Londres: Uma Primavera
9 Cap. 09 - O Corte das Flores.
Notas iniciais
Comemorem que trouxe um capítulo antes do ENEM. Importantes notas sobre isso no final.
Outra coisa, para quem não sabe o nome completo do Alma é... Alma Karma, quem quiser é só ver o "nascimento" do Yuu que ele se apresenta assim. (falo isso, por que MEU AMADO E QUERIDO beta não sabia, até tinha tirado o nome, por que achou que eu tinha errado. Tsc, tsc)
Ao capitulo õ
Lavi estava começando a odiar aquela rotina.
Acordar, passar na cafeteria favorita de Allen, pegar suas rosquinhas meladas de chocolates ou caramelos que ele tanto adorava. Ir ao seu apartamento e fazer um chocolate quente, bastante cremoso e doce. Oh, claro... O fato que fazia odiar a rotina, encontrar um japonês sentando no sofá lendo o jornal do dia, ou então assistindo qualquer coisa na televisão com parte do chocolate quente encaminhado.
Somente o ver daquele moreno tão estúpido – em sua opinião – sentado como se pertencesse àquele local fazia seu sangue subir rapidamente e para piorar nem poderia reclamar, ou brigar com o ser, não tinha voz diante de um albino tão doente. Percebia que desta vez a “transformação” havia sido mais intensa de alguma forma, sua perversidade era algo que estava fora dos limites e não parecia ter alguma vergonha que a fizesse regredir. Pela primeira vez não conseguia reconhecer o amigo, se comparasse com o estado que o encontrara e o ajudara com o de agora, veria um enorme abismo.
Desta vez tudo indicava que ele tinha ido para um lugar e não queria retornar, que não se importaria ficar assim o resto de sua vida, era uma coisa terrível de se pensar, apesar de ser completamente compreensível. Allen não aguentava mais a rejeição e a decepção. Tão nítidos nos olhos cinza a decepção por não poder confiar naquilo em que lhe movera durante os últimos anos, por sempre ter sido abandonado pelo mesmo motivo. Amor. O doce cruel amor que sempre corria nas veias do inglês transformando-se em veneno que lhe deixava doente daquela forma.
Intoxicaram uma Rosa tão bela, Mãe Natureza.
Eu sei, mas é algo que não pude intervir.
Mas...
Nem você, Bromélia.
E saber que grande parte da culpa estava em uma pessoa que provavelmente estaria sentado com uma xícara na mão era algo que corrompia sua alma, pois não aceitava que o destruidor pudesse reconstruir, não entendia essa lógica, pensava que o melhor a se fazer era afastá-lo, porém não era o que Lenalee afirmava. Sua vontade era proteger o albino, envolvê-lo em seus braços e dizer que tudo não passava de um pesadelo terrível, que todo aquele sentimento fora apenas uma ilusão e não precisava se esconder, pois não havia nada para feri-lo. Apesar do albino não querer esse tipo proteção, pois machucava ainda mais sua alma destruída.
Allen recusava qualquer demonstração de amor, compaixão, isso incluía o sentimento que guardava em seu peito, por que lhe doía como uma flecha em seu coração, o fazendo sangrar aos poucos. Tudo pelo fato de não confiar mais nele, por um dia ter machucado tão duramente, acreditava que isso aconteceria novamente e não queria sentir. Se esconder, montar muros e colocar máscaras era mais vantajoso.
Só que todos nós sabemos que não.
Tudo o que a Rosa precisa, é do que ela tem mais medo.
Amor, puro e doce.
Ele desintoxicará qualquer veneno. Você sabe disso, Bromélia.
Por mais que machucasse de inicio, ele se acostumaria com a dor até ela não ferir mais e aprenderia a gostar – novamente – do sentimento que o amor proporcionava, entenderia que mesmo com um pouco de dor, lágrimas, ainda continha as boas sensações, os outros sentimentos que o amor carregava consigo. Lavi – com ajuda – havia feito isso, mostrado o quanto pode ser boa às sensações de uma forma de amor: a proteção dos amigos, os maravilhosos benefícios, as quase perfeitas vantagens.
