Lobos

4 O lobo no comando


Notas iniciais
Olha quem voltou!!! Espero que estejam ansiosos pela continuação... Nesse capitulo teremos uma alteração sobre a visão do narrador, dessa vez a Sakura não será o foco e sim nosso gato Sasuke! Boa leitura.

4º Capitulo – O lobo no comando

O sol já dava seus primeiros sinais de vida no horizonte enquanto o helicóptero se aproximava do final de sua viagem. A viagem havia sido longa, durando mais de cinco horas. Todos estavam cansados, sujos e famintos, mas a adrenalina ainda corria em suas veias e só se acalmaria quando estivessem em segurança. Agora faltavam apenas poucos minutos para pousarem em casa.

– Três minutos para pousarmos, Alfa. – Informa o piloto do helicóptero através do rádio.

Sasuke olha ao redor analisando aqueles que estavam com ele na aeronave. Estavam em seis pessoas. O piloto, um humano, Dan, Genma, Shino e a resgatada Hinata Hyuuga, além dele mesmo.

Shino dava a impressão de que estava dormindo tranquilamente, porém o moreno sabia que ele estava acordado e atento. Dan e Genma cuidavam dos inúmeros ferimentos que foram infligidos ao corpo de Hinata. E ele estava ali perdido em sua própria mente, vagando pelo passado negro que lhe atormentava.

Sasuke Uchiha era seu nome, o atual Alfa da matilha de lobos denominada Ambu. Era sua responsabilidade a segurança de todos que moravam em Konoha. Tinha também a função de encontrar e resgatar aqueles de seu povo que ainda eram mantidos como prisioneiros nos laboratórios da rede Akatsuki.

Konoha havia sido criada para ser sua mais nova casa e estava sendo utilizada nos últimos cinco anos. Era uma vila localizada no centro de uma densa floresta, particular, no meio do nada. As únicas formas de chegar ou sair da vila era de helicóptero ou barco. A cidade mais próxima ficava a mais de cem quilômetros de distância. Konoha era bem estruturada, não perdia em nada para uma cidade normal. Mercados, farmácias, lanchonetes, sorveterias, lojas e inúmeros outros tipos de comércios variados, incluindo um hospital equipado com o melhor que o dinheiro poderia comprar, afinal, pra eles, dinheiro não era problema nos últimos dez anos. A vila continha também a melhor infraestrutura de defesa já vista, incluindo radares aéreos e aquáticos. A vila havia sido projetada para ser completamente segura e impenetrável e era cem por cento vigiada por milhares de câmeras de segurança.

Há quinze anos, os lobos moravam em outro país em paz numa ilha com suas famílias, mantendo suas identidades em segredo do restante do mundo. Mas um dia, do nada, eles foram atacados por humanos, dezenas dos seus perderam a vida no ataque, aqueles que sobreviveram foram capturados, separados e aprisionados.

Sasuke havia ficado preso por cinco anos em um laboratório junto a vários dos seus. Foram vítimas de vários maus tratos, testes e experiências, até que um dia conseguiu fugir com a ajuda de dois humanos.

Tsunade e Jiraya trabalhavam no laboratório onde os lobos estavam sendo mantidos prisioneiros. Eram contra o que estavam fazendo com eles, mas ficaram quietos por medo de perderem suas vidas, mas juntos conseguiram formar um plano de resgate que foi posto em prática vários meses depois.

Eles haviam contratado uma equipe de mercenários e com a ajuda deles, Sasuke e mais cinquenta e três lobos conseguiram escapar com vida do laboratório. Porém o plano de Tsunade e Jiraya não consistia apenas na fuga deles. Um hacker, contratado, conseguiu invadir o banco de dados principal do laboratório, que era integrado a todos os laboratórios da rede Akatsuki espalhados pelo mundo e apagaram todos os dados, incluindo as pesquisas que estavam sendo feitas nos últimos anos sobre a sua espécie. Seus captores perderam todas as pesquisas que realizavam, não somente aquelas relacionadas a eles, mas tudo no que trabalhavam independe do campo de atuação, um prejuízo de milhares de dólares e a perda de vários anos de dedicação e pesquisa. Em questão de minutos os anos de pesquisas foram deletados da mesma forma que o sistema de backup também foi anulado tornando impossível recuperar qualquer dado deletado.

