Lobos
17 Resgate... Companheiro de Alma!
17º Capitulo – Resgate... Companheiro de Alma!
A dor de perder um companheiro partia seus corações mais uma vez. Haviam conseguido escapar dos caçadores da Akatsuki há algum tempo e agora corriam com todas as suas forças para o mais longe possível, mas o lamento de dor daquele que caiu ainda ressoava em seus ouvidos.
O vale onde se encontravam era grande, seus instintos estavam mais sensíveis do que antes. Procuravam qualquer sinal de que mais algum humano estava por perto para lhes ameaçar.
Em algum momento, um cheiro almiscarado chega a seus olfatos apurados indicando a presença de humanos por perto. Atentos, param de correr e procuram abrigo o mais silenciosamente possível enquanto procuravam seus inimigos ocultos na mata.
Após muito procurar, finalmente os encontram e percebem que estavam com a vantagem por ainda não terem sido notados e, principalmente, por estarem em sua retaguarda. Apenas com os olhos dois deles montam um plano de ataque e avançam com cuidado sem chamar atenção, enquanto o terceiro lobo permanecia onde estava. Não permitiriam que aqueles humanos continuassem a viver se tinham a chance de lhes matar.
O ataque foi preciso e mortal. Os dois lobos conseguiram pegar os humanos completamente desprevenidos e com golpes precisos em seus pescoços os mataram sem lhes dar chance para se protegerem.
Após matar seus inimigos eles voltam a correr pela floresta. Prestavam a atenção a tudo a seu redor, mas não encontraram mais nenhum humano pelas próximas horas que durou a noite.
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Madara e Hashirama haviam corrido a noite toda, caçavam os homens da Akatsuki que conseguiam rastrear garantindo assim que menos inimigos estivessem lhes caçando. Haviam matado três deles pouco após o anoitecer, os mesmos não estavam preparados para uma busca noturna na floresta e foram presas fáceis de serem abatidas, ainda mais para aqueles dois que eram caçadores experientes.
Mesmo na escuridão da noite, haviam conseguido encontrar o rastro de seu povo. Seu cheiro havia ficado em inúmeros pontos onde haviam de encostado, pedras, árvores, arbustos ou até mesmo no chão onde claramente haviam se abrigado do helicóptero que havia parado de circular após o anoitecer. Graças a seu treinado olfato, conseguiam seguir o caminho que os demais haviam seguido horas antes.
Haviam encontrado sinais de mais humanos pelo caminho, mas como os mesmos se descruzavam do caminho que estavam seguindo, decidiram ignorar os mesmos, mas ficavam sempre atentos para garantir que não cairiam em uma emboscada.
Mais tarde encontraram os sinais de que seu povo havia conseguido encontrar alimento, os restos de sua caça ainda estava ali, largados de qualquer jeito.
Seguindo pouco a frente, os dois congelam ao encontrar o corpo estendido de um lobo. Se aproximando com cuidado e com as orelhas murchas de tristeza sofrem ainda mais ao reconhecerem o cheiro do companheiro abatido, Maya.
Madara sentia a dor em seu coração quase lhe partir ao meio. Maya era diretamente de sua família, esposa de seu sobrinho, mas uma perda. Tanto havia sido arrancado de si nesses últimos anos que não sabia como ainda conseguia se manter de pé. A dor em sua alma era tanta que perdeu as forças em suas pernas caindo ao lado do corpo do grande lobo abatido. Seu focinho tocou com carinho o rosto de Maya. Com esforço consegue se controlar para não uivar em lamento como desejava, ainda lembrava-se que estavam em perigo.
Minutos se passam enquanto Madara permanecia perdido em sua dor. Hashirama se condoía pelo amigo. Sentia a morte de Maya, mas não tanto como Madara uma vez que não era tão próximo dela. Hashirama permite que o amigo se lamente pelo maior tempo possível, mas ele sabia que não poderiam ficar ali por muito tempo, afinal ainda tinham outros lobos em perigo. Ino, Hanabi e Gaara ainda estavam em algum lugar daquela floresta precisando de ajuda.
