Lobos

1 O dia em que tudo deu errado


Notas iniciais
E aqui começa uma nova saga, espero que gostem.

1º Capitulo – O dia em que tudo deu errado

O dia estava calmo, o céu, ensolarado. A cidade estava agitada com mais um início de semana. As pessoas corriam de um lado para o outro, desesperados para chegar no horário a seus empregos. Carros andavam em alta velocidade deixando para trás pessoas que andavam o mais rápido que suas pernas poderiam lhes movimentar.

Junto a esta multidão se encontrava uma mulher com longos cabelos rosa que andava quase correndo pela calçada, desesperada para chegar ao ponto de ônibus no horário. Para seu verdadeiro desespero perde sua condução por segundos.

Sem fôlego, devido à corrida desenfreada, senta-se no banco de madeira branca que tinha ali e apoia a cabeça nas mãos, enquanto recupera o fôlego perdido. Estava “ferrada” e sabia disso. Seu chefe era intolerante a atrasos, ainda mais numa segunda-feira e muito menos com a visita de seus superiores agendada para aquele mesmo dia no período da tarde.

Seu chefe era um homem muito mal humorado e que vivia implicando com ela desde o primeiro dia. Assumia que em seu primeiro dia de trabalho estava muito nervosa e tinha cometido terríveis erros, muitos deles bobos. Mas aquele homem nunca os esqueceu, e nos meses seguintes à sua chegada fez de sua vida um inferno. Sempre lhe dava as piores tarefas para fazer. Ela nunca reclamava, é claro. Precisava daquele emprego, ajudaria a se formar com melhores notas e o dinheiro que conseguia com ele era alto e bancava as despesas que tinha na faculdade.

Estava cursando medicina, o que não era nada fácil. Vinha de uma família muito pobre que não tinha condições de bancar uma boa universidade. Por este motivo dedicou todo o seu tempo livre para estudar. Deixou de lado os amigos, as festas e até mesmo seus familiares para se trancar em seu quarto e estudar. O que com certeza valeu a pena quando conseguiu passar no vestibular e ganhar uma bolsa de estudos completa na melhor faculdade de medicina da cidade.

Agora, durante o dia ela trabalhava em um laboratório farmacológico renomado em sua cidade, enquanto à noite se dedicava completamente aos estudos, para um dia ter seu mais que sonhado diploma de médica.

Após minutos desesperadores de espera, o próximo ônibus chega e ela entra. O mesmo estava abarrotado de gente e tanta aglomeração a fazia sentir calor. Estava usando uma calça jeans azul escura e uma blusa básica bege com mangas longas.

Parecia que tudo conspirava contra ela naquele dia. Logo cedo teve de voltar correndo para casa porque esqueceu o celular sobre a mesa. Devido a isso perdeu a condução, mas estava tranquila, porque diariamente fazia aquele trajeto e sabia que tinha uma tolerância de quase meia hora para pegar o próximo ônibus e não chegar atrasada. Só que não contou que haveria com acidente no trajeto e que levaria mais tempo que o normal e devido a isso tinha perdido a segunda condução do dia.

O laboratório em que trabalhava ficava longe de sua casa, por este motivo tinha de pegar dois ônibus diariamente para ir trabalhar, um para ir à faculdade depois do trabalho e mais dois ônibus para voltar pra casa já tarde da noite. Podia dizer que passava um terço de seu dia dentro de um ônibus. Mas essa era a vida e não reclamava disso, pois estava fazendo tudo o que podia para que um dia pudesse mudar a sua vida e a de sua família. Queria no futuro dar condições melhores de vida para seus pais. Eles sempre sacrificaram muito para cuidar dela e de seu irmão. Muitos de seus sonhos foram esquecidos e Sakura não conseguia esquecer estes sacrifícios, um dia iria dar-lhes a vida que sempre sonharam. Faria de tudo para que eles vivessem com conforto. Era por eles que se sacrificava diariamente e aguentava calada os abusos de seu chefe.

Depois de vinte minutos de viagem, desce em seu ponto e corre pelas ruas para chegar ao prédio ao qual trabalhava. Já estava atrasada há dez minutos. O ponto de ônibus ficava a duas quadras do prédio em que trabalhava e quando chegou aos portões de ferro já estava suada e sem fôlego novamente.

