Londres: Uma Primavera

1 Cap 1 - O Amor de Verão


Notas iniciais
Enfim, aqui estou com meu primeiro cap depois de milhares de anos. O problema que aconteceu foi o Walker (meu note) que deu problemas, foi para o concerto e voltou o/
Classificação +16 por que ainda num tem lemon u_u Mas vai ter obvio =w=
Espero que gostem! Boa leitura.

Gentilmente dispondo as coisas no lugar.

No apartamento.

Na biblioteca.

Na sua vida.

Allen estava novamente no lugar que mais adorava. Inglaterra, Biblioteca da Universidade Ordem Negra. Ali se sentia bem, gostava de gastar seu tempo olhando aquele belo arsenal com mais de cinquenta mil livros, de todas as especializações, ainda tendo espaço para livros de romance. Era realmente encantador tudo aquilo, de certa forma se sentia seguro ali, sentia como se os livros lhe envolvesse e fizessem uma camada de proteção sobre si. Ninguém atingiria seu coração ali.

Ou pelo menos era assim que gostava de pensar, que não teria um coração ferido enquanto estivesse naquele mundo maravilhoso dos livros. Mana gostava de lhe contar histórias, sempre trazia belos livros para si e contava com uma atuação admirável. Era aquele tipo de proteção que seu pai adotivo lhe dera que ansiava de todos, queria que todos ao seu redor lhe amassem e protegessem, por que havia se acostumado com esse tipo de amor. Mas a realidade era dura demais, para ela esse tipo de amor era dispensável. Se era, então aprendeu a dispensá-lo também.

Aprendeu a viver apenas com os desejos carnais, com o amor pelo corpo, pelo sexo. Não foi uma melhores fases de sua vida, mas fora necessário para crescer e aprender, para amadurecer. Entender que mesmo que a realidade seja cruel, que para ela o amor protetor e verdadeiro fosse dispensável, nem todos iriam pensar desta mesma forma. Haviam aqueles que gostassem e procurassem esse amor, assim como ele passou a procurar. Mas estava desistindo de procurá-lo, pois como na história do “ouro dos tolos”, era somente esse tipo de ouro que encontrava. Nunca havia encontrado um ouro verdadeiro.

E o pior era quando acreditava que o ouro que tinha nas mãos era verdadeiro quando na realidade era justamente ao contrário. Vivia aquela ilusão e sentia-se feliz por aquilo, essa era a parte que mais doía, pois realmente achava que era real, não estava pronto para abrir os olhos e ver o que estava debaixo do seu nariz. Exatamente como o Kanda. Acreditava que tinha achado um dos mais precisos ouros, que vivia as mais belas das primaveras e dos mais quentes verões com ele. A primavera era uma mentira, era pintada e mantida como uma farsa por ele, para esconder o inverno que sempre fora, colhendo as flores negras e sem vida que nasciam. E tinha vivido aquela primavera feliz. Aquele verão quente.

O acordar, o soprar do primeiro vento frio, você nunca acredita, você acha que está vendo coisas, sentindo coisas que não existe. Mas a natureza nunca engana e se você prestar bem a atenção vai ver e sentir o doce inverno chegando. Allen tinha visto as primeiras flores negras, as primeiras árvores sem vida e os primeiros ventos frios, mas preferiu fechar os olhos e viver o verão que estava ali tão quente e vivo. Grande erro.

Depois da briga que tivera, depois do quarto totalmente quebrado, de dormir entre os pedaços de vidro e lençóis amassados, pensara que talvez tivera sido precipitado demais, sim! Poderia ser as primeiras lufadas, mas não queria dizer que seria tão ruim, poderia aguentar aquele inverno. Estava desistindo com tanta facilidade. Mas não tão rápido quanto o seu parceiro.

Enquanto caminhava por entre as ruas de Nova York, pensando onde comeria naquela noite avistou um cabelo escuro tão característico e tão conhecido, que nem precisava ver o rosto para saber quem era. O lindo rabo de cavalo e o moreno caminhavam a sua frente, era um pouco lento para seu gosto, pensou em correr e poder pará-lo para conversar, afinal a única coisa que fizera foi expulsá-lo, ele nem pôde se explicar, podia dar uma chance a ele, não é? Errado. Ao olhar para o lado viu uma morena com seus cabelos soltos, ondulados, balançando para um lado e outro, parecia saltitar ao invés de andar. Com razão. Tinha as mãos dadas ao moreno, parecia rir de alguma coisa, então pararam, ela olhava a sua sorveteria favorita, ela gesticulava e sorria, só de olhar podia dizer que o japonês fazia seu “Tch!” habitual. Então entraram na sorveteria.