Após o tempo julgado como necessário para lamentar um ente querido naquela situação, Hashirama se aproxima do amigo e lhe cutuca com o focinho chamando sua atenção. A dor e sofrimento estavam visíveis nos olhos de Madara o que partiu o coração de Hashirama por não poder fazer nada por ele.
Com um último carinho sobre a face de Maya, Madara se despede e se afasta retomando a caça em que se encontravam, naquele momento o Uchiha não sabia qual era o sentimento que mais lhe dominava, lamento ou ódio.
O dia já estava quase amanhecendo quando encontram dois humanos mortos em uma parte afastada da floresta. Era claro que quem lhes matara fora seu povo. Felizes por saber que os outros estavam bem o suficiente para caçarem os humanos continuam a seguir seu rastro.
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Gaara, Ino e Hanabi continuavam a correr pela floresta. Não haviam encontrado nenhum humano após os dois que haviam matado durante a madrugada. O dia já ia alto naquele momento, com o amanhecer do dia o helicóptero voltara as buscas, lhes atrasando em se afastar daquele local. Por duas vezes haviam passado perto de onde estavam, mas eles conseguiram encontrar bons locais para se manterem seguros.
Estavam cansados, não haviam parado em nenhum momento para descansar ou dormir. A fome começava a dar sinais de que retornava, mas nem para caçar iriam parar agora, era muito arriscado.
Já havia passado do meio do dia quando disparos consecutivos de rifles foram lançados em suas direções.
Hanabi uiva em dor ao sentir uma bala lhe atingir no flanco direito. Ao cair no chão acaba sendo abrigada por uma rocha que bloqueia a visão de seus caçadores lhe protegendo. A dor da ferida lhe queimava a carne enquanto sentia o sangue escorrer por seus pêlos. Assustada se encolhe onde estava e procura ao seu redor por perigo e pelos companheiros. Encontra Gaara e Ino escondidos atrás de duas árvores a poucos metros de distância, pareciam estar bem, garantindo que apenas ela havia sido ferida. Tentando se acalmar, respira fundo e volta a sua forma humana para poder analisar melhor o ferimento. Apenas com uma rápida análise percebe que não conseguiria voltar a correr naquele estado, seria apenas um atraso para Gaara e Ino.
— Eu não consigo mais correr. – Sussurra apenas para que seus amigos lhe ouvisse. – Vão embora, escapem. – Pede decidida, não permitiria que eles morressem ou fossem capturados novamente por sua causa.
Ino e Gaara olham para Hanabi com espanto ao ouvirem suas palavras. Nunca deixariam um companheiro para trás simplesmente por estar ferido. Gaara, não contente com aquele pedido, rosna para Hanabi lhe dando um claro aviso que aquele pedido não era bem vindo e que não seria atendido. Ele já havia conseguido localizar a posição do atirador, o mesmo estava em uma posição elevada muito boa, que provavelmente lhe permitia enxergar caso se aproximassem.
Ino volta a sua forma humana, permanecendo protegida pela árvore e analisa Hanabi à distância com preocupação ao ver a quantidade de sangue que escorria do ferimento.
— O que faremos Gaara? — Pergunta baixo com preocupação. – Não temos como chegar até ele sem sermos visto, não é mesmo?
— Ele está em vantagem. – Concorda Gaara nada feliz com a situação ao qual não conseguia encontrar solução.
— Será que tem como alcançar aquele declive acima dele?
— Nós não vamos conseguir sair daqui sem que ele nos veja, muito menos chegar até lá em cima vivos.
— Não podemos perder tempo Gaara, ele logo vai pedir ajuda e o helicóptero não vai demorar a vir. – Angustiada Ino olha ao redor novamente tentando encontrar uma saída para aquela situação, saída que não encontrou.
Gaara estava nervoso, sabia que cada segundo que ficavam ali parados era uma vantagem para a Akatsuki lhes capturar novamente. E ele faria seu impossível para não retornar aquele inferno, mas nunca deixaria alguém para trás, ainda mais uma criança como Hanabi.
