Lobos

14 Ritual de Acasalamento


14º Capitulo – Ritual de Acasalamento

Seu cérebro havia ‘bugado’ com as últimas palavras de Sasuke. Sakura tentava encontrar nos olhos do moreno a poucos centímetros de si o entendimento para suas palavras. Minutos se passam onde ela não consegue encontrar sua voz e o entendimento finalmente vai lhe atingindo aos poucos. Sem perceber começa a hiper-ventilar enquanto se afasta de modo lento daquele que até a pouco, lhe garantia a sensação de segurança, mas que agora começava a lhe deixar apreensiva.

Não poderia ser o que ela estava pensando, devia ter chegado a conclusões erradas, era a única explicação possível. Eles não poderiam estar querendo que ela fizesse sexo com Sasuke, não mesmo, ela estava enganada com certeza.

— Fique calma Sakura. – Pede Tsunade ao perceber sua reação.

A voz da médica mal atinge Sakura que estava perdida em muitos pensamentos controversos. Mais tentando entender o que estava acontecendo ali, se obriga a recuperar a voz e olha para Sasuke a procura de respostas.

— Você quer... quer fazer sexo comigo? É isso? – Sua voz soava assustada.

— Não Sakura. – Garante Sasuke rapidamente tentando acalmar sua companheira. – O Ritual de Acasalamento não é apenas sexo, é muito mais.

— Explique... Inoichi. – Pede a rosada olhando para aquele que sempre conseguia lhe fazer entender o que estava acontecendo.

Sasuke se afasta de Sakura saindo da cama para lhe dar espaço, não queria lhe assustar, não agora que ela estava começando a demonstrar que o queria por perto.

— Ao te morder, Itachi a marcou como ‘dele’. – Inoichi fez questão de pontuar a palavra com o sinal de aspas. – Nós, Lobos, fazemos isso para criarmos um vínculo com nossos companheiros. Nós acreditamos em almas gêmeas. Passamos a vida na espera de nossas metades e quando a encontramos não a largamos mais. Nós podemos reconhecer nossos companheiros, pelo cheiro e pelo olhar, uma espécie de ligação é feita no primeiro encontro que garante que nos reconhecemos, quando isso não funciona, os sonhos nos ajudam a perceber a ligação. – Explica olhando para Sasuke, o que fez com que a rosada franzisse a sobrancelha ao não entender o gesto. — Nossos companheiros não são necessariamente lobos como nós. Podem ser humanos como você ou bruxos. E sim, existem bruxos andando por aí, é raro encontrá-los, pois eles são muito bons em se esconder, mas eles existem. – Explica rapidamente de forma divertida ao ver a boca de Sakura se abrir em um ‘O’ com a informação.

— Se me permite Sakura. – Pede Tsunade. – Eu era humana quando trabalhei para a Akatsuki e ajudei a resgatar a todos que estavam presos naquele laboratório. Depois de nos estabelecermos aqui e começarmos a construção da nova Konoha, Sasuke junto aos demais conseguiram salvar alguns de outro laboratório, dentre eles estava o Dan, meu companheiro, não que eu soubesse disso na época, é claro. Quando eles chegaram Dan estava muito ferido, quase morto e estava em coma. Como médica, atendi a todos, mas quando cheguei no Dan fiquei desesperada em ver seu estado. Já tinha visto alguns mais feridos do que ele, mas me machucava vê-lo naquele estado. Eu fiquei obcecada em ajudá-lo. Não saía do seu lado, fazia questão de estar ali. Eu não sabia da ligação ou o que estava acontecendo comigo, havia apenas aquela necessidade de estar ali com ele e garantir que ele se recuperasse a qualquer custo. Dias depois Dan finalmente acordou e eu estava lá. – Fala sorrindo ao se lembrar do dia. – Eu fui a primeira pessoa que ele viu quando despertou e me reconheceu na hora. Aos sussurros me chamou de companheira.

— Muitos vivem sem encontrar seus companheiros, mas a necessidade da carne pede que eles arranjem um. – Continua a explicar Inoichi. – Aí é quase como vocês humanos fazem, nós nos envolvemos com aquele com quem mais temos afinidade e em total concordância é feito a ligação de companheiros, não é tão forte como aqueles que são almas gêmeas, mas lhes permite ficarem juntos e serem felizes.

— Vocês encontram com facilidade seus companheiros? – Pergunta Sakura de forma curiosa, aquilo de certa forma era mágico.

— Digamos que cinquenta por cento do tempo sim. Queríamos que fosse mais, mas nem sempre todos têm a felicidade de encontrar seus companheiros como nós tivemos.

Todos ficam mais aliviados ao verem que Sakura, até o momento, estava acompanhando as explicações de forma tranquila e sem apresentar muitas ressalvas.

