Lobos de Veneza

17 E lá vamos nós. Novamente.


Notas iniciais
Pov Jon

(N.A: Esse capítulo vinha junto com o flashback do Jon, mas acabou que tudo ficou com mais de 7000 palavras O.o, decidi separa-los em dois, primeiro os acontecimentos atuais, depois as lembranças. Como o mais relevante e necessário pra vocês é conversa entre o Jon e a Daeny... Boa leitura! ).

– Na boa Stark, você deveria controlar a sua irmã. Um dos três rapazes jogados no chão, disse-lhe assim que entrou no banheiro. Estava correndo atrás de Arya desde que saíra sala de aula, após falar tudo o que falara para Daeny e escutar um sermão de Ygritte, seguido de uma tapa estalada, que provavelmente deixara a marca da mão da ruiva em seu rosto. Estava atrás da irmã mais nova por dois motivos: um, ela estava com problemas e ele precisava ajuda-la; dois, ele estava com problemas e precisava da ajuda dela.

A notícia sobre Daeny se espalhou numa rapidez inimaginável e Jon temia que tal notícia chegasse aos ouvidos do Diretor. Robert era o melhor amigo de seu pai, o que significava que ele estava com muitos problemas. Tinha de dar um jeito de acabar com aquela tempestade que ele mesmo causara, talvez Arya tivesse uma ideia.

– Você não deveria falar da minha irmã dessa maneira, Johnny. Arya é bem agressiva quando quer. Disse-lhe com um sorriso sarcástico. Johnny e seus dois amigos eram a típica gangue do colegial, matavam aula para se drogar no banheiro.

– Acontece, Jon, que tua irmã teve aqui e foi ela que fez isso. O outro do trio, o mais baixo deles, cujo Jon não sabia o nome, falou, apontando para o rosto machucado de Johnny. Machucado que ainda estava aberto e sangrando, o que o fazia concluir que Arya não estava muito longe.

– Eu disse que ela era bem agressiva. Riu, mas não foi acompanhado. Qual é, cara, apanhar de uma garota, com a perna quebrada ainda por cima?

– Isso parece engraçado pra você, Stark? O garoto machucado sorriu e levantou-se com dificuldade, o sangue pingou em sua camisa branca, mas parecia não se importar com a profundidade do corte. A última garota que me desafiou, coitada... Não achou tão engraçado.

– Por um acaso, você está ameaçando minha irmã?

– Talvez. O que você acha? Johnny ficou próximo, tão próximo que as pontas dos narizes de ambos se tocavam.

Jon não respondeu, concentrando-se na raiva que sentia e reunindo toda a força que possuía, desferiu um soco em Johnny, seguido por mais dois. Ouviu o som do nariz dele sendo quebrado e sorriu satisfeito, talvez aquilo fosse suficiente para que aprendesse a não se meter com ele. Muito menos com Arya. Olhou para os outros dois do trio, mas eles não tinham ares de quem quer briga.

– Vocês Starks são todos loucos! Eu vou denunciar você, Jon e eles vão te expulsar.

– Faça isso e eu te procuro até no inferno pra acabar o serviço. Disse-lhe secamente e o viu engolir o próprio sorriso sarcástico. Jon sabia bem o que suas idas para cadeia haviam lhe proporcionado, além do castigo que seu pai lhe dera, uma fama de que ele era um assassino se espalhara pela escola. Aquilo não era de todo mal, poderia se valer da fama sempre que precisasse de algo difícil de conseguir.

– Você não seria capaz. A voz do outro quase não podia ser ouvida. Ele estava bastante assustado, era bom.

– Eu já matei alguém, Johnny. Ajoelhou-se perto dele e sussurrou. Era um inocente, então imagine só o quanto eu não gostaria de matar você, que de inocente não tem nada?

– Você não...

– Seria capaz? Deu tapinhas no ombro dele. Não ouse se aproximar da minha irmã, não ouse ameaça-la. Aliás, nem sequer pense nela. Se você estiver num corredor e ela aparecer, dê meia volta... Se eu pegar você no mesmo ambiente que a Arya, não vou ser tão piedoso, ouviu? Ficou de pé novamente e encarou um dos outros garotos. Qual o teu nome?

– B-brett Ele gaguejou.

