Londres: Uma Primavera
10 Cap. 10 - Os Jardins Doentes.
Notas iniciais
Hoje é um dia feliz, lindo, cheio de purpurinas ♥
Temos novos capitulos e noticias boas e ruins~
Mas antes, o capítulo!
Betagem como sempre: Ed.
Boa leitura.
Antes de Kanda realmente mergulhar naquele universo do Moyashi para poder resgatá-lo, precisava acabar com qualquer esperança de Sophia. Qualquer coisa que a levasse crer em um “nós”.
Ela poderia piorar as coisas se pudesse e de forma alguma o moreno iria querer isso. Sendo assim, mandou recado para ela por meio de Alma para lhe encontrar no parque que a Universidade possuía. Um lugar que era especial para ambos, pois era costumavam se encontrar para namorarem, fora ali o inicio da relação nada mais do que justo para ser o final. Depois do término de sua aula de urbanismo, caminhou, em passos rápidos, em direção ao local, sabendo que estaria atrasado. Nem notou que a classe de Medicina encerrava suas aulas e que um albino encarava curioso o seu Neko-chan, perguntando-se para onde iria com tanta pressa. Porém, parecia determinado não parava para conversas – como se realmente fosse – ou para ver o lugar ao seu redor.
Depois de dobrar alguns corredores e descer mínimos degraus, Allen percebeu onde estavam indo, o parque – ou melhor, uma área verde que a Universidade possuía na ala leste – com árvores de porte médio, arbustos e bancos escondidos por entre eles. Quando chegaram ao destino, o inglês tomou mais cuidado em sua “perseguição”, pois já não havia mais colunas ou pessoas para poder se esconder. O japonês por sua vez nem fazia questão de olhar para trás, não haveria motivos, quem lhe perseguiria?
Começou a caminhar por entre as árvores, sentindo alguns arbustos roçarem sua calça, procurando o maldito local. E ao chegar perto notou a garota de cabelos ondulados, que olhava para todos os lados e sorriu ao ver que o moreno estava indo em sua direção. O britânico por sua vez, se recostou em uma árvore perto, fingindo está lendo um livro qualquer sobre a anatomia humana, sorrindo de canto.
Vê Mãe Natureza? Sua Flor de Lótus não é tão pura.
Está adiantando as coisas, Rosa Negra.
- Kanda! Eu pensei que não vinha – o rapaz sentou ao lado da moça, colocando sua bolsa sobre as pernas.
- A aula demorou mais do que eu pensava – declarou devagar para poder respirar melhor, a caminhada lhe deixara sem fôlego.
— Hun, entendo... Então, sobre o que queria conversar? – a moça ajeitou-se melhor no banco, soltando um sorriso maior que o anterior. Kanda a encarou sério.
- Eu quero que você não interfira – o sorriso de Sophia sumiu, dando lugar a uma expressão confusa.
- Não interfira? Como assim? Do que está falando?! – o olhar do moreno de sério passou para impaciente.
- Sobre mim e o Moyashi... Eu não quero que se meta em nossa relação. Você só está atrapalhando, então, pare com isso – os olhos da garota ficaram marejados, e as brilhantes lágrimas caiam em direção a sua calça jeans.
- É isso?! Vai me largar por um prostituto! – a castanha levantou o olhar, mais gotas d’água se formavam em seus olhos – Você perdeu a razão, Kanda?! Além de ser homem, ainda sai dando para todos que encontra! – tanto Walker quanto Yuu se irritaram. Ambos apertaram fortemente o objeto em suas mãos para não cometer uma loucura e o japonês precisou de todo seu autocontrole para continuar.
- Ele não é assim... Não é ele... – o rapaz não levantou os olhos, preferiu a visão verde do gramado.
- Eu acho que você não está são, porque é muito claro para mim que ele é um prostituto. Ele trabalha naquele bar! Ele troca o corpo por dinheiro! Vá num dicionário e—
- Será que dá para fechar esse sua maldita boca? – Kanda fez um movimento rápido de levar sua mão a boca de Sophia, contendo as próximas palavras dela – Eu não quero você falando sobre esse assunto, nem mais uma palavra. De todos, você é a menos que tem direito – o moreno retirou a mão, se levantando em seguida – Adeus, Sophia – e começou a caminhar.