— Eu vou ameaçar me aproximar do esconderijo dele, chamar toda a atenção pra mim. – Explica Gaara após alguns minutos de análise. – Quando o foco dele estiver em mim você ajuda Hanabi e se afastam da mira dele. Depois eu retorno e fugimos.
— Não é um bom plano... Mas não consegui pensar em mais nada. – Assume Ino olhando angustiada para Hanabi que estava cada vez mais pálida por perder tanto sangue.
Dando início ao próprio plano, Gaara começa a se afastar do local em que estava. Em sua forma animal, corria e pulava procurando abrigo atrás de arvores, dando a entender que estava circulando o local tentando se aproximar do esconderijo do caçador. Nota que seu plano deu certo, pois cada vez que saía de seu abrigo para correr até um novo, disparos eram feitos em sua direção e chegavam assustadoramente próximos de si. Ele tentava não ser obvio sobre sua rota, sempre alterava para pegar o caçador desprevenido e não ser atingido. O que não ajudou muito uma vez que foi atingido na pata esquerda vários minutos mais tarde, na altura da coxa. Apesar da dor, conseguiu evitar fazer algum ruído que alertasse as fêmeas, sabia que elas poderiam ficar assustadas e preocupadas e virem à sua procura se tornando alvos fáceis.
Quando ameaçava avançar mais um pouco em sua posição, ouve o ganido assustador de um animal que vinha das proximidades, que lhe causam arrepios por todo o corpo. Espantado permanece onde se encontrava e olha ao redor a procura do causador daquele ruído. Seu coração estava disparado, havia achado aquele ganido muito parecido com o de um lobo em caça, mas era impossível, as fêmeas não produziam um som tão forte e agudo como aquele e muito menos poderiam lhe deixar apreensivo, pois afinal era um macho forte, não se intimidava com nenhuma fêmea. Minutos se passam sem que nada seja ouvido ou visto por Gaara que decide voltar ao seu plano. Tinha de ganhar tempo para as fêmeas fugirem do alcance do caçador antes que o reforço deles chegassem.
Sua pata doía terrivelmente devido ao ferimento causado pelo caçador, mesmo assim conseguiu chegar até a próxima árvore que lhe serviria de abrigo sem ser novamente atingido pelos disparos, três deles que passaram perto de seu corpo.
O assustador ganido volta a ser ouvido assim que o barulho dos disparos se propaga pela floresta, muito mais próximo do que anteriormente, e dessa vez Gaara não tinha dúvidas de que vinha de um lobo. Ele olhava espantando para todos os lados procurando o lobo que se aproximava, não conseguia entender como poderia haver um de seu povo ali no meio daquela floresta.
O instinto animal fala mais alto do que a confusão que lhe tomava, o seu uivo se espalhou pela floresta como um indicativo de sua localização, um pedido de ajuda e alerta de perigo e foi prontamente respondido por mais dois uivos que fizeram seus batimentos cardíacos irem às alturas, aquela era a confirmação de que realmente era o seu povo que estava ali. Surpreso e de certa forma assustado com a situação em que se encontrava, decidiu permanecer exatamente onde estava e aguardar o que aconteceria a partir daquele momento.
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Madara e Hashirama corriam pela floresta seguindo o rastro cada vez mais forte de seu povo, sabiam que estavam próximos e isso os impulsionava a continuarem a correr com todas as suas forças. Não haviam encontrado nenhum indício de humanos nas últimas horas, mas o helicóptero passou perto em várias ocasiões lhes obrigando a se esconderem para não serem vistos.
De repente param de correr ao ouvirem o barulho longínquo de disparos de rifle. Preocupados, se orientam e voltam a correr ainda mais rápido do que antes, pois sabiam que os caçadores haviam encontrado seus companheiros. Inúmeros disparos foram ouvidos, esses cada vez mais próximos indicando que estavam chegando perto.
Já bem mais perto param de correr de forma desenfreada e passam para um trote acelerado, analisando o redor identificando todo o perigo. Isso até que o vento que soprava em sua direção trouxesse o cheiro de sangue de um lobo macho desconhecido.
