderiam ser como eram. Podiam ter um novo começo. Mas tudo acabou como chegou, fora tirado de si com brutalidade. Não achara justo, estivera trabalhando tanto tempo nisso e agora, daquela forma, era retirado de si. Merecia aquele momento, merecia o albino que tanto lutou. Já havia provado o suficiente, já havia levado o suficiente. Estava na hora de sua recompensa.

E hoje tentaria tê-la.

Adiou mais que pode a sua saída da sala para poder sincronizar com a outra classe. E conseguiu, vendo os homens e mulheres de brancos retirando-se em gargalhadas e conversas misturadas. Era meio difícil identificar o branco no branco, mas sabia que seus olhos conseguiram distinguir o quê procurava. Não viu. Todos os trajes retiraram-se do lugar, mas a cor que queria não estava lá. Então, o castanho apareceu com seus olhos da mesma cor e com o brilho que lhe dizia tudo. Não adiantava procurar mais. Não acharia, pois não estava ali. Caminhou na direção do amigo com cicatriz no nariz, chegando rapidamente e adiantando-se para o restaurante da universidade.

– Ele só veio duas vezes essa semana. E na última parecia bêbado, ou drogado, o professor fora obrigado a levá-lo para coordenação do curso que o encaminharam para casa – inconscientemente o mais alto levou a mão para o laço em seu pescoço.

– Está um verdadeiro repórter, não está pensando em mudar de profissão, não é? – Alma soltou um sorriso de lado, sem olhar para o amigo respondeu.

– Você não tem ideia o quanto o Allen é conhecido nessa universidade. Sempre há alguém que ao menos esbarrou com ele e confusões espalham-se rápido por aqui. Sabe como todos adoram uma boa fofoca – Kanda apenas concordou levemente com a cabeça.

Não se importava com os boatos, ou fofocas. Mas a informação fora útil, que algo estava acontecendo e que precisava está o mais perto possível para saber o quê, como lidar com o que quer que fosse.

Tendo sua recompensa, ou não, faria seu movimento.

Seu arriscado e promissor movimento.

AWYK

Allen olhava seu reflexo no espelho e perguntava-se por que ele parecia tão embaçado.

Na verdade, sabia o porquê, mas não queria admitir.

Seus caminhos estavam perdidos.

Estava preso em lugar nenhum.

Era como se pela puxada brusca a realidade, tivesse sido recolocado em algum lugar perdido. E tudo o quê via era os caminhos juntos, como se tivessem dado um nó. Escolhesse um, escolhesse outro, os dois se encontrariam, se tornaria confusos. Não era uma mistura perfeita, homogênea, era uma batalha. Uma competição, em que um tentava ser mais atrativo que o outro, lhe pressionando, puxando-lhe para que entrasse. E era por isso que estava um nó.

Caminhos não batalham. Caminhos esperam a escolha.

Alguém havia atrapalhado, incitado os caminhos a tornarem-se dessa forma.

Era por isso que a imagem estava embaçada, desconexa. Via dois e via um. Agia como dois, agia como um, como outro. Precisava encontrar-se, precisava que os caminhos voltassem a ser o que eram. Precisaria de um guia, de uma luz, dessa vez não conseguia fazê-los se separarem. Alguém precisava fazer isso por ele. Levar-lhe ao ponto em que precisasse escolher, porque já tinha feito à escolha. Mas com caminhos bagunçados de nada isso adiantaria.

Só que isso não o impediu de tentar.

Tentou avançar, tentou escolher, tentou forçar-se naqueles caminhos apenas para receber frustração de volta. Toda vez que seguia em algum caminho era levado ao outro, então ao outro, ao outro... Lentamente lhe encaminhando para insanidade. Isso que causara os lapsos durante a semana. Não sentia vontade de sair, mas ainda se forçou a ir para a faculdade, precisava terminar aquele período já que estava prestes a se graduar. Deveria ficar longe de espelhos, longe daqueles que lhe causariam o conflito, porém a primeira coisa que viria fora um de seus problemas. O garoto lindo do curso de biblioteconomia, como era o nome? Tyler... Teddy... Louis?

