A senhora Matilde entrou e Léo a ajudou segurando as suas malas. A senhora Matilde não havia mudado muito em nesses quase quatro meses percebeu Rebeca. A senhora estatura miúda, pele branca e um pouco enrugada, seus cabelos grisalhos estavam maiores caindo em suas costas e olhos eram castanhos claros. A senhora Matilde estava usando uma calça marrom com tamancos cor de madeira, uma camiseta branca com blusa preta.

Léo e Rebeca apresentaram a senhora Matilde a Mirela. Eles explicaram que ela era uma amiga de Rebeca e ela sabia do segredo de Léo.

Mirela foi informada que aquela mulher era a Alfa de Léo, foi ela quem mandou o jovem morar com Rebeca para protege-la.

– Que bom saber que tem mais gente em que se possa confiar, e parabéns pela gravidez minha jovem pelo tamanho da barriga são gêmeos estou certa?

– Obrigada e sim a senhora está certa são gêmeos sim. – Respondeu Mirela sorridente.

– Que eles nasçam com muita saúde e sejam lindos como a mamãe deles.

– A que isso não sou tão linda assim como diz. – Mirela ficou sem jeito e Rebeca e Léo não resistiram e começaram a sorrir.

– Mas a minha vinda até aqui é para alerta-los de um grande perigo meus jovens.

– Perigo? – Perguntou Léo e pelo seu tom de voz mostra o quanto ele estava preocupado.

– Sim Léo perigo primeiro semana passada depois, e a três dias atrás eu fui visitada pela “Autoridade Lupina.”

– Autoridade... Lupina? – Repetiu Rebeca devagar e a senhora Matilde assentiu. — O que é isso?

– É uma alcateia especial de lobos Re.

– E qual a cor dos olhos deles?

– Não tem a ver com isso Re olha eles são especiais por que eles são... como se fosse a “polícia para nós lobos.”

– A polícia?

– A sim minha jovem. – A senhora Matilde interveio e todos olharam para ela. – Eles são um grupo especial de lobos que zelam pelo nosso segredo. Se algum lobo comente um crime eles logo interveem. Eles caçam os lobos e assim como os humanos dependendo da gravidade o lobo pode ser preso ou condenado a pena de morte.

– Minha nossa eu não sabia que existiam lobos assim.

– Mas por que eles foram procurar a senhora? – Perguntou Léo e a senhora Matilde o olho atentamente.

– Por causa do que está acontecendo nessa cidade Léo os assassinatos! – Léo mordeu os lábios e assentiu. – Eu já estava pensando em vir desde a primeira visita, mas depois da segunda eu vim o mais rápido que pude após o lobo me entregar isso.

A senhora Matilde iria se levantar para pegar uma de suas bolsas, Léo a impediu e pegou para ela. Era uma bolsa preta com vários bolsos. A senhora abriu um dos bolsos laterais e retirou de dentro dele um papel, ela mostrou aos jovens Léo e Rebeca ficaram de queixo caído.

A foto era um retrato falado de uma pessoa procurada, na verdade não era uma pessoa e sim um lobisomem que Léo e Rebeca conheciam muito bem. O lobo aparentava ter de trinta a quarenta anos de idade, olhos castanhos escuros, cabelos cumpridos caindo em seus ombros exatamente como dizia a descrição do retrato. Era o tal lobo Roqueiro que semanas atrás havia flertado com Rebeca. O lobo que fez Léo ser capturado pelos lobos da cidade por pensarem que era Léo quem estava matando esses inocentes.

– Casemiro Dantas Vidal. – Disse Léo devagar ao pronunciar o nome do lobo. – Então esse é o nome dele?

– Isso mesmo Léo e por isso vim até aqui, ele é um lobo perigoso e é um dos mais procurados pela autoridade, eles vieram me informar após saber que um dos meus lobos no caso você estava em uma região onde ele havia atacado, eu soube apenas com a segunda visita e por isso vim correndo para cá para alerta-lo e a Rebeca e agora Mirela também.

– Nós sabemos quem ele é na verdade... nós já o vimos antes. – Léo contou a ela da primeira aparição do lobo Casemiro. Que ele flertou com Rebeca e prometeu vê-la novamente.

– Minha nossa minha jovem Rebeca você corre perigo, esse lobo é muito perigoso quando ele escolhe uma vítima... – A senhora Matilde não precisou concluir a frase, todos na sala já haviam entendido.

– Oh meus amigos chegaram! – Anunciou a senhora com um sorriso no rosto. Mirela e Rebeca se olharam e em seguida olharam para Léo que apenas disse uma palavra.

– Lobos!

Rebeca caminhou até a porta e a abriu, duas pessoas entraram. Ambos eram conhecidos. Quando a senhora Matilde os avistou um grande sorriso apareceu em seu rosto e nos dois rapazes. O primeiro deles era o policial Carlos, ele estava usando o seu uniforme roupas azul escura com coturnos pretos. Sua arma era visível em sua cintura. O Lobo abraço forte a senhora Matilde e parecia que o lobo a iria quebrar com o seu abraço forte, mas a senhora sorria ao sentir aquele abraço e encheu o seu rosto de beijos.

– A quanto tempo não vejo Carlos desde o momento em que colocou esse uniforme não tem mais nos visitado não é?

– Haha Matilde não mudou nada não foi? Mas você tem razão eu devo uma visita mesmo, e sei que estou atrasado alias muito atrasado, mas queria lhe prestar condolências pela sua perda e, pela sua alcateia.

