Lobos de Veneza

27 Terra do Nunca


Notas iniciais
Pov Jon *Este capítulo é mais um extra que um capítulo propriamente, leiam as notas finais que está tudo explicado por lá.

Assim que pôs os pés dentro dos limites da escola, vários pares de olhos foram direcionados para si. Um grupo de garotas caminhou em sua direção, sabia que as conhecia, talvez tivesse ficado com uma ou duas delas, talvez com todas as cinco. Perguntaram se estava melhor e ofereceram-lhe “ajuda”. Mas ele não aceitou. Estava de mau humor mais uma vez, graças a uma conversa com seu adorável e perfeito irmão Robb.

Não queria a companhia de ninguém.

Na manhã daquele dia, já havia escutado palavras o suficiente para saciar sua fome de conversa por um ano. E tudo isso graças a sua fuga no dia anterior, para ajudar Daenerys. E garota nem sequer contou-lhe o que conversou com o louco do ex-namorado. Pior ainda, nem Arya, a pessoa que mais detestava a Rainha dos Dragões – depois de Sansa-, dignou-se a compartilhar com ele o que havia acontecido. As duas apenas voltaram com uma cara abatida e, sem que falassem uma palavra, Daeny deu partida no carro.

Ele teve tanto trabalho para ajudar naquilo e, ainda assim, ficou por fora. Sentia-se traído!

— Nossa! Que sorriso lindo esse seu, Jon Stark! – Um braço magro rodeou seus ombros, enquanto a voz carregada de ironia soltava seu típico veneno. — Como consegue ter tão animado pelas manhãs?

— E você, como consegue ser tão engraçada? – Dirigiu-se a mulher com o mesmo tom entediado que usara para falar com todos até então.

— Isso, meu caro, é falta de sexo. – Ela, com certeza, estava referindo-se ao seu humor, ou, mais especificamente, a falta dele. Jon apenas revirou os olhos. Será que teria de pendurar uma placa em sua testa dizendo “não perturbem”? Será que a áurea escura que emanava não era o suficiente? — Soube que foi até o consultório do meu irmão ontem.

— Soube certo. – Murmurou sem interesse, enquanto continuava a caminhar pelos corredores do colégio. Aquela era a primeira vez que sentia vontade de chegar o quanto antes na sala de aula.

— O que achou?

— Lugar bacana, você podia passar uma temporada por lá.

— Essa geração de hoje em dia não tem o mínimo respeito... – Cersei soltou um risinho abafado. — Imagine só o que seu pai vai pensar quando souber disso! Afinal de contas, eu sou a psicóloga deste colégio, você deve...

— Psicóloga? – Jon parou de andar ao mesmo tempo em que se afastava do pseudo abraço em seus ombros. Olhou para um dos relógios pendurado na parede e voltou a olhar para Cersei. — Mas não é você mesma que sempre diz que só é a Psicóloga durante seu horário de expediente? Ele ainda não começou, Cersei. – Após dizer isso, sorriu para mulher mais velha e virou-lhe as costas.

Agora tinha apenas uma aula para enfrentar.

Sentou-se na última carteira, como de costume. Não demorou para que se aproximassem dele, perguntando sobre sua família. Não que aquelas pessoas realmente estivessem preocupadas com Brandon, ou com o desaparecimento de Rickon, elas não estavam, mas fingiam estar. Jon limitou-se a responder as perguntas monossilabicamente. Mas, mesmo com seu desinteresse eminente, pessoas e perguntas continuavam a chegar. Então teve seu segundo pensamento estranho daquele dia: Desejou que o professor chegasse depressa.

As cores do mundo sumiram repentinamente. Por um momento, achou que houvesse ocorrido um apagão. No entanto, aquilo era impossível por uma única razão: Estava de manhã e a iluminação da sala provinha inteiramente da luz do sol. Remexeu a cabeça, tentando entender o que o impedia de enxergar. Um pânico momentâneo chegou a tomar conta de si quando a ideia de perder a visão lhe veio à mente, mas, ao levar as mãos à cabeça, esta ideia foi imediatamente descartada.

Um casaco.

Haviam jogado um casaco em cima dele.

Olhou para cima, pronto para brigar com quem quer que fosse. Ao olhar de volta os olhos que o encaravam, palavras lhe faltaram. Percebeu que todos ali se calaram. Certamente estavam aguardando sua reação. Certamente queriam presenciar mais uma briga, para sair espalhando por aí depois. Jon não queria brigar. Ou talvez até quisesse. Mas estava cansado demais para isso.

