Notas iniciais
Pov. Daenerys

Lampedusa.

Que tipo de lugar tinha esse nome?

Esta pergunta rondou a cabeça de Daenerys desde o momento em que subira no avião. Haviam – ela e Jorah – pego um voo de Roma até Milão seguido de outro, que os levou até a Ilha de Lampedusa. Porque, seguindo o bom e velho clichê de famílias milionárias, os Targaryens possuíam uma mansão em uma ilha paradisíaca. E era lá, naquele lugar quase inabitado, que Daeny deveria recomeçar sua vida.

Jogou-se na cama e observou o teto do quarto. Estrelas coloridas o cobriam por completo. Gostava daquelas estrelas. Não pôde conter o sorriso que brotou em seu rosto. Sua família costumava passar as férias ali. Mas, desde que sua mãe morrera em um acidente, levando seu pai a loucura, nunca mais colocara os pés naquele lugar. E então, depois do desaparecimento misterioso de Rhaegar, sua vida entrou num sistema automático de ser a pessoa perfeita que Viserys esperava que fosse.

Esticou seu corpo até que alcançasse o criado mudo. Abriu a gaveta e retirou de lá o álbum de fotos antigo que estava exatamente no mesmo lugar em que deixara anos atrás. Passou as fotos lentamente, demorando-se a reparar os detalhes. Os pequenos sorrisos e gestos que faziam nas figuras.

Era doloroso, mas não conseguia parar.

Depois de olhar o álbum, continuou com o celular. Passou todas as fotos da galeria. Uma a uma. Em sua maioria, as fotos eram de Daenerys sozinha. Havia algumas junto do time de animação de torcida, mas estas poderiam ser contadas nos dedos. E então, uma foto com Drogo surgiu fazendo sua vista escurecer. Foi transportada para o momento em que o reencontrou já internado. Aquele garoto era tão diferente do garoto que agora encarava através da foto.

Depois de todo aquele plano para invadir o Hospital Psiquiátrico, enfim conseguira, com a ajuda de Arya, encontrar o quarto em que Drogo estava. A porta, que possuía duas trancas apenas do lado exterior, não fora difícil de abrir. Com uma destreza espantosa, a garota Stark destrancara a porta, deixando que Daeny entrasse logo em seguida.

Tinha certeza que jamais esqueceria a imagem que vira.

Seu ex-namorado estava irreconhecível. Assim que pusera os olhos nele, Daenerys tivera vontade de sair correndo daquele lugar. E assim teria feito, não fosse o rosto com olheiras profundas ter virado diretamente para si. Não conseguira evitar o arrepio que lhe percorreu o corpo. Os orbes vazios que lhe fitavam eram assustadores, mas aquele olhar não fora nada comparado ao sorriso que ele dera quando enfim a reconheceu.

Balançou a cabeça de um lado para o outro afim de espantar tais coisas. Não gostava de recordar aquele dia. Na verdade, gostaria que nunca tivessem feito o que fizeram. Fora estúpido. Quase morrera. Depois, quase foram pegos.

Excluiu a foto da galeria e passou para seguinte.

Sorriu.

Lembrava-se bem de como tirara aquela foto, em um dia em que havia acabado de sair de seu treino. Era um pouco tarde e, enquanto esperava seu irmão, resolveu tirar algumas selfies. E ele estava ali. Ao fundo. Não sabia como não o vira antes. Era tão nítido. Os cabelos cacheados balançando com o vento e a garrafa de vinho que carregava em uma das mãos.

Jon.

As coisas acabaram estranhamente bem entre eles. Agora já não sentia mais todo o peso que carregava no coração. Talvez, se tivessem sido honestos um com o outro antes, nada do que aconteceu teria acontecido. Talvez ela não teria confundido seus sentimentos e assim não teria magoado Drogo.

Ele não lhe falara nada sobre, mas ela tinha certeza que o que o levara ao surto fora o fim do namoro.

Tudo era culpa sua, não era?

Batidas fracas na porta despertaram-na de seus pensamentos, logo Jorah surgiu ostentando um sorriso no rosto. Daenerys nem havia escutado qualquer palavra sair daquela boca, mas já não gostava nada delas. Aquela expressão naquele homem, não poderia ser boa coisa.

— Tenho uma boa notícia para você. – Lá vem… — Amanhã pela manhã você inicia as aulas em um novo colégio.

— Ainda estou esperando a boa notícia. – Ironizou.

— Por favor, Daenerys, pare de falar comigo nesse tom. Eu só quero ajudá-la. Nós só temos um ao outro agora…

Você escolheu nos isolar aqui! – Elevou a voz antes que Jorah terminasse sua frase, estava cansada. Da viagem. Dele. Dos consolos. Da sua vida. Estava cansada de tudo.

— Você precisa de um recomeço, Dany.

Que ótima ideia a sua, Jorah. Me trazer de voltar ao lugar que me lembra minha família. – Sorriu amargamente. –Tudo, absolutamente tudo me lembra deles. – Pegou o álbum de fotos que folheava anteriormente e atirou sobre o homem. – Eu odeio esse maldito lugar.

