Notas iniciais
Saiu!!! eu realmente fiquei bem ansioso pra escrever esse, mas taí. Espero que gostem (Adoro opiniões, só pra avisar)

– E quando você saiu de casa elas estavam perfeitamente bem? – A mulher, que aparentava jovem demais para o cargo, anotava as informações na caderneta, enquanto conversava com o rapaz. Ela mantinha sempre os olhos, tão negros quanto os cabelos, sobre ele.

– Sim, detetive. – ele ainda tremia e sentia náuseas, lembrando da cena que vira a pouco. – Estava tudo como de costume.

– Elas demonstravam algum comportamento... Anormal ultimamente?

– Também não. Elas estavam exatamente como sempre foram.

– Entendo. E... Sabe se elas tinham algum inimigo? Alguém que quisesse fazê-las mal?

– Não. – A voz do garoto agora começava a vacilar, enquanto ele sentia a garganta queimar com a iminência das lágrimas. Ele sabia que elas não tinham inimigos. Ele que tinha. Ninguém queria fazer mal a elas, mas a ele próprio. – Todos adoravam-nas. Elas eram... – um soluço corta a voz dele e ele não consegue mais voltar a falar.

– Tudo bem. Você já foi muito bem. Está tudo bem, ok? Os legistas estão chegando. Você não tem que ficar aqui. – A detetive demonstrava agora muita compaixão. – Vamos providenciar um hotel pra você ficar. Ok?

Maximillian só meneou positivamente a cabeça, concordando. Depois do que vira, realmente queria distância daquele lugar, o quanto antes.

E assim foi feito. A detetive Misaki o tirou dali e em poucos minutos ele estava num dos alojamentos de que ela tinha falado. Ela disse que uma boa noite de descanso o ajudaria a suerar o choque, e que depois podia prestar depoimento.

Quando ela saiu Max analisou melhor o local. Era como um quarto comum de hotel. Cama e lençois brancos, um tapete de toque semi-confortável no chão, com uma vista que não valia muito a pena na janela e um banheiro não muito grande acoplado. Ele deitou na cama e olhou para o teto. Então tateou os bolsos e pegou o espelho. Devia usá-lo agora?

***

Mordred ainda estava no seu escritório. Quando a Londres oculta estava muito agitada ele passava quase o dia todo ali, pensando. E agora ela estava caótica.

– O que tá enchendo a tua cabeça agora? – Qetsiyah apareceu na sala e falou, olhando o irmão,

– É a rebelião do Bromley. Se eu não der logo um jeito eles podem acabar nos expondo.

– E por que não dá um jeito? É só estalar os dedos e os seus algozes vão lá correndo que nem cãezinhos destruir eles.

– Aí é que está, Qetsiyah. Eu não quero destruí-los. Quero a alma deles.

– Você nunca muda mesmo. – Ela se apoia na porta, encarando o comandante dos demônios dali.

– Pra que essa roupa? – Mordred falava do uniforme de policial que ela usava junto do cabelo preso num coque.

– O quê? Eu sou a detetive Misaki. – Ela fala, fazendo pose com a roupa.

Mordred balança a cabeça, rindo.

– E o garoto? Desistiu do especialistazinho?

– Já estou trabalhando nisso. – Qetsiyah dá um sorriso malicioso.

– Então esse é o porquê do uniforme?

– Pode ser. E o Dante?

– Saiu com as Harpias. Essa história de conjurador mexeu com o ego dele mesmo. Está obcecado em matar o conjurador.

– Faça-me rir. – Qetsiyah dá uma risada irônica – Ele já não foi trucidado uma vez? Ainda quer mais? Acho que você deposita muita confiança nele, Mordred.

– Eu não deposito confiança em ninguém. Mas sei quando é hora de agir e quando é hora de comandar. Como você fala, eu é que tenho o talento pra puxar as cordas.