Walker perdeu o chão. Como ele caminhava tão normalmente depois daquela briga? E de mãos dadas com ela! Ele nem parecia se importa, na verdade seu mal-humor estava como o habitual como pudera perceber, então ele estaria... Feliz?! Devia ser, agora estava livre para viver seu romance, não precisava se preocupar com um certo albino que quase corria de volta a sua casa. Este certo albino parecia ser o único que se culpava, o único que remoía os assuntos e se preocupava com alguma coisa. O único a amar. Aquelas belas palavras, aqueles belos gestos, onde estavam agora? Para onde toda aquela atenção e cuidado que tivera consigo? Eram falsas? Ou passageiras? Passageiras.

Passageiras, pois um dia elas realmente existiram, mas não foram fortes o suficiente para sobreviver a antigas relações, a coisas não acabadas. Allen chegava ao seu apartamento, sentindo as lágrimas queimarem sua pele, sentia dor, era uma dor de desespero e angústia, aquela dor de quando você é machucado pelo inesperado, mas também sentia raiva, por que não devia ser inesperado. Chutava a mesinha de centro, derrubava os livros e o telefone sobre a mesa ao lado do corredor, a estante que havia perto com outros livros, puxava-os com violência. Então a raiva diminuía, mas a dor não. Abria o quarto branco, com o piano da mesma cor, retirava o celular do bolso... Clamava:

- Lavi... Por favor...

Sobressaltava.

- Está aberta...

Então tocava, quebrava em pedaços a cada nota musical, se desfazia assim como as notas depois que passavam a janela e a porta aberta. Destruindo-se e terminando o fio de sua vida ali, tocando sem parar, durante a tarde, durante a noite, durante o dia, até quando achasse necessário, até quando cansasse de tocar, até seu corpo não aguentar mais. Queria chorar tudo ali, queria expulsar toda essa dor ali, toda a raiva, toda a angústia e aquele sentimento ruim que machucava. Amor?

Flashback on!

- Fazia algum tempo que não via você aqui...

- Eu não precisava vir aqui há anos...

- Allen...

- Ele não tinha esse direito... Ele disse que me amava... Eu o perdi por um amor passado, que ele não conseguira apagar! Eu não fui bom o bastante para superá-la... Eu me pergunto se algum dia eu fui... Se algum dia ele realmente me viu acima dela... Lavi...

- O que foi?

- Obrigado...

Adormecia, entregue ao sono que não queria, mas não precisava ouvir mais nada, nem as vozes em sua mente, nem o silêncio cruel. Então despertava, apenas para levantar, apenas para olhar o mundo ao seu redor e ver que parecia normal, parecia que... Nada tinha acontecido.

- Acordou? – ouviu uma voz insegura, preocupada. Não negava, gostou.

- Sim... Por quanto tempo... Eu dormi? – sentando-se sobre a cama o albino olhava os lençóis, totalmente diferentes.

- Quase vinte e quatro horas... São dez da noite...

- Obrigado. – interrompeu a voz, não queria ouvir qualquer outra coisa. Somente sua presença ruiva era importante.

- Estou aqui por você, sempre estarei... Mesmo que seja de uma forma errada – o menor apertou os lençóis o encarando firmemente, não tinha coragem de olhar os verdes esmeralda.

- Malas... Você já...

- Sim, comecei a fazê-las... Quer ajudar? – então era vez de Lavi interromper, conhecia demais o outro para deixá-lo continuar.

- Sim...

Flashback off!

Haviam ficado em Nova York. Todas as lembranças. Os sentimentos bons. Os sentimentos ruins. Exatamente tudo. Amor de verão. Machucou, feriu, levantou e aprendeu, ou pelo menos era o que o pensava. Devia se concentrar em outros fatos, devia esquecer as primaveras falsas, os ouros de tolos, de exatamente tudo. Allen voltou a colocar os livros nas prateleiras que trazia junto ao peito, esquecendo das lembranças que tivera, precisava esquecer. Escutou risadas abafadas e passos, olhou um grupo de garotas andando pelo corredor, apenas três garotas, seus olhos se prenderam com a do meio, rindo e parte de seus belos cabelos ondulados para frente, sua respiração foi parada por alguns segundos, depois recomeçada. Um certo nervosismo se instalou em seu estômago, correndo pelo seu corpo, atrapalhando um pouco a atividade que exercia. O grupo ficou mais ao fundo, mas ia se aproximando, os olhos cinzas reconheceu a garota ao lado com cabelo liso e escuro, preso num rabo de cavalo e belíssimos azuis escondidos por óculos retangulares:

- Allen! – esta mesma garota falou seu nome e sorriu ao seu encontro, estendendo a mão, eram companheiro de classes.

