Lobos
10 Conflito na floresta
Notas iniciais
10º Capitulo – Conflito na floresta
Corria o mais rápido que suas pernas permitiam, mas também tomava cuidado para não deixar rastros, sabia que se fosse encontrada estaria com sérios problemas, por isso mesmo com pressa se atentava onde pisava ou o caminho que seguia. Sua camisola hospitalar estava molhada e grudava em seu corpo e não impedia que a vegetação lhe machucasse as pernas ou os braços. Seus pés descalços estavam sujos e feridos e seus longos cabelos pingavam e grudavam em seu rosto, pescoço e costas. Sem fôlego se obriga a apoiar-se em uma arvore e controlar a respiração descansando por alguns instantes.
Estava apavorada, tinha medo do que poderiam fazer consigo se a encontrassem e ainda tentava se recuperar do medo de quase ter morrido afogada há poucos minutos atrás. Ela não sabia nadar, mas no desespero do momento havia se jogado dentro do rio sem pensar. Ainda não sabia direito como havia sobrevivido e chegado ao outro lado, mas agradecia a Deus por ter-lhe feito chegar em segurança até a outra margem.
Com o fôlego renovado volta a correr e colocar mais distancia entre ela e seus perseguidores. Seu corpo todo reclamava, dores a faziam ter de morder os lábios para que gemidos ou gritos não escapassem de forma involuntária.
A mata em que se encontrava era extremamente verde. As arvores, em sua maioria, eram altas e cheias de galhos e folhas. O chão estava encoberto por folhas secas e galhos caídos, alem da vegetação rasteira, algumas mais altas que um arbusto outras que não chegavam a seu tornozelo. Mas algumas arvores eram baixas e lhe obrigavam a tomar cuidado para não acabar batendo a cabeça. O terreno era desregular, algumas vezes o chão era plano como um tapete e no outro encontrava barrancos íngremes onde tinha de ter cuidado redobrado para que não caísse. Em alguns momentos percebia que o terreno descia e em outros tinha de lidar com subidas, muitas delas íngremes.
Exausta, consegue vencer mais um barranco ao qual havia lhe dado trabalho por ser mais alto que os demais e muito íngreme, joga-se no chão e maravilhada olha a seu redor. Ali o solo era plano e as arvores mesmo próximas umas das outras não impediam uma livre circulação ou a iluminação do sol de passar e nota que estava começando a escurecer e aquilo seria um problema pra ela. No chão encontrava-se um tapete de flores lilases que ela desconhecia o nome, mas aquela era uma linda visão. Acaba se permitindo ficar ali parada apenas admirando aquela criação. Minutos depois quando sua respiração já estava mais calma volta a levantar e andar apressada buscando apoio nos troncos lisos das inúmeras arvores que lhe rodeavam.
Após vários minutos de caminhada encontra uma grande formação de pedras de vários tamanhos e formas, algumas com duas vezes o seu tamanho que formavam uma espécie de escada, bruta e precária, para o outro lado que era muito mais alto do que os barrancos que tinha encontrado até o momento. Com cuidado sobe numa pedra e começa a escalar as demais, mas um barulho faz com que pare todos os seus movimentos e direcionar o olhar a seu redor, infelizmente encontra o que rezava para não encontrar.
Dois enormes grandes lobos de pelagem parda estavam parados a cerca de dez metros lhe olhando e rosnando, mostrando seus grandes e brancos dentes que pareciam reluzir mesmo a distancia. Sentindo suas pernas fraquejarem acaba se colocando de joelhos sobre as pedras. Sabia que o fato de se encontrar no alto não lhe era favorável em nada, eles eram lobos e por isso muito mais rápidos que ela, alem de com certeza estarem acostumados a caçarem, estava sem saída.
Sem ação assiste os lobos se aproximarem com passos lentos e predatórios, sempre rosnando com seus dentes afiados e prontos para estraçalhar sua carne à mostra. Um deles, o maior, toma a dianteira e quando estava a um pouco menos de cinco metros um novo rosnado chama a atenção de todos, surpreendendo tanto Sakura quanto os dois lobos.