Ele se aproximou com aquele sorriso fácil, sedutor que possuía, claramente propondo algo para aquela noite, ou algum dia qualquer. O deixou se aproximar, afinal era aquilo que queria não era? Era aquilo que procurava. Não precisava ter medo, não precisava ter nojo, não deveria sentir esse imenso desconforto... Então por que sentia? Por que cada célula em seu corpo protestava diante do tom daquelas palavras, diante daquela linguagem corporal? Por que a única coisa que passava em sua cabeça era se afastar? Correr? Tentou ficar, tentou focar-se naquele presente.

Inútil.

Negra, pare. Negra, não podemos ser assim.

Eu posso ser do jeito que quiser.

Você não pode, Negra, me deixe sair.

Afastou-se do garoto de forma brusca, dizendo que iria para a aula que tanto estava atrasado. Contudo, nunca chegou lá, parou em um espelho do banheiro a caminho.

Quem é você?

O que quer?

Por que está fazendo isso?

O albino escutou barulhos e lembrou-se que esses pensamentos eram perigosos e deveriam ser evitados. Devia se focar no presente. Naquele instante em que havia entendido que não podia forçar nada, tinha apenas que esperar.

Por aquele sinal.

Estava arrumando a gravata, não gostava daquele tom vermelho sangue, tornava sua pele ainda mais branca, meio morta. Aquela cor era destrutiva demais. Mesmo assim, fez o nó e arrumou em forma de borboleta. Borboletas... Então, o dono do som, passos, apareceu com os cabelos bagunçados. Tyki. O menor não olhou imediatamente para ele, terminado de arrumar o avental em sua cintura e finalmente olhou, deixando um sorriso escapar dos lábios.

O moreno identificou o sorriso, praticamente na mesma hora. Aquele sorriso já tinha lhe acontecido uma vez, já estivera ali. Retribuindo o sorriso de uma maneira mais amável, caminhou em direção ao albino com passos largos. Suas mãos tocaram os ombros dele, analisando o conjunto completo como se procurasse algum defeito, alguma coisa fora do lugar.

– Pensei que iria tirar o dia de folga. Ontem foi um trabalho e tanto, não acha? – não encontrando, colocou-se atrás dele, o encarando pelo espelho.

– Por ter sido tão bom ontem, resolvi dobrar a dose – Walker elevou as mãos tocando nas do mais velho.

– Se é assim... – Mikk deslocou seu corpo para frente do outro, apoiando-se na pia, puxando-o com uma mão pela cintura para mais perto do seu corpo – Que tal ter uma noite especial com seu chefe? – deixou seu sorriso malicioso aparecer para deixar o disfarce ainda mais perfeito.

Tyki conhecia tão bem aquele estado que não deixaria mais ninguém chegar perto. Qualquer um sem conhecimento pioraria as coisas e se soubesse disso anteriormente, tinha evitado a noite de ontem, que com certeza já tinha feito seu estrago. Consigo teria como driblar, como manipular para não levar á um nível que não houvesse volta, ou então causasse estragos permanentes. E quem sabe, arrumasse um pouco, só um pouco.

– Eu adoraria, mas... – o albino deixou as mãos correrem para os ombros dele, apoiando-se naquele corpo – Quero andar livremente... – disse encarando nos olhos dele.

– Oh... Mas tem tanto tempo que não passa em meu escritório, Allen... Estou começando a me sentir abandonado – jogaria até a última carta que tivesse na manga.

– Eu sei... – e o moreno achou que poderia ter vencido quando o menor desceu o olhar, porém ele encarou o objeto brilhante pendurado no seu cinto – Vamos fazer o seguinte, então... – pegou a chave do seu carro e colocou no bolso de sua calça – Ficarei com sua chave para que tenhamos a certeza que iremos embora juntos, certo? E eu darei sua noite – Walker mencionou afastar-se e Mikk sabia que não poderia jogar nenhuma carta sem fazer estragos.

– Concordo – e o menor soltou um sorriso, deixando o moreno fazer sua jogada – Mas darei você três horas para “andar livremente” até que iremos juntos para casa. Você me fez esperar demais – o sorriso divertido apareceu no rosto do mais velho, que tornou o do outro maior.

– Está bem, três horas e estarei batendo na sua porta para irmos – ele piscou, retirando-se do local.