- Kanda! Kanda! Kanda! – Sophia se levantara seguindo-o – Não terminamos— a garota parou de falar, Yuu se virara com sua expressão séria, porém dessa vez era maior de que todas que já fizera. E isso fez a castanha tremer um pouco.
- Se você voltar a ficar no meio caminho... Eu não terei pena em passar por cima de você – e recomeçou a caminhar, deixando a jovem Karma aos prantos, retornando para o banco.
- Eu te amava, Kanda... Droga; está tudo arruinado... Não há ninguém... Ninguém para mim – e ombros se sacudiram com força, as lágrimas embaçavam sua visão.
- Há uma vantagem em ser prostituto... Eles sempre estarão lá por mim... Sendo meus deliciosos brinquedinhos... E serei eu que partirei corações – a voz veio sussurrante em sua orelha, levando-a a assustar-se, deixando-a paralisada. Depois que seu cérebro começou a funcionar, virou o rosto encarando um albino com uma expressão em desdém.
- Você! Você que arruinou tudo! Seu gay miserável! – as afirmativas raivosas só fizeram Allen soltar uma gargalhada debochada.
- Eu? Tem certeza? Deixe-me contar um segredo... Todos os dois homens que antes morriam de amores por você estão em minhas mãos... Agora, é a mim que eles buscam quando querem se satisfazer... Você foi descartada como algo que ficou velho por ser usado muitas vezes, ou simplesmente chato por não ter valor nenhum – Sophia borbulhou de raiva levantando-se abruptamente se aproximou do britânico, que só aumentava o sorriso.
- O que você quis dizer com os dois homens? – ela trincou os dentes, enquanto Walker apenas levou uma das mãos ao cabelo passando de forma displicente.
- Exatamente o que quer dizer... Eu tenho o Marcus e aquele japonês balançando o rabinho para mim... Todos os dois desejam a mim... Querem meu corpo para aquecê-los durante uma noite... Até pagam por ele, enquanto você está aí ao relento... Abandonada a sorte... Então, acho que ser um prostituto não é tão ruim, certo? Eu ia sugerir para você se candidatar a gravata vermelha, todavia... Acho que ninguém compraria você. Seria só um estorvo – com uma última gargalhada de sarcasmo, Walker saiu do lugar, decidido a fazer uma coisa.
Sophia apertou as mãos com força, sem uma palavra para retrucar. Havia sido derrotada duas vezes.
Talvez, esta flor não seja tão impura, Rosa Negra.
Oh por favor, só por que eliminou uma flor doente? Isso prova outra coisa.
O quê?
Que ele descarta as flores.
Podia se dizer que Allen Walker estava feliz. Não exatamente por ter visto a cena do seu brinquedinho dispensando a garota, mas sim pelo o que ela representava. O amor ia e voltava para aquele moreno. Ele não era confiável, não merecia o amor das pessoas, pois um dia poderia acordar e não amar mais. Isso deixava o jovem albino feliz, pois confirmava suas suspeitas em não depositar seu amor nele, ele traia assim como fizera antes. Podia vangloriar-se e dizer que aquilo não é amor. Podia seguir em frente sem problemas com um sorriso travesso, planejando, arquitetando.
Então, você realmente... Pensou que poderia ser...
Heh, não.
Caminhava apressado pelos corredores à procura daqueles cabelos longos, meio perdido por não saber onde seguir, mas tinha a ideia de que talvez fosse para o dormitório e só havia uma entrada ali perto. Como pensara, vira a camisa polo branca e a calça jeans justa acompanhado de um All Star escuro. Apertando o passo chegou bem perto e pegou seu pulso, o puxando para um corredor mais afastado. Uma antiga entrada que havia sido fechada recentemente, sem janelas, ficando escura, pois o grande portão estava fechado. Empurrou seu Neko-chan contra a parede, encarando fundo naqueles olhos negros.
- De alguma forma, eu estou feliz... E excitado... – depositou um beijo naqueles lábios doces. Feroz e com sede para mais, usando sua língua para explorar cada canto daquela boca e fazê-lo perder o folego.