– Nem vou argumentar – E ela sabia que não podia. Mordred era só mais um demônio quando chegou em Londres com ela. Em menos de um mês ele já era importante tanto para os sobrenaturais quanto para os humanos. Depois disso, não tardou e ele mandava em tudo.

– Agora eu vou sair. – Ele levantou, e antes de dar dois passos, assumira uma forma totalmente diferente. Agora era velho, com a cabeça prateada e a pele cheia de rugas. Mas mantinha o mesmo olhar malicioso de antes. Parecia um velho empresário de muito sucesso, pois apesar das costas levemente arqueadas, tinha algo nele que impunha respeito. – Tenho assuntos de negócios com os rebeldes.

– O que decidiu? – Qetsiyah perguntou, animada. A mudança de forma de Mordred não pareceu surpreendê-la, como se fosse tão normal quanto estalar os dedos da mão.

– Acho que uma boa conversa com o velho Ernest aqui vai ajudar eles a lembrarem quem manda.

– Pretende enganar todos eles com pactos?

– Nem preciso. Mesmo rebeldes têm líderes. Só preciso subjugar ele e estará tudo resolvido.

– E como tem tanta certeza que vai poder resolver isso só com outro dos seus pactos?

– Todo mundo quer alguma coisa, Qetsiyah. Quando paramos de desejar, paramos de viver.

– Ah é? E o que você quer?

– Eu quero tudo.

Ela balança a cabeça. Ele não tinha jeito mesmo.

– Você também poderia se poupar de pensar tanto se só mostrasse pra eles um pouco do poder que acumulou com esses pactos. Pode destruir eles sem suar.

– Posso. Mas esse é o meu último recurso. Primeiro vou pegar aquelas almas. E aqueles que derem muito trabalho... Bem, reservei algo mais desagradável do que um simples fim.

– Vai desempenhar esse papel sozinho? – Qetsiyah torna. – Digo... O Ernest vai aparecer sozinho dessa vez?

– Tem alguma dica de alguém para me acompanhar?

– Hmm... – A garota faz uma expressão pensativa, até que por fim decide; – Por que não leva a médica? Ela pode ser a secretária do senhor Ernest por agora.

– Fala da Samantha? – O velho para e reflete por um segundo – Está certa. Apesar de ela ter muita humanidade, pode ser um bom trunfo hoje. Está decidido, então.

– Que seja. Vou ver se encontro o Dante. – A jovem policial some.

– Tem que parar de ser tão competitiva, Qetsiyah. – Mordred fala, para as paredes, logo antes de abrir a porta e sair de lá.

***

– Frederick – Maximillian sussurrou para o espelhinho.

A porta do quarto se abriu. Mas não era o corredor que estava do lado de fora. Como se todo o quarto tivesse sido teletransportado, a porta agora dava para o salão onde ele estivera antes com o feiticeiro. Salão de onde o mesmo feiticeiro saía agora.

– Sim?

– Elas morreram. – O garoto soluça – Minha mãe e a minha irmã morreram. Eles pegaram elas. – Com as mãos trêmulas, Max tira do bolso a pulseira que tinha ganhado mais cedo na mesma noite. – Isso não deva me esconder deles? – Ele vocifera.

– Deveria. E escondeu. Eu... Eles já deviam saber tudo sobre você. Maximillian, preciso que me escute. Você corre perigo.

– Obrigado por me avisar. Por que não avisou elas? – Maximillian retruca, então suspira. – Por favor, traga elas de volta. Use uma magia, qualquer coisa... – Ele fala, as lágrimas transbordando dos olhos.

– Não existe magia para isto. – Ele fala, como se as palavras pesassem ao ser ditas. – Ponha a pulseira, precisamos evitar outras tragédias.

Soluçando, ele faz o que o outro mandou, atando a pulseira de couro preto ornada com desenhos prateados ao seu braço.

– Eu quero acabar com eles agora. Não quero que sobre nem um demônio vivo.

Frederick manteve silêncio por vários segundos, então andou até a cama e segurou a mão de Max. Deslizou o dedo na palma dele, e quando a soltou, havia ali um desenho. Linhas finas formavam uma pequenina espada.

