Lobos

16 Medo e Morte


Capitulo 16 – Medo e Morte

Seis carros da polícia se encontravam escondidos no estacionamento interno do Hospital Meritxell enquanto aguardavam o melhor momento para deixar o prédio. Pelo rádio ouviam tudo o que se passava nos andares superiores e sabiam que a situação apesar de não ser boa, estava a seu favor.

— Por que ainda estamos aqui? – A voz nervosa e preocupada soa pelo interior do veículo, chamando a atenção do único humano dentro dele e que estava sentado no banco ao seu lado, no do motorista.

— A Akatsuki tem dinheiro, muito dele. Não poupariam gastos com suas equipes de segurança. Esses homens são treinados para agir e cumprir sua missão a qualquer custo. Eles nunca atacariam por uma única frente. Eu aposto o que tenho que esses homens que vieram com o helicóptero não estão sozinhos. Eles devem trabalhar em duas frentes: em cima e embaixo.

— Não entendo. – Replica Maya, que estava sentada no banco traseiro logo atrás de Pablo, ao lado de Hanabi.

— Esses homens que estão lá dentro e vieram de helicóptero são apenas parte da equipe. Eles são a primeira linha de ataque. Caso falhem, a segunda equipe entra em ação. E aposto que essa vem por terra, com carros, e vão com tudo para a porta da frente do hospital. Quando isso acontecer e nós tivermos a certeza que eles já estão lá dentro e distraídos, nós saímos.

— E as pessoas lá dentro? – Pergunta Hanabi de forma tímida, ainda tinha muito receio do humano que estava lhes ajudando.

— Eu dei ordens para que fossem colocados em alas isoladas e que fossem protegidos. Os policiais estão usando equipamento de segurança, coletes a prova de balas e capacetes. – Explica sem tentar esconder que estava ficando nervoso conforme ainda ouvia o relato da situação pelo rádio. – Todos nós fomos treinados para nos arriscarmos, sabemos que podemos morrer a qualquer instante. O que posso fazer é tentar ficar à frente deles. Eu tentei pensar em todas as possibilidades de ação deles e de certa forma estamos preparados para uma reação rápida... Espere, deixe-me ouvir isso.

Reforço imediato. Primeiro e segundo andares comprometidos. Civis sendo abatidos. Ameaça no lado leste contida. Remover todo o apoio para o primeiro e segundo andar da ala oeste.

— MERDA! – Xinga Pablo antes de pegar o rádio e dar novas ordens. — Todas as equipes ganhem tempo. Estamos removendo a carga nesse momento. Escolta a postos, limpem as ruas pra mim. – Ao encerrar suas ordens, liga o carro e arranca com o veículo, não poupando velocidade. O barulho dos pneus cantando foi imitado pelos veículos de escolta que lhes seguia. – Aposto que assim que sairmos do prédio eles vão saber e nos seguir, assim os civis vão ficar seguros.

Assim que os carros ganham as ruas de Andorra, o primeiro veículo da escolta, que seguia à frente com as sirenes ligadas abrindo caminho, é alvejado e o motorista acaba perdendo o controle do veículo, se chocando contra um poste de iluminação. Tanto Pablo quando os demais veículos conseguem passar sem maiores danos, além de alguns furos na carroceria.

— Eles mantiveram alguém na rua, por isso que nos pegaram fugindo. Espero ganhar tempo pra nos afastar antes deles conseguirem se reorganizar. – Explica Pablo para as mulheres, isso porque Gaara ainda estava inconsciente no banco traseiro, preso ao cinto de segurança.

Em alta velocidade, os quatro carros da polícia percorriam as ruas de Andorra se distanciando o máximo possível das ruas movimentadas da cidade. Sinais vermelhos eram rapidamente ignorados. Carros e pedestres abriam caminho para que a escolta pudesse passar.

— Senhor, estamos sendo seguidos. – Informa a escolta pelo rádio.

— Mantenham eles longe. – Ordena Pablo pisando ainda mais fundo no acelerador.

Pablo sabia que a coisa não estava fácil e tinha tudo para piorar, mas nunca que deixaria aquelas mulheres nas mãos daqueles monstros.

— Segurem-se meninas, as coisas vão ficar feias daqui pra frente! – Diz pouco antes de fazer uma curva fechada.

