London by Night
3 Investigar
Notas iniciais
O sol já se punha quando os três amigos se reuniram no apartamento de Olivia. Ela morava sozinha, tinha se mudado por causa do curso de direito, e a família dela morava em Surrey.
– Trabalho concluído e entregue. – Michael declarou, com um quê de orgulho na voz. – Agora podemos nos concentrar nos outros dois objetivos.
– Ok, hora de dar uma de personagem de série policial. Algum de vocês tem ideia de por onde começar?
– Bem... – Michael começa, com a voz meio insegura. – Tem o Device Manager.
– O que é isso? – Alex pergunta
– A gente pode usar pra rastrear o celular do Max. Com um pouco de sorte, mesmo que ele não esteja podendo usar ele, se o aparelho estiver conectado à net dá pra descobrir onde está, e o Max .
– Genial! Então vamos fazer isso agora mesmo. – Olivia comemora.
– Calma aí. Não é tão simples. Eu preciso saber qual é o e-mail vinculado ao celular dele, e também preciso da senha.
– Maravilha! – Alex suspira, desanimada. – E agora?
– Calma, ainda pode dar certo. – O garoto retoma. – O e-mail é o mesmo que ele usa pra tudo. E a senha... Acho que consigo descobrir. – Originalmente, Mike tinha se matriculado para Engenharia de softwares, mas já tinha cursado disciplinas de vários cursos da área de Engenharia.
– Peraí... – Alex olha pra Michael – Você tá querendo dizer... Hackear o Max?
– É, a gente não tá tendo muita opção, Alex. – Olivia argumentou. – E é por uma boa causa.
Depois de mais um minuto, Alex concordou que era a primeira (e única) pista que eles tinham, e que o melhor que tinham a fazer era segui-la. Então Mike pôs mãos à obra. Daqui a pouco ele estava com os dois notebooks ligados e com os olhos vidrados nas duas telas.
– Quanto tempo isso vai demorar, Mike?
– Mais um minuto e eu termino de configurar o sistema. E aí até ele decodificar a senha vai levar mais tempo.
– Quanto? – Olivia Insistiu.
– Algumas horas. Com sorte amanhã de manhã estará tudo pronto.
– Tanto assim? E até lá?
– Acho que dá pra gente deixar o computador trabalhando por agora e enquanto isso a gente tenta achar alguma coisa na vizinhança do prédio. – Alex sugere.
– É uma boa! – Concordou Olivia – E as reportagens que já devem estar saindo podem ser uma boa fonte de informação pra gente saber por onde começar.
– Ok! Então eu vou checar online quais os melhores lugares pra procurar de início, e enquanto isso vocês duas reunem o máximo possível de reportagens.
Os três ficaram completamente absortos em suas atividades, até que as meninas levantaram, satisfeitas,
– Acho que a gente já tem tudo. Eles começaram a se repetir. Acabou que não sabem muito mais que nós. – Alex conclui.
– Eu encontrei alguns lugares. E o primeiro que eu acho que seria melhor a gente visitar pra procurar informação é um bar.
As duas mostraram um lampejo de felicidade ao ouvir a palavra “bar”, mas só por um instante, até lembrarem qual o principal motivo de estarem indo lá.
Eles se arrumaram e partiram.
***
– Mordred, eu sei que tipo de pacto você quer fazer. Você não planeja dar nada de verdade pra ele, planeja? – Samantha indaga o velho, desconfiada. Os dois sentavam na limusine de Mordred.
– Eu não vou enganar ele. Vou dar algo que ele realmente precise. Claro, vou me certificar que ele precise desse algo. E não esqueça, é Ernest.
– Claro. – Samantha diz. Ela tentava enfiar um pouco de humanidade na cabeça do Mordred desde o dia em que selou um pacto com ele e acabou virando serva dele pela eternidade. Ela tinha consciência de que o senhor dos demônios de Londres, e talvez isso a desse tanta confiança pra cruzar algumas linhas que para outros poderia significar a morte... Ou pior.
– Se você se comportar bem hoje eu vou até te deixar ver o seu filho.
– Meu pontinho! – Os olhos de Samantha marejam. Mesmo quando Mordred tirou o filho dela, um ano atrás, ela foi obrigada a permanecer ao lado dele. Ainda assim, ela não odiava Mordred. Talvez (só talvez) isso fosse por causa do pacto de servidão. A criança já devia ter quatro anos, agora.– Você vai me devolver ele, não vai?
