Lobos

13 Vai ajudar?


Notas iniciais
Voltei... galera estou de férias... sabem o que isso significa? Isso ai, tempo pra escrever!!! Ai vai um capitulo fresquinho.

13º Capitulo – Vai ajudar?

A correria era grande no Hospital Maritxell em Andorra na Espanha, os corredores estavam agitados com tantos enfermeiros, médicos e policiais transitando para todos os lados. Todos os envolvidos no incidente haviam sido levados para aquele hospital, o que deixava a todos com uma grande carga de trabalho e preocupação. Civis e policiais feridos eram atendidos com rapidez e presteza, enquanto as vitimas resgatadas do interior do veiculo particular eram mantidas em salas de tratamento com equipes médicas completas lhes prestando todo o tipo de atendimento necessário. Devido à situação em que foram encontrados, a ordem recebida pela direção do hospital era de que deveriam tratar com extrema cautela e cuidado os quatro resgatados.

Pablo Álvares era um dos policiais que mantinha-se próximo às salas de emergência. Seus instintos lhe diziam que estava para acontecer algo grande e que deveria estar vigilante. Exatamente por isso havia distribuído mais de quarenta homens armados por toda a dependência do prédio e arredores, além de atiradores no telhado. Achava exagero, mesmo tendo sido ele a dar as ordens, mas essa decisão estava ajudando a acalmar seus nervos a flor da pele.

Como oficial responsável pela situação, recebia constantemente relatórios do estado de saúde das vitimas do incidente. E o que ouvia sobre os quatro desconhecidos lhe deixava alarmado. Haviam claros sinais de estupro nas mulheres, enquanto no homem os sinais eram de tortura física. Todos estavam desnutridos e anêmicos, membros parcialmente atrofiados pela falta de uso. As marcas de algemas em seus braços e pernas indicavam que o aprisionamento não era recente. Como um simples policial mal conseguia imaginar o por que daquelas pessoas estarem sendo mantidas nestas condições tão desumanas.

A porta de uma das salas de tratamento se abre e um enfermeiro sai do local se aproximando com passos rápidos.

— Policial Álvares? – Questiona o enfermeiro.

— Sim.

— Uma das vitimas recobrou a consciência. A mulher loira. Está assustada, reagiu com agressividade à nossa presença e se encontra encolhida em um canto da sala. Gostaria de tentar lhe falar? Talvez tenhamos de sedá-la. – Explica o enfermeiro rapidamente.

Com passos apressados, Pablo não perde tempo e corre até a sala de tratamento da qual o enfermeiro havia saído. Ao entrar no local encontra cinco médicos e enfermeiros circulando um dos cantos da sala onde uma pequena, frágil e assustada mulher se encontrava encolhida.

— Se afastem um pouco, vamos dar espaço a moça. – Orienta Pablo, logo vendo todos lhe obedecerem. — Moça, meu nome é Pablo e sou policial. – Explica com calma se agachando, mesmo a distancia, para ficar na mesma altura da mulher encolhida que lhe analisava apreensiva. – O caminhão onde estava sendo mantida presa se envolveu em um acidente. Ao tentarmos ajudar, tivemos de entrar em conflito com a equipe de segurança da Akatsuki. – Percebe a moça se encolher e tremer de medo ao ouvir o nome da corporação farmacêutica. – Quando olhamos o que o caminhão estava transportando encontramos você e mais três pessoas algemadas e inconscientes. Trouxemos todos para o hospital mais próximo.

Pablo espera alguns instantes antes de continuar, dando tempo para que aquela pobre mulher assustada pudesse processar suas palavras.

— Pode me dizer seu nome? – Pede de forma calma, mas não recebe resposta. – Pode me dizer se a Akatsuki estava mantendo você presa? – Finalmente recebe uma resposta para sua pergunta, um balançar afirmativo de cabeça. – Sabe há quanto tempo? – Um novo balançar de cabeça. – Dias? – Questiona recebendo um aceno negativo. – Semanas? – Outro aceno negativo. – Meses? – Fica desesperado ao receber novo movimento negativo de cabeça. – Anos? – Pergunta de forma hesitante e geme involuntariamente ao receber um movimento afirmativo. — Eram só vocês quatro? – Questiona preocupado, e exasperado observa a cabeça com cabelos loiros mal cortados acenar negativamente.