Enquanto isso, o último carro da escolta acaba tendo um de seus pneus estourados por uma bala exata da equipe que lhes perseguia e acaba capotando, ficando apenas mais dois carros para lhes proteger.

OoOoOoOo

Mais de cinquenta minutos já haviam se passado desde que haviam deixado o hospital às pressas para salvaguardar os civis. Agora, as ruas de Andorra ficavam cada vez mais para trás. A autoestrada que os levava para fora da cidade se estendia a frente, a C-14. Apenas um carro de sua escolta havia sobrado após a perseguição sobre as ruas de Andorra. Estavam a mais de cento e quarenta quilômetros por hora, as sirenes permaneciam ligadas, somente as luzes, não havia mais necessidade do alerta sonoro naquela região. A autoestrada estava relativamente vazia naquele momento, poucos carros e caminhões trafegavam em ambos os sentidos da pista simples.

— Eles ainda nos seguem, mas estão longe. – Informa Ino após voltar a se sentar normalmente sobre seu banco. – Eles vão continuar a nos perseguir.

— Eu não pensei nessa possibilidade. – Assume Pablo. – Só quis tirar vocês do hospital e depois da cidade, estava ficando muito perigoso para os civis com os tiros sendo disparados para todos os lados.

— O que vamos fazer agora? – Questiona Hanabi.

— Vamos continuar. – Determina Pablo. – O tanque de combustível está cheio, podemos continuar fugindo por muito tempo ainda, talvez eles fiquem sem combustível até lá. E se chegarmos a outra cidade posso pedir mais apoio.

— Gaara está acordando. – Informa Hanabi, sentada logo ao seu lado.

Todos prestam atenção no homem que aos poucos começa a recobrar a consciência, e se agita ao notar que se encontrava em um local diferenciado do que se encontrava antes de apagar.

— Fique calmo Gaara. – Pede Maya. – Estamos seguros. Este homem nos ajudou a fugir da Akatsuki.

— O que aconteceu? – Pergunta ainda muito confuso olhando tudo ao seu redor com estranheza.

— Um acidente. – Informa Pablo. – O caminhão onde estavam sofreu um acidente. Eu e outros policiais fomos ajudar, mas a segurança da Akatsuki nos ameaçou. Abrimos fogo. Quando verificamos o que tinha no caminhão encontramos vocês. – Informa sem tirar sua atenção da estrada. – Já no hospital, Ino me contou o que vocês são e o porquê a Akatsuki os aprisionou.

— Eles mandaram homens atrás de nós Gaara. – Informa Ino. – Pablo ajudou a nos tirar do hospital e agora só tem um carro nos perseguindo. Estamos quase livres.

Espantado com as informações e ainda desconfiado, Gaara analisa com cuido o perfil do homem que dirigia o carro. Depois de tantos anos sendo machucado por humanos era muito difícil aceitar que eles poderiam lhe ajudar.

— O que vamos fazer? – Pergunta tentado se situar.

— Ir o mais longe possível. – Informa Pablo. – Ainda temos um carro como escolta, eles têm que passar por ele pra chegar na gente. Até lá estaremos bem.

— Eles vão mandar mais gente. – Informa Gaara após olhar para trás e identificar um carro da polícia que os seguia. – Devem saber onde estamos, vão vir nos buscar com mais equipes. Temos de nos esconder, nos abrigar.

— Já nos livramos de duas equipes. Acha que mandaram mais? – Pergunta Pablo preocupado.

— Não duvido. Eles nos querem, ouvi uma conversa de técnicos uma vez, a muito tempo. Eles disseram que tinham poucos espécimes para testar e que a cada dia seu número diminuía mais. Tinham de pegar de certa forma mais leve conosco pra não nos perderem. Se eles têm poucos de nós não vão perder a chance de nos recuperar.

— Certo, isso não é bom. – Admite Pablo. – Mas agora estamos fora de Andorra, vamos tentar chegar a uma cidade grande. Essa autoestrada não tem muito trânsito, o que nos ajuda a chegar mais rápido. Talvez lá consiga abrigo pra vocês ou podemos trocar de carro, tentar despistá-los.

OoOoOoOo

O carro onde Madara e Hashirama viajavam cortava a autoestrada em alta velocidade, não se importando com nada mais além de conseguir chegar ao seu povo em perigo.

— Espere, novas notícias. – Informa Hashirama. – O Hospital Meritxell foi atacado.