– Nenhum segundo a mais! – exclamou antes de vê-lo sumir pela porta.

Não acreditava em um deus específico, mas rezou para todos que lembrava que três horas não fosse tempo demais.

Se ele visse o ser que adentrava o bar no exato instante, com certeza amaldiçoaria todos eles. Bom, talvez isso dependesse do ponto de vista.

AWYK

Sua passagem fora liberada e logo estava dentro daquele lugar que nada lhe agradava. A música alta, as conversas gritadas, o cheiro de várias bebidas alcoólicas juntas, as luzes coloridas piscando sem parar a fim de evitar que a escuridão do lugar estabelecesse-se durante muito tempo. Não gostava em nada dali. O número de pessoa, os olhares sobre si. Estava, como sempre, os cabelos presos em um rabo de cavalo, vestindo um colete preto bem cortado, uma camisa de manga branca por baixo e uma calça social de boa costura. Os sapatos sociais pretos bem engraxados.

Queria estar bem apresentável.

Ignorou o bar e a pista de dança, subindo as escadas e ignorando pessoas com gravatas borboletas vermelhas sem cabelos alvos. No segundo andar, caminhou para o fundo do cômodo, tentando de alguma forma identificar entre as cabines seu objeto de procura. Sem sucesso. Não havia como olhar através, não conseguia distinguir vozes ali. Mesmo assim, continuou seu caminho até o fundo, no qual era a varanda que poderia ver a pista de dança. Seus olhos buscaram, mesmo sabendo que era um pouco inútil, o ponto branco que tanto procurava.

Esquadrinhava os locais, tentando dividi-los em áreas para que assim, tivesse uma busca mais detalhada o possível. Estava com os olhos no meio do salão, quando ouviu o barulho da cortina sendo aberta e um homem, provavelmente acima dos 35 anos sair de lá. O terno desarrumado, juntamente com a camisa por baixo abotoada de forma errada. O cinto estava mal colocado. Olhou fixamente esperando o companheiro sair da cabine também. Mas a gravata vermelha que saiu tinha cabelos ruivos fortes e um corpo mais alto que deveria.

Estava preste a voltar sua atenção para a pista, quando uma mulher saiu de outra cabine.

Ela saiu somente com um lado do sapato alto no pé, carregando o outro na mão juntamente com a bolsa, parecia atordoada e confusa. Segurou-se o máximo que pode para não se aproximar da cabine, esperando o companheiro, ou companheira sair, mas sua curiosidade e seu instinto foram mais fortes, pedindo para se aproximar. E assim o fez.

Chegando a passos cautelosos até a cortina aberta, exibindo um albino de gravata vermelha que rodopiava pelo pole dance sem fixar o olhar nenhum ponto, apenas com um sorriso estranho no rosto, quebrado e sarcástico, apenas girando, girando. Fechou a cortina fazendo o maior barulho o possível, conseguindo, milagrosamente, a atenção dele. Ele lhe encarou longos minutos, sem dizer uma palavra.

E faria seu movimento.

Lugar errado, Lotus.

– Teria um tempo para um gato abandonado? – o sorriso malicioso de sua parte. E o quebrado e malicioso da parte dele.

– Gatos são meus animais favoritos – Walker não sabia o que tinha trazido aquele belo espécime ali, mas já que estava, não havia mal nenhum, haveria?

Esse lugar errado pode fazer as coisas piorarem, Lotus.

Kanda sentou no que seria um sofá, satisfeito por seu plano estar funcionando. Seu movimento estava sendo bem sucedido. Logo depois, o menor sentou sobre seu colo, com uma perna de cada lado.

– A que devo essa honra? – Kanda colocou suas mãos sobre a cintura dele.

– Acho que alguém esqueceu que possuía um gato... Vim reclamar meus direitos como um animal de estimação – o albino sentiu algo estranho, uma mistura de divertimento com nojo.

– Direitos?! Que eu saiba, não lhe devo direitos – uma das mãos do moreno fora para o maxilar do outro, forçando-o a lhe encarar.

– Alimentar-me. E você não fez isso essa semana – Allen encarou os olhos negros que estavam agressivos. Não se atreva!