Porém o ponto alto do ataque planejado pelo casal de humanos foi invadir as contas bancárias do grupo Akatsuki e seu transferir o dinheiro para contas seguras em paraísos fiscais. Mais de cinquenta milhões de dólares foram desviados naquele dia. Este valor havia sido aplicado e hoje, dez anos depois, já tinham rendido muitos outros milhões que haviam proporcionado a construção de seu novo lar e financiavam a segurança de seu povo, além das buscas por aqueles que ainda estavam sendo mantidos prisioneiros.

Alianças haviam sido feitas. Mais de cinquenta humanos hoje viviam em Konoha em paz. Depois da fuga desenfreada do laboratório em que estavam sendo mantidos prisioneiros, Sasuke foi convencido por Tsunade e Jiraya que era sábio manter alguns humanos por perto, principalmente aqueles que o haviam resgatados, pois eram capacitados e já conheciam seu segredo. Hoje entre eles já havia confiança e os humanos eram tratados e valorizados como qualquer outro membro de sua matilha, eles eram responsáveis principalmente pela segurança do perímetro.

Pela janela do helicóptero eles visualizam Konoha se aproximando rapidamente.

– Me ligue com o centro de controle. – Pede Sasuke ao piloto.

– Aqui é controle de operações, prossiga. – A voz masculina é ouvida pelo rádio poucos momentos depois.

– Sasuke falando, temos três prisioneiros sendo transportados, dois homens e uma mulher, garanta que Morino esteja pronto pra iniciar os interrogatórios imediatamente. Eles estão sob a supervisão de Kakashi e Gai. Quero que o interrogatório da mulher seja realizado por Inoichi. – Sua voz tinha o tom natural de comando esperado de um Alfa.

– Entendido. – Confirma a mesma voz.

– Peça pra Tsunade e sua equipe ficarem em prontidão, temos seis resgatados bastante debilitados, principalmente as fêmeas e dois dos nossos foram feridos durante o resgate.

– Sasuke. – A voz inconfundível de Shikaku se faz ouvir pelo rádio. – Tem o nome dos resgatados?

– Sim. – Sasuke sabia que neste momento a sala de controle estava lotada de lobos com as respirações presas esperando sua resposta. Afinal todos ali perderam alguém de sua família e esperavam que dentre os resgatados estivesse alguém que fosse aliviar esta perda. – São: Iruka, Raidou, Sai, Tenten, Kurenai e Hinata Hyuuga.

– Entendido Alfa. Mais alguma coisa? – Questiona Shikaku.

– Por enquanto apenas isso. Encerrando.

Sasuke corta a comunicação com o centro de controle e concentra sua atenção na fêmea inconsciente à sua frente. Hinata estava muito ferida, os sinais de tortura estavam por todo o seu corpo, incluindo os claros sinais de estupro, o que já era padrão encontrar em todas as fêmeas que resgatavam e às vezes em alguns machos também. Mas diferente dos demais, ela tinha ferimentos à bala recentes, haviam sido tratados, mas o deixavam preocupado mesmo assim.

Sempre que conseguia resgatar algum dos seus ficava feliz, mas dessa vez estava ainda mais satisfeito, pois havia encontrado Iruka, antigo professor de seu melhor amigo Naruto, e Hinata filha de seu conselheiro Hiashi.

Hiashi havia perdido a esposa no parto de sua filha mais nova, Hanabi, que ainda estava desaparecida. Agora, com o retorno de Hinata esperava acabar com um pouco da amargura com a qual seu conselheiro vinha vivendo.

Poucos instantes depois o helicóptero começa a descer no campo de pouso do hospital de Konoha. Assim que o impacto do pouso balança a aeronave a porta é aberta por Dan. Sasuke pega Hinata nos braços e se afasta em direção ao prédio à sua frente.

