Lobos

11 Roda do Destino


Notas iniciais
Prometo responder os comentários do capitulo anterior em breve!

11º Capitulo – Roda do destino

O calor os sufocava, o escuro lhes deixava apreensivos e a fome os atormentava e enfraquecia, apesar de que já estavam acostumados, afinal eram anos sem saber o que era uma verdadeira refeição. Estavam algemados de forma a imobilizar qualquer possível movimento de seus braços e pernas. Não sabiam há quantas horas estavam presos naquele caminhão, mas sabiam que eram muitas, pois a medicação que haviam aplicado antes de serem embarcados já havia passado a algum tempo permitindo que seus sentidos e instintos ficassem no máximo.

— Pra onde será que estão nos levando? – Questiona uma das mulheres, cortando o silêncio em que se encontravam.

— Provavelmente para um lugar pior do que estávamos. – Comenta a voz masculina de forma miserável.

— Vocês nunca foram transferidos antes? – Questiona outra mulher, sua voz era serena mesmo na situação em que se encontrava.

— Não, é a primeira vez que saio do laboratório desde que fomos capturados. – Explica a primeira mulher, em sua voz ficava clara sua tristeza.

— Eu também. – Explica uma nova voz feminina, só que mais infantil.

— Nenhum de nós nunca foi transferido, apenas você Maya. – Explica o mesmo homem, sua voz não soara muito paciente daquela vez.

— Passei por três laboratórios, esse será o quarto. Nunca fica melhor, é a mesma coisa em todos eles. – Relembra de forma desanimada.

— Será que algum dia iremos voltar pra casa? – Questiona a criança aos adultos de forma triste e sonhadora.

— Não crie esperança, Hanabi. – Desacredita o homem de forma séria.

— Não diga isso, Gaara. – Repreende a primeira voz feminina. – Tanto Hanabi como todos nós temos o direito de termos esperança. Não nascemos para sermos prisioneiros e nem cobaias dos humanos.

— Não adianta ter esperança Ino, é perda de tempo. Há quantos anos estamos presos? – Sua voz estava repleta de desgosto e desesperança.

— Não importa se faz um dia ou dez anos Gaara, não podemos desistir de ter esperança, de lutar. Eles não podem tirar isso de nós. Nascemos pra sermos livres e sei que voltaremos a ser. Não sei quando, mas vai acontecer. – Sua voz era firme e esperançosa. – Vamos voltar a correr livres por aí. Sentir o sol e o vento em nossos rostos e a terra embaixo de nossas patas.

— Faz tantos anos, minha loba anda tão irritada por não ter a liberdade para correr. – Comenta Maya.

— Fiquem em silêncio, a voz de vocês me irrita. Não adianta sonhar com o que não vai acontecer. Ter esperança é inútil, nunca vamos ser livres novamente, a casa de vocês foi destruída. Sua aldeia foi queimada e todos foram mortos ou capturados. Quantos assistimos morrer durante esses anos? – Esbraveja Gaara.

— Cale a boca Gaara! – Irrita-se Ino. – Sei que sofre, entendo sua dor mais que ninguém. Nós dois vimos nossos companheiros morrerem nas mãos desses humanos miseráveis sem podermos fazer nada pra lhes ajudar e teremos de conviver com essa dor pro resto de nossas vidas. Mas tenho total certeza que tanto Idate quanto Matsuri não iriam querer nos ver desistindo, iriam querer que lutássemos pra sobreviver, ter esperança. Por isso, acredite. Tudo pode acontecer. A roda do destino está sempre girando e pode chegar o momento em que ela finalmente gire a nosso favor.

— Ino está certa Gaara. – Continua Maya, sempre utilizando de sua suave voz para apaziguar a situação. – Nós não devemos desistir de lutar. Um milagre pode acontecer a qualquer momento.

Depois dessas palavras eles voltam a ficar quietos e apenas o barulho do caminhão em movimento cortava o silêncio em que se encontravam.

OoOoOoOo

“Ah se eles soubessem que Ino estava certa e que a roda do destino havia finalmente girado a seu favor, e o tão esperado milagre de Maya estava em andamento desde o momento em que Sasuke atacou o último laboratório da Akatsuki, lhes obrigando a iniciarem a transferência de todos os lobos ainda aprisionados. Era apenas questão de tempo até eles terem a liberdade e voltarem a sentir o vento em seus rostos e a terra sobre suas patas ao correrem livres”.