— Você esqueceu no meu carro. – Daeny indicou a peça de roupa que jogara em sua cabeça. Antes que pudesse falar qualquer coisa, alguém foi mais rápido:

— Então você pegou a Daenerys de novo? Que é isso, parabéns Jon. – Virou sua cabeça para encarar o dono da frase, não conhecia aquele garoto, ele nem sequer era da turma. O que fazia ali? Pelo canto do olho, viu Daeny abaixar e soltar um suspiro pesado. Ela estava tão cansada quanto ele. Jon sentiu que precisava fazer a coisa certa, ao menos uma vez.

— Vocês são todos uns idiotas. – Aquela foi a primeira frase que dirigiu aos seus colegas desde que chegara ali. Alguns olharam para ele surpresos, outros apenas permaneceram sem expressão, mas o que importava é que tinha a atenção de todos presa as suas palavras novamente. — Sério que vocês acreditaram naquela história do armário de vassouras? – Gargalhou forçadamente, precisava fingir que estava se divertindo, quando, na verdade, não estava. — Tudo isso não passou de uma aposta. Eu inventei tudo. – Deu ênfase ao verbo. — Sempre soube que essa lealdade à Rainha dos Dragões era falsa, todos vocês, cada um de vocês, estavam só esperando que ela cometesse um erro. Nunca gostaram dela de verdade. Então eu, pra provar que estava certo, propus a Daenerys este joguinho.

— Joguinho? – Um de seus colegas indagou.

— Era simples. Eu inventaria um boato sobre ela no primeiro dia de aula e veríamos o quão forte era o poder da lealdade de seus súditos. – Permitiu-se sorrir de lado, ficando de pé desta vez, enquanto girava sobre seu próprio eixo, para ter uma visão melhor dos alunos paspalhos que escutavam sua história. — Ah... Vocês acreditaram tão fácil.

— Então... Você e a Daenerys... Nunca... – Desta vez foi uma garota a se pronunciar. Jon reconhecia seu rosto, mas não sabia seu nome.

— Se vocês nunca tiveram nada, como explica essa coisa do casaco? – Outra garota se pronunciou. Ela parecia possessa com a possibilidade de que Daenerys não fosse a “vadia” que todos estiveram contando que era.

— Isso é simples. Eu estava no hospital, estava entediado, queria sair, mas não tinha alta, decidi fugir de lá – À medida que foi falando foi levantando os dedos, para enumerar os itens. — Chamei a Daenerys pra me ajudar e pronto.

— Por que ela te ajudaria?

— Porque eu falei que, se ela me ajudasse, eu poderia enfim desmentir o boato que criei. Com tudo que aconteceu na minha vida ultimamente, não deu pra fazer isso... – Deu de ombros. Esperava que não houvesse mais nenhuma pergunta, sua fonte de ideias estava se esgotando, mas, para seu desprazer, as dúvidas dos curiosos não estavam saciadas.

— Você podia pedir ajuda a sua irmã e sair de lá sem problemas. Não tinha motivos pra Daenerys se envolver nisso. Não tinha motivos nem pra você fazer essa aposta com ela, aliás. Que história sem sentido!

— Mas o motivo é tão óbvio... Por que o Jon apostaria com a Daenerys? Por que ele inventaria que já tiveram um caso? Por que ele pediria a ajuda dela? A resposta é uma só. – Sorriu antes de prosseguir, parando seu olhar em Daeny, que ficara calada o tempo inteiro. Sabia que as palavras a seguir iniciariam uma nova onda de boatos, mas ele não se importava. — Fiz tudo isso porque eu sou apaixonado pela Rainha dos Dragões, desde que pus meus olhos nela. – Alargou ainda mais o sorriso. — Uma pura duma paixão não correspondida.

— Isso... Isso é verdade? – A pergunta proferida de maneira insegura não foi dirigida a ele. Daenerys respirou fundo e ajeitou os cabelos antes de responder. E, quando ela enfim abriu a boca, Jon pôde ver aquela expressão assustadora novamente. A Rainha dos Dragões estava de volta.

— Então eu sou uma vadia, não é? – Era a vez de ela encarar um a um daquela sala. — Mesmo que tivesse mesmo ficado com o Jon, o que jamais aconteceria, porque, venhamos e convenhamos, eu e ele não somos do mesmo nível, o que isso tem a ver com vocês? – Jon segurou o riso. Aquele aparente desprezo por ele, foi dito de forma tão sincera que poderia magoa-lo. — Vocês todos sempre me idolatraram e disseram que nunca me deixariam... Mentirosos.

— Dany, eu... Nós...

— Calada! Sinceramente, fico feliz que esse boato tenha sido desfeito, eu não aguentava mais bancar a vítima arrependida e escutar vocês. Estava difícil de verdade fazer isso sem vomitar.