Angustiado e perdido no que fazer, levanta-se e começa a andar de um lado para o outro enquanto organizava seus pensamentos. Olha para os médicos e enfermeiros que lhe olhavam de forma consternada.

— Saiam todos e esperem lá fora. – Pede aos demais que lhe atendem rapidamente lhe deixando sozinho com a mulher. — Moça, preciso saber o que eles estavam fazendo com vocês. Logo após o tiroteio onde matamos todos da equipe de segurança, o pessoal de relações publicas da Akatsuki entrou em contato pedindo para não divulgarmos nada sobre o assunto. Mas nem eu e nem meu chefe queremos encobrir nada de ilegal. Se quiser ajuda precisa falar comigo. Não duvido que em pouco tempo eles estarão aqui. E pra ser sincero estou com um péssimo pressentimento desde que encontrei você e seus amigos na carroceria daquele caminhão.

Algum tempo se passa em completo silencio até que finalmente a voz baixa e hesitante da mulher encolhida no canto da sala é ouvida.

— Eles virão. Somos importantes pra eles. Virão armados e prontos para matar se for preciso.

— Certo, agora poderemos nos entender. – Comenta Pablo ao voltar a se aproximar da mulher. – O que eles faziam com vocês?

— T...testes, experiências.

— Jesus! – Exclama ao ouvir seus medos confirmados. – Para que?

Por inúmeros minutos a mulher apenas lhe olha como se estivesse lhe analisando por dentro, como se lhe estudasse. Sabia que precisava ter sua confiança conquistada para conseguir qualquer resposta, por isso, deixou sua expressão a mais clara possível sobre suas intenções.

— Vai ajudar? – A pergunta soara de forma esperançosa.

— Pode apostar que sim. Dou minha palavra que farei tudo o que puder para ajudar você e os outros.

— Precisa nos ajudar a fugir. Aqui não é seguro, eles sabem que estamos aqui e virão nos pegar. Eles nunca nos deixaram escapar, preferem nos matar a nos deixar livres, apesar de que vivos significamos muito dinheiro pra eles.

— Certo, fique calma. – Pede Pablo ao perceber a ansiedade crescendo a cada palavra dela. – Tenho mais de quarenta homens armados espalhados pelo hospital, dentro e fora. Você está segura aqui.

— Não, você não entende! – A mulher estava claramente desesperada, tanto que até mesmo se aproximou praticamente rastejando pelo chão, quase lhe tocando. – Eles virão armados. Eles mataram muitos para nos pegar, vão fazer novamente agora.

— Tudo bem. Quem eles mataram antes e por que vocês são tão importantes? – Questiona curioso.

Por novos longos minutos a mulher permanece em silencio apenas lhe olhando nos olhos, ou melhor, na alma, pois essa era a sensação que tinha ao ser analisado de forma tão profunda por aqueles olhos azulados.

— A verdade é um segredo mantido por milhares de anos. Nunca revelado a ninguém e mesmo assim conhecido por todos. Vocês acreditam se tratar de histórias para crianças, lendas que não se sabem de onde vieram, mas que são replicadas aos milhões. – Ela para por breves momentos enquanto recupera o fôlego e claramente criava coragem para continuar a falar. – Vocês acham que humanos são os únicos seres a habitar este planeta, mas estão errados.

— O que?! – Questiona Pablo confuso.

— Seres humanos e animais não são os únicos que andam sobre a Terra. Existem nós. – A ênfase na palavra deixava claro que a mulher se referia a si mesma. – Seres que são humanos, mas não completamente, são algo a mais... algo melhor... mais evoluído.

— Não entendo, do que está falando? – Ele estava realmente confuso com as palavras daquela mulher.

— Eu não sou completamente humana. – Revela quase num sussurro. – Me pareço com uma mulher normal, mas não sou. É por causa disso que me prenderam e faziam experiências comigo.

— Moça não ‘to entendo nada. Como assim você não é humana? O que é então?

— Sou o que vocês, erroneamente, chamam de lobisomem.