OoOoOoOo

Não muito longe dali, na verdade a apenas poucas quadras de distância. Um caminhão betoneira estava estacionado no alto de uma íngreme ladeira, o mesmo se encontrava carregado enquanto esperava do lado de fora de uma grande obra em andamento. O motorista conversava animadamente com seus companheiros que também aguardavam quando finalmente recebeu autorização para manobrar o caminhão que seria usado naquele momento.

Assim que a chave da ignição foi acionada e o freio de mão puxado, o pobre homem se assusta ao notar que seu caminhão começa a descer, de ré, a ladeira de forma desenfreada. Desesperado, preciona o freio várias vezes não obtendo resposta. Tenta puxar o freio de mão novamente, mas a velocidade com que o veiculo já descia a ladeira era muito alta e não conseguiu detê-lo, causando apenas um grande barulho pelo estouro do freio de segurança. Deixando seus instintos de sobrevivência falarem mais alto, abre a porta do motorista e se joga sem se importar com os possíveis ferimentos que ganharia.

Mas como era o destino em ação, o motorista não conseguiu mais que apenas algumas escoriações em seus braços, ombros, costas, joelhos e quadril. E as ruas estavam livres de pedestres e carros mesmo se tratando de uma rua normalmente movimentada e em horário de rush.

Naquele mesmo instante o comboio da Akatsuki atravessava o cruzamento que ficava no final da ladeira que o caminhão descia de forma desgovernada. Eles mantinham a formação de segurança com um carro na frente, o caminhão em seguida e mais dois carros atrás. Todos os veículos eram blindados e os homens no momento estavam relaxados e não perceberam a rápida aproximação do caminhão desgovernado, que atingiu em cheio o caminhão blindado que transportava a tão preciosa carga da Akatsuki arrastando-o por vários metros.

Devido a força e velocidade do impacto o caminhão atingido acaba tendo seus pneus estourados ao ser arrastado o que faz com que o mesmo tombe de forma violenta onde continua sendo arrastado por vários metros provocando a formação de muitas faíscas e de barulho de metal se deformando até que finalmente para ao se chocar com outro caminhão que transportava tijolos.

O fato do caminhão blindado ter sido prensado entre dois caminhões de grande porte e bem resistentes conseguiu espremer o material da carroceria e a porta se abriu parcialmente, porem esse detalhe não foi notado por ninguém de forma imediata, pois todos ainda estavam chocados com a magnitude do acidente.

De uma hora pra outra as ruas desertas encheram-se de pedestres e motoristas que paravam para ver o acontecido. Os curiosos, preocupados, se aproximam pra verificar se todos estavam bem e no mesmo instante se assustam com a chegada dos três carros de escolta.

Armados, os guardas descem de seus carros e cercam com rapidez o caminhão que escoltavam impedindo a aproximação de novos curiosos. O local estava uma bagunça, o pesadelo de qualquer equipe de segurança.

— Senhor, aqui é Mitchel. – Informa o líder da segurança já em contato com o chefe de segurança da Akatsuki. – Sofremos um acidente na cidade de Andorra, próximo a fronteira da França, precisamos de suporte imediato, “cargas com risco de exposição”. Cambio.

— Entendido, mantenha posição e proteja a carga a qualquer custo. Resgate despachado. Cambio.

— Mantenham posição, armas em punho! – Grita Mitchel para seus homens que passam a segurar suas armas, escopetas e metralhadoras, de forma ameaçadora contra a população que se aproximava.

As pessoas que estavam próximas ficam indignadas com a situação. Aquele era um povo calmo e que não viam com bons olhos a violência e não entendiam o porquê de tal comportamento por parte daqueles homens. Não foram mais que cinco minutos até que os primeiros carros de polícia chegassem ao local após terem sido notificados pelos transeuntes que assistiram ao acidente.

— Sou Pablo Álvares, tenente da Policia de Andorra, abaixem suas armas imediatamente e se identifiquem. – Ordena um dos policiais, em francês, assim que sai de um dos três veículos que haviam chegado ao local. Todos os policiais estavam armados e as apontavam para os homens a sua frente usando os carros da polícia como escudos.

— Somos parte da equipe de segurança da Akatsuki e estamos transportando carga valiosa, não temos permissão pra deixar ninguém se aproximar do caminhão até que nossos reforços cheguem. – Explica Mitchel dando um passo a frente e indicando que era ele quem estava no comando.