A ira em Madara cresceu de uma forma tão poderosa por saber que mais um de seu povo estava ferido que não conseguiu impedir que o ganido de ódio escapasse de seu interior se espalhando com força pela floresta.
Corriam com o máximo de suas forças agora que sabiam que estavam perto. A distância que percorriam não era processada, seu único objetivo era salvar aqueles três que ainda estavam vivos.
Um novo disparo chega a seus ouvidos e Madara novamente volta a ganir de ódio. O uivo de alerta de um macho chega como resposta ao seu ganido. Tanto Madara como Hashirama rapidamente respondem ao chamado de seu povo. Agora sabiam que estavam perto, por isso diminuem a velocidade e analisam toda a região com cuidado, sabiam que estavam muito próximo de Gaara e com isso do caçador, precisavam lhe encontrar antes que fossem vistos.
Com cuidado, gastam vários minutos andando, usando as árvores como proteção enquanto se aproximavam. Analisando a região, Madara facilmente localiza o melhor ponto para o atirador se esconder e esperar por uma emboscada. Com cuidado os dois dão a volta pela área e ao chegar perto da beirada do enorme barranco, encontram seu alvo a poucos metros abaixo de onde estavam. Haviam conseguido dar a volta e agora estavam com a vantagem no ataque.
Madara e Hashirama combinam o ataque apenas com a troca de poucos olhares e saltam de onde estavam pegando o caçador despreparado. O grito de medo e dor do humano provavelmente havia se espalhado por vários quilômetros, mas fez muito bem aos dois enquanto lhe matavam. Ao final, aquele humano mal passava de um punhado de carne e ossos deformado.
Sentindo-se saciado em sua sede de sangue Madara se afasta do corpo humano e olha para baixo a procura de seus companheiros e os encontra facilmente, uma vez que não estavam mais em seus esconderijos e sim lhes olhando com espanto, provavelmente se perguntando quem eram e o que faziam ali. Acompanhado por Hashirama, Madara inicia a descida e aproximação do macho Gaara que era o mais próximo de onde estavam, sabia que ele estava ferido e que provavelmente precisaria de ajuda para andar.
Poucos minutos mais tarde encontram o lobo usando a árvore em que antes se escondia para se apoiar, era fácil de ver o ferimento em sua pata que sangrava muito. Hashirama foi o primeiro a voltar a forma humana e se aproximar de Gaara com cuidado.
— É bom revê-lo Gaara. – Comenta com alegria. – Consegue voltar a sua forma humana?
Como resposta Gaara se transforma, mas tem de travar a mandíbula para não gemer de dor em seu ferimento.
— Certo, certo. Sente-se que vou te examinar.
— Não. Hanabi, ela foi atingida precisa de ajuda. – Fala já apontando a direção de onde havia vindo e que se encontravam as mulheres.
— Ok, vou dar uma olhada nela e Madara cuida de você. – Fala já se afastando.
Madara apenas assistia a tudo tentando controlar sua emoção, sempre ficava muito abalado quando encontrava alguém de seu povo. Mas quando assiste Hashirama se afastar controla-se e volta a sua forma humana para ajudar o macho.
— Eu sou Madara Uchiha. – Informa assim que se transforma se agachando a frente de Gaara logo em seguida. Analisava com cuidado o ferimento causado pela arma de fogo, o mesmo sangrava muito, mas fora isso não era tão grave.
O ofego assustado de Gaara chama sua atenção lhe obrigando a erguer os olhos do ferimento que analisava. A expressão de susto e choque de Gaara o deixa confuso, isso até olhar diretamente em seus olhos pela primeira vez. A sensação de reconhecimento e contentamento toma conta de seu corpo da mesma forma que prazer e conforto se espalha por cada uma de suas células.
Mal acreditando no que estava sentindo, Madara não hesita em agarrar os cabelos ruivos de Gaara e lhe puxar em sua direção colando seus lábios com pressa e desespero. Seus instintos não lhe enganavam, conforme saboreava aquela boca, uma alegria sem tamanho se espalhava por seu corpo e lhe causava prazerosos arrepios ao mesmo tempo que lhe excitava.