Um novo lobo com a pelagem cinza quase negra estava parado próximo das pedras e olhava diretamente para o lobo que ameaçava atacá-la. Por segundos que mais pareceram horas para Sakura, aqueles dois lobos apenas se olharam, se mediram, um rosnando pro outro. O desespero crescia cada vez mais e tornava difícil o simples ato de respirar. Seus olhos queimavam com a vontade de chorar, mas tentava se manter firme em não mostrar tanta fraqueza.
Para seu espanto o lobo que havia chegado por ultimo se transforma em humano como os demais que havia visto no laboratório. Ele era alto, e somente isso conseguia saber por que ele usava um sobretudo acinzentado com capuz que lhe escondia as feições. Suas mãos estavam erguidas em um clássico sinal de paz, mas o outro lobo não demonstrava ligar para este detalhe, pois ainda rosnava de forma ameaçadora.
– Por ordens do Alfa essa humana está sob proteção. – Sua voz era grave e seria, expressava com clareza suas intenções. – Se afastem e retornem imediatamente à aldeia.
Sakura sentiu seu corpo tremer com a ordem, ela havia saído em um tom mais grave indicando que ele não estava para brincadeiras e que queria ser obedecido, pois era nítido que aquelas palavras continham uma ameaça velada e oculta. Mais infelizmente os outros lobos não pareciam ter notado a mesma coisa que ela, pois ao invés de se afastarem voltaram a se aproximar com lentidão, seus rosnados mais agressivos do que antes deixando claro que não tinham a menor intenção de se afastarem.
Sem demonstrar medo, o encapuzado também começa a andar em direção ao lobo que o ameaçava, seus passos eram firmes e certos e em momento algum desviou seus olhos de seu adversário nem mesmo quando falou com ela, lhe assustando.
– Não desça daí Sakura. – Suas palavras não demonstravam sentimentos, eram frias e novamente o tom de ordem pode ser identificado. – O Alfa já foi avisado, logo chegará.
Ele mal termina de falar e novamente se transforma em lobo, Sakura ainda estava chocada, mal podia acreditar que esse tipo de coisa podia acontecer, pessoas virando animais? Era loucura demais.
Assiste apavorada os dois lobos, cinza e pardo, se chocarem com força total em pleno ar. Seus corpos avantajados caem e se chocam contra o chão pedregoso do local. O barulho terrível e animalesco de briga e ganidos toma conta de todo o local sendo propagado pela floresta graças à alta concentração das pedras que ajudavam a criar uma boa acústica da batalha mortal que se iniciara.
A cena que se desenrolava era surreal e cruel. Os dois lobos brigavam de forma feroz e sem piedade dos possíveis machucados que poderiam causar. Uma hora se encontravam rolando pelo chão e na outra de pé apoiados em suas patas traseiras enquanto suas patas dianteiras tentavam causar grandes estragos em seu adversário. Mordidas eram trocadas sem piedade, inúmeros ferimentos já eram visíveis, principalmente no lobo pardo. Era visível que o lobo cinzento tinha mais experiência em lutas como aquela e tirava vantagem desse fato.
Porem a cena que assistia simplesmente desaparece de seu campo de visão de uma hora para outra. Sakura já não estava mais em cima da pedra de onde assistia apavorada a cena que se desenrolava. Seu corpo se chocou com força contra as pedras, seus braços, mãos e joelhos estavam machucados e sangravam devido a queda, fora a dor em suas costas que parecia que lhe partiria ao meio. Estava confusa, não sabia o que estava acontecendo e com muita dificuldade consegue se apoiar e ficar de quatro. Seus ouvidos zumbiam, sua visão estava embaçada. Tentando entender o que tinha acontecido se senta sobre as pernas e olha ao redor analisando a situação em que se encontrava e todo o ar que ainda tinha nos pulmões some ao ver um lobo pardo a menos de três metros de si. Sabia que era o outro lobo pardo, o menor, pois ainda podia ouvir o barulho da briga que acontecia a poucos metros.
Não adiantava tentar correr. Mais por incrível que pareça todo o medo tinha desaparecido de seu corpo e mente. Saber que não possuía mais opções, que finalmente havia chegado ao fim da linha e não tinha como adiar o inevitável era libertador. Seus músculos relaxaram como nunca haviam feito na vida, finalmente havia aceitado seu fim e estava em paz com isso. Não lutaria, não fugiria. Se entregaria sem medo ao fim absoluto e a paz definitiva que era mais que esperada. Sentiu um involuntário sorriso se formar ao mesmo tempo em que fechava os olhos se entregando ao fim.