Por alguns instantes, Pablo apenas olha para a mulher agachada a sua frente, até que explode em uma gargalhada que não esperava dar naquela situação.

— Moça, espera que eu acredite que você é um lobisomem? – Desacreditado pergunta e com extrema ironia na voz, mas cala-se ao ver a sua frente a mão pequena e delicada da mulher se transformar diante seus olhos em uma pata com unhas compridas e mortais.

— Eu posso fazer isso com o meu corpo todo. Posso virar um lobo. Maior que os que vocês humanos já viram. E é por causa disso que fomos presos.

Pasmo, Pablo não consegue se pronunciar. Por vários minutos mantinha seus olhos fixos na mão animal que aos poucos volta a assumir a forma humana da mulher a sua frente.

— Todos vocês são assim? – Questiona tentando entender.

— Sim, nós quatro.

— O que a Akatsuki quer realmente com vocês?

— Longevidade e saúde. Quase nunca ficamos doentes e podemos viver muitos anos, mais que vocês humanos normais.

— Quanto a mais? – Pergunta curioso.

— Uns trezentos anos.

— Meu Deus! – Exclama assustado se levantando e passando a andar de um lado para o outro enquanto passava as mãos de forma desesperada pelos cabelos já muito bagunçados. – Em quantos são ao total?

— Em nossa vila éramos mais de duzentos na época que fomos capturados, mas existem mais vilas espalhadas, escondidas. Não sei ao total quantos lobos somos, mas o numero é muito menor do que o de vocês. Não costumamos nos misturar, vivemos isolados. – Explica a mulher. – Por favor, precisa nos ajudar, temos pouco tempo. – Implora desesperada.

— Certo, certo. – Diz Pablo mais para ele mesmo do que para a mulher a sua frente. – Afinal, o que devemos fazer?

— Os outros estão bem?

— Sim, estão nas salas ao lado sendo tratados, até a ultima vez que fui informado estavam inconscientes ainda.

— Eles têm de acordar. Precisamos fugir, mas não vamos conseguir se eles não acordarem.

— Vamos ver se conseguimos ir até eles então. – Fala Pablo saindo da sala de tratamento e encontrando os médicos e enfermeiros que havia pedido para se retirarem. – A moça quer ter certeza que os outros estão bem. Vamos levá-la até eles com calma.

— Mas precisamos concluir os exames. – Informa um dos médicos.

— Uma coisa de cada vez. Ela não me parece correr perigo de vida, podemos esperar um pouco para a burocracia enquanto lhe acalmamos. Vamos ver os outros agora. – Diz a ultima frase já olhando para a mulher encolhida atrás de si, ela tentava se proteger de todos os demais. – Aqui, naquela porta ao lado temos a criança que estava com vocês.

Eles atravessam o corredor e entram na sala ao lado. A moça ao ver a pequena criatura desacordada em cima da maca se aproxima com passos rápidos. Os médicos na sala apenas se afastam um pouco sem lhe impedir o progresso.

— Hanabi? – A mulher chama com preocupação e carinho. – Hanabi acorde!

— Hm?! – Um gemido preguiçoso escapa dos lábios da pequena criatura chamada Hanabi.

— Acorde Hanabi, é importante. – Pede com a voz mais firme.

— Ino? – Hanabi pergunta enquanto levava uma das mãos para esfregar os olhos.

— Sim. Precisa levantar, temos de ir até os outros.

Pablo assiste, Hanabi, se sentar sobre a maca e olhar assustada para todos que se encontravam dentro da sala e se encolher nos braços da mais velha.

— Está tudo bem, tudo bem... ele vai nos ajudar. – A mulher aponta para Pablo com esperança nos olhos e na voz. – Preciso ver os outros, por favor.

Mesmo a contra gosto dos médicos, Pablo fez questão de levar as duas para o próximo quarto onde a outra mulher se encontrava. A mesma estava acordada e se encontrava sentada sobre a maca, estava claramente assustada e olhava para todos com medo. Mas assim que viu Hanabi e Ino entrarem na sala, salta da maca e corre até as duas lhes abraçando.

— Vocês estão bem? – Pergunta preocupada.