— O que transportam?

— Não temos autorização para informar, trata-se de sigilo empresarial, mas não é nada nocivo a ninguém aqui. – Mitchel mantinha a pose descontraída mesmo estando nervoso, sabia que a situação não era boa. Todos os países da Europa estavam em alerta contra o terrorismo, principalmente a França que estava sendo o alvo de constantes ataques terroristas nos últimos meses. Mesmo aquela sendo uma cidade tranquila, sabia que a polícia estava de prontidão para qualquer problema e que reagiriam com agressividade se suspeitassem de algo.

Naquele momento dois caminhões da equipe de bombeiros chegaram ao local ao mesmo tempo em que duas ambulâncias e mais quatro carros de polícia, o que deixou nitidamente os seguranças da Akatsuki ansiosos, pois estavam completamente cercados e em menor número.

— Nesse caso, não vejo problemas dos paramédicos se aproximarem. Abaixem as armas. – Novamente manda o policial Pablo, já se aproximando com seus homens e as equipes de resgate em seu encalço.

Os seguranças não hesitam em levantar suas armas e engatilhá-las deixando claro que a aproximação não era bem vinda. Os policiais não ficam para trás, logo procuram abrigo atrás dos veículos e voltam a sacar suas armas.

— Lamento. – Explica Mitchel tentando apaziguar a situação. – Não tenho permissão para deixar ninguém se aproximar desse caminhão.

— Pouco me importa se tem ou não permissão, ou vocês abaixam imediatamente as armas e deixam as equipes de resgate avaliarem a situação do motorista e dos veículos ou agiremos de forma agressiva. Vocês decidem. – Determina já se irritando com a situação, algo alertava-o de que a situação não era o que parecia e que ele não deveria relevar nada. – Abaixem suas armas imediatamente e as coloquem no chão. Tem trinta segundos para obedecer ou abriremos fogo. – Demanda Pablo também se abrigando atrás de sua viatura.

Àquela altura todos os civis haviam se abrigado nos comércios que rodeavam o local. Paramédicos e bombeiros haviam corrido para trás das ambulâncias enquanto aguardavam o desfecho da situação e os policiais suavam frio enquanto esperavam ordens, todos tinham suas armas, automáticas e escopetas, em punho e naquele instante percebem que elas eram inferiores a dos homens que intimavam.

— Por favor, não precisamos agir de forma precipitada. – Mitchel sabia que estava sem saída, era deixar aqueles policiais se aproximarem ou abrir fogo. Ele sabia o que estava transportando e não podia permitir que a polícia encontrasse aqueles animais.

— Seu tempo está se esgotando. Rendam-se ou abriremos fogo. – Volta a pronunciar-se Pablo.

Suas palavras mal haviam sido pronunciadas quando os primeiros disparos soaram pelo local e atingiram com força os carros da polícia. Com um armamento inferior do que a de seus adversários, Pablo e seus homens se viram obrigados a apenas se protegerem da rajada de balas mortais que eram despejadas contra si. Foram pouco mais de sessenta segundos onde o barulho das escopetas e metralhadoras soou por todo o local.

Mas a munição uma hora teria de acabar e antes que a equipe de segurança conseguisse recarregar os cartuchos e pentes de suas armas, os policiais saem de seus abrigos com as armas em punho e não hesitam em disparar.

A equipe de Mitchel era formada por doze homens bem treinados e armados com o melhor que o dinheiro da Akatsuki pudesse pagar, mas um a um foram atingidos pelos tiros certeiros das automáticas da polícia. Balas disparadas sem hesitação, não com a intenção de ferir e aleijar, mas sim, matar.

A troca de tiros durou menos de cinco minutos, mas no final o estrago acabou sendo grande. Pois após conseguir recarregar sua escopeta, um dos guardas da Akatsuki disparou contra o veículo da polícia acertando o tanque de combustível, fazendo-o explodir e ferir dois guardas que o usavam como escudo. Os demais carros da polícia ficaram completamente destruídos após serem atingidos pelas saraivadas de balas. Vidros quebrados e pneus furados completavam a cena de guerra que se desenrolava no local.

Finalmente o silêncio volta a imperar no local após a queda de Mitchel, o último representante ainda em pé. Nove Akatsuki’s morreram devido a tiros certeiros, os demais estavam gravemente feridos e não tinham condições de continuar com a investida contra a polícia e simplesmente agonizavam no chão.

