Lobos de Veneza
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Notas iniciais
Pov. Arya
Subiu no vaso sanitário e encolheu-se na cabine, quando ouviu passos se aproximando do banheiro. Estava ali, escondida, há quase 10 minutos e tentava, inutilmente, entender como o banheiro masculino conseguia ser tão fétido. Nunca havia entrado ali, mas naquele dia, em que fugia da psicóloga do colégio, como o vampiro foge do alho, aquele o banheiro masculino — lhe pareceu o esconderijo mais adequado.
– Isso foi tenso, hein. A primeira voz falou e em seguida deu uma risada.– Cara, eu nunca imaginei que a Daenerys tinha ficado com ele... Foi à vez de outra voz se pronunciar. Quer dizer, foi bem estranho ela perguntando pra galera sobre ele naquela semana, você lembra? Mas eu achei que era porque ele tinha feito besteira.– Vocês não acham que ele pegou pesado? Uma terceira pessoa disse. Ele expôs a garota pra todo mundo... E teve gente que filmou.– Gregory, tu é gay? Só as menininhas ficam com esse papo de pegou pesado. A primeira voz soou novamente.– Jonny, não é questão de ser menininha... Gregory defendeu-se Aposto que o Brett concorda comigo, não é Brett?– Sei lá, cara. Eu prefiro não me meter, o Jon não é problema meu. Muito menos quem ele come ou deixa de comer. – Jon? Arya indagou surpresa, saindo de cima do vaso e abrindo a porta da cabine. Os três rapazes encararam-na com espanto, como se uma garota ali fosse o fim do mundo. O tal ele que vocês tanto falam, é o Jon? Perguntou de forma mais elaborada, mas aqueles patetas continuaram mudos. Olha só, não sei se vocês sabem, mas eu não lá uma pessoa muito paciente...– Arya Stark, não é? O mais alto deles falou, reconheceu o tom de voz de imediato, aquele era o Jonny. Você acha mesmo que ficar no banheiro masculino vai te mudar em alguma coisa? Todo mundo aqui sabe que, apesar de querer muito, você não é um homem... Acho melhor mudar o método, garotinha.– Garotinha? Sentiu seu corpo aquecer de imediato, era o que sempre acontecia antes dela partir a cara de alguém ao meio, a adrenalina lhe tomava e, não importava o quão maior a pessoa fosse, ela faria a criatura se arrepender. Balançou o pescoço de um lado para o outro, estalando-o, ao mesmo tempo em que fazia isso com os dedos. Antes que o tal Jonny, ou um dos outros dois, pudesse fazer qualquer coisa, avançou até ele dando-lhe um chute certeiro entre as pernas, com o seu pé livre do gesso. Jonny ajoelhou-se, enquanto gemia de dor, e ela aproveitou para puxar seu cabelo, que era comprido o suficiente, até que a cabeça dele quase se encostasse ao chão. É melhor você me respeitar...– Isso não põe medo em ninguém, sua nani... Em um gesto rápido, Arya levantou e arrastou a cabeça dele de volta, batendo-a, com força, contra a quina do balcão de mármore. O garoto soltou um grito agudo, que foi abafado pelo estalido de seu crânio contra o material frio, e levou as mãos ao local atingido. Está... Sangrando?– Quem quer ser o próximo? Ignorou a pergunta retórica e colocou as mãos na cintura, os outros dois, que a encaravam boquiabertos, apenas recuaram dois passos. Arya sorriu confiante. Não gostava muito de fazer esse tipo de coisa, mas, às vezes, alguns idiotas precisavam de uma lição. Ótimo, agora que somos todos amigos, podem me explicar o que as mocinhas estavam fofocando sobre o meu irmão. **********Entrou na enfermaria e Robb a encarou com o semblante preocupado. Geralmente, quando Jon tinha um grande problema, tratava-o de resolver ela mesma apenas, sem envolver os outros irmãos, por alguns bons motivos. Primeiro: Jon e ela eram melhores amigos e, se havia alguém que, de maneira alguma, ela poderia ver sofrer, era esse irmão que tanto se parecia consigo. Segundo: Algumas das atitudes que Jon tinha, não eram bem vistas pelos outros, de forma que era melhor não compartilha-las. Mas, quando o problema lhe parecia grande demais, recorria ao bom Robb, porque Rickon e Bran eram jovens demais e Sansa... Bem, era Sansa.