O hospital de Konoha era composto por dois andares, a parte de baixo era a emergência e as salas de exames, e a de cima era onde ficavam os quartos para aqueles que precisavam de internamento. Visualiza uma equipe de médicos com macas correr em sua direção. Ele não hesita em deitar sua carga ali e vê-la sendo levada para dentro. Logo após terem descido do helicóptero, o mesmo havia decolado e outro estava pousando. Eles haviam utilizado cinco helicópteros nessa operação, e quatro deles estavam fazendo fila agora pra pousar e desembarcar os feridos. A quinta aeronave havia ido diretamente para a área norte da vila onde ficava o setor de investigação, era lá que os prisioneiros seriam interrogados.

Cansado e precisando de um banho, decide ir até sua casa que não ficava muito longe. Quando já estava na porta da frente do hospital encontra seu melhor amigo vindo em sua direção. Naruto tinha um sorriso enorme no rosto.

– Teme! – Naruto grita seu apelido de infância. – Você o encontrou.

Naruto não espera uma resposta e abraça o moreno de surpresa. Sasuke odiava contato físico desnecessário como esses rompantes de Naruto, mas como sabia que o amigo estava feliz decidiu relevar a situação, dessa vez.

– Como o Iruka está? – Pergunta empolgado.

– Não sei, ele veio em outro helicóptero, mas quando o vi não parecia nada bem. – Responde se afastando dos braços do loiro.

– Não importa, ele vai se recuperar agora que está em casa.

Naruto estava certo, agora que estavam em casa, poderiam se recuperar completamente de todo o mal que lhes foram feitos nesses anos. Sabia por experiência própria que não seria uma recuperação imediata, levaria meses pra que eles voltassem a ser o que eram antes, mas isso aconteceria mais cedo ou mais tarde.

OoOoOoOo

A sua casa ficava num complexo afastado do centro da vila, era quieto e pacato, do jeito que ele gostava. O clã Uchiha era um dos mais antigos e fortes dentre a matilha, por este motivo era dali que normalmente – nem sempre – saía o alfa da alcatéia. O Distrito Uchiha era um dos mais vazios da vila neste momento, poucos haviam sido encontrados.

Quando seu antigo lar foi atacado há quinze anos, os Uchihas foram os primeiros a chegarem ao campo de combate para defenderem seu povo, por este motivo foram os que mais tiveram perdas, juntamente com os Hyuugas.

Sasuke ainda tinha a esperança de encontrar o irmão mais velho, Itachi Uchiha e a mãe, Mikoto Uchiha, desaparecidos desde a invasão. Seu pai não havia sobrevivido ao ataque, ele havia assistido o assassinato de seu pai sem poder fazer nada para impedir.

Sua casa era uma réplica exata da casa ao qual havia nascido e crescido. Só que agora ele utilizava o quarto que antigamente era destinado a seus pais.

Menos de trinta minutos depois de ter descido do helicóptero estava de banho tomado e vestido com uma roupa confortável. Uma camisa aberta, de mangas compridas dobradas até a altura dos cotovelos, e uma calça sarja, tudo na cor branca, seus pés estavam calçados em uma sandália de couro marrom.

Com passos rápidos volta ao hospital e sem ser barrado entra na ala de emergência. O local estava mais calmo do que ele esperava. Era normal aquele lugar virar uma loucura nos dias em que conseguiam efetuar algum resgate, coisa que já não conseguiam fazer a quase quatro meses. Estava cada vez mais difícil encontrar o restante de seu povo, a Akatsuki estava aprendendo a escondê-los muito bem.

Aquela aérea da emergência era composta por cinco grandes salas com portas automáticas de vidro, onde eles prestavam os atendimentos iniciais aos feridos.

Sasuke logo identifica Iruka em uma das salas, ao seu lado estava Naruto sentado em silêncio, lhe observando.

– Como ele está? – Pergunta entrando no cômodo.