— Pare de se comportar como uma garotinha mimada. – Foi a vez dele de elevar a voz, caminhando em sua direção e puxando-a pelo braço logo em seguida, fazendo-a ficar mais junto dele. – Pare de fazer essas coisas, se não...

— Se não o quê? – Indagou nervosa. Aquele aperto estava machucando.

Jorah não a respondeu. Não com palavras pelo menos. Ao invés disso, os lábios dele tomaram os seus com uma força que ela não imaginava ser possível. Não era tola, sabia dos sentimentos que Jorah possuia, só não sabia que algum dia ela faria algo assim.

Tomada pela surpresa inicial, sentiu-se ser jogada sobre a cama. Os lábios dele ainda pressionavam os seus rudemente, tentando força-la a abrir a boca. Céus, Jorah estava forçando-a um beijo . Debateu-se quando sentiu as mãos dele invadirem sua camisa. Girou o rosto de um lado para o outro e, quando a língua atrevida tentou mais uma vez entrar em sua boca, aproveitou para mordê-la.

Espalmou sua mão direita na face dele, enquanto seu joelho o acertava no ponto mais sensível. Ele gritou. Daenerys arfou e esfregou a boca com as mãos antes de começar a falar:

— Você é louco? Você acabou de tentar me estuprar, ou eu só tive um pesadelo?

— Você é louca! Eu só queria…

— Transar comigo a força! Isso é estupro, Jorah. – Berrou.

— Dany eu não… Eu não queria… – Ele tentou se aproximar, mas ela recuou.

— Apenas saia daqui, Jorah. – O mais velho ameaçou falar algo, Daeny logo interviu. – Não precisa me dizer nada, saia daqui. Saia agora. – Apontou a porta para ele. – Ah! Eu não vou pra droga da escola que você arrumou. Adeus.

****************

Duas semanas se passaram sem que visse a cara de Jorah. Quase não saia do quarto e, quando o fazia, certificava-se de que ele não estivesse em casa. Também não via nenhum dos empregados e perguntava-se se eles eram os mesmo de antes. De quando seus pais eram vivos. Na época em que ela tinha alguém por si.

Era engraçado como parecia, para quem via de fora, que Daenerys tinha tudo. E na verdade ela não tinha nada.

Como sempre, esperou que seu tutor saísse — não sabia para onde ele ia, mas era grata por isso. Desceu as escadas alegremente, sabendo que seu café da manhã estaria pronto e posto na mesa, fora assim durante todos os 14 dias que já havia passado ali. Talvez devesse ir até a cozinha agradecer por isso.

Olhou para o pão doce e para os morangos, se decidindo qual comeria primeiro. Decidiu-se pelos dois. Enfiando-os de uma só vez na boca. Sorriu satisfeita e deu um gole no suco de laranja que ainda estava na jarra. Se qualquer pessoa a visse, não acreditaria que era a mesma de semanas atrás.

— Definitivamente não era isso que eu esperava de uma Targaryen. – A voz surgiu do nada, fazendo-a pular de susto e largar a jarra de uma vez.

— Quem é você? – Indagou depois de um tempo, concentrando-se em manter um tom superior.

O homem sorriu. O sorriso mais cínico e mais horrendo que ela já vira. Os olhos azuis apertando-se a medida em que ele esticava os lábios e os dedos tamborilando na lateral do corpo. Ele parecia detestável.

— Quem é você? – Tornou a perguntar.

— Você é arrogante.

— E você é abusado.

— Isso é uma verdade, vejo que você também é esperta. Não teremos grandes problemas, então. – O estranho sorriu novamente, desta vez seus dedos nervosos foram para seu cabelo. Era loiro escuro e comprido. Estava preso em um coque no topo da cabeça.

— Nós não teremos problemas se você sair daqui agora.

— Eu não posso te ensinar à distância, Daenerys.

— Ensinar? – Franziu o cenho confusa. Quem era aquele homem?

— Retiro o que eu disse sobre você ser esperta. – Ele revirou os olhos. – Sou seu novo professor.

— Professor? – Riu em descrença. Iria matar Jorah.

— Você sabe, se Daenerys não vai até a escola, a escola vai até Daenerys.

— Isso não pode ser real. – Murmurou para si.

— Pois acredite, eu sou bem real.– Mais um maldito sorriso. – Meu nome é Daario, é um prazer.

Notas finais
Nem demorei, olha só. Esse capítulo é o início do arco invidual da Daeny. Assim como os próximos vão marcar o arco invidual das outras personagens. Acho que essa é a parte que está sendo mais trablhosa de fazer, já que eu tenho que juntar as pontas deixadas anteriormente e criar bases para as novas situações. Bem, é só isso. Se não me engano o próximo capítulo é da Arya. E ele é enorme. Vejo vocês nos comentários (e os fantasmas no próximo capítulo), beijos de luz