Lobos
3 Resgata... por lobos
Notas iniciais
3º Capitulo – Resgata... por lobos
Sentia seu corpo todo dolorido, sua consciência voltava com lentidão. Antes mesmo de abrir os olhos as lembranças do que lhe havia acontecido voltaram à tona com força total e a fazem soltar um soluço sufocado e agonizante. Quando finalmente consegue abrir os olhos, estranha o local onde estava.
O local era precariamente iluminado por uma fraca luz no teto que oscilava o tempo todo como se estivesse prestes a queimar. Olhando ao redor percebe que estava em uma espécie de cela, pequena e retangular. Com esforço, consegue se apoiar nos cotovelos e içar o corpo para poder olhar melhor o local. A primeira coisa que comprova era que estava mesmo em uma cela, ao estilo de presídios. Sua cama era de metal e estava pregada à parede oposta da grade, e um simples colchonete era onde estava deitada, coberta com uma fina manta cinza que mal lhe aquecia. Tinha uma pequena divisória em um canto, onde provavelmente ficava o banheiro. E era isso, não tinha mais nada em sua cela.
Cansada, volta a deitar e fechar os olhos por mais alguns minutos, estes que aproveita para pensar e colocar as ideias no lugar. Conseguia lembrar com perfeição de tudo o que passou. As dores em seu corpo lhe provavam que tudo tinha sido real e não apenas um pesadelo do qual tinha escapado.
Tentava entender o que estava acontecendo, onde estava e o que queriam dela. Lembrava que o Dr. Kabuto havia comentado que eles tinham de retornar ao segundo nível, talvez estivesse ali, afinal nunca tinha tido permissão para percorrer as entranhas daquele laboratório. O problema era que mesmo que soubesse onde estava isso não lhe ajudava muito, afinal estava machucada e presa. Tinha visto coisas incompreensíveis e duvidava que fossem lhe soltar sabendo que ela agora era uma testemunha. Apesar de que não sabia dizer do que tinha sido testemunha, ainda não conseguia compreender o que exatamente tinha visto.
Conseguia lembrar-se das feições da mulher que tinha ajudado e da forma ao qual ela havia se transformado em um lobo mesclado entre negro e branco. Tinha achado estranho seus olhos perolados, que por sinal eram idênticos em sua forma de lobo. Talvez o fato de ela ser uma loba explicasse aqueles olhos tão diferentes. Ela parecia ser tão meiga e gentil, era aquele tipo de pessoa que mesmo você nunca tendo visto na vida se preocupava e se importava com seu bem estar. Mesmo quando ela havia se transformado em lobo não havia ficado com medo. Surpresa, chocada e assustada sim, não com medo. Quem lhe assustou mesmo foi o homem que lhe atacou depois.
Seu corpo todo se contraía à simples lembrança de sua existência. Ele também era um lobo, mas diferente da mulher, ele lhe provocava pavor antes mesmo de ter lhe machucado. Seus olhos eram estranhos e lhe assustavam. Parecia que ele não queria lhe ferir, mas não tinha outra escolha. Lembrava-se de seu olhar quando estava deitada naquele chão, ele parecia lamentar o que tinha lhe feito. Mas mesmo assim havia voltado a lhe abusar em seu quarto.
Lágrimas vinham a seus olhos ao lembrar-se da forma que seu corpo havia sido violado. Não foi uma única vez, tinha perdido a conta de quantas vezes ele havia gozado dentro de si. Não possuía esperança de sair viva dali, esperava apenas que não lhe torturassem mais, que lhe matassem de uma vez e de forma rápida. Não queria nem mesmo uma explicação para o que estava acontecendo, tinha a impressão que seu cérebro já tinha absorvido o máximo de informação que podia sem enlouquecer.
Homens e mulheres que viravam lobos?
Mesmo tendo visto a cena acontecer em sua frente em tempo real ainda duvidava do que tinha visto, pois era muito surreal.
Horas se passam. Havia adormecido novamente e não sabia por quanto tempo, apenas sentia que seu corpo estava mais dolorido que antes e sentia muita vontade de ir ao banheiro. Com muita dificuldade consegue levantar e se apoiando na parede chega à divisória ao qual comprova ser mesmo um pequeno banheiro, uma privada, se assim poderia chamar, uma pia e um chuveiro em um espaço de menos de um metro quadrado.