- Hun... Por quê? – o moreno fora virado contra a parede bruscamente, utilizara as mãos para não bater seu rosto nos tijolos antigos da construção.
- Precisa de um por quê? – o albino começou a morder o pescoço do seu brinquedinho, abaixando sua gola e usando a outra mão para adentrar a camisa.
Beijava o que podia naquela posição, marcando toda a nuca, escutando suspiros vindo do outro, descobrindo que ali era uma região extremamente sensível. Enquanto a mão brincalhona deslizava pelo tórax definido do japonês. Walker percebendo que conseguira deixar uma marca consideravelmente vermelha, usou a outra mão para suspender a camisa até metade do torso, abaixando o rosto para lamber aquela região e deixar leves beijos. A cada toque dos lábios finos e rosados o Neko-chan tinha espasmos, soltando uma espécie de gemido contido. Subiu a língua pela coluna vertebral vendo-o arquear as costas cada vez que chegava mais alto, chegando ao ponto em que mordera o local, escutando um gemido doloroso. As marcas dos dentes eram visíveis, provavelmente ficaria roxo.
O albino sorriu. Causar dor também era divertido. Suspendeu o corpo, deixando a polo clara cair novamente, desta vez usando as duas mãos para acariciar o peitoral, escorregando-as até perto do cós da calça, depois subindo novamente. Enquanto respirava rapidamente na orelha do seu brinquedinho, sentindo-o tremer levemente por isso. Então, em algum momento os dedos finos e um pouco longos de Allen tocaram um dos mamilos de Yuu, que gemeu pela surpresa. O outro só soltou um de seus sorrisos maliciosos, levando as duas mãos para a região começando as carícias. Assim que os botões rosados começaram a rolar entre os dedos, Kanda – involuntariamente – empinou sua bunda, encostando-se à pélvis do outro, sentindo algo vivo naquela região.
Walker apenas sorriu e começou a se friccionar contra as nádegas do outro, colocando seu membro entre elas. O moreno quase podia senti-lo tocando sua entrada e seu corpo movimentava-se em busca de um contato maior, empurrando para trás. Enquanto isso os dedos ainda trabalhavam ativamente, rolando, puxando, beliscando, provocando alguns momentos de dor, entendidos por um murmúrio doloroso. O albino mantinha seus lábios perto da orelha do outro, respirando perto dela e muitas vezes mordendo, lambendo, provocando incontáveis tremores no corpo em suas mãos. Que por acaso uma delas descia cuidadosamente aquele torso detalhado, chegando ao único botão da calça, o abrindo com facilidade e adentrando na cueca.
Tocou o membro ereto, mas não ao ponto de estar melado, somente a excitação pura, então começou a masturbá-lo lentamente dentro da peça de roupa. Os movimentos eram difíceis e desajeitados, porém o inglês percebeu que era algo bom, pois sentia o desespero do seu Neko-chan por sentir mais. Tentava empinar a bunda, remexer o quadril, algum modo que melhorasse o contato de sua mão. Riu daquilo, era bom vê-lo tão subjugado, tão... Seu. Seus lábios haviam saído de perto da orelha, voltaram se aproximar, sussurrando o mais sedutor que conseguiu.
- Você quer mais, não é Neko-chan? – não precisava de resposta, os gemidos contidos eram provas suficientes – Que tal você pedir? Diga... “O Neko-chan quer gozar em sua boca”, se pedir certinho, talvez eu possa atender... Vamos, diga! – o futuro médico tinha quase certeza que aquele brinquedinho não falaria. Não esse.
Continuou os movimentos, ouvindo somente os gemidos contidos. Kanda não iria tão longe só para sentir um orgasmo, apesar de desejar que aquela tortura acabasse, os toques não eram suficiente, precisava sentir melhor. Contudo ainda era extremamente bom, tanto que Allen sentiu o pré-gozo ser eliminado aos poucos, melando seus dedos e a cueca. Era um sinal de que o orgasmo estaria perto, subiu sua até a cabecinha, rolando o dedo indicador naquele local, sentindo o liquido pegajoso ser eliminado com maior quantidade. Ele gostava daquilo. Voltou a descer a mão, subindo e descendo como podia, voltando para a cabecinha e reiniciando os movimentos. Espasmos e gemidos mais intensos eram escutados.
