London by Night
8 Harley
Notas iniciais
Qetsiyah despertou com os braços de Dante envolvendo-a. Os dois adormeceram nus sobre o sofá. Ela levou dois segundos pra ligar os pontos e lembrar da noite anterior.
– Tou indo embora – Ela falou, levantando-se e ficando sentada sobre os quadris do outro, olhando em volta pra procurar suas roupas.
– Tão cedo? – Dante falou, acordado por ela. Ele deslizou as mãos para a cintura dela.
– Não é tão cedo assim. E isso... Não vai se repetir. – Ela afasta as mãos dele da sua cintura
– Ou talvez se repita. – Ele volta as mãos para onde estavam e puxa Qetsiyah para baixo
– Sabe que eu sou bem mais forte que você, não sabe? – Ela pergunta, mordendo o lábio inferior dele.
– E ainda assim quem manda sou eu. – Dante conclui.
– Eu tenho que ir. – Qetsiyah fala, pulando de cima dele e juntando as suas peças de roupa. – Tenho assuntos a tratar com o meu irmão.
– Até mais ver. – Dante se despede, enquanto ela se veste.
– Até – Qetsiyah fala um segundo antes de sumir dali.
***
Mordred estava de novo sentado à mesa no seu escritório. Agora, no entanto, ficaria menos tempo, já que tinha mais assuntos a tratar fora da sala do que dentro.
– O que será que aconteceu com aqueles carniçais? – Ele sussurrou se perguntando. Três dos seus carniçais estavam caídos mortos no corredor do primeiro andar do covil. Estaria alguém tramando contra a vida dele? Não, ninguém seria tão estúpido. De toda forma, ele deveria tomar atitudes, num caso como esse.
Ouviu-se o bater na porta. Mordred resmungou um monossílabo permitindo a entrada de quem quer que fosse.
– Senhor Mordred, Essa... – Um garoto de não mais de quinze anos iniciou falando, mas a porta escancarou-se e a mulher loira entrou, usando um vestido leve em degradê azul.
– Essa Aladiah quer falar com você. – Ela falou, chegando perto da mesa e puxando a cadeira à frente da de Mordred. Sentou-se, enquanto o neófito a olhava atônito, sem saber o que fazer.
– É bom te ver, Aladiah. – Mordred sorriu, sinalizando com a mão para que o outro os deixasse. – Não sabia que estava em Londres.
– Cheguei a pouco tempo.
– Devia ter vindo antes.
– E eu vim. Mas uns carniçais me atacaram e tive que dar um jeito neles. E você não estava aqui.
– Eles acharam que você era uma intrusa. – Mordred riu. Agora os carniçais mortos estavam explicados.
– Não os culpo. Tecnicamente eu era. – Ela dá de ombros.
– Então... O que te trouxe a Londres? Imagino que não veio aqui só olhar o Big Ben. O Parlamento é bonito, mas ainda assim...
A risada de Aladiah interrompe ele.
– Eu vim te visitar, Mordred. – Ela decidiu não mencionar a parte em que fora invocada por um conjurador procurado e salvado a amiga de um especialista tão procurado quanto, e tampouco quis falar que sabia o paradeiro do menino. – Sabe que te considero como um filho.
– Se está gastando os seus dias visitando os seus filhos deve estar bastante ocupada. Ao longo de tantos anos... Quantos são?
– Dezessete.. – Ela responde, sem perder tempo pensando. – E a sua irmã?
– Em algum lugar da cidade. Não sei ao certo.
– Sabe, da última vez que te vi, você não era dono de uma cidade. Como isso aconteceu?
– Longa história. Em resumo: Pactos, assassinatos, sequestros, chantagem... Um pouco de tortura e barganha também.
– E claro. Inocentes morreram no processo.
– Inocentes... – Mordred balança a cabeça. – Não existe isso, mas sim, muitos morreram.
– Você nunca vai aprender Mordred? Por que você sai fazendo essas coisas com as pessoas?
– Porque eu posso. Vamos lá, Aladiah. Eu sou um demônio. Isso é o que eu faço, o que você deveria fazer também.
– Não mesmo. Eu não sou assim, Mordy.
– Vê só? Você não me entende, eu não te entendo. Estamos quites.
– O que está feito, está feito.
– Ainda está falando sobre quando eu quase matei uma das suas filhas? Vamos lá, ela estava pedindo por isso.
– Eu já te perdoei por aquilo, também. – Ela levanta, sentindo um pouco de mágoa invadir seu coração, mas apaga aquilo também. Apesar de tudo o que ele fez, ele ainda era o Mordy.Ela não podia ajudar Frederick a machucá-lo. Mas também não podia deixá-lo ferir as pessoas. – Tenho que ir, mas não vou sair de Londres por agora, então, eu ainda volto aqui.