— Mas eu não...

— Eu não quero ouvir uma palavra de vocês. Apenas saibam que, apesar de me doer profundamente dizer isso, vocês foram reprovados no teste. – Ela deu risinho e desceu o olhar para suas unhas, como se estivesse com tédio. — Que pena...

Jon decidiu sair dali em silêncio, depois daquilo, sua vontade de assistir aula, se esvaíra por completo. Enfiou as mãos nos bolsos e tornou a caminhar pelos corredores da escola, alguns outros passavam por ele correndo, provavelmente tentando chegar cedo nas suas primeiras aulas. Não tinha para onde ir sem que fosse descoberto por algum professor. Caminhou sem rumo, observando como as paredes daquele lugar eram incrivelmente feias. Por fim, parou em frente a uma porta. Girou a maçaneta e sorriu. Estava aberto.

Após entrar na sala do zelador, apertou o interruptor para acender as luzes. Espantou-se em como aquele lugar continuava exatamente o mesmo. As prateleiras estavam no mesmo lugar e ele não conseguiu evitar o sentimento de nostalgia que o tomou. Havia feito a coisa certa ao falar para todos que inventara o romance entre ele e Daeny. Aquela era uma história só deles afinal, nunca deveria ter saído dali: daquela sala.

— Nostálgico. – A palavra dita num sussurro o assustou, fazendo a garota loira a sua frente rir da reação exagerada. — Eu te segui até aqui, foi mal. – Ela deu de ombros. — Eu queria agradecer, você sabe... Nem tinha pra quê fazer isso...

— Claro que tinha. – Interrompeu-a. — Eu só não sabia que tu conseguia ser tão assustadora.

— E eu não sabia que seria justo você quem invocaria de volta a Rainha dos Dragões.

— Rainha dos Dragões eu escolho você. – Jogou uma pokebola imaginária no chão.

— Sabe que todo mundo ficou lá falando do quanto você era fracasso, não sabe?

— É, eu tinha uma vaga ideia do que ia acontecer. Mas o que tu inventou pra eles pra sair da sala e me seguir até aqui?

— Ah! Eu falei assim: Preciso retocar minha maquiagem, não me sigam.

— Preciso retocar minha maquiagem... – Ecoou a desculpa esfarrapada dela. Sério que eles haviam caído nessa? Com toda certeza do mundo estavam perturbados com as descobertas recentes.

— Pode ir.

— Ir?

— Retocar sua maquiagem, você acabou de falar que queria.

— Isso era pra ser engraçado, Daeny?

— Era sim. — Ela respondeu sorrindo.

E o silêncio instalou-se entre eles.

Jon pensou em tudo que havia acontecido, era impossível não lembrar-se estando onde estavam. Sabia que desmentir a história na frente de todos não era suficiente, sabia que o que deveria fazer realmente era bem mais simples. Mas, ao mesmo tempo em que era simples, essa atitude lhe exigia muito. Teria de derramar cada gota do seu orgulho para fazer o que estava prestes a fazer.

— Daenerys. – Chamou-a, fazendo com que voltasse a olhar-lhe nos olhos.

— Hm?

— Desculpe. – Falou enfim.

— Pelo quê?

— Por tudo. Por ter me aproveitado de você, por ter ficado calado a noite inteira, por não ter revelado a verdade depois. Ou por ter revelado tudo daquela forma... Bem, você escolhe pelo que eu estou pedindo desculpas. – Para sua surpresa ela riu.

— Droga, Jon! Você faz muita merda.

—É verdade. – Riu também, estirando-se no chão gelado da saleta. — Eu faço muita merda.

— Pelo menos você tomou vergonha na cara, não é? Antes tarde do que nunca.

— Acho que a Rainha dos Dragões voltou mesmo. Ela não para de me humilhar um minuto sequer. – Brincou e observou, pela visão periférica, que Daenerys havia sentado no espaço vazio ao seu lado.

— E estamos de volta à salinha do zelador. – Ela falou depois de uma curta pausa para silêncio.

— Vulgo armário de vassouras. – Completou.

— De uma forma estranha, eu gosto desse lugar. – A declaração o pegou, mais uma vez, de surpresa. — Apesar de tudo, apesar de você ser um babaca, foi especial pra mim.

Merda.

Merda.

Merda.

Não estava pronto para ter aquela conversa. Não depois de ter decidido fazer a coisa certa.

— Eu... – O que deveria dizer? — Eu... – Diga a verdade seu babaca! Uma voz, da sua consciência talvez, gritou-lhe. Decidiu segui-la. — Eu não usei você. Não foi mais uma. Foi a minha primeira. E também foi... Especial.

Silêncio.

