Notas iniciais
Hey pessoal! primeiro capítulo! Espero que gostem (E que comentem pra eu saber, kkk)

Demônios, magia, sobrenatural... Você acredita nisso?

É, Eu também não acreditava. Mas isso foi antes da minha vida virar de ponta cabeça e eu ser jogado nesse mundo. Eu perdi tudo que eu era, e agora vou limpar essa cidade.

Meu nome é Maximillian Amber e essa é a história de como me tornei um especialista.

***

O vento soprava forte contra o rosto do garoto, levando grãos de areia que arranhavam sua pele. Pra todo lado que ele olhava, era só o que havia. Areia. Mas mesmo assim seguia em frente, ou pelo menos na direção que ele pensava ser a frente. A certo ponto, o vento começou a trazer também sussurros. “É o seu destino, Max...” ele falava, com voz sibilante. “Venha até mim...”

De repente, o menino ruivo se via numa clareira, no meio de uma floresta. Como saíra do deserto sem fim pra lá, não sabia. O silêncio agora era absoluto. Nem vozes, nem animais correndo, nem folha mexendo, nem vento soprando... Até que havia algo. Ele notou, na visão periférica, algo se movendo, mesmo sem fazer som. Virou-se bem devagar, tentando enxergar alguma coisa, e tudo que viu foram as garras na direção da sua face.

***

– E aí eu acordei. – Max terminava de contar o sonho que tivera aquela noite para seus três melhores amigos, Alex, Olivia e Michael.

– Sinistro – Alex falou. Apesar de fazer bem o tipo patricinha, a personalidade dela era bem diferente, e quase o contrário do que se pensava ao ver seu cabelo louro ondulado e traços finos delicados.

– Põe sinistro nisso. – Olivia, a de cabelo castanho-escuro e pele bronzeada comentou.

– Isso me lembra uma campanha que eu joguei uma vez em que,,, – Michael começou, mas foi interrompido por Olivia.

– Ok Michael, outro dia você nos conta sobre o seu RPG.

Michael era o nerd da turma. Daqueles que gosta de O Senhor dos Aneis e tudo. Ele sempre dava um jeito de relacionar tudo com os jogos dele, e falava muito, às vezes (leia-se sempre) mas era um cara engraçado.

Fazia um fim de tarde calmo em Londres, o calor tinha sido intenso durante todo o dia, mas agora que o sol se despedia, o clima abafado o substituía. Todo mundo parecia ter escolhido ficar em casa agora, a ter que enfrentar as ruas num tempo tão desconfortável. Mas claro, isso é pra todos que podiam escolher. Maximillian ainda precisava manter notas altas na faculdade, e isso significava entregar todos os trabalhos de fim de semestre.

E isso significava voltar pro apartamento só no fim da tarde, mesmo com o tempo abafado. Ele se despediu dos amigos e saiu de lá logo. Se chegasse em casa cedo poderia terminar ainda hoje o último trabalho e se considerar enfim de férias. A mente cheia com isso o fez esquecer completamente do pesadelo.

Andando, ele sequer conseguia ver uma árvore se mexendo. Não havia vento para balançá-las, nem uma brisa por menor que fosse. Já tinha andado um terço do caminho quando começou a sentir algo estranho. Não é uma situação muito fácil de explicar, e com certeza não é nem um pouco agradável, sentir que está sendo observado. Sentira isso taambém no caminho de ida inteiro. Só pensou que fosse sua imaginação, afetada por todo o stress do fim das aulas, e seguiu o caminho.

Numa tentativa de encurtar as dezesseis quadras que normalmente teria que andar, Ele pegou um atalho. Já havia esquecido toda a história de se sentir observado, e nem pestanejou em entrar na rua pouco iluminada. Já tinha passado por ali milhões de vezes, e conheceria o caminho ainda que não houvesse luz alguma. Andaria ali por 400 metros.

Pelo menos esse era o plano.

Nem bem tinha andado 200 metros, o garoto sentiu um empurrão forte na lateral do corpo, o jogando contra uma parede que ele não podia ver, mas suas costelas com certeza podiam senti-la. O mundo à sua volta – Ou pelo menos a rua escura – começou a se tornar enevoado, enquanto o golpe fazia-o começar a perder a consciência. Ainda viu um amontoado de gás negro surgir sabe-se lá de onde e começar a se juntar em uma forma humana, enquanto seu corpo se espremia ainda mais contra a parede invisível. Antes de poder ver algum detalhe do rosto do atacante, porém, A consciência o abandonou.

E teve um fim.

Um fim?

Isso é o “além”?