– Bem, seus ferimentos são graves, mas nada que não vá se curar. – Responde Naruto analisando as feições de seu antigo professor.

– Certo.

O moreno diz saindo logo em seguida indo para o quarto ao lado onde encontra Tsunade tratando de Hinata Hyuuga, ao lado da cama estava seu conselheiro Hiashi, que assim que o vê se aproxima rapidamente.

– Alfa. – Ele curva a cabeça em sinal de respeito. – Obrigada por trazer minha filha pra casa. – Sua voz estava mais grossa do que o normal, demonstrando toda a confusão de sentimentos que lhe assolavam.

Sasuke olha espantado para seu conselheiro, não era comum ver Hiashi Hyuuga agradecendo alguém, nem mesmo a ele que era seu alfa.

– Não há o que agradecer, é meu dever trazer nosso povo pra casa. — Fala com indiferença ignorando o rompante de sentimentalismo de seu conselheiro. – Tsunade, relatório dos feridos.

– Seis pacientes, três machos e três fêmeas. Sai já foi liberado, seus ferimentos são os menos graves, porém deve ser mantido sob vigilância por algum tempo. Foram encontrados vestígios de torturas psicológicas. Acredito que mesmo não tendo passado por tortura física, como os demais, ele foi o mais afetado com o tratamento que os humanos lhe designaram. Iruka está ferido, mas se recupera rapidamente, ficará bem em alguns dias se repousar o necessário. Raidou está fraco e anêmico, seu corpo é um dos mais debilitados dentre os machos... São as fêmeas que mais me preocupam no momento. Todas estão fracas. Seus batimentos cardíacos estão baixos e são preocupantes. Todas estão drogadas, anêmicas e desidratadas. Porém o estado de Hinata é o pior. Ela tem sinais de espancamento e de estupro recentes. Não um estupro normal, um animal. Quem o fez tinha a única intenção de machucá-la, além de cinco ferimentos à bala em processo de cura. Kurenai e Tenten também têm indícios de vários estupros. Saberei realmente o estado delas quando o efeito das drogas passarem.

– Tsunade... – A voz de Karin entrando na sala chama a atenção de todos.

Karin era uma bela mulher de cabelos ruivos e olhos vermelhos, usava óculos em sua forma humana mais pra dar charme do que por necessidade. Ela sorri para Sasuke quando o vê.

– Se feriu? – Pergunta ao líder, recebendo um gesto negativo com a cabeça. – Que bom. Tenten ficará bem, já terminei de examiná-la. Deve ficar em repouso até que o efeito da droga passe, pra depois fazermos uma nova avaliação.

– Que bom. Karin quero que me faça um favor... Estamos quase terminando com a senhorita Hyuuga, quero que leve Sasuke e o faça comer algo.

Sasuke rosna ao ver que a mulher estava mando-o embora.

– Não rosne pra mim Sasuke. Como médica, ordeno que vá comer algo, aposto que não comeu nada desde que saiu pra atacar aquele laboratório. – Tsunade manda autoritária. Sasuke podia ser o alfa, mas ela, como médica, também tinha autoridade.

– Certo Tsunade. – Fala Karin se aproximando de Sasuke e segurando-o pelo braço. – Vamos, você sabe que não adianta discutir com ela. Basta comer alguma coisa e pronto.

Sem opção, Sasuke decide obedecer e acompanha a ruiva. Eles saem do hospital e vão até o restaurante que havia em frente ao prédio. Sem paciência, Sasuke senta-se à mesa enquanto Karin serve seu prato no Buffet. Ela lhe serve um pouco de tudo, do jeito que ele gostava.

O moreno só percebe o quanto estava faminto ao levar a primeira garfada à boca. Os minutos seguintes passam em silêncio entre os dois. Devido à fome, não demora para que o moreno esvazie o prato, satisfeito pela boa refeição.

Sem perder tempo, Sasuke levanta-se e sai, deixando que Karin cuidasse da conta. Quando estava no meio do caminho para a área de interrogatório é alcançado pela ruiva que passa a caminhar a seu lado.

