Londres: Uma Primavera
12 Cap. 12 - O Jardim de Memórias
Notas iniciais
Exatamente 00:00 e eu retorno das cinzas para postar à vocês.
Não garanto nada sobre a qualidade do capítulo, mas estou inclinada a concordar que vocês não merecem um capítulo desse por tanto tempo. Vocês merecem mais.
Mas sou inútil e é isso que tenho a oferecer.
Betagem de sempre: Ed, agora novo apelido, Deru ♥
Quando Allen acordou, não abriu os olhos, apenas sentiu o conforto de um acolchoado e um calor. Um calor que emanava ao seu lado, que lhe rodeava a cintura e que lhe protegia. Não era somente o calor, mas havia o cheiro. Sim, a fragrância delicada de uma flor, porém cheia de força. Não era algo exagerado, a medida certa, como um cheiro natural. Buscou inspirar mais daquele odor, deixando ser carregado para um mar de recordações doces e suaves. Abraçou mais daquele calor e daquele cheiro... Permitiu-se sorrir levemente. Eram pequenas coisas que lhe faziam feliz. Uma mão em seus cabelos, fazendo uma carícia sem jeito. Então, a voz.
- Bom dia... – a voz chegou aos seus ouvidos e lhe puxou rapidamente para realidade.
Continuou sorrindo, mas dessa vez possuía escárnio e ironia. Não conseguia acreditar que pensara essas baboseiras daquele perfume, quando tudo era mentira. Apenas uma ilusão que havia criado para tentar ser feliz. Essas pequenas coisas poderiam lhe fazer feliz temporariamente, mas logo mostraria sua verdadeira face. E Walker já havia visto ela há muito tempo. Não sabia por que ainda acreditava que havia algo de verdadeiro ali. Levantou-se, livrando-se dos braços com agressão e sentando-se na ponta da cama. Esticou os braços e notou pela pequena fresta da cortina o dia amanhecendo. Ao olhar para o relógio em cima do criado-mudo notou que era apenas oito e meia.
- Saia da minha cama. Tenho que trocar os lençóis, estão sujos de você – o albino falou em tom sério e autoritário. Kanda apenas ficou alguns instantes encarando aquelas costas alvas com linhas vermelhas de seus arranhões. Então, ele levantou e saiu do quarto, sem dizer outra palavra.
Nesse minuto, Yuu permitiu-se soltar um suspiro. Conseguiu sentar na cama e olhou para suas próprias mãos. Segundos atrás ele estava em seus braços, estava lhe abraçando e sentindo sua fragrância. Percebeu que ele soltara um pequeno sorriso, não de escárnio, nem de malícia. Aquele sorriso que soltava fracamente quando estava feliz. Por instantes, o Moyashi estava feliz ali. O que havia acontecido? Encarou a porta. O que aquilo significava? Que estava quebrando uma barreira, ou que não importava nunca conseguiria libertá-lo? Levantou-se e foi para o banheiro. Não importava a alternativa, apenas continuaria.
AWYUK
Allen ficou encarando a cafeteira preparar seu café. Sua mente ainda estava presa nos últimos minutos. Naqueles singelos minutos que acordara e sentira toda aquela força avassaladora. Estava levemente preocupado, pensando que não era forte suficiente por ainda acreditar nesse tipo de ilusão. Passou a mão pelo cabelo, jogando-o para trás e soltando um suspiro. Por que ainda estava nisso mesmo? Para fazê-lo pagar? Lembrou-se da pergunta de Alma: “quando será suficiente?”. Nem ao menos sabia, não conseguia se sentir satisfeito com o que tinha agora.
Mas você se sentiu satisfeito com aquele perfume, Negra.
Ilusão, Mãe Natureza. Não quero mais viver ilusões.
E o que você vive agora?