- Apesar do Neko-chan não ter pedido, receberá seu prêmio... – a outra mão, que a muito tempo havia abandonado os mamilos, segurando a cintura para que parrasse de rebolar, desceu mais um pouco até a calça, a abaixando.
Depois foi a cueca, que deslizou até a metade da coxa, no processo, a bolsa do moreno atrapalhou, pois estava cruzada no torso do mesmo, fora retirada com tamanha rapidez que só pode sentir o alivio pela falta de peso. Os cadernos há muito tempo estavam no chão, agora perto da bolsa. Todo o processo fora feito sem parar nenhuma vez os movimentos no membro duro do brinquedinho, que agora com mais liberdade, podia sentir a mão trabalhando melhor em seu “problema”. Todavia, à medida que ela se tornava melhor no que fazia seu ápice se aproximava. Mesmo quando tentou conter-se para não liberasse tão rápido, o jorro atravessou sua uretra e respingou na parede a sua frente. A sensação de orgasmo que nublava sua mente.
Eu amo você.
Eu odeio você.
Eu não consigo viver sem você. [1]
Fora apenas segundos que Yuu pudera relaxar, deixar sentir a sensação pós-orgasmo dominar seu corpo, levando-o a relaxar a musculatura. E foi nesse momento que algo “inesperado” ocorreu. O japonês sentiu suas nádegas serem separadas, logo uma coisa sólida lhe travessou rapidamente que só pudera sentir a dor, após de estar totalmente dentro. Seu corpo reagiu ficando paralisado a dor que chegava ao seu cérebro e atrofiava seus músculos. Escutara algo parecido um gemido.
- Hung... Pensei que já tivesse um pouco menos apertado, porém mesmo com a frequência você continua sendo difícil de penetrar... – nenhuma palavra a mais e o inglês começara a se movimentar.
Movimentos dolorosos para o Neko-chan, demonstrados pela força que apertava as mãos e os gemidos que evitava deixar escapar, podia ver que ele mordia os lábios com força, via vermelho também naquelas peças. Podia ser sangue, ou somente devido à pressão? Usou uma das mãos e virou o rosto para si beijando com força, sem qualquer licença, passando a língua sobre os lábios lentamente, aproveitando cada centímetro sentindo o gosto acre. Sangue... Depois penetrou rapidamente sua língua na concavidade bucal, apenas para dar um passeio e depois sugar o lábio inferior, voltando a sentir o gosto único. Os movimentos do quadril continuavam, agora ajudado pelo outro que também forçava seu corpo para um contato maior. Então, acertou um ponto especial dentro daquele brinquedo, que o levou se contrair por inteiro. Neste momento, Walker sentiu o sangue ferver e seu impulso na volta da estocada fora maior, a forma como ele lhe apertava estava cada vez mais deliciosa.
Os lábios foram soltos e o albino apenas se concentrou em entrar naquele corpo mais rápido e mais forte que conseguia, de preferência acertando aquele ponto. Yuu não sabia, mas seu membro já estava vivo novamente, a única coisa que sentia era o nada toda vez que lhe tocava a próstata. Progressivamente, sem qualquer constância os movimentos aumentavam, trazendo o ápice mais rápido que podia se esperar. O japonês usava a parede como apoiou, começou a arranhá-la, tentando se segurar em algo. Em vão, tudo que conseguiria fora unhas se quebrando. Os movimentos ficaram insuportáveis e o corpo do moreno começara a se contrair avisando que logo sua essência seria liberada, os gemidos tanto tempo contidos finalmente saíram. Intensos.