– Eu alimento você quando eu quiser! – as mãos do menor foram para o pescoço do outro – Quando eu achar que você merece ser alimentado! – Yuu não deixaria aquilo se arrastar. Levou as mãos aos pulsos dele, apertando-os levemente.

– Tal-Talvez seja você que precise de alimento, não é? – e levou uma das mãos até as feições que haviam se contorcido em raiva – Eu sei que sim. Sei que nega, mas que deseja. Por que você quer negar agora que está tão claro em seus olhos? Eu tenho o alimento que precisa, deixe-me alimentar você...

As feições se suavizaram, as mãos afrouxaram e Kanda lutou contra vontade de tossir para não quebrar o momento. Ignorou a queimação no pulmão, concentrando-se naqueles olhos.

Eu ainda estou aqui, Branca. Ainda estou esperando... Dê seu primeiro passo.

Para onde?

Para mim.

Onde você está?

Eu estou aqui.

Onde?

Aqui.

Eu não consigo te ver. Eu estou cega. Alguém me cegou.

Siga minha voz.

O quê?

Sig... Mi... V.

Eu não consigo ouvir você também! Onde está você, Lotus?!

Quando Kanda quis tocar aqueles lábios, um soco viera ao seu rosto. Um ataque violento, repentino, que fez Allen sair de seu colo. A força fora o suficiente para virar o rosto quase encostando o assento do sofá.

– Você não tem nada para dar a mim! NA-DA! Sou eu que dou as coisas a você! Sou eu que controlo que pode ser dado, ou não a você! Isso pode ter acontecido uma vez, mas nunca mais deixarei! – Walker virou-se para sair.

Ninguém toca na minha Branca, ninguém!

Negra, por favor! Ela está tentando nos ajudar!

Ela não está! Esse não é jeito correto! Se ela puxar você sem mim, você estará desprotegida! E eu não deixarei isso acontecer!

Não é isso! Não é nada disso! Ela está tentando—

Cale a boca!

Levou alguns segundos até Yuu levantar-se e seguir o albino. O viu no meio do segundo andar quase correndo, esbarrando em pessoas. Seu movimento havia saído completamente do seu controle, aquele local era péssimo para ele, mas pelo menos saberia onde ele poderia ir. Aumentou a rapidez dos seus passos para alcançá-lo, conseguindo antes que chegasse as escadas.

– Moyashi! – disse num fôlego, sem pensar, fazendo um olhar de pânico surgir nos olhos cinza, para depois o ver empurra-lo para trás, caindo no chão.

– NÃO ME CHAME ASSIM! EU NÃO SOU ASSIM! – e rapidamente começou a descer as escadas.

Se você me der sua mão, Negra, ela puxará nós duas!

O que vale manter você branca se eu irei transformar você? Todo meu trabalho não valerá nada! Eu não seria negra e você não ficaria branca!

Eu já disse a você, Negra, nós iremos ser cinza. Perfeitas.

Como você pode ter tanta certeza?

Allen chegou ao térreo rapidamente, sem ver nada a sua frente. Sua mente estava embaralhada e os sons ao seu redor não ajudavam em nada. Fugia daquelas mãos e daquele calor, daquela voz. Não entendia o porquê, pois parte de si desejava inteiramente tudo daquilo, mas sentia a desesperada necessidade de fugir. Era como se não fosse a hora certa, não fosse o melhor momento. Podia senti-lo que ainda tentava lhe perseguir, porém era menor e mais ágil, conseguindo intrometer-se na multidão para se perder. Mais do que estava.

Tinha que sair daquele local, mas precisava de dinheiro. Sua cliente saíra assustada com a inesperada ação que tivera, então não recebera. Tateou os bolsos da calça atrás da sua chave no armário, quanto sentiu outra chave e exatamente a solução de seus problemas. Trocou o caminho, indo para os fundos do bar em que daria a entrada da garagem, visualizando o corredor que lhe daria a porta para que estivesse livre.

Kanda conseguiu acompanhar o menor até quando ele adentrara a pista de dança. Então, vira raramente o ponto branco surgir para depois desaparecer por completo, sua última visão fora quando ele pareceu dá meia-volta do caminho estava percorrendo. Não conhecia o local, não sabia se havia saída, nem se tinha mesmo o visto trocar de direção. Só acreditava que ele tentaria escapar daquele prédio a todo custo. E não estava disposto a deixá-lo ir sozinho. Seguiu o caminho para os banheiros, no qual os garçons arrumavam-se, pensando que ele poderia parar um instante para recuperar as energias.