Com cautela, Pablo e mais cinco de seus homens aproximam-se dos homens atingidos e os desarmam rapidamente finalmente podendo respirar tranquilamente. Os médicos foram chamados para atender os policiais que foram feridos e somente depois que os agentes da lei foram atendidos é que o atendimento aos homens da Akatsuki foi autorizado. Já os bombeiros correram para controlar o fogo que vinha da viatura que explodira.

Pablo para no meio da rua e olha ao redor horrorizado. Estava na polícia a mais de duas décadas e nunca havia visto uma cena como aquela a não ser nos filmes. Obriga-se a fechar os olhos e respirar fundo pra se acalmar. Após normalizar sua respiração e controlar a adrenalina que corria em suas veias que fazia suas mãos tremerem, começa a disparar ordens para seus homens e para as equipes de resgate.

A população, ao notar que a polícia havia controlado a situação e que não havia mais nenhum perigo imediato, começa a sair de seus abrigos e a tomar as calçadas e ruas, seus celulares em mãos gravando tudo ainda assombrados com o que haviam presenciado.

Jacques fazia parte da equipe de bombeiros, era um homem encorpado graças a horas dedicadas em academia para manter a forma em dia pra nunca deixar seus colegas ou alguém que precisava de si na mão. Enquanto seus colegas controlavam o incêndio do carro da polícia, ele decide avaliar as condições dos caminhões envolvidos no acidente. Claramente o mais preocupante era o caminhão tombado, que fora atingido no meio, quanto os outros dois apenas na carroceria. Sem demora encontra o motorista inconsciente preso ao cinto de segurança. Sem perda de tempo usa sua machadinha que sempre carregava consigo, para quebrar o pára-brisa do veiculo e se aproximar do motorista e checar seu estado. O pulso daquele homem estava fraco, mas ainda existia. Jacques não deixa escapar o detalhe que aquele motorista também estava armado, uma automática estava no coldre em sua axila. Sem perda de tempo e sem querer correr risco de um novo tiroteio, retira a arma do coldre e sai da cabine do caminhão logo se aproximando do policial que estava parado olhando ao redor, que por sinal era Pablo.

— Senhor, encontrei isso com o motorista do caminhão tombado. – Explica Jacques entregando a arma a Pablo.

— Obrigada. – Agradece Pablo já com a arma em mãos. – Ele está vivo?

— Sim, senhor. Inconsciente e com alguns machucados, seu pulso está fraco, vou pedir a uma equipe de paramédicos para o analisar antes de o removermos.

— Ótimo faça isso, vou tentar ver o que eles transportavam de tão importante que fez todo esse caos acontecer. – Fala já se afastando em direção da carroceria do caminhão blindado, tombado. Olhando ao redor, Pablo nota que a quantidade de civis no local estava a cada minuto maior, mas agradecia que a população era compreensiva e mantinha certa distância do local possibilitando que eles trabalhassem com certa calma.

Ao chegar à carroceria do caminhão, Pablo nota que a porta possuía uma fresta de certa de quinze centímetros. Como o caminhão estava tombado, a porta tinha de ser aberta ao empurrá-la pra cima e mesmo usando toda sua força não conseguiu fazê-la abrir nem mais um centímetro.

— Precisa de ajuda aí, chefe?

Pablo olha ao redor procurando a pessoa que lhe oferecera ajuda e encontra dois homens vestidos com roupas de construção, os mesmos eram grandes e pareciam fortes, por isso nem hesitou em aceitar a ajuda.

— Porque não?! Músculos sempre são bons nessa hora. – Brinca, logo vendo os dois homens se aproximarem e agarrarem um de cada lado da porta e empurrá-la pra cima, enquanto ele também ajudava fazendo força no meio. Com esforço conseguem abrir uma fresta maior o suficiente pra passar uma pessoa. – Como isso pesa. – Reclama Pablo, sem fôlego devido ao esforço.

— É porque é blindado, material do bom. – Explica um dos ajudantes. — Mas tá escuro lá dentro, não dá pra ver nada, mas pelo pouco do que dá pra ver parece vazio.

