London by Night
13 Embate
Notas iniciais
Alex tinha passado na cafeteria perto da casa de Olivia e comprado café para os amigos. Esperava que eles estivessem lá, já que todos estavam ocupados com as novas "tarefas" particulares.
– Espero que estejam com fome ou pelo menos em casa. – Ela diz ao abrir a porta.
– Alex! – Quem falava era Maximillian. – Eu estava me perguntando por que está todo mundo fora. tem uma coisa que você tem que ver!
– Minha nossa! Que susto Max! – A garota coloca os copos de café e a caixa com donnuts e cupcakes na mesa. – O que quer me mostrar?
– Vem aqui no mapa comigo! – O especialista fala, se inclinando para a mesa e agarrando um café e um donnut.
Ela pega seu café e se aproxima dele.
– Algo novo?
– Algo estranho! Olha só – Ele aponta para a região norte da cidade, Em Enfield. O lugar pululava de contas pretas e tinha uma única conta amarela no centro – Achei muito suspeito que nada tenha aparecido nos noticiários com esse monte de carniçais nas ruas, considerando que eles são meio, hum... Você sabe.
– Vai ver a imprensa nem se aproxima deles por medo ou por ordens do manda chuva da cidade. – Alex dá de ombros. – Mas, porque será que eles estão aí?
– Vai saber. – Ele morde o donnut e mastiga, então fala, ainda mastigando, o que deixa a voz meio abafada. – Eu vou lá pra descobrir. São só carniçais e um Ancillae. Acho que posso com isso.
– Acha que conseguirá? Você vai se expor assim Max.
– Eu consigo pegar um carniçal sem dificuldade nenhuma. E isso foi antes de eu ter os novos poderes do último demônio que destruí.
– Como assim novos poderes? E como assim você destruiu um demônio? – Ela se senta no sofá. – Porque sempre sou a última a saber das coisas?
– Eu estava esperando pra contar. – Ele sorri triunfante e conjura sua espada – Aparentemente, eu ganho os poderes de um demônio quando destruo ele. Ainda não sei bem toda a extensão do último, mas é basicamente isso. – Ele se concentra um pouco e a massa negra começa a emanar dos pés dele até encher todo o chão do lugar. Então um tentáculo se manifesta do meio das trevas e ele o controla, fazendo–o pegar outro donnut e entregar–lhe em sua mão. Alex olha para ele e abre a boca surpresa.
– Isso é nojento e ao mesmo tempo surreal.
Maximillian desfaz o poder, fazendo a escuridão e a espada desaparecerem. ele suspira e olha Alex.
– Viu só? mais do que preparado
– Bom, se quiser pode ir. Não ligo por ficar sozinha, afinal é só isso que acontece. Você caçando demônios, Olivia com aquela loira aguada e o Mike com o feiticeiro... É, tudo bem. – Ela suspira.
– Ah, Alex, para com isso. Sabe que não é bem assim. Todo mundo aqui é importante. Você não tá sozinha. a gente tá junto nessa.
– Ah não, não estou. Cadê o resto do pessoal? Qual é Max! Eu sou a única que não estou envolvida em tudo isso!
– E o que você quer? Que eu te leve lá em Enfield pra lutar com os carniçais? Quer isso?
– Não seria uma má ideia. – Ela sorri esperançosa.
– É, seria sim! Você não pode ir, porque eles são perigosos. Eles são mais rápidos e mais fortes que você, e se alguma coisa acontecesse com você eu jamais me perdoaria porque eu... – A voz do ruivo corta e ele sente suas orelhas aquecerem. sabia que trazia agora uma cor rosada no rosto e pescoço.
– Você? – Ela se levanta e se aproxima dele.
– Eu... Eu, é... Eu não quero que nada de ruim te aconteça.
– Porque?
– Porque eu... Eu gosto de você.
– Você não imagina o quanto esperei pra ouvir isso. – Ela sorri olhando para ele.
– Então você... – Max começa a falar, as mãos involuntariamente segurando Alex, uma repousando sobre sua cintura e a outra no ombro.
– Gosto de você desde quando te vi Maximillian. – Ela sorri e coloca as mãos no ombro dele.
O garoto ruivo fica em silêncio e encara Alex por um par de segundos. Não corta o silêncio, mas quebra a postura imóvel inclinando–se para frente e beijando a garota. Alex retribui ao beijo de forma calma e lenta. Queria aproveitar o momento, mesmo com todas essas novidades acontecendo na vida dela e dos amigos.
***
Frederick andava pelo quarto de Michael, o aluno ainda não retornara da sua última viagem pelas portas. Certamente havia se perdido entre elas. Fred vai até uma estante contendo vários livros, ele ri vendo os gostos do jovem. Sente uma ligeira inquietação e recoloca o livro no lugar.
– Vamos, apareça...