— Sim Maya. Mas temos de ser rápidos, não temos muito tempo, logo eles estarão aqui. – Fala já olhando para Pablo. – Gaara, preciso ver o Gaara.

Eles novamente voltam a sair da sala e se dirigem para a outra porta que ficava em frente ao do quarto de Maya. O homem ruivo chamado Gaara ainda estava inconsciente e era atendido pelos médicos até que Pablo lhes pede para sair e sem opção eles o obedecem, na sala ficam apenas Pablo, Ino, Hanabi e Maya, alem é claro do desacordado Gaara. As mulheres se aproximam da maca com rapidez e tentam lhe acordar lhe chamando pelo nome ou com leves chacoalhados, mas nada foi útil para despertá-lo.

— Por que Gaara não acorda? – Pergunta Hanabi preocupada.

— Segundo o que os médicos me disseram... – Começa Pablo respondendo a pergunta. – Ele foi torturado, deve estar ferido ou até mesmo cansado, por isso não acorda. Pode levar algum tempo para ele acordar. Mas até onde sei, de saúde, ele está bem.

— Não podemos esperar ele acordar. Temos de sair daqui. A Akatsuki vai vir logo para cá. Enquanto estivermos aqui corremos perigo. – Afirma Ino com desespero na voz. – Além de estamos em perigo, colocamos todos aqui também na mira da Akatsuki. Temos de fugir, fugir agora.

— Certo, vamos manter a calma. Eu preciso pensar. – Pablo começa a andar em círculos pela sala de emergência, sabia que as três mulheres lhe olhavam esperançosas e aquilo lhe deixava mais apreensivos ainda. O mais rápido que consegue monta um plano de ação. – Certo, já sei o que fazer. – Fala pegando o rádio que estava em sua cintura e o aproximando da boca. – Atenção a todas as equipes. Estamos fechando o hospital. Ninguém mais entra no prédio. Toda e qualquer aproximação deve ser barrada. Quero um bloqueio na quadra. Atiradores em posição. A coisa vai ficar feia em breve. Equipes dentro do prédio devem ajudar a transferir civis, funcionários, médicos e pacientes para a ala Sul do hospital. Quero uma equipe de dez homens lhes protegendo e isso pra ontem. Os demais se espalhem pelo prédio. Armamento completo. Estamos prestes a ser atacados pela equipe de assalto da Akatsuki e eles virão com tudo, não permitam a aproximação deles. Vigiem ar e terra. Quero uma equipe armada nas salas de emergência em dois minutos. VÃO! – Ao concluir suas ordens, Pablo respira fundo e pensa “Meu Deus, o que estou fazendo?” — Certo, agora vocês. Vamos ir para o estacionamento subterrâneo do prédio. Lá vamos esperar a chegada daqueles que querem vocês.

OoOoOoOo

Sakura se debatia na cama tentando livrar-se do pesadelo que a atormentava enquanto dormia, não que ela soubesse que estava apenas dormindo. Pois seu pesadelo era tão real que não lhe lembrava um sonho.

Ela não conhecia aquele lugar, uma floresta, mas sabia exatamente onde estava. Sabia que aquela era ‘sua’ casa. E ‘sua’ casa estava sob ataque.

Era noite quando os humanos chegaram, sem dar-lhes tempo de se defenderem. Ela corria de encontro a seus atacantes, mas ela não corria como um humano e sim como um lobo, ela sabia que estava na forma de um grande e negro lobo e atacava sem piedade a todos os inimigos que encontrava pelo caminho. Não perdia tempo com um único humano, partia-lhe rapidamente a garganta e assim buscava um novo alvo.

Sua respiração estava agitada, sentia o gosto de sangue em sua boca e seu coração estava apreensivo. Medo lhe corria as veias. Medo por seu povo, sua matilha, sua família e principalmente sua companheira. Desde que o ataque havia iniciado não havia visto mais ela. Sabia que a mesma estava ajudando os mais fracos a encontrar abrigo e segurança. Queria estar com ela, queria garantir que ela estava bem e que assim permaneceria. Ela era sua alma, se algo acontecesse a ela não teria mais porque continuar vivendo.

