Lobos de Veneza
7 Hora da verdade
Notas iniciais
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços deu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Apreende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante
seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que
não se pode mais.E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Estavam cansados e com frio quando chegaram ás margens de um rio, a costa era afiada com um dique de pedra. Uma variedade caótica de armazéns, apartamentos, lojas e cafés lotavam a margem, essa é a sempre apertada Roma pensou ela, o rio era grande, vagaroso e cor de caramelo. Dany finalmente descobriu onde estavam, às margens do Tibre, essa deveria ser uma parte antiga da cidade, pois havia uma linha de desmoronamentos de arcos de pedra que a garota notou ser uma antiga ponte. Drogo apontou para um café nas proximidades, com mesas com vista para o rio. Era um lugar bonito e aconchegante.
– O que vão pedir? — perguntou o garçom.
– Uma pizza e coca com gelo. — falou Drogo.
– Eu quero um panini e um copo de água com gás. – Pediu sentindo os olhos do garçom percorrerem suas feições. Era sempre assim, para onde quer que fosse, olhos atentos, curiosos e de desejo a seguiam.
Drogo pigarreou impaciente. Ele não era do tipo que tinha ataque de ciúmes, sabia bem que a namorada era popular. Mas Dany não conseguia deixar de imaginar como seria ter alguém que sentisse ciúmes dela. Que brigasse por ela, mesmo que minimamente, em situações como aquela. O garçom ruborizou e se retirou deixando ela e Drogo sozinhos. Havia algo de incômodo naquela situação e ela não sabia bem ao certo o que era.
– Meu Sol e Estrelas – Começou chamando-o pelo apelido carinhoso — me diga, qual o motivo desse passeio tão fora de hora? Não estou reclamando, está tudo perfeito, sei que você não gosta das festas do meu irmão, mas ainda assim é estranho irmos para tão longe da minha casa a essa hora. – Não aguentava mais a curiosidade. Envolveu as mãos de Drogo com as suas aguardando pela resposta do namorado.
– Não posso te contar ainda Lua da Minha Vida, é uma surpresa muito especial. — Ele parecia meio bobo com o que acabara de dizer a ela. Uma parte de si gostava daquilo, gostava do namorado que mesmo parecendo bronco era delicado e amável, entretanto, outra parte dela sentia-se incomodada e Dany não sabia o porquê. — Fique calma Dany, logo você saberá o que eu planejei para hoje...
– Tudo bem... eu – Parou a frase no meio. Automaticamente. Como se falar o que fosse falar a deixasse tensa, apesar de ter lhe falado a tal frase milhões de vezes. – Eu te amo. — Forçou-se a concluir a frase. Não estava mentindo sobre amá-lo, mas também não dizia a verdade.
Drogo riu alto e ela ficou olhando séria para ele, mas ele logo a fez rir também. Dany o deu um beijo e esperava ser apaixonado o suficiente. O que era estranho, mais uma coisa estranha naquele dia, nunca havia se sentido assim em relação a Drogo. Com necessidade de se forçar a provar a paixão. O garçom trouxe a comida e eles continuaram a conversar, Dany só conseguia entender algumas coisas. Sua mente estava em outro lugar, com outra pessoa. Jon Stark, o garoto que mais a deixava confusa.
Depois do dia em que se viram pela primeira vez, Dany começou a procurar o garoto misterioso por toda escola, todos os dias. Mas sua missão falhava miseravelmente, para onde quer que fosse depois das aulas Jon Stark não queria ser encontrado.
– Droga! — chutara o nada. Era mais um dia daqueles em que não conseguia encontra-lo.
– Quebrou a unha? — A voz irônica soara atrás dela.– Soube que a Rainha dos Dragões estava me procurando. — Ele continuou com um sorriso nos lábios. A face alva tinha um corte quase cicatrizado na bochecha esquerda, provavelmente ele se metera em alguma briga.
– Eu só queria dizer que... você é odiável. — Mentiu. Nem ela mesma sabia o porquê de procura-lo.
– Era só isso?- Ele ergueu a sobrancelha direita e sorriso debochado abriu-se ainda mais. Uma brisa suave bateu nos cabelos negros, agitando os cachos que, perceptivelmente, não eram cortados há algum tempo.
– O que mais seria? — Ergueu o queixo para soar desafiadora.
Jon apenas assentiu com a cabeça e virou-se, mas antes de chegar até sua moto que estava estacionada mais adiante, olhou sobre o ombro e disse-lhe:
– Ah, Daenerys? Você mente muito mal.