– Pra onde a minha irmã foi?

– Eu não sei, ela só pegou meu celular pra ligar pro Robb. O outro irmão de vocês. Robb? Arya tinha ido pedir ajuda a Robb? Por quê?

– E depois?

– Não sei, ela só disse que queria o celular, porque estava sem créditos e precisava descobrir onde o Robb estava, então ela foi...

– E você deixou uma garotinha roubar teu celular?

– Ela ia me bater!

– Sinceramente... Revirou os olhos e rumou para saída do banheiro, mas, antes que alcançasse a porta, encarou o trio de idiotas por sobre o ombro Brett, é melhor você e esse outro darem um jeito de tirar o Johnny da escola e leva-lo a um hospital. Façam isso direito, não quero ouvir nenhum rumor sobre vocês e... É melhor nem pensar em ir pra enfermaria do colégio, a Arya está lá. Sorriu para eles mais uma vez e seguiu seu caminho.

Aquele era mesmo só o primeiro dia de aula? Que tipo de coisa estava acontecendo? Desde que acordara não teve sequer um minuto de paz. Primeiro seu pai, depois Cersei, então veio Ygritte e sua aparição repentina... Essa parte não era tão ruim, mas, depois do ocorrido com Daeny, até Ygritte, que parecia não se importar com nada, ficara com raiva dele. Bufou pesadamente quando chegou a frente da enfermaria. Por que Arya havia ido procurar Robb e não ele? Sempre ajudaram um ao outro, não? Será que ela ficara com raiva dele também? Era só o que faltava para completar o dia.

Abriu a porta e a cena que viu quase o fez sair correndo. Estava acostumado a ter Robb o superando em tudo, estava acostumado a ficar de castigo, a levar sermões, a ser preso e as pessoas o odiando gratuitamente. Estava acostumado com dias não dando certo, mas não daquela maneira. Olhou o relógio que estava na parede e, ao constatar que aquele não estava nem na metade, sentiu uma repentina vontade de vomitar. Deveria ter ficado no seu quarto, deveria ignorar o primeiro dia de aula como fazia todos os anos. Deveria. Mas não o fez.

E agora lá estava ele, sendo espectador de uma briga entre Arya e Daenerys.

– Ninguém nunca te disse que cada ação provoca uma reação? A irmã disse e ele teve de reprimir uma gargalhada. Aquela era sua Arya! — Pra mim, isso foi mais que merecido, quantas pessoas você não expos e não humilhou envolta nessa sua aura de popularidade? Muitas, não é? Daenerys não respondeu. — Mas, você achou mesmo que o Jon seria mais uma dessas pessoas que fica com o rabo entre as pernas, que acata as vontades da rainha?

–Eu não pensei nada disso, pelo amor de Deus. Nem falei nada demais... A voz da loira soou desesperada e ele, repentinamente, sentiu-se arrependido. Não fazia por mal, mas não pensava muito antes de falar, principalmente quando estava bravo. Daeny tinha tocado num assunto delicado para ele, um assunto que era tão desconhecido e doloroso que o fazia perder a sanidade. Olhou para a expressão preocupada de Myrcella e Robb. Robb, ah sim, Arya fora atrás dele e não de Jon. Pensar nisso fazia com que sentisse aquela raiva de novo.

Apesar de gostar muito do irmão mais velho, Jon não conseguia deixar de sentir-se enciumado. Robb sempre fora bom em tudo. O estudante perfeito, o filho perfeito, o irmão perfeito... Sabia que ele não fazia por mal, para Robb, a bondade era como sua ira, vinha involuntariamente, mas, ainda assim, sentia-se angustiado diante daquilo. Por que não ele? Por que não ele a ter um pai e uma mãe que o amassem? Por que não ele a ter milhares de amigos? Por que não?

–ARYA! Gritou repentinamente, assustando os presentes na sala, que, até então, não haviam se dado conta de sua presença. Arya sempre foi a única a recorrer a ele em primeiro lugar, sempre foi a única a da-lo importância, atenção. Depois do nascimento daquela irmã, pela primeira vez na vida, sentira-se importante. Pensava que fosse ser sempre assim. Mas até ela havia se decidido por Robb? Jon sabia que era egoísta ter esse tipo de sentimento, no entanto, era assim que se sentia. Queria explodir.