Apoiou os cotovelos na bancada, escondendo o rosto entre as mãos. Estava feliz com aquela vida? Oh, mas claro que estava. Era extremamente delicioso e excitante ter todos aqueles corpos, aquelas vidas à sua disposição. Podia escolher quem quisesse, poderia ter o que quisesse. Era apenas um estalar de dedos e tudo aconteceria do jeito que desejasse. Mas comparado aquilo... Ouviu o bater de uma porta. O moreno que tanto serpenteava seus pensamentos passava por ela, com os cabelos arrumados, o laço no lugar e todas as roupas no lugar. Os olhos se encontraram e por um momento o britânico entendeu.
Era isso o que ele queria, lhe confundir, lhe dar incertezas para voltar a acreditar naquela ilusão. Mas não daria esse gosto a ele. Escutou um clique da cafeteira dizendo que o café estava pronto. Não gostava dos animais malcriados, mas gostava daqueles lutadores e com certeza, era um desses que tinha nas mãos. Talvez seja por isso que era muito melhor ali. Não. Com certeza era por isso, as maneiras tão... Dele de levar as coisas era o quê tornava tudo mais excitante. Era por isso que nunca se satisfaria. Sempre queria ver o mais além daquele brinquedinho. Soltou um sorriso travesso.
- O café está pronto. Se quiser pode tomar, eu vou me livrar daqueles lençóis – disse enquanto caminhava para o quarto. O moreno sentiu que deveria dizer alguma coisa, qualquer coisa antes de vê-lo entrar no quarto, mas não sabia o quê. Quando ele passou por si, segurou o pulso dele, vendo-o encarar-lhe confuso e questionador. Estava tentando ler aquela alma através das íris – Tome seu café e vá embora. Depois falo contigo. – Não conseguia. Deixou-o ir, ouvindo a porta fechar atrás de si.
Kanda achou melhor ir para casa. Não ficaria para o café, não ficaria mais para nada. Não queria encarar mais aquelas íris que não poderia ler, pelo menos não mais por hoje. Sentiu seu peito apertar um pouco, ficando sem ar por instantes. Precisava ir mais rápido, mas não sabia como.
AWYUK
Alguns dias mais tarde, Allen encontrava-se sentado em um dos bancos de pedra sem encosto dos jardins da faculdade. Uma mesa feita de mármore e com um belo tabuleiro feito de vidro estava a sua frente, com as casas pintadas em preto e marrom. As cores ainda estavam vivas porque haviam sido pintadas recentemente. O céu estava uma mistura de laranja brilhante com o azul celeste, o sol estava se pondo e logo aquele azul tão claro viraria tons escuros. Suas aulas já haviam acabado e somente esperava pelo momento certo para voltar à sua casa e começar a se arrumar para aquela noite que viria.
Ah, à noite! Sua hora preferida do dia, ainda mais nas sextas, quando tudo ficava mais agitado e as luzes artificias davam mais vida àquela cidade. Colocaria seu uniforme, se divertiria, se esqueceria de tudo. Mostraria a todos o quão belo era seu jardim. Nada lhe dava mais prazer do que isso e somente o pensamento fazia uma corrente elétrica percorrer pelo seu corpo, tremores de excitação e ansiedade para que o momento chegasse logo.
Olhou para os campos da universidade. Vários estudantes estavam passando por ali para ir ao restaurante, ou retornarem para casa a fim de se preparem para a noite, seja ela como for, com estudos, ou festas. Walker dedicou seus minutos a observá-los, percebendo a beleza de uns e a falta de classe de outros. Um em especial, de cabelos curtos e arrepiados, mas olhos puxados e extremamente escuros chamou sua atenção. Usava uma jaqueta de couro e calça jeans justa. Bela bunda, bonito rosto. Era como uma escultura. Deixou um pequeno sorriso de canto surgir ao pensar no que poderia fazer com aquela escultura.
Inesperadamente, uma garota ao fundo, de porte baixo veio correndo na direção dele. Primeiro pensou que fosse para um grupo de meninas que estava mais a direita dele, porém ela estava mesmo correndo para ele. Cabelos longos chegando à cintura, lisos e claros. Ela não tinha nada de especial, mas era até que agradável aos olhos. Ele a abraçou e a beijou com fervor, no final do beijo, permaneceram abraçados, com as testas encostadas. Ele falava algo, mas Allen não conseguia entender lendo os lábios, só sabia que o quer que ele tenha dito fez a garota sorrir. Então, memórias de um passado distante começaram a fluir insistentemente em sua mente, retirando-lhe do campus e levando-o para àqueles momentos tão bons, porém esquecidos.