Com rapidez, se aproximou da guarita abrindo o pequeno portão destinado a passagem dos funcionários. Havia um corredor longo e estreito e no meio um portão que mais parecia uma porta giratória. Ela tinha de passar seu cartão de acesso para que conseguisse liberar sua entrada.

Desesperada se aproxima do portão e revira a bolsa atrás do cartão de acesso. Como sempre, quando estava com pressa nunca encontrava o que estava procurando. Já irritada por não achar o cartão, agachasse e joga sobre o piso limpo e espelhado o conteúdo de sua bolsa e facilmente visualiza o cartão de acesso branco. O mais rápido que conseguia, guarda todos os seus pertences novamente na bolsa, de qualquer jeito, e se aproxima do portão onde passa o cartão de acesso que emite um bip e acende uma luz verde sobre sua cabeça, liberando seu acesso e destravando o portão.

Continuando seu trajeto pelo corredor chega à recepção, onde olha para o lado e encontra um dos seguranças do local, seu nome era Ryo. Ele era um dos poucos guardas que não era mal encarado e sempre lhe cumprimentava.

– Bom dia Ryo. – Sakura fala sem parar de correr.

– Está atrasada Sakura. O Dr. Kabuto ficará furioso.

Ryo era um homem na casa dos trinta anos de idade, forte e viril. Seus músculos eram avantajados e causavam certo medo em Sakura. Seus cabelos sempre eram mantidos ao estilo militar, muito curtos. Seu olhar era sereno, mas vigilante.

– Eu sei. Tenha um bom dia Ryo. — Sakura se despede já gritando, pois estava do outro lado da recepção entrando no elevador.

O laboratório em que trabalhava era enorme, acima dos padrões normais. Era um dos maiores e mais renomados laboratórios de todo o país. A segurança era enorme. O prédio tinha andares superiores e inferiores.

Nos andares superiores ficavam os escritórios administrativos e de segurança. Era composto por quatro andares, com salas amplas e arejadas. Dezenas de pessoas trabalhavam naquelas salas durante o dia. A maioria advogados, analistas e inúmeros outros profissionais que sempre estavam bem vestidos com seus ternos caros e seus vestidos impecáveis.

Já os andares inferiores eram destinados aos laboratórios e eram subdivididos em dois níveis. O primeiro era o nível que qualquer pessoa com liberação para o laboratório poderia acessar, como Sakura e outros técnicos. Era composto por cinco andares. Cada andar era responsável por algum tipo de produção diferente. Sakura normalmente ficava no terceiro andar (abaixo do subsolo) do primeiro nível, eram os laboratórios de antidepressivos. Era um setor calmo, porem exigia-lhe muita atenção.

Sakura não tinha acesso ao segundo nível dos andares inferiores. Não sabia quantos andares ele possuía. Só sabia que era ali que eles faziam testes experimentais de novos medicamentos para doenças contagiosas. Somente profissionais de alto nível poderiam descer àqueles andares. E o faziam por um elevador exclusivo, onde precisava de uma senha para conseguir descer. A segurança era muito reforçada naquela área. Soube que ali eles mantinham animais de grande porte para que pudessem fazer experimentos. Ela odiava essa parte do trabalho.

No seu dia a dia, sempre assistia testes serem feitos em camundongos. Apesar de não gostar de roedores, detestava ver-lhes sendo afligidos por sofrimento, mesmo sabendo que aquilo era necessário para que vidas humanas fossem salvas. Ela não conseguia simplesmente fazer vista grossa para o sofrimento alheio, sua mãe sempre dizia que ela tinha uma empatia muito grande e que era isso que a fazia querer ser médica, querer ajudar a salvar outras pessoas.

Finalmente chega à sala destinada aos funcionários do laboratório pra se trocarem. Aquela sala era cheia de armários de metal individuais onde poderiam deixar seus pertences guardados durante o expediente, nos laboratórios não era permitido nenhum tipo de acessório. Rapidamente ela se aproxima de seu armário e o abre após colocar a senha no cadeado. Com pressa, joga a bolsa dentro do armário de qualquer jeito e pega seu uniforme, andando rapidamente até o banheiro para se trocar.

O uniforme era muito parecido com o de médicos, o que lhe agradava. As mulheres usavam uma roupa lilás composta por calças largas e leves e uma camiseta em gola V com bolsos sobre seus seios e um jaleco longo e branco com braços, igualzinho aos usados por médicos.