Demorou um pouco, exigiu paciência e determinação, porém havia conseguido e o albino que despertara daquele poço de sujeira e perversão era um homem incrível. Cavalheiro, gentil, com um sorriso amigo para oferecer para quem quisesse, longe da ingenuidade, apenas a doce bondade, pura e angelical. Fora como cuidar de um jardim, que precisava regar, adubar, cortar pouco a pouco os galhos mortos para que crescesse bonita e radiante. A sensação de ajudá-lo e estar ao seu lado foram extremamente gratificantes.
Puramente corrompido.
Suspirou, percebeu que havia chegado à porta do albino com o pacote com as rosquinhas em sua mão, fizera tudo no automático, hoje havia tirado a manhã para ficar um pouco com o amigo, descobriu que Lenalee também estaria livre e acabou convidando-a também, provavelmente tinha sido o primeiro a chegar, pois a garota não gostava muito de acordar cedo. Colocou a chave na maçaneta e a rodou suavemente, esperava encontrar o menor dormindo, porém não fora que seus olhos enxergaram, ele estava apoiado de costas sobre o balcão da cozinha, calmamente dirigiu-se até perto dele, retirando o aspecto cansado que seu rosto poderia ter.
– Você tem algum trabalho para fazer? – O ruivo pensou nisso como a única coisa para fazer o inglês acordar cedo, entretanto ao chegar perto à visão não fora uma das melhores. O japonês também estava lá, fazendo uma oral que pela cara de Allen estava ótimo. – ALLEN! POR QUE DIABOS VOCÊ NÃO FAZ ISSO NO SEU QUARTO?! – Ao ver, o garoto de cabelos vermelhos vivos recuou, escondendo o rosto como se tentasse apagar as imagens.
– Ah... Desculpe-me, o meu Neko-chan acordou com vontade de tomar leite... – O rosto do menor ficou de perfil e um sorriso malicioso se fez em sua boca.
– Merda, irei esperar que vocês terminem de fazer... Isso, lá fora. Não se esqueça de que Lenalee está vindo para cá – foi à última coisa que Lavi disse antes de bater a porta com força. O britânico voltou o rosto para seu Neko, segurando seus cabelos longos soltos.
– Acho bom você melhorar se realmente quiser tomar algum leite, Neko-chan... – o moreno fechou os olhos e aumentou a velocidade de seus movimentos, entendendo o recado.
Tudo por causa de uma ereção matinal. Allen acordara e como de costume vestia apenas uma cueca, sentindo o doce aroma do chocolate quente sendo preparado. Encaminhou-se para cozinha ainda com seu aspecto sonolento, sem reparar na protuberância entre as pernas, pois geralmente não acordava com ela. Entretanto, ao chegar ao seu destino e notar o olhar do japonês sobre sua cueca azul-marinho, percebeu que o sonho quente fizera um grande efeito, sorrindo, apoiou-se no balcão:
– Que tal tomar algum leite pela manhã, Neko-chan? – o maior apenas desligou o fogo do chocolate, tratando de fazer o serviço. E pela obediência, um sorriso de satisfação brotou nos lábios levemente avermelhados do inglês.
A sensação de poder era incrível.
Domar alguém como aquele brinquedinho. O inglês percebeu ao longo das semanas, era extremamente satisfatório, quando ele lhe obedecia prontamente uma espécie de alegria, contentamento corria em suas veias. E droga, era extremamente bom. Não sabia explicar bem com palavras as sensações que dominavam cada centímetro do seu corpo, o prazer era maior e parecia que o desejo nunca terminaria. Insaciável e delicioso. Sua mente tentava compreender o que seu corpo sentia e achava que seria pela sua doce vingança misturada aos prazeres carnais que tanto adorava.