Agonia lhe corre pelo corpo ao sentir sua carne ser ferida. Um dos projéteis humanos havia lhe ferido na perna o que diminuía a sua velocidade e o deixava mais suscetível a captura de seus inimigos. E ele sabia que era isso que eles queriam, queriam seu povo vivo, porque? Isso ele não sabia, ainda.

Com sua velocidade comprometida, sabia que era apenas questão de tempo até ser subjugado. Preferia mil vezes ser morto do quer ser capturado, não sabia o que lhe aguardava e tinha medo de descobrir. Por isso, não teve piedade em ser o mais brutal e cruel que conseguiu. Mas infelizmente isso não durou muito tempo. Não até que os humanos começaram a lhe acertar com novos projéteis, esses não doíam tanto como o primeiro que lhe arrancava sangue. Esses novos, lhe deixavam zonzo, cansado e lento. Foi apenas questão de minutos até que estivesse caído no chão sem forças para se levantar ou se defender quando finalmente os humanos se aproximaram. Seu corpo, não tinha mais condições de manter a transformação lupina, logo voltando a sua forma humana, caída no chão e indefesa.

Foi algemado nas mãos e pés, sua boca amordaçada e seu corpo içado e levado para uma aeronave onde foi jogado de qualquer forma no chão duro e frio. A sua frente havia um banco onde um homem estava sentado. Mesmo devido a escuridão da noite conseguiu, graças as suas habilidades lupinas, enxergar com perfeição seu algoz, mas infelizmente seu corpo não conseguia mais reagir a nada, sua mente mal conseguia acompanhar o que lhe acontecia ao redor.

Seu inimigo estava sentado de forma descontraída, seus longos cabelos caiam parcialmente sobre o rosto. Seu rosto era fino e em seus finos lábios estava um sorriso, o mais cruel que já vira na vida.

— Muito bem, conseguiram o mais importante, um alfa. Isso é maravilhoso. Espero que esteja preparado para sua nova vida, alfa.

A voz daquele homem era fria e cruel, cheia de sarcasmo e deboche e naquele momento sabia exatamente que havia encontrado o pior demônio que já vira em vida.

Assustada, Sakura senta-se na cama olhando para todos os lados com medo procurando por alguma ameaça. Respira fundo quando finalmente consegue se lembrar de onde estava, que estava ‘segura’ naquele quarto. O mesmo estava claro, o sol brilhava do lado de fora.

— Foi apenas um sonho. – Disse para si mesma em voz alta tentando se acalmar.

Mas suas palavras não soaram firmes o suficiente para lhe convencer. Sabia que aquilo não havia sido um sonho. Mais parecia uma lembrança, mas não sua. Estava confusa e de certa forma preocupada, queria respostas, mas não tinha ninguém ali para dá-las, estava sozinha. E naquele momento, ficar sozinha não era algo que quisesse. Por mais estranho que parecesse queria que alguém estivesse ali, que lhe falasse algo, que lhe acalmasse de alguma forma. E sem saber o porque, a imagem do moreno que lhe atacara vem a mente da mesma forma que uma grande necessidade de lhe encontrar. E sem pensar no que estava fazendo, afasta as cobertas que lhe cobriam e com os pés descalços anda apressada até a porta, rezando para que a mesma não estivesse fechada. Um suspiro de alivio escapa de seus lábios ao girar a maçaneta e a porta não apresentar resistência. Ainda sem pensar no que estava fazendo, apenas comanda suas pernas a se moverem de forma apressada pelo corredor vazio e frio do hospital.

— Aonde pensa que vai? – Uma voz masculina e forte lhe sobressalta ao vir de sua retaguarda.

Assustada e sobressaltada, vira-se para o homem que lhe falara enquanto levava as mãos ao coração na tentativa infrutífera de lhe acalmar as batidas. Agora a sua frente estava um homem alto e forte, seus cabelos eram de um castanho claro e eram cortados de forma a ficarem arrepiados.

— Onde estava indo? Estava tentando fugir novamente? – Pergunta novamente o homem ao se aproximar mais alguns passos, mas ainda sim mantendo certa distancia. Em seu rosto um olhar de desconfiança.