Mordred gira a maçaneta e abre a porta do quarto, vendo Frederick. O demônio trazia os cantos dos lábios enrolados num sorriso zombeteiro.
– Que surpresa encontrar um conjurador aqui. Devo dizer que foi realmente inesperado, quando vim dar ao garoto... Michael? A notícia de que seus pais estarão numa viagem por uns dias.
– Mordred. Reconheceria essa voz em qualquer parte do mundo. O que exatamente fez com os pais do garoto? — Frederick se vira e o encara.
– Eles estão bem, eu posso assegurar. Talvez estejam nas Bahamas, ou sei lá, talvez Veneza... É que se eu não tiver o paradeiro exato do especialista, o avião de retorno deles pode acabar caindo...
– Deixe-os em paz. Todos eles. — Fred esbraveja.
– Sim, claro. Sabe... De certa forma a culpa disso tudo é sua. Se não tivesse salvado o garoto naquela noite do Dante, os pais dele não teriam morrido. Os pais do amigo dele não estariam à minha mercê... Salvando ele você colocou todos no meu caminho, e ficar no meu caminho não é algo muito saudável.
– Cala a boca! Eu não permitiria que um pobre garoto sofresse aos caprichos de seu subordinado. Ele merece viver. Assim como os pais do jovem Michael. — Fred cerra um punho vendo que o combate não tardaria a vir.
– Não eram caprichos do meu subordinado. Dante estava seguindo ordens. Os caprichos eram meus, e... Imagino que você vá querer me... Impedir? Bem, pode tentar, e vejamos até onde consegue ir.
Frederick apanha um livro da estante e sorri vendo a capa.
– Se terei que me sacrificar pra permitir que aqueles garotos tenham uma chance, sim, estou disposto a isso. — Frederick deixa o livro no chão e olha para Mordred confiante.
– Parabéns pelo altruísmo, mas isso não vai te ajudar. Vai morrer, e depois disso, as crianças que protege continuarão sem chance alguma. Na verdade, estarão ainda piores, pois estarão sozinhos.
– Basta Mordred! — Frederick lança uma esfera iluminada em sua frente, essa se converte numa porta, e ele corre para entrar nela.
– Corra o quanto quiser, não vai se esconder pra sempre... — Mordred fala, andando e entrando na porta, também.
Ao atravessar a porta ambos se veem em queda livre, o vento forte contra o rosto era quase insuportável. Frederick virou-se de costas para ver o inimigo que deveria estar alguns metros acima, caindo também, e viu Mordred caindo, o olhar fixo no conjurador. Pelo menos é a impressão que se tinha, visto que seus olhos estavam completamente brancos uma vez mais. Os veios negros ornavam sua face de novo, também, mas dessa vez, ele contorceu um pouco as costas por um segundo, e asas demoníacas brotaram de lá, rasgando o fino terno em pedaços. E então ele podia controlar sua queda, aumentando ou diminuindo a velocidade enquanto rasgava o imenso nada.
Frederick, vendo aquilo, estremeceu. Sabia que majestosas eram as capacidades de um Lorde, mas asas... Sem pestanejar ele mentalizou um par de asas e esticou sua mão no ar. Velozmente algo foi se moldando e o que parecia ser uma gigantesca águia surgiu do nada. Esta voou disposta a salvar seu conjurador.
Mordred voou pelo espaço vazio e escuro, e de baixo do seu pulso direito, a mesma lâmina que tinha encerrado a vida de Pandora esperava ansiosa pelo sangue do conjurador. A águia se mostrou veloz e num lindo razante salvou Frederick. Frederick segurou-se nela para não cair, ao olhar para baixo ele pode ver algumas luzes, se tratavam dos mais altos prédios de Londres.
– Velha amiga, precisamos despistá-lo lá. — Frederick disse e voltou seu olhar para cima, vendo o Lorde vindo com sede de sangue, o seu sangue.
Mordred retornou ao ataque. Dessa vez, não parecia interessado em Frederick, pois sua lâmina objetivava a cabeça da águia. Agarrou-se ao pescoço do animal e ergueu o braço direito, pronto para desferir o golpe final.
Frederick viu a cena e mentalizou um escudo medieval, não tardou e uma barreira invisível parecia defender a grandiosa ave. Esta rodopiou no ar para se esquivar do demônio, Fred se segurou nela e felizmente não caiu. Conjurador e criatura pareciam ter sincronia. Mordred se agarra com força às penas da ave para não ser jogado, mas perdera o equilíbrio e se segurava apenas com aquela mão.
– Você me levou para um pequeno passeio. Deixe-me retribuir o favor. — E quando fechou a boca, o céu tinha sumido. Ao invés, estavam numa imensidão inflamada e quente, chamas crepitando e gritando para qualquer lado que se olhasse.
– Inferno! — Frederick berrou e apontando para cima da cabeça do demônio, desenhou no ar o que parecia ser uma espada. E sem delongas a arma já se formara e disfere um golpe na mão que segurara a águia.