- Jenny... Como vai? – apertou a mão levemente, com seu sorriso de cavalheiro, a bela Sophia se tencionou por alguns segundos, mas respirou fundo e ficou ao longe.

- Muito bem... Pensei que estivesse em Nova York... – soltaram as mãos, comentara gentilmente com a garota que passaria feiras na outra cidade, quando ela lhe convidou para jantar.

- E eu estava, voltei há uma semana... – a garota com o óculos de grau sorriu, depois tomando-se conta que estava acompanhada.

- Ah! Está é Safira, uma nova estudante de intercambio e que vai ficar conosco por algum tempo... – a garota estendeu a mão e o albino apertou levemente, num gesto a ergue e beijou o dorso de sua mão. A garota em questão, pareceu sem graça, teria corado se não fosse sua pele morena, seus olhos cor de mel se fizeram em um sorriso, assim como seus lábios um pouco carnudos.

- Encantado, senhorita... – deu seu melhor sorriso, soltando a mão da donzela que não parava de exibir o sorriso.

- E esta é Sophia, ela estudava biologia marinha na sala em frente a nossa, mas estava cursando fora e agora voltou... – a garota não estendeu a mão apenas ficou encarando, então Allen movimentou a cabeça para frente, como se cumprimentasse uma princesa.

- Muito prazer... – então um pequeno silêncio incômodo caiu sobre os quatros, cortado pela voz de Sophia.

- Meninas, poderiam ver nas outras estantes o livros que procuramos, acho que o cavalheiro aqui me ajuda nessa... – o albino concordou, as duas outras garotas se olharam para alguns segundos e Jenny se pronunciou.

- Está bem... – as duas refizeram seu caminho, enquanto o garoto se virou as estantes.

- Qual livro procura? Eu acho...

- Vamos parar com o fingimento, está bem? – a voz autoritária da garota cortou um ar como faca bem afiada, pronta para matar qualquer um. Allen apenas suspirou e olhou para ela.

- Estou apenas agindo como me ensinaram, tratando uma dama com respeito... Independente de quem ela seja – declarou normalmente, raiva? Para quê?

- Esse tom normal me irrita um pouco... Mas não vim falar disso, não foi para isso que mandei elas passearem por ai... – Sophia colocou uma das mãos sobre a cintura, olhando para o garoto, que lhe encarava... Entediado?

- Para que então?

- Estamos juntos... – a resposta foi rápida, cortando novamente o ar, uma faca afiada que atingia o cérebro e coração de Allen, deixando-o paralisado por segundos – Não quero que você interfira, quero você longe dele, ou teremos sérios problemas... – os olhos continham uma determinação desumana, mas o albino não se importou, sorriu para ela.

- Interferir? Não, não irei, não vou tomar homem de ninguém, não preciso disso como certas pessoas... Além do mais, se ele está com você, então quer dizer que a escolheu, não foi? Quer dizer que não há mais nada entre nós, que ele não me quer mais, se assim para que irei lutar? Para me machucar sabendo que ele é seu? Eu não tomo as coisas quando ela tem dono, Sophia... Entendo perfeitamente que quando não é meu, não é meu... Você entende isso? — a garota nem pode responder, pois suas colegas lhe chamaram.

- Então, Sophia? Achou por ai? – ela apenas se virou, caminhando na direção das amigas, atravessando como um trem que atropelaria tudo que estivesse em sua frente. Allen sorriu acenando.

Sorriu. Sorriu. Sorriu. Até quando ela se foram, até quando as lágrimas desceram o seu rosto, terminando de colocar os livros sobre a prateleira. Retirou o sorriso. Retirou as lágrimas. Caminhando de volta ao seu apartamento. Namorando. Estavam juntos e namorando. Amor de verão. Acreditar neles é o maior erro, pensar que duram também, pois como o próprio nome diz é apenas “de verão” quando o sol sumir, as primeiras folhas caírem e aquelas flores estranhas surgirem... Estranhas, pois são escuras e surgem pouco a pouco. Vão manchando o branco, contaminando para uma doença cruel. Então a dor.

Aquela dor angustiante, aquela dor de raiva, aquela dor... Que só doía. Jogava-se ao sofá, queria que a dor apenas sumisse, mas ele tinha o remédio? Ou ele somente apaziguava? Qualquer que fosse, ela sumia por algum tempo, tempo o suficiente para se reerguer e dizer que não doía mais. Mesmo que ainda martelasse no fundo do seu peito:

- Lavi... – esperou pela voz do outro lado da linha.

- Allen? Sim, o que foi? – ela prontamente respondeu, se empolgando um pouco.