– ... Você não acha Lua da Minha Vida? – Ouviu apenas essas palavras de uma frase que deveria ser crucial. Se ele me chama de Lua da Minha Vida é porque ele está querendo uma resposta da namorada dele, não da Rainha dos Dragões. Pensou.
– C-claro que sim Meu Sol e Estrelas. – Concordou de forma receosa, afinal não sabia do que seu namorado estava falando.
– Então creio que essa noite vai ser duplamente especial para você. – Drogo estava animado, aquilo só a deixava mais assustada. – Vamos, termine logo quero que tudo aconteça no tempo certo.
– Estou satisfeita — disse ela, apesar de sequer ter tocado na comida.
– Vou pedir a conta então.
Após saírem do restaurante Drogo tomou sua mão e caminhou com ela em silêncio pelo que lhe pareceu um longo tempo. Diferentemente das outras vezes em saíra com ele o silêncio não a incomodava. Era até reconfortante. Eles chegaram num parque e ele a conduziu para um local mais afastado, onde nem um guarda poderia passar. Como ele mesmo explicara. Era assustador, não porque estivesse com medo de Drogo, confiava nele, mas porque tinha medo de si mesma. E do rumo que seus pensamentos estavam tomando.
– Dany, chegamos. – Ele apontou para a toalha de piquenique estendida sobre a grama.
– Ah sim. – Murmurou sem muito interesse. Ele pareceu não perceber seu desânimo.
– Sim, agora posso te contar o que planejei. Eu separei tudo para termos a nossa primeira vez. – Primeira vez. As duas palavras levaram a mente dela para um armário de vassouras, mas não se deteve lá a voz de Drogo a chamou de volta. – Será perfeito, muito perfeito!
– Eu não sou... – Começou a dizer, mas ele a cortou.
– Eu sei que não é o que você esperava, mas eu tenho certeza que vai ser especial. – Sorriu como se estivesse incrivelmente encantada com aquilo. Era uma mentira atrás da outra. Como cheguei nesse ponto?
Drogo havia preparado tudo e ela tinha de admitir que era mesmo de tirar o fôlego. Então por que estava daquele jeito? Ele era seu namorado, eles pertenciam um ao outro. Ele a amava e era disso que precisava, de amor. Drogo começou a beijá-la e ela deixou-se levar pelo beijo, pelas mãos dele em seu corpo. E deixou-se fazer o mesmo. Acariciou os músculos definidos do homem que deveria amar.
Acordou com uma dor insuportável. Mas não era uma dor física, era emocional. Tudo estava saindo de fora dos eixos, de fora das suas mãos, como se não pudesse mais controlar a si mesma. Odiava aquilo. Olhou para o homem ao seu lado e encontrou alguém diferente de quem esperava. Ela estava com ele no parque, não com Drogo, e fora o Stark a sussurrar seu nome enquanto beijavam-se e entregavam-se um ao outro.
Jon Stark...
– Drogo. — Gritou Dany, fazendo-o despertar. Os olhos dele arregalam-se e ela o abraçou fechando fortemente os olhos, as lágrimas caindo enquanto tomava coragem para dizer o que diria. Não podia mais engana-lo daquela forma, ele não merecia. Respirou e soltou de uma vez. – Eu não era virgem antes de nós...
– Não tem problema Lua da Minha Vida, o que importa é o nosso amor e... – Ele começou, mas ela tapou sua boca com a mão, se não falasse tudo naquele momento não falaria jamais. E tinha de falar.
– Eu estou sentindo algo por outra pessoa também... – Jon Stark lhe veio à mente. Mas porque ela estava dizendo aquilo? Que esperanças aquele badboy lhe dava? E porque ela queria algum tipo de coisa dele? Ela não sabia, mas precisava ser sincera com Drogo. – Não posso dizer que o amo mais, Drogo. Você entende? Não posso mais falar “eu te amo” pra você sem me achar uma mentirosa ridícula. Me... Me perdoe. — Ele a encarou por um longo tempo. Esperava que ele fosse esbravejar, gritar, perguntar quem era o outro homem. Mas nada disso ele fez. Apenas assentiu com a cabeça e saiu de perto dela. Olhou o horizonte por alguns instantes, quando voltou-se para ela tinha um sorriso triste nos lábios.
– Vou te dizer uma coisa que eu li num livro uma vez... – Drogo respirou fundo — Quia amaritudo est mihi, et cor, leve. Vagatio oculo et animo pondus. Sed non memini, nec recordamini. Quod me tradidit tibi.Puer, memento mei, iterum– Então pegou suas coisas, virou as costas e a deixou sozinha cheia pensamentos confusos.
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