Depois de tanto procurar, de tanto pedir, havia encontrado, finalmente havia encontrado seu companheiro de alma, Sabaku no Gaara.
Enquanto Madara estava extasiado por ter finalmente encontrado seu companheiro de alma, Gaara estava em choque, ficando ainda mais assustado ao ter sua boca assaltada com tanta ânsia lhe confirmando que aquele à sua frente era mesmo seu companheiro, seu corpo não lhe enganava. Mas sua mente, ao contrário de seu corpo que estava travado e não respondia ao beijo, estava a mil por hora. Não conseguia assimilar o fato de seu companheiro ser outro macho.
Madara finalmente se afasta olhando-o com mais atenção ainda, os olhos do mais velho brilhavam em um claro contentamento o que deixava Gaara ainda mais confuso.
— Você é meu. – Sentencia Madara com orgulho e posse não conseguindo manter suas mãos longe do outro macho.
Ao longe ouvem o chamado de Hashirama por Madara o que lhes tira da bolha que haviam criado ao seu redor com a descoberta.
— Vamos, não podemos perder muito tempo por aqui. É provável que aquele caçador tenha alertado os demais, acredito que o helicóptero não demore a aparecer. – Fala voltando a se concentrar no ferimento da perna de seu companheiro. Poucos instantes depois, rasga uma tira de sua própria camisa para fazer um curativo improvisado sobre a ferida. — Vem, vamos até os outros. – Diz já agarrando Gaara pelos braços e o puxando para cima, lhe apoiando para que não usasse de muito peso sobre a perna ferida.
Com cuidado eles andam pela floresta e facilmente encontram os demais. Hanabi estava deitada no chão e Hashirama pairava sobre ela com preocupação. Ino permanecia por perto, mas afastada o suficiente para não atrapalhar, mas ao olhar para Madara e o reconhecer se levanta com pressa se jogando em seus braços quase levando os três ao chão, pois nem naquele momento Madara soltou seu companheiro.
O choro aliviado de Ino foi ouvido por todos. Com o braço livre, Madara lhe abraçou tentando lhe consolar com carinhosos afagos em seus curtos cabelos loiros.
— Vai ficar tudo bem Ino, vai ficar tudo bem.
Gaara olhava aquela cena com estranheza. Um gosto amargo lhe subia a boca ao ver Ino nos braços de Madara. Mesmo não querendo ele sabia o que estava sentindo, ciúmes. Mal fazia dez minutos que havia encontrado seu companheiro e já estava tendo uma crise de ciúmes ao ver Ino sendo consolada por Madara, não conseguia acompanhar a velocidade com que seu corpo reagia àquele homem. Com raiva afasta o braço de Madara que ainda lhe apoiava e tenta se afastar de ambos, mas logo sente seu braço ser agarrado com força por seu companheiro que lhe olhava preocupado.
Madara conseguia ver a raiva nos olhos de Gaara e não entendia o porquê dele a sentir. Preocupado, afasta Ino de seu corpo com carinho e paciência e ao fazer isso nota os olhos de Gaara crisparem com ainda mais raiva e o entendimento lhe atinge.
— Não deve colocar peso na perna ferida Gaara, o ferimento pode não ser grave, mas sangra bastante. – Diz com calma puxando-o novamente de encontro ao seu corpo com firmeza para que não se afastasse. Pressionando o nariz contra seu pescoço para sentir seu cheiro, fica contente que apesar de ter o corpo tenso, Gaara afasta o pescoço lhe dando mais acesso para o carinho.
Por ser o mais velho que todos ali, Madara sabia que Gaara deveria estar sentindo insegurança, pois ainda não eram vinculados e ele não conhecia o tipo de relacionamento que tivera com Ino no passado. Sem pressa, segura a cintura de Gaara com mais firmeza e com a outra mão afasta a gola da camiseta hospitalar que ele usava, despindo mais de seu pescoço, lhe fazendo novos afagos com o nariz e lábios enquanto permite que suas presas cresçam, logo as cravando no local descoberto.