Estava usando uma espécie de camisola hospitalar ao qual facilmente permite que se sente na privada. Lágrimas voltam aos seus olhos ao sentir a dor em sua intimidade, parecia que estava rasgada. Alguns minutos depois pára na grade de sua cela e tenta olhar para o corredor comprido e escuro, tentando identificar alguma coisa, mas nada lhe era familiar e não havia ninguém, tudo estava no mais completo silêncio.
Sem escolha e cansada pelo esforço, volta para a cama onde deita. Alguns minutos se passam em completo silêncio até que um som agudo e alto lhe chama a atenção. Era o barulho de uma tranca sendo liberada. Pouco depois consegue ouvir os passos de uma pessoa se aproximando. Não demora até um guarda parar em frente à sua cela com uma bandeja de comida. Sem dizer uma única palavra, o guarda passa a bandeja por baixo da cela e volta a desaparecer por onde tinha vindo.
Sakura não sentia fome, mas sabia que precisava comer pra se recuperar, não adiantava nada fazer greve de fome, somente ela sairia perdendo com essa história. Volta a se levantar, e ao agachar-se em frente à grade não impede que uma expressão de nojo se formasse ao olhar o conteúdo da bandeja. Sua refeição parecia uma espécie de mingau com uma cor acinzentada e alguns grãos de arroz misturados. Tinha a impressão que se jogasse aquela substância na parede ela colaria sem problemas.
Resignada, senta-se no chão mesmo, com as costas apoiadas na grade e coloca a bandeja em seu colo. Repara que não havia nenhum talher, ou seja, teria de comer com a mão, como um animal. Já não bastava o que lhe haviam feito? Com um suspiro cansado, leva uma pequena porção da comida aos lábios. Quando sente o gosto daquela mistura tocar sua língua tem ânsia de vomito, mas se controla. Com muito esforço consegue comer tudo, o que não era muita coisa, pois a porção de comida era bem pequena. Coloca a bandeja no lado de fora da cela e volta pro banheiro onde lava as mãos e o rosto. Aproveitando a deixa, retira a camisola hospitalar e toma um banho, somente com água, pois não tinha nem xampu e muito menos um sabonete, tinha apenas uma pequena toalha ao qual usa para se secar. Antes de vestir a mesma camisola olha para seu corpo e percebe que tinha muitos hematomas e machucados espalhados por toda a extensão de seu corpo. Os ferimentos que mais doíam eram os de sua intimidade e o de seu pescoço. Nota que seu estado não parecia tão ruim quando acordou. Alguém deveria ter cuidado de si antes de ter sido jogada naquela cela, provavelmente pra não morrer. O que significava que a queriam viva por algum motivo. Com um suspiro cansado volta a vestir a camisola e retorna para a cama.
Aquela mesma rotina se segue por alguns dias. Não via ninguém mais além do guarda que, silenciosamente, lhe trazia a comida e levava a bandeja anterior. Nunca tentou conversar com ele, sabia que seria tempo perdido. Seus ferimentos estavam se recuperando lentamente, somente seu pescoço ainda doía bastante. Tinha emagrecido muito desde que fora colocada ali. Afinal recebia apenas aquele mesmo mingau do primeiro dia e uma única vez por dia. Sentia nojo daquela comida, mas era comer ou morrer de fome, mais do que já estava, pois aquela pequena porção não lhe sustentava completamente, estava sempre com fome. Chorava ao lembrar-se das refeições feitas em casa, sua mãe era uma excelente cozinheira, sempre tinha algo diferente e delicioso pronto pra saborear.
Tentava imaginar como sua família estava. O que tinham dito a seus pais? Será que pensavam que tinha morrido? Sofria mais ainda ao imaginar o sofrimento deles. Trabalhava ali pra poder ajudar com as contas e para poder estudar, nunca imaginou que acabaria daquela forma.
Seus devaneios são interrompidos pelo barulho da porta sendo aberta. Estranhou, pois havia recebido sua refeição há pouco tempo.