- Pode vim aqui em casa... Agora? – era um pedido assim tão absurdo? Era realmente o certo?

- Posso... Estou indo para aí então... – não sabia, mas ele havia aceitado.

- Obrigado. – Desligou, esperando pacientemente que a campainha tocasse, deixando o aparelho eletrônico escorregar de sua mão e parar no chão.

Colocou um dos braços sobre os olhos, sentindo novamente as lágrimas escorrerem em seu rosto. Estava machucando tanto. Doía de uma forma inimaginável, parecia que iria lhe sufocar com tanta dor em seu peito, parecia que iria matar. Não era possível, dramático demais? Não, tinha amado, tinha aprendido amar alguém que não merecia seu amor. Não era justo. Sempre que tivera um amor ele se despedaçava daquela forma, sempre lhe causava aquela dor insuportável. Escutou a campainha soar, tão rápido:

- Está aberta... – tentou esconder a voz de choro, impossível. Ouviu a porta abrir e fechar, depois ser trancada, então um corpo se colocou ao lado do seu – Eu não lembrava que doía tanto, Lavi... – o ruivo apenas o encarou por alguns instantes, depois levantou sua cabeça e apoiou em seu colo.

- Não precisava doer tanto assim... – a voz fraca, não sabia o que falar, ele parecia um garotinho assustado, esperando ele vir e lhe acordar dizendo que era um pesadelo. Tão frágil.

- Eu sei... – então Allen retirou o braço do rosto, encarando firmemente aquelas esmeraldas, que lhe fornecia tanta pena. Gostava da proteção que Lavi oferecia, era aconchegante. Desde que não dependesse dela.

- Então não deixe doer... – o albino se levantou, sentando no colo do outro, ele aproximou seu rosto beijando de leve suas bochechas, limpando o rosto de lágrimas.

- Não faça doer, Lavi... – o ruivo já estava no fim de seu trabalho com aquelas lágrimas, parou e encarou os olhos cinza.

- Eu não vou... – então encostou seus lábios com os do menor, ele tremeu ao toque, então sentiu as mãos envolverem e apertarem os cabelos vermelhos, empurrando para que tivesse mais contato.

Allen chorou. Sentindo aquela língua tão ansiosa dentro de si, vasculhando com gosto e o máximo que conseguia cada pedaço. As mãos do maior antes no rosto desceram, se colocando na cintura do outro, depois subindo e apertando as costas do menor. As lágrimas continuavam descendo e Lavi podia sentir cada vez que sua bochecha roçava com a do albino. Para não doer, você tem que primeiro sentir um pouco de dor. Uma lógica irracional, mas que funcionava entre eles. A boca do ruivo já descia pelo pescoço do outro, que arfava agarrando fortemente aqueles fios vermelhos, sentia o corpo ser derrubado sobre o sofá. Encararam-se por alguns segundos:

- Meu toque... – não conseguiu terminar de perguntar, não queria pronunciar aquelas palavras sem motivo.

- Não... Meu corpo... Ainda é desejo seu? – perguntou olhando para os esmeraldas.

- Você sempre será desejo meu... – Allen olhou para o lado, mordendo o lábio inferior.

- Mesmo... Mesmo depois de minhas palavras? – Lavi encostou sua testa levemente sobre a bochecha do albino.

- Elas doeram... Mas você parece mais quebrado para me lembrar da dor delas... – sorriu. Fraco, mas um sorriso se fez no rosto do menor.

Foi o bastante para Lavi.

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Devolver o livro “Os Símbolos Perdidos” de Dan Brow era o objetivo da tarde para Allen Walker, levemente atrapalhado pela presença ruiva. Ela se encontrava conversando alegremente com uma garota de olhos azuis como a água e cabelos cores de mel, os dois sorriam, o albino estava em um ponto cego por causa de uma pilastra, mas podia ouvir a conversa. Foi parado pela pergunta:

- Que tal um jantar hoje, Lavi? – um tom despretensioso, parecia que perguntava por curiosidade.

- Humn... Tenho que voltar cedo senão se importa... – digna de cavalheiro, parecia que ele até vestia terno, um chapéu de época e usava bengala.

- Claro que não! Se o bebê precisa voltar cedo, então voltamos! – então os dois riram. Allen saiu com um típico sorriso, fraco como se o que escutasse não fosse novidade.

Lavi também era um ouro de tolos.

Notas finais
Esse capitulo acabou com meus neurônios e_e Fazer essas metáforas não foi fácil e queria uma boa dose de drama. Espero que tenha conseguido D:
E alguém gostou de como o Allen tratou minha linda OC?! -q
Hakura-san não me odeie T-T Eu juro que não foi de proposito!