–Jon?

–O que você está fazendo aqui, Arya? Seugurou-a pelos ombros. Queria sacudi-la e pergunta-la por quê?, por que Arya?

–O que você está fazendo aqui? Ela devolveu a pergunta e sua raiva só aumentou. Qual o problema com aquele dia?

–Será que você pode levar a nossa irmã daqui? Robb interviu, como sempre solícito.

– Você leva. Afinal, ela veio conversar com você. – Eu tenho algo pra fazer.

–Eu não vou sair daqui. Não vou deixar que você peça perdão a essa coisa... Isso é tudo fingimento, não dá pra ver? A grande rainha está tentando chamar atenção e, pelo visto, está conseguindo.

–Cala a porra da boca, Arya! Explodiu, já sem paciência. Nunca havia gritado com ela antes, mas sentia-se frustrado, traído... Observou os quatro pares de olhos que o fitavam com surpresa. Você não vai me deixar pedir perdão e o escambau? Desde quando eu preciso que alguém me dê permissão para que eu faça algo? Só por que somos irmãos não significa que você pode se meter na minha vida desse jeito. Viu-a murmurar algo, mas não conseguiu ouvir.- Se você não percebeu, eu tenho um grande problema nas mãos agora, não estou com muito tempo para lidar com dramas infantis. Decidiu finalizar aquela conversa.

– Tudo bem, Jon Stark. Cuide você mesmo de seus problemas, eu não vou me meter mais. A voz dela saiu firme e segura, aquilo foi como um soco bem no meio de seu estômago. Toda a sua raiva, não foi capaz de desestabilizá-la nem um pouco. — Só espero que você tenha memorizado cada palavrinha que me disse, porque eu memorizei. E muito bem. Eu também memorizei Arya, você me trocando pelo irmão mais legal. Respondeu-a, mas apenas em pensamento.

–Jon, você vai a deixar ir desse jeito?

Vou. Respondeu para Myrcella enquanto observava a irmã mais nova indo embora.

Sentiu todos os olhares pesando sobre ele, mas o único que realmente o preocupava era o olhar dela. Estava arrependido de ter falado tudo aquilo, não por causa de sua falsa reputação de rainha dos dragões, ele não ligava para aquele título. Estava arrependido porque aquele era o seu mais precioso segredo, a sua memória mais feliz da adolescência e ele a havia jogado fora, por nada... Apenas para se vingar de uma garota mimada, que nem sequer sabia de sua existência.

– Você nunca falou assim com a Arya, Jon.

– Vai lá e ajuda ela. Disse-lhe sem desviar o foco de Daenerys.

– Às vezes eu acho que a minha mãe tinha razão, sabia? Razão quando dizia que a sua aproximação com a Arya ia acabar machucando ela demais... Mesmo você sendo assim, eu achei que... A Arya veio aqui pra te ajudar, sabia? Toda preocupada com o que ia acontecer quando você chegasse em casa...

– O quê? Virou-se para Robb, a compreensão lhe tomando de repente. Talvez tivesse descontado sua raiva e frustração em alguém que não merecia. A Arya veio aqui pra me ajudar?

– E pra que mais seria? A Arya só aparece aqui quando quer ajuda com você e...

– Eu sou burro pra caralho.

– Jon, o que houve?

Eu sou muito burro, cara. Bateu na própria testa e arrastou os dedos pelos cabelos. Tinha feito a pior porcaria que poderia fazer naquele dia e não sabia se iria conseguir consertar. Sentiu-se como um idiota completo, que se deixa levar pela emoção, um intolerante. Sempre odiara o tipo de pessoa que julga a primeira vista, sem tentar entender, e foi exatamente o que fizera. Tenho que ir atrás dela.

– Melhor não. A mão de Myrcella envolveu seu braço. Eu e o Robb vamos, você fica aqui e nos espera.

– Aqui? Volveu o olhar para Daeny Não acho que seja...

– Você. Vai. Ficar. Ela pontuou cada palavra. Myrcella era uma garota adorável, mas sabia ser assustadora, vez ou outra.