— Eu..eu... – As palavras haviam escapado de sua mente. Não conseguia pensar em nada sobre o que falar. Seu coração estava agitado, não apenas devido ao susto. Havia uma necessidade urgente de encontrar aquele homem, tinha vontade até mesmo de chorar apenas por ele não estar ali quando acordara e isso lhe assustava e confundia.

— O que está acontecendo Yamato? – A voz de Tsunade chega aos dois vindo das escadas do final do corredor para onde Sakura estava indo.

— Ela estava tentando fugir novamente. – Explica o homem à recém chagada.

Sakura queria dizer que era mentira, que não estava tentando fugir, mas não conseguia encontrar sua voz.

— Sakura, quando vai entender que não é possível fugir? – Pergunta a mulher de forma cansada.

Sakura olha de Tsunade para Yamato enquanto tentava encontrar as palavras novamente.

— Eu não... eu não ia fugir. – Tenta explicar de forma confusa. As imagens de angustia de seu sonho ainda lhe atingiam como a necessidade desesperadora de encontrar aquele homem, de se sentir protegida, segura. Precisava dele, e isso lhe assustava ainda mais, pois o temia. Mas seu medo no momento era o menor de seus problemas. A necessidade daquele homem e de se sentir segura era maior.

— Se não queria fugir, pra onde estava indo? – Pergunta Tsunade se aproximando da rosada.

— Dói. Eu preciso... – Fala olhando desesperada para as escadas tentando explicar sua necessidade de sair dali, sendo que não conseguia encontrar as palavras.

— Está com dor? O que dói? – Pergunta Tsunade preocupada.

— Ele, eu quero ele. – Apenas jogava as palavras de forma confusa. – Ele não está aqui. Eu quero ele.

Sakura nota o olhar de Tsunade mudar com suas palavras, ficou claro que ela finalmente havia lhe entendido.

— Certo, querida, está tudo bem. Vou trazer-lo aqui pra você. Apenas fique calma, sim?! – Pede de forma tranquila. – Yamato, poderia pedir ao Alfa vir o mais rápido possível?

— Certo. – Fala o homem dando alguns passos atrás e retirando um radio, não se sabe de onde, e começa a falar com a voz baixa, mas nunca perdendo a rosada de vista.

— Sakura, vamos voltar para a cama? Você deve estar com frio, está descalça querida. – Fala com a voz calma.

— Não... ele não está aqui. – Lágrimas juntam-se nos olhos esverdeados e não tardam a escorrer pelo rosto pálido da rosada. – Eu não entendo, dói. – Mais lágrimas escorrem por seu rosto enquanto ela se encolhe contra a parede e se agacha abraçando as pernas. – Ele foi embora.

— Ele virá querida, daqui a pouco ele estará aqui com você e esse medo vai passar. Vai ficar tudo bem.

Sakura não conseguia entender as palavras de Tsunade. Ela só conseguia se concentrar em sua própria dor e angustia. As imagens de seu sonho ficavam passando por sua cabeça da mesma forma que a necessidade desesperadora de estar nos braços fortes e seguros, dele. Lágrimas de desespero escorrem por seu rosto e pescoço. Minutos se passam até que seus ouvidos captam seu nome ser chamado ao longe e ao erguer a cabeça finalmente o encontra, ali estava ele, não estava sozinho, mais três homens estavam com ele. Mas o que lhe importava é que ele finalmente estava ali. E sem perceber o que estava fazendo, solta suas pernas e começa a engatinhar em sua direção.

OoOoOoOo

Sasuke estava sentado confortavelmente em uma mesa tomando seu café da manhã em uma lanchonete no centro da aldeia de Konoha, não estava sozinho. Contava com a companhia de Kakashi, Inoichi e Shikamaru. Colocavam em dia os assuntos da aldeia. O alfa tentava a todo o custo ocupar sua mente para não ficar pensando em sua companheira. Queria estar com ela naquele momento, mas sabia que não deveria ficar lhe cercando. Devia lhe dar espaço para conseguir se acalmar e habituar-se com sua nova realidade. Não queria mais lhe assustar, por isso estava ali, tentando manter-se distante e ocupado com os assuntos que necessitavam de sua atenção como líder. Quando seu rádio dá sinal de vida lhe deixa em alerta ao reconhecer a voz de Yamato. Sabia que ele estava fazendo turno no hospital naquele momento e isso lhe deixou apreensivo.