– Eu já sei o que o Jon fez, Arya. Ele anunciou quando ela se sentou junto dele. – Já sabe? Ergueu a sobrancelha. Então as notícias se espalharam mais rápido do que eu pensei.– Acho que não vai dar pra ajudar o Jon dessa vez...– Você é maluco? Quase gritou. É justamente dessa vez que temos de ajudar o nosso irmão, Robb! Se o papai descobrir que o Jon se meteu com a Targeryan, ele está perdido de vez... – Você não está preocupada com os rumores? – Esses de que o Jon não presta? Gargalhou abertamente. Em que mudo você vive, maninho? Isso já é notícia velha. Você precisa impedir que o grande Senhor Stark descubra essa coisa toda de Romeu e Julieta, o resto eu posso cuidar. – E por cuidar, você quer dizer: sair batendo em todo mundo que falar mal do Jon? – Mais ou menos isso.– De quem é o número que me ligou? Você não roubou outro celular, não é Arya? – Robb, eu estou com o pé engessado, virei uma garota mais indefesa do que já sou. Piscou os olhos inocentemente, fazendo o seu irmão rir. Mas, sério, sempre que eu te ligo perguntando por você, é aqui que você está. O que tem de tão bom nessa enfermaria? Mudou de assunto bruscamente, porque, mesmo já sabendo a resposta de sua pergunta, queria ouvi-la da boca de Robb.
– Você sabe que a Myrcella ajuda aqui, então quando é a hora do almoço eu sempre venho para almoçar com ela. Aquela não era a verdade, não toda ela.– E onde está a mimadinha? – Foi comprar o almoço. – Vocês parecem um casal de namorados... Provocou-o.– Somos amigos, apenas isso. Ele bufou e passou rapidamente a mãos nos cabelos. A Myrcella tem sua idade, Arya e é como uma irmã mais nova para mim. Você deveria me entender, o Jon cuida de você e vocês tem uma ligação especial por serem parecidos, comigo e a My é o mesmo. Eu cuido dela e adoro nossas conversas, mas eu jamais a desrespeitaria. – É com esse discurso que você se engana? Revirou os olhos, o irmão mais velho era muito burro para certas coisas. Você acha que são irmãosinhos? Robb, eu e o Jon somos irmão de verdade e, essa tal ligação especial que você fala, é nossa cota criminal da família. Já você e a...– Rô, será que você pode me ajudar aqui? Teve sua fala interrompida pelo abrir brusco da porta de madeira e uma Myrcella que apoiava, com certa dificuldade, alguém sobre os próprios ombros. Era tão típico dela, sair por aí ajudando quem que fosse. O trabalho de ajudante na enfermaria caia-lhe como uma luva. – O que houve com ela, anjo? Robb perguntou, levantando a garota que Myrcella carregava e a colocando sobre uma das macas. Arya teve que conter sua risada de deboche diante daquele apelido e focar-se na garota com aparência horrível diante de si. Se qualquer pessoa tivesse-a falado que aquele dia seria tão ruim da maneira que o estava sendo, não acreditaria, porque parecia impossível. No entanto, nada é tão ruim que não possa piorar.