— Mas que merda, não chegamos a tempo! – Exaspera-se Madara, finalmente diminuindo a velocidade do carro.

— Aqui diz que tem relatos da polícia entrando em confronto com homens vestidos de preto, muito armados. Espere, o que é isso? – Questiona Hashirama curioso sobre um comentário em uma página do facebook. – Aqui diz que ouve uma perseguição. Carros da polícia foram vistos deixando o hospital em alta velocidade logo após o início do tiroteio.

Com uma nova gama de esperança, Madara volta a acelerar o carro.

— Eles conseguiram? Fugiram? – Questiona com esperança.

— Aqui tem relatos de pessoas que viram de perto a perseguição, tiroteio, carros capotados... Espere, encontrei um noticiário local.

— Isso mesmo, evite pegar a autoestrada C-14 nesse momento. Uma perseguição em alta velocidade acontece nessa estrada. – Informava o apresentador do programa. – Não temos todas as informações, mas até o momento sabemos que homens armados invadiram o hospital Meritxell a pouco mais de uma hora. Policiais e pacientes foram feridos. Relatos de tiroteios chegam a todo o instante. Até mesmo um helicóptero foi visto nas imediações. Segundo relatos, cinco carros da polícia deixaram o hospital em alta velocidade, ganhando as ruas de Andorra. Um carro negro passou a perseguir os carros da polícia e quatro carros oficiais foram abatidos. No momento, a perseguição continua, mas agora fora dos limites da cidade, na autoestrada C-14. Pedimos a todos os motoristas que tomem cuidado.

— Espere, ele disse C-14? – Questiona Madara, mais agitado do que antes.

— Sim, acho que sim. Por que?

— NÓS estamos quase na C-14. — Afirma acelerando ainda mais o veículo.

— O que? – Pergunta Hashirama assustado olhando ao redor. – Estamos perto deles?

— Eles estão vindo até nós. – Afirma Madara com um sorriso de canto.

OoOoOoOo

O suor escorria pelo pescoço e entrava sobre a camisa de Pablo conforme os minutos passavam. Eles haviam perdido o último carro da escolta. Agora era somente eles e o carro da Akatsuki. Uma briga de gato e rato pra ver quem conseguia vencer. Todos dentro do veículo estavam ansiosos ao acompanharem a aproximação do carro negro. O carro da polícia já estava no seu máximo, cento e oitenta quilômetros por hora. Pablo fazia de tudo para não perder o controle do veículo nas curvas. Não tiveram chances de parar em nenhuma cidade para tentar despistar seus perseguidores.

— Eles estão perto. – Choraminga Hanabi assustada. Todos eles estavam, afinal estavam tão perto de conseguir sua liberdade.

Menos de cem metros separavam os dois veículos naquele momento. A pista em que seguiam era simples, para sua sorte de pouco movimento. O barulho repentino de vidro se quebrando assusta a todos, incluído a Pablo que por pouco não perde o controle do carro.

— Droga. – Exalta-se Pablo ao notar que estavam sendo alvejados. – Fiquem abaixados. Eles estão atirando na gente.

Naquele momento eles haviam acabado de passar pela cidade de La Riba, sem a menor chance de pedir ajuda ou de se esconder. Novos disparos se chocam contra a fuselagem do veículo assustando-os ainda mais. Até que um grande barulho vindo do pneu do carro faz com todos gritem desesperados.

Pablo tenta de todas as formas possíveis controlar o carro desgovernado. Ele não tinha muitas opções de sobre como agir, a única coisa que poderia pensar em fazer era garantir que o carro não saísse da estrada, mesmo com o pneu estourado, pois afinal do seu lado esquerdo havia um paredão de pedra e no outro a linha de trem que corria em paralelo com a rodovia e logo em seguida um grande e perigoso declive. Suas opções não eram nada boas.

O veículo rodopiava sobre a pista praticamente sem controle nenhum. Novos barulhos de balas acertando a carroceria eram ouvidos mesmo naquele momento. Foi inevitável que o carro acertasse o guard-rail, mas inesperado que o mesmo não aguentasse a força do impacto, se partindo e fazendo que o veículo tivesse acesso às linhas do trem logo abaixo. O carro da polícia capotou duas vezes antes de parar no meio da linha férrea. Bem perto de cair sobre o sinuoso declive ao lado, onde não haveriam chances de sobreviver.