Via que estava deitado num sofá, roupas comuns e um livro nas mãos. Não sabia dizer qual, era apenas algum grosso que havia pegado na biblioteca. Estava tão concentrado na leitura que não percebia o mundo ao seu redor, tanto que a sua visão de observador não podia ver nada além do sofá e a si. De repente surgira alguém atrás do sofá, que passava parecendo impaciente, com algo, e apressado. A pessoa ia e voltava. Ignorava-a totalmente. Até quando desistiu de ignorá-la e baixou o livro, encarando-a, quando pela nona, ou décima vez que a vira passar pelo sofá. E sentia, mesmo sem ver, que a pessoa lhe encarava de volta. Via-se soltar um suspiro, chamando-a com a mão para que se sentasse no sofá, ato que a pessoa obedeceu prontamente, mas com alguma resignação. Apoiou sua cabeça no colo dela e voltou a abrir o livro, fingindo ler enquanto trocava palavras com ela.
Que palavras? Por mais que se esforçasse, não conseguia ouvir o que lhe era dito. E quem era? A lembrança era coberta de uma densa nevoa, que só lhe deixava ver o sofá e a parte da cintura para baixo da pessoa, não conseguiria reconhecê-la assim. Porém, algo lhe dizia, lá no fundo, que sabia quem era só não queria admitir. As palavras trocadas cessaram e finalmente estava concentrado no livro novamente. Parecia que a pessoa havia ligado à televisão, enquanto colocava a mão em seus cabelos, fazendo uma carícia desajeitada. E assim, como a memória viera, ela se foi. Rápida, sem qualquer nexo, sem qualquer motivo. Estava no campus da universidade novamente, vendo o céu se pintar de azul-escuro.
Essas lembranças que estavam indo e vindo, começaram alguns dias atrás e apareciam sem qualquer motivo. Às vezes era por ver casais, ou então por simples ações do dia. Walker não conseguia encontrar nexo naquelas lembranças, mas elas continuavam a vir à tona sem controle algum. Não que fosse ruim, na verdade, não conseguia nem definir se era bom, ou ruim. Traziam um conforto, contudo tinha uma dúvida de serem falsas, como outra vida que nunca vivera. E não importava qual fosse a lembrança, aquela pessoa sempre, sempre estava lá. Sabia e não sabia quem ela era. Era essa indecisão que o deixava extremamente incomodado com essas lembranças. Sem contar o motivo de tê-las, que também era um mistério.
Você sabe, Negra. Você só não quer ver.
Passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás enquanto soltava um suspiro frustrado. Uma hora, ou outra iria descobrir e reorganizar sua mente tão travessa. Pegou a mochila que estava ao seu lado, pendurando-a em seu ombro e pondo-se de pé. Estava na hora de ir para casa e tomar um banho relaxante para a noite que estava por vir. Deu apenas alguns passos para frente quando ouviu um chamado atrás de si:
- ALLEEEEEEEEN! – e logo a pessoa que estava lhe chamando de longe estava pulando em suas costas. Deixou um sorriso calmo formar em seus lábios.
- Road... – então, a garota colocou-se em sua frente e enlaçou sua cintura – Faz um tempo que não nos vemos, certo? – ela colocou uma mão em seu ombro, enquanto a outra descia pelo seu peito.
- Você anda tão ocupado, Allen! – seu tom era um protesto levemente irritado – Só com seus clientes e sua faculdade! Não tem nem mais tempo para me ver! – e tom virou um pouco choroso.
- Oh, querida... Você nem passa mais lá na boate. Mas que tal aproveitarmos o agora? – ela sorriu largamente, balançando com sim com a cabeça. O albino aproximou-se lentamente dos lábios dela, quando sentiu uma mão em seu ombro, apertando-o fortemente e lhe fez parar.