– O que quer Karin?

– Vou acompanhá-lo... Fiquei sabendo que temos uma humana sendo interrogada e que você pediu pra ela ser interrogada por Inoichi. – Comenta.

– O que tem isso?

– Inoichi só interroga quando temos algo especial, os mais difíceis. O que é dessa vez? – Pergunta curiosa.

Sasuke continua andando em completo silêncio. Havia, até aquele momento, tentado esquecer a humana que haviam encontrado no laboratório. Mas agora lembrava-se com incômodo de sua presença. Algo naquela fêmea o intrigava. Quando a olhou pela primeira vez dentro daquela cela havia sentido algo que nunca sentiu antes e tinha certo receio do que isso poderia significar. Conseguia distinguir que a humana estava ferida, pois cheirava a sangue fresco, ela estava fraca e apavorada. Mas seus olhos... seus olhos estavam vivos e brilhantes e haviam sido aqueles olhos verdes que mais lhe chamaram a atenção.

– Ela foi marcada. – Fala depois de muito tempo em silêncio.

– Marcada?! – Pergunta chocada ainda andando ao lado de Sasuke.

– Sim, e duvido que tenham sido Iruka, Raidou ou Sai a marcá-la. – Revela deixando transparecer parte de seu medo.

– Isso significa que teria outro lobo no laboratório. – Acompanha o raciocínio de Sasuke.

– Sim. Mas nós revistamos tudo, trouxemos todos que encontramos.

Eles fazem o resto do trajeto em silêncio, caminhando lado a lado.

O prédio de investigação era composto, externamente, apenas por um único andar. Internamente ele possuía mais três andares subterrâneos. Somente aqueles com autorização podiam entrar no prédio. Eles se aproximam da porta que daria acesso aos andares inferiores, mas antes de cruzar a porta, Karin agarra os braços de Sasuke e o puxa para um corredor afastado.

– O que está fazendo Karin? – Pergunta o moreno irritado.

– Fique quieto e venha comigo. – Fala Karin.

No fim daquele corredor ficava a biblioteca do setor de inteligência de Konoha, o local era grande e reservado e estava deserto no momento. Karin aproveita pra entrar e trancar a porta.

– Pronto, agora você pode relaxar um pouco. – Fala a ruiva apoiada na porta com um simples sorriso no rosto.

– Tenho muita coisa pra fazer ainda Karin. Trouxemos prisioneiros e preciso saber o que eles sabem. – Fala Sasuke parado no meio do aposento.

– Ibiki cuidará dos prisioneiros, ele adora quando tem alguém pra interrogar. Você está cansado Sasuke, posso ver isso em seus olhos. Vamos, sente-se que lhe farei uma massagem. – Demanda se afastando da porta e empurrando o alfa contra uma cadeira de encosto baixo, que lhe permitiria facilmente fazer a massagem.

Sem opção e realmente se sentindo cansado, o moreno deixa-se manejar pela ruiva. Ela o faz retirar a camisa e começa a massagear seus ombros e nuca. Um gemido misturado com rosnado escapa de seus lábios ao sentir seus músculos começarem a relaxar.

Karin sempre soube como fazer seu alfa relaxar. Ela conhecia seus pontos fracos e os explorava quando precisava, como naquele momento. Minutos se passam e eles mantinham o silêncio.

Sasuke sabia como aquilo iria acabar, já estava sentindo os efeitos de sua excitação. Era sempre assim quando Karin lhe fazia uma massagem, principalmente depois de uma missão quando a adrenalina ainda corria por sua corrente sanguínea.

– Está melhor? – Pergunta Karin parando a massagem e sentando-se em seu colo, sem pudor algum. Ela trajava uma camiseta branca com uma saia preta bem curta e provocante.