Ao abrir os olhos, eles se inundaram de luz, quase queimando as retinas do ruivo, que fechou-os com força. As pálpebras pareciam lixas. Abriu de novo os olhos, devagar. Piscou-os várias vezes até se acostumar com a claridade e desembaçar a visão. Então lembrou do que tinha acontecido antes e levou a mão direita à lateral do corpo. O simples toque fez a dor se mostrar.

– Argh! – Max resmungou, rolando na cama, e só então se perguntando, em voz alta, saltando apesar da dor – Onde diabos eu estou?

Ao olhar em volta, ele se viu num quarto extenso, com paredes do mais puro branco cobertas de tapeçarias e prateleiras atulhadas de livros e garrafas com líquidos coloridos. O ar tinha cheiro de vinho e incenso, e a luz vinha ao mesmo tempo de todo lugar e de lugar nenhum.

– Calma. – Ouvia-se a voz de um homem (que parecia que estar na casa dos quarenta) – Não deve se esforçar muito. Você foi alvejado.

– Mas que...

– Deixe-me explicar. – Ele falou, por fim revelando-se. Agora que podia vê-lo, não se dizia que tivesse mais de trinta e poucos anos. Alguns poucos fios prateados, no entanto, ornavam sua cabeleira negra, que contrastava com a pele pálida cobrindo os traços fortes do rosto. Ele carregava uma expressão cansada. – Você foi alvejado por um demônio.

– Do que você está falando? Deve estar louco. – Max falou, levantando da cama, e sentindo uma pontada nas costelas que o fez apertar os lábios com força.

– Louco? Diga-me você, então. Do que se lembra?

– Eu não sei. Eu estava muito cansado, e talvez tenha visto coisas que...

– Hah! – Ele falou, interrompendo o outro. – Pare de inventar desculpas. Vocês realmente fazem de tudo pra não enxergar o que está na sua cara.

– Ok, senhor sabe-tudo. Diga-me o que houve, então. Sou todo ouvidos.

– É o que estou tentando fazer. – Ele suspirou e foi até uma cômoda ao lado da cama. Pegou um lenço e então andou até uma das prateleiras. Pegou uma garrafa cheia de algum líquido verde e olhou-a bem, como se lesse uma etiqueta que não estava lá. Abriu a garrafa e derramou um monte no lenço, tingindo-o, e então atirando-o na direção do mais jovem. – Aqui. Passe isso nas costelas. Vai melhorar. Você tem duas delas quebradas.

Quando o universitário pegou o lenço e o colocou no lugar onde doía, o homem estranho voltou a falar.

– Como eu disse, você foi atacado por um demônio. Mas aquele não era um tipo comum. Era um Algoz. – Ele suspirou – Essa cidade é dominada por um deles. Um bem poderoso. Os algozes são os capangas principais. Prontos pra matar qualquer um que o líder deles mandar. Mas... eles não saem pra matar humanos... – A última frase soou mais como se ele falasse para si mesmo do que para qualquer outro. – Como disse mesmo que era o seu nome?

– Eu não disse. Max. Maximillian.

– Você é um especialista, Maximillian.

– Um o que?

– Especialistas são aqueles incumbidos de acabar com os demônios.

– A única coisa de que sou incumbido é manter as minhas notas. Esse... Demônio ou sei lá o quê deve ter se confundido.

– Você não está entendendo mesmo. Um algoz não se confunde. Se ele te atacou, então era atrás de você que ele estava.

– Se ele é tão foda assim então por que eu ainda estou aqui?

O grisalho ergueu os olhos pro adolescente, em silêncio, como se não entendesse o que ele tinha falado.

– Como acha? Eu te tirei de lá.

– Ah é? E como fez isso?

– Eu sou um conjurador.

– Um... Ah, esquece.

Na cômoda ao lado, Max pegou a sua mochila, pronto para ir embora, e só a segurou, pois sabia que se a usasse nas costas não aguentaria a dor.

– Muito obrigado por cuidar de mim, senhor conjurador, mas não acredito nessas coisas. Agora eu vou embora.

– Você é quem sabe. – Enquanto ele falava, encostado à parede, o outro olhava em volta procurando a porta naquelas paredes atulhadas, mas não via sequer uma janela. – Mas sabe bem o que viu. – o de cabelos pretos dá de ombros e indica, ao seu lado, uma porta aberta, dando para a rua escura em que Maximillian estivera antes. Ele engole em seco, paralisado. Sabia que não tinha uma porta ali antes. O conjurador vê a reação e sorri, triunfante.

***

– E você diz que o conjurador conseguiu te expulsar?