— PRA FORA, saiam do carro. — Ordena Pablo já se soltando do cinto e abrindo a porta com a arma em punho. Dois tiros acertam a lataria ao lado de sua cabeça o obrigando a voltar para dentro. – Saiam pelo outro lado. Longe da estrada. – Ordena já empurrando Ino, a obrigando a sair do veículo.

Todos se encontravam do lado de fora, usando o carro como cobertura para os tiros que vinham em sua direção. Com sua arma em mãos, Pablo analisa a situação em que se encontrava e toma a decisão mais difícil de sua vida.

— Prestem atenção. – Fala com confiança atraindo a atenção dos quatro que lhe acompanhavam. – Eu vou atirar neles, dar cobertura, ganhar tempo. Vocês têm que correr. A descida é muito íngreme, vão para o outro lado. Usem a vegetação para se abrigar. Corram o mais rápido que puderem.

— M-mas e você? – Pergunta Hanabi assustada.

— Eu não tenho chance. Vocês podem sobreviver, devem correr mais rápido do que eu. Minhas balas não vão durar muito, por isso sejam rápidos. – Fala com calma apesar da situação. – Vivam, façam de tudo para sobreviverem e derrotem a Akatsuki, isso vai me deixar muito feliz onde quer que eu esteja.

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Três Homens se encontravam parados do lado de fora do carro em que seguiam, suas armas em mãos. A poucos metros de distância, seu alvo.

— Onde está nosso reforço? – Questiona um deles.

— Mais quinze minutos e o helicóptero chega. Não podemos deixar que eles escapem. É melhor matá-los do que perdê-los. – Informa outro.

Tiros são disparados em suas direções os obrigando a se esconder atrás do veículo. Carros de civis começavam a se aglomerar na estrada, uns paravam para tentar prestar ajuda e outros eram apenas curiosos.

— O desgraçado do policial esta atirando na gente. – Informa o terceiro homem.

— Matem ele logo. Eu vou fazer esses curiosos saírem daqui. – Informa se afastando do carro e apontando a metralhadora em direção aos curiosos e abrindo fogo.

O barulho de disparos se espalha por todo o lugar por vários minutos.

— MERDA! – Grita um deles chamando a atenção dos demais. – OS ANIMAIS ESTÃO FUGINDO, OLHA ELES LÁ DO OUTRO LADO. — Aponta para o outro lado da montanha onde quatro lobos corriam livremente, escalando em alta velocidade.

— DROGA! Não temos rifle de longo alcance. Avancem, temos de alcançá-los. – Informa aquele que cuidava dos civis.

— Acertei o miserável do policial, vamos. – Grita pouco depois um dos homens.

Com pressa eles começam a correr, descem até os trilhos do trem e circulam o carro da polícia até encontrar o policial caído ao lado do mesmo, morto com um tiro na testa.

— Esse merdinha só nos deu trabalho. – Irrita-se um deles chutando o corpo abatido.

— Não percam tempo, corram atrás deles. Os infelizes são rápidos, já estão longe. Mas logo o helicóptero chega pra nos ajudar na caça.

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Gaara guiava a corrida. Os quatro se encontravam em sua forma animal e corriam o mais rápido que suas forças permitiam. Após anos de encarceramento eles finalmente conseguiam sentir o vento em seus rostos e a terra abaixo de suas patas. Ter a liberdade para se transformar e correr livremente era algo maravilhoso e os quatro compartilhavam do mesmo prazer. Já corriam a vários minutos, e devido aos anos de cativeiro se encontravam cansados, principalmente Hanabi, que era tão nova quando fora capturada. Por isso não demorou muito mais para diminuírem o ritmo da corrida, mas sem voltar a sua forma humana.

A vegetação local não era muito alta, sua grande maioria era rasteira, o que não proporcionava grande proteção ou abrigo aos quatro, além de que o trajeto que seguiam era de subida os atrasando ainda mais.

Eles finalmente alcançam o cume da montanha que escalavam e Garra rapidamente analisa o local ao seu redor. A vegetação era, em grande parte, por toda a área a mesma, rasteira. Porém, numa parte praticamente oculta pela distância e pelas outras montanhas do local, percebe que a vegetação era mais densa. Voltando a sua forma humana, Gaara olha para as mulheres que lhe acompanhavam.

— Vamos naquela direção. A mata parece ser mais densa do que aqui e vai nos proporcionar um melhor abrigo.