– Até mais, Aladiah.
Ela então abriu a porta e saiu.
– Então a sua mamãe adotiva está na cidade? – Qetsiyah falou. Irrompeu na sala um segundo depois de Aladiah sumir, como se já os estivesse observando.
– É, ela está na cidade, Qetsiyah. Por favor, não a incomode.
– E por que eu ia fazer isso? Eu hein.
– Não sei. Talvez porque você nunca gostou dela e não perde a chance de atacar ela de uma forma ou de outra.
– Vou ficar longe, ok? Ela fica no canto dela e eu no meu. Pronto. Todos felizes.
– Onde estava?
– No sofá do Dante.
– E onde ele estava?
– Onde mais? Embaixo de mim. – Mordred olha para Qetsiyah com desaprovação.
– Ele que começou. – Qetsiyah fala, rindo. – Como foi com a Médica?
– Bem. Com a rebelião acabada levei ela pra ver o Noah.
– O que você quer com aquele pirralho? Não precisa dele pra mandar na Samantha.
– Eu sei o que faço, Qetsiyah. Tenho lá minhas razões.
– Sei bem...
– Qetsiyah... Sobre o Dante...
– Ai, Mordred, eu sei o que eu faço, também.
– Mas ele não é...
– Digno de mim? – Ela anda pra trás de Mordred e o abraça na cadeira. – Nos seus padrões, só você seria. – Ela desliza as mãos pelo corpo do irmão e morde o pescoço dele. – Apesar de eu gostar muito de você... – Ela desce a mão e a põe entre as pernas de Mordred. – Uma relação incestuosa não daria certo.
– Não foi o que eu disse.
– Eu sei que não. – A irmã ri e aperta-o com a mão. – Mas ficou excitado. – Ela anda de volta pro outro lado da mesa rindo e senta-se lá.
– Uma mão é uma mão. – Mordred dá de ombros.
– Tenho que ir! A detetive Misaki Tem muita coisa pra fazer. – Ela sumiu, ainda rindo.
***
– Vou chamar o Frederick! – Maximillian exclamou, decidido.
– Mas você nem tem certeza se vai mesmo funcionar. – Alex argumentou. – Além do mais, você não faz ideia de onde ele está.
– É... quanto a isso... – Ele tateou o bolso e pegou o espelhinho. – Ele me deu isso. Toda vez que eu quiser eu ele apareça é só falar o nome dele pro espelho.
Alex ri.
– E você ainda não sabe se realmente consegue rastrear.
– Para de me por pra baixo. – Maximillian riu e brincou. – Vou testar agora.
Ele suspirou e manifestou a espada, sob o olhar atônito dos amigos. Segurou-a verticalmente à frente do corpo e fechou os olhos. Aonda não sabia muito bem como fazer aquilo, então só relaxou e deixou a arma fazer o que tinha que ser feito.
– Ponto pra mim! – Max comemorou quando a espada se moveu, apontando para a janela. Devia ter algum demônio naquela direção. – E pro Mike, claro.
– Acabou que você é mesmo uma bússola. – Olivia riu. – Vai sair na rua com uma espada apontando pro ar?
– Não. – O ruivo riu da piada. – Acho que saber a direção já me ajuda.
– Ajuda mesmo. – Michael falou – Nessa direção aí, por exemplo... Tem a Skin. E já sabemos que o lugar está infestado.
– Vocês não podem voltar lá. – Max suspirou preocupado.
– Nos obrigue. – Alex falou descontraída.
– Sério, Alex. A Olivia quase morreu, lá, se não fosse pela Aladiah.
– Por falar nela... Tem coisa aí, hein... Tem certeza que ela é confiável? – Alex ponderou.
– Claro! – Olivia saiu em defesa dela. – Ela me salvou Alex, e nem me conhecia. E hoje, ela podia ter acabado com a gente assim. – Ela estalou os dedos.
– É isso o que me dá mais medo. Quer dizer... Alguém que pode bater palmas e fazer a gente explodir quando estiver de mau-humor...
– Para, Alex. Ela não é assim. – Olivia resmungou e a outra deu de ombros.
– Então? – Michael falou, pra acalmar os ânimos. – Vai ou não chamar o tal Fred?
– Sim! – Maximillian sobressaltou-se e elevou o espelho à altura os lábios. – Frederick.
Um vento fraco soprou quando a porta do quarto abriu-se, soltando uma baforada do cheiro do salão do conjurador. Max já estava acostumado ao cheiro de incenso e vinho, então sequer percebeu. Frederick saiu, encarando os outros dois, e fechou a porta atrás de si.
– Da hora! – Michael exclamou.
– Como se saiu?