Saíram, deixando-o sozinho na enfermaria. Ou assim era de seu desejo. Jon bem que tentou ignorar a presença da garota loira ao seu lado, mas foi em vão. Sabia que tinha de conversar com ela, odiava dar o braço a torcer, entretanto, Ygritte estava completa de razão quando lhe dissera que passara dos limites. Ninguém merecia ter a intimidade exposta daquela maneira, por pior que fosse essa pessoa, mesmo que essa pessoa fosse a rainha dos dragões.

– Tudo bem, eu passei dos limites. Falou sem olha-la, sentia que era mais fácil desta forma. Estava sentado na beirada da cama, de costas para ela.

– Tudo bem? Ela indagou com a voz pingando amargura. Tudo bem pra quem, Jon Stark? Você acha mesmo que tudo que você me fez, essa coisa toda, se resolve apenas com um tudo bem? Apertou as mãos uma contra a outra. Odiava admitir, mas ele estava errado e ela certa, no entanto, não tinha ideia do que poderia fazer, além de falar tudo bem. Você não tem ideia do que eu passei, não é mesmo? Claro que não! Porque, enquanto eu achei que aquele dia tinha sido especial, enquanto eu passei os dias da minha vida esperando a volta daquele garoto, você estava se divertindo com a minha cara! Deve ter sido muito bom mesmo...

– Você não sabe de nada, tá leg...

– Cala a boca, Jon! Sentiu duas mãos socarem suas costas simultaneamente. A força empregada no golpe, o fez perder o ar por alguns segundos. Cala. A. Boca. Mais socos. Você que não sabe de nada, você foi o único, o único que entrou nessa história de olhos abertos, mas, ainda assim, não sabe de nada. As mãos dela seguraram seus ombros e, em seguida, as unhas grandes cravaram-lhe a pele, ao mesmo tempo em que ela encostou a testa em sua nuca. Você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida, Stark.

– Eu posso dizer o mesmo de você. Rebateu. A respiração ficando mais pesada, enquanto sentia a dela bater contra si e eriçar-lhe os pelos.

– Por que você fez isso comigo?

– A que você se refere, exatamente? Usou de ironia e, como resposta, ela aumentou o aperto em seus ombros. Não é como se você fosse de completamente inocente. Por que você me provocou, Danerys? Por que usou minha mãe?

– Você também não usou a minha?

– Verdade. Mas eu usei, mais exatamente, a falta dela. Afinal, ser criada por um irmão como o seu, não deve ter sido nada fácil... Esperou que ela lhe socasse as costas, ou o arranhasse ainda mais, no entanto, nada disso aconteceu. Seus ombros ficaram livres do aperto e Daeny afastou-se.

– Pelo menos eu conheci minha mãe, mesmo que por um curto instante. Eu sei exatamente de onde eu vim. Escutou o arrastar de sapatos e viu, pelo canto dos olhos, a loira passar direto por ele. Aquele não era o jeito certo de terminar a conversa, pretendia pedir desculpas, não piorar a situação. Antes que ela pudesse alcançar a porta, puxou-a pelo braço.

– Você precisa aceitar minhas desculpas.

– Ou o quê, você vai me bater? Debochou. Acho que não tem nada pior do que você já fez, não é? Realmente, me bater não é nada comparado a...

– Eu não bateria em você!

– Não com suas mãos, mas já com as palavras... Você sempre me espanca.

– Daenerys, eu estou tentando me desculpar.

– E eu já falei que não está tudo bem, eu não aceito suas desculpas.

– Tudo isso pela sua merda de reputação? Esbravejou. Então você é muito pior do que eu pensava!

– Se você quer saber, Stark, a minha merda de reputação é bastante coisa, mas ela eu posso restaurar com dinheiro e com meu sobrenome. Mas tem certas coisas que não voltam, que nunca vão voltar, por mais que eu queira.

– Tipo a sua virgindade?

– Tipo a sua vergonha na cara.

– Pra mim, quem não tem vergonha na cara mesmo, é esse tipo de garota que transa com qualquer um, inclusive com desconhecidos, você não concorda? Ela não respondeu, apenas o encarou com os olhos claros marejados. Jon não se deteve, havia tentado pedir desculpas, mas eles não tinham jeito, não conseguiriam ser amigos, por mais que ele tentasse. E estava cansado de tentar. Você achou mesmo que eu pensei Olha só, tem uma garota se oferecendo pra mim no armário, como ela especial? Daeny permaneceu calada. Pra mim, você estava mais pra uma qualquer... Mais silêncio. Me diga Daenerys, depois de mim, pra quantos você deu naquele armário?