Percebe que o barulho de passos era diferente, mais de uma pessoa que estava se aproximando. Com medo senta-se na cama e se encolhe contra a parede. Não demora a ver dois guardas e o Dr. Kabuto pararem em frente à sua cela. Assusta-se ao ver que um dos guardas estava abrindo a cela.
Kabuto tinha um sorriso frio nos lábios e a olhava sem interesse algum enquanto os guardas entram na cela e se aproximam de sua cama. Sem reagir, permite que os guardas peguem em seus braços e a levantem levando-a para o lado de fora da cela e deixando-a de frente para Kabuto, que tinha levado as mãos pra trás enquanto a olhava de cima abaixo.
– O que vai fazer comigo? – Consegue criar coragem para perguntar com a voz baixa e contida.
– Fazer-lhe ser útil pra mim. Terá de pagar pela hospedagem gratuita que venho lhe dando nos últimos cinco dias. – Seu sorriso era tão cruel quanto suas palavras.
Sakura não se impede de tremer ao ouvir as palavras de seu ex-chefe, sabia que elas eram o prelúdio de mais sofrimento. Logo em seguida, Kabuto lhe dá as costas e começa a se afastar pelo mesmo corredor ao qual havia vindo. Não demora e logo sente seu corpo ser guiado pelo mesmo caminho. Em silêncio e sem apresentar resistência, acompanha os passos dos guardas, que em momento algum haviam soltado seus braços, mesmo ela não resistindo. Não tinha porque resistir, afinal o que conseguira com isso? Fugir é que não seria.
Eles passam por vários corredores muito parecidos com os do primeiro nível. Todas as portas pela qual passam estavam fechadas e os corredores parcialmente vazios, haviam encontrado apenas algumas pessoas que trajavam jalecos e que não lhe dignaram nem mesmo um olhar quando passavam por eles. Eles chegam ao elevador e descem mais dois andares. Aquele andar era diferente do qual estava anteriormente, naquele havia mais pessoas e as paredes não eram do costumeiro branco hospitalar, eram cinza, sombrias.
Eles andam por um largo corredor e chegam a uma porta de vidro escuro, esta é aberta por Kabuto ao colocar a senha em um portal eletrônico localizado na lateral. A sala era ampla e estava cheia de pessoas trabalhando em vários computadores. Haviam algumas macas localizadas no centro da sala. Estas não eram macas normais, eram diferentes, eram aquelas usadas em partos, onde as mulheres eram sentadas com o corpo parcialmente deitado, com as pernas apoiadas em suportes que a mantinham abertas facilitando no processo de nascimento dos bebês. Estas macas eram quatro ao total e estavam disponibilizadas uma ao lado da outra, três estavam ocupadas. Nelas estavam deitadas e amarradas mulheres nuas, entre elas estava a morena que havia tentado ajudar a fugir. Ela tinha alguns curativos em seu ombro, braço e perna, com certeza ferimentos causados no dia em que se encontraram, deviam ser de balas. As três não pareciam estar conscientes, pois seus olhos estavam fechados, mas mesmo assim tanto seus braços quanto pernas estavam amarrados à maca por tiras de contenção.
Os guardas a carregam até a maca vazia e a fazem deitar, logo começando a lhe atar com as tiras de contenção nos braços e pernas. Já estava aliviada por não ter sido desnuda como as demais. Não sabia o que esperar, mas tinha certeza que coisa boa não seria.
Os minutos se passam e três homens usando máscaras e luvas se aproximam e fazem coleta de sangue, cabelo, pele e unha. Esses materiais são levados para um lado da sala que continha vários tubos de ensaio.
Os técnicos mantinham uma conversa constante, porém baixa, Sakura conseguia apenas pescar algumas informações do que estava acontecendo. Pelo que entendeu estavam fazendo exames pra saber como seu estado estava evoluindo. Evoluindo no que ela já não sabia.
Após algum tempo ali, mais duas mulheres usando luvas e máscaras se aproximam trazendo alguns instrumentos em um carrinho. Sakura espanta-se ao reconhecer aqueles equipamentos, eram utilizados para fazer o exame preventivo das mulheres, o famoso papanicolau. Ela sente sua vagina ser invadida pelo instrumento de metal gelado chamado especulo. O procedimento que normalmente não deveria causar dor acaba lhe ferindo, pois foi feito de forma bruta e também porque seu corpo ainda estava muito sensível pelo estupro de dias atrás. Depois de algum tempo, ela sente o especulo ser retirado de seu interior e as mulheres logo se afastam levando consigo amostras coletadas que são entregues a outros homens que logo começam seus testes.