– Ainda não. – Fala Sasuke erguendo-a de seu colo e arrancando sua calcinha com uma velocidade sobre humana. No segundo seguinte sua calça estava aberta e estava trazendo a mulher novamente para seu colo, agora com esta sentada de frente para si. Sem preliminares ele se encaixa nela e a invade, mas ela não estava seca, isso ele já sabia e comprovou, ela já estava pronta pra recebê-lo desde que estavam no restaurante, tinha sentido o claro cheiro de sua excitação.

–Hm!

Ela geme alto ao sentir-se ser invadida daquela forma afoita. Karin começa a mover seu corpo para cima e para baixo com a ajuda de Sasuke que segurava em sua cintura. Sempre que Karin descia seu corpo, Sasuke levava o seu de encontro a ela pra conseguir assim ir ainda mais fundo. A ruiva passa os braços pelo pescoço do moreno e esconde seu rosto pra abafar seus gemidos. O prédio estava cheio de lobos e eles tinham ótimos sentidos de olfato e audição, apesar de que nenhum deles iria lhes interromper, sabiam disso, pois ali estava o alfa, seu líder.

Karin já sentia seu corpo pesado dificultando seus movimentos, aquela posição exigia muito dela. Percebendo isso, Sasuke a segura pelas pernas e fica de pé. Pra não cair, ela abraça a cintura dele com as pernas enquanto ele atravessava a biblioteca em direção a um sofá de três lugares que ficava no canto afastado. Ele a deita ali ficando por cima retomando as investidas logo em seguida. Minutos se passam e eles continuam naquela dança de corpos e membros embolados e unidos, até que Sasuke sente o corpo de Karin lhe apertar enquanto ela jogava a cabeça pra trás e mordia os lábios pra se impedir de gritar ao chegar a seu orgasmo. Ele a acompanha poucas estocadas depois, preenchendo seu interior.

Cansado, o moreno deixa-se cair sobre o corpo de Karin que apenas lhe abraça. Os dois estavam suados e ofegantes. Não demora e o moreno acaba dormindo tranquilamente enquanto tinha seus cabelos envolvidos em uma lenta carícia.

Karin amava seu alfa desde que foi resgatada do laboratório para o qual tinha sido levada. No momento em que o viu entrando e matando os guardas para lhe soltar, se apaixonou imediatamente. Sempre fez de tudo para lhe agradar. Quando eles começaram a dormir juntos tinha ficado muito feliz. Ainda amava Sasuke como naquele dia a quatro anos atrás, mas agora sempre que eles faziam amor ela ficava muito triste. Tudo porque Sasuke não a havia assumido oficialmente. Todos na matilha sabiam que eles estavam juntos, mas não era uma união oficial, eram apenas amantes. Ela queria que ele a reclamasse como sua na frente de todos. E queria também poder lhe beijar.

Beijar era algo tão simples, mas que eles nunca fizeram. Sasuke não permitia um beijo, e não havia sido por falta de tentativa. Haviam até mesmo brigado por este motivo inúmeras vezes, ela, claro, sempre perdeu a discussão.

Quase duas horas depois, Sasuke finalmente acorda renovado. E quando percebe que havia adormecido naquele lugar fica furioso consigo mesmo e com pressa levanta-se e começa a ajeitar suas roupas da mesma forma que Karin. Ambos sabiam que estavam cheirando a sexo, e que todos iriam sentir seu cheiro, mas não havia nada que pudessem fazer, não que Karin ligasse, gostava de mostrar como ela dividia “a cama” com o alfa.

Sasuke sempre ficava de mau humor quando Karin conseguia lhe seduzir fora de casa. Ele detestava cheirar a sexo, ainda mais quando sabia que todos na vila sentiriam seus cheiros misturados quando passassem. Sabia que seus encontros com Karin já eram do conhecimento de todos, mas não gostava de deixar isso à mostra. Não gostava de expor sua vida para todos. Ser alfa já deixava sua vida em evidência demais, gostava de ser discreto, passar despercebido quanto a sua intimidade.