Então o silêncio foi quebrado por um barulho estridente, semelhante a ossos se quebrando. Por um momento, Jon pensou que a TV da enfermaria estava ligada em um filme de ação, mas, ao sentir a dor espalhando-se do centro de seu rosto até o canto dos olhos, entendeu. Daenerys havia acertado um soco bem no meio de sua face. Riu de incredulidade e encarou-a. Ela estava chorando. Ele era o machucado da história, por que ela estava chorando?

– Eu achava que você era só incompreendido, Jon, mas agora eu vejo que não. Eu me apaixonei pelo mesmo cara, duas vezes. E, nas duas vezes, eu errei completamente sobre esse cara. Eu achava que tinha algo bom em você e, por um momento, quando eu soube que você era o garoto mascarado, eu fiquei feliz... Que idiota! Porque aquele garoto, nunca existiu de verdade, não é? Ele sempre foi só uma máscara.

– Ei. Chamou-a quando ela virou-lhe as costas para ir embora. Aonde ela estava indo? Eles não haviam terminado aquela conversa. Ela não poderia lhe falar o que bem entendesse e depois sair. Você não pode ir assim.

– Não posso? O que você quer tirar de mim agora? Meu direito de ir e vir? Já não tirou coisas suficientes?

– Você exagera, sabia?

– Eu exagero? Você tirou minha virgindade, minhas certezas, minha reputação e até o meu namorado! Mas sabe o pior de tudo, Stark? Se você quer saber, você tirou de mim os meus sonhos. O sonho de ter um amor, o sonho de poder ser mãe...

– Isso é meio impossível de ser minha culpa, pra ser mãe você só...

– Eu engravidei, Stark! Depois da minha primeira vez... Mas eu perdi o nosso... O meu filho e, por uma série de complicações, eu não posso mais ser mãe. Nunca mais. Ela sorriu tristemente. Então, está satisfeito, agora?

– Nosso... Filho? Murmurou, sentia o ar lhe faltar nos pulmões, assim como os pensamentos lhe faltavam na mente. Daenerys havia ficado grávida? Como ele nunca soubera daquilo? Como ela perdera o filho? Grávida... Ele iria ser pai?

– Não, Jon, meu filho. Ela lhe disse e saiu da sala. Desta vez, ele não a impediu.

******

Chegou em casa e deparou-se com Sansa sentada no sofá, com um livro de capa cor de rosa nas mãos. Sorriu ao vê-la, há muito tempo que não conversava com aquela irmã, nem parecia que moravam na mesma casa. Perguntava-se como havia sido o dia de aula dela, será que tão conturbado quanto o seu? Duvidava muito. Jogou-se ao lado dela, assustando-a, o livro que estava em suas mãos escapou e ela o encarou. Brava.

– Ah não, Sansa. Você vai ficar com raiva de mim também?

– Raiva? Ela balançou a cabeça negativamente. — Na verdade, estou orgulhosa, você acabou com a Daenerys hoje! A irmã sorriu, mas ele não conseguiu acompanhar. Sansa tinha total razão no que dizia, ele havia acabado com Daenerys e, em troca, ela havia acabado com ele também.

– Não me meta nessa sua briguinha de garotas, ok?

– Ok. Mas que eu estou orgulhosa de você, eu estou. Sansa sorriu e depois fez uma careta de desgosto. O que é isso no seu nariz?

– Um curativo. Deu de ombros. — Então, o papai já chegou? Decidiu mudar de assunto, ou, na necessidade desesperada que possuía de desabafar, acabaria contando todos os seus problemas para Sansa. A irmã não era má pessoa, mas era imatura demais e, por algum motivo que ele desconhecia, odiava Daenerys mais que tudo.

– Ele só deu uma passada aqui pra trocar de roupa e foi se encontrar com o Robert.

– Robert? Jon engoliu em seco. Estava ferrado.

– E eu não sei do que se trata o encontro, nem adianta perguntar. Mas ele disse que queria todo mundo aqui para o almoço.

– Então é por isso que você está em casa? Provocou-a.