O gemido de dor e surpresa de Gaara chama a atenção de todos que já estavam estranhando aquela cena sem entenderem o que se passava, principalmente Hashirama que não via o amigo com uma expressão tão serena a muito tempo.
Madara afasta suas presas da pele de seu companheiro e lambe a ferida provando ainda mais de seu sangue o memorizando para o resto da vida.
— Você me mordeu. – Sussurra Gaara surpreso ao sentir as lambidas sobre a ferida.
— Não. – Diz se afastando e olhando nos olhos de Gaara. – Eu te marquei. – Explica com calma juntando suas testas.
Ino e Hanabi tentavam entender o que estava acontecendo, já Hashirama os olhava espantado. Madara nunca havia marcado ninguém antes em seus quase duzentos anos de vida.
— Ele é seu companheiro? – Questiona querendo uma confirmação.
— Sim. – A voz rouca de Madara deixava claro que estava emocionado por isso. – Acredita que finalmente encontrei meu companheiro, a outra metade de minha alma?
— Inusitado, é tão raro companheiros de alma homoafetivos entre nós. Mas fico feliz por você, meu amigo, sei o quanto esperou por seu companheiro de alma. – Parabeniza Hashirama realmente feliz pelo amigo, ele mais do que muitos merecia um pouco de felicidade.
Gaara ainda estava em choque por ter sido marcado. Aquilo havia lhe pegado desprevenido. Mas a raiva e ciúmes que sentia a pouco, haviam sumido. Mesmo não querendo, a marca lhe dava segurança, indicava que era aceito e respeitado pelo companheiro.
— Como Hanabi está? – A pergunta de Madara desperta Gaara de seus pensamentos e concentra sua atenção na criança que se encontrava deitada no chão, encolhida de dor enquanto Hashirama lhe atendia.
— O ferimento é grave, ela não conseguirá correr, além de precisar de um médico com urgência. – Informa Hashirama voltando a se concentrar no ferimento.
— Vão embora, eu só vou atrasar vocês. – Sussurra Hanabi com mais dor devido aos movimentos de Hashirama.
Três grunhidos irritados foram a resposta de Hanabi. Nenhum dos machos aceitaria deixar um companheiro para trás, ainda mais uma criança. Minutos se passam enquanto eles fazem o seu melhor para conseguir cuidar do ferimento, mas não tinham nenhum recurso com eles para ajudar.
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Muito tempo havia se passado até que puderam sair daquele lugar, Hanabi, na forma humana, viajava montada sobre as costas de Hashirama que corria em forma animal, enquanto os demais corriam ao seu redor. Gaara era o que mais tinha problemas para acompanhar o ritmo, sua ferida lhe causava muita dor o impedindo de usar a pata traseira para correr o tornando o membro mais lento do grupo, mas em nenhum momento Madara havia saído de seu lado e em muitas ocasiões lhe incentivava com algum carinho que o constrangia terrivelmente.
Ao longe ouvem o barulho do helicóptero se aproximando e rapidamente analisam a região procurando o melhor lugar para se esconderem, mas são surpreendidos por disparos em suas direções. Com rapidez se abrigam sobre as árvores e pedras analisando ao seu redor.
Madara não demora para identificar a localização dos atiradores, estavam em três homens em diferentes posições todas contra o vento, por isso não haviam lhes sentido antes. Madara estava junto de Gaara e mantinha seu corpo sobre o do companheiro ferido enquanto analisava ao redor, não permitiria que nenhum outro ferimento lhe fosse infligido.
“O que pensa que está fazendo?”— Questiona Gaara telepaticamente. Estava irritado por ser protegido, era um macho e não precisava de proteção como as fêmeas.
A telepatia era possível entre lobos apenas em duas situações, para falarem com o Alfa ao qual estavam ligados ou com seus companheiros. Quando eram marcados a ligação entre os dois era feita, possibilitando que a comunicação psíquica entre eles fosse realizada. Naquele momento apenas Gaara conseguia falar com Madara, uma vez que apenas ele fora marcado.
“Saia de cima de mim Madara, não me julgue fraco.” — Demanda ainda irritado.