Em completo silêncio o casal sai da biblioteca e dirige-se para o elevador indo direto a sala principal de interrogatório. Pelo caminho encontram alguns lobos que passavam por ali. O casal nota a forma como os demais farejavam o ar enquanto passavam e isso era devido ao cheiro de sexo que seus corpos emanavam, isso animava Karin e irritava Sasuke. Quando finalmente chegam à sala de interrogatório entram sem cerimônias.

O local era amplo e azulejado do chão ao teto. Haviam várias mesas de alumínio cheias de instrumentos utilizados nos interrogatórios. Duas mesas de alumínio muito parecidas com as de necrotério ficavam no centro da sala, sendo que uma estava sendo desocupada no momento.

Um dos prisioneiros que tinha trazido estava sendo retirado da mesa e colocado dentro de um saco plástico preto, Ibiki tinha terminado de interrogá-lo. Ninguém sobrevivia aos interrogatórios de Ibiki Morino, seus meios de conseguir as informações eram invasivos, cruéis e definitivos.

Morino era um homem alto, porte imponente, não tinha cabelos e sua cabeça era coberta de cicatrizes de queimaduras adquiridas em cativeiro, estas ele escondia mantendo uma faixa de tecido amarrada sobre o local.

Na sala se encontravam, além dele, Morino e Karin, Naruto, Kakashi, Inoichi e Shikaku.

Esses cinco homens eram os braços direito e esquerdo de Sasuke e lhe ajudavam a garantir a segurança de sua matilha. Inoichi era muito bom no interrogatório, sua especialidade era na tortura psicológica, enquanto que Morino se concentrava na física. Shikaku era seu estrategista militar, sempre lhe ajudava a montar os planos de ação para o resgate dos seus. Kakashi gozava de sua inteira confiança por ser seu antigo mentor e agora era seu conselheiro. E Naruto era seu melhor amigo, substituto quando tinha de sair da vila e também seu conselheiro.

– O que conseguiu até agora Morino? – Pergunta com a voz grossa anunciando sua presença.

– Alfa! – Morino curva a cabeça em sinal de respeito e se aproxima quatro passos antes de começar a falar. – Já interroguei um dos prisioneiros. Ele não tinha acesso a muita informação. A Akatsuki está cada vez mais fechando o círculo de informações para evitar algum vazamento. Mas conseguimos descobrir que havia um lobo com “permissão” para transitar pelo complexo.

– Um lobo? – Questiona confuso, normalmente o seu povo era mantido em jaulas e não tinham permissão para circular livremente.

– Sim. Pelo que o homem disse, ele trabalhava para Orochimaru. – Informa frio.

Morino era um homem que raríssimas vezes era surpreendido por alguma coisa, por isso tratava aquela informação como outra qualquer, mesmo ela não sendo. Um lobo trabalhando para Orochimaru significava que existia um traidor entre eles. Isso era inconcebível para Sasuke e Naruto que expressavam claramente o que sentiam, indignação.

– A informação é segura? – Questiona ainda reticente com a possibilidade.

– Não acredito que aquele humano tenha mentido pra mim em meio ao interrogatório. Sei induzir meus prisioneiros a falarem apenas a verdade. – Se gaba Morino, seguro do que dizia.

Sasuke fica em silêncio processando a informação por algum tempo, aquilo era impossível, nenhum dos seus seria capaz de fazer mal a outros da própria espécie.

– Sasuke. – Kakashi chama a atenção de seu ex-aprendiz. – A fêmea que trouxemos, ela foi marcada. Ela poderá nos dizer quem a marcou, se não foi um dos prisioneiros, ela saberá descrever como era esse lobo e saberemos quem é o traidor.

O moreno olha para seu ex-sensei pensativo, concordava com seu raciocínio, aquela mulher havia sido marcada, reivindicada por um macho de sua espécie. As chances de ela ter sido marcada por Sai, Iruka ou Raidou eram pequenas, mas era uma possibilidade. E se não havia sido algum deles, ela poderia descrever o culpado e eles saberiam a identidade do possível traidor.

– Certo, tragam a fêmea. – Ordena decidido.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado dessa nova visão!!! Não esqueçam de comentar!