Novamente o sêmen fora liberado e espirrara na parede, melando o local. Allen sentiu uma pressão forte em seu membro, mas ainda não fora suficiente para gozar. Fazendo mais algumas poucas estocadas para que finalmente pudesse liberar seu gozo dentro do corpo quente e ainda assim, não o fizeram parar de estocar. Havia alguma droga naquele corpo. Lentamente, parou com os movimentos, sem muita pena ou cuidado, retirou o membro desacordado dentro do outro. Respirando um pouco melhor, ajeitando o cabelo que bagunçara durante a ação, arrumando a calça e cueca, se abaixando para pegar seus cadernos e livros. Vendo o corpo começar a escorregar para o chão.
Eu amo você.
Eu odeio você.
Eu não consigo ficar ao redor de você.[1]
- Nos vemos, Neko-chan – foi tudo o que disse antes de sair dali, no momento que dera as costas, o corpo caiu totalmente no chão.
O sêmen escorreu de suas pernas, algumas gotas tocaram o chão. Após algumas respiradas e algum esforço, levantou o corpo, arrumando as roupas, deixando-as mais apresentáveis possíveis. Apesar de não precisar se preocupar tanto, pois estava próximo ao dormitório. Quando conseguiu, começou a andar rapidamente, notando que os corredores estavam vazios e provavelmente ninguém teria notado aquela ação. Não era bem o preconceito que o deixava receoso, mas o fato que era proibido fazer sexo nos corredores escuros. Por hora, não pensaria muito nisso, apenas queria um banho e uma cueca limpa. E fez o máximo possível para conseguir as duas coisas extremamente rápidas.
Sua cabeça rodava e um tipo de sentimento ruim a rondava. Não entendia muito bem o que seria, mas fazia seu corpo tremer. Uma espécie de frio. Medo? Algo que não lhe deixava pensar, quer dizer a única coisa que fazia era relembrar os últimos minutos passados. E lhe doía de alguma forma.
Ao banho.
Chuveiro.
Água quente.
Oh, Flor de Lótus... Esse sentimento desconhecido...
Não sei, Mãe Natureza, está me matando.
É o sentimento de que fora usado. Só usado. Sua mente se deu conta dele.
...............
................................
.....................
.........
Eu preciso fazer algo. Rápido.
Kanda não conhecia aquele sentimento.
Estava percorrendo sua espinha lhe causando intensos arrepios. Seu corpo queria tremer. Abraçava-se tentando impedir que isso acontecesse, mas havia algo de podre em seu estômago. Retorcia-se, lhe dava a sensação que vomitaria a qualquer momento. O que diabos era aquilo? Não entendia, não sabia.
Água ainda escorria seu corpo. O registro do chuveiro ainda estava aberto. Olhou para o alto, tentando encarar as gotas d’água caindo, não conseguia. Fechou os olhos e instantes depois seu corpo deu sinal de fraqueza. Suas pernas balançaram e escorregou para o chão, tentou se segurar nas paredes, porém suas mãos estavam lisas e em nada ajudaram. Sua única alternativa fora o registro, onde se segurou com força, caindo somente de joelhos tendo como consequência a queda em maior intensidade da água.
Seu corpo não lhe correspondia. Sua mente estava uma confusão sem fim. Embaralhando memórias, fazendo elas se cruzarem, deixando-lhe ainda mais atordoado. Não via o piso branco do banheiro. Via lembranças.
A primeira vez que viria o albino.
“Como ele é pequeno...”
Em Nova York.
“Neh, Kanda... Você é especial.”
Em Londres.
“Meu Neko-chan é tão adorável.”
Encarou sua própria mão. Estava embaçada... “Estou doente?”
O sofrimento é uma agulha
Em meu pescoço
Que me enche lentamente
Com veneno
Espalhando para o meu peito[2]
Só havia essa resposta. Estava doente, alguma virose... Será que fazer sexo com um clima frio fazia tão mal? Mas não fora muito rápido? O vírus havia conseguido espalhar em seu corpo somente com aqueles minutos gastos? Mas... Ainda mantinha a roupa durante o ato, então como? Será que andava com imunidade tão baixa assim? Não sabia dizer. Não era biólogo como Alma... Nem médico como... Seu corpo tremeu bruscamente.