Ela via Kabuto andar de um lado para o outro dando instruções e orientando no procedimento, sempre com seu estilo superior, e era claro o medo que os demais tinham dele.
Um som abafado chega ao local, o uivo de um lobo. Os técnicos olham para Kabuto que não parecia muito satisfeito com aquele barulho. Sem demora, ele sai da sala pela mesma porta ao qual havia entrado. Minutos se passam até que retorne à sala, pela sua expressão sabia que algo o tinha irritado.
– A humana! – Fala Kabuto chamando a atenção de todos. Sakura soube na hora que ele falava de si. – Levem-na até ele.
Os mesmos guardas que a haviam trazido até ali e a amarrado se aproximam e a soltam colocando-a de pé e levando-a para fora da sala. Eles voltam a andar pelo amplo corredor até chegarem ao elevador, voltam a subir um andar. Quando as portas do elevador se abrem Sakura sente suas pernas começarem a tremer, ela conhecia aquele andar, já tinha estado ali antes.
A rosada já não andava mais por livre e espontânea vontade, estava sendo arrastada pelos guardas. Seus olhos já estavam cheios de lágrimas. Debatia-se desesperada conforme avançava, se aproximando da porta que mais temia. Sua luta não surte efeito e a porta do quarto é aberta com ela sendo arremessada de forma brusca no interior do quarto, ouvindo em seguida a porta ser fechada e trancada por fora.
Apavorada se arrasta até a parede mais próxima e se encolhe, formando um pequeno emaranhado de membros. Com os olhos assustados olha ao redor e encontra o mesmo homem que havia lhe atacado há poucos dias. Ele estava em pé ao lado de uma porta que deveria ser o banheiro. Ele estava usando apenas uma calça de moletom escura. Seus pés estavam descalços e seu peito estava à mostra. Diferente da última vez em que seus cabelos estavam amarrados, dessa vez eles estavam soltos em uma cascata de fios negros. Seus olhos estavam negros. E o pior, ele estava claramente excitado.
Por algum tempo ele ficou lhe olhando, sem mover nenhum músculo. A cada segundo presa naquele olhar, Sakura sentia mais medo. Seu corpo parecia um fio desencapado de tanto que tremia. Estava com dificuldades para enxergar devido às lágrimas que não paravam de cair. Um guincho de pavor sai de seus lábios quando ele começa a se aproximar lentamente sem desviar o olhar. Ele pára de andar e se agacha a menos de dois passos de si e fica algum tempo apenas lhe encarando, em seu rosto novamente a mesma expressão de dúvida e pena de antes.
Não sabia dizer quanto tempo ficaram ali, apenas se encarando em completo silêncio, mas naquele meio tempo, Sakura assistiu a mudança no olhar do homem à sua frente. Conforme o tempo passava seus olhos negros começaram a ficar vermelhos, o mesmo olhar que ele tinha quando a havia atacado dias atrás.
– Você pertence a ele, deve viver. – Novamente o estranho volta a falar as mesmas palavras da primeira vez. Se não estivesse com tanto medo, provavelmente perguntaria o que aquilo significava.
Num movimento rápido, seus braços são agarrados com força enquanto é obrigada a ficar em pé sendo apoiada na parede. Em poucos segundos a camisola hospitalar que usava tinha sido arrancada de seu corpo. Sakura se encolhe mais ainda ao ver que o homem-lobo aproxima seu rosto do ferimento em seu pescoço e lhe cheira logo lambendo o local da ferida que cicatrizava mais lentamente que os demais ferimentos.
Eles ficam mais algum tempo na mesma posição. Sakura mal respirava, sentia o ferimento arder conforme a ferida era lambida. Uma nova onda de medo passa por seu corpo e mal repara que seu corpo é erguido e prensado contra a parede. Só volta à realidade ao sentir seu corpo ser invadido em um único e brutal golpe. Um novo grito de agonia sai de seus lábios, juntamente com mais lágrimas.