– Daenerys, oi. Disse com o sorriso mais simpático que conseguia demonstrar. A verdade é que não gostava daquela garota loira, não só por ela ser da família que era, mas também por ela ser quem era. É claro que ela havia ficado abalada com o que Jon expusera para todo mundo, mas, para Arya, que não ligava minimamente pra virgindade daquela criatura, expor a mãe de Jon fora a pior coisa a se fazer. Nenhuma daquelas pessoas que condenava a atitude dele, o viram chorar em silêncio no dia das mães, no natal e no aniversário de cada ano. Nenhuma daquelas pessoas entendia que, depois de ser tão atacado em sua própria casa, ele aprendera a atacar. A ser cruel.– Arya. Dany engoliu em seco. Você ouviu sobre...?– Você ter atacado meu irmão? Ouvi sim. – Eu que fui atacada, seu irmão me expos. Defendeu-se.– Claro, e vossa majestade não fez nada? A ironia escapava inconscientemente em cada uma de suas palavras. É muito fácil não é Daenerys? Falar o que quiser de todo mundo... Ninguém nunca te disse que cada ação provoca uma reação? Pra mim, isso foi mais que merecido, quantas pessoas você não expos e não humilhou envolta nessa sua aura de popularidade? Riu fracamente. Muitas, não é? Mas, você achou mesmo que o Jon seria mais uma dessas pessoas, uma dessas que fica com o rabo entre as pernas, que acata as vontades da rainha?– Eu não pensei nada disso, pelo amor de Deus. Nem falei nada demais...– Não falou nada demais? Dá pra ver que você não conhece mesmo o Jon. – Arya, por favor. Myrcella colocou a mão em seu ombro. A Daenerys não está bem...– Muito fácil desmaiar e se fingir de inocente depois...– ARYA! Sentiu seu corpo ser puxado para trás e virou-se, pronta para gritar com Robb, mas surpreendeu-se ao ver outro de seus irmãos ali.– Jon?– O que você está fazendo aqui, Arya? – O que você está fazendo aqui? Repetiu a pergunta dele. – Será que você pode levar a nossa irmã daqui? Robb meteu-se na conversa. – Você leva, eu tenho algo pra fazer. – Eu não vou sair daqui. Protestou e cruzou os braços. Não vou deixar que você peça perdão a essa coisa... Olhou com desdém a outra, que recebia um abraço de Myrcella. — Isso é tudo fingimento, não dá pra ver? A grande rainha está tentando chamar atenção e, pelo visto, está conseguindo.– Cala a porra da boca, Arya! Ele gritou e, imediatamente, cada uma das palavras e cada um dos pensamentos que havia em sua cabeça, foram substituídos pela frase proferida. Nunca, nem quando ela o obrigara a fazer as coisas mais idiotas, nem quando ele levara toda a culpa, nem quando ele perdera a moto por sua causa... Nunca, Jon nunca falara consigo daquela maneira. Sentiu-se extremamente traída e, como há muito não acontecia, seus olhos encheram-se dágua. Você não vai me deixar pedir perdão e o escambau? Prosseguiu no mesmo tom. — Desde quando eu preciso que alguém me dê permissão para que eu faça algo? Só por que somos irmãos não significa que você pode se meter na minha vida desse jeito. – Só por que somos irmãos? Ecoou as palavras dele e um peso imenso caiu-lhe sobre os ombros, impedindo-os de ficar levantados. Só? – Se você não percebeu, eu tenho um grande problema nas mãos agora, não estou com muito tempo para lidar com dramas infantis. – Drama? Respirou fundo, controlando-se para não chorar ali, não choraria na frente dele. Fechou as mãos em punho fortemente e sentiu as unhas fincarem na palma, rasgando-as, enchendo-a também de uma dor física. Olhou para baixo, na tentativa de formular uma resposta à altura de tudo que tinha ouvido. Viu seu próprio sangue escorrer-lhe pelos dedos, certamente estava com muita raiva. Tudo bem, Jon Stark. Conseguiu fazer a voz sair firme. Cuide você mesmo de seus problemas, eu não vou me meter mais. Só espero que você tenha memorizado cada palavrinha que me disse, porque eu memorizei. E muito bem. Virou-se, o peso em seus ombros e a sensação de traição ficando cada vez maiores. Queria ter saído dignamente, colocando um pé na frente do outro, andando firme e largamente. Mas aquele gesso a impedia de fazer como bem queria e teve de contentar-se com o seu arrastar lento de pernas. Sabia dos olhares perfurando as suas costas, mas não se importou. – Jon, você vai a deixar ir desse jeito? Mycella perguntou num tom desesperado.