E claro, pelo fato de estar manipulando uma pessoa, brincando com suas vontades e desejos, dominando alguém, essa sensação era extremamente boa para Allen. Ainda mais, se a pessoa em questão quebrara seu coração, brincara com ele. Estava apenas ensinando que não se brinca com um Walker, por mais frágil que ele parecesse.
Kanda continuava com seus movimentos com a boca, deslizando a língua por toda a extensão fálica, sugando-a com volúpia, às vezes parando distribuindo beijos na glande, descendo até a base. Depois voltava com sucções com mais força, tentando fazer o melhor trabalho o possível, era inegável que adorasse aquelas expressões do albino e seus doces gemidos, toda vez que o via, era encantado pelas suas feições, engolidos por elas. Aumentou uma última vez a velocidade sentindo o membro pulsar dentro de sua boca, além de um leve empurrão em sua cabeça causando uma leve falta de ar e segundos depois o gosto amargo veio descendo direto por sua garganta. Engoliu forçadamente, tentando não transparecer que assim foi. Após todo líquido ter sido liberado, retirou o membro de sua boca, sentindo um pouco escorrer pelos seus lábios. Seus cabelos escuros foram agarrados e puxados com força para cima, depois os lábios macios tocaram com seus, a língua adentrou sua concavidade forçadamente, num beijo quente e apressado.
As mãos do inglês antes nos cabelos desceram rapidamente para a cintura apertando com agressividade, em seguida virando o corpo, imprensando-o contra o balcão, encostando as pélvis sentindo a clara ereção que o outro trazia. Ele, por sua vez, alisou suas costas, acariciando e tocando cada parte com cuidado, como se descobrisse algo totalmente novo, tomando precauções para não machucar a pele alva do britânico. Essas mesmas mãos continuaram a descer até as nádegas lisas e as apertarem suavemente, sentindo os dedos sumirem na maciez da carne desnuda. Infelizmente, o ar começava a tornar-se escasso, precisavam parar e então o menor descolou os lábios:
– Sabe, meu leite não é tão ruim assim... – Allen declarou com um sussurro na orelha do seu Neko, que tremeu leve ao ter a voz tão perto de um ponto fraco, seus lábios desceram e começaram a marcar o pescoço do outro, sentindo-o suspirar perto de sua orelha – A ideia de foder com você na cozinha está me excitando... Mas a Lenalee está vindo, não quero que ela atrapalhe... – o britânico falou sem parar com as carícias, na verdade as aumentou com toques no mamilo do seu brinquedinho.
– Esqueça a garota... – Kanda disse em uma voz rouca pelos inúmeros gemidos do dia anterior, sentindo, poucos instantes depois, uma mordida em sua orelha.
– Tentador... Mas não. Vá para o banheiro e livre-se disso... Eu vou terminar de aprontar meu chocolate e aproveitar minhas rosquinhas, que por acaso devem ter ficado frias... – e de repente, o inglês soltou o moreno como se fosse nada, pulando para o pacote que estava ao seu lado.
Suspirou ao ver que ele arrumava a cueca, concentrando-se nas delícias dentro do pacote, falando “que sorte, estão mornas!” percebendo que não conseguiria mais atenção dele. Caminhou um pouco decepcionado para o banheiro, ao chegar lá, ligou o chuveiro na menor temperatura o possível para não se rebaixar a níveis, que considerava humilhantes.
Se existe algum pior que aquele papel.
O papel de um brinquedo com certeza era degradante, estar em total mercê do britânico em outros tempos era algo que já se sentia incomodado, agora vendo que era só usado era pior ainda.
E não conseguia fazer nada para impedir.
Na verdade, nem queria, tudo que fazia era obedecer às inúmeras ordens que ele declarava, quando ele lhe chamava logo após o anoitecer, só para lhe ter, quando ele falava aquelas obscenidades e não sabia o que responder encarava um pouco corado. Era só o que acontecia nas últimas semanas... Quantas? Três? Quatro? Nem isso saberia dizer, estava engolido por aquela rotina de obediência.
