Notas iniciais
Olá pessoal, tudo bem? Então, pra quem já acompanhava a fanfic: Sim, eu exclui para postar novamente. Sem delongas, boa leitura.

Enquanto caminhava, algumas coisas lhe passavam na mente. E uma certa voz, a voz daquela que ele tanto admirava lhe veio a mente. O poema que ela recitara no encerramento de ano da escola ecoava em sua cabeça. Ele havia decorado aquelas palavras, assim como decorara cada pedaço daquela garota.

"Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição — morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova." -Mário Quintana.

Era mais um ano que chegava. Mais um que passaria igual a todos os outros. Mais um ano em que Jon observaria Dany de longe, mais um em que tentaria encobrir as rebeldias de sua meia-irmã Arya, ou tentaria não reparar nos atributos de sua maravilhosa psicóloga — carinhosamente chamada de Cer'sexy'. Aquilo tudo era errado por vários motivos — Primeiro, Dany era uma inimiga, não que ele gostasse, ou aceitasse com grande facilidade, mas crescera ouvindo "Aquela gente não presta". Segundo, o grande Ned Stark, dono de uma rede de pizzarias, famosas em todo o mundo, não permitia que seus filhos agissem como delinquentes, porém nem ele, nem Arya, pareciam aceitar isso. O que irritava seu pai profundamente.

Terceiro, Cercei Lannister, não era só sua "consultora mental" — assim gostava de ser chamada — era 13 anos mais velha, e mãe do ex-namorado de sua irmã. Não Arya, ela parecia viver muito bem sem um homem, e sim Sansa, a garota mais bonita que ele já vira, depois de Dany, é claro. Joffrey, ou simplesmenteJo'frito, como gostava de chama-lo namorara uns meses com a sua irmã, mas não durou muito, o que fez Jon rezar por 7 dias seguidos. "Milagres acontecem, acontecem de verdade" . Pensava ele.

Hey, Jon — Escutou uma voz chamando-o. Não precisou virar-se para ver quem era, conhecia bem o dono daquela voz.Robb.

Robert tinha a mesma idade que Jon, ambos eram os mais velhos dentre os filhos, por uma diferença de meses apenas, 3, Robb era mais velho. Entretanto essa não era a única diferença que pairava entre eles, havia algo maior, algo que Jon nunca conseguira entender, e seu pai nunca quisera explicar. Ele, era filho de seu pai, assim como seus irmão, porém de mães diferentes. Não sabia quem era sua mãe. Nem mesmo se ela estava viva. A teoria a que mais se apegara era a de que sua mãe — amante de seu pai- havia morrido no parto, e o Ned, que nunca abandonaria um filho, o trouxe para morar junto de sua esposa e filhos legitimos. Jon crescera naquela casa e, na maioria das vezes, era tratado como um igual. Mas sem nunca deixar de ser lembrado quem realmente era. E quem era? Bem, isso ele não sabia responder.

–Feliz ano novo, irmão. — Robb deu-lhe um abraço de urso. Daqueles que sempre dava, daqueles que sempre eram capazes de reconforta-lo.

–Feliz ano novo. — Respondeu com igual animação.

–Que tal o Brasil?- Escutou uma voz fina perguntar -A fauna e flora daqui são bem... Como é mesmo a palavra Bran?

–Diversificada, Rick, diversificada. — Respondeu Bran, afagando a cabeça do irmão mais novo.

Rickon e Brandon, eram os outros dois irmãos de Jon. Com 5 e 13 anos, respectivamente. Rick, como era chamado, era o tipo de criança que perguntava tudo. E Bran, do tipo que ia atrás de respostas. OsStarksestavam passando as festas de fim de ano no Brasil. Era um lugar novo para todos eles, menos para Eddard, que já estivera ali 3 vezes. Bran aproveitara para conhecer cada museu, e lugar histórico. E Rick, aproveitara para segui-lo e fazer perguntas.

–Onde estão Sansa e Arya? — Perguntou Jon, não via as irmãs desde que desceram para a praia. Estavam na orla deBoa Viagem, uma das muitas praias de Pernambuco.

–Sansa está no hotel, pendurada no telefone. Falando com aquele tal de Loras... Arya está conversando com o papai, ela acabou de socar um cara — Respondeu-lhe Bran, piscando os olhos debaixo das grossas lentes.

–Essa é a nossa irmã.- Gargalhou Robb.

–Ela é muito mais homem que todos nós juntos.- Respondeu piscando para os garotos menores. Ambos se afastaram, já sabiam o que viriam a seguir.

Mais um grande show Jon versus Robb. Eles se insultariam. Rolariam na areia fingindo uma briga, sempre faziam isso. Era o seu modo de demonstrar o que o irmão significava para ele. Um modo meio torto, talvez. Mas único que conhecia. Aquela era a parte boa de sua vida, Robb, Rick, Bran, Sansa e até o pai. E, claro, Arya. Especialmente Arya. A irmã com quem ele mais conversava, mais se entendia. Estavam sempre se protegendo, sempre se ajudando. Se aquele ano novo que se seguisse trouxesse alguma mudança, que mudasse tudo, menos seu companheirismo com seus irmãos.