Você me despedaça
Abandona
Você me despedaça
Você está me quebrando[2]
As imagens do último ato feito com esse médico lhe deu uma vertigem, algo que contaminou tão seus pensamentos que sua cabeça ameaçou a explodir. E tudo doía. Levou as mãos aos cabelos, apertando-os com força. Seu corpo estava entrando em um colapso que não entendia. Não conseguia se levantar, não conseguia pensar, tudo o que acontecia era inexplicável. Então, se lembrou das mãos que lhe tocaram instantes atrás, das palavras sussurradas em sua orelha. Tudo ficou quente. Tudo ficou frio. Seu corpo reagiu e socou a parede, sem explicação. Era como se odiasse...
Tudo tão errado.
Tudo tão confuso.
Tudo tão estranho.
Por favor, Flor de Lótus, não se deixe contaminar...
O registro ainda estava aberto. O barulho de uma porta sendo aberta, distante. Devagar, tudo voltando ao lugar. Os passos sobre o piso de concreto, o jogar da bolsa sobre a cama e depois as leves batidas na porta:
- Yuu, não demore a sair do banho, por favor! Eu estou fedendo a laboratório! – não escutou passos de ficando distantes.
- A-alma... – sussurrou o nome do amigo como um pedido desesperado.
- Hun? Falou algo, Yuu? – Karma pensou ter escutado algo, mas não estava bem certo disso.
- A-alma... – novamente e escutou a porta ser aberta, as cortinas sendo puxadas.
- Yuu! O que houve com você? – o moreno não conseguiu responder, apenas esticou a mão esquerda em direção ao amigo, conseguindo segurar sua camisa.
- M-me tire daqui... – não era só sair daquele recinto, era escapar da confusão de sua mente. O amigo atendeu, desligando o chuveiro, pegando pela cintura dele e transpassando o braço dele pelo seu pescoço, tentando suspendê-lo.
- Yuu... Você é mais pesado do que eu tente me ajudar, sim? – o mais velho confirmou com a cabeça e tentou se firma com seus pés, sem muito sucesso, porém a passos lentos conseguia se movimentar.
Lento e progressivo, saiam do banheiro indo para a cama do quase biólogo, pois era a mais perto do banheiro, já que o menor não tinha forças para levar o amigo até a cama dele. Colocou suavemente sobre os lençóis, vendo que o corpo dele cedera para o colchão assim que o soltara e que sua respiração estava descompassada. Tinha sido um esforço muito grande todo esse percurso? O cobriu parcialmente com o lençol, enquanto voltava ao banheiro para pegar a toalha. Quando voltou o encontrou adormecido com expressão que poderia ser considerada até serena. Suspirou.
Pegou com cuidados os cabelos escuros, enrolando-os como podia na toalha para secar. Ia até o closet, atrás de uma muda de roupa, pegando a mais confortável que encontrou, foi até a gaveta das cuecas e não fez qualquer escolha, apanhou a primeira. Voltou até a cama, descobrindo-o e começando a vesti-lo, com cuidado e leveza, notando algumas marcas nas coxas e no torso, não precisava pensar muito para saber de onde vieram. Colocou o moletom e teve um pouco de dificuldades de colocar a camisa de algodão de mangas longas, mas conseguira com a proeza de não acordá-lo. Na verdade, ele parecia tão imerso ao sono que nenhum contato exterior iria fazer efeito. Ao final, encarou o amigo deitado, notou que os pés estavam descobertos, se levantou uma ultima vez e pegou um par de meias limpas, calçando-as logo em seguida.
Tocou na face com cuidado, havia olheiras por ali. Trouxe o travesseiro com a cabeça dele para seu colo, retirando a toalha e depois a usou novamente para enxugar os fios, fazendo uma massagem no couro cabeludo e depois descendo para a ponta dos fios sedosos. Ele não tinha febre, não espirrava, não tinha mais respiração descompassada. O corpo abaixo de si remexeu-se, virando-se para a esquerda, ficando de lado, no qual podia somente ver seu perfil. Terminava de enxugar os fios escuros. Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto do castanho.
- Por favor, Yuu... Não. – outras vieram e o corpo de Alma começou a se chocalhar com força, por causa do choro.
Alma conhecia aquele estágio. Já tinha o visto antes.
E aquilo lhe assustava.
Kanda estava entrando em colapso.