— Vazio é que não está, se não aqueles caras não teriam aberto fogo contra nós. Alguma coisa eles estavam escondendo. – Replica Pablo, também olhando o escuro. – Droga, preciso de uma lanterna pra enxergar alguma coisa. – Reclama, pegando o celular do bolso e abrindo o aplicativo ‘lanterna’ de seu aparelho.

Ao mirar o feixe de luz para o interior escuro do veiculo sente seu sangue gelar nas veias ao ver o que sua ‘lanterna’ estava iluminando. Uma criança, inconsciente. Uma menina e a mesma vestia uma espécie de roupa de hospital. Havia sangue em seu rosto, seus cabelos eram curtos e estavam espalhados ao seu redor.

— Meu Deus, ela está algemada. – Exclama um dos homens ao lado de Pablo ao notar as grossas algemas em seus pulsos que o prendiam acima de sua cabeça.

Se afastando poucos passos do caminhão, Pablo começa a gritar a plenos pulmões.

— AQUI, PRECISO DE UMA EQUIPE DE BOMBEIROS E MÉDICOS. AGORA!

Os dois operários que haviam ajudado anteriormente agora estavam novamente tentando abrir ainda mais a porta para facilitar a entrada das equipes de resgate, mas estava difícil conseguir mover aquela porta, que além de ser pesada estava emperrada devido ao acidente.

— Chefe, vai ter de arrancar a porta fora pra abrir mais. – Explica um dos homens desistindo de conseguir abrir a porta.

— Os bombeiros vão fazer isso. – Explica Pablo novamente parado em frente a porta com o celular iluminando o interior do caminhão. – Jesus!

A nova exclamação se deve ao fato de Pablo ter iluminado uma nova mulher caída ao lado da menina, esta tinha os cabelos loiros, também curtos. Da mesma forma que a menina estava desmaiada e algemada.

— Mas que merda é essa?! – Exclama um policial que tinha acabado de chegar.

Sem perder tempo, Pablo passa a ‘lanterna’ por toda a extensão do furgão e se assusta ao ver que tinham mais duas pessoas ali, só que estas estavam do outro lado do caminhão, só que como o mesmo havia tombado, estas estavam agora dependurados no alto, presos pelos braços e pernas.

— Porque eles estão amarrados aí? – Questiona um bombeiro recém chegado.

— Não vamos perder tempo, entrem lá e os libertem. – Demanda Pablo furioso tirando fotos do estado daquelas pessoas para servir de provas no processo que com certeza seria aberto.

Os próximos minutos foram dedicados exclusivamente a operação de resgate das quatro pessoas que estavam no interior do veiculo. Os bombeiros conseguiram arrancar a porta do caminhão blindado, facilitando o acesso das equipes médicas às vítimas. Ao total dez pessoas se encontravam no interior do caminhão prestando os cuidados imediatos àquelas pessoas. Um a um foram libertados das algemas com a ajuda dos bombeiros e nesse momento eram colocados em macas para serem retirados daquele caminhão e levados ao hospital.

— Qual é a situação Álvares? – Questiona o chefe de segurança da Policia de Andorra por telefone.

— Feia senhor. – Suspira Pablo cansado. – Perdemos dois dos nossos, e tenho mais cinco feridos a caminho do hospital.

— O confronto foi inevitável Álvares? – A voz soava irritada.

— Sim. Eles protegiam a carga transportada, não queriam que chegássemos perto. Eles abriram fogo, tivemos de revidar. Eram doze homens, matamos oito deles e os outros estão em estado grave. Eles tinham quatro pessoas algemadas no caminhão senhor. – Explica exasperado. – Duas mulheres, um homem e uma menina. Eles estão sendo retirados do caminhão e serão levados para o Hospital Meritxell.

— Mas o que eles poderiam querer com essas pessoas pra elas estarem algemadas? – Agora sua voz era de surpresa.

— Não faço ideia senhor, mas boa coisa não era. A forma como estão presos, estavam sendo tratados como animais. – Explica ainda chocado com o que tinha visto. – Eles não parecem nada bem, apesar da equipe médica ter dito que seus ferimentos não são muito graves. Estão todos inconscientes.

— Certo, mantenha-me informado. Já recebi o primeiro contato da equipe de relações públicas da Akatsuki, eles querem manter discrição sobre o assunto.

— Senhor, será meio difícil, tem muitos civis aqui, com certeza já tem vídeos na internet a essa hora. E além do mais, eles têm muito que explicar. Se escondermos as coisas é capaz de eles usarem o dinheiro que tem pra comprar o silêncio das pessoas certas. – Sua voz soava cada vez mais indignada com a situação.

