Locked Out
8 I Am All Yours
Notas iniciais
1 ano depois
Estávamos numa pequena lanchonete. Simon estava na fila e eu, sentada numa das mesas, pensativa. Olhei para os lados, até que parei os olhos numa mesa em especial... havia duas pessoas: um homem e uma mulher. Subi o olhar para seus cabelos. O homem tinha cabelos bagunçados e dourados; a mulher, cabelos negros presos num rabo de cavalo. Ambos estavam com as mãos no rosto. Eu fiquei observando-os, até que eles abaixaram as mãos. Olhei atentamente a cada detalhe de suas feições, eles pareciam abatidos e desesperados. Voltei meus olhos para Simon, ele me encarava tenso. Quando pousei meus olhos sobre a mesa novamente, as duas pessoas ali sentadas me encaravam com os olhos arregalados. Lembrava-me vagarosamente de seus rostos. Simon correu na minha direção e segurou minha mão:
– Lucie, corre daqui — ele me puxou
– Mas... porque? — perguntei afobada enquanto agarrava minha bolsa.
Nós dois corríamos de mãos dadas pelo estacionamento, quando ouvi um grito:
– LUCINDA! LUCINDA GRIGORI! — uma voz masculina me chamava
– Jace, ela não tem mais nenhuma relação com você e Paola! — Simon parou para gritar. Jace?
Revirei minhas memórias para tentar achar algum registro de Jace e Paola.
Flashback on
Eu ria animadamente enquanto um belo moço de cabelos claros como raios de sol me empurrava no balanço do parquinho do bairro.
– Jace! Jace, quero ir mais alto! — gritava com os cabelos caindo ao rosto, sorridente
– Jace, está na hora da janta — uma jovem bonita de cabelos escuros nos gritava parada na porta de casa.
– Vem, Lucie, está faminta? — ele ria-se.
– Papai, por que a gente não brinca aqui enquanto está dia, como as outras criancinhas?
A expressão do rosto do homem tornou-se chateada e desapontada.
– Porque você não é como as outras crianças, Lucie. Você é mais especial que todas elas juntas! — soltou uma risada fraca
Flashback off
– JACE? — gritei com os olhos arregalados
Ele encarou-me boquiaberto por alguns milissegundos e correu até mim. Eu não me lembrava o por que de ter tanto afeto por ele, pois já não o via a muito tempo, mas estranhamente senti uma vontade imensa de agarrá-lo e nunca mais o soltar.
Ele se aproximou brutamente de mim, fazendo com que eu tombasse para trás, e segurou minha cintura entre seus braços, levantando-me no ar.
Após me pôr no chão, ele arfou e eu pude enxergar lágrimas no seu rosto. Ele enfiou-se na curvatura do meu pescoço e afagou meus cabelos.
– Eu senti tanto a sua falta, Lucinda, tanto.
Meu nome sendo pronunciado pelos seus lábios fazia-me um bem gigantesco. Eu queria-o pra mim, queria saber o porquê de amá-lo tanto.
– Jace, por favor, solte-a. Ela é minha namorada agora — Simon pronunciou-se.
– "Sua" o que? — Jace soltou-me, virando-se na direção de Simon com muita raiva — Seu desgraçado, Lucinda Grigori Wayland é minha! Destinada a mim desde o início dos tempos!
Simon socou o rosto de Jace, visivelmente perturbado pelo que tinha acabado de ouvir.
Eu? De Jace? O que?
Jace saltou em Simon, fazendo-o cair, e socou diversas vezes seu rosto. Simon bufava e gritava.
– Jace, pare! — gritei
Simon se levantou com certa dificuldade, segurou minha mãos e puxou-me
– Vamos sair daqui, amor.
– NÃO! — gritei automaticamente. O que eu estava fazendo? — Eu... eu não vou com você.
– M-mas Lucinda... você é minha... — ele disse, cabisbaixo.
Dele? O que eu sou? Um objeto de valor? Quem foi que disse que eu pertenço a alguém? Eu posso muito bem me virar sozinha, sem precisar de homem algum... oras, o que estou dizendo? Sei muito bem que só tem uma pessoa que me completa, e essa pessoa não é Simon. Sempre soube que tinha algo faltando dentro de mim, algo que o amor do meu namorado não preenchia. O amor dele não era suficiente, eu precisava do amor daquela pessoa à qual eu fui destinada. A pessoa que cuidou de mim, que me encontrou, me deu valor, nunca me maltratou, sempre me fez bem. A pessoa que eu amei, amo e sempre amarei. A única pessoa nesse mundo hipócrita que é capaz de me fazer feliz com um sorriso.
Eu pertenço a Jace Lightwood.
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