- Não agora, Yuu... Não me deixe sozinho de novo... Eu vou proteger você... Nós conseguiremos juntos. Não me deixe... Eu não quero ficar sozinho... – abaixou o rosto e tocou a face do outro com a sua, deixando as lágrimas cair sobre o outro.
Por que de todos, Lírio, você é o que mais conhece essa Flor de Lótus.
AWYK
Alma ficou praticamente toda a noite cuidando de seu amigo. Checando temperatura, arrumando os lençóis e nunca saia por mais de dez minutos da cama, aproveitara para estudar um pouco. Escutava palavras sem nexos e sabia que ele estava sonhando, ou esperava que fosse, não queria acreditar que seriam pesadelos. Perto das onze horas da noite seu estômago deu os primeiros sinais que precisava se alimentar e seus olhos começaram a pesar de cansaço. Só que não queria sair dali ou muito menos dormir, esperava que ao menos ele despertasse por si próprio. Não gostaria de acordá-lo, pois não sabia se seria pior ou não, se encontrava na agonia de esperar. De escutar as palavras sem nexo e de vê-lo se remexer uma hora ou outra.
No momento se encontrava a hora mais calma, não escutava mais a voz e, ele estava deitado de lado com o rosto próximo a sua coxa, ao mesmo tempo em que esperava que continuasse assim, também queria que ele acordasse. Acomodou-se melhor na ponta da cama, recostando-se no espelho da cama e repousando a cabeça sobre ele. Suspirou uma última vez e fez leves carícias na cabeleira escura, tentando ao mesmo tempo se acalmar.
- Eu preciso te proteger, Yuu... – o pensamento que invadiu sua mente antes de fechar os olhos. Estava quase se entregando ao sono, quando sentiu vida ao seu lado, levantando-se e coçando os olhos. Quase teve vontade de chorar. Segundos depois, levou as mãos à cabeça fazendo uma careta – A cabeça doí?
- U-um pouco – a voz saiu rouca.
- Quer uma aspirina? – o moreno só confirmou – Espere um pouco... – o castanho se levantou e foi até uma porta perto da cama do amigo, ali funcionava uma espécie de lavanderia e dispensa, que tinha um frigobar e alguns remédios.
Voltou com o copo e o comprimido entregando para as mãos do outro. Notou que não havia tremores e deduziu que ele estaria melhor, tomou toda a água no copo com muita ganância, deixando um pouco pelo seu queixo.
- Yuu, calma... Se quiser posso pegar mais água, só não se engasgue, ok? – o último gole fora tomado e “aaah” de satisfeito fora ouvido, limpara o que escorrera com as costas da mão e entregou o copo – Precisa de mais água? – o moreno meneou com a cabeça negando. Karma suspirou e baixou a cabeça, apertando o copo nas duas mãos – Fico feliz que tenha acordado... Sente alguma coisa?
- Não... Parece que eu acordei de uma boa noite de sono... Falando nisso, que horas são? – Kanda encarou o amigo, notando a aura de preocupação do mesmo. Não se lembrava de muita coisa, só de estava no chuveiro e de lembranças dolorosas. Acordar assim vestido; sabia que tinha sido obra dele.
Eu gosto de você, Lírio. É o único que tem permissão de ficar para sempre no meu Jardim.
- Perto das onze e meia... – Alma resolveu se levantar e devolver o copo. O moreno se recostou no gradeado da cama.
- Merda, estou com fome... – novamente, o castanho apareceu com um sorriso peculiar.
- Podemos procurar alguma conveniência vinte quatro horas, também estou faminto... – o mais velho pensou um pouco... Era perigoso sair assim, neste horário, contudo seu estômago estava a ponto de devorá-lo e sabia se não comesse logo, não conseguiria voltar a dormir.
- Tem um posto á umas três quadras daqui... Lá deve ter – mais uma vez, um sorriso peculiar.
- Certo, troque-se e nós vamos – o moreno obedeceu retirando as cobertas, indo para o closet atrás de alguma roupa qualquer.