– Claro que sim. Um dia. Até lá, vai ser bom pro pequeno Noah ficar com o padrinho.
– Eu já falei, Mord... Ernest. Você não é padrinho dele.
– Sou sim, Sam. Nós dois sabemos disso.
Ela revira os olhos. Sabia que não adiantava argumentar, quando ele ficava assim.
– E onde você pretende encontrar o tal rebelde?
– Marcamos uma reunião num QG dele. O quê? Sou um cara diplomático, falem o que quiserem.
– Não teme que seja uma armadilha?
– Ele não seria tão burro. Além do mais... eu é que estou preparando uma armadilha.
– Não ia só fazer um pacto e sair disso?
– Não tenho tempo para cercá-lo. A cidade está caótica. Vou apressar as coisas mostrando pra ele o que ele quer.
E o carro parou. Ernest desceu com a sua assistente, a senhora Samantha Bridgenz, e eles bateram â porta do galpão em que tinham marcado a reunião. O lugar era afastado do centro da cidade.
Não tardou e a porta se abriu. Conforme Mordred esperava, havia uma dúzia de pessoas lá dentro, e não só as duas de que o rebelde falara quando marcaram a reunião.
– Vocês são Ernest Blank e Samantha Bridgenz? – Perguntou o homem careca mal-encarado que abriu a porta.
O velho consentiu e entrou, acompanhado da mulher. O lugar tinha uma grande mesa de madeira ao centro. Do outro lado da mesa, sentava quem Mordred concluiu, era o líder deles. Duas cadeiras estavam à frente dele, e Ernest sentou em uma. Ao seu lado, Samantha sentou-se.
– Então... Fale-me das suas... – Ernest pigarreia. – Exigências. E por que motivos acha que pode enfrentar o império só com esses.
– Por que eu quero liberdade. Mordred não nos deixa fazer nada. Quer controlar os humanos por trás dos panos. Eu digo diferente. Os demônios devem se mostrar. São simples humanos. Seríamos deuses. Eu quero que ele saia do poder, completamente. Poderá viver livremente na cidade, mas Eu é que comandarei. Porei os demônios bem no topo, onde é o nosso lugar. Posso não superá-lo em números, mas sem dúvida os meus são mais fortes. E temos mais razões pra lutar.
O velho começou a aplaudir pausadamente.
– Belo discurso, senhor... – Ele estalou os dedos repetidamente até ouvir um “Paolo” como resposta, e continuou. – Paolo. Mas existe um motivo para se fazer tudo. Você não quer liberdade. É poder. Tudo se resume a isso. Aqui vai a contra-proposta: O senhor Mordred vai dar a vocês anistia total. Ele pretende ignorar o que fizeram, e ainda vai aumentar os seus poderes, mas terão que se curvar e se tornar servos leais.
– Nunca! – O líder rebelde vociferou, batendo na mesa, e recebeu ovações dos outros. – Não vamos nos tornar marionetes dele! Faremos vocês dois de exemplo para ele, e talvez nos ouça melhor. – Os outros começam a se aproximar lentamente. De baixo da mesa, Paolo pega um taco de beisebol com pregos fincados na ponta, tornando ele uma arma de destruição ainda mais perigosa. O sangue manchando o taco mostrava que tinha sido usado e que o seu dono não hesitaria. – Liberdade é poder!
– Não, Paolo. – Ernest fala, e de repente, quem etá ali é Mordred. – Poder é poder. Logo você entenderá isso. – Ele vê os demônios se aproximando perigosamente. – Já que não quis entrar em acordo, vamos tentar uma nova linha de negociação.
Dez demônios investem contra Mordred.
***
O conjurador reunira tudo de que precisava. Ao centro da sala, no lugar onde antes estivera uma cama, agora havia um desenho grande no chão e ao centro uma bacia de pedra cheia de uma mistura de plantas, pedras e líquidos. Ele inclinou-se sobre a bacia e tocou o seu conteúdo tão suavemente quanto pôde.
Tudo se dissolveu tornando a mistura não só homogênea, como cristalina. Agora Frederick encarou a poção, olhando para o fundo da bacia. Ele sussurrou
– Aladiah...
– Não devia invocar demônios para dentro do seu esconderijo, conjurador. – Ele ouviu a voz conhecida e virou-se, para ver a loira que falava. Ela usava um vestido branco e leve, sem mangas e que acabava um pouco acima dos joelhos.
– Você eu posso, Aladiah. – O homem fala, sorrindo. Um sorriso também cruza o rosto de Aladiah, que o abraça.
– Senti saudades. Por que me chamou aqui, depois de tanto tempo?
– Preciso da sua ajuda.
– Claro. – Ela mostra uma expressão de desapontamento. – Não é sempre por isso que me chamam? A tola Aladiah, que não consegue guardar rancor e está sempre disposta a ajudar? – Ela suspira e o encara.
– Não, você não está entendendo, Aladiah. Eu queria ter te procurado antes. Realmente queria. É só que... Achei que ficaria melhor do jeito que estava. Pra nós dois.
– E não te passou pela cabeça me consultar? Céus, eu não sou uma criança, Fred! Eu sei o que é melhor pra mim. Nós estávamos felizes, Fred. Estava tudo bem.
– Tudo bem, ok? Eu errei. Mas eu não simplesmente saí sem motivo.
– Então por que saiu? Por que me deixou sozinha quando estávamos indo tão bem? Por que me roubou a felicidade?
– Eu... não posso dizer. Eu realmente quero, mas eu... não posso.
– Como eu esperava. – Aladiah falou, tentando disfarçar que tendia a acreditar. Mas seu coração mole já estava cedendo.
– Sinto muito, Aladiah. Eu sinto. Realmente quero que me perdoe, um dia, quando estiver pronta, mas sei que não posso pedir isso. Só quero que me ajude a salvar alguém.
– O que? – Ela suspira e fala. Passara tantos anos construindo essa barreira emocional e agora estava tudo tão desmoronando. Ela não podia acreditar que Ele ainda tinha tal efeito sobre ela. Talvez não fosse tão boa assim em construir barreiras emocionais.
– O comandante dos demônios de Londres. Ele está indo longe demais. Precisamos pará-lo.
– O Mordred? Está me pedindo ajuda para aniquilar o Mordred? Sabe da minha relação com ele, não é? – Mordred honrava Aladiah. Ele mantinha quase um afeto por ela, que tinha sido como uma mãe adotiva para o demônio. No fim era só um acordo de não agressão.
– Estou. Sabe que é o certo. Que ele é cruel demais pra ficar por aí. E, ultimamente, muito poderoso. Alguém como ele não pode ter tudo isso. Pode ser perigoso. Pra todo mundo. – Ele suspira. Estava a par da maneira como Aladiah se sentia a respeito de Mordred. – Não adianta, Aladiah. Ele não sente, não importa o que pense. Ele não pensaria duas vezes em te vender se fosse pra conseguir um alfinete que fosse.
A face de Aladiah se contrai numa careta de tristeza. Ela sabia que isso tinha um fundo de verdade.
– E você é o único lorde que eu conheço que se oporia a ele.
– Eu não sei, Fred. É o Mordy, sabe... Me dê um tempo. Preciso ver como andam as coisas aqui em Londres, e colocar a minha cabeça em ordem antes de tomar qualquer decisão.
– Está tudo bem.
Um silêncio de quase um minuto se extendeu depois disso.
– Por quê? Por que toda vez que eu tou começando a superar a última vez você aparece e começa tudo de novo? Por que você é tão cruel comigo?– Aladiah questiona Frederick.
– Eu não sei, Aladiah. O cruel é o destino, que insiste em nos separar toda vez que tento nos unir. – O conjurador dá um passo à frente, diminuindo substancialmente a distância entre eles. Agora um podia ouvir a respiração ofegante do outro sem dificuldade.
– Vamos fazer isso de novo, Fred? Isso é um erro.
– Então é o melhor erro que já cometi. – Frederick responde, e sela a frase se inclinando para beijar Aladiah. Sua mão pousa na cintura dela e puxa-a para colar seus corpos.
Ele segura-a firme e dá um passo, sem se desprender. Então ele se inclina, e a cama que tinha dado lugar para a bacia de pedra estava ali de novo para recebê-los.
– Tem certeza disso? – Aladiah pergunta. Sua mente estava a mil e os pensamentos se misturavam.
– Não. Mas quando é sobre nós, eu nunca tenho certeza. – Ele desliza a alça do vestido, beijando a pele do ombro dela. – Tudo o que eu sei é sobre o agora. E agora você é minha.
Fale com o autor