Ouviu seu algoz rosnar e o sentiu se aproximar de forma rápida, mas nem mesmo isso fez com que sua respiração se agitasse ou alterasse sua expressão de paz e conformidade com o fim inevitável.
Mais o choque ou a dor do fim que esperava nunca chegou. Ao invés disso, seus ouvidos captaram um novo rosnado, um que causou um arrepio em sua coluna e fez com que seu coração voltasse a bater descompassado no peito a ponto de chegar a lhe machucar, ele batia pela vida, implorava por mais tempo, tempo esse que agora, de alguma forma, sabia que conseguiria. O mover de seu pescoço foi inconsciente, sabia exatamente de onde vinha o rosnado mesmo estando com os olhos fechados. Suas pálpebras se abriram de forma lenta e de alguma forma ela sabia exatamente o que encontraria assim que as abrisse. E não se enganou. Parado a poucos metros de distancia estava um lobo, maior que os lobos pardos ou o cinzento, era completamente negro com seus olhos brilhando em um vermelho vivo. Sentiu seu coração se agitar ainda mais com o conectar de seus olhos.
“O que estava acontecendo? Porque me sinto dessa forma apenas em estar perto desse lobo? Porque agora queria viver se já havia aceitado o fim?”
Pelo canto de sua visão percebe uma movimentação e vira-se para ver o que era e assusta-se ao notar que o lobo pardo encontrava-se muito próximo de si e que estava se preparando para voltar a lhe atacar.
No mesmo instante em que seu atacante se aproxima um passo ela joga o corpo para trás tentando se arrastar para longe, o medo voltando com força a todos os cantos de seu corpo. A adrenalina em suas veias obrigava seu corpo exausto a se mover para longe da ameaça. Apavorada assiste o lobo pardo saltar sobre si e com rapidez ergue os braços cruzando-os sobre o rosto para se proteger, mas sem ocultar sua visão. Mas novamente ele não chega a lhe tocar e isso deveu-se ao fato de ter sido arremessado com força contra a rocha ao ser atingido pelo lobo negro.
Espantada, Sakura acompanha o aproximar do lobo negro de si, mas este se mantinha de costas, sua atenção voltada completamente para o lobo pardo que se levantava com dificuldade após se chocar com força contra a grande pedra donde Sakura havia sido derrubada a poucos instantes. Era claro que aquele lobo a estava protegendo da mesma forma que o cinzento a pouco, agora que lembrou desse detalhe nota que já não ouvia mais o som de luta que ocorria do outro lado da pedra, apenas um ganido lamentoso chegava a seus ouvidos, um som de dor, alguém estava claramente ferido e sendo sincera consigo mesma, torcia para que não fosse aquele que a havia ajudado.
Assim que o lobo pardo fica completamente em pé, Sakura nota que o lobo negro se agacha levemente sobre as patas dianteiras e começa a rosnar, mas seu rosnado era diferente dos que havia ouvido dos outros lobos, era mais forte, mais grave. Algo dentro dela queria apenas se jogar no chão aos pés daquele lobo, conseguia sentir uma aura de poder o rodeando e seus instintos diziam claramente que aquele era o Alfa e se ela não estava enganada e se lembrava corretamente dos últimos acontecimentos, aquele lobo se chamava Sasuke, o moreno que havia lhe espancado, mas que agora estava ali, lhe protegendo, aquilo tudo era tão confuso pra ela.
Fascinada nota o lobo pardo deitar sobre o chão enquanto choramingava, se rendendo ao poder que seu líder emanava da mesma forma que ela mesma queria fazer. Sasuke se aproxima do lobo rendido e continuar a rosnar pra ele, a impressão que aquela cena passava era que o lobo pardo estava recebendo uma reprimenda de seu líder. O lobo negro finalmente se dá por satisfeito e dá as costas para o lobo rendido, seus movimentos eram altivos, enquanto se voltava para Sakura.