Sakura abaixa a cabeça e se permite algum tempo para processar as informações que havia recebido. Aquilo de certa forma era bom e emocionante. Encontrar a sua alma gêmea sem erro deveria ser muito bom, que pena que os humanos não conseguiam reconhecer os seus com tanta facilidade.

De repente, dois momentos atingem Sakura como raio. Primeiro na floresta e depois naquele quarto quando a palavra ‘companheira’ havia sido destinada a si pelo Alfa. Assustada, ergue a cabeça e olha diretamente para Sasuke o analisando com cuidado por alguns instantes. E em seus olhos encontra facilmente a resposta para a muda pergunta.

— Não. – Sussurra sem nem perceber. – Não. – Diz com mais força ao recusar o pensamento. – Não pode ser. – Lágrimas se juntam rapidamente nos olhos da rosada que mal consegue enxergar o vulto do moreno a quem encarava. – Diz que é mentira. – Pede de forma desesperada. – Não você.

Partiu o coração de Sasuke ver a reação de sua companheira ao saber da ligação. Em seu rosto, um misto de sentimentos foram facilmente interpretados: confusão, incredibilidade, medo e súplica. Queria se aproximar e tomar Sakura em seus braços, mas conseguiu se controlar e permanecer no mesmo lugar ao lado da cama.

— Sim, você é a minha companheira Sakura. – Confirma após inspirar com força.

Um miado dolorido escapa dos lábios de Sakura ao ouvir a confirmação de Sasuke. Ela não estava com medo, estava ‘machucada’ ao saber que aquele que a ferira era sua alma gêmea. Ela se encolhe abraçando os joelhos e escondendo o rosto.

— Sakura, olhe pra mim, por favor. – Pede Inoichi ai ver a reação dolorida dela.

Sakura não queria olhar pra ninguém naquele momento, queria apenas se encolher e chorar até não poder mais, por isso não fez o que lhe fora pedido.

— Sakura, vou me aproximar, não tenha medo de mim.

Informa Inoichi ao perceber que não conseguia fazer com que a rosada reagisse. Com passos calmos ele se aproxima da cama, e com cuidado toca os cabelos da mulher lhe acariciando os fios rosados. Um movimento no quarto chama a atenção do conselheiro que vê a aproximação de Kakashi que segura o ombro esquerdo de Sasuke com força. Inoichi não estranha ao ver o olhar irritado de Sasuke direcionado a si. Sabia que seu alfa estava com ciúmes. Mas no momento quem mais lhe importava era a humana ao qual estava muito afeiçoado, por isso, com cuidado senta-se ao lado dela e lhe puxa para um abraço que não é rejeitado. Sente a camisa que vestia se encharcar com as grossas lágrimas que escorriam.

— Está tudo bem Sakura. Eu sei porque está chorando e posso explicar o porque está tão confusa. – Fala sem parar de acariciar os cabelos femininos. – Você não aceita ter Sasuke como alma gêmea porque acha que ele vai te ferir, como fez antes. – Sente as pequenas mãos humanas agarrarem suas roupas com desespero. – Fique calma. Tem uma explicação para a reação dele.

— Qual? – Pergunta Sakura sem parar de chorar e nem de largar o conselheiro.

— Nós somos possessivos, o que é nosso, é nosso. Simples assim. É instinto animal básico. Sasuke não te reconheceu no primeiro momento.

— Você cheirava a sangue naquele dia e meu nariz estava comprometido devido ao cheiro de pólvora que usamos para explodir algumas portas. – Explica Sasuke com a voz controlada. – E quando te vi, senti algo estranho, só que não reconheci o sinal, estava com a adrenalina muito alta nas veias para perceber a ligação. Só fui perceber que era minha companheira horas depois quando sonhei com você. Quando acordei vim correndo atrás de você e quando te vi reconheci a ligação. Você estava inconsciente ainda.

— Nós somos meio neuróticos com a segurança de nossos companheiros, principalmente nós machos. Sasuke nunca mais vai lhe machucar Sakura. Será a missão da vida dele garantir que você esteja em segurança o tempo todo. Todos os machos são assim. – Garante Inoichi com firmeza. — Sasuke só lhe agrediu por causa da marca do Itachi.

Mais calma e curiosa, Sakura se afasta dos braços de Inoichi e o olha com confusão.

— Cada lobo tem um cheiro característico. Ao marcar você, Itachi deixou o cheiro dele em você. Não é na pele, é no sangue. – Explica com calma ao ver Sakura levar o pulso ao nariz para cheirá-lo. – Ninguém reconheceu o cheiro de Itachi em você porque estamos a muitos anos afastados, meio que esquecemos o seu cheiro. – Explica com certo lamento na voz. – Sasuke não te reconheceu de forma consciente, mas o inconsciente dele te reconheceu na hora. Por isso, na sala de interrogatório, ele perdeu a cabeça. Você estava acusando seu irmão de algo monstruoso, o qual nenhum de nós queríamos acreditar. Mas para ele foi mais monstruoso ainda, porque ele ‘sabia’ quem era você e seu irmão era o culpado da marca em seu pescoço. Itachi havia marcado o que era dele, mesmo que ele não soubesse.

