Notas iniciais
Pov. Arya

Caminhou lentamente pela orla.

Observando o vai e vem das ondas. Era um movimento deveras bonito, e observa-lo prendeu sua atenção por alguns minutos. Sentou-se na areia, tão perto da água, que as ondas faziam cócegas nos seus pés descalços.

– O que uma garotinha tão fofinha faz por aqui? – Uma voz perguntou, e ela abriu os olhos para ver um rapaz, que não deveria ser muito mais velho que ela, sentando-se ao seu lado.

– Garotinha, fofinha. – Repetiu as palavras com desdém. Por que raios tinham que insistir em trata-la com as palavras no diminutivo?

– Eu acho que você é uma garota, e certamente é muito fofa. – Ele sorriu. – Sou Touro .

– Arya Stark – Respondeu sem olha-lo diretamente.

– Stark, acho que já ouvi esse nome.

– Provavelmente sim, se você gosta de pizza. – Não estava muito a fim de papo, e esperava que ele percebesse.

– Gosto mais das de queijo.

– Queijo, coisa de rato. Achei que seu nome fosse Touro.

– Achei que você fosse fofa. – Pensou que ele estivesse magoado, mas para sua surpresa Touro gargalhava. – Gostei de você, Arya. Vou até te chamar de Cavalo.

– Touro e Cavalo, quando que chegam os outros animais da fazenda? – Arya brincou e ambos gargalharam.

–Acho que você não é daqui, pelo seu sotaque português.

– Acho que você nunca estudou. Pelo seu discernimento quanto a sotaques.

– Fique você sabendo, Cavalo, que eu estudei. – Fingiu-se de surpresa – Até a terceira série – Ele completou e não pôde deixar de rir.

–Touro, tourinho, e o que você faz da vida? Penso eu que tendo estudado tanto, você deva ter um ótimo emprego.

– E tenho. – Arya arqueou a sobrancelha – Você pode vir comigo e descobrir, ou somente ficar aí, vendo as ondas irem para frente e para trás.

Pensou em Jon, ele provavelmente se meteria numa encrenca daquelas se conseguisse vencer a aposta que ela havia lhe feito. E, era bem verdade que adorava ver seu irmão metido em encrencas, mas também, uma parte de si, porque gostava mais daquele irmão do que de qualquer outra coisa no mundo, fazia com que ela temesse o castigo que estava por vir.

Olhou para Touro. Aquele garoto era encrenca na certa. Seu pai a mataria se soubesse que ela estava com um garoto mais velho, e ainda mais daquele tipo. Observou-o bem. Tinha uma tatuagem no braço esquerdo, onde sua metade ficava coberta pela manga da camisa. Porte atlético, rosto bem feito, com traços marcantes, cabelo curto, uma cicatriz descia pelo lado direito do seu pescoço. Arya adorava cicatrizes.

– O que você faz? Tráfico de drogas? – Cutucou-o enquanto se levantava.

– Tráfico? Não, não. Meu pai bem que tentou, mas eu prefiro algo mais desafiador! –Tráfico de drogas na certa, pensou enquanto esforçava-se para acompanhar os passos rápidos de Touro.

Caminharam por alguns minutos que mais pareceram horas. Ele não falou muito durante o trajeto, e ela também não fez nenhum esforço para puxar assunto. Não queria falar, gostava de caminhar em silêncio. Era algo que ela e Jon sempre faziam sair caminhando pela Itália, um tanto sem rumo, em silêncio, só pelo prazer da companhia um do outro.

Afastarem-se da praia. Arya não sabia para onde estava indo, mas pouco se importava. Conhecia aquele garoto há algumas horas, entretanto, se o comparasse a Joffrey, ex-namorado de sua irmã mais velha, Sonsa, confiaria mais nele do que no loiro sem sal, filho do dono do colégio. Percebeu que estava caminhando no cimento gelado, e pensou que deveria ter calçado os sapatos antes de decidir caminhar.

– Chegamos. – Touro apontou para uma casa, nem tão grande, nem tão pequena. Mas ela parecia estar abandonada, há anos.

Com tábuas cobrindo a maior parte das janelas e a metade do que parecia ser a porta de acesso, a casa sem pintura, com tijolos caindo aos pedaços, erguia-se sombria, numa rua escondida depois da praia em que ela estivera alguns minutos antes. Aquilo era estranho, como dois lugares tão próximos podiam emanar ares tão diferentes?

– Você trabalha aqui? – Sentiu arrepiar da cabeça aos pés. Talvez ele fosse pior do que pensou.

– Calma, a casa só parece velha. – Ele franzia o cenho – Na verdade, está mesmo. Mas...

– Tourinho! – Uma voz doce ecoou, e uma sombra minúscula surgiu e foi de encontro a onde estavam.

Arya fechou os olhos. Ao contrário de Sonsa, nunca havia acreditado em fadas, bruxas, ou algo do tipo, mas estava começando a acreditar. E acreditava cada vez mais à medida que o anão da voz aguda se aproximava dela com os braços erguidos. Então sua sombra foi se tornando colorida, e ela pode ver dois olhos azuis e brilhantes fitando-a com curiosidade. Touro estava abaixado ao lado da criaturinha, que não era um anão, nem uma fada. E sim, uma criança.

– Não é tráfico de drogas, é tráfico de órgãos. – Concluiu olhando para a menina de vestido rosa abraçada a Touro.

– Claro, claro. – Ele revirou os olhos. – Cavalo, não é só por que você faz o mal ao mundo, que eu tenho que ser assim, okay?

– Eu faço mal ao mundo? Desde quando você me conhece? – Bufou e virou-se para voltar para praia, mas, ao constatar que não sabia o caminho ficou onde estava. – Preciso voltar ao meu hotel.

– Hotel? Coisa de turistinha mesmo. Qual deles?

– O Pálace.

– Arya Stark, rainha do hotel a beira-mar. – Ele disse e a criança em seus braços gargalhou.

– Tourinho, cadê a Ygs?

– Ela decidiu caminhar um pouco depois da festa, Lari. Daqui a pouco ela volta. E você. – Olhou para Arya, sem a expressão doce com que falara com Lari. – Eu te trouxe no meu trabalho, você vê, e aí eu te levo pro seu hotel cinco estrelas.

– Tá, e o que você faz aqui, se não é tráfico de órgãos? – Deu-se por vencida e seguiu Touro, que se espremia para passar pela pequena abertura da porta.

–Eu e a minha irmã, que deve tá por algum lugar caindo de bêbada, ajudamos as crianças que encontramos na rua. Colocamos todas elas aqui, nessa casa. Na verdade, nem sempre foi aqui. Temos que mudar de tempos em tempos, a polícia sempre vem atrás de nós.

– E como vocês se mantêm? – Indagou curiosa. Dentro, a casa era de um escuro sem fim.

– Eu te falei sobre a polícia, o que você acha que fazemos? – A voz de Touro era carregada de ironia.

– Vocês roubam, e para não serem pegos ficam mudando de lugar... Esperto.

– Mas nem tanto – Uma voz grave surgiu das sombras, virou-se para conferir a quem pertencia a tal voz e seu coração quase saiu pela boca quando constatou quem era.

– Vocês estão presos. – Disse-lhe o policial.

Notas finais
@bluishnanda :::::: Não postei o capítulo no domingo porque fui assaltada, daí fiquei super na bad... Well, desculpem, desculpem. BUT imprevistos acontecem... Espero vocês nos comentários... Na verdade, eu esperava vocês no cap. anterior, mas só recebi um comentário BUÁ. Tá, vou parar de "chorar", isso é chato ahushau até a próxima o