– E você, por que está aqui e não por aí, sabe, atropelando pessoas e sendo preso?

– Já fiz merda demais hoje.

– Você é tão bacana, Jon. A declaração o pegou de surpresa. Eu sei que você gosta dela, maninho. E você sabe que eu não gosto. E, apesar de ter ficado muito feliz por você ter acabado com aquela nariz em pé, eu também fico triste em te ver assim... Ela suspirou. Nós nem somos tão próximos, não é? Mas, olha só, escuta bem que eu não vou repetir, eu gosto imensamente de você. E, às vezes, eu sinto sua falta.

– Às vezes? Franziu os lábios num sorriso. Só às vezes?

– Tá legal, sempre! Sansa gargalhou e aconchegou-se nele, envolvendo sua cintura com os braços finos. Você se lembra daquela sua ideia de me dar um cachorro?

– Sansa Stark dizendo que gosta de mim, é claro que tinha algo por trás disso. Brincou e recebeu um soco no ombro, sentiu-o arder e lembrou-se de Daenerys. De tudo que ela havia lhe dito.

– Para, Jon! Nem é pra mim...

– Não? Estranhou. Sansa não era uma garota altruísta.

– Eu acho que a Arya está meio deprimida. Arya... Depois de toda a conversa com Daeny, acabara esquecendo-se que não sabia onde ela estava. — Não sei o que é, mas queria dar um jeito de anima-la. Como eu sei que ela gosta de animais, e essa é a única coisa que eu sei dela, pensei que seria uma maneira de me aproximar, tentar descobrir alguma coisa...

– A Arya já chegou? Sansa balançou a cabeça, afirmativamente. — Ela vai ficar legal, maninha. Eu vou conversar com ela agora.

– Mas você está conversando comigo agora! Ela agarrou-se ainda mais a ele. Você não pode me trocar tão facilmente, eu também sou sua irmã. Sim, era verdade, mas não foi Sansa quem ele magoou mais cedo, precisava desculpar-se com Arya antes do tal almoço.

– Eu sei disso. Acariciou os cabelos ruivos, era incrível como Sansa parecia-se com sua mãe, não só na aparência física, mas, às vezes, até na personalidade, ela era uma perfeita lady. Será que não podemos continuar nossa conversa depois? Eu preciso ir...

– Você não vai a lugar nenhum, Jon. Escutou a voz do pai atrás de si e conteve um grito. Quando ele havia entrado ali? Será que escutara muito da conversa dos dois? Vamos almoçar todos juntos, eu, você, Arya, Sansa e Robb.

– Robb ainda não chegou papai. Sansa disse.

– E onde ele está?

– Talvez com a Myrcella? Insinuou

– Ou com o Theon? A irmã sugeriu.

– Eu estou aqui. Robb apareceu no topo das escadas. Estava falando há horas com a Arya, para ela sair do quarto, mas acabei de descobrir que ela não está lá.

– Ela saiu sem que eu visse? Sansa murmurou.

– E saiu sem avisar de novo? Ned perguntou, o rosto já assumindo uma coloração vermelha, olhou pra Jon inquisitivamente. Mas, desta vez, ele sabia tanto quanto os outros.

– Eu não sei de absolutamente nada, ok? Levantou as mãos em sinal de frustração. Hoje não foi um bom dia para nós, então ela deve ter ido comprar um sorvete, ou ter ido beber um pouco... Ou, quem sabe, até foi na pizzaria da concorrência?!

– JON STARK!

– Sim, Ned Stark? Não precisa gritar, eu escuto direitinho.

– Você acha que eu não sei que vocês estão se acobertando?

– O quê?

– Robert me disse tudo, sobre Arya ter batido num novato e sobre você... Ter um romance com a garota daquela família? Ter tratado Cersei de forma rude!

– Só isso? Suspirou aliviado, um peso havia sido tirado de suas costas.

– SÓ? Você por acaso fez mais alguma coisa? O pai examinou-o por um tempo. O que é isso no seu nariz?

– Um curativo, ué. A voz veio da porta de entrada e todos viraram para a garota que lá estava. Só não é mais legal que a minha tatuagem.

– ONDE VOCÊ ESTAVA?