Não importava quanto gritasse ninguém vinha lhe ajudar nem as investidas paravam. Precisando de algum tipo de apoio, segura nos ombros de seu atacante. Sua intimidade queimava, sentia que todos os ferimentos que estavam sarando voltam-se a abrir. Pouco depois seu corpo é arremessado sobre a cama, onde novamente é possuída, inúmeras vezes, uma atrás da outra, sem descanso. Já não gritava mais, não tinha mais forças, seu corpo estava muito debilitado, nem mesmo sabia como ainda estava consciente. Apenas as lágrimas escorriam de seus olhos sem parar. Tinha notado certo costume que aquele homem tinha, quando estava perto de gozar, ele sempre lambia seu ombro, o que o fazia gozar com mais força dentro de si.
Não sabia dizer quanto tempo ficou naquele quarto, quantas vezes seu corpo foi abusado. Em quantas posições foi obrigada a ficar para que ele pudesse satisfazer-se. Ele apenas a maneava como uma boneca de pano.
Naquele momento estava de quatro, segurando-se na cabeceira da cama enquanto seu corpo era invadido com força. Ele a segurava pela cintura, onde suas unhas perfuravam sua pele. Sakura sente quando seu pescoço é tocado pelos lábios daquele homem só que dessa vez ele não a lambe e sim lhe dá um forte chupão que provavelmente ficaria roxo. Não demora e volta a sentir seu interior ser novamente preenchido.
Sente o corpo sobre o seu desabar ao lado, quando olha percebe, com alivio, que ele estava adormecido. Com cuidado e movimentos lentos sai da cama e fica do outro lado do quarto, encolhida no chão abraçando as próprias pernas, suas lágrimas já tinham secado. Algum tempo depois ouve o barulho da tranca do quarto ser aberta e logo os guardas que a jogaram ali entram. Aliviada por vê-los, rapidamente fica de pé, com a ajuda da parede, e se aproxima deixando-os a tirarem dali.
Sakura podia já não chorar, mas seu rosto ainda carregava as marcas de suas lágrimas. Após sair do quarto e ver-se livre daquele monstro sente seu corpo enfraquecer e suas pernas perdem a força. Estava exausta, mas sua consciência não lhe permitia cair no limbo. Seu corpo é amparado pelos guardas que a erguem pelos braços e continuam a levar/arrastar para o elevador. Em poucos minutos Sakura se vê novamente na mesma sala cheia de técnicos e amarrada à maca.
Pouco antes de fechar os olhos, cansada, vê Kabuto parar à sua frente e olhar para o estado de seu corpo, ainda estava nua, mas já não ligava para este detalhe.
– Ele gostou de você. Ele nunca se interessou por nenhuma das mulheres que lhe entregamos, sempre as matava sem tomar-lhes. – Comenta realmente admirado, não havia ironia e nem malícia em suas palavras. – Tenho de descobrir porque você o agradou, é a primeira que consegue isso em dez anos.
Kabuto permanece parado à sua frente por mais algum tempo sem dizer nada. Exausta, deixa-se finalmente cair no limbo.
Seu sono não foi tranquilo. Foi atormentada por pesadelos mais terríveis que sua realidade, em todos eles aquele homem estava lhe fazendo mal.
Acorda suada, apavorada e confusa. Estava novamente em sua cela. Suspira aliviada, pois pelo menos ali estava segura. Olhando para a grade encontra a bandeja de comida, seu estômago protesta. Mesmo querendo ficar parada onde estava se obriga a levantar, precisava comer, percebe que estava usando outra camisola hospitalar.
Passa o dia todo praticamente dormindo, estava exausta, emocionalmente e fisicamente. Seu corpo estava ainda mais debilitado do que antes.
Depois de várias horas onde havia voltado a adormecer algo a desperta. Olha ao redor procurando o que a tinha lhe acordado e percebe que ainda estava em sua cela, sozinha. Porém nota algo diferente, as luzes no corredor estavam piscando em vermelho, parecia um alarme, mas não havia som. Não demora e começa a ouvir vários barulhos que pareciam ser de tiros e explosões.