Quem falava era um homem de cabelos pretos bem penteados e usando um terno ainda mais preto, de um alinhamento perfeito. Seu rosto era o melhor exemplo da falta de expressão, e ao mesmo tempo era de uma imponência quase sem fim. Ele estava sentado atrás de uma mesa de pesada madeira, num escritório, e olhava para a frente, falando com outro homem. 3 criaturas humanoides permaneciam aos lados da sala. Pelo visto tinham funções de defesa.

– Sim, senhor Mordred. – O homem, cujo nome era Dante, falou.

– E ele não era um dos conhecidos?

– Não. Tenho certeza que as Harpias ainda não tomaram conhecimento dele.

– Então ele representa uma ameaça ainda maior do que o especialista. E agora os dois estão juntos. Precisamos nos livrar deles o quanto antes. Reúna duas harpias e vá atrás dele. Sabe como funciona. Se for visto, mate as testemunhas com isto. – Ele desliza uma pistola pela mesa, entregando-a Dante. – Não precisamos de nenhuma morte estranha sendo noticiada. Pode ir.

Dante se levanta e sai da sala, levando a pistola.

– Carniçais! – Mordred fala, e os semi-humanoides olham-no. – Tragam-me Qetsiyah.

Também eles saíram de lá, deixando Mordred sozinho no escritório. Não demorou muito e a mulher apareceu – simplesmente apareceu – sentada sobre a mesa dele.

– Ainda não deu um jeito no garoto? Não era só um especialista sem poder nenhum?

– É, mas surgiram outros agravantes. E por favor, sai de cima da minha mesa.

Qetsyiah ri, desce da mesa e fica atrás de Mordred, inclinada e abraçando-o.

– Acho que talvez o Dante não esteja dando conta. Vai precisar de ajuda.

– Já cuidei disso. Duas Harpias vão ajudá-lo.

– Sabe o que quis dizer.

– Sei sim, Qetsiyah. Mas você não precisa fazer isso. Londres é minha, agora. Tenho mais de duzentos demônios de todos os tipos sob o meu comando.

– Só que eu não nasci para puxar as cordas, como você. Isso é muito chato. E você sabe que eu sou muito mais poderosa que o Dante.

– Pft... Ainda estamos discutindo se isso é o melhor ou só decidindo por que você está certa?

A menina ri. Ela compartilhava dos mesmos fios negros de Mordred, mas parecia ser bem mais jovem.

– Bom, já que eu não posso dissuadi-la... Sabe o que fazer se tiver testemunhas. Pode pegar uma arma no primeiro arsenal.

– Nem vem! Eu odeio aquelas coisas.

– Mas os corpos não podem ser encontrados com ferimentos... incomuns. Não queremos esse tipo de atenção. – Ele fala, ao que a garota ri.

– Eu não vou ser vista. E se eu for... – A face dela se torna inexpressiva como a do irmão – Não vai sobrar corpo pra analisar.

***

– Ok, e esse... Mordred é tipo o dono da cidade?

– Pelo menos eu sei que os demônios por aqui obedecem ele. – Frederick (Esse era o nome dele) respondeu. – Agora... Lembra que eu disse que cada demônio tem um poder diferente? – Ele continuou quando Max consentiu – Mordred, pelo que eu descobri, era um demônio de pactos. Mas ele comprou muitas almas, o que o deixou mais poderoso a cada dia, e agora...

– Entendi. – Max fala.

Frederick se levanta e enfia a mão no bolso, então olha a hora.

– Já é tarde. Sua família deve estar preocupada.. – Ele vai até as prateleiras e pega uma pulseira e um espelho. – Use isso para as Harpias do Mordred não poderem te encontrar. E, se precisar de ajuda... é só me chamar nesse espelho.

Max engoliu em seco e consentiu. Pegou os dois objetos e saiu pela porta que tinha brotado na parede. Olhou para trás e estava de volta na rua escura de antes. Engoliu em seco ao ver que atrás dele havia apenas um terreno baldio. Ainda estava digerindo aquilo tudo.

Pelo menos as costelas estavam curadas.

***

Maximillian chegou no prédio onde morava com a mãe e a irmã. Subiu no elevador até o quinto andar e abriu a porta de casa.

A sala de estar o fez vomitar. O sangue estava espalhado por todo o tapete, e pior, havia dois corpos irreconhecíveis, sem pele, no chão. Mas ele sabia quem eram, e o que tinha acontecido.

Um grito de pesar rasgou a noite abafada.

Notas finais
O que vai acontecer agora? Não esqueça de acompanhar pra descobrir. Ah, não esquece de deixar aquele comentário falando se gostou ou não. Estou aceitando dicas (y)