O sinal tocou indicando o início da segunda aula.

Ele não se moveu.

Ela também não.

— Eu deveria odiar você, não deveria?

— Deveria sim.

— Deveria fazer você correr atrás de mim.

— É, isso também.

— Mas nós não temos tempo.

— Não, não temos.

Não pôde deixar de sorrir ao ver Daeny inclinando-se em sua direção. Ela apoiou os cotovelos, um em cada lado de sua cabeça, e ambas as mãos foram para seu cabelo. Ele ainda estava como antes, deitado no chão, com a cabeça apoiada na mochila. Os cabelos loiros caiam em seu peitoral. Suas mãos enfim moveram-se, indo para cintura de Daenerys. O sentimento de nostalgia estava mais forte que nunca. Girou, tomando cuidado para sustentar seu peso com os próprios braços e não machuca-la. Aproximou levemente sua cabeça da dela, que agora era quem se apoiava sobre a mochila.

— Você não deveria me beijar. – Alertou-o.

— Por quê?

— Porque isso é errado.

— É verdade. Isso é errado. – Aproximou-se um pouco mais.

— Porque eu não gosto de você.

— Isso é mentira. – Chegou ainda mais perto. Daeny fechou os olhos, mas, antes que pudesse enfim beija-la, como pretendia de fato fazer, ela tornou a abri-los.

— Porque você não gosta de mim.

— Tem razão. O meu caso é um pouco mais grave que isso. – Sorriu — Você tem mais alguma desculpa?

— Aqui de novo? – Ela franziu o cenho.

— Terminamos onde começamos, é perfeito.

— Acho que não tenho mais nenhuma objeção.

— Posso te beijar?

— Pode me beijar.

Então foi o que fez.

Notas finais
LEIAM POR FAVOR, É IMPORTANTE: Vamos lá, demorei pra postar esse capítulo por um motivo: Recebi uma MP. Lá a pessoa, não direi quem, me informou que acompanha a fanfic desde o início, mas que, de uns tempos pra cá, se cansou completamente da "histórinha meia boca maçante" que eu criei - na mensagem continha exatamente estas palavras. Entre esse e muitos outros 'xingamentos' o ser, vulgo leitor, declarou que não leria mais a história. Porque eu DEVERIA ter mudado o rumo das coisas enquanto a pessoa ainda estava "com saco" para acompanhar. Então, eu pergunto a vocês, como é que um autor ia se sentir depois de ler isso? Obviamente na merda, né? O que eu não entendo é: como, como que essa pessoa, que nunca, NUNQUINHA MESMO, se dignou a comentar a fanfic, nem pra reclamar do que tava achando chato, pôde se achar no direito de falar as N coisas que falou. Não me entendam mal, não estou dizendo que todo mundo tem que gostar da minha fanfic, longe disso. Mas falar sua opinião é diferente de ferir o trabalho do outro. E essa pessoa, em momento algum, tentou me 'alertar' sobre os possíveis caminho que desejava. Apenas decidiu me atacar. Vocês sabem que eu não fico exigindo X comentários por capítulo, apesar de ter várias pessoas acompanhando a história. E não é isso que eu quero também, claro que eu gosto de comentários, mas a história não é movida a isso. Eu só queria respeito. Afinal de contas, nenhum de vocês me conhece realmente, vocês só conhecem uma parte minha que é através da fanfic. Por isso, por favor, não serve só pra mim, tenha respeito. Eu não tenho obrigação nenhuma de agradar vocês com essa história e vocês também não tem obrigação de acompanha-la, eu escrevo porque gosto, porque ajuda a relaxar e, creio eu, que quem lê, lê pela mesma razão. Enfim, postei esse capítulo hoje, porque não sei mais se vou seguir o rumo que pretendia na história. Depois disso, pensei em encurtar as coisas, em tirar alguns acontecimentos, então esse capítulo, que seria postado mais pra frente como um flashback do Jon, veio agora. Me desculpe se essa decisão, ou qualquer uma que eu venha a tomar, decepcione alguém. Desculpem mesmo. Até tentei deixar passar uns dias, pra ver se meu sentimento pós ler aquela mensagem mudaria, mas não mudou. Pela primeira vez, pensei em desistir de Lobos de Veneza e, para não desistir, resolvi encurta-la. Melhor solução pra todo mundo, né? WELLLLLLLLLLLL, ACABOU O DRAMA POR AQUI. Desculpa por isso mais uma vez. Ah, eu escrevi uma fanfic Gendry x Arya, quem quiser ler passa no meu perfil ~ eu esqueci o nome da minha fanfic mesmo sorry ~ Obrigada a quem leu até aqui, BEIJOS DE LUZ :*