Após se trocar volta correndo ao armário e joga suas roupas de qualquer jeito pegando seu crachá de identificação, com sua foto e nome, colocando-o no pescoço e sai correndo porta afora.

Novamente pega o elevador e desce mais dois andares, era ali que ficava o laboratório que normalmente trabalhava. Agora bastava rezar para não cruzar com o Dr. Kabuto.

Não chegou nem sequer a terminar a oração silenciosa que estava fazendo. Quando as portas do elevador se abrem encontra seu algoz parado à sua frente.

O Dr. Kabuto era um profissional muito novo e respeitado. Era considerado um gênio. Havia conseguido se formar cedo. E hoje, com apenas vinte e cinco anos de idade, já estava no comando de todos os laboratórios daquela filial e era o braço direito do diretor, o Dr. Orochimaru. Kabuto tinha a mesma altura que a sua e um porte altivo e arrogante. Seus cabelos eram de um tom acinzentado e ele sempre usava seus característicos óculos arredondados que lhe davam um ar de seriedade acima do normal.

Era possível identificar em sua face o mau humor rotineiro que apresentava ao ver algo que lhe desagradava. E Sakura sabia que estava muito, mas muito encrencada nesse dia. Isso que era apenas início da semana.

Tentando recuperar a calma que estava quase perdendo, respira fundo e tenta reorganizar seus pensamentos se concentrando no homem carrancudo à sua frente. Se fosse possível matar alguém apenas com um olhar, Sakura sabia que já estaria morta apenas com a intensidade do olhar direcionado pelo Dr. Kabuto sobre si.

– Senhorita Haruno, exatamente vinte um minutos atrasada. – Informa o homem após consultar o relógio. – Que explicação tem para o atraso de hoje? – Pergunta enquanto ajeitava os óculos sobre seus olhos.

– Bom dia Dr. Kabuto. – Sakura dá um passo para fora do elevador e curva-se para o homem de forma humilde. – Me atrasei e perdi a condução que costumo pegar. Peço que me perdoe e me permita pagar meu atraso em minha hora de almoço. – Pede sem levantar a cabeça.

– É o mínimo que deve fazer após essa demonstração de falta de responsabilidade. – Determina Kabuto olhando-a de forma superior.

– Obrigada. – Sakura agradece e se curva mais ainda, antes de se endireitar e começar a se afastar, indo em direção à sala onde costumava trabalhar.

– Senhorita Haruno!

Sakura treme ao ouvir seu nome sendo chamado por Kabuto. Sem opção, para de andar e se volta para seu superior.

– Sim.

– Hoje quero que se dirija ao quinto andar. – Informa já dando as costas para Sakura e entrando no elevador com um sorriso irônico nos lábios.

Com muito custo Sakura consegue se impedir de gemer ao ouvir as palavras de seu superior. Sakura sabia que Kabuto não deixaria seu atraso impune, ele sempre achava alguma punição para aplicar. Só não esperava que seu humor estivesse tão negro ao ponto de enviá-la para o quinto andar.

Sakura odiava aquele andar. Era o andar destinado aos remédios para o tratamento de doenças como o câncer. Se fosse apenas para lidar com os remédios, ela não daria nenhuma importância àquela ordem. Mas ela sabia exatamente para que setor Kabuto a estava designando naquele dia e já sofria com antecedência.

Sem opção volta ao elevador e espera até que o mesmo retorne. Em poucos minutos já estava no dito andar que tanto odiava. Aquele era o último andar ao qual tinha acesso, abaixo de onde estava ficava os laboratórios do segundo nível.

Com passos vacilantes atravessa inúmeros corredores até chegar à porta que mais temia naquele prédio. Atrás dela estavam os animais que eram utilizados como cobaias para os testes de novas fórmulas farmacológicas de remédios para o tratamento do câncer. Era a única sala que continha aquele tipo de experimento no primeiro nível, diferente do andar ao qual costumava trabalhar. Naquele andar eles faziam testes em animais de maior porte como chimpanzés, cachorros, porcos e gatos. Partia-lhe a alma ver o estado de saúde de muitos daqueles animais, que apenas sofriam dia após dia sem esperança de sobreviver ou de terem uma vida melhor. Estavam fadados a morrerem de forma lenta e dolorosa para que novos remédios chegassem ao mercado e curassem pessoas doentes à beira da morte ou lhes estendessem alguns dias, semanas ou até meses de vida, quem sabe até mesmo anos.