Mais curiosa do que assustada, acompanha a aproximação de Sasuke em sua forma de lobo. Ele não desviava seu olhar do dela, mas aquilo não a deixava com medo, ele não demonstrava estar lhe ameaçando, pelo contrário, conseguia ler em seus olhos algo como preocupação.
– Sa-Sasuke... – Sua voz soara no mesmo nível de um sussurro. – Você é Sasuke?
Em choque vê o lobo se aproximar ainda mais de si e invadir seu espaço pessoal, mas mesmo assim não consegue sentir medo, somente um pouco de receio. Surpresa, nota que ele se abaixa e lambe as feridas de seus joelhos que sangravam devido a queda da rocha. O ferimento passa a arder com o roçar da áspera língua, mas o gesto era, de algum modo, carinhoso e lhe aqueceu o coração de uma forma inexplicável.
Em menos de um segundo o lobo negro não estava mais a sua frente e sim Sasuke. Este estava agachado e lhe olhava preocupado analisando todo seu corpo e quando falou sua voz era calma e suave, mas preocupada e receosa.
– Você está ferida. – Disse o óbvio, na opinião da rosada.
Sakura não conseguia entender o que se passava com seu próprio corpo. Até poucos instantes atrás se sentia acalentada e protegida, isso que estava com um lobo gigante e assustador quase em cima dela, mas agora, com Sasuke em sua forma humana, estava apavorada. Sentia medo dele, queria se afastar, não queria que ele a tocasse e com esse medo passa a tomar conhecimento das dores em seu corpo que se propagavam de forma intensa por todos os membros.
– Sasuke?!
Uma nova voz chama a atenção tanto de Sakura quanto de Sasuke que olham para o lado encontrando o mesmo homem que Sakura se lembrava de ter visto em seu quarto, ele usava uma mascara cobrindo boa parte de seu rosto, o que intrigava a Haruno. Ao lado dele se encontrava o mesmo homem que havia aparecido anteriormente, ele ainda usava o mesmo sobretudo cinza que encobria todo seu corpo, mas agora este estava manchado de sangue em algumas partes.
– Qual a situação Kakashi? – A voz de Sasuke havia saído mais grossa e firme do que quando falara com ela.
– Shino controlou a situação. Hayase ficou bem ferido, precisa de atendimento médico. – Explica o mascarado.
– Onde está Kiba? – Questiona o moreno.
– Estou aqui Alfa. – Diz uma nova voz, esta vinha de sobre as pedras.
Sakura reconhece aquele homem, havia sido o primeiro homem/lobo a invadir as celas quando ainda estava sendo mantida prisioneira no laboratório da Akatsuki.
– Ajude Shino a levar Hayase e Shin para o hospital. Kakashi, me acompanhe, vou levar minha companheira, ela precisa de cuidados.
Mal havia dado as ordens e os demais já lhe obedeciam se afastando para cumpri-las. Sakura tinha permanecido calada e apenas assistia a interação que ocorria entre todos sem se mover. Mas as palavras proferidas pelo moreno martelaram em sua mente deixando-a receosa, alerta, e não pode se impedir de perguntar.
– C-ompanheira? – Sua voz ainda saíra no mesmo nível de um sussurro, mas foi claro que o moreno conseguiu lhe escutar, pois logo se virou completamente para ela.
– Vou explicar-lhe tudo, mas não agora. Você precisa voltar ao hospital. Tsunade vai cuidar de seus ferimentos e fazer exames pra saber se não tem nada mais grave. – Ele ameaça se aproximar, mas para seus movimentos ao notar a contração de seus músculos para o ato. Ele a olha diretamente em seus olhos antes de voltar a se pronunciar de forma séria. – Entendo porque fugiu Sakura, mas foi estupidez. Mais de noventa por cento da população de Konoha é de lobos que odeiam humanos como você. Se não tivesse pedido a Shino pra ajudar nas buscas você estaria morta agora. Sei que tem todos os motivos do mundo pra nos temer, mas confie em mim, não tem como fugir e se cooperar nada mais de ruim vai lhe acontecer, vamos cuidar de você a partir de agora.
Sakura ainda sentia medo dele, não conseguia esquecer que ele havia lhe machucado, lhe batido. Mas sabia reconhecer a sinceridade em suas palavras, sabia que ele honraria sua palavra.