— Itachi ter te marcado é inaceitável. – Diz Sasuke, sua voz soando ferida.

Sakura morde o lábio inferior ao lembrar-se de um momento de seu martírio. E de forma inconsciente deixa sua voz replicar o que foi dito.

— ‘Você pertence a ele, deve viver’.

— O que são essas palavras Sakura? – Pergunta Inoichi confuso.

— Foi o ele disse depois de me morder. – Explica suas palavras.

Inoichi olha para Sasuke, elas confirmavam suas suspeitas. Itachi havia, sim, reconhecido a companheira do irmão e a havia marcado para protegê-la de alguma forma.

— Entendo. – Garante Inoichi sua voz soando cuidadosa. – Por mais que você não acredite Sakura, tenho certeza que Itachi não queria fazer o que fez com você, ele foi obrigado a agir daquele jeito.

— O quê?! – O questionamento havia saído assustado e ultrajado enquanto a rosada se afasta dos braços de Inoichi impondo espaço entre eles. Seu comportamento deixava claro que não concordava com aquelas palavras. – Não tinha arma nenhuma apontada pra ele, ninguém o estava ameaçando, pelo contrário, ele parecia fazer o que queria enquanto Kabuto é que ficou surpreso por ele estar me ferindo. Foi ele quem exigiu, dias depois, que me levassem a ele novamente, não foi Kabuto que me levou, ele PEDIU pra me levar a ele. – Ela se recusava a pronunciar seu nome. — Ele é um monstro, um monstro, nada mais que isso. Não achem que de alguma forma vou perdoá-lo pelo que fez. Ele é um ser desprezível que eu odeio como nunca odiei nada em minha vida. O odeio mais do que a Akatsuki.

— Calma Sakura, por favor. – Pede Inoichi, sem tentar lhe tocar novamente.

— Maya, esse é o nome da companheira do Itachi. Acreditamos que estejam chantageando Itachi, ameaçando machucá-la pra que ele colabore. – Intervém Kakashi logo se arrependendo ao receber um olhar mortal da rosada.

— Pouco me importa se aquele monstro tem ou não companheira ou que estejam ameaçando a vida dela. Espero que eles a matem só pra fazer ele sofrer. Ele merece toda a dor que existe pelo que me fez. – As frias palavras de Sakura chocam ela mesma pela violência.

O ar no quarto ficou rapidamente frio, da mesma forma que a expressão de cada um dentro dele. Cada um, chocado de alguma forma com a violência daquelas palavras e do sentimento que elas transmitiam.

— Eu não quero aquele desgraçado na minha cabeça. Eu não quero ver o que ele passou, ou o que sentiu. – Continua Sakura após alguns instantes que usou para recuperar o fôlego. – Explique, o que é esse Ritual, exatamente.

O pedido choca a todos, principalmente a Sasuke que não o esperava. O alfa tinha de admitir que agora estava com medo. Medo da reação de sua companheira ao descobrir que mesmo que quebrasse a ligação com seu irmão, permaneceria ligada a ele de alguma forma pelo filho que carregava. Como Sakura reagiria ao saber que estava carregando um filho do homem a quem ela declarava abertamente odiar? Por um breve momento questionou sua decisão de manter a gestação. Isso com certeza geraria um imenso conflito entre eles. Se ela já o desgostava, imagina o que passaria a sentir quando descobrisse o que lhe escondem? Mas seu coração sangrava ao pensar em dar permissão para o aborto, aquele era seu sangue, não podia desistir dele.

— O ritual é feito na lua cheia, os três dias em que ela está em seu esplendor máximo. Sempre inicia-se à meia-noite. Na primeira noite é feito a purificação, ambos devem se banhar em águas correntes limpas. Depois algumas ervas são queimadas juntas como incenso, mirra, manjericão e verbana que são as principais para ajudar na limpeza espiritual e psíquica. Vocês devem ser banhados nessa fumaça por vários minutos. Enquanto isso, em uma banheira feita de forma artesanal, será preparado um banho com a água corrente onde vocês se banharam antes. Nessa água serão misturadas mais ervas para a limpeza do espírito, corpo e mente. Da mesma forma que para fortalecimento. Usamos espada de São Jorge, cravo, guiné, bambu entre outras ervas. Ao total, são cerca de três horas de ritual, onde os banhos devem ser repetidos três vezes o de fumaça e o da banheira, sempre renovando a água. Depois disso, o primeiro dia do ritual se encerra e vocês devem ir para casa. Onde será feita uma purificação do local, enquanto vocês estão fazendo o ritual no rio. Vocês ficarão ‘enclausurados’ até o dia seguinte, sem contato com ninguém. Se for necessário que alguém se aproxime, essa pessoa deve ser banhada pela fumaça para a limpeza do corpo e espírito.