Mal termina de falar e retorna a sua forma animal voltando a correr na direção indicada. A mesma não era de fácil acesso pois ficava depois de várias subidas íngremes, mas nada os faria desistir naquele momento.

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Madara e Hashirama ainda seguiam pela estrada em alta velocidade. Já se encontravam na C-14, Madara vigiava a estrada como um falcão a procura de sua caça, enquanto Hashirama mantinha-se atento as notícias na internet.

— Aqui, um tiroteio na C-14. – Comenta Hashirama chamando a atenção de seu acompanhante. – Tem relatos de civis que foram mortos ou tiveram os carros atingidos por balas, cidade de La Riba. Não fica muito longe, Madara. – Fala tirando os olhos da tela e olhando ao seu redor para se situar.

— Qual a distância? – Questiona Madara segurando o volante com mais força do que o necessário devido a ansiedade.

— Deixa eu ver... Madara! Menos de vinte quilômetros. – Responde ansioso se remexendo em seu acento finalmente deixando de lado o computador.

Fazendo o impossível, Madara conseguiu que seu carro andasse ainda mais rápido, o marcador de velocidade já ultrapassava mais de cento e noventa quilômetros por hora. Poucos minutos se passar até que eles encontram sinais de problemas na estrada, caminhões e carros estavam parados na pista.

— Deve ser por aqui. – Informa Hashirama.

Sem perder mais tempo, eles estacionam o carro, descem e começam a correr em direção ao centro da confusão. Vários metros à frente encontram vários carros parados com sinais de balas, carros da polícia e ambulâncias espalhados pelo local e inúmeros curiosos parados ao redor.

— O que aconteceu aqui? – Pergunta Hashirama a um homem que assistia o que acontecia.

— Pelo que ouvi, aquele carro preto estava atirando no carro da polícia, aquele lá nos trilhos do trem. – Fala apontando para o veículo que até aquele momento nem Madara ou Hashirama haviam notado. – Um policial está morto. Dizem que tinham mais pessoas no carro e que elas correram lá por outro lado. – Informa apontando para a montanha do outro lado da estrada. – Os homens que mataram o policial atiraram em todos esses carros e depois foram atrás dos que fugiram, a pé mesmo.

— Quando isso aconteceu? – Pergunta Madara.

— Tem menos de uma hora, o corpo do policial ainda está lá embaixo.

Madara não perde tempo e rapidamente se afasta do homem que lhes prestara as informações. Olhando ao redor, nota que próximo de onde estavam existia um viaduto para via rápida, que passava por cima da estrada em que estavam e que ia diretamente para um túnel, localizado na montanha em que sua família fora vista. Havia um caminho estreito pela montanha que o levaria a ter acesso ao viaduto. Não parecia ser uma subida fácil e nem recomendável, mas nada lhe impediria de chegar a Maya e aos outros.

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Horas haviam se passado e o dia começava a dar sinais de que estava acabando. Estavam exaustos, mas mesmo que em um ritmo mais lento, continuavam a andar. Suas gargantas estavam secas de sede, mas não haviam encontrado até aquele momento nenhum sinal de água, o clima do local era seco.

Durante vários momentos de sua corrida, tiveram de procurar abrigo dentre a rara vegetação para se esconder do helicóptero que passou a circular a região. Sabiam que o mesmo era da Akatsuki, sabiam que eles nunca desistiriam de lhes capturar novamente, por isso faziam o seu melhor para se manter escondidos. Tinham de chegar a um local que lhes proporcionasse mais segurança do que onde estavam, por isso não pararam em nenhum momento.

Por mais que sempre se mantivesse a frente guiando as fêmeas, Gaara era o mais debilitado de todos. Diferente dele, as mulheres foram alimentadas enquanto aguardavam a chegada da Akatsuki. Gaara sentia que suas forças iam desaparecendo a cada hora, mas não se entregava, não agora, não tão perto de conseguir o que mais queria.

O terreno em que se encontravam era irregular, o que dificultava seu trajeto, pois tinham de ter muito cuidado para não se ferirem. A cada metro vencido se sentiam realizados apesar das circunstancias.

Finalmente chegam a aérea que tinha uma melhor cobertura. Se encontravam no topo da área rodeada por montanhas, que do outro lado contava com um grande vale que seguia adiante, e lá embaixo, conseguiram visualizar um pequeno córrego que passava dentre as árvores.