– Exatamente... — Mordred fala, movendo a mão e fazendo a espada golpear a águia ao invés dele. Ele arrasta o animal para o chão, batendo as próprias asas com mais força do que o animal fazia com as próprias. o fogo chamuscava as pontas das penas do animal, àquela altura. — O meu próprio inferno.
A águia lançou uma espécie de rugido que cortou o coração de Frederick. Este moveu os braços que pareciam dançar a sua frente e rapidamente pode se ver que águia começou a se desfazer em versões menores, algumas começaram a rodar em volta de Fred e de uma forma mágica o faziam flutuar, o restante foi para cima de Mordred atacando-o.
O Lorde encolheu os braços e asas, protegendo-se dos bicos e garras. Mas apenas por três segundos. Logo em seguida, de súbito, estendeu as asas e braços, enviando uma onda de choque tão poderosa que desintegrou tudo num raio de cinco metros dele, incluindo as aves..
– Não me subestime, conjurador. Isso me irrita muito. — E ao falar isso, os veios negros cresceram ainda mais na face dele, e pequenas protuberâncias em sua testa irromperam, dando espaço para dois chifres negros de cerca de trinta centímetros ornarem sua cabeça. Ao mesmo tempo, as pontas das mãos, que tinham unhas, agora receberam garras compridas e afiadas, tão negras quanto os chifres.
Frederick lançou uma porta em sua frente e foi sendo levado por suas companheiras, ao atravessar as pequenas águias desapareceram e ele correu pelo ferro-velho aonde aparecera. Estava cansado. Fazia tempo que não batalhara dessa maneira. Ele correu o máximo que pode para se distanciar do Lorde, sem sucesso.
Mordred estava sentado no capô de um carro destruído. A forma demoníaca dava arrepios, mas o olhar era pior. Ao mesmo tempo que era vazio, parecia encarar e ver até o mais fundo da alma.
– Eu falei. Pode correr, mas não pode se esconder. Não mais.- E o demônio abriu a boca, deixando sair milhares de insetos que se dirigiram imediatamente para atacar Frederick, e junto dos insetos, uma estaca de ferro puro, afiada e rápida como uma bala.
Fred suspirou. "Só tenho forças para mais uma magia. Precisa ser a Aladiah...", Fred abriu a mão e berrou.
– Aladiah! — uma luz intensa brotou da palma de suas mãos e rapidamente consumiu os insetos, ela irradiava com um intensidade indescritível, de tal forma que queimava. Frederick sorriu, ele havia adotado símbolos para suas conjurações, exceto para essa, afinal Aladiah era sua luz, Aladiah era o símbolo dessa magia. Seu último recurso em qualquer ocasião.
Mordred fechou os olhos e protegeu a face com o antebraço. A intensidade da luz irradiada era muito grande, e pegou-o de surpresa. Quando o feitiço se dissipou, ele abriu os olhos, e levou um par de segundos para acostumar-se à claridade. Quando o fez, viu a cena. O chão recoberto de insetos mortos e um Frederick caído, com o vergalhão de ferro enfiado na barriga. Ele sorriu e deu um passo na direção do outro, ainda enfraquecido pelo último poder do conjurador, apesar de não deixar transparecer. Apenas três metros o separavam do homem caído.
Fred cospe um pouco de sangue e segura o ferro em seu abdômen.
– Maldito... — ele sente seus olhos pesarem e luz do mundo que o permitia enxergar se apagando.
O demônio dá passos lentos na direção do conjurador, os lábios se enrolando cada vez mais. Ele ergue a mão direita, preparando as garras para dilacerar a carne do outro e acabar com sua vida.
Mas antes que o faça, uma luz arroxeada ilumina o ambiente. A luz chega, para o Lorde, ao mesmo tempo que a dor. Sente as costas queimando e as asas sendo consumidas. O calor vem com tanta potência que o joga pra frente e o faz cair vinte metros depois do conjurador.
A porta tinha sido aberta um metro atrás dele, que fora gravemente ferido pelo feitiço lançado por Michael, já que se encontrava fragilizado pelo ataque de Frederick.
O garoto tremia além da imaginação, e andou com as pernas bambas até seu professor, e o arrastou pela porta para o outro lado. Sabia que Mordred estava sem reação, mas conseguia sentir pela energia emanada que ele ainda tinha poder pra destruí-lo, mesmo naquele estado.
O líder dos demônios sentiu as duas energias sumirem, e a fúria inflamou cada célula do seu corpo. Estava muito ferido pelas chamas roxas, mas já sentia as células se reconstituindo, e pensou consigo mesmo.
“Não importa que tenham escapado, eu não pararei nem enquanto me curo. Conseguiram o que queria. Agora lidem com a minha atenção.”
E o silêncio reinou sobre o ferro velho, depois que também Mordred sumiu.
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