– Obrigada meu querido. – Eles se abraçaram novamente ficando por uns segundos juntos. Um pigarro fez com que se soltassem e os dois olharam para aquele que havia pigarreado e novamente a senhora Matilde voltou a sorrir.

– Oh Cesar continua lindo como sempre!

– Não mais do que você Matilde. – Respondeu o lobo sorrindo e a abraçou forte.

Cesar estava usando calça jeans preta com sapatos da mesma cor e uma camisa branca, em sua cabeça estavam os seus famosos óculos escuros.

– Que saudades minha linda.

– Digo o mesmo meu lindo.

Rebeca, Léo e Mirela ficaram olhando atentamente para cena. Em seus rostos várias expressões podiam ser vistas. Surpresa, felicidade, choque e vergonha.

Os lobos começaram a rir e a senhora Matilde voltou a falar.

– Léo, Rebeca e Mirela nós nos conhecemos a exatos 400 anos.

– 400?? – Disse Mirela chocada.

– Isso mesmo minha jovem e Léo eles eram amigos do meu marido e também de seu pai!

– Meu pai?

– Isso mesmo meu menino éramos grandes amigos de Hector, mesmo longe ainda mantínhamos contato e soubemos a pouco tempo do ocorrido com sua família e sua alcateia e sentimos muito e por desconfiar de você.

– Desconfiarem de Léo? – Perguntou a senhora Matilde preocupada.

Carlos explicou a ela sobre as suspeitas que tinham de Léo já que os assassinatos começaram no momento em que ele chegou a cidade. Eles pediram perdão a senhora Matilde e ela aceitou o pedido de desculpas dos lobos. Ela contou a eles sobre a visita da autoridade Lupina a sua cidade, e contou também que o motivo dela estar na cidade que foi para avisar a Léo já que ele pertence a sua alcateia.

Carlos e Cesar entenderam e a senhora Matilde entregou aos dois um folheto do lobo procurado Casemiro. Léo e Rebeca informaram que esse era o lobo que haviam descrito na noite em que levaram Léo. Carlos disse que iria informar a força policial da cidade que ele era um fugitivo perigoso, e Cesar informaria aos demais sobre ele.

Quando os lobos se foram todos tomaram um delicioso café da manhã. A senhora Matilde contou como estavam as coisas na cidade, todos estavam começando a se recuperar do atentado. Mirela contou sobre o pai dos seus filhos o que havia acontecido contou como Léo a ajudou e a senhora elogiou Léo pelo ótimo trabalho.

***

A senhora Matilde ficou por mais uma semana, enquanto Léo e Rebeca estavam fora ela ficou com Mirela a ajudando a cuidar da casa e até tricotou umas roupinhas para os bebes. Emocionada Mirela a agradeceu pelo presente. A senhora Matilde também conheceu as outras amigas de Rebeca e Mirela, Elisangela e Laryssa.

Assim como Mirela, suas amigas também amaram a senhora e Laryssa aproveitou a deixa para saber mais sobre Léo, mas ela foi logo cortada por Mirela e Elisangela. A semana passou voando e no outro domingo à tarde a senhora Matilde acompanhada de Léo, Rebeca, Mirela, Laryssa e Elisangela a acompanharam até a Rodoviária. Carlos, Cesar e, os demais lobos apareceram para se despedir da senhora.

A senhora Matilde amou conhecer os outros lobos e pediu para Cesar e Carlos cuidarem de Léo, e disse a Léo para cuidar não apenas de Rebeca mas de suas amigas e dos bebes que estariam por vir.

No dia seguinte após a partida da senhora Matilde a rotina de todos voltou ao normal. Rebeca foi para o seu trabalho e Léo para a escola.

As 14 horas Léo chegou em casa e Mirela já havia preparado a comida. Eles esperaram por Rebeca que ainda não havia chegado. Esperam por mais meia hora e não resistindo começaram a comer.

– Talvez ela deva ter ficado para fazer hora extra. – Disse Mirela enquanto comia. – Re disse que teria momentos em que teria que ficar um pouco a mais no trabalho só não sabia quando.

– É e foi logo hoje, coitada bom espero que ela não fique brava por termos comido sem ela.

– Eu também espero que ela não fique brava Léo. – Os dois começaram a rir e continuaram a comer.

As 16 horas Léo estava fazendo a sua lição, Mirela se aproximou e sentou-se ao seu lado.

– Léo...

– Oi Mih?

– Acho que aconteceu algo com a Re... – Léo parou de escrever e olhou atentamente para ela. – Eu liguei no celular dela para perguntar se ela iria para a faculdade direto, mas o celular dela só dava caixa postal, então eu liguei no trabalho dela. Ela me deu o número para caso acontecesse algo enquanto eu estava sozinha e então...

– Então? – Léo estava começando a ficar preocupado com o mistério que Mirela estava fazendo.

– Eles disseram que a Re não fez hora extra que ela saiu no seu horário de sempre!

Léo ficou chocado com o que havia escutado. Rebeca havia saído no seu horário de sempre e até aquela hora não havia voltado. Já eram 16:10, Léo se levantou devagar e respirava com dificuldade.

– Há... não...

– O que foi Léo?

– Mih... ligue para a Laryssa por favor peça para ela ficar aqui com você! – Disse Léo alarmado e se preparava para sair, mas Mirela o impediu.

– Léo o que aconteceu?

– Como eu não pensei nisso? Ah como eu sou idiota!

– No que você não pensou Léo?

– Casemiro!

Ao escutar aquele nome Mirela soltou as mãos de Léo e seu olhar perdeu foco. De repente tudo ficou escuro e Mirela apenas ouviu uma única frase antes de a escuridão tomar conta de tudo.

– MIH NÃO!!