Gaara sabia que era perigoso, era claro para aqueles que lhe caçavam que eles procurariam por água e alimento e que essas fontes deveriam ser vigiadas. Mas tanto ele como as mulheres precisavam daquela água para continuarem a fugir, precisavam da força que apenas aquele líquido poderia lhes proporcionar. Por isso, mesmo sendo a rota mais perigosa que poderiam seguir, guia o caminho montanha abaixo e direto para a fonte d’água.

A descida não havia sido fácil, era traiçoeira, cada passo em falso representava um perigo possivelmente mortal. Mas finalmente conseguiram vencê-la, e com passadas cada vez mais rápidas se aproximam da fonte de água que ficava a poucos quilômetros, onde quando finalmente alcançam se esbaldam.

Gaara após ter sua sede saciada, analisa o seu redor a procura de qualquer perigo. Seus instintos de perigo ainda estavam aguçados, mesmo assim decide retornar a sua forma humana, onde somente nela poderia se comunicar com os demais, afinal não era seu alfa. Já as mulheres, ao verem Gaara retornar a sua forma humana o imitam rapidamente.

— O que vamos fazer agora Gaara? – Pergunta Maya olhando ao redor. – Não fazemos nem ideia de onde estamos.

— Não importa, o que precisamos apenas é continuar a andar. Sei que estão cansadas, mas não podemos ficar parados. Cada minuto parado é um minuto que eles estão mais perto de nós. Aquele helicóptero quase nos encontrou várias vezes durante o dia, foi sorte conseguirmos escapar dele até agora em uma área praticamente aberta como estávamos. Agora estamos mais protegidos pelas árvores. Vamos continuar andando, não podemos deixar rastros, tentem se ocultar o máximo possível, temos se nos tornar fantasmas agora.

— Certo, concordo. Vamos continuar andando. Fiquem atentos ao redor, principalmente nos animais. Talvez possamos caçar algo? – Questiona Maya.

— Precisamos comer, precisamos de energia para continuarmos. Se durante a caminhada encontrarmos algo, o caçaremos. – Concorda Gaara, logo em seguida volta a sua forma animal sendo seguido pelas demais, que logo retomam sua caminha afastando-se do córrego.

Horas se passaram, a escuridão já tomava conta de toda a floresta, graças a seus olhos conseguiam enxergar perfeitamente mesmo naquela circunstância, o que garantia que seu ritmo renovado pela água não sofresse alteração.

Agora com a escuridão reinando, o mundo noturno ganhava vida e com ele vinham as possibilidades de alimento. Já haviam encontrado dois coelhos selvagens que rapidamente foram capturados e devorados, uma raposa que conseguira escapar devido a sua rapidez, e agora haviam identificado um porco selvagem que se preparavam para atacar. Ele estava cercado, e ao sinal de Gaara, o atacaram matando-o com facilidade por estarem em maior número. Em sua forma animal, dilaceraram o porco selvagem, que era um animal grande e proporcionou um bom alimento para todos eles, que finalmente sentiram seus estômagos pararem de doer por falta de alimento.

Felizes por finalmente terem seus estômagos cheios, iniciam a caminhada que haviam abandonado para poderem caçar. O parcial silêncio da noite acaba sendo quebrado por um forte barulho que se propaga pela floresta, assustando todos os animais que até aquele momento estavam tranquilos, o disparo de um rifle.

O instinto de sobrevivência de cada ser naquela mata ganhou vida, cada um procurou o melhor abrigo possível para se proteger da recente e desconhecida ameaça. Mais quatro disparos foram ouvidos antes que finalmente parassem.

Quando o silêncio voltou a reinar sobre a mata, o ganido dolorido de um animal ferido passa a ser ouvido. Um lamento de dor que indicava a morte. Um lobo havia sido atingido no primeiro disparo, o tiro havia sido certeiro em seu coração e aos poucos aquele ser raro sentia a vida abandonar seu corpo. Uma única coisa que acalentava sua alma tão sofrida naquele momento de dor, agonia e sofrimento era saber que morreria em liberdade e não em um laboratório sendo alvo de experimentos.

Com um último lamento que se espalhou pela noite como o corte de uma navalha, a vida lhe abandonou por completo, sendo logo seguido pelo uivo lamentoso de seus companheiros que pranteavam sua perda.

... Continua!!!