– Bem. – Maximillian respondeu à pergunta do mais velho, mostrando a lâmina em mãos. – É só eu deixar que ela aponta pra onde eles estiverem.
– Bom. – Frederick fecha os olhos um par de segundos e então encara o outro. – Tem um presente no estacionamento daqui. Algo que voccê certamente vai precisar. – Ele joga uma chave pro outro, que a pega no ar.
– Quase esqueci! – Mike pula da cadeira e coloca a mão no bolso. – Seu celular estava lá no hotel. – Ele entrega o objeto pro amigo.
Frederick encara Michael por um segundo, e então se volta para o especialista.
– Nunca enfrente se eles estiverem em número alto, a menos que sejam carniçais. Por enquanto acho que você não pode lidar com nada mais forte que um neófito. Talvez um Ancillae, se tiver sorte.
– E quanto ao Mordred?
– Estou trabalhando nisso.
– Como? O cara é imortal! – Olivia exclama.
– Mas não invencível.
– Isso não importa agora. – Max encerra o assunto. – O lugar que eu rastreei é um bar. Skin. Está cheio de demônios.
– Então tem que dar um jeito de pegar eles separados. É muito descuido, pra não dizer burrice, entrar sozinho no território inimigo. Nunca se sabe o que vai encontrar. – Olivia encolhia os ombros a cada palavra que Frederick dizia, porque era exatamente isso que ela tinha feito.
– Assim eu nunca vou acabar com eles!
– Não vai mesmo! Mas você tem que ficar bem mais forte antes de pelo menos pensar em invadir o covil deles.
– E quando é que isso vai acontecer?
– Tenha um pouco de paciência. Seu poder cresce a cada dia que passa. Está se desenvolvendo espontaneamente, logo estará pronto. Até lá, eu vou rastrear demônios pra você.
– Se podia fazer isso o tempo todo por que eu tive que aprender?
– Porque é importante que você domine os seus poderes. – Frederick falou como se fosse óbvio. – Agora... preciso de uma mesa vazia.
– Tem a mesa de estudos. Eu não uso, porque só leio na cama. – Olivia falou com um sorriso amarelo.
– Certo. Pode me levar até ela? – Olivia acompanhou Frederick e os outros três para a sala ao lado, a pedido de Fred.
– E agora?
– Agora eu faço a minha magia.
Frederick foi até a mesa branca e bateu nela com os nós dos dedos, e algumas linhas começam a se espalhar na superfície. No começo, a forma ainda era indistinguível, mas logo, não havia dúvida. Era um mapa de Londres, com cada bairro, rua e quarteirão perfeitamente desenhado. Alex, Michael, Olivia e Max ficaram boquiabertos. Especialmente Mike, que se sentia dentro de um dos seus jogos. O homem murmurou algumas palavras ininteligíveis e estendeu a mão sobre a mesa. Da sua palma, brotaram váras contas peroladas, pretas, vermelhas e amarelas. As pretas predominavam e havia também 3 contas brancas.
– Cada conta é um demônio. Os pretos são carniçais, os vermelhos são neófitos, os amarelos são Ancillae... E os brancos são os Lordes. – Quando algumas das contas começaram a se mover, ele continuou. – Elas vão se mover para indicar a posição do demônio correspondente. Se uma conta nova aparece, é porque tem outro demônio na cidade. Se uma conta some, um deles morreu, menos as brancas. Se uma conta branca sumir, é porque o Lorde correspondente a ela está ocultando a sua presença. Aí nem a minha magia é capaz de rastrear ele.
– Entendido.
– Agora eu posso deixá-los a sós. Lembre-se... É só chamar no espelho. – Frederick falou abrindo a porta e entrando no seu salão.
– Que incrível. – Michael se pronunciou por fim.
– Sem dúvidas, é sim. – Maximillian falou, olhando a chave que ganhara e o mapa. Ele apontou para uma conta preta e uma vermelha, num lugar afastado da cidade.
– Tem certeza? – Olivia indagou.
– É um carniçal e um neófito. Acho que dou conta. E se não der... – Ele levantou o espelhinho e o colocou no bolso. – Depois de lá eu vou pro hotel, então até amanhã, pessoal.
– E isso encerra a nossa reunião. – Alex falou brincando. – Não some de novo, Max. Daqui a pouco dá a minha hora também, mas vou ficar mais um pouco.
– Eu também. – Michael anunciou e o amigo saiu do apartamento.
Antes de ir, Maximillian foi ao estacionamento do prédio.
– Ótimo Frederick. Adoro quando você é tão específico. – O garoto olhou atentamente a chave que receber, e quando viu o nome lustroso escrito, reconheceu automaticamente o presente.
Uma Harley preta estava estacionada ali. Em sua face apareceu um sorriso grande quando ligou a moto e saiu para o endereço que vira no mapa.
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