– Ei, fala baixo que eu escuto direitinho. Arya disse e Jon teve vontade de rir, eles eram tão parecidos que chegava a dar medo. Mas então, qual é a da reunião de família? Jogou-se na poltrona ao lado do sofá.

– Eu perguntei onde você estava.

– Na pizzaria.

– Eu estava na pizzaria.

– Na pizzaria da concorrência.

– Eu disse. Balançou uma das mãos e Arya revirou os olhos. Ela estava com muita raiva e com razão.

– Nós não íamos almoçar? Foi a vez de Robb se pronunciar.

– Acho que eu perdi o apetite. Ned falou. Sinceramente, Jon e Arya, quando vocês vão criar juízo? Eu não queria ter que tomar medidas tão drásticas, mas acho que não tenho escolha. Robert me convidou hoje para fazer parte do conselho da escola, como vice-diretor. E eu vou aceitar.

– O quê? Perguntou perplexo, o pai como vice-diretor seria o fim dos tempos.

– Pai, eu não acho que seja uma boa ideia... Sansa parecia incomodada. Você nem quer isso de verdade, se for só pra castigar a Arya e o Jon você pode achar outras maneiras... Quer dizer, quem vai cuidar da pizzaria agora?

– Robb.

– Eu?

– Você é o único indicado para isso.

– Sinceramente, não mereço uma ceninha dessas. Jon disse se levantando. O dia já foi ruim demais, a cota de más notícias já deu por hoje. Sinto muito, família, mas eu vou dormir.

– É só uma da tarde.

– Eu sei, Sansa, mas eu tenho uma festa mais tarde, uma calourada...

– Eu vou com você!

– Tudo bem. Bagunçou os cabelos dela e passou reto pelos outros, inclusive por Arya. Não estava com vontade de ir à festa nenhuma, porém, também não tinha vontade de ficar em casa. Seguiu para escada, a fim de ir dormir como dissera, mas foi interrompido no meio do caminho, por mais uma das ameaças do seu pai. Aquilo era tão corriqueiro.

– Vocês não vão a lugar nenhum, eu já disse. O pai puxou-o pelo braço. Se você aprontar mais uma, Jon Stark, te mando direto para uma escola militar! Esteja avisado Não teve tempo de rebater a nova ameaça do pai com uma ironia qualquer, o telefone tocou e, após atendê-lo e trocar meia dúzia de palavras com a pessoa do outro lado da linha, Ned foi perdendo a cor, até empalidecer por completo.

– O que aconteceu, pai? Indagou preocupado.

– Cat, Cat e meus filhos... Balbuciou.

– O que tem eles? Sansa agitou-se, correndo para frente do pai e envolvendo seu rosto com ambas as mãos. Sacudindo o homem mais velho, para frente e para trás, na tentativa de que reagisse de algum modo. O que aconteceu com eles, hã?

– Sua mãe, minha filha, e seus irmãos, sofreram um acidente.

Notas finais
O próximo capítulo, como eu já disse, vai ter bastante Jon e Daeny (porém nos tempos passados, porque no presente...). Realmente não coloquei nesse capítulo, porque ia ficar bastante cansativo de ler mais de 7000 palavras, pois é. Não sei se vocês perceberam, mas a Cat não tinha aparecido ainda hoohoh é porque ela não mora com o Ned, mas isso também vai ser explicado no flashback do Jon. Por falar em Jon... Ele tá se enterrando cada vez mais, não é? É, eu sei. Mas, se vocês perceberem, ele é só um menininho inseguro, que ataca primeiro pra não ser atacado. Cortei o momento da Ygritte dando sermão nele, porque esse capítulo está REPLETO de diálogos e o sermão da Ygritte foi ENORME, é, ela ficou com muita raiva dele ~~~~ Daeny não pode ser mãe, igual aos livros e a série, só que de uma maneira diferente ohohhoohhoo ~~~~ No próximo capítulo (não no próximo que eu vou postar, porque ele vai ser o extra e sim no próximo que dá continuidade a história) teremos mais gente aparecendo na fic. Palpites de quem são? E de quais são seus papéis nesse universo? ~~~~ Ah, eu não preciso explicar que Ned indo trabalhar com Robert é uma clara referência a ele ser mão do rei, não preciso né? ~~~~ Beijos de luz, bolinhos de arroz. PS:. Desculpem a formatação, como sempre.