Levantou o rosto para sentir a água fria batendo diretamente em sua pele clara provocando uma sensação de ardência como se algo queimasse. Nunca pensou que estaria indo tão longe somente por um pirralho, que estava ali, com aquelas marcas vergonhosas em seu corpo, só por causa de uma pessoa. Voltou a baixar o rosto, pois não aguentava mais os pingos volumosos e extremamente frios batendo contra uma região sensível, preferindo encarar o piso branco a sua frente.
Talvez, o mais sensato era desistir, seguir em frente e esquecer, afinal era apenas um romance com certeza seu coração daria conta de remendar os pedaços, por mais dolorido que fosse. Só que não conseguia e toda vez que cogitava na hipótese sentia um aperto no peito, era muito mais cômodo continuar daquela forma, afinal se tinha acarretado tudo aquilo mais que sua obrigação aguentar as consequências de ser tão estúpidos, às vezes.
Porém, o pior de tudo era ver que aquela expressão continuava lá, que ainda haviam saídas e uma personalidade totalmente diferente no corpo do albino, seus esforços pareciam não surtir efeitos. Na verdade, nem começara um contra-ataque, apenas deixava as coisas seguirem um rumo e tentava acompanhá-lo, como se de noite para o dia, o inglês acordasse do seu lado com o sorriso bobo de sempre, totalmente recuperado. Era obvio que não ia ocorrer, mas queria se enganar um pouco... Afinal, o que deveria fazer?
Amor, Flor de Lótus.
O quê, Mãe Natureza?
Não se abata por sua flor, se ela lhe oferece veneno, ofereça amor.
Como assim?
Você, Flor de Lótus, é uma das mais belas flores e que contém um grande amor.
Mostre para essa Rosa que ele nunca morreu.
E que na verdade, está mais viva que nunca.
Desligou o chuveiro notando que sua ereção havia sumido, o que era de se esperar pelo tempo que passara, sentia que os ossos teriam congelados e seus dedos estavam enrugados, ao sair do box encarou o espelho, olheiras eram visíveis e seu aspecto cansado também. Eram apenas noites mal dormidas, utilizadas em outros propósitos, que agora não pareciam claros e sendo sincero, estavam perdidos em algum lugar.
Procurou sair do banheiro e começar a se arrumar, pegando a cueca que havia tirado para o banho, vestindo-a rapidamente sendo seguida pela calça, que por acaso parecia ter vida já que vibrava fortemente em dos bolsos. Seguiu a vibração e descobriu ser seu celular, era Alma quem ligava provavelmente preocupado por ter passado uma noite fora.
– Oi, Alma... O que foi? – disse ao apertar a tecla verde de seu celular.
– Ah Yuu, que bom que atendeu! Você está na casa do Allen, certo? – a voz levemente alterada pelo celular, mas ainda sim extremamente reconhecível.
– Estou, por quê? – colocou o celular em seu ombro, apertando contra a orelha, para poder vestir a calça jeans.
– É que Lenalee disse que iria para aí pela manhã e ocorreu um pequeno problema no laboratório, eu queria perguntar algo para ela. Você poderia me dizer se ela está ai? – havia certo entusiasmo na voz do amigo, algo comum se não tivesse mesclado a preocupação.
– Por que não ligou diretamente para ela? – perguntou pela súbita falha do amigo.
– Celular fora de área, deve ter descarregado... Por favor, Yuu~ – o moreno suspirou, pegando a camisa polo azul do chão.
– Está bem, espere só um segundo, vou ver se ela chegou... – colocou o celular sobre a cômoda, colocando a camisa, depois foi para perto da cama, na qual calçou os tênis, rapidamente arrumou o cabelo em seu rabo de cavalo, indo em direção à sala atrás da garota ao abrir a porta se deparou uma cena surpreendente.