– O que é isso?

– Eu conjurei a sua lâmina. – O garoto olhou-o, esperando que ele explicasse, e assim ele fez. – Despertei os seus poderes de Especialista. Essa tatuagem é a sua lâmina. Quando chegar a hora, ela vai aparecer de verdade, e é ela que vai usar pra lutar contra eles.

– Mas eu nunca segurei uma espada. Eu não sei...

– Quando a hora chegar, Maximillian. – Frederick o interrompe. – Quando a hora chegar você vai saber o que fazer. Está na sua alma.

– E se você me ensinar a sua magia? Pode me ajudar. Quero dizer... você expulsou aquele demônio, mais cedo.

– Eu poderia te ensinar tudo que existe para saber sobre magia, se eu soubesse, e ainda assim não adiantaria. Porque isso não está em você. Não são só palavras, garoto.

– Ok, e como eu mato um deles?

– Isso depende.

– Do quê?

– Tem os carniçais. São os mais fracos. Sequer conseguem manter uma forma humana. Um corte com a lâmina de um especialista e eles já eram. Só tem que se preocupar com eles se estiverem em grande número. Tem os neófitos, e os demônios como aquele de antes, que são chamados de Ancillae. Eles são os de poder intermediário. Eles são mais fortes, e dependendo do poder deles, altamente perigosos. Pra matar um desses, o jeito mais simples é perfurar o coração com a lâmina. E o Mordred...

– O Mordred?

– Ele é o que chamamos de Lorde. É o tipo mais poderoso de demônio. Existem poucos assim no mundo e... É impossível destruí-los. São simplesmente imortais.

Maximillian engoliu em seco.

– Daremos um jeito. – O conjurador retoma. – Por hora vamos nos concentrar nas Harpias e Algozes. A pulseira que te dei deve impedir as harpias de te detectar, mas pelo visto eles já sabem tudo sobre você. Então sua antiga vida já era. Você não pode voltar em nenhum dos lugares que costumava visitar.

– Posso lidar com isso. – A verdade é que ele ainda não estava pronto para dar adeus a tudo.

– Eu vou agora. Mas voltarei logo pra iniciar o seu treinamento.

Assim que fechou a boca, Frederick virou-se sobre os calcanhares e andou pela porta, fechando-a atrás de si. O especialista levantou e abriu a porta, pra checar o que havia do outro lado. Como esperava, estava tudo como antes, então ele só fechou a porta e voltou para a cama.

***

A noite tinha sido bem difícil. Depois de horas virando na cama é que Maximillian conseguira dormir, apenas para ser traído pela própria mente e acordado por pesadelos infames com sua família mutilada. Qualquer barulho do vento batendo contra a janela o fazia acordar assombrado, pensando que os algozes estavam atrás dele. Quando os primeiros raios de sol raiaram, ele estava de pé.

***

– E o Max? Não vem hoje? – Alex perguntou aos outros dois amigos, surpresa. Maximillian não faltava à faculdade quase nunca.

– Acho que não. Ele não respondeu no Whatsapp. – Michael explicou.

– Eu hein... Será que deu alguma coisa errada? Ele é o mais assíduo de nós, e hoje era dia de entregar trabalho. – Olivia suspira, preocupada.

– E ainda essa de não responder as mensagens. O que acham de a gente passar na casa dele pra ter notícias dele? – Sugeriu Alex.

– Tá, mas antes deixa eu encontrar o Professor Valdez e entregar o meu trabalho. – Michael pediu, ao que as garotas concordaram.

Depois de alguns minutos de procura, os três estavam a caminho do prédio em que o amigo morava. O lugar estava mais movimentado que de costume. Policiais e jornalistas. Uma má combinação. O estômago de Alex se embrulhou ao pensar que isso podia ter a ver com a falta de Maximillian.

– Vamos... subir? – Olivia falou, vacilante, e Alex soube que todos ali compartilhavam do sentimento dela.