— Certo, isso não parece difícil, posso fazer sem problema. – Concorda Sakura.

— No segundo dia do ritual, na mesma hora. Vocês devem repetir o processo realizado na noite anterior, mas somente uma vez. Depois disso, em uma clareira, deve ser feito uma fogueira. Como se trata da união do alfa, toda a alcatéia deve estar presente, em forma animal. Somente aqueles que celebram a cerimônia, os anciões, ficam na forma humana. Será feito uma cerimônia que deve ser proclamada na língua antiga, é como se fosse o seu latim, uma língua morta usada apenas em cerimônias. Ambos devem mastigar um cravo durante a pronúncia das palavras sagradas. Depois devem tomar uma infusão feita de calêndula, flor de maracujá e arruda. Uma espécie de dança é iniciada em torno da fogueira. Os anciões depois disso devem tomar a frente, normalmente eles apenas iriam banhar vocês novamente com a fumaça de ervas. Mas como você foi marcada, devemos fazer uma nova etapa para quebrar essa ligação, ou melhor, começar a quebrá-la. Um corte será feito sobre a marca que ele fez em você, sangue deve escorrer como sinal de limpeza. Sasuke irá cortar a mão e pressionar o sangue dele sobre o seu ferimento para misturar seus sangues assim fazendo que eles comecem uma ligação mais forte do que a que possui com Itachi. Esse processo será doloroso, pois a magia de Itachi em você tentará rejeitar o sangue do Sasuke.

— Doloroso quanto? – Questiona Sakura preocupada.

— Muito, mas não ao ponto de fazê-la desmaiar. — Explica calmamente Inoichi. – O processo deve durar pelo menos uma hora, será cansativo. – Esclarece permitindo um tempo para Sakura processar as informações.

— Esse é mais difícil, mas se for pra não ter mais nada com aquele homem eu consigo aguentar. – Decide olhando com determinação para Inoichi. – É só isso?

— A primeira parte sim. Depois disso vêm a segunda parte. Nessa etapa você deve enfraquecer ainda mais o elo com Itachi, mas será feito após o regresso de vocês à casa. Durante a noite e o dia seguinte, você e Sasuke têm de ‘interagir’ entre vocês. – Informa com certo receio da reação da rosada com suas palavras.

— O que quer dizer com ‘interagir’? – Pergunta Sakura com medo de ouvir a resposta.

— Você precisa se aproximar, fisicamente, do Sasuke. Até esse momento, sua ligação com o Itachi ainda existirá, e é importante que a mesma acabe antes da próxima etapa do ritual na noite seguinte. A mistura do seu sangue com o de Sasuke irá enfraquecer essa ligação. Mas somente o envolvimento entre vocês irá realmente dar fim ao elo.

— Eu tenho de ‘dormir’ com ele? – Pergunta em um sussurro assustado.

— Não, apenas interação física, íntima, é o suficiente para quebrar a ligação com Itachi, ainda mais que Sasuke é seu companheiro de alma. – Esclarece Inoichi vendo o alívio que Sakura transmite ao ouvir suas palavras. – Essa ‘interação’ entre vocês deve durar a noite e o dia seguinte até o horário da última parte do ritual.

— A-acho que posso fazer isso. – As palavras de Sakura saem fracas e sem muita convicção.

— A terceira noite será a mais complicada para você Sakura. – Informa se afastando da cama, sendo imitado por todos no quarto, inclusive Sasuke. Não queriam estar perto dela quando a verdade fosse revelada. – O ritual, no início, será como das demais noites. Banho de fumaça, mergulho nas ervas e depois uma nova cerimônia, dessa vez todos estarão na forma humana. E nessa noite será realizada uma cerimônia muito parecida com os casamentos dos humanos. Nessa cerimônia a ligação entre você e Sasuke será feita com magia. Suas almas serão entrelaçadas. No final da cerimônia, Sasuke, irá te morder no pescoço, para lhe marcar como sua companheira. Haverá celebração e depois vocês irão se recolher. E antes da noite se encerrar, a união deve ser consumada.

Choque corre pelo rosto de Sakura que imediatamente fica pálida.

... Continua!

Notas finais
Espero que tenham gostado desse tira gosto... estava a muito tempo sem postar e estava me sentindo mal por isso.... sei que foi pequeno, mas compenso no próximo... promessa!!!