A garota já se encontrava no recinto, sentada ao lado do menor, rindo de alguma coisa, na verdade, os outros estavam a soltar gargalhas e o que lhe impressionou foi que... O Moyashi estava rindo. Sem sarcasmo, sem ironia, sem escárnio... Era apenas um sorriso, provavelmente o primeiro que via de quase felicidade pura, quase sentiu vontade de sorrir também de tão belo que era. Esse sorriso podia ficar em seu rosto para sempre. Porém, as risadas foram cessadas quando sua presença fora notada.
– Algum problema, Neko-chan? – Allen declarou ao vê-lo parado em frente à porta de seu quarto, se levantando do sofá com a xícara do chocolate quente vazia, buscando por mais. Kanda caminhou devagar até perto do sofá, o albino pensou que ele viria até si, porém ele caminhou em direção à morena lhe entregando o celular.
– Alma quer falar com você... Ele tentou ligar para você, mas disse que não conseguiu... – Lenalee encarou o objeto na mão do moreno, pegando logo em seguida retirando-se para um canto começando a falar e gesticular.
Lavi apenas suspirou diante a presença do japonês, virando o rosto, procurando encarar a morena e tentar descobriu as línguas que ela falava, afinal não entendia nada sobre biologia. O maior, por sua vez, encarou o albino que estava concentrado em fazer mais chocolate, parecia cantarolar uma música e parecia saltitar de um lado para o outro, lembrou-se do belíssimo sorriso. Aquilo era o Moyashi que conhecia, aquele que sorria com os amigos e que fazias brincadeiras, o sorriso tão belo e tão fácil, era aquele albino por quem tinha sentimentos.
Amor, Flor de Lótus, qualquer que seja desintoxica qualquer flor.
Mas... Não é—
Engana-se em pensar que a amizade não é um tipo de amor.
Ela é. E um dos mais fortes.
Fora acordado de lembranças pelo leve sussurrar da voz da garota ao seu lado:
– Kanda...? – despertou-se, vendo que encarava demais o inglês e que ele possuía uma feição estranha, devolvendo o olhar.
– Terminou? – a garota confirmou com a cabeça.
– Sim, obrigada... – ele pegou o celular e começou caminhar para a saída, não andava em passos muitos rápidos, talvez o seu britânico pedisse algo, mas não aconteceu, teve que girar a maçaneta sem qualquer “Tchau”, caminhando de volta para seu apartamento. A garota apenas ficou encarando, voltando a sentar-se no sofá diante a televisão pegando o controle remoto.
– Algum problema, Lenalee? – o futuro médico declarou com outra xícara de chocolate quente cheia em suas mãos, notando o olhar curioso da colega sobre seu brinquedo.
– Não realmente, estava pensando... Você não tinha o dispensado? – a morena sabia de toda a história, escutara quase toda da boca do amigo ruivo, porém nunca tivera uma oportunidade para conversar cara-a-cara com Allen, por isso fingia desconhecer sobre a situação.
– Hun, eu o dispensei... Agora, ele é meu mais novo brinquedo... Leal brinquedo – Lenalee balançou a cabeça mostrando que entendia.
Podia não parecer, mas ela era uma das amigas mais fiéis do albino, apesar de estar sempre ocupada com assuntos do laboratório, de vez em quando arrumava folgas como essa para escutar o amigo. Já que havia assuntos que Lavi não se dispunha a ouvir, a morena era os ouvidos que escutavam todas as perversidades do inglês e às vezes até opinava.
– Eu pensei que não o quisesse mais, de nenhuma forma – a garota sentou no sofá novamente, pegando o controle e começando a vasculhar algum programa bom.
– Percebi que tê-lo como brinquedo pode ser muito prazeroso – um sorriso malicioso se fez na boca do albino, que olhava para o aparelho eletrônico sem realmente vê-lo. Concentrava-se nas últimas lembranças da noite.