Tentando criar coragem respira fundo e ergue uma barreira defensiva em torno de seu coração para não sofrer com o que estava prestes a visualizar. Após alguns instantes abre a porta e seus ouvidos são bombardeados com os lamentos de mais de cinquenta animais em sofrimento. Com um nó na garganta atravessa a sala evitando olhar para as jaulas que continham animais que a olhavam suplicantes por ajuda.

Respira fundo quando fecha a porta atrás de si. Estava em outra sala. Ali haviam cerca de dez pesquisadores. Num canto afastado da sala, encontrava-se uma jaula contendo um cachorro que gemia lamentosamente enquanto dois pesquisadores o olhavam com suas pranchetas nas mãos tomando nota.

– Bom dia Sakura. – A voz vinha de um dos pesquisadores que estava sentado sobre uma bancada à sua esquerda, era o chefe daquela pesquisa.

– Bom dia Dr. Imamura. – Deseja Sakura tirando os olhos do pobre animal.

Dr. Imamura era um homem na casa dos cinquenta anos de idade, muito simpático e gentil. Era um dos poucos que se importavam com os sentimentos de Sakura e sabia que a mesma ficava muito mal por estar ali.

– O que fez para Kabuto te enviar para nós hoje? – Pergunta simpático como sempre.

– Me atrasei. O dia está sendo uma loucura. Estou começando a achar que não deveria ter saído da cama hoje. – Fala enquanto se aproximava da bancada.

– Não se preocupe, tenho um monte de dados que precisam ser carregados no sistema. – Informa com um sorriso no rosto.

– Ah, Imamura, salvou meu dia. – Alivia-se Sakura levando a mão ao peito.

Graças a Imamura, Sakura não iria precisar lidar diretamente com os pobres animais. Precisava apenas concentrar-se nos dados que Imamura lhe daria e os passar corretamente para o computador, registrando o avanço das pesquisas.

A manhã acaba voando e todos saem para almoçar, apenas Sakura fica para trás, iria pagar os vinte e um minutos de atraso como havia prometido.

Quando finalmente dá o horário, seu estômago estava roncando de fome. Salva os dados ao qual estava trabalhando e fecha o sistema. Respira fundo saindo da sala e passando pelas jaulas dos animais rapidamente.

Estava indo em direção ao elevador quando sua atenção é atraída por um grito. O grito vinha da direção contrária que tomava e era de uma mulher que parecia apavorada. Preocupada, Sakura corre pelo corredor procurando a fonte do grito. Passa pela porta ao qual havia saído e continua pelo corredor rapidamente. Alguns corredores à frente, para procurando ouvir qualquer som que a ajudasse a encontrar a mulher que precisava de ajuda. Porém não ouve novos gritos dela.

Preocupada, continua andando pelo corredor, abrindo as portas que estavam destrancadas, conferindo seu interior. Um pouco mais à frente ouve gemidos e corre para ver o que era.

O barulho vinha de trás de uma porta que estava fechada, mas não trancada. Sem parar para pensar no que estava fazendo, abre bruscamente a porta e encontra uma sala ampla e completamente branca. Tinha uma cama de hospital no centro e inúmeros equipamentos médicos que ela desconhecia. Alguns instrumentos médicos estavam no chão, espalhados de qualquer forma. Porém não foram os equipamentos médicos de última geração que chamaram sua atenção e sim o homem e a mulher que estavam ali dentro.

A mulher era muito bonita, cabelos azulados na altura dos ombros. Ela estava nua e amarrada à maca com as tiras de contenção, seu rosto estava banhado pelas lágrimas silenciosas que escorriam de seus olhos fechados. Já o homem estava vestido com um jaleco branco, seus cabelos eram pretos e ele estava sobre a cama, entre as pernas da mulher tampando sua boca com uma mão enquanto que com a outra apertava seu seio direito. Ele a estava estuprando. Os gemidos que ela havia ouvido do lado de fora vinham dele, que nem a havia visto parada ali, até o momento.

Sem pensar no estava fazendo e preenchida de pura fúria, Sakura atravessa a sala em poucos passos e se joga sobre o homem, arrancando-o da cama e jogando-o de qualquer jeito no chão. Vendo tudo vermelho, não hesita em sentar sobre seu peito e começar a lhe desferir inúmeros socos.