– Vou. Ouviu a resposta dele e fechou a porta atrás de si, saindo daquele cômodo e deixando, enfim, que as lágrimas lhe caíssem pelo rosto. ********Chegou em casa com dor de cabeça e nem se deu ao trabalho de comer, indo diretamente para seu quarto. Não havia ninguém em casa além dos empregados, que, por acaso, tinham certo pavor dela e evitavam se aproximar mais do que o suficiente. Jogou a mochila num canto qualquer e decaiu sobre a cama, que estava repleta de papeis e roupas. Não tomou banho, não abriu a porta para ninguém, nem atendeu o celular quando lhe ligaram, apenas ficou ali, encarando o teto.Mas, havia alguém insistente demais, que não parava de mandar mensagem, fazendo seu celular vibrar a cada míseros cinco segundos. Olhou o visor que mostrava as doze mensagens perdidas e decidiu lê-las. Não conhecia o número do remetente e, se não fossem tantas as mensagens enviadas, teria achado que a pessoa cometera um engano. Abriu o primeiro envelope e lá havia apenas um: oi; seguido de uma carinha feliz, igual a todas as seguintes. Revirou os olhos e digitou: você tem retardo mental?. A resposta veio rapidamente: Pensei que minha mensagem não tinha sido enviada. *Quem é você?**Um amigo.**Desculpe, mas eu não tenho amigos.**Nossa, fiquei magoado.**Por favor, Gendry, tente não encher meu saco hoje, está bem?**Olha só, você descobriu quem é.**O único sociopata que vive atrás de mim.* *Só queria agradecer pela recepção do primeiro dia de aula, cavalo.**Ok**Sério, o que houve com você? Está doente?**Isso não é da sua conta. Tchau.**Eu disse, sou seu amigo.**Eu disse, não tenho amigos.**Ok. Tchau, Arya**Tchau, Gendry**Que tal me chamar de amigo?**Não**Olha só, eu vou bater aí na sua porta e dizer que vim pra Itália por sua causa**Meu pai vai te matar, não faça isso.**Não faça isso? Está preocupada comigo, Arya?**O não foi digitado sem querer. Tchau**Arya?**O que é?**Você não vai me chamar de amigo?**Você não vai desistir, não é?**Não mesmo**Ficar me irritando dessa maneira... Você é um péssimo amigo, sabia? **Eu sei ;)*Colocou o telefone embaixo do travesseiro e levantou-se, indo tomar banho. De alguma maneira, a troca de mensagens com Gendry havia animado-a, mesmo que minimamente. Enquanto se despia, lembrou-se de horas mais cedo, quando entrara na sala de aula e dera cara com ele. A surpresa, a princípio lhe desanimara, mas agora a aparição do garoto problema não lhe parecia tão ruim assim.
Notas finais
Demorei um pouco né? Hahaha Eu gostei um tantão dos comentários de vocês no cap passado, mas daí eu fui responder pelo celular e ficou tudo bugado. Sorry. Sorry também pela formatação dos capítulos, mas é que eu continuo postando pelo celular, meu pc morreu de vez :(
Sobre o capítulo: Só eu senti peninha da Arya? Jon resolveu ser idiota com todo mundo. WTF JON?!?! Myrcella e Robb como sempre amáveis. No próximo capítulo teremos a tão esperada conversa do Jon e da Daeny (esperem que vem bomba), e, como tdxxx querem, vai ter visão do jon sobre a festa do dia das bruxas uhuuuuu (eu até aumentei a classificação indicativa).
~~~ por hoje é isso.
Por favor, não detestem tanto o Jon, ele é um carinha bacana (eu acho).
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