— O que houve Yamato? – Questiona o alfa preocupado.

— É a humana Sasuke, está agindo estranhamente. Tentou fugir. E agora está chorando. Tsunade está tentando lhe acalmar. Mandou lhe chamar.

— Droga. – Ruge Sasuke. – Estou indo.

Sem dizer uma única palavra, se levanta e parte imediatamente para o prédio do hospital e sabia que estava sendo seguido por seus homens. Menos de três minutos depois estavam passando pelas portas do prédio médico e ao cheirar o ar logo identifica o cheiro de sua companheira vindo do segundo andar. Com passos apressados sobe de três em três os degraus logo encontrando sua companheira encolhida no canto, junto a parede. Tsunade próxima a ela, agachada tentando lhe acalmar, e um pouco distante estava Yamato assistindo a cena.

— Sakura. – Chama de forma altiva o nome de sua companheira atraindo a atenção de Tsunade que visivelmente se alivia com sua chegada. Nota o momento que a rosada também reage a sua chegada. E preocupado vê sei rosto cheio de lágrimas.

Surpreso, fica paralisado ao ver sua companheira se afastar da parede onde estava encolhida e engatinhar em sua direção, sem nunca desviar seu olhar. Não havia medo neles e isso lhe deixou surpreso.

— Sasuke. – A voz de Tsunade chega a seus ouvidos, mas ele nunca ousaria desviar o olhar de sua companheira que ainda se aproximava de forma precária. – O elo. Ela o está sentido, precisa de você. Acalme-a.

Rapidamente o moreno entende o que estava acontecendo, sua companheira estava lhe procurando. Precisava de si e sem pensar em mais nada se aproxima dela e se abaixa quando a alcança, rapidamente lhe envolvendo com seus braços. Ele sente as pequenas e frágeis mãos de Sakura lhe agarrando a camisa de forma desesperada enquanto escondia o rosto de encontro a seu pescoço e espirava com força seu cheiro. Sabia o que aquilo significava e seu lobo estava nas nuvens naquele momento.

Não sabia dizer quanto tempo ficaram ali, no chão, com sua companheira nos braços, mas só afrouxou o aperto sobre Sakura quando sentiu que ela já não estava mais tão angustiada como antes.

— Sasuke. – A voz de Tsunade chega aos ouvidos de Sasuke lhe atraindo a atenção. – Precisa levar a Sakura para a cama. O chão é muito frio para ela ficar.

Ele concorda com um movimento e cabeça e com movimentos lentos e seguros transpassa um dos braços sobre os joelhos da mulher em seus braços, enquanto apoia suas costas e com algum esforço consegue lhe ajeitar nos braços enquanto se levantava e a levava para o quarto e a colocava sobre a cama.

OoOoOoOo

— É o que eu estou pensando Tsunade? – Pergunta Yamato quando todos já estão dentro do quarto.

— Sim Yamato. Sakura é a companheira de Sasuke, descobrimos isso ontem.

— Então ela não estava tentando fugir agora a pouco. Estava tentando encontrá-lo. – Diz em voz alta finalmente compreendendo o comportamento estranho da humana.

— Isso mesmo, algo aconteceu que a deixou com medo. E quando o medo a dominou ela precisava se sentir segura e somente seu companheiro poderia lhe dar essa segurança, mesmo sem saber ela procurava por Sasuke.

— Ela parece mais calma agora. – Comenta Kakashi enquanto assistia seu ex-aprendiz ainda confortando sua companheira.

— Sim. Mas alguma coisa ativou seu medo. Precisamos descobrir o que foi. – Comenta Shikamaru.

— Sim. Vamos ter de ir com calma. – Comenta Tsunade. – Inoichi poderia tentar descobrir o que aconteceu? Sakura parece confiar em você mais do que em mim.

— Claro. – Aceita o conselheiro ao se aproximar alguns passos da cama e parar aos pés da mesma. – Sakura? – Chama com calma para não lhe assustar ainda mais. – Sakura, pode olhar para mim? – Ele espera alguns instantes até finalmente ter os olhos esverdeados sobre si.