– O que pensa em fazer, Allen? – a súbita curiosidade assustou um pouco o britânico, que virou o rosto para encarar os olhos, que pareciam desafiar o amigo.
– Envenená-lo com o próprio veneno – Allen tratou de devolver o olhar, mostrando muito bem o que estava fazendo e qual era seu propósito. A amiga preferiu encarar a televisão novamente, vendo que não poderia penetrar naquela barreira.
– Sabe, ele parece ainda gostar de você... – declarou fracamente, sem ter muita certeza sobre sua afirmativa, ou então com um leve receio sobre um pequeno surto ali, só o que ouviu foi diferente do que esperava.
– Talvez, mas ele é um vadio... Vai transar com qualquer mulher na primeira oportunidade, ele tem um imenso fraco por elas... Só foi Sophia aparecer que ele já a pegou de todas as formas. Por enquanto, só o sexo está bom, enquanto ele balançar o rabinho para mim estará tudo bem... – uma pausa pra tomar o resto do chocolate quente – Vou me trocar, espere um momento – e o garoto levantou deixando a xícara em cima da mesinha.
– Allen ainda o ama... Ama que não quer que ele vá para longe – assim que a porta fora fechada, a morena declarou essa sentença.
– Tenho minhas dúvidas sobre o maldito japonês – a afirmativa fez Lenalee sobressaltar-se, olhando para a expressão séria do amigo. Suspirando logo depois.
– Eu também tenho. Mas ele é nossa melhor esperança, se o Allen enlouquecer como Marian disse, não haverá mais volta, o perderemos para sempre...
– Para sempre prostituto... Para sempre se escondendo do amor... Para sempre vivendo em uma ilusão.
– Em quem não pode confiar em ninguém, nem mesmo em si próprio – a morena apertou o controle fortemente em sua mão. Como tinha medo dessa afirmativa.
– Por isso quero arrancar fora a cabeça daquele maldito – Lavi reparou na ação da amiga, mas preferiu ignorar.
– Eu sei que você já percebeu que nossos esforços são inúteis, acho que o Allen desenvolveu uma forma de defesa contra nós... Contra o que fazemos para recuperá-lo. Kanda é o único que consegue abalar o interior dele, você viu como ele muda de humor com a presença dele? – a garota virou-se para o jovem Bookman[1] e o encarou, tentando fazê-lo perceber a importância da presença do moreno.
– Eu estive aqui nas últimas semanas, óbvio que sim – Lavi teve que concordar derrotado, mesmo que usasse um tom ríspido.
– Então, é por isso que vai se controlar e suportar o Kanda – Lenalee declarou a frase que encerou a conversa.
AWYK
Alma chegou ao seu dormitório e o abriu normalmente. Chaves rodando, o clique da maçaneta sendo aberta, o leve ranger da porta sendo empurrada. Coisas naturais. Adentrou colocando a bolsa sobre a cama e tirando os tênis com os próprios pés, retirou o jaleco, pois começara a ficar abafado e não sentia coragem para tomar um banho agora. Olhou para o lado e um sorriso doce surgiu em seus lábios, seu companheiro de quarto dormia tranquilamente de bruços sobre a cama. Ele abraçava o travesseiro abaixo de si, ainda com o cabelo preso no rabo de cavalo e o rosto em direção à parede. Caminhou em passos calmos até ele, se abaixando e sentando na beirada do colchão, cuidadosamente desfez o penteado, acariciando os fios escuros, o que acabou fazendo-o despertar.
– Boom diaa~ – declarou em uma voz animada. Vendo o maior se esticar na cama, alongando os músculos – Bom, não é bem bom dia, por que já é uma da tarde... – o garoto com uma cicatriz no nariz levantou-se, deixando o outro arrumar-se melhor no colchão.