A esperança cresce em seu interior, esperava de alguma forma, que fosse a polícia e que ela pudesse sair dali. Os minutos se passam e as luzes vermelhas continuam ligadas, o barulho de explosões e tiros se intensificavam, estavam cada vez mais perto.
Mas sua esperança de liberdade morre ao ouvir vários uivos vindos além do corredor onde estava presa. Um arrepio de medo atravessa seu corpo. Apavorada se encolhe sobre sua cama. Tiros, explosões, gritos e uivos eram ouvidos com facilidade depois de algum tempo, sabia que não demoraria pra que chegassem até ela.
Uma nova explosão, essa era muito perto, tanto que fez sua cela tremer. O corredor do lado de fora da cela é preenchido por fumaça. Em segundos dois lobos cinza com olhos na cor caramelo estavam lhe encarando.
Com medo, Sakura acaba gritando e se encolhendo ainda mais, enquanto escondia o rosto entre as pernas que abraçava. Ela ouve um rosnado vindo dos lobos e espia, um dos lobos havia ido embora enquanto o outro ainda estava parado lhe olhando, seus dentes à mostra.
Alguns minutos se passam e eles não mudam de posição até que dois lobos surgem. Um cinza, provavelmente o mesmo de antes, e outro completamente negro e com os olhos vermelhos. Em segundos os lobos transformam-se em três homens. Os três estavam com o peito à mostra e usavam apenas um shorts largo, seus pés estavam descalços.
Os três pareciam ser muito fortes. Um deles tinha os cabelos castanhos todo espetado e seus dentes lembravam presas mesmo na forma humana. O outro lobo cinza tinha os cabelos cortados de forma quadrada, parecia uma tigela, suas sobrancelhas eram largas. Porém quem chamava mais a atenção era o homem que antes era um lobo negro, ele parecia ser forte, seus cabelos eram negros e compridos na altura dos ombros, seus olhos negros como a noite eram frios e perigosos. Ele emanava autoridade e respeito.
Sakura começa a tremer mais ainda ao perceber que aquele homem lembrava muito o que havia lhe atacado anteriormente. Sendo sincera, pareciam a mesma pessoa, só que esse que estava à sua frente agora não tinha alguns sinais de expressão no rosto indicando que era mais novo. Rapidamente a rosada chega à conclusão que provavelmente eram irmãos, por isso a semelhança.
– Por que me chamou aqui Kiba? – A pergunta é feita pelo moreno perigoso que não tira os olhos de Sakura, seu olhar era muito parecido com o do homem que lhe estuprou, tinha dúvida e curiosidade.
– Ela é humana. – Responde o homem de cabelos espetados apontando para Sakura que se encolhe mais ainda.
– Isso eu percebi pelo cheiro. – Retruca o moreno irritado com a resposta obvia que tinha recebido.
– Sasuke, ela está em uma cela como os nossos. – Explica Kiba. – Por que tratariam uma humana assim?
Sakura percebe que os olhos do moreno, chamado Sasuke, tornam-se mais curiosos, provavelmente somente agora tinha se dado conta do que o tal de Kiba tinha lhe dito.
– Hayate! – O chamado saiu meio gritado e rosnado pelo moreno chamado Sasuke.
– Sim Sasuke! – Fala um novo homem se apresentando, este tinha os cabelos compridos, mas não chegavam aos ombros e seus olhos eram pequenos e castanhos, também usava apenas um shorts.
– Abra essa cela. – Ordena Sasuke ainda sem tirar os olhos de Sakura que se encolhe ainda mais sobre a cama.
Sakura estava apavorada, não sabia o que esperar. Seu medo era tanto que nem viu quando a cela foi aberta, só reparou quando Sasuke, Kiba e o outro com corte de cabelo estranho entram em sua cela e se aproximam. O moreno avança e agarra Sakura pelos braços e a obriga a sair da cama.
Sakura quase não enxergava por causa das lágrimas que escorriam de seus olhos. Todo seu corpo protestava pelo movimento brusco.
– Por que está na cela, humana? – Pergunta Sasuke em um rosnado com o rosto quase grudado ao de Sakura que se encolhe e não responde. – Não me faça perder a paciência mulher. Vamos, me responda. — Demanda Sasuke furioso lhe balançando.