– Vou me aproximar, pegá-la nos braços e levá-la ao hospital. – Ela percebe que a explicação havia sido dada apenas para não lhe assustar ainda mais, o que na verdade lhe deixava muito confusa, pois aquele homem quase a matara no dia anterior e agora lhe protegia.
– N-ão... – Se afasta do toque do alfa.
– Sakura você tem que ir pro hospital.
– E-eu vou. – Diz com medo. – Mas não quero que você chegue perto.
– Você está machucada, é melhor não andar nesse estado. – Mal termina de falar e o moreno volta a se aproximar tendo suas mãos afastadas por um tapa de Sakura.
– Não quero que chegue perto de mim! – Fala mais firme dessa vez, estava começando a ficar com raiva da aproximação daquele moreno que a desnorteava. – Ele pode me ajudar. – Diz apontando para o mascarado que apenas assistia a tudo a certa distancia.
– Por quê? – Sussurra o moreno, e ao olhá-lo ela se espanta em ver em seus olhos que o mesmo sofria.
– E-le não me machucou. – Explica vendo o moreno abaixar a cabeça e em silencio se levantar e se afastar.
– Kakashi... – Sua voz era falha.
Sem demonstrar repudio, acompanha a aproximação de Kakashi, que com cuidado a pega nos braços facilmente passando uma mão por baixo de seus joelhos e a outra apoiada em suas costas. Ela não se moveu, não teve coragem de passar os braços pelo pescoço dele e nem queria, suas mãos mantinham-se firmes em seu colo, entrelaçando-se de forma nervosa.
Nota que finalmente começam a se mover com lentidão entre as arvores, provavelmente voltando para o hospital do qual havia escapado a pouco.
OoOoOoOo
Seu coração ainda batia desesperado e apavorado no peito mesmo a tendo em segurança. No instante em que recebera o aviso de Shino de que sua companheira estava em perigo sentiu suas entranhas darem um nó. Não podia perdê-la quando mal a havia encontrado.
Nunca correra mais rápido na vida e aquela floresta nunca fora tão grande quanto naquele instante. Quando finalmente lhe encontrou, seu coração parou por alguns instantes. Ela estava ali, parada, sorrindo enquanto esperava Shin lhe matar. Havia conformidade em sua expressão e ele não poderia nem em mil anos aceitar aquilo, não permitiria que ninguém a tirasse de si, nem um dos seus. Através de seu elo ordenou que Shin se afastasse, mas o mesmo não lhe deu ouvidos.
Foi instintivo protegê-la, Shin era uma ameaça e seria tratado como uma. Permitiu que sua essência de Alfa se espalhasse pelo local e lembrasse o lobo encrenqueiro quem é que mandava naquela alcatéia e o porquê ele deveria ter se afastado quando o mandou recuar.
Esperança lhe encheu o coração quando se aproximou de Sakura e notou que ela não tinha medo de seu lobo, pelo contrário, ela lhe encarava com curiosidade e não demonstrava medo de lhe olhar nos olhos. Quase chorou quando ela pronunciou seu nome com a voz hesitante. Nunca seu nome tinha parecido tão sensual quanto quando ela o pronunciara. Ela havia lhe reconhecido, sabia quem ele era e aquilo lhe rejubilou.
Mas a apreensão tomou conta de seu corpo e mente ao notar seus ferimentos, não pareciam ser graves, mas mesmo assim preocupavam. Com tristeza notou que a curiosidade que ela tinha sobre si desapareceu quando retornou a sua forma humana. O pavor e desespero ficaram claros em suas belas esmeraldas.
Decidiu levar aquela atitude pelo lado positivo. Ela aparentemente havia o aceitado em forma de fera, precisava apenas fazê-la aceitar-lhe na forma humana.
Mas a recusa dela em ser tocada por ele lhe feriu mais do que qualquer coisa. Ela não o queria por perto, aceitou Kakashi e não a ele. A única vez na vida em que havia perdido o controle sobre seu lado animal havia lhe custado aquilo que lhe era mais sagrado, a confiança de sua companheira.
Ela o temia e ele não sabia o que fazer para mudar aquilo.
Continua...
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