O homem apenas se defendia tentando proteger seu rosto que era desconhecido para Sakura. Quando sentia que seus punhos não mais aguentariam permanecer naquele ataque desenfreado, a rosada se levanta e passa a chutar o desconhecido sem vergonha. Concentrava-se em suas partes baixas e rosto. Só parou de espancá-lo quando o mesmo já não se mexia mais.

Sem fôlego, Sakura para de chutar o homem e o olha demoradamente. O mesmo estava desmaiado e seu rosto estava coberto de sangue. Voltando à sua razão, mas não tendo pena do homem caído a seus pés, vira-se para a cama hospitalar e vê que a mulher lhe olhava. Ela já não chorava mais, apesar de seu rosto ainda estar molhado. Seus olhos eram lindos, nunca tinha visto nada parecido com aquilo, eram enormes e perolados. Em silêncio, se aproxima da cama e rapidamente, com mãos trêmulas, remove as amarras das pernas dela. Quando se concentra nas amarras de seus pulsos começa a falar gentilmente.

– Calma, está tudo bem. Aquele homem desprezível não vai chegar perto de você.

Quando a mulher já estava completamente livre, Sakura retira seu jaleco e o estende sobre o corpo nu à sua frente.

– Aqui querida, vista isso. – Fala ajudando-a a se sentar. — Sei que deve estar apavorada, mais do que eu, mas, por favor, temos de sair daqui antes dele acordar. Não quero estar por perto quando ele ver o estrago que fiz em seu rosto.

Sakura ampara a mulher que parecia estar bem debilitada, até mesmo parecia drogada, e juntas saem da sala, deixando a porta aberta.

– Fique tranquila, eu vou ajudá-la. – Sakura tentava acalmar a mulher, apesar de parecer que ela estava mais nervosa que a própria vítima. Tinha quase certeza que aquele homem a tinha drogado com alguma coisa antes de atacá-la.

Elas continuam andando pelos corredores que Sakura havia atravessado há poucos minutos atrás, até que ela ouve o barulho de vários passos apressados se aproximando à sua frente. A rosada respira aliviada, pois a ajuda estava vindo. Provavelmente as câmeras de segurança filmaram o que tinha acontecido e a segurança tinha se agilizado.

Porém ela nota algo estranho. Quanto mais o barulho de passos se aproximava, mais a mulher que estava ajudando ficava apavorada em seus braços. Talvez estivesse com vergonha, tinha de acalmá-la.

– Está tudo bem, eles estão aqui para ajudar, não precisa ter medo. – Sakura fala sorrindo para a mulher que não aparentava ter mais de vinte anos de idade e que no momento estava com os olhos esbugalhados de puro pavor enquanto seu corpo tremia todo.

Poucos instantes depois, vários guardas surgem à sua frente com armas em punho, apontando ameaçadoramente para ambas. Sakura assusta-se com a situação em que se encontrava e a mulher em seus braços que ainda tremia, começou a rosnar.

Isso mesmo, ela estava rosnando, para o espanto de Sakura, que apenas lhe encara por alguns instantes antes de voltar sua atenção para os guardas e começar a explicar o que estava acontecendo.

– Ela foi atacada. Um homem a estava estuprando quando eu a encontrei. Eu o deixei inconsciente lá atrás. – Fala tudo correndo, com pressa. – Por favor, abaixem essas armas e me ajudem a cuidar dela. — Sakura estava começando a ficar preocupada.

Mesmo após explicar o que tinha acontecido, as armas continuaram sendo apontadas para ambas. Sakura sente os braços da mulher abandonando seus ombros e se afastando, enquanto ela continuava a rosnar de forma rouca e agressiva. A rosada vê a morena se abaixar lentamente ao seu lado, ficando de quatro. Logo em seguida, a coisa mais incrível e inacreditável que Sakura já viu, aconteceu.

A mulher começou a se transformar. Pêlos cresciam em seu corpo. Eles eram negros, com mesclas brancas. Em questão de segundos a mulher que Sakura estava amparando e ajudando não estava mais perante si. À sua frente agora se encontrava o maior lobo que já tinha visto em vida, e este parecia perigoso e com certeza estava irritado e a um passo de atacar aqueles seguranças que lhe apontavam armas de fogo.

Continua...

Notas finais
E ai o que acharam??Não esqueçam de comentar e deixar uma autora feliz aqui desse lado!