Nem viu que era o outro corredor que seu objeto de procura estava, ou muito menos a porta que ele abriu dando acesso a garagem privada. Allen com um clique fez as portas do carro destravarem e rapidamente entrou no veículo, colocando a chave na ignição, dando a partida e saindo rapidamente. Não se importara em colocar o cinto, ou trancar as portas por dentro, apenas queria sair dali. A guarita liberou sua passagem de longe, pois o guarda reconheceria o carro de seu patrão, assim Walker pode passar sem ser parado. Indo em direção desconhecida, só pisando fundo no acelerador.

Eu não tenho certeza. Mas eu confio em você e quero que você confie em mi. Dê-me sua mão, Negra.

Eu não sou confiável! Por que você confiaria em mim, Branca?

Allen sentia sua essência desfazendo-se e refazendo-se rapidamente. Como se fosse feito de areia e seus grãos estivessem sendo soprados pelo vento, mas logo após, por algum estranho magnetismo voltassem ao lugar perfeitamente. Repetindo-se num ciclo sem fim. Lembrava-se dos olhos negros lhe encarando e oferecendo uma escolha. Mas já havia escolhido! Só precisava reencontrar o caminho... Ou não?! Ou será que pensara que havia feito e, na verdade continuava ali, preso as borboletas?

Borboletas...

Borboletas... Elas estavam ali? Cobrindo seus olhos? Ou estava realmente perdido?

Por que não? Você me protegeu todo esse tempo! Eu ainda estou branca. Por que eu não confiaria em você?

Porque eu sou negra, sou horrenda.

Você não é! É só que nem todo mundo consegue admirar a sua beleza. Eu posso! E vou fazer todo mundo ver!

Apenas venha comigo! Deixe-me ajudar a nós!

Se você me ajudar e perder sua beleza, você se tornará eu. Poucos irão ver sua beleza.

Eu não me importo! Nós nos tornaremos iguais! É isso o quê quero! E nenhuma de nós terá que sofrer.

Não. Eu nunca mais machucarei você.

O que?

Seja branca.

Eram tantas perguntas e nenhuma resposta. Ninguém para lhe dizer se estava errado, ou não. A temperatura do carro parecia aumentar e Allen podia sentir as gostas formando-se em sua testa. Com o toque de um dedo, abriu a janela sentindo o ar forte e gelado entrar de uma vez. Fechou os olhos para aproveitar melhor a brisa refrescante, tentando aliviar seu cérebro que estava empilhado de pensamentos, de dúvidas. Sobrecarregado de tanto procurar respostas.

O peso fora se aliviando pouco a pouco, sua mente limpando-se, ficando leve... Sem nada. Só o vazio. Só o não-sentir que durou segundos... Quando um forte balanço aconteceu e logo depois viera a dor. Espalhando-se para todo o terminal do seu corpo. Sentia seu sendo atravessada, a carne sendo rasgada contra a vontade e queimando. Novamente, coisas demais para processar. Dor além do que poderia suportar. Continuou fechando os olhos com mais força e acelerando para fazer aquilo sumir.

A brisa, onde estava?

Então, alguém silenciou sua consciência.

Ou algo.

Há quilômetros dali, Kanda saia do bar, procurando um táxi. O Moyashi havia escapado, mas esperava encontrá-lo no apartamento dele. Encontrou o táxi, disse o endereço e pediu para seguir com pressa. No rádio que o carro possuía, outro motorista avisava que havia um acidente feio acontecido alguns quilômetros dali. O homem desligou o rádio e ligou o mp3 do carro, seguindo seu caminho.

Desculpe-me, Branca. Mas não posso ser cinza com você.

Una-se com a Lotus.

Vocês formaram uma cor mais bonita.

Eu disse, Lotus, lugar errado.

Notas finais
Então, não tenho muito a dizer, apenas que foi um capítulo escrito há algum tempo e que finalmente tive a oportunidade de postá-lo. Como a fanfiction está em reta final, meus sumiços não serão tão prolongados, ou assim espero.