— Pode nos contar o que aconteceu? Alguma coisa lhe deixou com medo, pode dizer o que foi?

Todos no quarto notam o quanto ela ainda estava abalada e se agarrava as roupas de Sasuke com desespero atrás de alguma segurança.

— Um sonho... sonho ruim. – Sussurra enquanto escondia o rosto sobre o peito do moreno que lhe acariciava as costas e os cabelos.

— Pode nos dizer sobre o que era esse sonho ruim que lhe deixou com medo? – Pede Inoichi tentando entender a situação, porque um sonho lhe afetara tanto?

— Está tudo bem, eu estou aqui agora. – Fala Sasuke ao sentir a rosada lhe apertar ainda mais atrás de segurança. – Nos diga, por favor, o que aconteceu Sakura.

— Parecia real. Muito real. Eu ainda sinto o medo, a dor e a angustia. Sinto o gosto de sangue em minha boca. Sinto meu corpo cansado de tanto correr e lutar.

— Correr e lutar? – Pergunta Sasuke confuso.

— Eles atacaram à noite. Eu lutei, mas eu não era eu. Eu era um de vocês. Eu matei os homens que estavam nos fazendo mal. Rasguei suas gargantas. Tinha tanto sangue... a dor, senti muita dor quando fui ferida. Depois veio a confusão, eu não controlava mais meu corpo, estava cansada e com sono, não conseguia pensar direito. Só queria morrer, queria morrer, porque sabia que não teria mais minha liberdade. Eles me levaram e ele estava lá, o culpado de tudo aquilo. Orochimaru... Ele estava rindo porque tinha me capturado viva. Mas ele não falava de mim. Falava de outra pessoa, eu era outra pessoa.

— Itachi. – Diz Inoichi ao entender as palavras de Sakura. – O que você teve não foi um sonho Sakura, foi uma lembrança do dia em que nossa antiga aldeia foi atacada e do Itachi sendo capturado.

— Merda! – Praticamente ruge Sasuke enquanto apertava sua companheira ainda mais em seus braços.

— Eu não entendo. Como? – Pergunta a rosada.

— Quando Itachi lhe mordeu no pescoço ele criou uma espécie de ligação entre vocês. Enquanto Itachi estiver vivo e essa ligação não for quebrada você, às vezes, terá acesso as suas antigas lembranças. Lembranças do que ele viveu antes de te morder.

O quarto fica em silencio por algum tempo após as palavras de Inoichi. Sakura tentava entender aquelas palavras, aquele mundo em que fora parar era tão confuso.

— Tem como parar isso? – Pergunta esperançosa e angustiada. – Eu não quero lembrar o que ele passou. Não quero ele na minha cabeça. Eu quero ele bem longe de mim. Eu faço qualquer coisa, por favor.

Inoichi olha para Sasuke procurando por orientação, aquela era uma pergunta que possuía uma resposta perigosa para a rosada. Ela poderia ficar mais traumatizada com a solução do que continuar do jeito que estava no momento.

— Sakura. – A voz de Sasuke era calma e baixa quando chamara sua atenção. – Tem como parar isso. Mas é complicado e por mais que eu queira que você quebre a ligação com o Itachi, talvez você não goste de como isso deve ser feito. Não quero que me tema mais ainda.

Já mais calma, Sakura se afasta dos braços de Sasuke e lhe olha nos olhos. Estava confusa, ainda não conseguia sentir medo dele. Ainda sentia a necessidade de estar perto dele, sabia, de alguma forma, que ele era o único que a deixaria em segurança e isso era confuso.

— Como? O que deve ser feito? – Pergunta querendo saber do que eles estavam falando. No momento a única coisa que importava era quebrar essa ligação, não queria nada mais daquele monstro que lhe fizera mal, muito menos as suas lembranças.

Sasuke olha para todos no quarto antes de voltar a concentrar sua total atenção em sua companheira. E olhando nos olhos, revela como quebrar a ligação indesejada com seu irmão.

— O ritual de Acasalamento. É o único jeito de quebrar a ligação com Itachi. Você deve se ligar a seu companheiro... ‘EU’.

... Continua!

Notas finais
Espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar.