London by Night
7 Professor
Notas iniciais
– É... Oi Alex. – Max falou, gaguejando. Sabia que os amigos entenderiam, mas ainda assim, sentia que era em parte culpa dele. Ele podia ter saído e procurado eles, ou pelo menos ligado. Não que ele não tivesse tido vontade, mas estava tão triste... Tão deprimido...
– Max, onde você está? A gente... Se preocupou muito. Estamos na Olivia, você pode vir pra cá? Você está bem? Deus, nos preocupamos tanto...
Quando todo mundo da sala olhou pra Alex ela notou o quão precipitada fora fazendo tantas perguntas de uma vez.
– Calma, calma... – Maximillian riu da amiga. Nem sabia a quanto tempo fizera isso. – Eu estou num hotel, Desculpa ter causado tanta preocupação. Posso ir sim, e... – Ele fez uma pausa, lembrando da última pergunta. – Estou bem, sim.
– Tem certeza? – Ela para. – É... Então a gente tá te esperando. Sei que deve estar precisando de um longo e apertado abraço.
Max perde as palavras, a garganta trancada pelas lágrimas. Não entendia porque demorara tanto. Ele desligou o telefone sem se despedir; Fora do hotel, não teve a menor dificuldade em chamar um táxi.
***
O cenário era uma sala de estar iluminada apenas pela TV ligada. Também esse aparelho produzia os únicos sons do lugar, junto com os barulhos da cidade, que entravam pela janela aberta do apartamento em um prédio ordinário em Barking. Algumas embalagens de comida descansam na mesa de centro à frente do sofá, onde um homem permanecia deitado.
Era ali que Dante ficava, sempre que não estava cumprindo ordens de Mordred nem cuidando dos próprios negócios.
– Incomodo alguma coisa? – Qetsiyah fala, um segundo depois de simplesmente brotar na frente da televisão
– Pra falar a verdade sim. Pode sair da frente? É o meu programa preferido.
– Eu não ligo. – Ela falou, e a tv desligou. – Agora... Onde está o garoto?
– Não estava se gabando por saber isso? Até abandonei a caçada.
– Não seja cínico, Dante! – Qetsiyah vocifera. – Eu te falo sobre ele e aí magicamente ele some? As coisas não funcionam assim.
– Não funcionam mesmo. – Ele fala, sentando-se no sofá – Se eu tivesse roubado ele você sabe que seria a primeira a saber. Mas eu não fiz isso. Eu não fiz, mas alguém fez. De uma coisa eu sei... O Mordred não vai ficar nada feliz se descobrir isso, então é melhor a gente encontrar ele.
– Ah, agora estamos trabalhando juntos? Recuso o convite.
– Acho que não. – Ele encara ela enquanto fala – Escuta aqui: Eu não consegui encontrar ele e você não conseguiu mantê-lo cativo. Agora a gente se junta e dá um fim nisso antes que o Mordred descubra ou não vai acabar nada bem pra gente. Ele não vai matar a querida irmãzinha, mas pode ter certeza que ele vai achar um jeito de te punir.
– Ele não poderia me matar mesmo se quisesse. Eu sou um Lorde, também. Agora você – Ela enfatiza nessa última palavra – me escuta. Ótimo, vamos pegar o garoto. Mas você não vai trabalhar comigo, vai trabalhar pra mim. – Ela aponta pra ele enquanto fala, e finaliza colocando o dedo no peito do outro.
Dante segura a mão de Qetsiyah com firmeza e a puxa. Ela se aproxima dele.
– Então vamos selar essa trégua. – Ele puxa ela de uma vez, fazendo-a cair em seu colo.
– Tá louco? – Qetsiyah esbraveja – Eu não quero selar droga nenhuma com você.
– Então o que é esse arrepio quando eu faço isso? – Dante desliza o dedo indicador do ombro até o pescoço de Qetsiyah e segura sua nuca.
A garota revira os olhos e desliza os quadris, encaixando-se no corpo do homem enquanto o beija. Dante segura-a firmemente na nuca, deslizando a outra mão para as suas costas e trazendo-a para junto de si.
Ele segura-a firme e deita-a no sofá, ficando sobre ela, que abraça-o com as pernas. Qetsiyah sente os lábios explorando seu pescoço e solta um gemido abafado. Dante sorri e segura a perna dela, apertando-se contra a morena para que esta sinta sua ereção.
***
Ouviram a campainha tocar, meia hora depois. Alex correu ao interfone e logo depois a porta abriu, dando passagem a Maximillian.
– Max! – A loira quase gritou, abraçando o outro com força. – Meu Deus... – Os dois tinham os olhos marejados, e ela ficou em silêncio por alguns segundos, abraçando-o. Por fim, murmurou. – Eu... Sinto muito por sua mãe e irmã.
O garoto meneou a cabeça e olhou os outros, com um braço por cima do ombro da outra. Então abraçou também Olivia e Michael, recebendo as condolências de todos. Demorou um pouco até notar que mais alguém estava lá.
– Max,,, – Olivia começou – Tem alguém que queremos que você conheça. – Ela se aproximou de Aladiah. – Essa é Aladiah. O... O demônio que salvou a minha vida.
– Pra trás! – Max puxa os amigos e abre os braços tentando proteger eles, mas Aladiah só o olha sorrindo. – Ela é um deles! Eles vão...
– Não, Max! – Olivia interrompe ele. – Ela me salvou, não entende? Eu ia morrer, e ela me salvou. Se ela me quisesse morta, a única coisa que ela precisaria ter feito era... nada. – A outra suspira.
Max relaxa os músculos ate então tensionados. Trazia o punho cerrado, pronto para manifestar a espada e dar um fim naquilo.
– Ok. Parece que a gente precisa urgentemente contar as nossas estórias.
Os outros suspiraram. Não queriam mais recontar as próprias histórias, mas sabiam que era o que tinham que fazer. Então foi o que fizeram, e também Max contou tudo. O ataque na rua escura, Frederick, o conjurador, a morte da mãe e da irmã (nessa parte da história ele teve que ser tranquilizado pelos amigos.), a hospedagem no hotel e todo o resto.
– Então essa Qetsiyah é o assassino! – Maximillian concluiu. – Não viram nem um vislumbre de como ela era? Nenhuma característica?
– Bem... – Alex fala – Ela tinha um lindo par de Jimmy Choos vermelhos.
– Acho que não era a isso que ele se referia, Alex. – Mike comenta.
– Não, gente! Ajuda sim. Olha, aqueles não eram sapatos comuns. Eram Jimmy Choos! E ainda... Jimmy Choos Divina. Só trezentos pares daqueles sapatos foram feitos, então acreditem em mim, ou a nossa assassina conhece um falsificador brilhante ou ela é ricaça.
– É, isso diminui a lista de suspeitos. – Olivia admite.
– Bastante – Alex sorri.
– Mike, acha que consegue descobrir quem tem sapatos assim na Inglaterra? – Olivia pergunta.
– Bom, eu posso tentar. – O garoto fala. – Enquanto eu pesquiso, vamos colocar os papos em dia!
– Aladiah... – Maximillian fala. – O que é você?
– Acho que você já sabe, não? – Ela não parece entender a pergunta.
– Não, é que... A forma como a Olivia falou que você detonou aqueles carniçais... Você é uma Ancillae?
Ela ri.
– Não, criança. Eu sou um Lorde. – Ela dá um sorriso maternal.
– Então... – Maximillian gagueja. – Esse é o poder de um Lorde?
– Não precisa se assustar. Aqueles eram só carniçais. Não é lá grande coisa. Se o meu poder fosse simplesmente dar fim em carniçais, eu não seria um Lorde.– Ela vai ate a porta – Olha, agora eu tenho que ir. Mas vou ficar atenta, caso precisem ser salvos de novo.
– Até mais. – Maxmillian se despediu. Sentia-se bem sobre ela, mas lembrou-se do conselho de Frederick sobre confiar em estranhos. Assim que ela foi-se, ele virou-se pros seus colegas.
Os quatro se acomodaram no quarto de Olivia. Mike no computador, pesquisando e comentando vez ou outra na conversa, Olivia penteando o cabelo de Olivia num lado da cama e Maximillian deitado do outro lado. Quase pareceu com os velhos tempos. Só que todos sabiam de tudo o que tinha acontecido na última semana, e mesmo que não se atrevessem a falar sobre isso, sabiam que o amigo estava ainda profundamente magoado com a morte da mãe e irmã. Sequer poderia ir ao funeral das duas, pois com certeza haveria demônios lá, esperando pra matar ele.
– Ah! – Alex lembrou-se – A gente entregou o seu último trabalho. Não tem que se preocupar com o semestre.
Maximillian sorriu. Com tudo isso, nem tinha pensado sobre a faculdade. Ele,, que sempre fora preocupado em manter as notas, nem sabia se continuaria o curso no semestre seguinte.
– O que foi? – Olivia é que falava dessa vez – Tá todo pensativo aí.
– É que com tudo isso rolando... Não sei se vou voltar pra faculdade no semestre que vem.
– Claro que vai! – Alex repreendeu-o. – A gente vai acabar com esse Mordred e com esse bando de capirotos antes das aulas voltarem, aí você vem com a gente.
Maximillian respondeu com um muxoxo. Não tinha coragem de falar toda a verdade ainda. Falar que não era só o Mordred. Ele já entendera que aquela não era uma batalha que fosse terminar tão cedo, mas não podia exigir que seus amigos entendessem, também.
– Nada ainda, cara? – Maximillian levantou e sentou-se ao lado de Michael.
– Por enquanto nada. Mas estou quase lá. – Ele suspira, entediado. – Mas me fala aí... Como está indo todo esse lance de Demon hunter?
– Demon hunter? – Maximillian ri – De onde tirou esse nome?
– Um RPG. The Demon Inside. É sobre caçadores de demônios, que nem os especialistas – Mike para de falar – Ops, eu fiz de novo. – Ele ri.
– É, você fez de novo. – Maximillian estava feliz por estar de volta. – Bem, meus poderes de Demon hunter estão indo muito mal. Eu só aprendi a conjurar a minha lâmina, depois vou te mostrar. Agora o Frederick falou que eu tenho que aprender a rastrear eles, senão vou ser inútil.
– Como assim aprender cara? Tá tudo na lâmina. – Max sabia o que estava acontecendo. Mike estava tendo outro ataque “rpgístico”. – Os Demon hunters não têm que aprender nada porque a lâmina já sabe tudo o que eles precisam.
Então Max teve um sobressalto.
Por incrível que parecesse, Mike estava certo. Era só deixar a lâmina encontrar os demônios, afinal, ela já tinha assumido o controle uma vez, não devia ser tão difícil.
– É isso! – Max exclamou, animado. – Mike, você acabou de me ensinar como fazer.
– Não há de que. – Mike falou, com um sorriso de satisfação no rosto, voltando a trabalhar na pesquisa dos Jimmy Choos.
***
Aladiah lutara contra a vontade por um tempo, mas acabou sendo levada a voltar ao salão. Como ela imaginava, Frederick estava lá, sentado num banco lendo algum livro sobre uma mesa rústica (a mesa é que ocupava o lugar antes ocupado pela cama.) Antes mesmo que ela se movesse ou falasse, o conjurador falou.
– Estava te esperando.
– Ah é? – Aladiah se aproxima dele e fecha o livro que ele estava lendo, exigindo a atenção pra ela mesma.
O outro ri e afasta a encadernação sobre a mesa. Empurra a cadeira em que estava sentado para o lado e senta-se na mesa.
– Onde esteve?
– No covil do Mordred.
– Falou com ele?
– Não. Eu estava ocupada salvando uma humana que entrou no lugar.
– Você adora salvar os outros, não?
– Sabe, ela é amiga de um especialista. Estava lá procurando por ele, na verdade. – Aladiah não responde à pergunta do outro. – Qual é mesmo o nome dele? Max?
– Céus! Será que nenhum segredo permanece secreto nessa cidade? – Aladiah ri de Frederick
– Eles me contaram de umas coisas bem macabras que os demônios da cidade fizeram. Mas eu não acho que a mãe e a irmã do garoto sejam obra do Mordred.
– E o que acha?
– A irmã dele, Qetsiyah. Na verdade, eu sei. Eles ouviram uma conversa dela e acabaram descobrindo isso também.
– Parece que os amigos dele são bem intrometidos. – Frederick comenta, sorrindo.
– Conheço alguém que costumava ser assim, também. – Aladiah fica em pé frente a Frederick, que envolve-a com os braços.
– Esse tipo te atrai, não é?
Ela ri e toca os lábios dele com os próprios, suavemente. Os dois sentem o calor dos lábios do outro, ansiando por mais, embora não demonstrem.
– Pode apostar que sim. Mas só um pouco.
– Posso providenciar que esse pouco cresça.
– E como é que vai fazer isso?
Frederick pula da mesa trazendo o corpo de Aladiah pra junto dele, e quando ele gira, ela está no lugar que ele antes ocupava. Ela apenas se deixa levar, sentindo a pele eriçar-se com o toque do parceiro. O conjurador envereda seus dedos para as costas e ombros dela. As alças do vestido estavam ali, e ele sabia o que queria.
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