– Sasuke, olhe! – Fala o moreno de cabelo estranho se aproximando e afastando a camisola hospitalar de Sakura revelando a marca da mordida que tinha recebido. – Ela foi marcada.
Sakura treme ao ouvir o rosnado vindo de Sasuke. O olhar dele intercalava entre a mordida e o rosto da rosada. Ele parecia confuso.
– Quem te mordeu? – Pergunta Sasuke. – Quem te marcou?
Sakura não conseguia encontrar coragem nem forças para responder aquela pergunta. O medo que sentia estava lhe paralisando. Não tinha coragem nem mesmo para olhar para aquele que lhe ameaçava.
– ALFA! – O grito vinha do corredor, não era possível ver quem gritava. Sasuke olha pra trás. – TEMOS DE IR, ENCONTRAMOS TODOS.
Um novo rosnado de Sasuke é emitido e o corpo de Sakura é arremessado contra o moreno com cabelos estranhos que lhe segura nos braços.
– Ela vai conosco. – Demanda. – Leve-a para o helicóptero, Lee. – Comanda, já dando as costas e saindo da cela. Sakura acaba sendo jogada sobre os ombros do moreno de cabelos estranhos que se chamava Lee. Ele a carregava com facilidade pelos corredores, escadas e elevadores.
Por todo o caminho que passavam, Sakura reparava na bagunça em que tudo se encontrava. As luzes vermelhas ainda estavam acessas. Inúmeros corpos estavam espalhados pelos corredores, técnicos e seguranças, homens e mulheres, ninguém havia sido poupado. Mesmo estando com medo, a rosada não pode se impedir de sentir-se bem com a morte das pessoas que lhe fizeram mal, mas sentiu o bolo em sua garganta se formar ao ver o corpo de Ryo caído perto da portaria, com o pescoço estraçalhado.
Em poucos minutos estava do lado de fora do laboratório que havia se tornado sua prisão. Era noite, estava frio e chovendo. O barulho de helicópteros chama sua atenção e em pouco tempo estava dentro de um que logo decolou. Naquele helicóptero estavam, além dela, dois técnicos do laboratório, bastante machucados e desacordados e mais dois homens parcialmente nus e sujos de sangue, provavelmente eram lobos também. Um deles tinha os cabelos prateados, um olho era castanho enquanto o outro era negro, sobre o olho negro ele tinha uma cicatriz que cortava sua sobrancelha e parte de seu rosto em um corte vertical. O outro era muito parecido com o homem que estava lhe carregando que havia sido chamado de Lee, na verdade pareciam pai e filho.
– Por que trouxe essa humana Lee? Não usamos fêmeas como prisioneiras. – Pergunta o mais velho assim que ambos se acomodam no helicóptero.
– Sasuke mandou trazê-la. Ela foi marcada. – Informa.
– Quem a marcou? – Pergunta espantado olhando diretamente para Sakura que estava encolhida.
– Gai, deixe a conversa pra depois. – Corta o homem com os cabelos prateados. – Quando chegarmos à vila poderemos interrogá-la como quisermos.
Sakura se encolhe ao ouvir aquelas palavras.
Os minutos se passam e eles permanecem em completo silêncio. Sakura sentia-se muito mal. Seu corpo estava doendo mais que o normal, principalmente seu útero, a dor lembrava uma cólica, porém era mais intensa. Os minutos logo se tornam horas e a dor só piorava. Sakura fazia de tudo para impedir-se de gemer e chamar mais atenção sobre si, mas estava ficando difícil.
Sente que o helicóptero começa a descer, olha pela janela e percebe que o dia já estava amanhecendo. Não demora a sentir o baque da aeronave pousando. Rapidamente a porta é aberta e os três lobos tiram os técnicos e ela da aeronave e os arrastam por um gramado. Sakura estava muito fraca e por este motivo acabou caindo no chão quase levando consigo Lee que estava agarrado a seu braço. Sem esforço o lobo a ergue e a joga sobre seus ombros levando-a para onde queria.
A dor era tanta nesse momento que Sakura finalmente se permitiu refugiar-se no mundo do inconsciente.
Continua...
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