Eles entraram numa espécie de acordo não-verbal e decidiram subir até o quarto do amigo. Não havia por que temer, afinal, aquele pessoal todo por ali podia ser mera coincidência.

Essa esperança desvaneceu assim que saíram do elevador e despontaram no quinto andar. O apartamento onde Max morava com a sua mãe e irmã estava interditado.

– Essas faixas amarelas não podem ser bom sinal. – Michael falou, a voz trêmula.

– Vocês acham que ele... – Alex não conseguiu terminar a frase.

– Aí diz cena do crime. – Olivia aponta a faixa amarelada. – É melhor irmos à delegacia. Podemos conseguir informações lá.

– Ou... A gente pode simplesmente perguntar pra um dos repórteres lá fora. – Michael dá a ideia, que as outras duas acatam.

– Todos estão vindo escrever matérias sobre isso. – O repórter explicou. Ele trazia um gravador na mão, e uma caneta e caderneta no bolso. No pescoço, pendia uma câmera, pendurada pela alça. – Ao que parece os policiais suspeitam até que seja um serial killer. Mas um dos grandes.

– O que você quer dizer? – Michael olha ele, entre a angústia e o medo.

– Ele entrou e pegou as duas mulheres da casa. Matou-as e tirou fora toda a pele e os cabelos. – o homem tem um arrepio, assim como os três garotos. – E depois saiu. E o mais impressionante: entrou e saiu sem ser visto. Não deixou nem sinal da passagem.

– Peraí... Pegou as duas mulheres? – Alex questiona o repórter. – Mas também tinha um garoto. Moravam a mãe e dois filhos. Você não sabe o que aconteceu com ele?

– Não, eu ainda... Ei! Você conhecia as vítimas?

– Sim, somos amigos do irmão e filho delas.

– Se importariam de dar uma palavra?

Antes que qualquer um deles desse o menor sinal de resposta, Alex saiu arrastando-os dali.

– Quem sabe outra hora! – Ela falou, já depois dde ganhar alguma distância. Ouviu um grito de “Espera aí” do repórter e se apressou com os outros dois, que a seguiram sem entender nada.

– O que que te deu? – Michael perguntou.

– A gente tem que ir à delegacia. Ele deve estar lá. Não podemos perder tempo com isso agora.

Já estavam quase chegando à delegacia quando conseguiram despistar o repórter. Mas as coisas não se saíram exatamente como esperavam. Acabaram tendo que prestar depoimento sobre o caso, também, e os policiais ainda se negaram a dar qualquer informação sobre o andamento das investigações ou sobre o paradeiro de Max, não importando o quanto dissessem que só queriam falar com o amigo.

– Que droga! E agora? – Olivia praguejou, assim que eles finalmente foram liberados, depois de quase quatro horas.

– Agora... A gente tem três coisas pra fazer.

Os outros dois olharam pra ela com uma expressão interrogativa, pedndo explicações, então ela continuou.

– Michael, você é o mais esperto de nós três. Vai fazer o trabalho que o Max tem que entregar. Com sorte achamos o professor ainda amanhã e salvamos o semestre dele. Com certeza o professor vai entender a situação, se não contarmos que o trabalho não é de autoria do Max. – O amigo meneou positivamente a cabeça. Geralmente teria sido veementemente contra, mas enxergava as coisas de uma maneia diferente num caso como esse. – As outras duas coisas... Temos que achar o Max a qualquer custo, e quanto mais rápido esse assassino for pego, mais cedo o ruivo volta. Então vamos ajudar nas investigações.

Os dois balançaram a cabeça, concordando. Estava decidido. Alex, Olivia e Michael estavam prontos para encarar a noite de Londres.

Notas finais
Em que tipo de encrenca será que esses daí vão se meter? Porque uma coisa é certa: Quando você encara a noite de Londres, só pode dar em encrenca. Não perca o próximo capítulo! Reviews, só se der kkkkk