— Sempre o certinho Álvares. – Zomba o chefe, mas era claro que o mesmo dispunha do mesmo pensamento. – Não faço questão nenhuma de colocar panos quentes no assunto. Se a mídia aparecer por aí, coloque mais lenha na fogueira.

— Sim senhor.

— Nunca tivemos essa conversa Álvares. – Avisa o homem antes de encerrar a ligação sem esperar uma resposta.

OoOoOoOoOoO

—MERDA! – Computador e tudo o mais que estava em cima da mesa foram parar no chão devido a fúria incontida. – COMO ISSO FOI ACONTECER?

Dois homens usando terno e gravatas escuras mantinham-se afastados e em posição de sentido apenas acompanhando a ira de seu chefe.

— Mitchel informou apenas que eles sofreram um acidente na cidade de Andorra senhor. – Explica um dos homens mantendo a voz controlada e clara. – Após ter despachado o reforço começamos a monitorar a mídia local e não demorou pra começarmos a identificar nas redes sociais registros do incidente, ou vídeos do confronto no Youtube. Foi um grande tiroteio, muitas testemunhas. A polícia conseguiu controlar a situação em poucos minutos. Fotos comprovam que a carga foi exposta e estão sendo removidas do local.

— Não podemos perder mais espécimes. Preciso que esses sejam recuperados a qualquer custo. – Determina Orochimaru ainda furioso, mas agora com a voz mais controlada. – Quanto tempo até a equipe de apoio chegar ao local?

— Mais vinte minutos senhor. Enviei quinze homens armados, prontos pra ação, só estão esperando ordens para agir assim que chegarem ao local.

— As ordens são claras, quero os quatro novamente em nossas mãos. Principalmente Maya, sem ela não conseguirei fazer com que Itachi colabore de forma tão mansa. E não posso me dar ao luxo de ter um alfa descontrolado, preciso mantê-lo domado. – Orochimaru para de falar por alguns instantes analisando a situação, que não era nada boa. – Use a área de relação pública e peça que solicitem discrição sobre a situação.

— Já fizemos isso senhor. Eles já entraram em contato com o Chefe da Policia de Andorra, o mesmo garantiu que analisaria o caso com atenção especial por se tratar da Akatsuki. – Explica entusiasmado por ter antecipado as ordens de seu chefe.

— Certo, agora saiam. Resolvam essa bagunça de qualquer jeito.

Se vendo novamente sozinho em sua sala, Orochimaru se permite cair sentado em sua poltrona e respirar fundo pra tentar se acalmar. A situação estava ficando desesperadora pro lado da Akatsuki. O número de espécimes estava cada vez menor e eles não conseguiam avançar como queriam em suas pesquisas, graças a Sasuke. E agora mais aquele golpe.

Depois de alguns minutos pensando sobre a situação e controlando sua raiva, pega o telefone celular em seu bolso e disca o número secreto que apenas algumas pessoas no planeta tinham acesso. Agora vinha a pior parte de seu trabalho, levar as más noticias a seus superiores. Eles com certeza não gostariam nem um pouco ao saberem que a reputação da Akatsuki estava ameaçada e que haviam perdido novos espécimes.

— Seu contato não era esperado tão cedo Orochimaru-dono. – A voz masculina surge do outro lado da linha assim que a ligação foi atendida.

— Infelizmente preciso apresentar um novo relatório ao Conselho. Preciso falar com Presidente-sama, imediatamente. – Usa de todo o seu alto controle pra soar respeitoso, afinal não era com qualquer um que queria falar.

Continua...

Notas finais
Sei que esse capitulo não é bem aquilo que muitos estavam esperando, mas eu realmente precisava incluir novos personagens na fic... então aqui estão eles!!! Pessoal a alguns dias fui questionada sobre a fic ter classificação Yaio, sendo que até o momento não apareceu esse tipo de envolvimento... bem vai ter sim esse gênero na fic... só preciso de algum tempo pra apresentar os personagens e montar o enredo desse caso em especifico... eu não gosto de apressar as coisas.. e esse tema será bem tratado e desenvolvido mais pra frente, aqueles que não gostam peço desde já desculpas... mas sim teremos romance Yaio na fic. Obrigada por lerem, desculpa a demora nas postagens e até a próxima.