AWYK
Kanda se vestiu quase de qualquer jeito. Pegou uma camisa azul de mangas, uma calça jeans e o casaco pesado da mesma cor da camisa, não usava luvas e por isso escondia as mãos dentro do casaco. Seu amigo estava na mesma situação, porém usava uma toca branca e o casaco era da mesma cor. O silêncio tranquilo andava entre eles, mesmo que o menor estivesse um pouco curioso para saber o que desencadeou os acontecimentos de hoje. Disfarçava com um sorriso e brincava com sua respiração, vendo-a condensar-se a sua frente. Era impressionante como podia fazer tanto frio numa época dessas. Seus passos eram rápidos e já estava a uma quadra de distância da universidade. Yuu constantemente olhava para os lados e os becos, nunca se sabia o que podia acontecer, apesar da vizinhança ser calma.
- Você sabe, quando quiser me contar, eu estou aqui... – os olhos negros do moreno concentrados em um beco particularmente escuro, viraram-se para o amigo e encarava-o, tentando esquentar as mãos com a própria respiração.
- Se eu soubesse já teria te contado... – e voltou a olhar o beco.
- Hun, você não sabe? – uma interrogação incrédula.
- Não, só voltei para o dormitório depois de falar com Sophia e fiquei assim... – “Mais rápido do que eu esperava” o jovem Karma pensara, elevando o olhar para o céu.
- Nada aconteceu nesse meio tempo? – Yuu ficou sem palavras, encarou as faixadas das casas que via pela frente.
- Está bem, eu encontrei o Moyashi e... – calou-se, sabia o que amigo conseguiria entender o resto.
- Já sei o que houve, nem precisa continuar... – os dois haviam caminhado um bom pedaço, encontravam-se apenas a uma quadra – Yuu... Você precisa ter cuidado, o Allen está começando a te afetar... Eu já nem sei mais o que isso é, parece um veneno.
- Você está confundindo a minha cabeça.
- Lembra-se de quando você estava com Sophia e descobriu sobre o Marcus? – o moreno acenou com a cabeça que sim – Pois então, é a mesma coisa... Está começando a sentir repulsa do Allen – a frase paralisou o maior. O outro continuou andando – Inconscientemente, claro... Mas está, então tome cuidado, porque... – Alma percebeu a falta do amigo ao seu lado e virou-se para encará-lo, ficando mudo em seguida.
Kanda estava paralisado olhando para as próprias mãos, a cor de seu rosto havia sumido e seus olhos tremiam com um pouco de desespero, como se não acreditasse nas palavras ouvidas. Karma suspirou, esperava que ele fosse um pouco mais compreensivo. Chegou perto dele pegando suas duas mãos juntando-as perto do peito, encarando profundamente aquela escuridão.
- Não devia está tão surpreso, afinal, você odeia quem faz esse tipo de coisa ainda mais se esse “quem” for uma pessoa que goste... Só não se desespere, nós temos tempo... Precisamos ser mais rápidos, senão qualquer dia desses pode acordar odiando o Allen... Todavia, eu ainda estarei aqui para tudo o que você precisar, certo? – o castanho esperou a resposta com olhos brilhantes.
- Hun, certo – o menor rapidamente virou-se puxando o amigo para voltarem a caminhar.
- Vamos voltar andar porque já está tarde e meu estômago está para me matar... – Yuu deixou-se ser puxado.
Porque até mesmo o mais forte dos amores.
Dos Jardins.
Quebram.
Morrem.
Notas finais
Sofremos uma reviravolta? 'o' qqqqqq
E sim os detalhes, são músicas xD [1] Saliva Always. [2] Forsaken Skillet Boas músicas, escutem :3
Outra coisa, gostaram do nome do lírio?
Então... HOJE É DIA NACIONAL DO YAOI ♥ Então muito yaoi pra vocês hoje! Está tendo um evento no blyme-yaoi, visitem o site e vejam! E eu fiz um especial!
Sim! Eu vou postar... Umas 5 fanfictions contando com essa! Um novo capitulo de Potion, uma Destiel (novo OTP), NaruSai e talvez outra Yullen, não sei. Pensarei com carinho.
Ah! estou sem o Walker again e ainda estou em aula, ai sabe neh? ;-;
Fale com o autor