- Hey, garoto! – virou o rosto para o lado, notando que era Tyki. Retornou para garota, no qual sem se importar com a presença do moreno, lhe deu um beijo profundo, que a deixou sem fôlego.
- Olá, Tyki... O que trás vocês dois aqui? – ainda estava com a mão na cintura de Road, que estava de pé ao seu lado, lhe abraçando.
- Road não lhe contou? Ela passou na faculdade e viemos fazer a matricula dela – Tyki declarou jogando o cigarro no chão.
- Oh, sério? – olhou para a garota, ela sorriu balançando que sim – Parabéns, Road! – e lhe deu um pequeno selinho.
- Vou começar semestre que vem. Passaremos um tempo juntos! – ela lhe abraçou forte. Devolveu como uma carícia terna nos cabelos dela.
- Agora você não irá reclamar pelo tempo que estaremos separados, não é? Sempre poderei te encontrar aqui – disse encarando os olhos dela, deixando um sorriso malicioso no canto dos lábios.
- Garoto... Ela mal saiu da menoridade – Mikk disse em tom de alerta preguiçoso, como se não se importasse realmente.
- Assim é melhor, pelo menos agora não posso ser preso – Tyki deixou um sorriso de canto aparecer enquanto acendia outro cigarro. Road apenas encarou, levemente séria, levemente brincalhona para o inglês a quem estava abraçada.
- Você vai para o bar hoje? – o moreno jogou a fumaça ao vento, que levou para longe o cheiro do cigarro.
- Por que não iria?
- Você anda ocupado demais com aquele seu novo brinquedinho... – novamente, um tom despretensioso da parte do mais velho.
- Verdade! Faz alguns dias que não dá o ar de sua graça no bar. Os clientes estão ficando com saudades – a garota complementou enquanto fazia uma carícia travessa no peitoral de Allen.
- Tem sido divertido estar com ele por enquanto... É tão obediente! – deixou uma pequena risada escapulir, o que chamou atenção dos outros dois.
- Sinto que fui trocada por ele! Se eu colocar orelhas e um rabinho vai me dar toda essa atenção? – Road fingiu-se de magoada, saindo do abraço do albino e ficando ao lado do moreno.
- Você sabe que sempre terá minha atenção, quando quiser, Road... – ela sorriu enquanto pegava a mão de Allen.
- Bom, é impossível negar o valor que aquele brinquedinho tem. O vi algumas vezes e acho que tem algo magnifico em suas mãos. Se ele quisesse seria um ótimo garçom de gravata vermelha. E eu até faria algum tipo de estrago nele... – um sorriso malicioso formou-se na boca de Tyki, quando o moreno baixou o cigarro e soprou vagarosamente a fumaça. Os olhos de Walker estreitaram-se.
- Nem pense nisso, Tyki! Não quero você ao redor do meu Neko-chan! Ele é só meu, você está me entendendo? Só meu! – o tom do albino era agressivo, enquanto apontava um dedo para o moreno.
- Era apenas uma possibilidade, garoto... – falou simples, sem demonstrar surpreso pela reação.
- E da minha parte são apenas avisos. Não vou gostar de saber que você andou mexendo com coisas que não deveria... – o tom sério e ameaçador impressionara ambos. Mas rapidamente se desfez em um terno sorriso – Eu vou me arrumar, vejo você no bar, não é Tyki? – deu um rápido selo em Road e um aceno para o moreno. Logo, estava caminhando calmamente pelo campus.
- É uma reação diferente.
- Completamente diferente – Kamelot completou – Talvez, ele tenha mesmo uma chance.
- É talvez.
Logo os dois estavam também caminhando para fora daquele campo.
Notas finais
Quando o próximo capítulo virá? Bom, não estou prometendo nada, mas vou tentar trazer no próximo final de semana.
Quero agradecer e pedir desculpas àqueles que ainda acompanham, e desejar um muitissimo obrigada àqueles que comentarem. Peço perdão pelo capítulo curto, mas acho que não farei nada mais longo que isso :T
Sinceramente e envergonhada,
Miss Hendric.
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