– Eu apaguei... – Kanda declarou sentando-se, notando que os cabelos estavam soltos, não se importando muito em amarrá-los.
– Percebi, da forma que você estava dormindo... Chegou que horas? – Alma retirava algumas coisas de sua bolsa jogando-as sobre seus lençóis.
– Por volta das sete e meia – na verdade, não lembrava muito bem que horas eram, mas supôs pela chegada do Usagi.
– Hun... Você não tem aula hoje? – Alma virou-se um pouco mais interessado, não estava querendo chegar naquele ponto agora.
– Não, fui liberado pelo professor de infraestrutura para começar um projeto para ele... – o moreno olhou para o projeto na ponta da cama, enrolada e dentro de uma cápsula própria para arquitetos.
– Aah sim, eu lembro que você disse que pegaria algo assim para poder conseguir um emprego naquela companhia... – novamente o amigo se aproximou e sentou-se sobre o colchão, fazendo uma expressão que tentava lembrar-se do nome da construtora, porém sem sucesso.
– Kamelot’s Construction... – Kanda achou por melhor ajudar, sabia que seu amigo para os assuntos de arquiteturas é péssimo.
– Isso, isso! Conseguiu terminar? – Karma pegou a cápsula em forma de tubo, feita de plástico preto, desenroscando a tampa e vendo alguns papéis enrolados dentro.
– Sim, está pronto... A apresentação vai ser amanhã. Os slides também estão prontos e o professor está corrigindo. – sem muito interesse, Alma nem olhou os papéis, simplesmente fechou a tampa tratando de lacrá-la perfeitamente, colocando a cápsula de volta ao lugar em que estava.
– Mas você não disse que só ia começar? Já vai apresentar esboços assim? – não que Yuu não quisesse explicar, porém estava realmente sem paciência no momento, bufando para demonstrar isso.
– Meus esboços são importantes para que o acabamento não saia errado – Alma percebeu que extravasara sua cota de perguntas e levantou-se, começando a procurar suas havaianas.
– Certo... Fico feliz que esteja mantendo seu prazo em dia, pelo menos a ida ao apartamento do Allen está servindo para mais outro propósito – dessa vez o maior resolveu não comentar, apenas se focou nos lençóis brancos que estavam embaixo de si.
Verdade que depois de ser aproveitado era deixado de lado, podia ficar no apartamento dele, porém precisava fingir como se não existisse e não era tão difícil já que não falava muita coisa. Havia noites que era chamado tarde da noite, depois que ele já tinha voltado do bar e a única coisa que faziam era alguns jogos sexuais que o albino ordenava. Outras eram tardes antes dele ir para o bar, no qual era mais aproveitado fisicamente, o que deixava exausto por uma manhã inteira. E eram essas tardes que utilizava a noite para organizar sua vida universitária. Ele não parecia se importar de chegar e encontrar o japonês dormindo sobre a mesinha de centro da sala. Ele parecia não se importar com nada.
– Como ele está? – a pergunta rompeu os pensamentos de Kanda, que não levantou o rosto, apenas apertou com força os panos brancos na palma de sua mão.
– O mesmo – declarou seco, direto. O que fez Alma suspirar, achando suas havaianas e calçando-as.
– Se você quer saber uma coisa... Desde semana passada, há algo diferente nele – dessa vez os olhos ônix se levantaram e encararam os orbes brilhantes do amigo, pedindo para continuar logo – Ele passou te chamar mais vezes. Não sei se é bom, ou ruim, porém você está mais frequentemente com ele do que antes... Acho que ele já se acostumou com sua presença, talvez seja um risco eu afirmar isso, contudo... Acho que ele já passou a desejar sua presença mais vezes. – os sempre finos e puxados olhos negros se arregalaram por um instante para depois semicerrarem-se novamente, pensando a respeito – Nah, mas vamos comer? Que tal ser no seu restaurante favorito? Eu posso pagar hoje~~
– Hun, certo. Vou tomar um banho – Kanda declarou levantando-se da cama.