Madara sem poder falar com o companheiro como o mesmo fazia consigo, apenas rosna um leve aviso para que ficasse quieto. Ele era um Uchiha e Uchihas tinham fortes tendências a dominação por serem de uma família que sempre gerava fortes alfas. Sabia que seu companheiro não devia ser tratado como uma fêmea, mas ele estava ferido e ainda muito fraco pelos anos de aprisionamento, não permitiria de forma alguma que voltasse a se ferir mesmo que para isso, no momento, precisasse o subjugar.
Gaara não se intimida com o aviso de Madara e mais que irritado por ser tratado como fraco rosna para o outro macho lhe mostrando os dentes com raiva, indicando claramente que lhe atacaria de fosse necessário.
Nervoso com a situação que se encontravam, Madara perde o controle ao ser desafiado pelo companheiro e sem pensar no que fazia lhe morde com força sobre o ombro, do lado oposto ao qual havia lhe marcado mais cedo. Aquela mordida normalmente era usada por lobos mais fortes para subjugar os mais fracos que lhes desafiavam. Assim que sente o gosto de sangue de Gaara em seus lábios e ouve o ganido de dor vindo do mesmo, Madara se dá conta do que fazia e se afasta assustado. Assiste seu companheiro se encolher sobre si enquanto de seu pescoço escorria uma quantidade significativa de sangue. Arrependimento lhe atinge no mesmo instante e com cuidado se aproxima do companheiro, tentando tocar o ferimento com a língua como havia feito mais cedo, mas Gaara se encolhe ainda mais para manter distância.
Sem pensar direito, volta a sua forma humana, precisava falar com Gaara, não conseguia pensar em nada mais além do companheiro que se encolhia sobre seu corpo. Precisava provar que não havia feito aquilo para subjugar o parceiro da forma errada indicando dominância abusiva.
— Sinto muito Gaara. Não tive a intenção, estou nervoso e com medo. Você está em perigo e meu principal instinto é lhe proteger. Me perdoe companheiro.
Gaara sentia a dor da ferida espalhar por seu corpo já dolorido. Estava em choque, nunca pensara que seria subjugado novamente. No passado quando era mais jovem e livre havia sido subjugado da mesma forma e foi impossível não relacionar os eventos.
— Companheiro, me perdoe. – Madara pede novamente ao ver o olhar perdido de Gaara o trazendo para o presente.
Gaara finalmente olha para o macho sobre si lhe dando toda sua atenção. Identifica claramente a preocupação em sua expressão e olhos. Com um suspiro cansado, aceita o pedido de desculpas com um movimentos de cabeça, não conseguiria esquecer tão cedo aquele ferimento, mas não faria drama naquele momento.
Madara se sente aliviado com o perdão de Gaara, como ele ainda estava na forma animal, Madara apenas lhe faz afagos demonstrando que realmente lamentava o que tinha feito.
Como se o perdão de seu companheiro fosse o estopim, a bolha em que se colocaram naqueles poucos instantes estoura lhes trazendo para a realidade. O helicóptero havia chegado ao local e ainda conseguiam ouvir disparos ocasionais ao seu redor lhes impedindo de fugir, estavam cercados.
Madara rapidamente volta a sua forma animal e analisa a região, preocupado ao notar que mais humanos, além dos atiradores, começavam a se aproximar.
“Eu não volto pra aquele lugar.” — Gaara sentencia com firmeza.
Madara olha apreensivo para o companheiro. Havia ouvido as histórias daqueles poucos que conseguiram salvar das instalações de testes da Akatsuki, sabia que seu povo era tratado de forma desumana. Não poderia permitir que seu companheiro retornasse aquele lugar, mas não conseguia encontrar uma forma de saírem daquele local com vida. Estavam cercados e em desvantagem e apostava que no helicóptero mais atiradores aguardavam para lhes capturar.
Com dor em sua alma, Madara concorda com um movimento de cabeça e com um leve carinho em seu fucinho confirma que lhe acompanharia na morte. Não poderia continuar a viver caso perdesse o seu companheiro de alma.
... Continua!!!
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