– Hai, não demora~
AWYK
O restaurante preferido de Kanda é um que servia as tradicionais comidas japonesas e segundo a opinião do mesmo, o melhor de Londres. Alma não sabia como o amigo havia se apegado aquele local, talvez fosse pela tranquilidade que emanava. Por muitas vezes – como agora – não havia muitas pessoas, provavelmente por ser tarde, apenas três mesas se encontravam ocupadas. Havia um grande salão decorado, janelas na fachada e um balcão ao fundo para ser a entrada à cozinha. Sentaram-se numa mesa mais ao canto direito do recinto, perto das janelas. Logo uma garçonete veio trazendo o menu, que o maior dispensou dizendo que queria uma sobá, o amigo aceitou começando a escolher o que queria comer.
Em poucos – ou talvez longos na opinião do mais velho – ambos pediram à mesma garçonete, que sorriu dizendo que não demorava. Um sorriso se fez no rosto de Karma e o amigo conhecia esse sorriso, algo como se se preparasse para alguma bomba que estava por vir. O moreno suspirou enquanto olhou sério para o amigo:
– O que você quer? Pagar meu almoço e ser no meu restaurante preferido... Tem algo que quer pedir, ou então contar – o sorriso de Alma tornou-se sem graça.
– Poxa, nem posso agradar meu querido amigo que ele me olha como se tivesse segundas intenções – um olhar incrédulo naquelas palavras partiu do maior – Está bem, está bem... É sobre Sophia.
– Não tenho interesses sobre ela – respondeu rápido e direto.
– Você acha que eu não sei? Mas... Você tem que falar isso para ela... – o moreno suspirou – Você sabe, ela pensa que seu namoro com o Allen acabou e que não tem chances de voltar... E acha que vai te fazer esquecer-se dele – o mais velho teve vontade de sorrir, porém não o fez, somente um elevação dos cantos dos lábios demonstrando o sarcasmo.
– Você é estupido, contudo sua irmã te supera... Não sei como consegui ficar com ela – o castanho deu os ombros dizendo que não sabia também.
– Bom, de qualquer forma... Ela quer te ver para conversar, ou algo assim... Eu consegui mantê-la afastada por todo esse tempo, não posso fazer mais isso.
– Diga para ela me encontrar na quarta-feira no parque da Universidade depois da minha aula à tarde... – o moreno declarou mais na desistência do que vontade de ver a garota.
– Aquela que termina perto das quatro? – menor perguntou só para confirmar.
– É – e a conversa sobre Sophia se encerrou por ali, a garçonete trouxe os pratos e o silêncio reinou desse momento em diante.
Notas finais
Gostaram da flor do Lavi? -q Brómelia, vermelha, fiel e companheira. Eu acho que combina.
Sobre o ENEM... Vamos lá, daqui a duas semanas ele chega. Ou seja, não postarei mais nada de Londres até lá, para animar ainda mais, depois do ENEM tem Uema (que é a estudual daqui) e eu farei ela também, se eu passar na primeira fase, faço a segunda que é no final de semana seguinte. Ou seja, SEM QUALQUER POSTAGEM de Londres até o 16/11!
Sobre Potion, vou tentar... LEIAM BEM! TENTAR! Trazer um capítulo até sexta. Creio que eu consiga, aê ela também entrará na regra que só terá atualização depois do dia 16.
Ah! Não vão achando que no dia 17, pá! Vai ter atualização, porque não. Vai ser o dia que vou voltar a pegar as minhas fanfics e escrever algo. Falo isso para não criarem esperanças -q
Peço encarecidamente que entendam e fiquem comigo. Se ficarem, vomitarei arco-íris, se leu até aqui também. Se quiser, deixe um review. (pelo menos para me xingar, ou dizer que está indo embora ;--; qqq)
Enfim, bye~
Fale com o autor